{"id":614,"date":"2022-12-17T21:01:37","date_gmt":"2022-12-17T21:01:37","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=614"},"modified":"2022-12-17T21:02:38","modified_gmt":"2022-12-17T21:02:38","slug":"04-05-1935","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=614","title":{"rendered":"04\/05\/1935"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"614\" class=\"elementor elementor-614\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-469f9d6f elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"469f9d6f\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-40d81669\" data-id=\"40d81669\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d1b1d41 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d1b1d41\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>3\u00aa Palestra no Rio de Janeiro<\/strong><\/p><p>Amigos,<\/p><p>Atrav\u00e9s dos tempos e tamb\u00e9m na presente civiliza\u00e7\u00e3o, v\u00ea-se como o indiv\u00edduo astuto explora o grupo, e o grupo em troca explora o indiv\u00edduo. H\u00e1 essa intera\u00e7\u00e3o constante entre o indiv\u00edduo e o grupo como sociedade, religi\u00e3o, a ideias de l\u00edderes e ditadores. H\u00e1 tamb\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o das mulheres por homens em certos pa\u00edses, e em outros mulheres exploram homens. H\u00e1 formas sutis ou grosseiras de explora\u00e7\u00e3o acontecendo onde h\u00e1 interesses investidos, quer seja nas propriedades privadas ou na religi\u00e3o ou na pol\u00edtica.<\/p><p>\u00c9 sempre dif\u00edcil atingir o real significado al\u00e9m das palavras, e n\u00e3o ser enganado por elas. Pelo completo entendimento do significado atual da moralidade, descobriremos por n\u00f3s mesmos a nova moralidade e seus pormenores em a\u00e7\u00e3o. A maioria das pessoas, ap\u00f3s ouvir-me, dizem que dou somente ideias vagas que n\u00e3o s\u00e3o nada pr\u00e1ticas. Mas eu n\u00e3o estou aqui para dar-lhe um novo conjunto de regras ou um novo modo de a\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o seria nada al\u00e9m de outra forma de explora\u00e7\u00e3o, outra jaula para aprision\u00e1-lo. Voc\u00eas estaria simplesmente deixando a pris\u00e3o antiga por uma nova, o que seria completamente in\u00fatil.\u00a0 Ao inv\u00e9s disso, se voc\u00ea come\u00e7ar a examinar e descobrir as bases do presente c\u00f3digo de conduta, de toda a estrutura da moralidade, ent\u00e3o o pr\u00f3prio processo de descoberta da verdade causar\u00e1 o que chamamos moralidade, voc\u00ea come\u00e7ar\u00e1 a discernir o modo da verdadeira a\u00e7\u00e3o individual, que ser\u00e1 ent\u00e3o moral. Esta a\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia, livre da sedu\u00e7\u00e3o ou compuls\u00e3o \u00e9 a moralidade verdadeira.<\/p><p>Nossa moralidade dos dias de hoje est\u00e1 baseada na prote\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo; \u00e9 um sistema fechado que age como cobertura para manter o indiv\u00edduo no grupo. O indiv\u00edduo \u00e9 tratado como algum animal depravado que precisa ser mantido na jaula da moralidade. N\u00f3s tornamo-nos escravos de uma moralidade de grupo que cada um de n\u00f3s ajudou a construir a partir de seu pr\u00f3prio desejo individual por seguran\u00e7a e conforto. Cada um de n\u00f3s contribuiu para esse sistema de moralidade que est\u00e1 baseado na aquisi\u00e7\u00e3o e na autoprote\u00e7\u00e3o ardilosa. Nesse sistema fechado, dessa chamada moralidade, criamos religi\u00f5es est\u00e1ticas com seus deuses est\u00e1ticos, imagens mortas, pensamentos petrificados. A pris\u00e3o estreita da moralidade tornou-se t\u00e3o poderosa, t\u00e3o compulsiva que a maioria dos indiv\u00edduos vivem com medo de romperem com ela e meramente imitam as regras e conduta da pris\u00e3o.<\/p><p>Agora, por meio dessa moralidade estreita n\u00f3s n\u00e3o podemos encontrar a verdade, nem fugindo dela. Se voc\u00ea meramente escapar dessa moralidade pela destrui\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo antigo sem o entendimento, n\u00f3s n\u00e3o vamos criar nada, al\u00e9m de outra forma de autoprote\u00e7\u00e3o, outra pris\u00e3o. Enquanto a mente estiver procurando seguran\u00e7a, buscando formas e meios de assegurar sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a, ela deve inevitavelmente criar leis e sistemas para sua pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o. Esta busca por autoprote\u00e7\u00e3o evita o entendimento da realidade. A realidade pode ser discernida somente quando a mente est\u00e1 absolutamente nua, completamente desnudada da ideia da autoprote\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Logo, voc\u00ea tem que tornar-se intensamente c\u00f4nscio da causa dessa pris\u00e3o, dessa constru\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de seguran\u00e7as, confortos e fugas, nas quais a mente est\u00e1 engajada. Quando voc\u00ea estiver totalmente c\u00f4nscio da causa, ent\u00e3o a pr\u00f3pria mente come\u00e7a a discernir a maneira verdadeira de agir no exato momento da experi\u00eancia, e ent\u00e3o moralidade torna-se puramente individual. Ela n\u00e3o pode tornar-se um meio de explora\u00e7\u00e3o. Sabendo a causa e estando continuamente c\u00f4nscio dela, a mente por si mesma, come\u00e7a a atravessar a cobertura dessa moralidade autoprotetiva, que se tornou t\u00e3o esmagadora, t\u00e3o destrutiva da intelig\u00eancia. Nessa consci\u00eancia que \u00e9 o acordar da intelig\u00eancia, a mente atinge o fluxo da realidade, que n\u00e3o pode ser uma religi\u00e3o est\u00e1tica, uma forma de explora\u00e7\u00e3o, nem pode ser petrificada num livro de rezas de religiosos.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Uma mera revolu\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica resolveria todos os problemas humanos ou ela precisaria\u00a0 ser precedida por uma revolu\u00e7\u00e3o espiritual interior?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Uma revolu\u00e7\u00e3o pode vir e ao inv\u00e9s de um sistema capitalista, suponha que se estabele\u00e7a uma forma de governo comunista; mas voc\u00ea pensa que a mera revolu\u00e7\u00e3o externa resolver\u00e1 os muitos problemas humanos? Sob o sistema atual voc\u00ea \u00e9 for\u00e7ado a ajustar-se a um certo m\u00e9todo de pensamento, de moralidade, de ganhar dinheiro. Se um sistema diferente \u00e9 estabelecido por meio da revolu\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 outra forma de compuls\u00e3o, talvez para melhor; mas como pode a mera compuls\u00e3o alguma vez trazer entendimento? Voc\u00ea est\u00e1 satisfeito de continuar vivendo sem intelig\u00eancia no sistema presente, acreditando e esperando por alguma mudan\u00e7a externa miraculosa acontecer que ir\u00e1 tamb\u00e9m alterar sua mente e cora\u00e7\u00e3o? Certamente h\u00e1 apenas um modo que \u00e9 constatar que o sistema atual baseia-se na explora\u00e7\u00e3o ego\u00edsta, na qual cada indiv\u00edduo est\u00e1 impiedosamente procurando sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a e portanto lutando para preservar suas pr\u00f3prias distin\u00e7\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es. Entendendo isto, o homem inteligente n\u00e3o esperar\u00e1 pela vinda de uma revolu\u00e7\u00e3o, mas come\u00e7ar\u00e1 a alterar fundamentalmente suas a\u00e7\u00f5es, sua moralidade e come\u00e7ar\u00e1 a livrar sua mente e cora\u00e7\u00e3o de toda a gan\u00e2ncia. Tal homem est\u00e1 livre do peso de qualquer sistema e portanto pode viver inteligentemente no presente. Se voc\u00ea realmente deseja encontrar a verdeira forma de a\u00e7\u00e3o, tente viver no presente com a compreens\u00e3o do inevit\u00e1vel.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Eu n\u00e3o perten\u00e7o a nenhuma religi\u00e3o, mas sou membro de duas sociedades que me d\u00e3o conhecimento e sabedoria espiritual. Se desisto delas como poderei alcan\u00e7ar a perfei\u00e7\u00e3o?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Se voc\u00ea entende a inutilidade de todos os grupos religiosos organizados com seus interesses investidos, com suas explora\u00e7\u00f5es, a absoluta estupidez dos seus credos baseados em autoridade, supersti\u00e7\u00e3o e medo \u2013 se voc\u00ea verdadeiramente entende o significado disto \u2013 ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o pertencer\u00e1 a qualquer seita ou sociedade religiosa. Voc\u00ea acha que alguma sociedade ou algum livro pode lhe trazer sabedoria? Livros e sociedades podem lhe dar informa\u00e7\u00f5es; mas se voc\u00ea diz que um sociedade pode lhe dar sabedoria, ent\u00e3o voc\u00ea meramente depende dela, e torna-se um explorador dela. Se sabedoria pudesse ser adquirida por meio de uma seita ou sociedade religiosa, nos dever\u00edamos todos ser s\u00e1bios, pois temos religi\u00f5es conosco por milhares de anos. Mas sabedoria n\u00e3o pode ser adquirida desta maneira. Sabedoria \u00e9 o entendimento do fluxo cont\u00ednuo da vida ou da realidade, que pode ser discernido somente quando a mente est\u00e1 aberta e vulner\u00e1vel, isto \u00e9, quando a mente n\u00e3o est\u00e1 mais obstru\u00edda por seus pr\u00f3prios desejos de autoprote\u00e7\u00e3o, rea\u00e7\u00f5es e ilus\u00f5es. Nenhuma sociedade, religi\u00e3o, sacerdote ou l\u00edder ir\u00e1 jamais trazer-lhe sabedoria. \u00c9 somente por meio do nosso pr\u00f3prio sofrimento, do qual n\u00f3s tentamos escapar ao juntar-se a grupos religiosos e ao imergimos em teorias filos\u00f3ficas\u00a0 \u2013 \u00e9 somente por meio da consci\u00eancia da causa do sofrimento e em libertando-se dela que a sabedoria nasce naturalmente e suavemente.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Eu desejo muitas coisas da vida que eu n\u00e3o tenho. Voc\u00ea pode dizer-me como consegu\u00ed-las?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Por qu\u00ea voc\u00ea quer muitas coisas? Todos n\u00f3s devemos ter roupas, comida, abrigo. Mas o que est\u00e1 por tr\u00e1s do desejo por muitas coisas? N\u00f3s queremos coisas porque pensamos que por meio de bens iremos ser felizes, que por meio de aquisi\u00e7\u00f5es obteremos poder. Atr\u00e1s desta quest\u00e3o reside o desejo por poder. Na busca pelo poder h\u00e1 sofrimento, e por meio do sofrimento h\u00e1 o despertar da intelig\u00eancia que revela a completa futilidade do poder. Ent\u00e3o h\u00e1 o entendimento das necessidades. Voc\u00ea talvez possa n\u00e3o querer coisas materiais; talvez voc\u00ea possa ver o absurdo da acumula\u00e7\u00e3o de posses, mas voc\u00ea pode querer poder espiritual. Entre este e o desejo por muitas coisas n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a. Eles s\u00e3o parecidos; um voc\u00ea chama de materialista e o outro voc\u00ea d\u00e1 um nome mais refinado \u2013 espiritual. Mas em ess\u00eancia eles s\u00e3o somente formas de procurar sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a, e nisto nunca poder\u00e1 haver felicidade ou intelig\u00eancia.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Voc\u00ea parece negar o valor da disciplina e dos padr\u00f5es morais. A vida n\u00e3o ser\u00e1 um caos sem disciplina e moralidade?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Como eu disse no in\u00edcio de minha palestra desta noite, n\u00f3s transformamos moralidade e disciplina em um abrigo para nossa pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o, sem qualquer significado profundo, sem qualquer realidade. N\u00e3o existem guerras, explora\u00e7\u00e3o impiedosa, caos total no mundo, apesar de suas disciplinas, suas religi\u00f5es, suas conven\u00e7\u00f5es r\u00edgidas de moralidade? Logo, vamos olhar esta estrutura de moralidade e disciplina que constru\u00edmos e que nos explora, a qual est\u00e1 destruindo a intelig\u00eancia humana.\u00a0 No pr\u00f3prio exame desta estrutura fechada de moralidade e disciplina, com grande cuidado e sem preconceito, voc\u00ea come\u00e7ar\u00e1 a entender e desenvolver a moralidade verdadeira que n\u00e3o pode ser sistematizada, petrificada.<\/p><p>A moralidade, a disciplina que voc\u00ea tem atualmente baseia-se sobre a procura do indiv\u00edduo por sua pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, atrav\u00e9s de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e religiosa. Voc\u00ea pode falar sobre amor e\u00a0 fraternidade aos domingos, mas \u00e0s segundas-feiras voc\u00ea explora outros em suas v\u00e1rias atividades. Religi\u00e3o, moralidade, disciplina atuam meramente como uma cobertura para a hipocrisia. Tal moralidade, sob meu ponto de vista, \u00e9 imoral. Enquanto voc\u00ea impiedosamente procurar seguran\u00e7a econ\u00f4mica, da qual nasce uma moralidade que serve a esse prop\u00f3sito, logo voc\u00ea criou religi\u00f5es espalhadas pelo mundo que lhe prometem imortalidade por meio de suas disciplinas e moralidades restritas e estranhas. Enquanto esta moralidade restrita existir, haver\u00e1 guerras e explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode haver um amor real do homem. Esta moralidade, esta disciplina est\u00e1 realmente fundamentada no ego\u00edsmo e na impiedosa busca pela seguran\u00e7a individual. Quando a mente livrar-se deste centro de consci\u00eancia limitada que baseia-se no auto-engrandecimento, ent\u00e3o vir\u00e1 um ajustamento \u00e0 vida, requintado e delicado, que n\u00e3o demandar\u00e1\u00a0 regras e regulamentos, mas que \u00e9 perfeitamente inteligente, expressando-se em a\u00e7\u00e3o integrada de verdadeiro discernimento.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Eu n\u00e3o me importo com o que acontece ap\u00f3s a morte, mas tenho medo de morrer. Eu devo lutar contra este medo? E como posso super\u00e1-lo?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Vivendo no presente. A eternidade n\u00e3o est\u00e1 no futuro, ela est\u00e1 sempre no presente. N\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio ou substitui\u00e7\u00e3o para o medo, exceto o entendimento da pr\u00f3pria causa do medo. A mente est\u00e1 sendo continuamente limitada pelas mem\u00f3rias do passado, e estas mem\u00f3rias est\u00e3o impedindo a realiza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o no presente. Logo n\u00e3o h\u00e1 finaliza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o no presente o que cria o medo da morte.<\/p><p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma proeza intelectual, viver no presente. Ela demanda entendimento da a\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o da mente da ilus\u00e3o. A mente tem o poder de criar ilus\u00e3o, e com isto, n\u00f3s mais nos ocupamos \u2013 criar ilus\u00f5es, fugas, inv\u00f3lucros sobre as coisas que n\u00e3o queremos entender. A mente est\u00e1 criando ilus\u00f5es como um meio de fuga, e estas ilus\u00f5es, com seus poderes, evitam a finaliza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o e a completa compreens\u00e3o do presente. Portanto ilus\u00f5es antigas criam novos e adicionais entraves, limita\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que come\u00e7amos a pensar em termos de tempo como meio de entendimento, crescimento. Entendimento \u00e9 sempre no presente, n\u00e3o no futuro. E a mente recusa-se a discernir imediatamente porque isto implica numa revolta inteligente contra tudo que foi constru\u00eddo em sua busca pela pr\u00f3pria seguran\u00e7a.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Eu permito que minha imagina\u00e7\u00e3o vagueie sem medo. Isto \u00e9 certo?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Na verdade, voc\u00ea pode ficar com medo de muitas coisas. Este voo imaginativo \u00e9 outra forma de fugir dos problemas da vida. Se ele for uma fuga, ele \u00e9 um completo desperd\u00edcio de energia mental. Essa energia torna-se criativa e efetiva somente quando ela liberta-se dos medos e ilus\u00f5es, que as tradi\u00e7\u00f5es e desejos autoprotecionistas impuseram sobre ela.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Voc\u00ea est\u00e1 pregando o individualismo?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Receio que o interrogante n\u00e3o entendeu muito bem o que eu disse. N\u00e3o estou advogando o individualismo de forma alguma. Infelizmente, a vasta maioria dificilmente tem uma oportunidade de expressar-se individualmente. Eles podem pensar que eles est\u00e3o agindo voluntariamente, livremente, mas lamentavelmente eles s\u00e3o meras m\u00e1quinas, funcionando em uma rotina mon\u00f3tona sob a compuls\u00e3o das circunst\u00e2ncias e do ambiente. Logo como pode haver realiza\u00e7\u00e3o individual que \u00e9 a mais alta forma de intelig\u00eancia? O que n\u00f3s chamamos express\u00e3o individual, no caso da vasta maioria das pessoas, n\u00e3o \u00e9 mais nada al\u00e9m de uma rea\u00e7\u00e3o na qual h\u00e1 muito pouca intelig\u00eancia.<\/p><p>Mas h\u00e1 um tipo diferente de individualidade, aquela de unicidade que \u00e9 o resultado da a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria e compreensiva. Isto \u00e9, se se entende o ambiente e se age com intelig\u00eancia criteriosa, ent\u00e3o h\u00e1 a individualidade verdadeira. Essa unicidade n\u00e3o \u00e9 separativa, pois ela \u00e9 a pr\u00f3pria intelig\u00eancia.<\/p><p>Intelig\u00eancia \u00e9 sozinha, \u00fanica. Mas se voc\u00ea meramente agir atrav\u00e9s da compuls\u00e3o das circunst\u00e2ncias, ent\u00e3o, ainda que voc\u00ea possa pensar que voc\u00ea \u00e9 um indiv\u00edduo, suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais do que rea\u00e7\u00f5es, nas quais n\u00e3o h\u00e1 intelig\u00eancia verdadeira. Porque o indiv\u00edduo atual \u00e9 uma mera rea\u00e7\u00e3o, na qual n\u00e3o pode haver intelig\u00eancia, existe este caos no mundo, cada indiv\u00edduo procurando sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a e realiza\u00e7\u00e3o irrefletida.<\/p><p>Intelig\u00eancia \u00e9 \u00fanica; ela n\u00e3o pode ser dividida como sua ou minha. Somente a aus\u00eancia de intelig\u00eancia \u00e9 que pode ser separada em unidades como sua ou minha, e esta \u00e9 a maldade da distin\u00e7\u00e3o, da qual nasce explora\u00e7\u00e3o, crueldade e sofrimento.<\/p><p>04\/05\/1935.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 3\u00aa Palestra no Rio de Janeiro Amigos, Atrav\u00e9s dos tempos e tamb\u00e9m na presente civiliza\u00e7\u00e3o, v\u00ea-se como o indiv\u00edduo astuto explora o grupo, e o grupo em troca explora o indiv\u00edduo. H\u00e1 essa intera\u00e7\u00e3o constante entre o indiv\u00edduo e o grupo como sociedade, religi\u00e3o, a ideias de l\u00edderes e ditadores. 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