{"id":372,"date":"2022-12-17T12:20:45","date_gmt":"2022-12-17T12:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=372"},"modified":"2023-04-12T18:19:23","modified_gmt":"2023-04-12T18:19:23","slug":"30-03-1934","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=372","title":{"rendered":"30\/03\/1934"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"372\" class=\"elementor elementor-372\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-dfe5662 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"dfe5662\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4b9e945f\" data-id=\"4b9e945f\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-14d74499 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"14d74499\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Primeira Palestra na Escola Vasanta\u00a0Gardens,\u00a0<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Auckland, Nova Zel\u00e2ndia<\/strong><\/p><p>Amigos,<\/p><p>Parece uma pena que, numa bela manh\u00e3 como esta, devamos conversar sobre os v\u00e1rios tipos de opress\u00e3o e crueldade que sofremos todos os dias, e as v\u00e1rias formas de explora\u00e7\u00e3o que est\u00e3o ocorrendo consciente ou inconscientemente ao nosso redor; mesmo assim, sorrimos e tentamos suport\u00e1-las, levando uma vida algo repulsiva e feia, procurando de algum modo suportar os males e infort\u00fanios que se nos apresentam diariamente.<\/p><p>Se considerarem o que est\u00e1 acontecendo, ver\u00e3o que, embora exista essa opress\u00e3o, essa crueldade, essa extraordin\u00e1ria explora\u00e7\u00e3o de certos indiv\u00edduos por outros indiv\u00edduos, assim mesmo n\u00f3s continuamente buscamos satisfa\u00e7\u00e3o. Ou voc\u00eas como indiv\u00edduos est\u00e3o satisfeitos em tolerarem todas essas coisas, ou v\u00e3o mud\u00e1-las, modific\u00e1-las. Ocasionalmente, em momentos de contato imediato, h\u00e1 um desejo ardente, intenso de mudar, de arrancar pela raiz, e viver decentemente, humanamente, completamente, e, quando esse contato imediato \u00e9 removido com os sofrimentos da vida, reca\u00edmos na satisfa\u00e7\u00e3o. Portanto, se voc\u00eas estiverem satisfeitos, contentes com as coisas como elas s\u00e3o no mundo, ent\u00e3o nada mais h\u00e1 a dizer; e estou falando s\u00e9rio. Se estiverem realmente satisfeitos, felizes, contentes em continuarem como est\u00e3o, com as coisas desmoronando, quando h\u00e1 tanta corrup\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e crueldade, verdadeiros horrores acontecendo no mundo, se estiverem realmente satisfeitos com isso, receio que minha palestra seja completamente in\u00fatil. Mas, se voc\u00eas querem mudan\u00e7a, e se acham que, como seres humanos, devemos ter outro estado, outra condi\u00e7\u00e3o, outro ambiente, n\u00e3o s\u00f3 para uns poucos eleitos, mas para a humanidade inteira, ent\u00e3o vamos examinar o problema conjuntamente; n\u00e3o que eu queira ser dogm\u00e1tico, ou empurrar voc\u00eas numa ou noutra dire\u00e7\u00e3o, influenciando-os a agir de determinado modo; antes pelo contr\u00e1rio, examinando juntos chegaremos a uma conclus\u00e3o natural, a partir da qual devemos necess\u00e1ria e naturalmente agir. Portanto, h\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para cada indiv\u00edduo: ou fazer remendos, reformar, ou realizar uma completa reorienta\u00e7\u00e3o do pensamento, uma mudan\u00e7a completa.<\/p><p>Aquilo que chamo de remendo \u00e9 a cont\u00ednua modifica\u00e7\u00e3o do atual sistema de pensamento, por\u00e9m mantendo sua funda\u00e7\u00e3o intacta. Isso \u00e9 remendo, n\u00e3o \u00e9? Manter as coisas fundamentalmente como elas s\u00e3o e modificar as dificuldades superficiais, as afli\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias, mas n\u00e3o enfrentar as coisas fundamentais. Um trabalho assim e um pensamento assim, baseados nessa ideia, eu chamo de remendo ou reforma. \u00c9 como melhorar as favelas da cidade. N\u00e3o que seja ruim melhorar as favelas da cidade; mas que haja favelas, que haja pessoas que estejam explorando seus semelhantes, que haja essa divis\u00e3o de classes, \u00e9 que \u00e9 o problema, e n\u00e3o quanto melhoramento se possa fazer. At\u00e9 que reconhe\u00e7amos isso, e enquanto n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a radical, fundamental, restringir-se a cuidar dos sintomas n\u00e3o vai resolver nada.<\/p><p>Esta manh\u00e3 desejo mostrar que, enquanto o pensamento \u2013 e, portanto, a a\u00e7\u00e3o \u2013 basear-se nessa ideia de autoengrandecimento, ou autocrescimento, ou numa continuamente limitada consci\u00eancia de si mesmo, necessariamente haver\u00e1 problemas oriundos dessa consci\u00eancia limitada. Noutras palavras, se voc\u00ea fizer alguma mudan\u00e7a ou reforma social, enquanto o sistema de pensamento for baseado em possessividade, seguran\u00e7a, direitos de propriedade, etc., haver\u00e1 necessariamente problemas com os quais s\u00f3 se pode lidar de modo sintom\u00e1tico, n\u00e3o radical. Por exemplo, senhores, suponham que haja uma reforma nas possess\u00f5es; voc\u00eas ainda acham perfeitamente correto possuir seu pequeno peda\u00e7o de ch\u00e3o, e que todos deveriam ter um peda\u00e7o de ch\u00e3o. Isto \u00e9, voc\u00eas querem apegar-se a suas posses e deixar que os outros tenham as suas; entretanto, para mim, a pr\u00f3pria ideia de posse deve levar a conflito com o seu vizinho, deve levar a distin\u00e7\u00f5es tais como nacionalidades, consci\u00eancia de classe, vaidade. E, se est\u00e3o fazendo uma reforma, ent\u00e3o quanto haver\u00e3o de possuir ou quanto n\u00e3o dever\u00e3o possuir? Ent\u00e3o atuar\u00e3o s\u00f3 sintomaticamente, n\u00e3o radicalmente. \u00c9 como consultar um m\u00e9dico que s\u00f3 trata de sintomas e n\u00e3o da causa.<\/p><p>Permitam-me outro exemplo. Tratar dos sintomas \u00e9 considerar que voc\u00ea pode se manter aferrado \u00e0 sua religi\u00e3o e eu \u00e0 minha, e sermos tolerantes um com o outro. Mas, como expliquei noutra noite, para mim todo o processo da funda\u00e7\u00e3o de uma religi\u00e3o adv\u00e9m da ades\u00e3o a determinada cren\u00e7a ou determinado dogma. Voc\u00ea afirma ser uma pessoa religiosa, um crist\u00e3o, porque tem certas cren\u00e7as, certos ideais, certos dogmas, e diz a si mesmo que haver\u00e1 um mundo perfeito quando todas as pessoas tiverem as mesmas cren\u00e7as que voc\u00ea, ou quando todas as pessoas do mundo adotarem a sua forma particular de pensamento; e estamos tentando fazer remendos e reformas com essa atitude para com as religi\u00f5es. Para mim, a verdadeira reforma, a verdadeira mudan\u00e7a, a verdadeira mudan\u00e7a de pensamento, n\u00e3o consiste em remendos de reforma religiosa, mas em ver o absurdo que s\u00e3o as religi\u00f5es. Enquanto voc\u00ea tiver cren\u00e7as, haver\u00e1 necessariamente divis\u00f5es. Enquanto voc\u00ea estiver engajado em certa forma de pensamento, naturalmente estar\u00e1 separado de mim, e n\u00e3o h\u00e1 contato humano. Nesse caso, s\u00f3 h\u00e1 encontro de preconceitos, e n\u00e3o real compreens\u00e3o humana.<\/p><p>Enquanto voc\u00ea s\u00f3 quiser reformar, isto \u00e9, introduzir mudan\u00e7as nos sistemas atuais de pensamento, de cultura, de possessividade, embora possa momentaneamente aliviar o sofrimento, resolver os inumer\u00e1veis problemas que surgem, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais que postergando, ignorando por um tempo a quest\u00e3o fundamental, a saber, se uma sociedade ou uma cultura ser\u00e1 baseada em autoengrandecimento, possessividade e explora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Portanto voc\u00eas, como indiv\u00edduos, precisam descobrir o que pretendem fazer, se pertencer\u00e3o a uma sociedade, a um sistema de pensamento baseados nesse autoengrandecimento, com todas as suas nuances, com suas sutilezas; ou se, na qualidade de indiv\u00edduos, percebem que, enquanto tal estado persistir, haver\u00e1 necessariamente guerras, crueldades, explora\u00e7\u00e3o, e, assim, se voc\u00eas, como indiv\u00edduos, est\u00e3o preparados para mudar completamente e n\u00e3o s\u00f3 cuidar dos sintomas. Na qualidade de indiv\u00edduos, temos diante de n\u00f3s este problema, esta quest\u00e3o, a saber, se vamos cuidar dos sintomas, fazer remendos, ou realizar uma mudan\u00e7a completa de pensamento, n\u00e3o baseada em possessividade e autoimport\u00e2ncia. Tal atitude trar\u00e1, necess\u00e1ria e gradualmente, uma nova sociedade, um novo estado, uma nova consci\u00eancia, em que n\u00e3o poder\u00e1 haver explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e1 haver essa luta incessante pela exist\u00eancia, para meramente existir. E voc\u00ea s\u00f3 lidar\u00e1 com essa quest\u00e3o se estiver realmente considerando, se estiver preocupado, se estiver realmente sofrendo, e n\u00e3o apenas sentado, discutindo intelectualmente, observando teoricamente. Ent\u00e3o cabe a voc\u00eas decidirem pela raz\u00e3o, e, portanto, pela a\u00e7\u00e3o, se, na qualidade de indiv\u00edduos, por seu pr\u00f3prio entendimento, voc\u00eas far\u00e3o surgir uma humanidade em que haja verdadeira compreens\u00e3o, ou se continuam com essa luta incessante.<\/p><p>Recebi algumas perguntas e as responderei. \u00c9 isso que pretendo fazer todos os dias.<\/p><p><strong>Pergunta<\/strong>: Alguns dos meus amigos t\u00eam comentado que, embora achem as suas palavras muito interessantes, preferem prestar servi\u00e7o a pensar demais sobre a verdade. Quais seriam suas observa\u00e7\u00f5es sobre isso?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Cavalheiro, o que quer dizer com \u201cservi\u00e7o\u201d? Todos querem ajudar. Esse \u00e9 o grito daquelas pessoas que pensam estar prestando servi\u00e7o ao mundo. Elas est\u00e3o sempre falando em ajudar o mundo, especialmente aquelas pessoas que pertencem a seitas. Essa \u00e9 sua forma peculiar de doen\u00e7a, pois pensam que, fazendo alguma coisa, n\u00e3o importa o qu\u00ea, elas v\u00e3o ajudar \u2013 servindo as pessoas, elas as estariam ajudando. Quem vai dizer o que \u00e9 \u201cservi\u00e7o\u201d? Um homem que seja do ex\u00e9rcito, preparado para matar o b\u00e1rbaro que entre em seu pa\u00eds, diz estar servindo o pa\u00eds. O homem que mata \u2013 o a\u00e7ougueiro \u2013 diz estar servindo a comunidade. O explorador que tem nas m\u00e3os, monopolizados, os meios de produ\u00e7\u00e3o, diz estar servindo a comunidade. O homem que explora cren\u00e7as, o sacerdote, diz estar servindo o pa\u00eds, a comunidade. Quem \u00e9 que decide?<\/p><p>Ou olharemos para isso de modo totalmente diferente? Voc\u00ea acha que uma flor, uma rosa, alguma vez considerou estar servindo a humanidade, que est\u00e1 ajudando o mundo com sua exist\u00eancia, por ser bela? Ao contr\u00e1rio, por ser bela, supremamente ador\u00e1vel, inconsciente de sua magnific\u00eancia, ela est\u00e1 realmente ajudando. N\u00e3o como o homem que sai por a\u00ed alardeando que est\u00e1 servindo o mundo. Noutras palavras, todos desejam utilizar seus meios, ou suas ideias, para explorar o mundo, e n\u00e3o para libertar o mundo. Pessoalmente, se voc\u00ea n\u00e3o me interpretar mal, este n\u00e3o \u00e9, de modo algum, o meu ponto de vista. Eu n\u00e3o desejo \u201cajudar\u201d o mundo, por assim dizer; n\u00e3o posso evit\u00e1-lo: isso acontece naturalmente. Isso \u00e9 servi\u00e7o. N\u00e3o quero fazer os outros adotarem minha cren\u00e7a ou pedir-lhes que venham para minha jaula de pensamento, pois sustento que ter cren\u00e7a constitui uma limita\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Para realmente servir, \u00e9 preciso estar completamente livre da consci\u00eancia limitada que chamamos de \u201ceu\u201d \u2013 o ego, consci\u00eancia centrada em si mesma; e, enquanto essa consci\u00eancia existir, voc\u00ea n\u00e3o estar\u00e1 realmente servindo o mundo. A menos que voc\u00ea realmente pense, n\u00e3o poder\u00e1 descobrir se est\u00e1 de fato ajudando o mundo. Portanto, n\u00e3o vamos considerar primeiro se estamos ajudando o mundo, mas sim descobrir se temos a capacidade de pensar e sentir. Para realmente pensar, a mente n\u00e3o pode estar amarrada a uma cren\u00e7a. Isso \u00e9 muito simples, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Para pensar de modo realmente profundo, franco, completo, sua mente n\u00e3o pode estar presa a preconceito ou a uma cren\u00e7a, a uma tradi\u00e7\u00e3o. Afinal, tradi\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem valor quando o ajuda a pensar, e n\u00e3o quando o subjuga com seu peso.<\/p><p>Reformulemos isso de modo diferente. Todos queremos ajudar. Quando voc\u00ea v\u00ea sofrimento no mundo, h\u00e1 um desejo intenso de ajudar, mas, para realmente ajudar as pessoas, \u00e9 preciso ir \u00e0 causa fundamental das coisas. Voc\u00ea precisa descobrir a causa do sofrimento, e s\u00f3 pode faz\u00ea-lo se houver profunda reflex\u00e3o. E tal reflex\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mero deleite intelectual, mas s\u00f3 pode ocorrer na a\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Pergunta<\/strong>: Fica subentendido aqui que somente uma ou duas pessoas no mundo podem entreter a esperan\u00e7a de compreender a import\u00e2ncia de sua mensagem, e que, portanto, o ensino da moderna teosofia \u00e9 necess\u00e1rio como substituto para a salva\u00e7\u00e3o do mundo. O que diz o senhor?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Cavalheiro, primeiro deve descobrir o que tenho a dizer, antes de afirmar que \u00e9 imposs\u00edvel. \u00c9 isso que quero dizer. Todo o nosso sistema de pensamento, de a\u00e7\u00e3o e de vida est\u00e1 baseado em engrandecimento e crescimento individual, em detrimento dos outros. Isso \u00e9 um fato, n\u00e3o \u00e9? E, enquanto tal fato existir no mundo, haver\u00e1 necessariamente sofrimento, explora\u00e7\u00e3o, divis\u00e3o de classes; e nenhuma forma de religi\u00e3o poder\u00e1 trazer paz, porque as religi\u00f5es s\u00e3o, elas mesmas, cria\u00e7\u00f5es dos anseios humanos, s\u00e3o meios de explora\u00e7\u00e3o. A realidade viva, que eu afirmo existir \u2013 chamem-na Deus, verdade, ou qualquer outro nome \u2013 tal suprema intelig\u00eancia que eu afirmo existir, que eu digo haver compreendido, s\u00f3 poder\u00e1 ser encontrada em liberdade, sendo-se livre dos obst\u00e1culos que voc\u00eas criaram por meio da busca de seguran\u00e7a e conforto, a seguran\u00e7a das religi\u00f5es e aquela seguran\u00e7a artificial proveniente das posses.<\/p><p>Certamente, compreender o que estou dizendo n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil. A dificuldade est\u00e1 em praticar o que estou dizendo. Entretanto, praticar o que estou dizendo n\u00e3o requer coragem, mas sim compreens\u00e3o. A maioria de n\u00f3s espera que o mundo mude, em vez de come\u00e7armos a mudar a n\u00f3s mesmos. Esperamos que o sistema mundial altere essa atitude de possessividade, e n\u00e3o estamos tentando descobrir se podemos, como indiv\u00edduos, libertar-nos realmente da possessividade. Para compreender isso \u2013 esse libertar-se da possessividade \u2013 \u00e9 preciso descobrir inteligentemente quais s\u00e3o as nossas necessidades. Quando tiver descoberto quais s\u00e3o suas necessidades, voc\u00ea deixar\u00e1 de ser possessivo. Cada pessoa saber\u00e1 quais s\u00e3o suas necessidades, de modo muito claro, muito simples, se abordar a quest\u00e3o inteligentemente. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descobrir quais s\u00e3o suas necessidades enquanto a mente estiver presa na rede da possessividade, da avidez e da explora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, quando descobrir quais s\u00e3o suas necessidades, voc\u00ea n\u00e3o estar\u00e1 firmando compromisso com suas necessidades e com as condi\u00e7\u00f5es do mundo, que se baseiam em possessividade. Espero estar esclarecendo este assunto.<\/p><p>O que desejo dizer \u00e9 que n\u00e3o pode haver rela\u00e7\u00f5es humanas, rela\u00e7\u00f5es vitais, ou uma vida de alegria em plenitude de vida no presente \u2013 que para mim \u00e9 a \u00fanica eternidade \u2013 enquanto a mente e o cora\u00e7\u00e3o tiverem o aleij\u00e3o do medo; e, para superar esse medo, havemos criado in\u00fameros empecilhos, tais como religi\u00f5es, cren\u00e7as, possessividade, medidas de seguran\u00e7a. Com isso, n\u00f3s continuamente acrescentamos sofrimento, acrescentamos luta ao caos do mundo. Certamente isso \u00e9 muito simples, realmente, se voc\u00ea refletir no assunto.<\/p><p>Se voc\u00ea realmente quiser descobrir o que estou dizendo, por favor examine uma das ideias que apresentei e coloque-a em pr\u00e1tica. Voc\u00ea ver\u00e1 ent\u00e3o que ela se torna pr\u00e1tica, e n\u00e3o vaga, te\u00f3rica, imposs\u00edvel de compreender. Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o vai querer nenhum ensinamento substitutivo.<\/p><p>Voc\u00ea sabe muito bem que essa ideia de que, porque as pessoas n\u00e3o compreendem, voc\u00ea precisa dar-lhes algo que entendam, n\u00e3o passa de um modo astuto de explora\u00e7\u00e3o. \u00c9 a atitude da classe capitalista. \u00c9 a atitude do homem que tem muitas posses. Isto \u00e9, ele quer alimentar o mundo, guiar o mundo, ele quer guiar o seu pr\u00f3ximo. Mas, ao contr\u00e1rio, quero despertar o meu pr\u00f3ximo para que ele aja por si mesmo. Se eu puder despert\u00e1-lo para sua pr\u00f3pria for\u00e7a, para sua pr\u00f3pria compreens\u00e3o, para sua pr\u00f3pria responsabilidade, para sua pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eu destruo a distin\u00e7\u00e3o de classe. Ent\u00e3o eu n\u00e3o o mantenho na creche para ser explorado como uma crian\u00e7a por algu\u00e9m que supostamente sabe mais. Essa \u00e9, completamente, a atitude das religi\u00f5es \u2013 segundo as quais voc\u00ea jamais consegue descobrir a verdade, que s\u00f3 uma ou duas pessoas a descobrem; portanto, deixe-me ajud\u00e1-lo como mediador; e assim eu passo a explorar voc\u00ea. Esse \u00e9 o inteiro processo da religi\u00e3o. A religi\u00e3o \u00e9 um meio astuto de explora\u00e7\u00e3o, de ser cruel em manter as pessoas em sujei\u00e7\u00e3o, como a classe capitalista o faz do mesm\u00edssimo modo \u2013 uma classe, por meios espirituais; a outra classe, por meios mundanos. Mas, se examinarem a quest\u00e3o, ambas constituem impiedosa explora\u00e7\u00e3o. (Aqui! Aqui!)<\/p><p>Cavalheiros, por favor n\u00e3o se incomodem em dizer: \u201cAqui, aqui!\u201d O importante \u00e9 agir, e n\u00e3o concordar comigo intelectualmente. Isso n\u00e3o tem valor. A concord\u00e2ncia s\u00f3 pode ocorrer na a\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00eas dizem: \u201cAqui, aqui!\u201d, isto significa que t\u00eam de tomar posi\u00e7\u00e3o contra a sociedade, contra seus vizinhos, contra sua fam\u00edlia, contra tudo que a sociedade construiu durante gera\u00e7\u00f5es. Isto exige grande percep\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o coragem, n\u00e3o uma atitude heroica diante da vida, mas grande e direta percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 verdadeiro.<\/p><p>Para mim, a vida n\u00e3o \u00e9 para ser uma escola. A vida n\u00e3o \u00e9 algo com o qual voc\u00ea aprende, mas existe para ser vivida \u2013 para ser vivida de modo supremo, inteligente, divino. Ao passo que, se voc\u00ea a tornar uma batalha, uma luta constante, um esfor\u00e7o cont\u00ednuo, ent\u00e3o a vida se torna detest\u00e1vel. E voc\u00eas a tornaram assim porque todo o seu pensamento consiste em autoexpans\u00e3o, autocrescimento, autoengrandecimento, e, enquanto isso existir, a vida se torna uma batalha abomin\u00e1vel.<\/p><p>\u00c9 isso que eu quero dizer. Certamente pode ser compreendido com muita facilidade. F\u00e1cil de compreender em um sentido. N\u00e3o se pode alcan\u00e7ar imediatamente todo o seu significado. Pode-se ver em que dire\u00e7\u00e3o fica a coisa, e, para mudar de atitude, pode haver grande afli\u00e7\u00e3o, n\u00e3o contentamento, grande e ardente conflito que o for\u00e7ar\u00e1 a descobrir. Temos conflitos ao longo de todo o dia, mas havemos treinado a mente para ser esperta e, assim, contornar facilmente esses conflitos, fugir deles. Ent\u00e3o podemos ter conflito ap\u00f3s conflito, problema ap\u00f3s problema. Nossa mente aprendeu a ser esperta e fugir.<\/p><p><strong>Pergunta<\/strong>: O senhor poderia explicar mais detalhadamente o que significa sua afirma\u00e7\u00e3o de que \u201cSeus mestres s\u00e3o respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o de voc\u00eas.\u201d? Como pode um sacerdote, sendo honesto em seu prop\u00f3sito, ser um destruidor?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Cavalheiro, por que o senhor quer um padre? Para mant\u00ea-lo moralmente correto? \u00c9 isso? Ou para gui\u00e1-lo \u00e0 verdade? Ou para atuar como seu int\u00e9rprete entre Deus e o senhor? Ou s\u00f3 para realizar um rito, uma cerim\u00f4nia de casamento ou de funeral, ou um servi\u00e7o religioso de domingo? Por que os senhores querem sacerdotes? Quando descobrirmos por que \u00e9 que precisamos deles, ent\u00e3o descobriremos que s\u00e3o destruidores.<\/p><p>Se voc\u00eas disserem que os sacerdotes s\u00e3o necess\u00e1rios para manter nossa moralidade, ent\u00e3o certamente voc\u00eas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o \u00e9ticos, mesmo que o sacerdote os force a serem \u00e9ticos. Para mim, \u00e9tica n\u00e3o vem por compuls\u00e3o, mas \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria.<\/p><p>A moralidade n\u00e3o nasce do medo, condicionado por circunst\u00e2ncias. A verdadeira moralidade \u00e9 compreens\u00e3o volunt\u00e1ria e, por conseguinte, a\u00e7\u00e3o. Portanto, para mim o sacerdote \u00e9 desnecess\u00e1rio para sustentar sua integridade. Ou, se voc\u00ea disser que ele \u00e9 necess\u00e1rio para gui\u00e1-lo \u00e0 verdade como mediador, como int\u00e9rprete, ent\u00e3o digo que tanto voc\u00ea quanto o sacerdote precisam saber o que \u00e9 a verdade. Para ser guiado a alguma parte voc\u00ea precisa saber aonde est\u00e1 indo, e o l\u00edder tamb\u00e9m precisa saber aonde ele est\u00e1 indo. E, se voc\u00ea souber onde est\u00e1 a verdade, n\u00e3o precisa de l\u00edder. Por favor, isso n\u00e3o \u00e9 intelig\u00eancia. Essas coisas s\u00e3o apenas fatos.<\/p><p>Mas o que temos feito? Temos preconcebido o que \u00e9 a verdade, como contraste, como um oposto \u00e0quilo que somos. Dizemos que a verdade \u00e9 tranquila, que a verdade \u00e9 s\u00e1bia, ilimitada. Por n\u00e3o sermos isso, tornamo-lo um oposto e queremos que algu\u00e9m nos ajude a chegar l\u00e1. O que quer isso dizer? Algu\u00e9m que ajude voc\u00ea a fugir desse conflito para algo que voc\u00ea sup\u00f5e ser a verdade. Portanto, o sacerdote est\u00e1 ajudando voc\u00ea a fugir das coisas reais, dos fatos.<\/p><p>Conversei com um sacerdote outro dia, e ele me disse que mantinha sua igreja porque havia muito desemprego. Ele disse: \u201cAs pessoas desempregadas n\u00e3o t\u00eam lares, n\u00e3o t\u00eam beleza, vida, m\u00fasica, luz, n\u00e3o t\u00eam cor, nada \u2013 horror, uma vida horr\u00edvel. Mas se elas v\u00eam uma vez por semana \u00e0 igreja, pelo menos h\u00e1 beleza, h\u00e1 quietude, h\u00e1 perfume, e elas saem pacificadas pelo resto da semana e voltam de novo.\u201d N\u00e3o \u00e9 isso a maior forma de explora\u00e7\u00e3o? Esse sacerdote estava tentando pacific\u00e1-las em seu conflito, procurando aquiet\u00e1-las, isto \u00e9, dop\u00e1-las para n\u00e3o descobrirem a causa real do desemprego.<\/p><p>Agora, se voc\u00ea disser que os padres s\u00e3o necess\u00e1rios para realizar os ritos, as cerim\u00f4nias do cristianismo, ent\u00e3o investiguemos se tais ritos e cerim\u00f4nias s\u00e3o necess\u00e1rios. S\u00e3o necess\u00e1rios? Como n\u00e3o os frequento, n\u00e3o posso responder. Essas coisas n\u00e3o t\u00eam valor algum para mim; mas, para voc\u00ea que as frequenta, s\u00e3o elas valiosas? De que modo voc\u00ea se beneficia com elas? Voc\u00ea vai a elas na manh\u00e3 de domingo, sente-se devoto, elevado, seja o que for isso, e, pelo resto da semana, voc\u00ea estar\u00e1 explorando ou sendo explorado. Ainda h\u00e1 crueldade e todo o resto. Ent\u00e3o, onde est\u00e1 o valor do padre, por que voc\u00ea tem necessidade dele?<\/p><p>Se voc\u00ea disser que isso \u00e9 um meio de ganhar dinheiro, ent\u00e3o o colocaremos numa categoria totalmente diferente. Se voc\u00ea o tratar como uma profiss\u00e3o (como a da lei, da marinha, do ex\u00e9rcito, ou qualquer outra profiss\u00e3o), ent\u00e3o se trata de coisa completamente diferente, e a maioria das religi\u00f5es com os seus sacerdotes s\u00e3o isso e nada mais que isso \u2013 uma velha profiss\u00e3o.<\/p><p>Portanto, se voc\u00eas procuram um padre para gui\u00e1-los como um professor, digo que ele \u00e9 seu destruidor ou explorador. Por favor, n\u00e3o tenho nada contra os sacerdotes crist\u00e3os ou hindus \u2013 para mim eles s\u00e3o a mesma coisa. Digo que eles n\u00e3o s\u00e3o essenciais para a humanidade. E, por favor, n\u00e3o aceitem o que estou dizendo como autoridade final, como uma declara\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica. Examinem-na, considerem-na voc\u00eas mesmos. Se aceitarem o que estou dizendo, tamb\u00e9m me tornarei seu sacerdote; por conseguinte, tornar-me-ei seu explorador. Ao passo que, se voc\u00eas considerarem toda a quest\u00e3o, n\u00e3o por um fugaz momento, mas completamente, ver\u00e3o que as religi\u00f5es, com todos os seus professores sect\u00e1rios, est\u00e3o realmente mantendo a humanidade dividida. Elas est\u00e3o aumentando os horrores da guerra, as distin\u00e7\u00f5es de classe, as nacionalidades, e, portanto, todas essas coisas conduzem \u00e0 guerra e a maiores explora\u00e7\u00f5es, nas quais n\u00e3o h\u00e1 afeto verdadeiro, amor verdadeiro, considera\u00e7\u00e3o verdadeira.<\/p><p><strong>Pergunta<\/strong>: H\u00e1 uma vida futura?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Est\u00e1 realmente interessado nisso? Suponho que sim, ou n\u00e3o teria perguntado. Agora, espere um pouco. Por que pergunta se h\u00e1 uma vida futura? S\u00f3 por entretenimento ou curiosidade, ou porque est\u00e1 com medo no presente e precisa descobrir qual ser\u00e1 o futuro, ou meramente para se informar? Como sabe, alguns dos cientistas modernos, alguns dos famosos cientistas, est\u00e3o dizendo que h\u00e1 uma vida futura. Dizem que, atrav\u00e9s de m\u00e9diuns, pode-se descobrir por si mesmo que h\u00e1 vida ap\u00f3s a morte. Muito bem, suponhamos que haja. E da\u00ed se houver uma vida futura? O que foi que voc\u00ea conseguiu com a descoberta de que h\u00e1 uma vida futura? Voc\u00ea n\u00e3o ficou mais feliz, nem mais inteligente, nem mais humano, nem mais respeitoso, nem mais carinhoso. Voc\u00ea voltou para onde estava antes. Tudo o que voc\u00ea aprendeu consiste em mais um fato \u2013 que h\u00e1 uma vida depois desta. Pode ser um consolo, mas, mesmo assim, e da\u00ed? Voc\u00ea diz: \u201cIsso me d\u00e1 a certeza de que viverei a pr\u00f3xima vida.\u201d E da\u00ed? Mesmo que isso lhe d\u00ea a certeza de que vai viver, voc\u00ea ter\u00e1 exatamente o mesmo problema, as mesmas inquieta\u00e7\u00f5es, as mesmas alegrias e os mesmos prazeres transit\u00f3rios, embora haja outra vida. Ao passo que, para mim, embora isso possa ser um fato, \u00e9 de muito pouca import\u00e2ncia. Cavalheiro, a imortalidade n\u00e3o est\u00e1 no futuro; a imortalidade ou eternidade, ou como quiser denomin\u00e1-la, est\u00e1 agora no presente; e o presente voc\u00ea s\u00f3 pode compreender quando a mente estiver livre do tempo.<\/p><p>Agora receio que precise ser um pouco metaf\u00edsico, mas espero que n\u00e3o se importe. N\u00e3o \u00e9 realmente metaf\u00edsico. Enquanto a mente for escrava do tempo, precisa haver medo da morte, o medo e a esperan\u00e7a de uma vida futura, e uma constante indaga\u00e7\u00e3o quanto a essa quest\u00e3o. Isto \u00e9, onde houver medo, j\u00e1 haver\u00e1 necessariamente uma lenta decad\u00eancia, uma morte lenta, embora voc\u00ea esteja vivendo. A pr\u00f3pria indaga\u00e7\u00e3o quanto ao futuro mostra que voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 morrendo. Para viver completamente, para viver naquela plenitude do presente, no eterno agora, a mente precisa ficar livre do tempo. N\u00e3o \u00e9 assim? A palavra tempo, n\u00e3o a estou empregando no sentido comum de pegar um barco ou um trem, ou chegar na hora a um compromisso marcado. Estou usando a palavra tempo com o significado de mem\u00f3ria. Se todas as manh\u00e3s, voc\u00eas nascessem de novo, sem todas as mem\u00f3rias de ontem, sem todas as cargas, sem todas as incrusta\u00e7\u00f5es do passado, ent\u00e3o cada dia seria novo, fresco, simples; e ser capaz de viver assim \u00e9 estar livre do tempo. Isto \u00e9, a mente tem-se tornado um dep\u00f3sito de mem\u00f3rias, afligida pelo passado, sobrecarregada pelas in\u00fameras experi\u00eancias que tivemos.<\/p><p>Por favor, espero que pense comigo a respeito disso, doutro modo n\u00e3o poder\u00e1 compreender bem. Assim, com a carga do passado, a carga de mem\u00f3rias incont\u00e1veis, confrontamos cada experi\u00eancia \u2013 nova experi\u00eancia, novo pensamento, novo ambiente, novo dia. Com o\u00a0<i>background<\/i>\u00a0do passado, encontramo-nos com o presente. N\u00e3o \u00e9 assim? Se voc\u00ea \u00e9 crist\u00e3o, tem o\u00a0<i>background<\/i>\u00a0de uma mente crist\u00e3, dogmas crist\u00e3os, cren\u00e7as, tradi\u00e7\u00f5es, e voc\u00ea tenta enfrentar a vida com tais ideias. Ou, se \u00e9 socialista, ou outro tipo qualquer, voc\u00ea tem certos preconceitos, certas ideias, certos dogmas bem definidos, e voc\u00ea enfrenta a vida com tal\u00a0<i>background<\/i>, com tais \u00f3culos. Assim, voc\u00ea se defronta continuamente com o presente usando o\u00a0<i>background<\/i>\u00a0do passado, e, portanto, n\u00e3o compreende o presente. H\u00e1 um cont\u00ednuo processo de mal-entendidos que gera a mem\u00f3ria; portanto, h\u00e1 a acumula\u00e7\u00e3o, a acentua\u00e7\u00e3o dessa mem\u00f3ria e, da\u00ed, o desejo de saber se terei uma pr\u00f3xima vida. Por outro lado, se voc\u00ea for capaz de defrontar-se com todas as coisas de modo novo, com uma mente n\u00e3o infectada, com uma mente n\u00e3o sobrecarregada com possessividade do passado, ou com a mem\u00f3ria de um futuro, ent\u00e3o veria que n\u00e3o existe isso que chamamos de morte, veria que n\u00e3o existe medo. Ent\u00e3o a vida est\u00e1 continuamente se tornando um \u00eaxtase, em vez de uma batalha medonha e horr\u00edvel. Mas isso exige muita aten\u00e7\u00e3o, estar consciente do pensamento, da mente e do cora\u00e7\u00e3o no presente.<\/p><p>Receio que o interrogador ficar\u00e1 desapontado. Ele quer saber se h\u00e1 ou se n\u00e3o h\u00e1 \u2013 uma resposta categ\u00f3rica, \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d. Receio que n\u00e3o possa haver uma resposta categ\u00f3rica. Cuidado com respostas categ\u00f3ricas \u2013 \u201csim\u201d e \u201cn\u00e3o\u201d. N\u00e3o \u00e9 mais importante, realmente, saber como viver do que descobrir o que acontece quando se morre? \u00c9 s\u00f3 aquele que j\u00e1 est\u00e1 morrendo que quer saber o que acontece ap\u00f3s a morte \u2013 n\u00e3o o vivente. Assim, investiguemos e descubramos se podemos viver ricamente, humanamente, completamente, divinamente, em vez de descobrir o que h\u00e1 no al\u00e9m. Ent\u00e3o voc\u00ea descobrir\u00e1 o que h\u00e1 no al\u00e9m, quando souber como viver de modo supremamente inteligente. Ent\u00e3o descobrir\u00e1 o que h\u00e1 no al\u00e9m. E tal descoberta n\u00e3o ser\u00e1 uma coisa te\u00f3rica, ser\u00e1 um fato. Ver\u00e1 ent\u00e3o que isso tem muito pouca import\u00e2ncia, pois n\u00e3o h\u00e1 o que chamamos de \u201cal\u00e9m\u201d. A vida \u00e9 um todo completo, sem um come\u00e7o e sem um fim. Ent\u00e3o esse \u00eaxtase, essa sabedoria, resulta numa vida plena no presente.<\/p><p><strong>Pergunta<\/strong>: A Gr\u00e3-Bretanha se tornar\u00e1 fascista, e \u00e9 isso um movimento progressista?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Nenhum movimento baseado em possessividade, que mantenha distin\u00e7\u00f5es de classe, que encoraje o medo, pode ser um movimento progressista nem verdadeiro. Li alguns livros fascistas e eles falam de um direito divino de posse, de manter distin\u00e7\u00f5es de classe, nacionalidade, os limites de fronteiras. Certamente, isso n\u00e3o pode ser um movimento humanit\u00e1rio. Por outro lado, um movimento verdadeiro, que destrua essas coisas, que ajude as pessoas a compreender e a pensar, seria certamente um movimento real, um movimento espiritual, um movimento humanit\u00e1rio. Como sabem, tais movimentos s\u00e3o encorajados ou desencorajados por indiv\u00edduos como voc\u00eas mesmos. Se eles satisfazem suas exig\u00eancias ou sua possessividade, se garantem sua fortaleza, seus investimentos (espirituais ou mundanos), voc\u00eas os encorajam; assim como desencorajam aqueles que tentam menosprezar essas coisas, e ajudam a destruir aqueles movimentos que mostram a falsidade da possessividade. Para mim n\u00e3o existe possessividade humana instintiva. Toda possessividade \u00e9 coisa artificial, criada por uma sociedade artificial, equivocada. Instintivamente, os seres humanos n\u00e3o s\u00e3o possessivos. Eles foram condicionados por circunst\u00e2ncias que eles mesmos criaram. Assim, se o fascismo \u00e9 ou n\u00e3o um movimento progressista tem pouca import\u00e2ncia. O que importa \u00e9 se voc\u00eas, como indiv\u00edduos, percebem que enquanto o mundo com seus governos, enquanto no mundo existir esse cont\u00ednuo autoengrandecimento, sutilmente, conscientemente ou inconscientemente, essa autoimport\u00e2ncia (espiritual ou mundana), haver\u00e1 necessariamente tristeza, cont\u00ednuos gritos de dor, haver\u00e1 guerras, explora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o haver\u00e1 amor real. Portanto, cabe a voc\u00eas como indiv\u00edduos pensarem de modo novo, descobrirem se toda a sua base de pensamento est\u00e1 fundada nessa limitada autoconsci\u00eancia.<\/p><p>30 de mar\u00e7o de 1934.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeira Palestra na Escola Vasanta\u00a0Gardens,\u00a0 Auckland, Nova Zel\u00e2ndia Amigos, Parece uma pena que, numa bela manh\u00e3 como esta, devamos conversar sobre os v\u00e1rios tipos de opress\u00e3o e crueldade que sofremos todos os dias, e as v\u00e1rias formas de explora\u00e7\u00e3o que est\u00e3o ocorrendo consciente ou inconscientemente ao nosso redor; mesmo assim, sorrimos e tentamos suport\u00e1-las, levando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-372","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=372"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":379,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/372\/revisions\/379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}