{"id":899,"date":"2022-12-17T21:46:23","date_gmt":"2022-12-17T21:46:23","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=899"},"modified":"2022-12-17T21:48:58","modified_gmt":"2022-12-17T21:48:58","slug":"03-05-1936","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=899","title":{"rendered":"03\/05\/1936"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"899\" class=\"elementor elementor-899\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-354fa844 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"354fa844\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4c5542bb\" data-id=\"4c5542bb\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-36fc8b93 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"36fc8b93\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ojai-5th-talk-oak-grove-3rd-may-1936\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ojai-5th-talk-oak-grove-3rd-may-1936<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Quinta Palestra em Oak Grove, Ojai<\/strong><\/p><p>Desejo explicar uma ideia esta manh\u00e3, e se conseguirmos compreende-la, n\u00e3o muito como um fato, mas profundamente e significativamente, penso que ent\u00e3o ter\u00e1 um valor profundo nas nossas vidas. Por isso, por favor, ajudem-me pensando comigo.<\/p><p>A maioria de n\u00f3s criou um conceito da realidade, da imortalidade, de algo constante, eterno. Temos uma inclina\u00e7\u00e3o vaga para procurar o que chamamos de Deus, verdade, perfei\u00e7\u00e3o, e estamos constantemente nos esfor\u00e7ando para realizar esses ideais, essas concep\u00e7\u00f5es. Para nos ajudar a atingir esses objetivos, temos sistemas, modos de conduta, disciplinas, medita\u00e7\u00f5es, e v\u00e1rias extrategias. Essas incluem a parafern\u00e1lia das igrejas, cerim\u00f4nias, e outras formas de adora\u00e7\u00e3o, e supomos que todas elas nos ajudar\u00e3o a realizar essas concep\u00e7\u00f5es da realidade que criamos para n\u00f3s mesmos. Ent\u00e3o, colocamos em movimento o processo do querer.<\/p><p>Agora, existe em n\u00f3s um desejo perp\u00e9tuo, um cont\u00ednuo esfor\u00e7o por satisfa\u00e7\u00e3o, que chamamos de realidade. Tentamos moldar-nos a um padr\u00e3o, de acordo com um sistema de conduta, de comportamento, que nos promete dar a compreens\u00e3o satisfat\u00f3ria do que chamamos realidade, felicidade.<\/p><p>Este querer \u00e9 bastante diferente da busca. Querer indica um vazio, um tentar se tornar alguma coisa, enquanto a verdadeira busca leva a uma compreens\u00e3o profunda. Antes de podermos entender o que \u00e9 verdade, realidade, ou saber se h\u00e1 tal coisa, devemos discernir o que \u00e9 que est\u00e1 constantemente buscando. O que \u00e9 que est\u00e1 sempre no movimento do querer? O que \u00e9 que est\u00e1 sempre desejando, buscando realiza\u00e7\u00e3o? A menos que tenhamos compreendido isto, o querer \u00e9 um processo intermin\u00e1vel que impede o verdadeiro discernimento; \u00e9 um cont\u00ednuo esfor\u00e7o sem compreens\u00e3o, uma obedi\u00eancia cega, um medo incessante com suas muitas ilus\u00f5es.<\/p><p>Ent\u00e3o, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9, o que \u00e9 realidade, Deus, imortalidade, e se uma pessoa deve acreditar nisso ou n\u00e3o, mas o que \u00e9 a coisa que est\u00e1 se esfor\u00e7ando, querendo, temendo, e desejando? O que \u00e9 e por que ela quer? Qual \u00e9 o centro no qual este querer tem seu ser? O que \u00e9 a consci\u00eancia, a concep\u00e7\u00e3o da qual come\u00e7amos e na qual temos o nosso ser? A partir daqui, devemos iniciar nossa investiga\u00e7\u00e3o. Vou tentar explicar este processo do querer, que cria a sua pr\u00f3pria pris\u00e3o de ignor\u00e2ncia; e, por favor, cruzem a ponte das palavras, pelo que a mera repeti\u00e7\u00e3o das minhas frases pode n\u00e3o ter qualquer significado duradouro.<\/p><p>Esta coisa que continuamente quer \u00e9 a consci\u00eancia que se tornou percept\u00edvel como o indiv\u00edduo. Isto \u00e9, h\u00e1 um \u2018Eu\u2019 que quer. O que \u00e9 o \u2018Eu\u2019? H\u00e1 uma energia que se autossustenta, uma for\u00e7a que, atrav\u00e9s de seu desenvolvimento, se torna consci\u00eancia. Esta energia ou for\u00e7a \u00e9 \u00fanica a cada ser vivo. Esta consci\u00eancia torna-se percept\u00edvel ao indiv\u00edduo atrav\u00e9s dos sentidos. Ela, de uma s\u00f3 vez, se auto mant\u00e9m e se auto energiza, se posso usar essas palavras. Isto \u00e9, ela n\u00e3o s\u00f3 se mant\u00e9m, suportando a si mesma atrav\u00e9s de sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias, rea\u00e7\u00f5es, desejos, mas tamb\u00e9m, por meio deste processo, ela est\u00e1 armazenando suas pr\u00f3prias energias potenciais; e este processo pode ser completamente compreendido pelo indiv\u00edduo somente no seu discernimento desperto.<\/p><p>Voc\u00ea v\u00ea algo que \u00e9 atrativo, voc\u00ea quer, e voc\u00ea o possui. Portanto, estabelece-se este processo de percep\u00e7\u00e3o, desejo, e aquisi\u00e7\u00e3o. Este processo \u00e9 sempre auto sustentador. H\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, uma atra\u00e7\u00e3o ou repuls\u00e3o, um agarrar ou um rejeitar. O processo do \u2018Eu\u2019 \u00e9, portanto, auto ativo. Isto \u00e9, ele n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 se expandindo atrav\u00e9s de seus pr\u00f3prios desejos volunt\u00e1rios e a\u00e7\u00f5es, mas ele est\u00e1 se mantendo atrav\u00e9s de sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias, vontades, e desejos. A chama se mant\u00e9m atrav\u00e9s de seu pr\u00f3prio calor, e o calor, em si mesmo, \u00e9 a chama. Agora, exatamente da mesma forma, o processo do \u2018Eu\u2019 se mant\u00e9m atrav\u00e9s da vontade, tend\u00eancias, e ignor\u00e2ncia. E, ainda assim, o pr\u00f3prio \u2018Eu\u2019 \u00e9 vontade. O material para a chama pode ser uma vela ou um peda\u00e7o de madeira, e o material para o processo do \u2018Eu\u2019 \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia. Este processo n\u00e3o tem in\u00edcio, e \u00e9 \u00fanico a cada indiv\u00edduo. Experimentem isto, e voc\u00eas ir\u00e3o discernir, por v\u00f3s mesmos, qu\u00e3o real, qu\u00e3o verdadeiro \u00e9. N\u00e3o h\u00e1 outra coisa que n\u00e3o o \u2018Eu\u2019; esse \u2018Eu\u2019 n\u00e3o esconde nada, nenhuma realidade. Ele mesmo \u00e9 e se mant\u00e9m continuamente atrav\u00e9s de suas pr\u00f3prias demandas e atividades volunt\u00e1rias.<\/p><p>Ent\u00e3o, este processo, este processo cont\u00ednuo de querer, cria a sua pr\u00f3pria confus\u00e3o, sofrimentos, e ignor\u00e2ncia. Onde h\u00e1 um querer, n\u00e3o pode haver discernimento. Isso \u00e9 muito simples, se algu\u00e9m pensar sobre. Voc\u00ea almeja felicidade. Voc\u00ea procura os meios de a conseguir. Algu\u00e9m lhe oferece os meios. Agora, sua mente e seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o cegos pelo desejo intenso por felicidade, que s\u00e3o incapazes de discernimento. Embora voc\u00ea possa pensar que est\u00e1 examinando e analisando os meios que lhe s\u00e3o oferecidos, esta \u00e2nsia profunda por satisfa\u00e7\u00e3o, felicidade, seguran\u00e7a, impede clareza de compreens\u00e3o. Portanto, onde h\u00e1 um querer, n\u00e3o pode haver verdadeiro discernimento.<\/p><p>Atrav\u00e9s do querer, criamos confus\u00e3o, ignor\u00e2ncia e sofrimento, e ent\u00e3o, colocamos em movimento o processo de fuga. Chamamos esta fuga de busca pela realidade. Voc\u00ea diz, \u201cquero encontrar Deus, quero atingir a verdade, liberta\u00e7\u00e3o, busco a imortalidade\u201d. Voc\u00ea nunca questiona o que \u00e9 o \u2018Eu\u2019 que est\u00e1 buscando. Voc\u00ea tomou como garantido que o \u2018Eu\u2019 \u00e9 algo dur\u00e1vel, uma coisa em si mesma, e que ele \u00e9 criado por alguma entidade suprema. Se voc\u00ea examina profundamente, voc\u00ea discernir\u00e1 que o \u2018Eu\u2019 nada \u00e9 sen\u00e3o ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias, e desejos auto acumulados, e que ele n\u00e3o esconde nada em si mesmo.<\/p><p>Uma vez que tenha compreendido profundamente isto, voc\u00ea nunca perguntar\u00e1, \u201cDevo me livrar de todas as minhas vontades? N\u00e3o devo ter cren\u00e7as? N\u00e3o devo ter ideais? N\u00e3o devo ter desejos? \u00c9 errado ter qualquer desejo?\u201d. Compreender todo este processo do \u2018Eu\u2019 requer, da vossa parte, pensamento real e penetra\u00e7\u00e3o profunda atrav\u00e9s do discernimento. Se voc\u00ea compreender o surgir, o vir a ser da consci\u00eancia atrav\u00e9s da sensa\u00e7\u00e3o, do querer, e ver que, da consci\u00eancia nasce a unidade chamada de \u2018Eu\u2019 que, em si mesma, n\u00e3o esconde qualquer realidade, ent\u00e3o, despertar\u00e1 para a natureza deste c\u00edrculo vicioso. Quando existe um entendimento de seu significado, ent\u00e3o h\u00e1 uma nova compreens\u00e3o, uma coisa nova que \u00e9 livre do querer, do desejo, da ignor\u00e2ncia. Ent\u00e3o, voc\u00ea pode viver neste mundo inteligentemente, sensatamente, em profunda satisfa\u00e7\u00e3o, e ainda assim, n\u00e3o ser do mundo. A confus\u00e3o surge apenas quando voc\u00ea \u00e9 incapaz de ser endireitado, devido \u00e0s suas concep\u00e7\u00f5es, ideais e cren\u00e7as fant\u00e1sticas e prejudiciais.<\/p><p>Se conseguir compreender profundamente este processo auto sustentador de ignor\u00e2ncia, que d\u00e1 uma solidez ao \u2018Eu\u2019, do qual surge toda a confus\u00e3o e sofrimento, ent\u00e3o a vida pode ser vivida completamente, sem as v\u00e1rias fugas e buscas sutis que, sem saber, voc\u00ea criou para si mesmo. Ent\u00e3o, surge aquela coisa extraordin\u00e1ria, uma plenitude, uma felicidade. Mas antes de isto acontecer, deve haver um profundo entendimento do processo do \u2018Eu\u2019; a menos que haja esta compreens\u00e3o, o processo do \u2018Eu\u2019 est\u00e1 sempre criando uma dualidade em si mesmo, atrav\u00e9s do querer. Quando h\u00e1 discernimento, ent\u00e3o a busca da virtude, a tentativa de se unificar a uma realidade, a Deus, perde o seu significado. Para discernir este processo, n\u00e3o pode haver a aceita\u00e7\u00e3o de qualquer cren\u00e7a, n\u00e3o pode haver a busca de qualquer ideal, ou o moldar-se de acordo com um padr\u00e3o de conduta. Voc\u00ea deve discernir, por voc\u00ea mesmo, profundamente e significativamente, a causa desta mis\u00e9ria, confus\u00e3o, e ignor\u00e2ncia, por meio do aparecimento do processo do \u2018Eu\u2019. Ent\u00e3o, desponta uma felicidade que n\u00e3o tem palavras para a medir.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Nos la\u00e7os do relacionamento, uma pessoa pode ser compelida a fazer algo que n\u00e3o quer fazer, pela pr\u00f3pria natureza do relacionamento. Voc\u00ea pensa que algu\u00e9m pode viver completamente em tais la\u00e7os?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Antes de podermos compreender o que \u00e9 viver completamente, deixe-nos descobrir o que queremos dizer com relacionamento. Relacionamento \u00e9 moralidade. Relacionamento implica um contato vivo, quer seja com uma ou com mais pessoas. Este relacionamento, esta moralidade, torna-se imposs\u00edvel quando n\u00f3s, como indiv\u00edduos, somos incapazes de flexibilidade. Isto \u00e9, se algu\u00e9m \u00e9 limitado \u2013 limitado pela ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias, v\u00e1rias formas de aquisi\u00e7\u00e3o e querer \u2013 h\u00e1 uma barreira, um obst\u00e1culo, que impede o contato vivo com o outro. Como o outro tamb\u00e9m tem as mesmas limita\u00e7\u00f5es, o verdadeiro relacionamento torna-se quase imposs\u00edvel. Uma vez que n\u00e3o h\u00e1 este contato vivo, n\u00f3s criamos um modo de conduta que chamamos de moralidade, e tentamos for\u00e7ar o nosso comportamento a essa moralidade, a esse padr\u00e3o. Se entendermos o relacionamento como a compreens\u00e3o verdadeira, profunda de si mesmo, ent\u00e3o damos \u00e0 moralidade, ao relacionamento, um sentido muito diferente.<\/p><p>A maioria de n\u00f3s pensa que deve haver c\u00f3digos, sistemas, disciplinas para a moralidade. Eles podem ser necess\u00e1rios para aqueles que s\u00e3o incapazes de pensamento profundo, mas ningu\u00e9m pode julgar quem \u00e9 incapaz. N\u00e3o diga, esta e aquela pessoa precisa de um c\u00f3digo de disciplina; a pessoa tem de descobrir, por si mesma, esta moralidade ativa, este relacionamento ativo, e isso exige flexibilidade profunda, criativa, que pode ser experimentada apenas quando as limita\u00e7\u00f5es individuais s\u00e3o profundamente discernidas e suas causas compreendidas. Quando a sua vida \u00e9 uma de aquisi\u00e7\u00e3o e querer, ent\u00e3o deve haver uma tens\u00e3o cont\u00ednua com o outro, que \u00e9 tamb\u00e9m aquisitivo, e isto impede o verdadeiro relacionamento, quer seja entre indiv\u00edduos ou na\u00e7\u00f5es. E esta tens\u00e3o leva a conflitos, guerras, e \u00e0s muitas formas grosseiras e sutis de explora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Se voc\u00ea est\u00e1 consciente de suas pr\u00f3prias demandas particulares, as muitas formas de aquisi\u00e7\u00e3o, e portanto, compreende o processo de ignor\u00e2ncia auto ativo, ent\u00e3o n\u00e3o mais h\u00e1 um escolher, uma recusa, um rejeitar, mas esses pr\u00f3prios desejos e vontades se desgastam, eles caem como folhas no outono. Ent\u00e3o, pode haver verdadeiro relacionamento, no qual n\u00e3o mais h\u00e1 a constante luta para se ajustar ao outro.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Meditando no Mestre, algu\u00e9m pode perceber a felicidade da uni\u00e3o consciente com ele. Nesse estado, todo o senso do eu desaparece. N\u00e3o \u00e9 isto de grande valor em quebrar as limita\u00e7\u00f5es do ego?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Certamente n\u00e3o. Nunca pode ser. A quest\u00e3o \u00e9 erradamente colocada. Deixe-nos entrar nela. Primeiro, deixe-nos entender o que voc\u00ea quer dizer por Mestre. Infelizmente, um grande n\u00famero de livros foram escritos sobre Mestres, inicia\u00e7\u00f5es, e discipulado, e muitas supostas sociedades espirituais foram formadas em torno de tudo isto. Existem muitos swamis e yogis, que encorajam e cultivam todas essas concep\u00e7\u00f5es. Voc\u00eas, que est\u00e3o buscando satisfa\u00e7\u00e3o, que chamam de felicidade, verdade, tornam-se as ferramentas deles, e s\u00e3o explorados por esses instrutores, l\u00edderes, e suas sociedades.<\/p><p>Um Mestre pode ser um conceito ou uma realidade. Se \u00e9 um conceito, uma teoria, nunca se pode tornar dogm\u00e1tico. Ent\u00e3o, est\u00e1 aberto \u00e0 especula\u00e7\u00e3o, a ser discutido do ponto de vista do que \u00e9 chamado de evolu\u00e7\u00e3o. Portanto, deve permanecer abstrato, e nunca pode ser usado como uma realidade para favorecer certas atividades, a\u00e7\u00f5es, modos de conduta. Sendo uma abstra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem a estimula\u00e7\u00e3o do medo, como recompensa e puni\u00e7\u00e3o. Mas isto n\u00e3o \u00e9 assim com aqueles que falam sobre os Mestres e seu trabalho. Eles confundem os dois, o abstrato e o real. Num momento, eles falam sobre a ideia abstrata de Mestres, e no seguinte, eles fazem-nos reais ao dizer-vos, os seguidores, o que os Mestres desejam que voc\u00eas pensem e fa\u00e7am. Ent\u00e3o, voc\u00eas s\u00e3o apanhados na confus\u00e3o e, curiosamente, \u00e9 a vossa pr\u00f3pria vontade que cria esta confus\u00e3o. Este processo de tornar os Mestres entidades reais vem devagar, atrav\u00e9s de dicas e mensagens, at\u00e9 que voc\u00eas acreditam que os vossos l\u00edderes realmente encontraram os Mestres, e que esses seres lhes disseram como salvar a humanidade; e voc\u00eas, pela t\u00e3o chamada devo\u00e7\u00e3o, que \u00e9 realmente medo, seguem os l\u00edderes e s\u00e3o explorados. Portanto, h\u00e1 uma constante mistura do conceitual com o concreto.<\/p><p>Quem \u00e9 que julga o que \u00e9 um Mestre? Para alguns, Mestre \u00e9 uma pessoa que possui poderes extraordin\u00e1rios, e para outros, ele pode ser algu\u00e9m que revela algum conhecimento especial. Mas sabedoria n\u00e3o \u00e9 percebida atrav\u00e9s de outro, seja atrav\u00e9s de um Mestre ou atrav\u00e9s de um cientista. Voc\u00eas est\u00e3o julgando algu\u00e9m como um Mestre, de acordo com vossas pr\u00f3prias idiossincrasias, preconceitos, e tend\u00eancias particulares. Isto deve ser assim, mesmo com aqueles que supostamente representam os Mestres. As pessoas est\u00e3o sempre julgando outras, quer se chamem Mestres ou vizinhos, de acordo com seu pano de fundo peculiar. Voc\u00eas nunca questionam a carga do passado da pessoa que diz que representa os Mestres, que ela \u00e9 sua mensageira, porque est\u00e3o buscando felicidade, e meramente querem ser guiados, que lhes digam exatamente o que fazer. Ent\u00e3o, obedecem por meio do medo, que chamam de amor, intui\u00e7\u00e3o, escolha volunt\u00e1ria, ou lealdade. Voc\u00eas pensam que examinaram, analisaram, entenderam, e que intuitivamente concordam com o que os seus l\u00edderes particulares dizem. Mas n\u00e3o podem verdadeiramente discernir, pois est\u00e3o sendo conduzidos, infelizmente, pessoas neste pa\u00eds, e noutros lugares, caem nesta armadilha de explora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Eu n\u00e3o quero que voc\u00eas concordem comigo; mas se, sem qualquer querer, examinarem toda esta ideia de um Mestre que vos leva \u00e0 verdade, ent\u00e3o ver\u00e3o qu\u00e3o tolo isso \u00e9. Se perceberam um pouco do que expliquei sobre o processo do \u2018Eu\u2019, ent\u00e3o n\u00e3o meditar\u00e3o sobre um Mestre, quer na forma do que voc\u00eas chamam de ideal superior ou eu superior, ou como uma imagem, esculpida na vossa mente atrav\u00e9s de retratos e propaganda. Tais formas de medita\u00e7\u00e3o tornam-se meramente fugas sutis. Embora possam ter alguma sensa\u00e7\u00e3o a partir disso, e maravilhar-se com isso, excitar-se com isso, descobrir\u00e3o que n\u00e3o tem qualquer validade, mas apenas leva a uma rigidez da mente e do cora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Medita\u00e7\u00e3o \u00e9 constante consci\u00eancia e flexibilidade, n\u00e3o um ajuste a qualquer padr\u00e3o ou modo de conduta. Tentem estar conscientes de suas pr\u00f3prias idiossincrasias, fantasias, rea\u00e7\u00f5es e desejos em vossas vidas di\u00e1rias, e compreendam-nas; disso vem a realidade da satisfa\u00e7\u00e3o. Para essa compreens\u00e3o profunda, n\u00e3o pode haver qualquer sistema. Nenhum Mestre pode alguma vez lhes dar isso ou lev\u00e1-los a isso. Se algu\u00e9m afirmar que pode, ele n\u00e3o \u00e9 um Mestre. O processo de ignor\u00e2ncia auto ativa e seu discernimento, \u00e9 \u00fanico a v\u00f3s mesmos. Outro n\u00e3o pode libertar-vos disso. Cuidado com aquele que se oferece para destruir as paredes de vossa limita\u00e7\u00e3o. Se voc\u00eas compreenderem isto realmente, voc\u00eas ver\u00e3o que mudan\u00e7a significativa tem lugar na vossa vida. Sendo livre do medo, do querer \u2013 que \u00e9, muitas vezes, chamado de amor, devo\u00e7\u00e3o \u2013 voc\u00eas n\u00e3o mais s\u00e3o explorados pelas igrejas, pelas sociedades supostamente religiosas e espirituais, pelos padres, pelos assim chamados mensageiros dos Mestres, e pelos swamis e yogis. A verdadeira medita\u00e7\u00e3o \u00e9 o discernimento do pr\u00f3prio processo \u00fanico de criar e ser apanhado em ignor\u00e2ncia, e estar ciente deste processo.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: O sistema econ\u00f4mico n\u00e3o pode mudar at\u00e9 que a natureza humana mude, e a natureza humana n\u00e3o mudar\u00e1 enquanto o sistema existir e encorajar a natureza humana a permanecer como est\u00e1. Como, ent\u00e3o, vir\u00e1 a quebra?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Voc\u00ea pensa que este sistema surgiu espontaneamente, de seu pr\u00f3prio acordo? Ele \u00e9 criado pela natureza humana, como ela \u00e9 chamada. A natureza humana deve primeiro mudar, e n\u00e3o o sistema. Um sistema pode ajudar ou dificultar, mas fundamentalmente o indiv\u00edduo deve come\u00e7ar a se transformar.<\/p><p>Certamente, se todos voc\u00eas realmente pensaram profundamente sobre toda a quest\u00e3o da guerra, por exemplo, este assass\u00ednio em grande escala, este assass\u00ednio em uniforme, com decora\u00e7\u00f5es, gritos de alegria e louvor, com trombetas e bandeiras, com b\u00ean\u00e7\u00e3os de padres; se voc\u00eas pensaram e sentiram profundamente sobre isto, e perceberam a sua crueldade e absurdos infantis, o seu mal trato apavorante ao homem, for\u00e7ando-o a tornar-se uma m\u00e1quina militar atrav\u00e9s dos muitos meios de explora\u00e7\u00e3o do nacionalismo, e assim por diante; se voc\u00eas, como indiv\u00edduos, perceberam realmente este horror, certamente voc\u00eas se recusariam a ser usados para favorecer a guerra e explora\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas, como indiv\u00edduos, n\u00e3o seriam usados, explorados, atrav\u00e9s da propaganda; voc\u00eas, como indiv\u00edduos, perderiam todo o senso de nacionalidade.<\/p><p>Como mudaremos qualquer sistema explorador \u2013 econ\u00f4mico, religioso, ou social \u2013 a menos que comecemos com n\u00f3s mesmos, a menos que vejamos profundamente a necessidade de tal mudan\u00e7a, n\u00e3o apenas por um momento durante este encontro, mas continuamente, em nossas vidas di\u00e1rias?<\/p><p>Mas quando sente a press\u00e3o de um sistema sendo exercida por seu vizinho, por seus chefes, por seus funcion\u00e1rios, ent\u00e3o torna-se muito dif\u00edcil para voc\u00ea manter esta profunda compreens\u00e3o. Portanto, a mente e o cora\u00e7\u00e3o devem perceber a necessidade total de se libertarem de seus pr\u00f3prios desejos intermin\u00e1veis. Como isto requer esfor\u00e7o individual, que n\u00e3o gostamos, procuramos por um sistema para nos ajudar a sair desta mis\u00e9ria; esperamos que um sistema nos force a comportar decentemente e inteligentemente. Isso leva a arregimenta\u00e7\u00e3o e maior mis\u00e9ria, n\u00e3o a profunda satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A menos que sintam profundamente tudo isto, e fa\u00e7am um esfor\u00e7o para ser livres de suas limita\u00e7\u00f5es auto impostas, o sistema vos aprisionar\u00e1, o sistema tornar-se-\u00e1 um processo auto sustentador. Embora n\u00e3o tenha vida, ser\u00e1 mantido por vossas energias individuais \u00fanicas. Aqui novamente existe um c\u00edrculo vicioso: o desejo cria o sistema de explora\u00e7\u00e3o, e o sistema mant\u00e9m aquele desejo. Ent\u00e3o, o indiv\u00edduo \u00e9 apanhado nesta m\u00e1quina, e ele diz, \u201cComo posso me livrar dela?\u201d. Ele procura por outros para o levar para fora dele, mas ele ser\u00e1 levado apenas para outra pris\u00e3o, para outro sistema de explora\u00e7\u00e3o. Ele mesmo, atrav\u00e9s da sua ignor\u00e2ncia e seu processo auto ativo, criou a m\u00e1quina que o det\u00e9m, e \u00e9 apenas por meio de si mesmo, por meio de seu pr\u00f3prio discernimento do processo do \u2018Eu\u2019, que pode haver verdadeira liberdade e satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Em raros momentos, uma pessoa n\u00e3o est\u00e1 consciente de si mesma como uma entidade separada, pensante. Contudo, a maior parte do tempo, a pessoa est\u00e1 consciente de si mesma, e de apresentar uma resist\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. Por favor, explique por que esta resist\u00eancia existe.<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: N\u00e3o \u00e9 o preconceito uma resist\u00eancia? O preconceito est\u00e1 t\u00e3o profundamente enraizado: o preconceito de classe, nacionalidade, religioso e outras formas de cren\u00e7a. Tais tend\u00eancias s\u00e3o formas do processo do \u2018Eu\u2019. At\u00e9 discernirmos este processo de criar cren\u00e7as, preconceitos, tend\u00eancias, deve haver sempre resist\u00eancia \u00e0 vida. Por exemplo, se voc\u00ea \u00e9 uma pessoa religiosa, e tem uma forte cren\u00e7a de que existe imortalidade, esta cren\u00e7a age como uma resist\u00eancia \u00e0 vida, e impede o pr\u00f3prio entendimento da imortalidade. Esta cren\u00e7a est\u00e1 continuamente fortalecendo a barreira, a resist\u00eancia, porque ela tem sua funda\u00e7\u00e3o no desejo. Voc\u00ea pensa que, para si, o indiv\u00edduo, h\u00e1 uma continuidade, um lugar onde voc\u00ea estar\u00e1 seguro para sempre. Esta cren\u00e7a pode ser sutil ou grosseira, mas em ess\u00eancia, ela \u00e9 um desejo pela continuidade pessoal. Como a grande maioria das pessoas tem esta cren\u00e7a, quando a realidade come\u00e7a a se mostrar, elas s\u00e3o compelidas a rejeit\u00e1-la e, portanto, resistem, e tal resist\u00eancia cria conflito, mis\u00e9ria, e confus\u00e3o. Mas voc\u00ea n\u00e3o abandonar\u00e1 esta ideia de imortalidade porque ela lhe d\u00e1 esperan\u00e7a, encorajamento, a profunda satisfa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a.<\/p><p>Temos muitos preconceitos, sutis e grosseiros, e cada indiv\u00edduo, sendo \u00fanico, sustenta a sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia atrav\u00e9s de suas atividades volitivas. Se voc\u00eas n\u00e3o compreenderem completamente, em toda a sua totalidade, esta ignor\u00e2ncia auto ativa, voc\u00eas estar\u00e3o constantemente criando barreiras, resist\u00eancias, e portanto, aumentando a mis\u00e9ria. Ent\u00e3o, devem tornar-se conscientes deste processo, e com esse discernimento vem, n\u00e3o o desenvolvimento de um oposto, mas a compreens\u00e3o da realidade.<\/p><p>3 de maio de 1936<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ojai-5th-talk-oak-grove-3rd-may-1936 Quinta Palestra em Oak Grove, Ojai Desejo explicar uma ideia esta manh\u00e3, e se conseguirmos compreende-la, n\u00e3o muito como um fato, mas profundamente e significativamente, penso que ent\u00e3o ter\u00e1 um valor profundo nas nossas vidas. Por isso, por favor, ajudem-me pensando comigo. A maioria de n\u00f3s criou um conceito da realidade, da imortalidade, de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-899","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=899"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/899\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":906,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/899\/revisions\/906"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}