{"id":3137,"date":"2023-01-09T12:08:03","date_gmt":"2023-01-09T12:08:03","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=3137"},"modified":"2023-01-09T12:11:32","modified_gmt":"2023-01-09T12:11:32","slug":"15-02-1948","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=3137","title":{"rendered":"15\/02\/1948"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"3137\" class=\"elementor elementor-3137\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-a0b1fe9 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"a0b1fe9\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1c8efe6\" data-id=\"1c8efe6\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f11eb80 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f11eb80\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">Bombaim, quinta palestra p\u00fablica. 15 de fevereiro de 1948<\/p><p>Todo domingo tenho tentado escolher um assunto diferente e abordar o problema da exist\u00eancia sob um ponto de vista diferente. Esta tarde vou tentar abord\u00e1-lo do ponto de vista do esfor\u00e7o, esta constante batalha que promovemos para superar alguma coisa, ter sucesso, conseguir, e ver se podemos ter um breve per\u00edodo para compreender o completo significado dessa luta. H\u00e1 muito sofrimento e muito pouca felicidade em nossas vidas. Quando h\u00e1 felicidade, os problemas de poder, posi\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o, chegam ao fim. Quando h\u00e1 felicidade, a luta para se tornar cessa, e as divis\u00f5es entre homem e homem se desfazem. N\u00f3s j\u00e1 devemos ter notado algumas vezes, nestes raros momentos quando estamos perfeitamente felizes, calmos, que todos os conflitos deixam de existir. Portanto, a felicidade s\u00f3 chega com a mais elevada forma de intelig\u00eancia. Intelig\u00eancia \u00e9 a compreens\u00e3o do sofrimento. N\u00f3s conhecemos o sofrimento, ele est\u00e1 sempre conosco, uma companhia constante; ele parece n\u00e3o ter fim \u2013 sofrimento sob diversas formas, em diferentes n\u00edveis, f\u00edsico e psicol\u00f3gico. Conhecemos certos rem\u00e9dios para superar a dor f\u00edsica; mas psicologicamente \u00e9 muito mais dif\u00edcil. Os problemas psicol\u00f3gicos s\u00e3o muito mais complexos, exigem maior aten\u00e7\u00e3o e maior estudo, penetra\u00e7\u00e3o mais profunda e mais vasta experi\u00eancia; mas o sofrimento, seja qual for, em qualquer n\u00edvel, \u00e9 ainda doloroso.<\/p><p>Ent\u00e3o o problema \u00e9: O sofrimento, a agonia, chegam ao fim pelo esfor\u00e7o, por um processo de pensamento? Voc\u00ea compreende, no momento n\u00e3o estou falando sobre o sofrimento fisiol\u00f3gico, a doen\u00e7a dolorosa, mas sobre o sofrimento psicol\u00f3gico. Esse sofrimento chega ao fim pelo esfor\u00e7o, pelo que chamamos processo do pensamento? A dor f\u00edsica pode ser superada pelo esfor\u00e7o, pela investiga\u00e7\u00e3o das causas da doen\u00e7a. Mas o sofrimento psicol\u00f3gico, a dor, a ansiedade, a frustra\u00e7\u00e3o, as inumer\u00e1veis dores \u2013 elas podem ser superadas pelo esfor\u00e7o, pelo pensamento?\u00a0 Ent\u00e3o, primeiro, temos que examinar o que \u00e9 o sofrimento, o que \u00e9 esfor\u00e7o, e o que \u00e9 pensamento. \u00c9 um problema muito grande para ser resolvido num tempo muito curto; mas se voc\u00eas acompanharem atentamente acho que \u00e9 poss\u00edvel compreender seu significado; e talvez, compreendendo diretamente, seremos capazes de resolv\u00ea-lo, ou antes termos um vislumbre moment\u00e2neo desta felicidade que destr\u00f3i esta dor, esta solid\u00e3o e dor ardentes.<\/p><p>Ent\u00e3o, o que \u00e9 sofrimento? N\u00e3o \u00e9 o desejo de se tornar, com suas variadas frustra\u00e7\u00f5es? O sofrimento n\u00e3o \u00e9 o resultado do desejo de ser aquilo que n\u00e3o se \u00e9? As a\u00e7\u00f5es baseadas nesse desejo n\u00e3o levam \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o, ao conflito, \u00e0 intermin\u00e1vel onda de confus\u00e3o? Ent\u00e3o, sofrimento, agonia \u00e9 o desejo de se tornar, o desejo de ser, seja positivamente ou negativamente. Acho que podemos concordar com isso fundamentalmente. O sofrimento surge quando h\u00e1 o desejo de se tornar. Nesse se tornar, existe a\u00e7\u00e3o, seja a\u00e7\u00e3o social ou a\u00e7\u00e3o individual; e essa a\u00e7\u00e3o fica se expandindo constantemente em desintegra\u00e7\u00e3o, em futilidade, em frustra\u00e7\u00e3o, que vemos a nossa volta constantemente. Agora, pode esse desejo de se tornar, que \u00e9 a causa do sofrimento, chegar ao fim pelo esfor\u00e7o? \u00c9 isso que tentamos fazer, n\u00e3o? Quando estamos frustrados, quando h\u00e1 dor, quando h\u00e1 sofrimento, tentamos super\u00e1-lo tentamos lutar com isso. Este ataque positivo ou defensivo chamamos de esfor\u00e7o, n\u00e3o? Ou seja, o esfor\u00e7o existe ou surge quando existe ansiedade para mudar o que se \u00e9. Eu sou isso, e quero me tornar aquilo. Essa mudan\u00e7a, esse movimento de mudan\u00e7a disso naquilo, \u00e9 chamado esfor\u00e7o. Agora, o que \u00e9 mudan\u00e7a, o que \u00e9 mudar \u2013 n\u00e3o o significado do dicion\u00e1rio, mas a significa\u00e7\u00e3o interna disso? Certamente, mudan\u00e7a \u00e9 uma continuidade modificada, eu sou isso, e quero me tornar aquilo; ou seja, eu quero me tornar o oposto daquilo que sou. Mas o oposto \u00e9 a continuidade daquilo que eu sou sob uma forma diferente. Assim, o oposto, em que sempre existe esfor\u00e7o, \u00e9 a continuidade modificada de seu pr\u00f3prio oposto. N\u00e3o-gan\u00e2ncia \u00e9 a continuidade modificada da gan\u00e2ncia; ela \u00e9 ainda gan\u00e2ncia, apenas com um nome diferente, porque nela o se tornar est\u00e1 implicado, e esse se tornar, em que o esfor\u00e7o est\u00e1 envolvido, \u00e9 a causa do sofrimento. Vemos que esfor\u00e7o implica continuidade sob uma forma diferente. E pode o processo do pensamento, trazer um fim para o sofrimento?<\/p><p>Provavelmente isso \u00e9 tudo um tanto abstrato e dif\u00edcil, mas vamos simplificar quando eu come\u00e7ar a responder as perguntas sobre isso. Mas acho que teremos que deixar a abstra\u00e7\u00e3o a nossa frente, e ent\u00e3o, construir estruturalmente, concretamente; e faremos isso quando compreendermos o princ\u00edpio deste problema do sofrimento \u2013 se o sofrimento pode ser superado pelo esfor\u00e7o que cria o oposto, e se o sofrimento, que \u00e9 o desejo de se tornar algo aqui ou depois, pode ser eliminado pelo pensamento.<\/p><p>Agora, o que \u00e9 pensar? Quando voc\u00ea diz, \u2018Eu estou pensando\u2019, o que isso significa? Voc\u00ea est\u00e1 tentando resolver o problema do sofrimento por meio do pensamento; e pode o pensamento dar um fim \u00e0 dor, \u00e0 ansiedade psicol\u00f3gica, ao medo e assim por diante? Certamente, pensar \u00e9 a resposta da mem\u00f3ria; se voc\u00ea n\u00e3o tivesse mem\u00f3ria, n\u00e3o seria capaz de pensar. Mem\u00f3ria \u00e9 o res\u00edduo da experi\u00eancia, experi\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 completamente, integralmente compreendida. Quando voc\u00ea compreende alguma coisa completamente, integralmente, ela n\u00e3o deixa marca. S\u00f3 a experi\u00eancia n\u00e3o digerida, incompleta, deixa marca, que chamamos de mem\u00f3ria. Ent\u00e3o, pensar \u00e9 a resposta da mem\u00f3ria; e quando voc\u00ea tenta resolver o problema do sofrimento pelo pensamento, pensamento sendo a resposta da mem\u00f3ria, certamente n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o; porque mem\u00f3ria \u00e9 a continuidade do esfor\u00e7o. Isso n\u00e3o \u00e9 um quebra-cabe\u00e7as resolvido com habilidade; mas se voc\u00ea pensar nisso, ver\u00e1 que tr\u00eas coisas est\u00e3o envolvidas em seu processo de lidar com a dor: esfor\u00e7o, pensamento e mem\u00f3ria. N\u00e3o memorize isso \u2013 olhe isso operando em sua vida cotidiana, e voc\u00ea ver\u00e1. Voc\u00ea n\u00e3o tem que ler livros filos\u00f3ficos; mas, se voc\u00ea olhar para si mesmo quando h\u00e1 ansiedade, quando h\u00e1 dor, ver\u00e1 essas tr\u00eas coisas funcionando. E podem essas coisas superar, dissolver, a dor, o sofrimento? Obviamente n\u00e3o podem, porque o processo do pensamento \u00e9, simplesmente, o resultado da compreens\u00e3o incompleta, e a mudan\u00e7a \u00e9, apenas, continuidade modificada, o que cria o oposto. Ent\u00e3o, nosso problema \u00e9 descobrir o que pode dar um fim ao sofrimento, o que pode provocar aquele estado de felicidade, que n\u00e3o \u00e9 resultado de esfor\u00e7o obviamente. N\u00e3o sei se voc\u00ea tentou ser feliz. Com certeza, nunca teve sucesso quando tentou ser feliz. A felicidade surge espontaneamente, sem ser convocada. Ent\u00e3o, ela n\u00e3o pode ser um resultado de esfor\u00e7o e se buscamos felicidade nos livrando do sofrimento, ent\u00e3o n\u00e3o compreenderemos. Porque esfor\u00e7o implica, como apontado, a cria\u00e7\u00e3o da dualidade, dos opostos; e aquilo que \u00e9 oposto ainda est\u00e1 dentro do campo de seu pr\u00f3prio oposto. Ent\u00e3o, o que d\u00e1 fim ao sofrimento? Quando voc\u00ea compreende o processo do pensamento, o processo do esfor\u00e7o, o processo da mem\u00f3ria, quando realmente compreende, como eu expliquei, quando voc\u00ea est\u00e1 consciente desses tr\u00eas processos, o que acontece? Certamente, quando voc\u00ea est\u00e1 consciente de alguma coisa, n\u00e3o h\u00e1 atitude condenat\u00f3ria, h\u00e1? N\u00e3o h\u00e1 justifica\u00e7\u00e3o ou identifica\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea est\u00e1, simplesmente, consciente. Eu estou consciente daquele gramado, dos p\u00e1ssaros voando. Nessa conscientiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 justifica\u00e7\u00e3o.\u00a0 Agora, se voc\u00ea estiver consciente do sofrimento sem os tr\u00eas processos funcionando tentando super\u00e1-lo, se estiver consciente sem condena\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ver\u00e1 surgir uma passividade alerta, uma conscientiza\u00e7\u00e3o passiva sem nenhuma exig\u00eancia. Voc\u00ea fica muito alerta; h\u00e1 parte de seu ser que est\u00e1 adormecida, porque voc\u00ea explorou, como dissemos, todo o processo de mem\u00f3ria, pensamento, esfor\u00e7o e, portanto, est\u00e1 totalmente consciente; e nessa consci\u00eancia h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o, uma quietude, uma imobilidade, uma observa\u00e7\u00e3o. Sem um preconceito, sem uma demanda; e voc\u00ea descobrir\u00e1 que o sofrimento chega a um fim. Mas tal conscientiza\u00e7\u00e3o demanda vigil\u00e2ncia extraordinariamente persistente para ver como a mente funciona quando existe sofrimento, para acompanhar o r\u00e1pido movimento de cada pensamento e, assim, compreender todo o processo do esfor\u00e7o, do pensamento e da mem\u00f3ria.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong> Voc\u00ea afirma que o amor \u00e9 casto. Quer dizer que ele \u00e9 celibato?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong> Agora vamos explorar este problema e ver suas implica\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, por favor, n\u00e3o fiquem na defensiva; porque, para compreender voc\u00ea tem que explorar, e a explora\u00e7\u00e3o cessa quando voc\u00ea fica tendencioso, quando est\u00e1 amarrado a uma tradi\u00e7\u00e3o ou a uma cren\u00e7a. \u00c9 como um animal preso a uma estaca: ele n\u00e3o pode ir longe, e voc\u00ea deve ir longe para descobrir o que \u00e9 verdadeiro. Voc\u00ea deve ir muito profundamente para descobrir a verdade de um problema; mas, se voc\u00ea estiver ancorado num abrigo de cren\u00e7a, de tradi\u00e7\u00e3o, ou de preconceito, ent\u00e3o nunca descobrir\u00e1 a verdade de nenhum problema. Ent\u00e3o, por favor, ao menos nesta tarde, vamos explorar juntos sem estarmos ancorados \u2013 o que \u00e9 uma \u00e1rdua tarefa. Porque, quando voc\u00ea \u00e9 preconceituoso, certamente o problema fica distorcido e, consequentemente, a resposta ser\u00e1 distorcida tamb\u00e9m; a para encontrar a resposta, deve-se estudar o problema sem distor\u00e7\u00e3o, seja defensiva ou ofensiva, seja negativa ou positiva. Assim, vamos examinar o problema juntos e ver aonde ele nos leva.<\/p><p>Nesta pergunta est\u00e1 envolvida toda a complexa quest\u00e3o do sexo. Os mestres religiosos, os sistemas tradicionais, proibiram o intercurso sexual, dizendo que ele impede o homem de perceber aquilo que \u00e9 mais elevado, que voc\u00ea deve ser celibat\u00e1rio a fim de encontrar Deus, a verdade, ou o que seja. Ora, tradicionalmente, isso \u00e9 geralmente aceito. Mas, se quisermos descobrir a verdade de um problema, a tradi\u00e7\u00e3o e a autoridade n\u00e3o t\u00eam significado. Ao contr\u00e1rio, elas se tornam um obst\u00e1culo \u2013 o que n\u00e3o significa que o homem deve se tornar licencioso. A verdade n\u00e3o \u00e9 encontrada no oposto, pois o oposto \u00e9 a continuidade de seu pr\u00f3prio oposto. A ant\u00edtese \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da tese sob forma diferente. Assim, para descobrir a verdade dessa quest\u00e3o, devemos abord\u00e1-la muito cuidadosamente, sem a inclina\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o, sem o medo da autoridade, e sem o prazer servil da indulg\u00eancia. Devemos olhar para ela e ver seu significado completo.<\/p><p>Em primeiro lugar, por que o sexo se tornou um problema para a maioria de n\u00f3s? Por que praticamente em todo lugar do mundo atualmente \u2013 este \u00e9 um dos fatos mais extraordin\u00e1rios \u2013 homens e mulheres est\u00e3o presos neste prazer sensorial? Por que ele se tornou um problema t\u00e3o intenso e ardente? Se n\u00e3o compreendermos isso, o condenaremos ou cederemos a ele. N\u00e3o estou dizendo que \u00e9 certo ou errado, seria um modo est\u00fapido de considerar o problema. Voc\u00ea deve ser celibat\u00e1rio porque os livros afirmam isso? Deve levar uma vida licenciosa porque outro livro afirma isso? Para refletir sobre o problema, devemos pens\u00e1-lo como novo; e para pensar nele como novo, devemos abandonar as linhas bem mapeadas do velho. Ent\u00e3o o problema \u00e9: Por que o sexo se tornou uma quest\u00e3o t\u00e3o ardente? Primeiro, obviamente, porque vem sendo estimulado por todos os meios poss\u00edveis na sociedade moderna; todo jornal, toda revista, o cinema e os quadros, estimulam o erotismo. O negociante usa uma mulher para atrair sua aten\u00e7\u00e3o, para faz\u00ea-lo comprar um par de sapatos, ou Deus sabe o qu\u00ea. Assim, pela estimula\u00e7\u00e3o somos bombardeados com sexo o tempo todo. Isso \u00e9 um fato. E a sociedade, a civiliza\u00e7\u00e3o atualmente, \u00e9 essencialmente o resultado do valor sensorial. Coisas, coisas mundanas, se tornaram extraordinariamente importantes em nossas vidas; posi\u00e7\u00e3o, riqueza, nome, se tornaram de vital significado, porque s\u00e3o meios de poder, meios para a chamada liberdade. Valores sensoriais se tornaram predominantemente significativos em nossas vidas, e essa \u00e9 tamb\u00e9m uma das raz\u00f5es deste problema esmagador do sexo. No pensamento, no sentimento, voc\u00eas deixaram de ser criativos; voc\u00eas s\u00e3o apenas m\u00e1quinas imitadoras, n\u00e3o? Sua religi\u00e3o \u00e9 simplesmente h\u00e1bito, seguir a autoridade, tradi\u00e7\u00e3o e medo, copiar o livro, seguir a regra, o exemplo, o ideal. Ela se tornou uma rotina. Religi\u00e3o \u00e9, simplesmente, murmurar palavras, ir ao templo, ou praticar uma disciplina \u2013 que \u00e9 tudo repetitivo, c\u00f3pia, imita\u00e7\u00e3o, formar h\u00e1bito. E o que acontece com sua mente e seu cora\u00e7\u00e3o quando voc\u00ea \u00e9 simplesmente imitador? Naturalmente, eles definham, n\u00e3o? A mente, que deve ser \u00e1gil, capaz de profunda penetra\u00e7\u00e3o, profunda compreens\u00e3o, foi transformada numa simples m\u00e1quina, um toca-discos que imita, copia, segue. Deixou de ser uma mente, e sua religi\u00e3o se tornou uma quest\u00e3o de cren\u00e7a.\u00a0 Portanto, emocionalmente, interiormente, n\u00e3o h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 resposta criativa \u2013 apenas embotamento, vazio. O mesmo \u00e9 verdade com o pensamento. O que \u00e9 seu pensar, o que \u00e9 sua exist\u00eancia? Uma rotina oca, vazia, n\u00e3o? \u2013 ganhar dinheiro, jogar cartas, ir aos cinemas, ler alguns livros baratos ou os muito, muito cultuados. Novamente, o que \u00e9 isso? N\u00e3o \u00e9 apenas uma m\u00e1quina repetitiva funcionando sem profundidade, sem pensamento, sem compaix\u00e3o, sem vulnerabilidade? Como pode tal mente ser criativa? E o que acontece com sua vida? Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 criativo, \u00e9 desatento, descuidado, copia; assim, naturalmente, o \u00fanico prazer que lhe resta \u00e9 o sexo, que se torna sua sa\u00edda; ent\u00e3o, sendo seu \u00fanico al\u00edvio, voc\u00ea fica preso nele, e surge a eterna quest\u00e3o de como sair. E seus ideais, sua disciplina, n\u00e3o deixar\u00e3o voc\u00ea sair. Voc\u00ea pode suprimi-lo, pode se agarrar a ele, mas isso n\u00e3o \u00e9 viver criativamente, felizmente, puramente, nobremente \u2013 \u00e9 viver em medo constante. O sexo \u00e9 uma das formas de auto-esquecimento; no sexo voc\u00ea, momentaneamente, esquece de si mesmo; e porque voc\u00ea vive t\u00e3o superficialmente, t\u00e3o imitativamente, o sexo \u00e9 a \u00fanica coisa que lhe resta, e ele se torna um problema. E naturalmente, quando o sexo \u00e9 a \u00fanica coisa que resta, n\u00e3o existe vida.<\/p><p>N\u00f3s n\u00e3o estamos tentando resolver o problema, estamos tentando compreend\u00ea-lo; e compreendendo-o completamente, descobriremos a resposta. Aos muito s\u00e9rios problemas da vida, n\u00e3o h\u00e1 respostas categ\u00f3ricas, sim ou n\u00e3o; mas compreendendo o problema em si, descobriremos a resposta. A resposta \u00e9 que o problema existir\u00e1 enquanto n\u00e3o houver criatividade, enquanto voc\u00ea n\u00e3o estiver livre da imita\u00e7\u00e3o, do h\u00e1bito, enquanto a mente estiver presa na simples repeti\u00e7\u00e3o, no simples ganhar dinheiro \u2013 o que \u00e9 uma exist\u00eancia cruel. Em simplesmente repetir, louvar e tudo o mais, n\u00e3o pode haver criatividade. S\u00f3 existe criatividade pela libera\u00e7\u00e3o do pensar criativo, ser criativo, exist\u00eancia criativa, o que significa provocar uma revolu\u00e7\u00e3o radical em nosso viver \u2013 n\u00e3o uma revolu\u00e7\u00e3o verbal, mas uma revolu\u00e7\u00e3o interior, uma completa transforma\u00e7\u00e3o de nossas vidas. S\u00f3 ent\u00e3o este problema ter\u00e1 um diferente significado; ent\u00e3o a vida em si ter\u00e1 significa\u00e7\u00e3o diferente. Aqueles que est\u00e3o tentando ser celibat\u00e1rios como meio de atingir a realidade, Deus \u2013 eles n\u00e3o s\u00e3o castos, s\u00e3o ign\u00f3beis, pois seus cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o secos. Certamente, sem amor, n\u00e3o pode haver pureza, e apenas o cora\u00e7\u00e3o puro pode encontrar a realidade \u2013 n\u00e3o um cora\u00e7\u00e3o disciplinado, n\u00e3o um cora\u00e7\u00e3o reprimido, n\u00e3o um cora\u00e7\u00e3o distorcido, mas um cora\u00e7\u00e3o que sabe o que \u00e9 amar. Mas voc\u00ea n\u00e3o pode amar se estiver preso no h\u00e1bito, seja religioso ou f\u00edsico, psicol\u00f3gico ou sensorial. Assim, um homem que est\u00e1 tentando ser celibat\u00e1rio n\u00e3o pode compreender a realidade; pois para ele o celibato \u00e9 simplesmente a imita\u00e7\u00e3o de um exemplo; e a imita\u00e7\u00e3o de um ideal \u00e9 simplesmente c\u00f3pia, n\u00e3o \u00e9 criativa. Mas um homem que sabe como amar, como ser gentil, como ser generoso, como se entregar a algo completamente sem pensar em si, esse homem conhece o amor; e tal amor \u00e9 casto. Onde existe tal amor, o problema deixa de existir.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong> Voc\u00ea afirma que a crise atual \u00e9 sem precedentes. De que maneira ela \u00e9 excepcional?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong> Eu penso tudo, e voc\u00eas escutam tudo \u2013 isso \u00e9 muito ruim. Senhor, existe um perigo em todos estes encontros, pois voc\u00eas se tornam a audi\u00eancia e eu me torno o palestrante. \u00c9 isso que vem acontecendo no mundo. Todos voc\u00eas v\u00e3o ao futebol e jogos de cr\u00edquete, ou ao cinema. Outros est\u00e3o atuando, outros est\u00e3o jogando, mas nunca voc\u00eas. Voc\u00eas se tornaram n\u00e3o criativos \u2013 por isso t\u00eam tantos problemas destrutivos corroendo seu cora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, por favor, se me permitem sugerir, n\u00e3o se tornem audi\u00eancia aqui \u2013 isso seria muito ruim, e n\u00e3o teria significa\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito f\u00e1cil escutar outra pessoa falando, muito f\u00e1cil ler livros que outra pessoa escreveu; mas se n\u00e3o houvesse livros, se n\u00e3o houvesse pregadores, voc\u00eas teriam que refletir sobre seus pr\u00f3prios problemas, e, ent\u00e3o, seriam extremamente criativos, n\u00e3o? \u00c9 isso que estamos tentando fazer aqui. Felizmente, eu n\u00e3o li livros, escrituras religiosas; mas voc\u00eas leram, e infelizmente, suas mentes est\u00e3o abarrotas com as ideias de outras pessoas \u2013 e essa \u00e9 sua dificuldade. Sua dificuldade \u00e9 que voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o pensando, ou est\u00e3o pensando atrav\u00e9s de f\u00f3rmulas, ideias, ditos e cita\u00e7\u00f5es de outras pessoas. Portanto, n\u00e3o est\u00e3o absolutamente pensando. Estas palestras n\u00e3o ter\u00e3o significado se voc\u00eas se tornarem simplesmente espectadores, ouvintes; porque descobrir\u00e3o que n\u00e3o estou dando nenhuma resposta para nenhum problema. Isso seria muito f\u00e1cil, seria muito est\u00fapido \u2013 dizer sim ou n\u00e3o para qualquer quest\u00e3o. Mas, se pensarmos sobre o problema juntos, facilmente, sensatamente, sem estarmos ancorados a nenhum preconceito, ent\u00e3o descobriremos a significa\u00e7\u00e3o do problema; ent\u00e3o haver\u00e1 felicidade criativa na busca. Certamente, senhor, essa busca em si \u00e9 devo\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o a uma imagem, a uma ideia, mas h\u00e1 devo\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria busca do problema e de seu significado. H\u00e1 alegria, h\u00e1 \u00eaxtase criativo, em descobrir o que \u00e9 verdade; mas se simplesmente escutarmos, as palavras t\u00eam muito pouco significado. A palavra n\u00e3o \u00e9 a coisa; para encontrar a coisa, voc\u00ea deve ir al\u00e9m da palavra.<\/p><p>Com certeza, a crise atual \u00e9 excepcional, n\u00e3o? N\u00e3o porque eu estou dizendo \u2013 eu direi muitas coisas, mas isso n\u00e3o ser\u00e1 verdade se voc\u00ea, simplesmente, repetir. A propaganda \u00e9 uma mentira, repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 uma mentira. Obviamente a atual crise pelo mundo afora \u00e9 excepcional, sem precedente. Tem havido crises de v\u00e1rios tipos em diferentes per\u00edodos na hist\u00f3ria do mundo, sociais, nacionais, pol\u00edticas. As crises v\u00e3o e vem; recess\u00f5es econ\u00f4micas, depress\u00f5es acontecem, se modificam, e continuam sob forma diferente. Sabemos disso, estamos familiarizados com esse processo. Mas certamente, a crise atual \u00e9 diferente, n\u00e3o? \u00c9 diferente, primeiro, porque estamos tratando, n\u00e3o com dinheiro, n\u00e3o com coisas tang\u00edveis, mas com ideias. A crise \u00e9 excepcional porque \u00e9 no campo da idea\u00e7\u00e3o. Estamos brigando com ideias, estamos justificando o assassinato; neste pa\u00eds, como em todo outro lugar do mundo, estamos justificando o assassinato como meio para um fim correto, o que em si mesmo \u00e9 sem precedente. Antes, o mal era reconhecido como mal, assassinato era reconhecido como assassinato; mas agora, assassinato \u00e9 um meio para se obter um resultado nobre. Assassinato, seja de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, \u00e9 justificado, porque o assassino, ou o grupo que o assassino representa, o justifica como meio de obter um resultado que ser\u00e1 ben\u00e9fico ao homem. Ou seja, sacrificamos o presente pelo futuro \u2013 e n\u00e3o importa os meios que empregamos desde que nosso prop\u00f3sito declarado \u00e9 produzir um resultado que ser\u00e1 ben\u00e9fico ao homem. Portanto, a implica\u00e7\u00e3o \u00e9 que um meio errado produzir\u00e1 um fim correto, e voc\u00ea justifica o meio errado pela idea\u00e7\u00e3o. Nas v\u00e1rias crises que aconteceram antes, a quest\u00e3o tem sido a explora\u00e7\u00e3o de coisas ou do homem; mas agora \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o de ideias, o que \u00e9 muito mais pernicioso, muito mais perigoso, pois a explora\u00e7\u00e3o de ideias \u00e9 muito devastadora, muito destrutiva. N\u00f3s aprendemos agora o poder da propaganda, e essa \u00e9 uma das maiores calamidades que podem acontecer: usar ideias como meio de transformar o homem. Certamente \u00e9 isso que est\u00e1 acontecendo no mundo hoje. O homem n\u00e3o \u00e9 importante \u2013 sistemas, ideias, se tornaram importantes. O homem n\u00e3o tem mais qualquer significado. Podemos destruir milh\u00f5es de homens desde que produzamos um resultado, e o resultado \u00e9 justificado por ideias. Temos uma magn\u00edfica estrutura de ideias para justificar o mal; e, certamente, isso \u00e9 sem precedente. Mal \u00e9 mal, ele n\u00e3o pode produzir bem. A guerra n\u00e3o \u00e9 um meio para a paz. A guerra pode gerar benef\u00edcios secund\u00e1rios, como avi\u00f5es mais eficientes, mas n\u00e3o trar\u00e1 paz ao homem. A guerra \u00e9 justificada intelectualmente como meio de trazer paz; e quando o intelecto leva vantagem sobre a vida humana, ele gera uma crise sem precedente.<\/p><p>H\u00e1 outras causas que indicam uma crise sem precedente. Uma delas \u00e9 a extraordin\u00e1ria import\u00e2ncia que o homem est\u00e1 dando a valores sensoriais, \u00e0 propriedade, ao nome, \u00e0 casta e ao pa\u00eds, \u00e0 marca particular que voc\u00ea veste. Ou voc\u00ea \u00e9 maometano ou hindu, um crist\u00e3o ou um comunista. Nome e propriedade, casta e pa\u00eds, se tornaram predominantemente importantes, o que significa que o homem est\u00e1 preso no valor sensorial, o valor das coisas, sejam feitas pela mente ou pela m\u00e3o. Coisas feitas pela m\u00e3o ou pela mente se tornaram t\u00e3o importantes que estamos matando, destruindo, assassinando, liquidando uns aos outros por causa delas. Estamos nos aproximando da beira de um precip\u00edcio; toda a\u00e7\u00e3o nos leva para l\u00e1, toda a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica est\u00e1 nos levando, inevitavelmente, para o precip\u00edcio, nos arrastando para este abismo confuso e ca\u00f3tico. Ent\u00e3o, a crise \u00e9 sem precedente, e exige a\u00e7\u00e3o sem precedente. Para deixar, para sair dessa crise, \u00e9 preciso uma a\u00e7\u00e3o atemporal, uma a\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se baseie em ideia, em sistema; pois qualquer a\u00e7\u00e3o baseada em sistema ou em ideia, inevitavelmente, levar\u00e1 \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o. Tal a\u00e7\u00e3o nos leva simplesmente de volta ao abismo por um caminho diferente. Assim, como a crise \u00e9 sem precedente, deve haver tamb\u00e9m uma a\u00e7\u00e3o sem precedente, o que significa que a regenera\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo deve ser instant\u00e2nea, n\u00e3o um processo de tempo, deve acontecer agora, n\u00e3o amanh\u00e3; pois amanh\u00e3 \u00e9 me transformar amanh\u00e3, eu convoco confus\u00e3o, eu estou ainda no campo da destrui\u00e7\u00e3o. E \u00e9 poss\u00edvel mudar agora? \u00c9 poss\u00edvel se transformar completamente no imediato, no agora? Eu afirmo que \u00e9. Fazer isso, transformar-se imediatamente, agora, exige certo acompanhamento pr\u00f3ximo de tudo que venho dizendo; porque a compreens\u00e3o est\u00e1 sempre no presente, n\u00e3o no futuro. Eu j\u00e1 falei um pouco sobre isso, e discutiremos depois, ao longo dos muitos domingos que vir\u00e3o.<\/p><p>O principal \u00e9 que, como a crise \u00e9 de car\u00e1ter excepcional, para enfrent\u00e1-la deve haver revolu\u00e7\u00e3o no pensar; e essa revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode acontecer por meio do outro, por meio de um livro, de uma organiza\u00e7\u00e3o. Deve acontecer atrav\u00e9s de n\u00f3s, de cada um de n\u00f3s. S\u00f3 assim podemos criar uma nova sociedade, uma nova estrutura fora deste horror, fora destas for\u00e7as extraordinariamente destrutivas que v\u00e3o se acumulando, empilhadas; e essa transforma\u00e7\u00e3o s\u00f3 acontece quando voc\u00ea como indiv\u00edduo come\u00e7a a ficar consciente de si mesmo em cada pensamento, a\u00e7\u00e3o e sentimento.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong> N\u00e3o existem gurus perfeitos que nada oferecem para aquele que busca gananciosamente pela eterna seguran\u00e7a, mas que guie vis\u00edvel ou invisivelmente um cora\u00e7\u00e3o amoroso?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong> Esta pergunta, se a pessoa precisa de um guru, \u00e9 colocada vezes e vezes sob diferentes formas. Senhores, a grande maioria de voc\u00eas tem gurus \u2013 essa \u00e9 uma das coisas mais extraordin\u00e1rias aqui. Ent\u00e3o, ao menos esta tarde, os deixem de lado e vamos investigar o problema. O interrogante pergunta: \u2018Um cora\u00e7\u00e3o amoroso precisa de guia?\u2019 Compreendem? Certamente um cora\u00e7\u00e3o amoroso n\u00e3o precisa de guia, pois o pr\u00f3prio amor \u00e9 o real, o eterno. Um cora\u00e7\u00e3o amoroso \u00e9 generoso, gentil, sem reservas, nada retendo, e tal cora\u00e7\u00e3o conhece o real; ele conhece aquilo que n\u00e3o tem come\u00e7o nem fim. Mas a maior parte de n\u00f3s n\u00e3o tem tal cora\u00e7\u00e3o. Nossos cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o secos, vazios, fazendo muito barulho. Nossos cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o cheios das coisas da mente. E como nossos cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o vazios, procuramos o outro para preench\u00ea-los. Vamos em busca do outro procurando aquela seguran\u00e7a eterna que chamamos Deus; vamos em busca do outro para encontrarmos aquela gratifica\u00e7\u00e3o permanente que chamamos realidade. Porque nossos pr\u00f3prios cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o secos, buscamos um guru que os preencha. Pode algu\u00e9m, seja vis\u00edvel ou invis\u00edvel, preencher seu cora\u00e7\u00e3o? Seus gurus lhes d\u00e3o disciplinas, pr\u00e1ticas; eles n\u00e3o lhes dizem como pensar, mas antes, o que pensar. E o que acontece? Voc\u00ea pratica, medita, se disciplina, se adapta, e, no entanto seu cora\u00e7\u00e3o permanece embrutecido, vazio e sem amor; voc\u00ea se disciplina e tiraniza sua fam\u00edlia. Voc\u00ea pensa que meditando, se disciplinando, conhecer\u00e1 o amor? Senhor, sem amor, voc\u00ea n\u00e3o pode encontrar a realidade, pode? Sem ser afetuoso, gentil, atencioso, como pode conhecer o real? E pode algu\u00e9m lhe ensinar como amar? Certamente, o amor n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica. Pela t\u00e9cnica, voc\u00ea n\u00e3o pode conhec\u00ea-lo? Voc\u00ea conhecer\u00e1 qualquer coisa, mas n\u00e3o o amor. Assim, voc\u00ea n\u00e3o pode conhecer a realidade por meio de nenhuma disciplina, nenhuma pr\u00e1tica, nenhum conformismo; porque, conformismo, disciplina, pr\u00e1tica, \u00e9 repeti\u00e7\u00e3o, que embrutece a mente, congela o cora\u00e7\u00e3o \u2013 e \u00e9 isso que voc\u00ea quer. Voc\u00ea quer tornar sua mente embrutecida, pois sua mente \u00e9 inquieta, errante, ativa, lutando incessantemente e, n\u00e3o compreendendo essa mente inquieta, voc\u00ea quer sufoc\u00e1-la, quer disciplin\u00e1-la segundo seu padr\u00e3o, quer for\u00e7\u00e1-la segundo um conjunto de regras e regulamentos e, desse modo voc\u00ea estrangula a mente, torna a mente totalmente embrutecida. \u00c9 isso que est\u00e1 acontecendo, n\u00e3o? Olhe para sua mente: como ela \u00e9 embrutecida, insens\u00edvel, porque voc\u00ea foi atr\u00e1s dos gurus por tanto tempo. Isso se tornou um h\u00e1bito, uma rotina, sair de um guru para outro. Cada guru lhe diz para fazer alguma coisa, e voc\u00ea faz at\u00e9 considerar que n\u00e3o \u00e9 satisfat\u00f3rio, e voc\u00ea vai em busca de outro, exaurindo sua mente com este uso constante; pois aquilo que \u00e9 usado constantemente se desgasta. O que voc\u00ea est\u00e1 realmente buscando em um guru n\u00e3o \u00e9 compreens\u00e3o, mas gratifica\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a permanente, que voc\u00ea chama de eterno, Deus, o real, verdade, ou o que quiser. E desde que voc\u00ea busca gratifica\u00e7\u00e3o, encontrar\u00e1 um guru que vai gratific\u00e1-lo; mas, certamente, isso n\u00e3o \u00e9 compreens\u00e3o, n\u00e3o traz felicidade, n\u00e3o traz amor. Ao contr\u00e1rio, destr\u00f3i o amor. O amor \u00e9 uma coisa nova, eterna de momento a momento. Ele nunca \u00e9 a mesma coisa, nunca como era antes; e sem seu perfume, sem sua beleza e sua bondade, procurar atrav\u00e9s de um guru por aquilo que voc\u00ea deve encontrar por si mesmo \u00e9 completamente in\u00fatil. Ent\u00e3o, nosso problema n\u00e3o \u00e9 se um guru vis\u00edvel ou invis\u00edvel nos ajudar\u00e1, mas como gerar este estado de ser em que conhecemos o que \u00e9 o amor. Porque amor \u00e9 virtude, e virtude n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica; mas a virtude traz liberdade. E s\u00f3 quando existe liberdade o eterno pode surgir<\/p><p>Ent\u00e3o, nossa pergunta \u00e9, como \u00e9 poss\u00edvel para uma mente embrutecida, um cora\u00e7\u00e3o vazio, chegar ao amor, ser sens\u00edvel, conhecer a beleza, a riqueza do amor? Primeiro, voc\u00ea deve estar consciente de que sua mente \u00e9 embrutecida, de que seu processo de pensamento n\u00e3o tem significa\u00e7\u00e3o. Deve estar consciente de que seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 vazio sem encontrar desculpas para isso, sem justific\u00e1-lo ou conden\u00e1-lo. Apenas estar consciente, tentem, senhores. Estejam conscientes e vejam se sua mente n\u00e3o est\u00e1 embrutecida, se seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 vazio; embora voc\u00ea seja casado, tenha filhos e posses, ele n\u00e3o est\u00e1 vazio? Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 vazio? Sua mente \u00e9 embrutecida, embora voc\u00ea conhe\u00e7a todos os livros religiosos; embora sua mente seja uma enciclop\u00e9dia, cheia de informa\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 est\u00fapida, est\u00e1 cansada, exausta. Apenas fique consciente, fique passivamente consciente sem condenar, sem justificar; esteja aberto para descobrir quanto est\u00fapida, quanto cansada sua mente est\u00e1 e tamb\u00e9m que seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 vazio, solit\u00e1rio e dolorido. N\u00e3o estou lhe hipnotizando \u2013 apenas esteja consciente de tudo isso e voc\u00ea ver\u00e1, se estiver passivamente consciente, que surge uma transforma\u00e7\u00e3o, uma resposta extraordinariamente ligeira; e nessa resposta, voc\u00ea conhecer\u00e1 o que \u00e9 amar. Nessa resposta, existe imobilidade, existe calma; e nessa calma voc\u00ea encontrar\u00e1 o indescrit\u00edvel, o indiz\u00edvel.<\/p><p>15 de favereiro de 1958.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bombaim, quinta palestra p\u00fablica. 15 de fevereiro de 1948 Todo domingo tenho tentado escolher um assunto diferente e abordar o problema da exist\u00eancia sob um ponto de vista diferente. 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