{"id":921,"date":"2022-12-17T21:50:49","date_gmt":"2022-12-17T21:50:49","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=921"},"modified":"2022-12-17T21:51:18","modified_gmt":"2022-12-17T21:51:18","slug":"17-05-1936","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=921","title":{"rendered":"17\/05\/1936"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"921\" class=\"elementor elementor-921\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-a45c50d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"a45c50d\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-408d502b\" data-id=\"408d502b\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-16a46ff6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"16a46ff6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ojai-7th-talk-oak-grove-17th-may-1936\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ojai-7th-talk-oak-grove-17th-may-1936<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>S\u00e9tima Palestra em Oak Grove, Ojai<\/strong><\/p><p>J\u00e1 devemos ter nos questionado, muitas vezes, se existe algo dentro de n\u00f3s mesmos, que tem continua\u00e7\u00e3o, um princ\u00edpio vivo que tem uma perman\u00eancia, uma qualidade duradoura, uma realidade que persiste por toda esta transitoriedade. Na minha palestra desta manh\u00e3, devo tentar explicar o que est\u00e1 por tr\u00e1s deste desejo por continuidade, e considerar se existe realmente algo que tem uma perman\u00eancia. Iria sugerir que amavelmente ou\u00e7am o que digo com pensamento cr\u00edtico e discernimento.<\/p><p>A vida est\u00e1 a cada momento num estado de nascer, surgir, vir a ser. Neste surgir, vir a ser, em si mesmo n\u00e3o h\u00e1 continuidade, nada que possa ser identificado como permanente. A vida est\u00e1 em constante movimento, a\u00e7\u00e3o; nunca houve nem nunca haver\u00e1 outra vez, cada momento desta a\u00e7\u00e3o. Mas cada momento novo forma uma continuidade de movimento.<\/p><p>A consci\u00eancia forma a sua pr\u00f3pria continuidade como uma individualidade, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia e apega-se, com \u00e2nsia desesperada, a esta identifica\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 esse algo ao qual cada um se apega, esperando que possa ser imortal, ou que possa esconder o permanente, ou que al\u00e9m dele, possa estar o eterno?<\/p><p>Este algo ao qual cada um se apega \u00e9 a consci\u00eancia da individualidade. Esta consci\u00eancia \u00e9 composta de muitas camadas de mem\u00f3rias que surgem, ou permanecem presentes, onde h\u00e1 ignor\u00e2ncia, desejo, vontade. Desejo, vontade, tend\u00eancia, sob qualquer forma, devem criar conflito entre si mesmos e aquilo que os provoca, isto \u00e9, o objeto da vontade. Este conflito entre o desejo e o objeto desejado aparece na consci\u00eancia como individualidade. Ent\u00e3o, \u00e9 esta fric\u00e7\u00e3o, realmente, que busca se perpetuar. O que desejamos intensamente que tenha continuidade nada mais \u00e9 do que esta fric\u00e7\u00e3o, esta tens\u00e3o, entre as v\u00e1rias formas de desejo e os seus agentes provocadores. Esta fric\u00e7\u00e3o, esta tens\u00e3o, \u00e9 esta consci\u00eancia que sustenta a individualidade.<\/p><p>O movimento da vida n\u00e3o tem continuidade. Ele surge e \u00e9 criado a cada momento, e portanto, est\u00e1 num estado de a\u00e7\u00e3o, fluxo perp\u00e9tuo. Quando algu\u00e9m deseja a sua pr\u00f3pria imortalidade, deve discernir qual o significado profundo deste desejo e o que \u00e9 que ele deseja que continue. Continuidade \u00e9 o processo auto sustentador da consci\u00eancia, do qual surge a individualidade, atrav\u00e9s da ignor\u00e2ncia, que \u00e9 o resultado da vontade, desejo; disto vem a fric\u00e7\u00e3o e o conflito no relacionamento, na moralidade, e na a\u00e7\u00e3o.<\/p><p>O processo do \u2018Eu\u2019 que busca se perpetuar nada \u00e9 sen\u00e3o desejo acumulado. Esta acumula\u00e7\u00e3o e suas mem\u00f3rias formam a individualidade, \u00e0 qual nos apegamos e desejamos imortalizar. As muitas camadas de mem\u00f3rias, tend\u00eancias, e vontades acumuladas, formam o processo do \u2018Eu\u2019; e queremos saber se esse \u2018Eu\u2019 pode viver para sempre, se pode tornar-se imortal. Podem essas mem\u00f3rias auto protetoras tornar-se ou ser feitas permanentes? Ou, correndo atrav\u00e9s delas como um cord\u00e3o s\u00f3lido, h\u00e1 o permanente? Ou, al\u00e9m deste processo de fric\u00e7\u00e3o, limita\u00e7\u00e3o do \u2018Eu\u2019, existe o eterno? Desejamos tornar as limita\u00e7\u00f5es acumuladas permanentes, ou pensamos que al\u00e9m dessas camadas de mem\u00f3rias, da consci\u00eancia, existe algo que \u00e9 perp\u00e9tuo. Ou ainda, imaginamos que al\u00e9m dessas limita\u00e7\u00f5es da individualidade, deve estar o eterno.<\/p><p>Novamente, podem as mem\u00f3rias de ignor\u00e2ncia, vontades, tend\u00eancias acumuladas, das quais surge fric\u00e7\u00e3o e tristeza, serem feitas para durar? Essa \u00e9 a quest\u00e3o. N\u00e3o podemos aceitar profundamente que, al\u00e9m da individualidade, h\u00e1 algo que \u00e9 eterno, ou que al\u00e9m desta limita\u00e7\u00e3o, h\u00e1 algo permanente, pois esta conce\u00e7\u00e3o pode apenas ser baseada na cren\u00e7a, f\u00e9, ou naquilo que \u00e9 chamado de intui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 quase sempre uma realiza\u00e7\u00e3o de desejo. Das nossas inclina\u00e7\u00f5es, esperan\u00e7as, e desejos de auto perpetua\u00e7\u00e3o, aceitamos teorias, dogmas, cren\u00e7as, que nos d\u00e3o a certeza de auto continuidade. Ainda assim, a incerteza profunda continua, e disto tentamos escapar, procurando por certeza, acumulando cren\u00e7a sobre cren\u00e7a, indo de um sistema para outro, seguindo um instrutor ap\u00f3s outro, aumentando meramente assim a confus\u00e3o e o conflito.<\/p><p>Agora, n\u00e3o quero criar mais cren\u00e7as ou sistemas; Quero ajudar-vos a discernir, por v\u00f3s mesmos, se h\u00e1 continuidade, e compreender seu significado. Portanto, a quest\u00e3o importante \u00e9: pode o processo do \u2018Eu\u2019 ser feito permanente? Pode a consci\u00eancia de tend\u00eancias, vontades, e mem\u00f3rias acumuladas, da qual surge a individualidade, tornar-se permanente? Em outras palavras, podem essas limita\u00e7\u00f5es tornar-se o eterno? A vida, a energia, est\u00e1 num estado perp\u00e9tuo de a\u00e7\u00e3o, movimento, no qual n\u00e3o pode haver nenhuma continuidade individual. Mas, como indiv\u00edduos, desejamos nos perpetuar; e quando voc\u00ea discerne profundamente o que \u00e9 individualidade, voc\u00ea perceber\u00e1 que ela n\u00e3o \u00e9 nada sen\u00e3o o resultado de ignor\u00e2ncia, mantendo-se a si mesma atrav\u00e9s das muitas camadas de mem\u00f3rias, tend\u00eancias, e vontades. Essas limita\u00e7\u00f5es devem inevitavelmente causar tristeza e confus\u00e3o.<\/p><p>Podem essas limita\u00e7\u00f5es, que podemos chamar de individualidade, tornar-se permanentes? Isto \u00e9 realmente o que a maioria das pessoas est\u00e1 buscando quando elas desejam a imortalidade, a realidade, Deus. Elas est\u00e3o profundamente preocupadas com a perpetua\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria individualidade. Pode a limita\u00e7\u00e3o tornar-se eterna? A resposta \u00e9 \u00f3bvia. Se algu\u00e9m discernir profundamente a sua transitoriedade \u00f3bvia, ent\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de realizar o permanente, e somente nisto, existe verdadeiro relacionamento, moralidade.<\/p><p>Se pudermos discernir profundamente o aparecimento do processo do \u2018Eu\u2019, e tornarmo-nos extremamente cientes da constru\u00e7\u00e3o das limita\u00e7\u00f5es e sua transitoriedade, ent\u00e3o essa mesma consci\u00eancia traz a sua dissolu\u00e7\u00e3o; e nisso h\u00e1 o permanente. A qualidade desta perman\u00eancia n\u00e3o pode ser descrita, nem ningu\u00e9m a pode buscar. Ela \u00a0surge com o discernimento do processo transit\u00f3rio do \u2018Eu\u2019. A realidade do permanente pode apenas acontecer, ter lugar, e n\u00e3o pode ser cultivada. Ou algu\u00e9m est\u00e1 buscando o permanente, algo que \u00e9 dur\u00e1vel, al\u00e9m dele mesmo, ou est\u00e1 tentando tornar-se no permanente. Ambas as concep\u00e7\u00f5es est\u00e3o erradas. Se voc\u00ea est\u00e1 buscando o eterno al\u00e9m de voc\u00ea mesmo, ent\u00e3o voc\u00ea \u00e9 compelido a criar e ser apanhado em ilus\u00f5es, que lhe ir\u00e3o oferecer apenas meios de escapar da realidade, e nisto n\u00e3o pode haver compreens\u00e3o do que \u00e9. O indiv\u00edduo deve estar ciente de si mesmo e, conhecendo-se a si mesmo, ele ir\u00e1 ent\u00e3o ser capaz de discernir se existe perman\u00eancia ou n\u00e3o. A nossa busca pelo eterno deve levar-nos \u00e0 ilus\u00e3o; mas se, atrav\u00e9s de esfor\u00e7o e experiencia vigorosos, pudermos compreender a n\u00f3s mesmos profundamente e discernir o que somos, ent\u00e3o somente pode haver o surgimento do permanente \u2013 n\u00e3o a perman\u00eancia de algo externo a n\u00f3s mesmos, mas aquela realidade que surge quando o processo transit\u00f3rio do \u2018Eu\u2019 n\u00e3o mais se perpetua.<\/p><p>Para muitos, o que digo permanecer\u00e1 uma teoria, ser\u00e1 vago e incerto; mas se voc\u00ea discernir a sua validade ou aceit\u00e1-lo como uma hip\u00f3tese, n\u00e3o como uma lei ou como um dogma, ent\u00e3o voc\u00ea pode compreender o seu significado ativo na vida di\u00e1ria. A nossa moralidade, conduta, conceitos, e desejos s\u00e3o baseados fundamentalmente no desejo por auto perpetua\u00e7\u00e3o. O ego n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o resultado de mem\u00f3rias acumuladas, que causa fric\u00e7\u00e3o entre ela mesma e o movimento da vida, entre os valores definidos e indefinidos. Esta mesma fric\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo do \u2018Eu\u2019, e n\u00e3o pode se tornar o eterno. Se pudermos compreender isto fundamentalmente, completamente, ent\u00e3o toda a nossa atitude e esfor\u00e7o ter\u00e3o um significado e prop\u00f3sito diferentes.<\/p><p>Existem dois tipos de vontade: a vontade que nasce do desejo, querer, desejar, e a vontade que \u00e9 de discernimento, compreens\u00e3o. A vontade que \u00e9 o resultado de desejo, est\u00e1 baseada no esfor\u00e7o consciente de aquisi\u00e7\u00e3o, quer seja aquisi\u00e7\u00e3o do querer, ou aquela do n\u00e3o-querer. Este esfor\u00e7o, consciente ou inconsciente, de querer, desejar, cria todo o processo do \u2018Eu\u2019, e disto surge a fric\u00e7\u00e3o, tristeza, e a considera\u00e7\u00e3o da vida futura. Deste processo surge tamb\u00e9m o conflito entre os opostos, e portanto, a batalha constante entre o essencial e o n\u00e3o essencial, escolha e n\u00e3o escolha. E deste processo, surgem as v\u00e1rias paredes auto protetoras de limita\u00e7\u00e3o, que impedem a compreens\u00e3o real dos valores indefinidos. Agora, se estamos conscientes deste processo, conscientes de que desenvolvemos uma vontade atrav\u00e9s do desejo de adquirir, possuir, e que essa vontade est\u00e1 criando conflito cont\u00ednuo, sofrimento, dor, ent\u00e3o surge, sem esfor\u00e7o consciente, a compreens\u00e3o da realidade, que pode ser chamada de permanente.<\/p><p>Discernir que o querer est\u00e1 presente onde h\u00e1 ignor\u00e2ncia, e portanto traz sofrimento, e ainda assim n\u00e3o deixar a mente se treinar a n\u00e3o querer, \u00e9 uma tarefa muito vigorosa e dif\u00edcil. Podemos discernir que possuir, adquirir, cria sofrimento e perpetua a ignor\u00e2ncia, que o movimento de desejar impede discernimento claro. Se voc\u00ea pensar sobre isso, perceber\u00e1 que \u00e9 assim. Quando n\u00e3o h\u00e1 nem querer nem n\u00e3o querer, existe ent\u00e3o a compreens\u00e3o do que \u00e9 o permanente. Este \u00e9 um estado muito dif\u00edcil e sutil de se compreender; ele requer esfor\u00e7o correto e vigoroso para n\u00e3o ser apanhado entre os opostos, ren\u00fancia e aceita\u00e7\u00e3o. Se formos capazes de discernir que opostos s\u00e3o errados, que eles devem levar ao conflito, ent\u00e3o esse mesmo discernimento, essa mesma consci\u00eancia, traz esclarecimento. Falar sobre isto \u00e9 muito dif\u00edcil, como qualquer s\u00edmbolo que algu\u00e9m possa usar deve despertar, na mente, um conceito, que tem em si o oposto. Mas se conseguirmos discernir completamente que, atrav\u00e9s de nossa pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, criamos tristeza, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 o estabelecer do processo do oposto.<\/p><p>Discernir exige esfor\u00e7o correto, e apenas neste esfor\u00e7o correto, existe a compreens\u00e3o do permanente.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Todas as pessoas inteligentes s\u00e3o contra a guerra, mas voc\u00ea \u00e9 contra guerra defensiva, como quando uma na\u00e7\u00e3o \u00e9 atacada?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Considerar uma guerra como defensiva e ofensiva nos levar\u00e1 apenas a mais confus\u00e3o e mis\u00e9ria. O que devemos questionar \u00e9 matar, quer na guerra ou atrav\u00e9s de explora\u00e7\u00e3o. O que \u00e9, afinal, uma guerra defensiva? Por que uma na\u00e7\u00e3o ataca outra? Provavelmente a na\u00e7\u00e3o que \u00e9 atacada provocou esse ataque atrav\u00e9s de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e gan\u00e2ncia. Se lidarmos com a quest\u00e3o da guerra como defensiva e ofensiva, nunca devemos chegar a qualquer solu\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria e verdadeira; devemos lidar apenas com preconceitos aquisitivos. Existe tal coisa como morrer voluntariamente por uma causa, mas que um grupo de pessoas deva enviar outros seres humanos para serem treinados para matar e ser mortos, \u00e9 mais b\u00e1rbaro e desumano. Voc\u00eas nunca perguntar\u00e3o esta quest\u00e3o sobre a guerra \u2013 na qual h\u00e1 a regimenta\u00e7\u00e3o do \u00f3dio, mecanizando o homem atrav\u00e9s de disciplina militar \u2013 e se \u00e9 correto matar, em defesa ou em agress\u00e3o, se voc\u00eas conseguem discernir, por v\u00f3s mesmos, a verdadeira natureza do homem.<\/p><p>Do meu ponto de vista, matar \u00e9 fundamentalmente mau, como \u00e9 mau explorar outra pessoa. A maioria de v\u00f3s est\u00e1 horrorizada com a ideia de matar, mas quando h\u00e1 a provoca\u00e7\u00e3o, voc\u00eas est\u00e3o em p\u00e9 de guerra. Essa provoca\u00e7\u00e3o vem por meio de propaganda, por meio do apelo \u00e0s vossas falsas emo\u00e7\u00f5es de nacionalismo, fam\u00edlia, honra e prest\u00edgio, que s\u00e3o palavras sem profundo significado; elas n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o absurdos aos quais voc\u00eas se acostumaram e atrav\u00e9s dos quais exploram e s\u00e3o explorados. Se voc\u00eas pensarem sobre isto profundamente e verdadeiramente, ent\u00e3o voc\u00eas ajudar\u00e3o a demolir todas essas causas que criam \u00f3dio, explora\u00e7\u00e3o, e ultimamente levam a guerra, quer seja chamada de ofensiva ou defensiva.<\/p><p>Voc\u00eas parecem n\u00e3o sentir nenhuma resposta vital a tudo isto. Alguns de v\u00f3s, sendo treinados na religi\u00e3o, provavelmente muitas vezes repetem a frase que devemos amar o pr\u00f3ximo. Mas contra outros, voc\u00eas tem tais preconceitos profundamente enraizados de nacionalismo e de distin\u00e7\u00f5es raciais, perdendo assim a resposta humana e afetuosa. Somos t\u00e3o orgulhosos de ser um Americano ou pertencer a alguma ra\u00e7a particular; a distin\u00e7\u00e3o de classe e ra\u00e7a \u00e9 t\u00e3o falsamente e rudemente estimulada em cada um de n\u00f3s, que desprezamos estrangeiros, Judeus, Negros, ou Asi\u00e1ticos. At\u00e9 que estejamos livres desses preconceitos absurdos e infantis, guerras de v\u00e1rios tipos existir\u00e3o. Se voc\u00eas, que ouvem com discernimento essas palestras, sentirem e agirem com compreens\u00e3o, e portanto, se libertam dessas ideias limitadoras, prejudiciais, e perniciosas, ent\u00e3o h\u00e1 uma possibilidade de ter um mundo feliz e pac\u00edfico. Isto n\u00e3o \u00e9 mero sentimento; mas, como esta quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e assass\u00ednio preocupa cada um de v\u00f3s, voc\u00eas t\u00eam de fazer esfor\u00e7os vigorosos para libertar a vossa mente dessas ideias auto impostas de seguran\u00e7a e perpetua\u00e7\u00e3o individual, que criam confus\u00e3o e mis\u00e9ria.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: N\u00e3o devemos ter alguma ideia do que \u00e9 a\u00e7\u00e3o pura? Meramente se tornar consciente, mesmo profundamente consciente, parece ser um estado negativo de consci\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 consci\u00eancia positiva essencial para a\u00e7\u00e3o pura?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Voc\u00ea quer que eu descreva, para voc\u00ea, o que \u00e9 a\u00e7\u00e3o pura; tal descri\u00e7\u00e3o, voc\u00ea iria chamar de ensino positivo. A\u00e7\u00e3o pura \u00e9 para ser discernida por cada um, individualmente, e n\u00e3o pode haver uma substitui\u00e7\u00e3o do verdadeiro pelo falso. Discernimento do falso origina a\u00e7\u00e3o verdadeira. Mera substitui\u00e7\u00e3o ou ter uma no\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o pura, deve inevitavelmente levar a imita\u00e7\u00e3o, frustra\u00e7\u00e3o, e \u00e0s muitas pr\u00e1ticas que destroem a verdadeira intelig\u00eancia. Mas, se voc\u00eas discernirem as vossas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o dessa compreens\u00e3o vir\u00e1 a\u00e7\u00e3o positiva.<\/p><p>Se voc\u00eas experimentarem isto, ver\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 uma atitude negativa perante a vida; pelo contr\u00e1rio, a \u00fanica forma de viver positiva, satisfat\u00f3ria, \u00e9 discernir o processo de ignor\u00e2ncia, que deve estar presente onde h\u00e1 desejo, e do qual surge tristeza e confus\u00e3o. A mente busca uma defini\u00e7\u00e3o com a qual fazer um molde para si mesma, de forma a escapar dessas rea\u00e7\u00f5es que causam fric\u00e7\u00e3o e dor. Nisto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma compreens\u00e3o. Disse isto muitas vezes. Interiormente, o processo do \u2018Eu\u2019, com suas demandas, desejos, vaidades, e crueldades, persiste e continua. Na compreens\u00e3o deste processo \u2013 n\u00e3o que ela possa vos trazer recompensa, felicidade, mas por si mesma \u2013 reside a\u00e7\u00e3o verdadeira e clara.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Voc\u00ea disse que as assim chamadas organiza\u00e7\u00f5es espirituais s\u00e3o obst\u00e1culos \u00e0 obten\u00e7\u00e3o da espiritualidade. Mas, afinal, n\u00e3o residem todos os obst\u00e1culos que impedem a realiza\u00e7\u00e3o da vida espiritual em n\u00f3s mesmos, e n\u00e3o nas circunst\u00e2ncias externas?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: A maioria de n\u00f3s se vira para as assim chamadas organiza\u00e7\u00f5es espirituais porque elas prometem recompensas; e, como a maioria de n\u00f3s busca seguran\u00e7a e conforto espiritual, emocional, ou mental, de uma forma ou outra, sucumbimos \u00e0s suas promessas e tornamo-nos instrumentos de explora\u00e7\u00e3o, e somos explorados. Descobrir, por si mesmo, se voc\u00ea \u00e9 apanhado nesta pris\u00e3o auto criada, e ser livre de suas influ\u00eancias sutis, demanda grande discernimento e esfor\u00e7o correto. Essas organiza\u00e7\u00f5es surgem e existem por causa de nosso desejo por nosso pr\u00f3prio bem-estar espiritual ego\u00edsta, e nossa continuidade e conforto. Tais organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam nada de espiritual nelas, nem podem elas libertar o homem de sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, confus\u00e3o, e sofrimento.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Se n\u00e3o \u00e9 para ter ideais, se devemos ser livres do desejo de nos melhorarmos, de servir Deus e os seres humanos menos afortunados, qual ent\u00e3o \u00e9 o prop\u00f3sito de viver? Por que n\u00e3o apenas morrer e pronto?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: O que disse em rela\u00e7\u00e3o a ideais \u00e9 isto: que eles se tornam um meio conveniente de fuga do conflito da vida, e portanto, eles impedem a compreens\u00e3o de si mesmo. Nunca disse que voc\u00eas n\u00e3o devem ajudar os seres humanos menos afortunados.<\/p><p>Agora, ideais agem meramente como padr\u00f5es de medida; e, como a vida desafia a medida, a mente deve libertar-se de ideais, para que ela possa compreender o movimento da vida. Ideais s\u00e3o impedimentos, obst\u00e1culos. Em vez de meramente aceitar o que digo e, portanto, dizer a v\u00f3s mesmos que voc\u00eas n\u00e3o devem ter ideais, discirnam, por v\u00f3s mesmos, se eles n\u00e3o perturbam a vossa compreens\u00e3o. Quando a mente se liberta de preconcep\u00e7\u00f5es, explica\u00e7\u00f5es, e defini\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o ela est\u00e1 pronta a confrontar a causa de seu pr\u00f3prio sofrimento, sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, e sua pr\u00f3pria exist\u00eancia limitada. Ent\u00e3o, a mente deve estar preocupada com o pr\u00f3prio sofrimento, e n\u00e3o com o que ela pode obter da vida. A mera busca de ideais, o desejo por felicidade, a busca da verdade, Deus, \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de fuga do movimento da vida. N\u00e3o se preocupem com qual \u00e9 o objeto do viver, mas tornem-se conscientes e discirnam a causa do sofrimento; e, na dissolu\u00e7\u00e3o dessa causa, existe compreens\u00e3o do que \u00e9.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Poderia, por favor, explicar o que voc\u00ea quer dizer com a afirma\u00e7\u00e3o de que, mesmo a contabilidade pode ser criativa? A maioria de n\u00f3s pensa que apenas trabalho construtivo \u00e9 criativo.<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: N\u00e3o \u00e9 uma mat\u00e9ria de como voc\u00ea considera o trabalho, quer seja escritura\u00e7\u00e3o, o cultivo da terra, escrever livros, ou pintar quadros? Para um homem que \u00e9 pregui\u00e7oso e desinteressado, todo o trabalho se torna n\u00e3o criativo. Por que perguntar o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 trabalho criativo, se pintar um quadro \u00e9 mais criativo do que escrever \u00e0 m\u00e1quina? Realizar \u00e9 ser inteligente; e, para despertar a intelig\u00eancia, deve haver esfor\u00e7o correto. Esta vigorosidade n\u00e3o pode ser artificial; viver n\u00e3o deve ser dividido em trabalho e realiza\u00e7\u00e3o interior. Trabalho e vida interior devem estar unidos. A pr\u00f3pria alegria do esfor\u00e7o correto abre a porta para a intelig\u00eancia. O discernimento do processo do \u2018Eu\u2019 \u00e9 o come\u00e7o da realiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p>17 de maio de 1936<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ojai-7th-talk-oak-grove-17th-may-1936 S\u00e9tima Palestra em Oak Grove, Ojai J\u00e1 devemos ter nos questionado, muitas vezes, se existe algo dentro de n\u00f3s mesmos, que tem continua\u00e7\u00e3o, um princ\u00edpio vivo que tem uma perman\u00eancia, uma qualidade duradoura, uma realidade que persiste por toda esta transitoriedade. 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