{"id":347,"date":"2022-12-16T21:06:57","date_gmt":"2022-12-16T21:06:57","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=347"},"modified":"2022-12-16T21:07:52","modified_gmt":"2022-12-16T21:07:52","slug":"03-01-1934","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=347","title":{"rendered":"03\/01\/1934"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"347\" class=\"elementor elementor-347\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6a52a2ee elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6a52a2ee\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-2d88d859\" data-id=\"2d88d859\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e5231ed elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e5231ed\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Adyar\u00a0<\/strong><\/p><p>Como esta \u00e9 a minha \u00faltima palestra aqui, responderei primeiro \u00e0s quest\u00f5es que me foram colocadas, e depois concluirei com uma pequena palestra. Mas antes de proceder a responder \u00e0s perguntas, gostaria de agradecer novamente ao Sr. Warrington, o Presidente interino, por me ter convidado para falar em Adyar e pela sua grande amizade.<\/p><p>Conforme disse no in\u00edcio das minhas palestras, n\u00e3o estou realmente interessado em atacar a vossa sociedade. Ao dizer isto n\u00e3o estou a voltar atr\u00e1s com o que disse. Penso que todas as organiza\u00e7\u00f5es espirituais s\u00e3o um impedimento para o homem, porque n\u00e3o se pode encontrar a verdade atrav\u00e9s de nenhuma organiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Qual \u00e9 o rumo mais s\u00e1bio a tomar \u2013 proteger e dar abrigo aos ignorantes pelo conselho e orienta\u00e7\u00e3o, ou deix\u00e1-los descobrir atrav\u00e9s da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia e sofrimento, mesmo embora lhes possa levar uma vida inteira a libertarem-se dos efeitos de tal experi\u00eancia e sofrimento?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Eu diria que nenhum; eu diria que os ajudassem a ser inteligentes, o que \u00e9 uma coisa completamente diferente. Quando querem guiar e proteger os ignorantes, est\u00e3o realmente a dar-lhes o ref\u00fagio que criaram para voc\u00eas mesmos. E enveredar pelo ponto de vista oposto, isto \u00e9, deix\u00e1-los andar \u00e0 deriva atrav\u00e9s das experi\u00eancias, \u00e9 igualmente insensato. Mas podemos ajudar os outros atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o atrav\u00e9s desta doen\u00e7a moderna a que chamamos educa\u00e7\u00e3o, este passar por exames e universidades. N\u00e3o chamo a isso educa\u00e7\u00e3o de modo nenhum. \u00c9 apenas imbecilizar a mente. Mas essa \u00e9 uma quest\u00e3o diferente.<\/p><p>Se pudermos ajudar os outros a se tornarem inteligentes, isso \u00e9 tudo o que precisamos de fazer. Mas essa \u00e9 a coisa mais dif\u00edcil do mundo, porque a intelig\u00eancia n\u00e3o oferece ref\u00fagio das lutas e das confus\u00f5es da vida, nem d\u00e1 conforto; somente cria compreens\u00e3o. A intelig\u00eancia \u00e9 livre, sem entraves, sem medo ou superficialidade. Podemos ajudar os outros a se libertarem de aquisitividade, das muitas ilus\u00f5es e impedimentos que os aprisionam, somente quando come\u00e7armos a nos libertar. Mas temos esta extraordin\u00e1ria atitude de querer melhorar as massas enquanto somos ainda ignorantes, enquanto estamos ainda presos \u00e0s supersti\u00e7\u00f5es, \u00e0 aquisitividade. Quando come\u00e7armos a libertar-nos, ent\u00e3o ajudaremos os outros natural e verdadeiramente.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Embora eu concorde consigo quanto \u00e0 necessidade do indiv\u00edduo descobrir as supersti\u00e7\u00f5es, e mesmo as religi\u00f5es como tal, n\u00e3o acha que um movimento organizado nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fatil e necess\u00e1rio, particularmente porque na sua aus\u00eancia os poderosos direitos adquiridos, nomeadamente, os pont\u00edfices em todos os locais principais de peregrina\u00e7\u00e3o, continuar\u00e3o a explorar aqueles que est\u00e3o ainda presos \u00e0s supersti\u00e7\u00f5es e aos dogmas e cren\u00e7as religiosas? Uma vez que n\u00e3o \u00e9 um individualista, porque n\u00e3o fica conosco e espalha a sua mensagem em vez de ir para outras terras e voltar a n\u00f3s quando as suas palavras forem provavelmente esquecidas?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Conclui portanto que as organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias. Explicarei o que quero dizer com organiza\u00e7\u00f5es. Tem que haver organiza\u00e7\u00f5es para o bem-estar dos homens, o bem-estar f\u00edsico do homem, mas n\u00e3o com o objectivo de o conduzir \u00e0 verdade. Porque a verdade n\u00e3o \u00e9 para ser encontrada atrav\u00e9s de nenhuma organiza\u00e7\u00e3o, por nenhum caminho, por nenhum m\u00e9todo. Ajudar meramente o homem, atrav\u00e9s de uma organiza\u00e7\u00e3o, a destruir as suas supersti\u00e7\u00f5es, as suas cren\u00e7as, os seus dogmas, n\u00e3o lhe dar\u00e1 compreens\u00e3o. Ele apenas criar\u00e1 novas cren\u00e7as no lugar das antigas que voc\u00eas destru\u00edram. \u00c9 isto o que est\u00e1 a acontecer em todo o mundo. Voc\u00eas destroem um conjunto de cren\u00e7as, e o homem cria um outro; voc\u00eas retiram um determinado templo, ele cria um outro.<\/p><p>Mas se os indiv\u00edduos, a partir da sua compreens\u00e3o, criarem intelig\u00eancia \u00e0 sua volta, se criarem compreens\u00e3o \u00e0 sua volta, ent\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es nascer\u00e3o naturalmente. Ora, n\u00f3s come\u00e7amos primeiro com as organiza\u00e7\u00f5es e depois dizemos, \u201cComo podemos viver e ajustar-nos a todas as exig\u00eancias destas organiza\u00e7\u00f5es?\u201d Por outras palavras, pomos as organiza\u00e7\u00f5es primeiro lugar e depois os indiv\u00edduos. Vi isto em cada sociedade: os indiv\u00edduos s\u00e3o postos de lado ao passo que a organiza\u00e7\u00e3o, essa coisa misteriosa em que todos voc\u00eas trabalham, se torna uma for\u00e7a, um poder esmagador para a explora\u00e7\u00e3o. Eis porque sinto que a aus\u00eancia de supersti\u00e7\u00f5es, de cren\u00e7as e de dogmas, s\u00f3 pode come\u00e7ar com o indiv\u00edduo. Se o indiv\u00edduo realmente compreende, ent\u00e3o atrav\u00e9s da sua compreens\u00e3o, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o dessa compreens\u00e3o, ele naturalmente criar\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o ser\u00e3o instrumentos de explora\u00e7\u00e3o. Mas se pusermos a organiza\u00e7\u00e3o em primeiro lugar, como faz a maior parte das pessoas, n\u00e3o estamos a destruir a supersti\u00e7\u00e3o mas apenas a criar substitui\u00e7\u00f5es.<\/p><p>Tomemos, por exemplo, o instinto possessivo, A lei santifica-os, aben\u00e7oa-os, na posse da vossa mulher, dos vossos filhos, e das vossas propriedades; ela honra-os. Depois, se o comunismo chegar, ela honrar\u00e1 a pessoa que nada possui. Ora para mim, ambos os sistemas s\u00e3o a mesma coisa; s\u00e3o o mesmo em termos contr\u00e1rios, em oposi\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00eas s\u00e3o for\u00e7ados a uma determinada a\u00e7\u00e3o, conformados, moldados pela circunst\u00e2ncia, pela sociedade, por uma organiza\u00e7\u00e3o, nessa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o. Est\u00e3o apenas a trocar de mestres. As organiza\u00e7\u00f5es resultar\u00e3o normalmente se houver pessoas que sentem verdadeiramente e s\u00e3o inteligentes sobre estas coisas. Mas se s\u00f3 estiverem preocupados com a organiza\u00e7\u00e3o, destroem aquele sentimento vital, aquele pensamento inteligente e criativo, porque t\u00eam que considerar a organiza\u00e7\u00e3o, o rendimento da organiza\u00e7\u00e3o, e as cren\u00e7as nas quais est\u00e1 fundada a organiza\u00e7\u00e3o. T\u00eam que considerar todos os compromissos, e por isso nem voc\u00eas nem a organiza\u00e7\u00e3o ser\u00e3o jamais flu\u00eddos, vivos, flex\u00edveis. A vossa organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais importante para voc\u00eas que a liberdade. Se realmente pensarem sobre isto, ver\u00e3o.<\/p><p>Alguns indiv\u00edduos criam organiza\u00e7\u00f5es a partir do seu entusiasmo, do seu animado interesse, e o resto das pessoas ajustam-se a estas organiza\u00e7\u00f5es e tornam-se escravos delas. Mas se houvesse intelig\u00eancia criativa \u2013 que mal existe neste pa\u00eds, porque todos voc\u00eas s\u00e3o seguidores, dizendo, \u201cDiga-me o que fazer, que disciplina, que m\u00e9todo seguir\u201d, como os carneiros \u2013 se fossem realmente livres, se tivessem intelig\u00eancia criativa, ent\u00e3o da\u00ed chegaria a a\u00e7\u00e3o; atacariam o problema de modo fundamental, isto \u00e9, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das escolas, atrav\u00e9s da literatura, atrav\u00e9s da arte; n\u00e3o atrav\u00e9s desta perp\u00e9tua conversa sobre organiza\u00e7\u00f5es. Para ter escolas, para ter o tipo correto de educa\u00e7\u00e3o, t\u00eam que ter organiza\u00e7\u00e3o; mas tudo isso vir\u00e1 naturalmente se os indiv\u00edduos, se algumas pessoas, estiverem verdadeiramente despertas, se forem verdadeiramente inteligentes.<\/p><p>\u201cUma vez que n\u00e3o \u00e9 um individualista, porque n\u00e3o fica conosco e espalha a sua mensagem em vez de ir para outras terras e voltar a n\u00f3s quando as suas palavras forem provavelmente esquecidas?\u201d Prometi desta vez ir a outros pa\u00edses, \u00c1frica do Sul, Austr\u00e1lia, Estados Unidos. Mas quando voltar pretendo ficar muito tempo na \u00cdndia. (Aplauso) N\u00e3o se incomodem a aplaudir. Nessa altura quero fazer as coisas de maneira muito diferente.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: O que vem primeiro, o indiv\u00edduo ou a organiza\u00e7\u00e3o?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Isso \u00e9 muito simples. Est\u00e3o interessados em fazer um trabalho de remendos, o que implica a modifica\u00e7\u00e3o do nacionalismo, da diferen\u00e7a de classes, da possessividade, da heran\u00e7a, a luta sobre quem deve entrar nos templos, em fazer uma pequena altera\u00e7\u00e3o aqui e ali, ou desejam uma mudan\u00e7a completa, radical? Essa mudan\u00e7a significa aus\u00eancia de\u00a0autoconsci\u00eancia, do \u201ceu\u201d limitado que cria o nacionalismo, o medo, as diferen\u00e7as, a possessividade. Se perceberem fundamentalmente a falsidade destas coisas, ent\u00e3o chega a verdadeira a\u00e7\u00e3o. Portanto t\u00eam que compreender e atuar. Tal como s\u00e3o, est\u00e3o apenas a glorificar a\u00a0autoconsci\u00eancia, e eu sinto que basicamente todas as sociedades religiosas est\u00e3o a fazer isso, embora em teoria, nos livros, os seus ensinamentos possam ser diferentes. Sabem, muitas vezes me disseram que os Upanishads est\u00e3o de acordo com o que eu digo. As pessoas dizem-me, \u201cEst\u00e1 a dizer exatamente o que Buda disse, o que Cristo disse\u201d, ou, \u201cFundamentalmente est\u00e1 a ensinar aquilo que os Teosofistas representam.\u201d Mas isso \u00e9 tudo teoria. T\u00eam que pensar realmente sobre isto, t\u00eam que ser realmente honestos, francos. Quando digo \u201chonestos\u201d, \u201cfrancos\u201d, n\u00e3o quero dizer sinceros, porque um tolo pode ser sincero. (Respondendo a uma interrup\u00e7\u00e3o) Por favor acompanhem isto. Um lun\u00e1tico que se at\u00e9m inabalavelmente a uma ideia, a uma cren\u00e7a, \u00e9 sincero. A maioria das pessoas \u00e9 sincera, s\u00f3 que tem in\u00fameras cren\u00e7as. Em vez de uma, t\u00eam muitas, e est\u00e3o a tentar ser sinceras ao manterem-se fi\u00e9is a elas.<\/p><p>Se forem realmente francos, honestos, ver\u00e3o que todo o vosso pensamento e a\u00e7\u00e3o se baseiam neste trabalho de remendos, nesta consci\u00eancia limitada, nesta autoglorifica\u00e7\u00e3o, neste desejo de se tornarem algu\u00e9m tanto no mundo espiritual como no mundo f\u00edsico. Se atuarem e trabalharem com esta atitude, ent\u00e3o o que fizerem conduz ao trabalho de remendos; mas se atuarem verdadeiramente, ent\u00e3o para voc\u00eas toda esta estrutura desaba. Querem para si pr\u00f3prios glorifica\u00e7\u00e3o, querem prote\u00e7\u00e3o, querem seguran\u00e7a, querem conforto; portanto t\u00eam que decidir fazer uma coisa ou outra; n\u00e3o podem fazer ambas. Se francamente, honestamente, procurarem obter seguran\u00e7a e conforto, ent\u00e3o descobrir\u00e3o o seu vazio. Se forem realmente honestos com respeito a esta autoglorifica\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o perceber\u00e3o a sua futilidade.<\/p><p>Mas infelizmente as nossas mentes n\u00e3o s\u00e3o claras. Somos preconceituosos, somos influenciados; a tradi\u00e7\u00e3o e o h\u00e1bito atam-nos. Temos in\u00fameros compromissos. Temos organiza\u00e7\u00f5es a manter. Comprometemo-nos com certas ideais, com certas cren\u00e7as. E a economia representa um enorme papel nas nossas vidas. Dizemos, \u201cSe eu pensar de modo diferente dos meus s\u00f3cios, dos meus vizinhos, posso perder o meu emprego. Ent\u00e3o como poderia ganhar a vida?\u201d Portanto continuamos como antes. \u00c9 a isto que chamo hipocrisia, n\u00e3o enfrentar os factos diretamente.<\/p><p>Percebam verdadeiramente e atuem; a a\u00e7\u00e3o segue a percep\u00e7\u00e3o, s\u00e3o insepar\u00e1veis. Descubram o que desejam fazer, remendos ou a\u00e7\u00e3o completa. Agora est\u00e3o a colocar \u00eanfase no trabalho, e por isso primeiramente nos remendos.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: A reencarna\u00e7\u00e3o explica muito do que de outra forma est\u00e1 cheio de mist\u00e9rio e de confus\u00e3o na vida. Mostra, entre outras coisas, que as rela\u00e7\u00f5es pessoais grandemente estimadas de uma qualquer encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o continuam necessariamente na seguinte. Assim, estranhos s\u00e3o por sua vez rela\u00e7\u00f5es nossas e vice-versa; isto revela a afinidade da alma humana, um facto que, se devidamente compreendido, deveria ser vantajoso para a verdadeira fraternidade. Por isso, se a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 uma lei natural e o senhor sabe que assim \u00e9; ou, igualmente, se sabe que n\u00e3o existe tal lei, porque n\u00e3o diz\u00ea-lo? Porque \u00e9 que prefere sempre deixar, nas suas respostas, este assunto t\u00e3o importante e interessante rodeado com o halo de mist\u00e9rio?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: N\u00e3o acho que seja importante; n\u00e3o acho que resolva nada fundamentalmente. N\u00e3o acho que os fa\u00e7a compreender essa unidade fundamental, viva, \u00fanica, que n\u00e3o \u00e9 a unidade da uniformidade. Voc\u00eas dizem, \u201cEu casei com algu\u00e9m na vida passada, e estou casado com uma pessoa diferente nesta vida; n\u00e3o ocasiona isto um sentimento de fraternidade, ou de afeto, ou de unidade?\u201d Que maneira extraordin\u00e1ria de pensar! Preferem a fraternidade de um mist\u00e9rio \u00e0 fraternidade da realidade. Seriam afetuosos devido ao relacionamento, n\u00e3o porque o afeto \u00e9 natural, espont\u00e2neo, puro. Querem acreditar porque a cren\u00e7a os conforta. Eis porque h\u00e1 tantas diferen\u00e7as de classes, guerras, e a utiliza\u00e7\u00e3o constante dessa palavra absurda \u201ctoler\u00e2ncia\u201d. Se n\u00e3o tivessem nenhuma divis\u00e3o de cren\u00e7as, nenhum conjunto de ideais, se fossem realmente seres humanos completos, ent\u00e3o haveria verdadeira fraternidade, verdadeiro afeto, n\u00e3o esta coisa artificial a que chamam fraternidade.<\/p><p>Tratei da quest\u00e3o da reencarna\u00e7\u00e3o tantas vezes que agora falarei dela apenas brevemente. Podem n\u00e3o considerar de nenhum modo o que digo; ou podem examin\u00e1-lo, conforme quiserem. Receio que o n\u00e3o considerem \u2013 embora isso n\u00e3o importe \u2013 porque est\u00e3o comprometidos com determinadas ideias, com determinadas organiza\u00e7\u00f5es, limitados pela autoridade, pelas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p><p>Para mim, o ego, essa consci\u00eancia limitada, \u00e9 o resultado do conflito. Inerentemente n\u00e3o tem valor; \u00e9 uma ilus\u00e3o. Nasce atrav\u00e9s da falta de compreens\u00e3o que por sua vez cria conflito, e deste conflito cresce a autoconsci\u00eancia ou a consci\u00eancia limitada. N\u00e3o podem aperfei\u00e7oar essa autoconsci\u00eancia atrav\u00e9s do tempo; o tempo n\u00e3o liberta a mente dessa consci\u00eancia, Por favor n\u00e3o se enganem; o tempo n\u00e3o os libertar\u00e1 desta autoconsci\u00eancia, porque o tempo \u00e9 apenas a protela\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o. Quanto mais protelarem uma a\u00e7\u00e3o, menos a compreender\u00e3o. S\u00f3 est\u00e3o conscientes quando h\u00e1 conflito; e no \u00eaxtase, na verdadeira percep\u00e7\u00e3o, h\u00e1 a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea em que n\u00e3o h\u00e1 conflito. N\u00e3o est\u00e3o ent\u00e3o conscientes de voc\u00eas pr\u00f3prios como uma entidade, como o \u201ceu\u201d. Contudo desejam proteger essa acumula\u00e7\u00e3o de ignor\u00e2ncia a que chamam o \u201ceu\u201d, essa acumula\u00e7\u00e3o da qual brota a ideia de mais e mais, esse centro de desenvolvimento que n\u00e3o \u00e9 a vida, que \u00e9 apenas uma ilus\u00e3o. Portanto enquanto contam com o tempo para originar perfei\u00e7\u00e3o, a autoconsci\u00eancia apenas cresce. O tempo nunca os libertar\u00e1 dessa autoconsci\u00eancia, dessa consci\u00eancia limitada. O que libertar\u00e1 a mente \u00e9 a plenitude de compreens\u00e3o na a\u00e7\u00e3o; isto \u00e9, quando a vossa mente e cora\u00e7\u00e3o estiverem a atuar harmoniosamente, quando j\u00e1 n\u00e3o forem preconceituosos, acorrentados a uma cren\u00e7a, limitados por um dogma, pelo medo, pelos falsos valores, ent\u00e3o haver\u00e1 liberdade. E essa liberdade \u00e9 o \u00eaxtase da percep\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Sabem, seria realmente de grande interesse se um de voc\u00eas que acredita t\u00e3o fundamentalmente na reencarna\u00e7\u00e3o discutisse o assunto comigo. Discuti-o com muitas pessoas, mas tudo o que elas s\u00e3o capazes de dizer \u00e9, \u201cN\u00f3s acreditamos na reencarna\u00e7\u00e3o, ela explica tantas coisas\u201d; e isso resolve a quest\u00e3o. N\u00e3o se pode discutir com pessoas que est\u00e3o convencidas das suas cren\u00e7as, que t\u00eam a certeza do seu conhecimento. Quando um homem diz que sabe, o assunto terminou; e voc\u00eas adoram o homem que diz, \u201cEu sei\u201d, porque a sua declara\u00e7\u00e3o positiva, a sua certeza, lhes d\u00e1 conforto, ref\u00fagio.<\/p><p>Se acreditam na reencarna\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o me parece um assunto muito trivial; essa cren\u00e7a \u00e9 como um brinquedo, \u00e9 agrad\u00e1vel; n\u00e3o resolve coisa nenhuma, porque \u00e9 apenas uma protela\u00e7\u00e3o. \u00c9 apenas uma explica\u00e7\u00e3o, e as explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o como a poeira para o homem que est\u00e1 \u00e0 procura. Mas infelizmente est\u00e3o sufocados com a poeira, t\u00eam explica\u00e7\u00f5es para tudo. Para cada sofrimento t\u00eam uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, conveniente. Se um homem \u00e9 cego, tornam compreens\u00edvel o seu duro fado nesta vida pela reencarna\u00e7\u00e3o. As desigualdades na vida explicam-nas satisfatoriamente pela reencarna\u00e7\u00e3o, pela ideia de evolu\u00e7\u00e3o. Portanto, com as explica\u00e7\u00f5es, voc\u00eas resolveram as muitas quest\u00f5es respeitantes ao homem, e deixaram de viver. A plenitude da vida impede todas as explica\u00e7\u00f5es. Para o homem que est\u00e1 realmente a sofrer, as explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o o mesmo que p\u00f3 e cinzas. Mas para o homem que procura conforto, as explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias e excelentes. N\u00e3o existe tal coisa como o conforto. Existe s\u00f3 compreens\u00e3o, e a compreens\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 limitada por cren\u00e7as ou por certezas.<\/p><p>Voc\u00eas dizem, \u201cEu sei que a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 verdade.\u201d Bem, e depois? A reencarna\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o processo de acumula\u00e7\u00e3o, de crescimento, de obten\u00e7\u00e3o, \u00e9 apenas o fardo do esfor\u00e7o, a continua\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o; e eu afirmo que h\u00e1 uma maneira de viver espontaneamente, sem esta luta constante, e essa \u00e9 pela compreens\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 o resultado da acumula\u00e7\u00e3o do desenvolvimento. Esta compreens\u00e3o, esta percep\u00e7\u00e3o, vem \u00e0quele que n\u00e3o est\u00e1 limitado pelo medo, pela autoconsci\u00eancia.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: O homem que permanece impass\u00edvel em face dos perigos e das adversidades na vida, tal como a oposi\u00e7\u00e3o do seu semelhante a um rumo de a\u00e7\u00e3o, \u00e9 sempre um homem de for\u00e7a de vontade inabal\u00e1vel e de car\u00e1cter s\u00f3lido. As escolas p\u00fablicas em Inglaterra e em qualquer outra parte reconhecem a import\u00e2ncia de desenvolver a for\u00e7a de vontade e o car\u00e1cter, que s\u00e3o geralmente considerados como o melhor equipamento para embarcar na vida, porque a for\u00e7a de vontade assegura o sucesso, e o car\u00e1cter assegura a san\u00e7\u00e3o moral. O que tem a dizer sobre a for\u00e7a de vontade e o car\u00e1cter, e qual \u00e9 o seu valor para o indiv\u00edduo?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: A primeira parte desta pergunta serve de pano de fundo da pergunta propriamente dita que \u00e9, \u201cO que tem a dizer sobre a for\u00e7a de vontade e o car\u00e1cter, e qual \u00e9 o seu valor para o indiv\u00edduo?\u201d Nenhum, do meu ponto de vista. Mas isso n\u00e3o significa que tenham que ser desprovidos de for\u00e7a de vontade, de car\u00e1cter. N\u00e3o pensem em termos de opostos. O que querem dizer com for\u00e7a de vontade? A for\u00e7a de vontade \u00e9 o resultado da resist\u00eancia. Se n\u00e3o compreendem uma coisa, querem conquist\u00e1-la. Toda a conquista n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o escravid\u00e3o e por isso resist\u00eancia; e dessa resist\u00eancia cresce a for\u00e7a de vontade, a ideia do \u201cTenho de e n\u00e3o tenho de\u201d. Mas a percep\u00e7\u00e3o, a compreens\u00e3o, liberta a mente e o cora\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia, e portanto desta batalha constante do \u201cTenho de e n\u00e3o tenho de.\u201d<\/p><p>A mesma coisa se aplica ao car\u00e1cter. O car\u00e1cter \u00e9 somente o poder de resistir \u00e0s muitas usurpa\u00e7\u00f5es da sociedade sobre voc\u00eas. Quanto mais for\u00e7a de vontade tiverem, maior \u00e9 a vossa autoconsci\u00eancia, o \u201ceu\u201d, porque o \u201ceu\u201d \u00e9 o resultado do conflito, e a for\u00e7a de vontade nasce da resist\u00eancia que cria a autoconsci\u00eancia. Quando nasce a resist\u00eancia? Quando voc\u00eas procuram a aquisi\u00e7\u00e3o, a obten\u00e7\u00e3o, quando desejam ser bem-sucedidos, quando procuram obter virtude, quando h\u00e1 imita\u00e7\u00e3o e medo.<\/p><p>Tudo isto lhes pode parecer absurdo porque est\u00e3o aprisionados no conflito da aquisi\u00e7\u00e3o, e naturalmente dir\u00e3o, \u201cO que pode ser um homem sem for\u00e7a de vontade, sem conflito, sem resist\u00eancia?\u201d Eu digo que essa \u00e9 a \u00fanica maneira de viver, sem resist\u00eancia, o que n\u00e3o significa n\u00e3o-resist\u00eancia; n\u00e3o significa n\u00e3o ter for\u00e7a de vontade, n\u00e3o ter prop\u00f3sito, ser levado de c\u00e1 para l\u00e1. A for\u00e7a de vontade \u00e9 o resultado dos falsos valores; e quando h\u00e1 compreens\u00e3o do que \u00e9 verdade, o conflito desaparece e com ele o desenvolver de resist\u00eancia a que se chama for\u00e7a de vontade. A for\u00e7a de vontade e o desenvolvimento do car\u00e1cter, que s\u00e3o como o vidro colorido que perverte a luz l\u00edmpida, n\u00e3o conseguem libertar o homem; n\u00e3o lhes podem dar compreens\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, limitar\u00e3o o homem.<\/p><p>Mas uma mente que compreende, uma mente que \u00e9 flex\u00edvel, alerta \u2013 o que n\u00e3o significa a mente habilidosa de um advogado esperto, um tipo que \u00e9 t\u00e3o predominante na \u00cdndia, um tipo que \u00e9 destrutivo \u2013 a mente que \u00e9 flex\u00edvel, dizia eu, a mente que n\u00e3o est\u00e1 limitada, que n\u00e3o \u00e9 possessiva, para uma mente assim n\u00e3o h\u00e1 resist\u00eancia porque ela compreende; ela percebe a falsidade da resist\u00eancia, porque \u00e9 como a \u00e1gua. A \u00e1gua assume qualquer forma, e continua a ser \u00e1gua. Mas voc\u00eas querem ser conformados segundo um padr\u00e3o espec\u00edfico porque n\u00e3o t\u00eam compreens\u00e3o completa. Afirmo que quando se realizam, quando atuam completamente, j\u00e1 n\u00e3o procurar\u00e3o um padr\u00e3o e j\u00e1 n\u00e3o se esfor\u00e7ar\u00e3o por se ajustarem a esse padr\u00e3o, porque na verdadeira compreens\u00e3o h\u00e1 movimento constante que \u00e9 a vida eterna.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: O senhor disse ontem que a mem\u00f3ria, que \u00e9 o res\u00edduo de a\u00e7\u00f5es acumuladas, origina a ideia de tempo e por isso de progresso. Por favor desenvolva mais a ideia com especial refer\u00eancia \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o do progresso na felicidade humana.<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: H\u00e1 progresso no campo da ci\u00eancia mec\u00e2nica, progresso no que respeita a m\u00e1quinas, carros, comodidades modernas, e \u00e0 conquista do espa\u00e7o. Mas eu n\u00e3o me refiro a essa esp\u00e9cie de progresso, porque o progresso na ci\u00eancia mec\u00e2nica tem que ser sempre transit\u00f3rio; nisso jamais pode haver realiza\u00e7\u00e3o para o homem. Tenho que falar com muita brevidade porque tenho muitas perguntas para responder. Espero que o que digo seja claro; se o n\u00e3o for, continuaremos numa oportunidade posterior.<\/p><p>N\u00e3o pode haver realiza\u00e7\u00e3o para o homem no progresso mec\u00e2nico. Haver\u00e3o carros melhores, avi\u00f5es melhores, m\u00e1quinas melhores, mas a realiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada atrav\u00e9s do processo cont\u00ednuo da perfei\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica \u2013 n\u00e3o que eu seja contra as m\u00e1quinas. Quando falamos de progresso como o que se aplica ao que n\u00f3s chamamos o crescimento individual, o que \u00e9 que queremos dizer? Queremos dizer a aquisi\u00e7\u00e3o de mais conhecimento, de maior virtude, que n\u00e3o \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 chamado virtude aqui pode ser considerado um v\u00edcio noutra sociedade. A sociedade desenvolveu conceitos de bom e mau. Inerentemente n\u00e3o h\u00e1 tal coisa como o bom e o mau. N\u00e3o pensem em termos de opostos. T\u00eam que pensar profundamente, intrinsecamente.<\/p><p>Para mim, atrav\u00e9s do progresso n\u00e3o pode haver plenitude de a\u00e7\u00e3o, porque o progresso implica tempo, e o tempo n\u00e3o conduz \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o. A realiza\u00e7\u00e3o reside somente no presente, n\u00e3o no futuro. O que os impede de viver completamente no presente? O passado, com as suas muitas mem\u00f3rias e obst\u00e1culos.<\/p><p>Colocarei as coisas de maneira diferente. Enquanto houver escolha, tem que haver este pretenso progresso nas coisas essenciais e n\u00e3o-essenciais; mas no momento em que possu\u00edrem o essencial, ele j\u00e1 se tornou no n\u00e3o-essencial. E assim continuamos, movendo-nos constantemente do n\u00e3o-essencial para o essencial; que por sua vez se torna o n\u00e3o-essencial, e a esta substitui\u00e7\u00e3o chamamos progresso. Mas perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a harmonia de mente e do cora\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode haver tal harmonia se as vossas mentes estiverem aprisionadas por uma cren\u00e7a, por uma mem\u00f3ria, por um preconceito, por uma necessidade. Uma vez que est\u00e3o aprisionados por estas coisas, t\u00eam que se libertar delas. E s\u00f3 podem se tornar livres quando voc\u00eas, como indiv\u00edduos, tiverem descoberto o seu verdadeiro significado. Isto \u00e9, s\u00f3 podem atuar harmoniosamente quando descobrirem o seu verdadeiro significado questionando, duvidando dos seus existentes valores.<\/p><p>Lamento mas tenho que parar agora de responder a perguntas. Muitas perguntas me foram feitas no que respeita \u00e0 Sociedade Teos\u00f3fica, se eu aceitaria a presid\u00eancia se me fosse oferecida, e qual seria a minha pol\u00edtica se fosse eleito; se a Sociedade Teos\u00f3fica, que se empenha em educar as massas e em elevar o n\u00edvel \u00e9tico, deveria ser dissolvida; que pol\u00edtica defenderia para a comunidade Indo Brit\u00e2nica, etc. N\u00e3o me proponho a candidatar-me para a presid\u00eancia da Sociedade Teos\u00f3fica porque n\u00e3o perten\u00e7o a essa Sociedade. Isso n\u00e3o me interessa \u2013 n\u00e3o que me ache superior \u2013 porque n\u00e3o acredito em organiza\u00e7\u00f5es religiosas, e tamb\u00e9m n\u00e3o quero orientar um \u00fanico homem. Por favor acreditem em mim, senhores, quando digo que n\u00e3o quero influenciar uma \u00fanica pessoa; porque o desejo de guiar mostra inerentemente que se tem um fim, uma meta, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 qual se pensa que toda a humanidade deve chegar como um rebanho de carneiros. \u00c9 isto o que implica a orienta\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Ora eu n\u00e3o quero instigar nenhum homem em dire\u00e7\u00e3o a uma meta ou fim espec\u00edfico; O que quero fazer \u00e9 ajud\u00e1-lo a ser inteligente, e isto \u00e9 uma coisa totalmente diferente. Portanto n\u00e3o tenho tempo para responder estas in\u00fameras quest\u00f5es baseadas em tais ideias.<\/p><p>Uma vez que \u00e9 bastante tarde, gostaria de fazer um resumo do que tenho estado a dizer durante os \u00faltimos cinco ou seis dias, e naturalmente tenho que ser paradoxal. A verdade \u00e9 paradoxal. Espero que aqueles de voc\u00eas que inteligentemente acompanharam o que tenho estado a dizer compreendam e atuem, mas n\u00e3o fa\u00e7am de mim um padr\u00e3o para as vossas a\u00e7\u00f5es. Se o que eu disse n\u00e3o for verdade para voc\u00eas, naturalmente esquec\u00ea-lo-\u00e3o. A menos que tenham realmente aprofundado, a menos que tenham ponderado sobre o que eu disse, simplesmente repetir\u00e3o as minhas frases, decorar\u00e3o as minhas palavras, e isso n\u00e3o tem qualquer valor. Para a compreens\u00e3o, o primeiro requisito \u00e9 duvidar, duvidar n\u00e3o s\u00f3 com respeito ao que eu disse, mas em primeiro lugar com respeito \u00e0s ideias que sust\u00eam. Mas fizeram da d\u00favida um an\u00e1tema, uma grilheta, um mal a ser banido, a ser posto de lado; fizeram da d\u00favida uma coisa abomin\u00e1vel, uma doen\u00e7a. Mas para mim, a d\u00favida n\u00e3o \u00e9 nada disso; a d\u00favida \u00e9 um unguento que cura.<\/p><p>Mas do que \u00e9 que geralmente duvidam? Duvidam do que o outro diz. \u00c9 muito f\u00e1cil duvidar de algu\u00e9m. Mas duvidar precisamente daquilo em que est\u00e3o aprisionados, daquilo a que se at\u00eam, duvidar precisamente daquilo que procuram, isso \u00e9 mais dif\u00edcil. A verdadeira d\u00favida n\u00e3o admite substitui\u00e7\u00e3o. Quando duvidam de outro, como quando algu\u00e9m disse durante uma destas palestras no outro dia, \u201cN\u00f3s duvidamos de si\u201d, isso mostra que est\u00e3o a duvidar do que estou a dar, do que estou a tentar explicar. Muito bem. Mas a vossa d\u00favida \u00e9 apenas a procura de substitui\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas dizem, \u201cEu tenho isto, mas n\u00e3o estou satisfeito. Ser\u00e1 que aquilo me satisfaz, essa outra coisa que est\u00e1 a oferecer? Para descobrir, tenho que duvidar de si.\u201d Mas eu n\u00e3o lhes estou a oferecer nada. Estou a dizer, duvidem da pr\u00f3pria coisa que t\u00eam entre m\u00e3os, que est\u00e1 na vossa mente e no vosso cora\u00e7\u00e3o; ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o procurar\u00e3o substitui\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Quando procuram substitui\u00e7\u00e3o h\u00e1 medo, e por isso um aumento de conflito. Quanto t\u00eam medo procuram o oposto do medo, que \u00e9 coragem; tratam de adquirir coragem. Ou, se decidem que s\u00e3o rudes, tratam de adquirir amabilidade, que \u00e9 uma mera substitui\u00e7\u00e3o, uma mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o para o oposto. Mas se, em vez de procurarem uma substitui\u00e7\u00e3o, come\u00e7arem realmente a inquirir precisamente sobre aquilo em que a vossa est\u00e1 aprisionada \u2013 medo, rudeza, aquisitividade \u2013 ent\u00e3o descobrir\u00e3o a causa. E s\u00f3 podem descobrir a causa duvidando continuamente, questionando com uma atitude de mente cr\u00edtica e inteligente, que \u00e9 uma atitude saud\u00e1vel, mas que foi destru\u00edda pela sociedade, pela educa\u00e7\u00e3o, pelas religi\u00f5es que os admoestam a banir a d\u00favida. A d\u00favida \u00e9 apenas uma inquiri\u00e7\u00e3o sobre os valores verdadeiros, e quando tiverem descoberto valores verdadeiros para voc\u00eas, a d\u00favida cessa. Mas para descobrir, t\u00eam que ter esp\u00edrito cr\u00edtico, t\u00eam que ser francos, honestos.<\/p><p>Uma vez que a maior parte das pessoas est\u00e1 \u00e0 procura de substitui\u00e7\u00e3o, est\u00e1 apenas a aumentar o seu conflito. E a este aumento de conflito, com o seu desejo de evas\u00e3o, chamamos progresso, progresso espiritual, porque para n\u00f3s a substitui\u00e7\u00e3o ou a fuga \u00e9 mais aquisi\u00e7\u00e3o, mais consecu\u00e7\u00e3o. Assim aquilo a que chamam a busca da verdade \u00e9 apenas a tentativa de encontrar substitutos, a procura de maiores seguran\u00e7as, ref\u00fagios do conflito mais seguros. Quando procuram ref\u00fagios est\u00e3o a criar exploradores, e tendo-os criado, s\u00e3o apanhados nessa m\u00e1quina de explora\u00e7\u00e3o que diz, \u201cN\u00e3o fa\u00e7as isto, n\u00e3o fa\u00e7as aquilo, n\u00e3o duvides, n\u00e3o sejas cr\u00edtico. Segue este ensinamento, porque isto \u00e9 verdadeiro e aquilo \u00e9 falso.\u201d Portanto quando est\u00e3o a falar da verdade, est\u00e3o realmente a pretender substitui\u00e7\u00e3o; querem repouso, tranquilidade, paz, fugas seguras, e nesta necessidade criam m\u00e1quinas artificiais e vazias, m\u00e1quinas intelectuais, para providenciar esta substitui\u00e7\u00e3o, para satisfazer esta necessidade. Expressei-me com clareza?<\/p><p>Em primeiro lugar, voc\u00eas s\u00e3o apanhados no conflito, e porque n\u00e3o podem compreender esse conflito querem o oposto, repouso, paz, que \u00e9 um conceito intelectual. Nessa necessidade criaram uma m\u00e1quina intelectual, e essa m\u00e1quina intelectual \u00e9 a religi\u00e3o; est\u00e1 totalmente separada dos vossos sentimentos, da vida quotidiana, e por isso \u00e9 apenas uma coisa artificial. Essa m\u00e1quina intelectual tamb\u00e9m pode ser a sociedade, criada intelectualmente, uma m\u00e1quina da qual se tornaram escravos e pela qual s\u00e3o implacavelmente espezinhados.<\/p><p>Voc\u00eas criaram estas m\u00e1quinas porque est\u00e3o em conflito, porque atrav\u00e9s do medo e da ansiedade s\u00e3o levados ao oposto desse conflito, porque procuram repouso, tranquilidade. O desejo pelo oposto cria o medo, e desse medo surge a imita\u00e7\u00e3o. Assim inventam conceitos intelectuais tais como as religi\u00f5es, com as suas cren\u00e7as e padr\u00f5es, a sua autoridade e disciplinas, os seus gurus e Mestres, para que os conduzam \u00e0quilo que querem, que \u00e9 conforto, seguran\u00e7a, tranquilidade, fuga deste conflito constante. Criaram esta vasta m\u00e1quina a que chamam religi\u00e3o, esta m\u00e1quina intelectual que n\u00e3o tem validade, e tamb\u00e9m criaram a m\u00e1quina que se chama sociedade, porque tanto na vossa vida social como na religiosa querem conforto, ref\u00fagio. Na vossa vida social s\u00e3o dominados pelas tradi\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos, valores inquestion\u00e1veis; a opini\u00e3o p\u00fablica atua como a vossa autoridade; e a opini\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 posta em d\u00favida, o h\u00e1bito, e a tradi\u00e7\u00e3o conduzem eventualmente ao nacionalismo e \u00e0 guerra.<\/p><p>Falam de procurar a verdade, mas a vossa procura \u00e9 apenas uma procura de substitui\u00e7\u00e3o, o desejo de maior seguran\u00e7a e maior certeza. Por isso a vossa procura est\u00e1 a destruir isso que procuram, que \u00e9 paz, n\u00e3o a paz da estagna\u00e7\u00e3o, mas a paz da compreens\u00e3o, da vida, do \u00eaxtase. Isso precisamente \u00e9-lhes negado porque procuram algo que os ajude a fugir.<\/p><p>Assim para mim todo o prop\u00f3sito \u2013 se \u00e9 que posso usar essa palavra sem que me interpretem mal \u2013 reside em destruir esta falsa m\u00e1quina intelectual por meio da intelig\u00eancia, isto \u00e9, da verdadeira consci\u00eancia. Voc\u00eas podem compreender, ponham de parte a tradi\u00e7\u00e3o, que se tornou um obst\u00e1culo; voc\u00eas podem compreender, ponham de parte Mestres, ideias, cren\u00e7as. Mas n\u00e3o as destruam apenas para se dedicarem a novos Mestres, ideias, cren\u00e7as; n\u00e3o me refiro a isso. N\u00e3o devem apenas destruir, apenas p\u00f4r de lado; t\u00eam de ser criativos; e s\u00f3 podem ser criativos quando come\u00e7arem a compreender os verdadeiros valores. Portanto questionem o significado das tradi\u00e7\u00f5es e dos h\u00e1bitos, da nacionalidade, da disciplina, dos gurus e dos Mestres. S\u00f3 podem compreender quando est\u00e3o plenamente conscientes, conscientes com todo o vosso ser. Quando dizem, \u201cEstou \u00e0 procura de Deus\u201d, no fundo querem dizer, \u201cQuero fugir, libertar-me.\u201d Quando dizem, \u201cEstou \u00e0 procura da verdade, e uma organiza\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ajudar-me a encontr\u00e1-la\u201d, est\u00e3o apenas a procurar um ref\u00fagio. N\u00e3o estou a ser duro; somente quero enfatizar e tornar claro o que estou a dizer. Cabe-lhes a voc\u00eas atuar.<\/p><p>Criamos obst\u00e1culos artificiais. N\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culos reais, fundamentais; s\u00e3o artificiais. Criamo-los porque estamos \u00e0 procura de algo, recompensas, seguran\u00e7as, conforto, paz. Para obter seguran\u00e7a, para nos ajudar a evitar conflitos, temos que ter muitas ajudas, muitos apoios. E estas ajudas, estes apoios, s\u00e3o a autodisciplina, os gurus, as cren\u00e7as. Aprofundei isto mais ou menos amplamente. Agora, quando eu estiver a falar sobre estas coisas, por favor n\u00e3o pensem em termos de opostos, porque, ent\u00e3o n\u00e3o compreender\u00e3o. Quando eu digo que a autodisciplina \u00e9 um obst\u00e1culo, n\u00e3o pensem que por isso n\u00e3o t\u00eam que ter nenhuma disciplina. Quero mostrar-lhes a causa da autodisciplina. Quando a compreenderem, n\u00e3o haver\u00e1 nem esta disciplina autoimposta nem o seu oposto, mas haver\u00e1 verdadeira intelig\u00eancia. Para nos apercebermos daquilo que queremos \u2013 o que \u00e9 fundamentalmente falso porque se baseia na ideia do oposto como substitui\u00e7\u00e3o \u2013 criamos meios artificiais, tais como a autodisciplina, a cren\u00e7a, a orienta\u00e7\u00e3o. Sem uma tal cren\u00e7a, sem uma tal autoridade, que \u00e9 um obst\u00e1culo, sentimo-nos perdidos; tornamo-nos assim escravos e somos explorados.<\/p><p>Um homem que vive pela cren\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 a viver verdadeiramente; \u00e9 limitado nas suas a\u00e7\u00f5es. Mas o homem que, porque compreende, est\u00e1 realmente livre da cren\u00e7a e da carga do conhecimento, para ele h\u00e1 \u00eaxtase, para ele h\u00e1 verdade. Tenham cuidado com o homem que diz \u201cEu sei\u201d, porque ele s\u00f3 pode conhecer o est\u00e1tico, o limitado, jamais o vivo, o infinito. O homem s\u00f3 pode dizer \u201cH\u00e1\u201d, o que nada tem a ver com o conhecimento. A verdade est\u00e1 sempre a devir; \u00e9 imortal; \u00e9 vida eterna.<\/p><p>Temos estes obst\u00e1culos, estes obst\u00e1culos artificiais, baseados na imita\u00e7\u00e3o, na aquisitividade que geram o nacionalismo, a autodisciplina, os gurus, os Mestres, os ideais, as cren\u00e7as. A maior parte de n\u00f3s est\u00e1 escravizada por um deles, consciente ou inconscientemente. Agora por favor acompanhem isto, caso contr\u00e1rio dir\u00e3o \u201cEst\u00e1 apenas a destruir e n\u00e3o a nos dar quaisquer ideias construtivas.\u201d<\/p><p>N\u00f3s criamos estes obst\u00e1culos; e s\u00f3 podemos nos libertar deles tornando-nos conscientes deles, n\u00e3o atrav\u00e9s do processo da disciplina; n\u00e3o pela substitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pelo controlo, n\u00e3o pelo esquecimento, n\u00e3o atrav\u00e9s de seguir algu\u00e9m, mas apenas tornando-nos conscientes de que s\u00e3o venenos. Sabem, quando veem uma cobra venenosa no vosso quarto, est\u00e3o totalmente consciente dela em todo o vosso ser. Mas estas coisas, disciplinas, cren\u00e7as, substitui\u00e7\u00f5es, voc\u00eas n\u00e3o as consideram como venenos. Elas tornaram-se simples h\u00e1bitos, algumas vezes agrad\u00e1veis e algumas vezes dolorosos, e voc\u00eas aguentam-nos desde que o prazer pese mais que a dor. Continuam deste modo at\u00e9 que a dor os inunde. Quando t\u00eam uma intensa dor f\u00edsica, o vosso \u00fanico pensamento \u00e9 livrarem-se dela. N\u00e3o pensam no passado nem no futuro, na sa\u00fade passada, no tempo em que j\u00e1 n\u00e3o ter\u00e3o qualquer dor. Est\u00e3o apenas interessados em livrar-se da dor. Do mesmo modo t\u00eam que se tornar plena e intensamente conscientes de todos estes obst\u00e1culos, e s\u00f3 o podem fazer quando est\u00e3o em conflito, quando j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o a fugir, quando j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o a escolher substitui\u00e7\u00f5es. Toda a escolha \u00e9 meramente substitui\u00e7\u00e3o. Se se tornarem plenamente conscientes de um obst\u00e1culo, seja ele um guru, uma mem\u00f3ria, ou a consci\u00eancia de classes, essa consci\u00eancia revelar\u00e1 o criador de todos os obst\u00e1culos, o criador das ilus\u00f5es, que \u00e9 a autoconsci\u00eancia, o ego. Quando a mente desperta inteligentemente para esse criador, que \u00e9 a autoconsci\u00eancia, ent\u00e3o nessa consci\u00eancia o criador das ilus\u00f5es dissolve-se. Tentem-no e ver\u00e3o o que acontece.<\/p><p>N\u00e3o estou a dizer que isto seja um incentivo para tentarem. N\u00e3o tentem com o prop\u00f3sito de se tornarem felizes. S\u00f3 o tentar\u00e3o se estiverem em conflito. Mas como a maior parte de voc\u00eas tem muitos ref\u00fagios em que se reconfortam, cessaram completamente de estar em conflito T\u00eam explica\u00e7\u00f5es para todos os conflitos \u2013 tanta poeira e cinzas \u2013 e estas explica\u00e7\u00f5es apaziguaram o vosso conflito. Talvez haja um ou dois de entre voc\u00eas que n\u00e3o se satisfa\u00e7am com explica\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o se satisfa\u00e7am com cinzas, seja com as cinzas mortas de ontem, ou com as cinzas futuras das cren\u00e7as, da esperan\u00e7a.<\/p><p>Se estiverem realmente aprisionados no conflito descobrir\u00e3o o \u00eaxtase da vida, mas tem que haver consci\u00eancia inteligente. Isto \u00e9, se eu lhes disser que a autodisciplina \u00e9 um obst\u00e1culo, n\u00e3o rejeitem ou aceitem imediatamente a minha declara\u00e7\u00e3o. Descubram se a vossa mente est\u00e1 aprisionada na imita\u00e7\u00e3o, se a vossa autodisciplina se baseia na mem\u00f3ria que \u00e9 uma fuga do presente. Voc\u00eas dizem \u201cN\u00e3o devo fazer isto\u201d e dessa proibi\u00e7\u00e3o autoimposta cresce a limita\u00e7\u00e3o; portanto a autodisciplina baseia-se na imita\u00e7\u00e3o, no medo. Onde h\u00e1 imita\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode haver a realiza\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia. Descubram se s\u00e3o imitativos; experimentem. E s\u00f3 podem experimentar na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o. Estas n\u00e3o s\u00e3o meras palavras; se refletirem sobre isso, ver\u00e3o. N\u00e3o podem compreender depois da a\u00e7\u00e3o ter tido lugar, o que seria autoan\u00e1lise, mas apenas no momento da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o. S\u00f3 podem estar completamente conscientes na a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o digam \u201cN\u00e3o devo ter consci\u00eancia de classes\u201d, mas tornem-se conscientes para descobrir se t\u00eam preconceito de classes. Essa descoberta na a\u00e7\u00e3o criar\u00e1 conflito, e esse mesmo conflito libertar\u00e1 a mente da consci\u00eancia de classes, sem que voc\u00eas tentem super\u00e1-la.<\/p><p>Portanto a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o destr\u00f3i as ilus\u00f5es, n\u00e3o a disciplina autoimposta. Gostaria que refletissem sobre isto e agissem; veriam ent\u00e3o o que tudo isto significa. Abre imensas avenidas para a mente a para o cora\u00e7\u00e3o para que o homem possa viver em plenitude sem procurar uma finalidade, um resultado; o homem pode agir sem um motivo. Mas s\u00f3 podem viver completamente quando tiverem percep\u00e7\u00e3o direta, e a percep\u00e7\u00e3o direta n\u00e3o se alcan\u00e7a atrav\u00e9s da escolha, atrav\u00e9s do esfor\u00e7o nascido da mem\u00f3ria. Ela reside na chama da consci\u00eancia, que \u00e9 a harmonia de mente e cora\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o. Quando a vossa mente estiver liberta das religi\u00f5es, dos gurus, dos sistemas, da aquisitividade, s\u00f3 ent\u00e3o pode haver completude de a\u00e7\u00e3o, s\u00f3 ent\u00e3o \u00e9 que a mente e o cora\u00e7\u00e3o seguem as velozes deambula\u00e7\u00f5es da verdade.<\/p><p>03\/01\/1934.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Adyar\u00a0 Como esta \u00e9 a minha \u00faltima palestra aqui, responderei primeiro \u00e0s quest\u00f5es que me foram colocadas, e depois concluirei com uma pequena palestra. Mas antes de proceder a responder \u00e0s perguntas, gostaria de agradecer novamente ao Sr. Warrington, o Presidente interino, por me ter convidado para falar em Adyar e pela sua grande [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-347","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=347"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/347\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":354,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/347\/revisions\/354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}