{"id":987,"date":"2022-12-17T21:57:36","date_gmt":"2022-12-17T21:57:36","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=987"},"modified":"2022-12-17T21:58:05","modified_gmt":"2022-12-17T21:58:05","slug":"16-06-1936","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=987","title":{"rendered":"16\/06\/1936"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"987\" class=\"elementor elementor-987\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6aeb1a11 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6aeb1a11\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3abf90df\" data-id=\"3abf90df\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4e34ac78 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4e34ac78\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/eddington-pennsylvania-3rd-public-talk-16th-june-1936\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/eddington-pennsylvania-3rd-public-talk-16th-june-1936<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Terceira Palestra em Eddington, Pennsylvania<\/strong><\/p><p>Vou resumir o que tenho dito durante as palestras e discuss\u00f5es que tivemos aqui. N\u00e3o preciso entrar em detalhes, ou apontar as muitas implica\u00e7\u00f5es, mas essas ideias, quando pensadas profundamente, revelar\u00e3o a voc\u00eas o seu significado detalhado.<\/p><p>Estamos todos procurando viver sem confus\u00e3o e tristeza, e libertarmo-nos da luta, n\u00e3o apenas com nossos vizinhos, fam\u00edlia e amigos, mas especialmente com n\u00f3s mesmos, com as concep\u00e7\u00f5es de certo e errado, falso e verdadeiro, bem e mal. N\u00e3o existe apenas o conflito de nossa rela\u00e7\u00e3o com o ambiente, mas tamb\u00e9m o conflito dentro de n\u00f3s, que inevitavelmente se reflete na moralidade social.<\/p><p>Claro, h\u00e1 aquelas exce\u00e7\u00f5es brutais e est\u00fapidas que est\u00e3o totalmente \u00e0 vontade; ou, receosas por sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a pessoal, vivem sem pensamento e considera\u00e7\u00e3o. Suas mentes est\u00e3o t\u00e3o almofadadas, t\u00e3o invulner\u00e1veis, que elas se recusam a ser abaladas pela d\u00favida ou investiga\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o se permitem pensar; ou, se permitem, seus pensamentos ocorrer\u00e3o ao longo de linhas tradicionais. Eles t\u00eam sua pr\u00f3pria recompensa.<\/p><p>Estamos preocupados, contudo, com aqueles que est\u00e3o seriamente tentando compreender a vida, com suas mis\u00e9rias e o conflito aparentemente sem fim. Estamos preocupados com aqueles que, percebendo profundamente seu ambiente, buscam o seu verdadeiro significado e a causa de seu sofrimento, de suas alegrias transit\u00f3rias. Na sua busca, elas se tornaram emaranhadas, quer na explica\u00e7\u00e3o mecanicista da vida, ou nas explica\u00e7\u00f5es da f\u00e9, da cren\u00e7a. Nessas explica\u00e7\u00f5es opostas, a mente se tornou envolvida e desembara\u00e7ada.<\/p><p>A vis\u00e3o mecanicista da vida, rejeitando toda a coisa que n\u00e3o \u00e9 percept\u00edvel aos sentidos, mant\u00e9m que o homem \u00e9 uma mera criatura de rea\u00e7\u00f5es; que o mecanismo de seu ser \u00e9 mantido, como foi, por uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pela for\u00e7a ou energia capaz, em si mesma, de trazer a\u00e7\u00e3o; que seu desenvolvimento, suas ideias, concep\u00e7\u00f5es e suas emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o meramente o resultado de impactos externos; que a causa adequada de cada acontecimento \u00e9 simplesmente uma s\u00e9rie de acontecimentos antecedentes. E, disto, \u00e9 argumentado que ao controlar os acontecimentos e rea\u00e7\u00f5es do homem a eles, atrav\u00e9s da arregimenta\u00e7\u00e3o de seu pensamento e a\u00e7\u00e3o, e atrav\u00e9s de propaganda, ele ser\u00e1 capaz de estabelecer um relacionamento correto com seu ambiente. Isto \u00e9, a arregimenta\u00e7\u00e3o e controle de suas v\u00e1rias rea\u00e7\u00f5es, trar\u00e1 a\u00e7\u00f5es que dar\u00e3o ao homem felicidade.<\/p><p>Em oposi\u00e7\u00e3o a isto, vem a f\u00e9. Esta vis\u00e3o mant\u00e9m que a causa adequada da exist\u00eancia do homem \u00e9 uma for\u00e7a universal, uma for\u00e7a divina em si mesma, impercept\u00edvel aos sentidos. Esta for\u00e7a transcendental, esta super intelig\u00eancia, est\u00e1 sempre guiando, vendo e decreta que nada pode ter lugar sem seu conhecimento do acontecimento. Disto, naturalmente, surge a ideia de predestina\u00e7\u00e3o. Se h\u00e1 uma super intelig\u00eancia vendo e guiando suas a\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o voc\u00ea, o indiv\u00edduo, n\u00e3o tem grande responsabilidade na vida. Seu destino \u00e9 predeterminado, e, portanto, n\u00e3o pode haver livre vontade. Se n\u00e3o h\u00e1 livre vontade, a ideia da alma e sua imortalidade n\u00e3o tem sentido. Se \u00e9 assim, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 realidade ou Deus ou for\u00e7a universal. A f\u00e9 destr\u00f3i o seu pr\u00f3prio fim.<\/p><p>Entre esses dois opostos, a vis\u00e3o mecanicista da vida e aquela da f\u00e9, algu\u00e9m vacila, de acordo com a inclina\u00e7\u00e3o pessoal do momento. Depend\u00eancia da f\u00e9 num momento e no outro, em seu oposto, tem aumentado a nossa confus\u00e3o e tristeza.<\/p><p>Agora, digo que h\u00e1 outra forma de abordar a nossa exist\u00eancia e de verdadeiramente compreend\u00ea-la. Realidade \u00e9 aquilo que algu\u00e9m experimenta. N\u00e3o tem nada a ver com opostos, quer com a f\u00e9 ou com a rejei\u00e7\u00e3o do que \u00e9 impercept\u00edvel aos sentidos. Toda a exist\u00eancia \u00e9 um processo de energia que \u00e9 tanto condicionado e condicionador. Esta energia, em seu desenvolvimento auto ativo, auto sustentador, cria a sua pr\u00f3pria subst\u00e2ncia material, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, escolha e consci\u00eancia, da qual surge a individualidade. Esta energia \u00e9 \u00fanica a cada indiv\u00edduo, a cada processo, que \u00e9 sem come\u00e7o.<\/p><p>Individualidade ou consci\u00eancia \u00e9 o resultado do processo desta energia \u00fanica. Com a consci\u00eancia, est\u00e3o juntos a ignor\u00e2ncia e desejo. Esta consci\u00eancia se mant\u00e9m por suas pr\u00f3prias atividades volitivas nascidas da ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias, desejos. A este processo auto sustentador de individualidade, que \u00e9 \u00fanico, que n\u00e3o tem in\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 dado, como era, um impulso, empurrado para adiante, por outra for\u00e7a ou energia. \u00c9 um processo que, em todos os momentos, \u00e9 auto ativo atrav\u00e9s de suas exig\u00eancias, desejos, e atividades volitivas.<\/p><p>Se pensarem nisto muito cuidadosamente e profundamente, ver\u00e3o que isto tem um significado totalmente diferente da vis\u00e3o mecanicista da vida ou aquela da f\u00e9. Aquelas s\u00e3o teorias baseadas nos opostos, enquanto aquilo que tenho explicado n\u00e3o \u00e9 dos opostos. Voc\u00eas, como indiv\u00edduos, t\u00eam de descobrir, por v\u00f3s mesmos, qual \u00e9 a verdadeira causa da exist\u00eancia, do sofrimento e sua continua\u00e7\u00e3o aparente. Como disse, realidade \u00e9 aquilo que algu\u00e9m experimenta; uma pessoa n\u00e3o pode experimentar uma teoria, uma explica\u00e7\u00e3o. Permitindo que a mente aceite uma teoria, e ser treinado de acordo com essa concep\u00e7\u00e3o, podemos ter uma s\u00e9rie de experi\u00eancias, mas elas n\u00e3o ser\u00e3o experi\u00eancias da realidade. Cren\u00e7a ou f\u00e9 tem dado um certo treinamento \u00e0 mente, e experi\u00eancias baseadas nela, n\u00e3o s\u00e3o reais, sendo o produto de pressuposi\u00e7\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es. Tais experi\u00eancias s\u00e3o meramente o resultado do desejo de realiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Para compreender a realidade, ou experimentar a realidade, deve haver discernimento. Discernimento \u00e9 aquele estado de pensamento-emo\u00e7\u00e3o integrado, no qual todo desejo, escolha, terminou; n\u00e3o \u00e9 um estado induzido por mera nega\u00e7\u00e3o e supress\u00e3o. Toda vontade, desejo, perverte o discernimento, mesmo o desejo pela realidade. A vontade condiciona o pensamento e a emo\u00e7\u00e3o, e portanto, torna-a incapaz de discernimento direto. Portanto, se a mente \u00e9 preconceituosa por meio de qualquer teoria ou explica\u00e7\u00e3o, ou se ela \u00e9 apanhada em qualquer cren\u00e7a, tal como aquela de qualquer religi\u00e3o ou filosofia, ela \u00e9 completamente incapaz de discernimento.<\/p><p>Ent\u00e3o, temos de considerar, primeiro, quais s\u00e3o aquelas tend\u00eancias e desejos que continuam e perpetuam o processo do \u2018Eu\u2019. Esta considera\u00e7\u00e3o profunda do processo da vontade e seus resultados, esta consci\u00eancia constante em a\u00e7\u00e3o, liberta a mente e o cora\u00e7\u00e3o da vontade, daquelas resist\u00eancias auto protetoras que ela criou para si mesma, como seguran\u00e7a e conforto. Pois toda vontade age como um impedimento ao discernimento; todo desejo distorce a percep\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Todo desejo, e qualquer experi\u00eancia nascida dele, comp\u00f5em o processo auto sustentador do \u2018Eu\u2019. Este processo do \u2018Eu\u2019, com suas vontades e tend\u00eancias, cria o medo, e disto surge a aceita\u00e7\u00e3o do conforto e seguran\u00e7a, que a autoridade oferece. Existem v\u00e1rios tipos de autoridade: h\u00e1 a autoridade do exterior, a autoridade de um ideal, e a autoridade da experi\u00eancia ou da mem\u00f3ria.<\/p><p>A autoridade do exterior nasce do medo, que faz a mente e o cora\u00e7\u00e3o aceitarem a compuls\u00e3o da opini\u00e3o \u2013 quer do vizinho ou do l\u00edder \u2013 e as afirma\u00e7\u00f5es da cren\u00e7a organizada, chamada de religi\u00e3o, com seus sistemas e dogmas. Essas afirma\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as tornam-se parte do ser de uma pessoa e, conscientemente ou n\u00e3o, os seus pensamentos e a\u00e7\u00f5es ajustam-se ao padr\u00e3o estabelecido pela autoridade.<\/p><p>H\u00e1 a autoridade de um ideal, que impede a verdadeira autoconfian\u00e7a, nascida da compreens\u00e3o da realidade. Como voc\u00eas n\u00e3o podem entender esta luta e mis\u00e9ria, procuram por um ideal, por um conceito, para vos guiar ao longo deste mar de confus\u00e3o e sofrimento. Se voc\u00eas examinarem cuidadosamente esta vontade, ver\u00e3o que \u00e9 apenas uma fuga da realidade, do conflito do presente. Para escapar da realidade, do agora, voc\u00eas t\u00eam a autoridade de um ideal, que se torna sagrado atrav\u00e9s do tempo e da tradi\u00e7\u00e3o. A autoridade de um ideal impede a compreens\u00e3o do real.<\/p><p>Ent\u00e3o, existe a autoridade da experi\u00eancia e mem\u00f3ria. N\u00e3o somos sen\u00e3o o resultado do processo do tempo. Cada um tira inspira\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o do passado; o passado age como um fundamento, o passado \u00e9 o dep\u00f3sito da experi\u00eancia, e a mente tornou-se meramente uma grava\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias li\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia. Essas experi\u00eancias, com suas li\u00e7\u00f5es, tornaram-se mem\u00f3rias, e essas mem\u00f3rias se tornaram avisos auto protetores. Se voc\u00eas examinarem profundamente as assim chamadas li\u00e7\u00f5es ganhas da experi\u00eancia, ver\u00e3o que elas s\u00e3o meramente o desejo astuto por autoprote\u00e7\u00e3o, que vos guia no presente. Esta orienta\u00e7\u00e3o auto protetora astuta impede a compreens\u00e3o do presente vivo. Portanto, a experi\u00eancia adiciona ao dep\u00f3sito mais li\u00e7\u00f5es, mais mem\u00f3rias \u2013 conhecimento astuto pelo qual se guiar em tempos de tribula\u00e7\u00e3o. Mas se voc\u00eas examinarem este assim chamado conhecimento, ver\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 nada sen\u00e3o mem\u00f3rias auto protetoras armazenadas para o futuro, e que se tornam a autoridade que orienta e direciona a a\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Assim, atrav\u00e9s do desejo, atrav\u00e9s da vontade, h\u00e1 o medo gerado, e disto surge a busca por conforto e seguran\u00e7a encontrados na autoridade do exterior, a autoridade do ideal, e a autoridade da experi\u00eancia. Esta autoridade, nas suas v\u00e1rias formas, mant\u00e9m o processo do \u2018Eu\u2019, que \u00e9 baseado no medo. Considerem os vossos pensamentos e atividade, e a forma da vossa moralidade, e ver\u00e3o que s\u00e3o baseados no medo auto protetor, com suas autoridades sutis e confortantes. Portanto, a a\u00e7\u00e3o que nasce do medo est\u00e1 sempre limitando a si mesma, e portanto, o processo do \u2018Eu\u2019 \u00e9 auto sustentador, por meio das suas atividades volitivas.<\/p><p>Colocando de forma diferente, h\u00e1 a vontade do querer, que \u00e9 esfor\u00e7o, e a vontade da compreens\u00e3o, que \u00e9 discernimento. A vontade do querer est\u00e1 sempre na busca de recompensa, de ganho, e portanto ela cria seus pr\u00f3prios medos. Nisto est\u00e1 baseada a moralidade social, e a aspira\u00e7\u00e3o espiritual n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a tentativa de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o protetora com o superior. O indiv\u00edduo \u00e9 a express\u00e3o da vontade do querer, e no processo de sua atividade, o querer est\u00e1 criando seu pr\u00f3prio conflito e tristeza. Disto, o indiv\u00edduo tenta escapar, para o idealismo, para ilus\u00f5es, para explica\u00e7\u00f5es, e portanto, ainda mant\u00e9m o processo do \u2018Eu\u2019. A vontade da compreens\u00e3o surge quando h\u00e1 a cessa\u00e7\u00e3o do querer, com suas experi\u00eancias sempre recorrentes.<\/p><p>Se existir compreens\u00e3o correta do fato de que n\u00e3o pode haver verdadeiro discernimento, enquanto a vontade do querer continuar, esta mesma compreens\u00e3o leva o processo do \u2018Eu\u2019 a um fim. N\u00e3o h\u00e1 outro ou \u2018Eu\u2019 superior, para trazer este processo do \u2018Eu\u2019 a um fim; nenhum ambiente e nenhuma divindade pode p\u00f4r um fim a este processo do \u2018Eu\u2019. Mas a pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o do processo do \u2018Eu\u2019, o pr\u00f3prio discernimento de sua tolice, de sua natureza transiente, coloca um fim nele.<\/p><p>O processo do \u2018Eu\u2019 \u00e9 auto sustentador, auto ativo, atrav\u00e9s de sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias, desejos. Ele tem de colocar um fim a si mesmo atrav\u00e9s da cessa\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios quereres volitivos. Se voc\u00eas compreenderem profundamente o significado de toda esta concep\u00e7\u00e3o do \u2018Eu\u2019, ent\u00e3o ver\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o o mero ambiente, opini\u00e3o, ou o acaso, mas os criadores, os originadores da a\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas criam a vossa pr\u00f3pria pris\u00e3o de tristeza e conflito. Atrav\u00e9s da cessa\u00e7\u00e3o de vossas pr\u00f3prias atividades volitivas, h\u00e1 a realidade, felicidade.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Voc\u00ea disse que, para compreender o processo do \u2018Eu\u2019, esfor\u00e7o vigorosos \u00e9 requerido. Como devemos entender a sua afirma\u00e7\u00e3o repetida, de forma que o esfor\u00e7o supere a consci\u00eancia?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Onde h\u00e1 o esfor\u00e7o do querer, h\u00e1 escolha, que deve ser baseada no preconceito, na tend\u00eancia. A consci\u00eancia n\u00e3o nasce da escolha, ela surge quando existe a percep\u00e7\u00e3o da transitoriedade da vontade da escolha ou a vontade do querer.<\/p><p>Pela constante considera\u00e7\u00e3o e forte interesse, a vontade do querer \u00e9 compreendida e surge a vontade da compreens\u00e3o. Onde h\u00e1 a vontade do querer, deve haver esfor\u00e7o incorreto, aquele esfor\u00e7o que deve produzir sempre confus\u00e3o, limita\u00e7\u00e3o e aumentar a tristeza. A consci\u00eancia \u00e9 discernimento constante do que \u00e9 verdade. Tristeza e a investiga\u00e7\u00e3o da sua verdadeira causa \u2013 n\u00e3o a te\u00f3rica, mas a investiga\u00e7\u00e3o real pela experimenta\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o \u2013 trar\u00e3o esta flexibilidade desperta da mente e do cora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o sofra. Ele, que sofre, faz um esfor\u00e7o para escapar da realidade, e essa fuga apenas aumenta o sofrimento. Mas, se atrav\u00e9s de observa\u00e7\u00e3o silenciosa e paci\u00eancia, ele discerne a verdadeira causa do sofrimento, essa mesma percep\u00e7\u00e3o dissolve a pr\u00f3pria causa do sofrimento.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Voc\u00ea est\u00e1 descomprometido como esteve na sua atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cerim\u00f4nias e a Sociedade Teos\u00f3fica?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Uma vez que voc\u00ea perceba um ato como sendo completamente tolo, voc\u00ea n\u00e3o reverte a ele. Se voc\u00ea percebe profundamente, como foi comigo, toda a tolice das cerim\u00f4nias, ent\u00e3o ela nunca poder\u00e1 ter qualquer efeito sobre voc\u00ea, novamente. Nenhuma opini\u00e3o, embora possa ser da maioria, nenhuma autoridade, embora seja da tradi\u00e7\u00e3o ou das circunst\u00e2ncias, pode persuadir diferentemente algu\u00e9m que tenha discernido a sua insignific\u00e2ncia. Mas, enquanto algu\u00e9m n\u00e3o v\u00ea o seu significado completamente, h\u00e1 um voltar para isso. \u00c9 o mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Sociedade Teos\u00f3fica. A ideia de cren\u00e7a organizada, com suas autoridades, com sua propaganda, com sua convers\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o \u00e9, para mim, fundamentalmente mal.<\/p><p>N\u00e3o \u00e9 importante o que penso sobre a Sociedade Teos\u00f3fica. O que \u00e9 importante \u00e9 que voc\u00eas devem encontrar, por v\u00f3s mesmos, o que \u00e9 a verdade, o que \u00e9 o real, n\u00e3o o que voc\u00eas querem que seja real; e, para compreender o atual, o real, o verdadeiro, sem qualquer d\u00favida, voc\u00eas devem chegar a ele despojados de todo querer, todo desejo por seguran\u00e7a ou conforto. S\u00f3 ent\u00e3o, h\u00e1 uma possibilidade de discernir aquilo que \u00e9. Mas, como a maioria das pessoas est\u00e1 condicionada pelo querer, pelo desejo por seguran\u00e7a, por conforto, aqui e na outra vida, elas s\u00e3o completamente incapazes de verdadeira percep\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Antes que possam compreender o que \u00e9 a verdade, quer nos ensinos da Sociedade Teos\u00f3fica ou de qualquer outra organiza\u00e7\u00e3o, voc\u00eas devem, primeiro, considerar se est\u00e3o livres do querer. Se n\u00e3o est\u00e3o, essas organiza\u00e7\u00f5es, com suas cren\u00e7as, tornar-se-\u00e3o o meio de vos explorar. Se meramente considerarem seus ensinos, ent\u00e3o estar\u00e3o perdidos em opini\u00f5es, em explica\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, primeiro, comecem por discernir, por v\u00f3s mesmos, o processo de desejo, que distorce a percep\u00e7\u00e3o, mant\u00e9m o processo do \u2018Eu\u2019 e nutre o medo. Ent\u00e3o, esses sistemas, essas organiza\u00e7\u00f5es, com suas cren\u00e7as, amea\u00e7as, e cerim\u00f4nias, n\u00e3o ter\u00e3o nenhum significado.<\/p><p>Infelizmente, n\u00e3o come\u00e7amos fundamentalmente. Pensamos que sistemas e organiza\u00e7\u00f5es v\u00e3o nos ajudar a ficarmos livres de nossos preconceitos, tristezas, e conflitos. Pensamos que eles nos libertar\u00e3o de nossas limita\u00e7\u00f5es, e portanto, atrav\u00e9s deles, esperamos compreender a realidade. Isto nunca aconteceu, nem acontecer\u00e1. Nenhuma cren\u00e7a ou organiza\u00e7\u00e3o pode alguma vez libertar o homem do querer, com seus medos e agonias.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: O que voc\u00ea pensa que acontecer\u00e1 \u00e0 sua alma ap\u00f3s a morte do corpo?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Se o interrogante examinar o motivo que levou \u00e0 sua quest\u00e3o, ele ver\u00e1 que \u00e9 o medo. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma satisfa\u00e7\u00e3o, nenhuma felicidade, no presente, portanto ele demanda uma vida futura de felicidade e oportunidade. Em outras palavras, o \u2018Eu\u2019 est\u00e1 se perguntando se ele continuar\u00e1. Para compreender o significado de seu desejo por continua\u00e7\u00e3o, voc\u00ea deve compreender o que \u00e9 o \u2018Eu\u2019.<\/p><p>Como tenho tentado explicar, a f\u00e9 destr\u00f3i a sua pr\u00f3pria ideia de alma. A f\u00e9 sustenta que existe uma for\u00e7a universal, uma entidade suprema al\u00e9m do homem, direcionando, guiando a exist\u00eancia do homem e determinando o seu futuro. Esta concep\u00e7\u00e3o, se pensarem nela completamente, bane a ideia da alma. Se n\u00e3o h\u00e1 nenhuma alma, ent\u00e3o voc\u00eas se viram para a vis\u00e3o mecanicista da vida, e portanto, s\u00e3o meramente apanhados nos opostos. A verdade n\u00e3o existe nos opostos. Se voc\u00eas compreenderam inteiramente o significado dos opostos, com suas implica\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o discernir\u00e3o o verdadeiro processo do \u2018Eu\u2019. Ent\u00e3o veriam que \u00e9 um processo de querer, formando-se no medo, e assim sustentando-se a si mesmo. Este medo leva o \u2018Eu\u2019 a se perguntar se ele tem uma continuidade, se ele deve viver depois da morte do corpo. A quest\u00e3o real, ent\u00e3o, \u00e9 se esta limita\u00e7\u00e3o, o \u2018Eu\u2019, o ego, tendo passado por muitas experi\u00eancias, e reunido as suas li\u00e7\u00f5es, se torna finalmente perfeito. Pode o ego\u00edsmo alguma vez se tornar perfeito atrav\u00e9s do tempo, atrav\u00e9s da experi\u00eancia? O \u2018Eu\u2019 pode se tornar maior, mais expandido, mais rico em ego\u00edsmo, em limita\u00e7\u00e3o, tomando para si mesmo outras unidades de limita\u00e7\u00e3o e ego\u00edsmo. Mas certamente, este processo deve permanecer sempre o processo do \u2018Eu\u2019, ainda que expandido e glorificado.<\/p><p>Se este processo continua ou chega a um fim, depende da compreens\u00e3o de cada indiv\u00edduo. Quando voc\u00eas discernem profundamente que o processo do \u2018Eu\u2019 se mant\u00e9m por meio de vossas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, as vossas pr\u00f3prias atividades volitivas de desejo, ent\u00e3o a vossa a\u00e7\u00e3o, a vossa moralidade, toda a vossa atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, passa por uma mudan\u00e7a fundamental. Nisso, est\u00e1 a realidade, felicidade.<\/p><p>Posso dar explica\u00e7\u00f5es da causa da exist\u00eancia e do sofrimento. Mas um homem que busca uma explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o discernir\u00e1 a realidade. Defini\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es atuam meramente como uma nuvem que escurece a percep\u00e7\u00e3o. Este processo do \u2018Eu\u2019, sobre o qual falei, pode ser para v\u00f3s apenas uma teoria. Para discernir a sua realidade, voc\u00eas devem experiment\u00e1-lo. Para experiment\u00e1-lo, voc\u00eas devem consider\u00e1-lo criticamente, analis\u00e1-lo e experiment\u00e1-lo. A sua compreens\u00e3o inteligente trar\u00e1 a\u00e7\u00e3o correta.<\/p><p>16 de Junho de 1936<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/eddington-pennsylvania-3rd-public-talk-16th-june-1936 Terceira Palestra em Eddington, Pennsylvania Vou resumir o que tenho dito durante as palestras e discuss\u00f5es que tivemos aqui. N\u00e3o preciso entrar em detalhes, ou apontar as muitas implica\u00e7\u00f5es, mas essas ideias, quando pensadas profundamente, revelar\u00e3o a voc\u00eas o seu significado detalhado. 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