{"id":3026,"date":"2022-12-29T15:32:08","date_gmt":"2022-12-29T15:32:08","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=3026"},"modified":"2022-12-29T15:36:13","modified_gmt":"2022-12-29T15:36:13","slug":"08-02-1948","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=3026","title":{"rendered":"08\/02\/1948"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"3026\" class=\"elementor elementor-3026\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-eb0531d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"eb0531d\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-18e2c57\" data-id=\"18e2c57\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ded955e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ded955e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\">Quarta Palestra P\u00fablica em Bombaim, 8 de fevereiro de 1948<\/p><p>Eu acho que \u00e9 importante compreender que existe ser, apenas quando n\u00e3o existe mais o pensador, e apenas no ser pode haver transforma\u00e7\u00e3o radical. Ideias n\u00e3o podem transformar, a modifica\u00e7\u00e3o dos pensamentos n\u00e3o pode gerar revolu\u00e7\u00e3o, revolu\u00e7\u00e3o radical. S\u00f3 pode haver revolu\u00e7\u00e3o radical quando o pensador chega a uma pausa, quando o pensador acaba. Quando voc\u00ea tem momentos criativos, sensa\u00e7\u00e3o de alegria, sensa\u00e7\u00e3o de beleza? Certamente apenas quando o pensador est\u00e1 ausente, quando o processo do pensamento cessa por um minuto, por um per\u00edodo de tempo, e a\u00ed existe uma possibilidade de transforma\u00e7\u00e3o radical, renascimento radical. Ent\u00e3o, nosso problema \u00e9 como provocar um fim do pensador \u2013 n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o, de modifica\u00e7\u00e3o de ideias, sejam de esquerda ou de direita. Apenas levando o pensador a um fim h\u00e1 criatividade. Talvez voc\u00eas tenham experimentado isso enquanto observavam um p\u00f4r de sol, quando h\u00e1 grande beleza: a intensidade dela afasta o pensador, e nesse momento h\u00e1 uma extraordin\u00e1ria sensa\u00e7\u00e3o de alegria. Este momento criativo traz revolu\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um estado de ser. O pensador cessa, n\u00e3o como resultado da transforma\u00e7\u00e3o de pensamentos, mas apenas pela compreens\u00e3o dos movimentos do pensador e, portanto, chegando \u00e0 quest\u00e3o principal, ao problema em si, que \u00e9 o pensador. Quando o pensador est\u00e1 consciente de seus pr\u00f3prios movimentos, quando a mente est\u00e1 consciente dela mesma em a\u00e7\u00e3o \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 o pensador alterando os pensamentos, mas o pensador estando consciente dele mesmo \u2013 ent\u00e3o voc\u00ea descobrir\u00e1 que h\u00e1 um per\u00edodo em que a mente est\u00e1 absolutamente im\u00f3vel, quando ela est\u00e1 meditativa, quando n\u00e3o est\u00e1 atra\u00edda, n\u00e3o agitada. Ent\u00e3o, nesse momento, quando o pensador est\u00e1 silencioso, surge o ser criativo, se voc\u00ea experimentar, descobrir\u00e1 a base de toda transforma\u00e7\u00e3o radical.<\/p><p>Agora vou responder a v\u00e1rias perguntas.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong> Pode-se amar a verdade sem amar o homem? Pode-se amar o homem sem amar a verdade? O que vem primeiro?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong> Certamente, senhor, o amor vem primeiro. Porque para amar a verdade, voc\u00ea deve conhecer a verdade; e conhecer a verdade \u00e9 neg\u00e1-la. O que se conhece n\u00e3o \u00e9 verdade, pois o que se conhece j\u00e1 est\u00e1 envolvido no tempo; portanto, deixa de ser verdade. A verdade est\u00e1 em constante movimento e, assim, n\u00e3o pode ser mensurada no tempo ou em palavras; n\u00e3o pode ser mantida na sua m\u00e3o. Ent\u00e3o, amar a verdade \u00e9 conhecer a verdade \u2013 voc\u00ea n\u00e3o pode amar alguma coisa que n\u00e3o conhece. Mas a verdade n\u00e3o vai ser encontrada em livros, na idolatria, em templos. Ela \u00e9 encontrada na a\u00e7\u00e3o, no viver, no pensar; e desde que o amor vem primeiro, o que \u00e9 \u00f3bvio, a pr\u00f3pria busca pelo desconhecido \u00e9 o amor em si mesmo, e voc\u00ea n\u00e3o pode buscar o desconhecido sem estar em rela\u00e7\u00e3o com os outros. Voc\u00ea n\u00e3o pode procurar a realidade, Deus, ou o que seja, se recolhendo no isolamento. Voc\u00ea s\u00f3 pode descobrir o desconhecido na rela\u00e7\u00e3o, s\u00f3 quando o homem se relaciona com o homem. Portanto, o amor do homem \u00e9 a busca da realidade. Sem amar o homem, sem amar a humanidade, n\u00e3o pode haver a busca pelo real; porque, quando eu conhe\u00e7o voc\u00ea, pelo menos quando tento conhec\u00ea-lo na rela\u00e7\u00e3o, nessa rela\u00e7\u00e3o come\u00e7o a conhecer a mim mesmo. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 o espelho em que descubro a mim mesmo \u2013 n\u00e3o meu ego mais elevado, mas o processo total, integral de mim mesmo. O ego mais elevado e o ego inferior est\u00e3o ainda no campo da mente; e sem compreender a mente, o pensador, como posso ir al\u00e9m do pensamento e descobrir? A pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a busca pelo real, pois esse \u00e9 o \u00fanico contato que tenho comigo mesmo; assim, a compreens\u00e3o de mim mesmo na rela\u00e7\u00e3o \u00e9 o in\u00edcio da vida certamente. Se n\u00e3o sei como amar voc\u00ea, voc\u00ea com quem me relaciono, como posso buscar o real e, assim, amar o real? Sem voc\u00ea, eu n\u00e3o existo, n\u00e3o? N\u00e3o posso existir separado de voc\u00ea, n\u00e3o posso ser em isolamento. Portanto, em nossa rela\u00e7\u00e3o, na rela\u00e7\u00e3o entre voc\u00ea e eu, come\u00e7o a compreender a mim mesmo; e a compreens\u00e3o de mim mesmo \u00e9 o come\u00e7o da sabedoria, n\u00e3o? Portanto, a busca pelo real \u00e9 o in\u00edcio do amor em rela\u00e7\u00e3o. Para amar alguma coisa voc\u00ea deve conhec\u00ea-la, deve compreend\u00ea-la, n\u00e3o? Para am\u00e1-lo, devo conhec\u00ea-lo, devo examinar, devo descobrir, devo estar receptivo a todos os seus humores, suas mudan\u00e7as, e n\u00e3o simplesmente me fechar em minhas ambi\u00e7\u00f5es, meus objetivos e desejos; e conhecendo voc\u00ea, come\u00e7o a descobrir a mim mesmo. Sem voc\u00ea n\u00e3o posso ser; e se n\u00e3o compreendo esta rela\u00e7\u00e3o entre voc\u00ea e eu, como pode haver amor? E certamente, sem amor n\u00e3o existe busca, existe? Voc\u00ea n\u00e3o pode dizer que se deve amar a verdade; pois para amar a verdade, voc\u00ea deve conhecer a verdade. Voc\u00ea conhece a verdade? Sabe o que \u00e9 realidade? No momento em que voc\u00ea conhece alguma coisa, j\u00e1 est\u00e1 acabado, n\u00e3o? J\u00e1 est\u00e1 no campo do tempo, e deixa de ser verdade.<\/p><p>Ent\u00e3o, nosso problema \u00e9, como pode um cora\u00e7\u00e3o seco, um cora\u00e7\u00e3o vazio, conhecer a verdade? Ele n\u00e3o pode. A verdade, senhor, n\u00e3o \u00e9 uma coisa distante. Ela est\u00e1 muito perto, mas n\u00e3o sabemos como procur\u00e1-la. Para procur\u00e1-la, devemos compreender a rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 com o homem, mas com a natureza, com as ideias; devo compreender minha rela\u00e7\u00e3o com a terra, e minha rela\u00e7\u00e3o com a idea\u00e7\u00e3o, bem como minha rela\u00e7\u00e3o com voc\u00ea; e a fim de compreender, certamente deve haver abertura. Se quiser compreend\u00ea-lo, devo estar aberto a voc\u00ea, devo estar receptivo, n\u00e3o devo impedir nada \u2013 n\u00e3o pode haver um processo de isolamento. Assim, na compreens\u00e3o existe verdade e para compreender deve haver amor; pois sem amor, n\u00e3o pode haver compreens\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o homem ou a verdade que vem primeiro, mas o amor; e o amor s\u00f3 surge na compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o, significando que se est\u00e1 aberto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o e, portanto, aberto \u00e0 realidade. A verdade n\u00e3o pode ser convocada \u2013 ela deve chegar a voc\u00ea. Buscar a realidade \u00e9 negar a realidade. A verdade chega a voc\u00ea quando voc\u00ea est\u00e1 aberto, quando est\u00e1 completamente sem barreira, quando o pensador n\u00e3o est\u00e1 mais pensando, produzindo, fabricando, quando a mente est\u00e1 muito quieta \u2013 n\u00e3o for\u00e7ada, n\u00e3o drogada, n\u00e3o hipnotizada, pela repeti\u00e7\u00e3o. A verdade deve chegar; e quando o pensador vai em busca da verdade, est\u00e1 apenas perseguindo seu pr\u00f3prio benef\u00edcio. E a verdade lhe escapa. O pensador s\u00f3 pode ser observado na rela\u00e7\u00e3o; e para compreender, deve haver amor. Sem amor, n\u00e3o h\u00e1 busca.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong> Voc\u00ea n\u00e3o pode construir um novo mundo do modo que est\u00e1 fazendo agora. \u00c9 \u00f3bvio que o m\u00e9todo de treinar laboriosamente alguns disc\u00edpulos escolhidos n\u00e3o far\u00e1 nenhuma diferen\u00e7a na humanidade. N\u00e3o pode. Voc\u00ea deve ser capaz de deixar uma marca como Gandhiji, Maom\u00e9, Buda, Krishna, fizeram. Mas eles n\u00e3o mudaram fundamentalmente o mundo \u2013 nem voc\u00ea o far\u00e1, a menos que descubra uma forma inteiramente nova de abordar o problema.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong> Vamos refletir sobre isso juntos. A quest\u00e3o implica que a onda de destrui\u00e7\u00e3o, a onda da confus\u00e3o, \u00e9 co-existente com a vida; que a onda de destrui\u00e7\u00e3o, e a vida, est\u00e3o sempre juntas, correndo simultaneamente, e n\u00e3o existe intervalo entre elas. Ent\u00e3o o interrogante diz, \u2018Voc\u00ea pode ter alguns disc\u00edpulos que compreendem, alguns que realmente percebem e se transformam, mas eles n\u00e3o podem transformar o mundo\u2019. E esse \u00e9 o problema: que o homem deve ser transformado, n\u00e3o apenas alguns. Cristo, Buda e outros n\u00e3o transformaram o mundo, porque a onda de destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre varrendo a humanidade; e o interrogante diz, &#8216;Voc\u00ea tem um modo diferente de resolver este problema? Se n\u00e3o, voc\u00ea ser\u00e1 como os outros mestres. Alguns podem sair do caos, da confus\u00e3o, mas a maioria ser\u00e1 engolida, destru\u00edda\u2019. Voc\u00ea compreende o problema, n\u00e3o? Ou seja, os poucos que fogem da casa em chamas esperam tirar outros do fogo; mas desde que a vasta maioria est\u00e1 condenada a queimar, muitos que est\u00e3o queimando inventam a teoria do processo do tempo: na pr\u00f3xima vida tudo ficar\u00e1 bem. Ent\u00e3o, eles veem o tempo como um meio de transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse o problema, n\u00e3o? Alguns de n\u00f3s podem estar fora do caos, mas a grande maioria est\u00e1 presa na rede do tempo, na rede do se tornar, na rede do sofrimento; e eles podem ser transformados? Eles podem deixar a casa em chamas instantaneamente, completamente? Se n\u00e3o, a onda de confus\u00e3o, a onda de mis\u00e9ria, estar\u00e1 continuamente os encobrindo, continuamente os destruindo. \u00c9 este o problema, n\u00e3o? Estou apenas explicando, estudando a quest\u00e3o. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma nova abordagem ao problema? De outro modo, apenas alguns podem ser salvos \u2013 significando que a onda de destrui\u00e7\u00e3o, a onda da confus\u00e3o, est\u00e1 sempre ao encal\u00e7o do homem. Esse \u00e9 o problema, n\u00e3o \u00e9, senhores?<\/p><p>Agora, vamos tentar descobrir a verdade disso. N\u00e3o nos \u00e9 poss\u00edvel sair do tempo \u2013 todos n\u00f3s aqui \u2013 n\u00e3o por algum processo auto-hipn\u00f3tico, mas de fato? Esse \u00e9 o problema envolvido. Podemos, voc\u00ea e eu, podem voc\u00eas que est\u00e3o me ouvindo, sair do processo do tempo, de modo que fiquem livres do caos? Porque, enquanto acreditarem nesse processo, ou seja, enquanto disserem que v\u00e3o se libertar do caos atrav\u00e9s do processo do tempo, voc\u00eas e o caos ser\u00e3o sempre co-existentes. N\u00e3o sei se estou me explicando. Isto \u00e9, se voc\u00ea pensa que se libertar\u00e1 do caos, nunca estar\u00e1 livre, porque o <em>se tornar<\/em> faz parte do caos. Ou voc\u00ea compreende agora, ou nunca. Se voc\u00ea diz, \u2018Eu compreenderei amanh\u00e3\u2019, est\u00e1 realmente adiando; est\u00e1, de fato, convocando a onda da destrui\u00e7\u00e3o. Assim, nosso problema \u00e9 p\u00f4r um fim no processo de <em>se tornar<\/em> e, consequentemente, dar fim ao tempo. Enquanto voc\u00ea pensar em termos de se tornar \u2013 \u2018Eu serei bom\u2019, \u2018eu serei nobre\u2019, \u2018serei amanh\u00e3 algo que n\u00e3o sou hoje\u2019 \u2013 nesse se tornar est\u00e1 implicado o processo do tempo, e no processo do tempo h\u00e1 confus\u00e3o. Ent\u00e3o, existe confus\u00e3o porque voc\u00ea fica pensando em termos de se tornar. Agora, <em>em vez de se tornar, voc\u00ea pode ser?<\/em> \u2013 e s\u00f3 nisso h\u00e1 transforma\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o radical. Se tornar \u00e9 um processo de tempo, o ser est\u00e1 livre do tempo. E, como expliquei anteriormente, apenas no ser pode haver transforma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o no se tornar; s\u00f3 no findar existe renova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o na continuidade. Continuidade \u00e9 se tornar. Quando voc\u00ea encerra alguma coisa, existe um ser; e apenas no ser pode haver transforma\u00e7\u00e3o fundamental, radical.<\/p><p>Ent\u00e3o, nosso problema \u00e9 dar um fim ao se tornar \u2013 n\u00e3o o se tornar cronol\u00f3gico, como ontem se torna hoje e hoje se torna amanh\u00e3, mas, se tornar psicol\u00f3gico. Pode voc\u00ea dar um fim instantaneamente a esse se tornar? Essa \u00e9 a \u00fanica nova abordagem, n\u00e3o? Qualquer outro caminho \u00e9 a antiga abordagem. Compreendem a pergunta? Atualmente, todas as formas de abordagem s\u00e3o graduais. Eu sou isso, mas me tornarei aquilo amanh\u00e3; sou funcion\u00e1rio, mas me tornarei chefe em dez anos; sou raivoso, mas me tornarei virtuoso aos poucos. Isso \u00e9 se tornar, que \u00e9 processo de tempo; e onde h\u00e1 tempo, haver\u00e1 a onda da confus\u00e3o tamb\u00e9m. Assim, nosso problema \u00e9, podemos imediatamente e completamente, parar de pensar em termos de se tornar? Essa \u00e9 a \u00fanica nova abordagem, de outro modo repetimos a antiga abordagem. Eu afirmo que \u00e9 poss\u00edvel. Afirmo que voc\u00ea pode faz\u00ea-lo, voc\u00ea pode deixar de ficar preso na rede do tempo, na rede do se tornar, pode deixar de pensar em termos de tempo, em termos de futuro, em termos de ontem. Voc\u00ea pode faz\u00ea-lo, e est\u00e1 fazendo agora; <em>voc\u00ea faz isso quando est\u00e1 tremendamente interessado<\/em>, quando o processo do pensamento cessa inteiramente, quando h\u00e1 completa concentra\u00e7\u00e3o, completa consci\u00eancia. Ou seja, senhores, voc\u00eas o fazem quando ficam face a face com um novo problema. Agora, esse \u00e9 um novo problema, como levar o tempo a um fim. Como \u00e9 um novo problema, voc\u00ea deve estar completamente novo em rela\u00e7\u00e3o a ele, n\u00e3o? Porque, se voc\u00ea pensar em termos do antigo, certamente estar\u00e1 traduzindo o novo problema no antigo e, portanto, confundindo, n\u00e3o entendendo o problema. Quando \u00e9 um novo problema, voc\u00ea deve chegar a ele como novo; e aquilo que \u00e9 novo \u00e9 intemporal.<\/p><p>Ent\u00e3o, a quest\u00e3o \u00e9 esta: Pode voc\u00ea, enquanto est\u00e1 sentado a\u00ed me ouvindo, se libertar do tempo? Voc\u00ea pode estar c\u00f4nscio deste estado de ser em que n\u00e3o existe tempo? Se voc\u00ea estiver consciente desse estado de ser, ver\u00e1 que h\u00e1 uma tremenda revolu\u00e7\u00e3o acontecendo instantaneamente, pois o pensador cessou. \u00c9 o pensador que produz o processo de se tornar. Assim, o tempo pode ser levado ao fim, o tempo tem uma parada \u2013 n\u00e3o o tempo cronol\u00f3gico, mas o tempo psicol\u00f3gico. Agora, olhem: muitos de voc\u00eas est\u00e3o olhando para outra pessoa \u2013 est\u00e3o mais interessados em quem est\u00e1 entrando e saindo. E o que aconteceu? N\u00e3o est\u00e3o interessados em descobrir o que \u00e9 existir sem tempo; e voc\u00eas podem descobrir o que \u00e9 existir livre da rede do tempo apenas quando d\u00e3o toda a sua mente e cora\u00e7\u00e3o a isso, toda sua aten\u00e7\u00e3o que \u00e9 meramente exclusiva. Isso, certamente, \u00e9 medita\u00e7\u00e3o correta, n\u00e3o? Pois o pensamento findando \u00e9 o in\u00edcio da medita\u00e7\u00e3o real; e s\u00f3 ent\u00e3o h\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o, uma abordagem fundamentalmente nova da exist\u00eancia. A nova abordagem \u00e9 p\u00f4r um fim ao tempo; e eu afirmo que isso pode ser feito instantaneamente, se voc\u00ea estiver interessado. Voc\u00ea pode sair do rio para a margem em qualquer ponto. O rio do se tornar cessa quando voc\u00ea compreende o processo do tempo; mas para compreender, voc\u00ea deve entregar seu cora\u00e7\u00e3o e mente a isso. Voc\u00ea fica livre do tempo apenas quando existe completa absor\u00e7\u00e3o na compreens\u00e3o \u2013 o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo agora. Voc\u00ea est\u00e1 muito quieto. Est\u00e1 quieto, porque estamos discutindo, estamos for\u00e7ando a quest\u00e3o. Mas voc\u00ea deixa de ficar quieto no momento em que a quest\u00e3o desaparece. Se voc\u00ea mantiver, se voc\u00ea tiver essa quest\u00e3o claramente em sua frente o tempo todo, sair do tempo se torna um problema extraordinariamente absorvente; e eu digo para qualquer um que esteja querendo dar seu cora\u00e7\u00e3o e mente a isso, \u00e9 poss\u00edvel sair do tempo. Essa \u00e9 a \u00fanica nova abordagem, e ela pode produzir uma transforma\u00e7\u00e3o radical na sociedade.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong> Quando ou\u00e7o voc\u00ea tudo parece claro e novo. Em casa, a velha, pesada inquieta\u00e7\u00e3o se afirma. O que h\u00e1 de errado comigo?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong> O que est\u00e1 acontecendo, de fato, em nossas vidas? H\u00e1 desafio constante e resposta. Essa \u00e9 a exist\u00eancia, isso \u00e9 vida, n\u00e3o? \u2013 um constante desafio e resposta. O desafio \u00e9 sempre novo, e a resposta \u00e9 sempre velha. Encontrei voc\u00ea ontem, e voc\u00ea veio a mim hoje.<\/p><p>Voc\u00ea est\u00e1 transformado, est\u00e1 modificado, voc\u00ea mudou, est\u00e1 novo; mas eu tenho sua imagem como voc\u00ea era ontem. Assim, eu absorvo o novo no velho. N\u00e3o encontro voc\u00ea como novo, mas tenho sua imagem de ontem; ent\u00e3o minha resposta ao desafio \u00e9 sempre condicionada. Aqui, no momento, voc\u00ea deixa de ser um br\u00e2mane, voc\u00ea deixa de ser alta casta, ou o que seja \u2013 voc\u00ea esquece tudo. Est\u00e1 apenas ouvindo, absorto, tentando descobrir. Mas quando sai daqui, voc\u00ea se torna voc\u00ea mesmo \u2013 est\u00e1 de volta a sua casta, seu sistema, sua profiss\u00e3o, sua fam\u00edlia. Ou seja, o novo est\u00e1 sempre sendo absorvido pelo velho, pelos velhos h\u00e1bitos, costumes, ideias, tradi\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias. Nunca h\u00e1 o novo, pois voc\u00ea est\u00e1 sempre encontrando o novo com o velho \u2013 o desafio \u00e9 novo, mas voc\u00ea o encontra com o velho. Ent\u00e3o, o problema nesta pergunta \u00e9, como libertar o pensamento do velho, de modo que seja novo o tempo todo? Quando voc\u00ea v\u00ea uma flor, quando v\u00ea um rosto, quando v\u00ea o c\u00e9u, quando v\u00ea uma \u00e1rvore, um carro, um sorriso, como vai encontr\u00e1-los como novos? Por que n\u00e3o os encontramos como novos? Por que o velho absorve o novo, e o modifica; por que o novo cessa quando voc\u00ea vai para casa?<\/p><p>Agora, a velha resposta surge do pensador. O pensador n\u00e3o \u00e9 sempre o velho? Porque seu pensamento est\u00e1 baseado no passado, quando voc\u00ea encontra o novo, \u00e9 o pensador que o est\u00e1 encontrando; a experi\u00eancia de ontem o est\u00e1 encontrando. O pensador \u00e9 sempre o velho. Assim, voc\u00ea volta para o mesmo problema de forma diferente: Como libertar a mente de si mesma como o pensador? Como erradicar a mem\u00f3ria, n\u00e3o a mem\u00f3ria fatual, mas a mem\u00f3ria psicol\u00f3gica, que \u00e9 o ac\u00famulo de experi\u00eancia? Porque sem liberdade do res\u00edduo da experi\u00eancia, n\u00e3o pode haver recep\u00e7\u00e3o ao novo. Agora, libertar o pensamento, ficar livre do processo do pensamento e, ent\u00e3o, encontrar o novo, \u00e9 \u00e1rduo, n\u00e3o? Porque todas as nossas cren\u00e7as, todas as nossas tradi\u00e7\u00f5es, todos os nossos m\u00e9todos na educa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o um processo de imita\u00e7\u00e3o, c\u00f3pia, memoriza\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de um reservat\u00f3rio de mem\u00f3ria. Essa mem\u00f3ria est\u00e1 respondendo constantemente ao novo; chamamos a resposta dessa mem\u00f3ria de pensar, e esse pensar encontra o novo. Ent\u00e3o, como pode haver o novo? S\u00f3 quando n\u00e3o h\u00e1 res\u00edduo da mem\u00f3ria pode haver novidade, e h\u00e1 res\u00edduo quando a experi\u00eancia n\u00e3o se encerra, conclui, acaba, ou seja, quando a compreens\u00e3o da experi\u00eancia \u00e9 incompleta. Quando a experi\u00eancia \u00e9 completa, n\u00e3o h\u00e1 res\u00edduo \u2013 essa \u00e9 a beleza da vida. Amor n\u00e3o \u00e9 res\u00edduo, amor n\u00e3o \u00e9 experi\u00eancia, \u00e9 um estado de ser. O amor \u00e9 eternamente novo. Ent\u00e3o nosso problema \u00e9: Pode-se encontrar o novo constantemente, mesmo em casa? Certamente, se pode. Para fazer isso, deve-se provocar uma revolu\u00e7\u00e3o no pensamento, no sentimento; e voc\u00ea s\u00f3 pode estar livre quando cada incidente \u00e9 pensado de momento a momento, quando cada resposta \u00e9 totalmente compreendida, n\u00e3o simplesmente casualmente vista e deixada de lado. H\u00e1 liberdade da mem\u00f3ria acumulada apenas quando cada pensamento, cada sentimento \u00e9 completado, pensado at\u00e9 o fim. Ou seja, quando cada pensamento e cada sentimento \u00e9 pensado, conclu\u00eddo, h\u00e1 um fim; e h\u00e1 um espa\u00e7o entre esse fim e o pr\u00f3ximo pensamento. Neste espa\u00e7o de sil\u00eancio, h\u00e1 renova\u00e7\u00e3o, a nova criatividade acontece. Ora, isso n\u00e3o \u00e9 te\u00f3rico, n\u00e3o \u00e9 impratic\u00e1vel. Se voc\u00ea for tentar pensar cada pensamento e cada sentimento, descobrir\u00e1 que \u00e9 extraordinariamente pr\u00e1tico em sua vida cotidiana; porque ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 novo, e aquilo que \u00e9 novo \u00e9 eterno, duradouro. Ser novo \u00e9 criativo, e ser criativo \u00e9 ser feliz; e um homem feliz n\u00e3o est\u00e1 preocupado se \u00e9 rico ou pobre, ele n\u00e3o se importa a qual casta pertence, ou a que pa\u00eds. Ele n\u00e3o tem l\u00edderes, nem deuses, nem templos e, consequentemente, n\u00e3o tem discuss\u00e3o, nem inimizade. Sem d\u00favida, este \u00e9 o modo mais pr\u00e1tico de resolver nossas dificuldades neste mundo ca\u00f3tico atual. \u00c9 porque n\u00e3o somos criativos, no sentido em que estou usando esse termo, que somos t\u00e3o anti-sociais em todos os diferentes n\u00edveis de nossa consci\u00eancia. Para ser muito pr\u00e1tico e efetivo em nossa rela\u00e7\u00e3o social, em nossa rela\u00e7\u00e3o com todas as coisas, deve-se ser feliz; e n\u00e3o pode haver felicidade se n\u00e3o houver findar, n\u00e3o pode haver felicidade se existe um se tornar. No findar existe renova\u00e7\u00e3o, renascimento, novidade, um frescor, uma alegria. Mas o novo \u00e9 absorvido pelo velho, e o velho destr\u00f3i o novo enquanto houver conte\u00fado, enquanto a mente, o pensador, estiver condicionada por seu pensamento. Para estar livre do conte\u00fado, das influ\u00eancias condicionadas, da mem\u00f3ria, deve haver liberdade da continuidade; e h\u00e1 continuidade enquanto pensamento e sentimento n\u00e3o s\u00e3o encerrados completamente. Senhor, voc\u00ea completa um pensamento quando segue o pensamento at\u00e9 seu fim e, assim, traz um fim para todo pensamento, para todo sentimento. Certamente, amor n\u00e3o \u00e9 h\u00e1bito, mem\u00f3ria; o amor \u00e9 sempre novo.\u00a0 Pode haver o encontro com um novo caminho apenas quando a mente est\u00e1 fresca; e a mente n\u00e3o estar\u00e1 fresca enquanto houver res\u00edduo de mem\u00f3ria. A mem\u00f3ria \u00e9 fatual, bem como psicol\u00f3gica. N\u00e3o estou falando de mem\u00f3ria fatual, mas de mem\u00f3ria psicol\u00f3gica. Enquanto a experi\u00eancia n\u00e3o for completamente compreendida, fica o res\u00edduo, que \u00e9 o velho, que \u00e9 de ontem, da coisa passada; e o passado est\u00e1 sempre absorvendo o novo e, assim, destruindo o novo. Apenas quando a mente est\u00e1 livre do velho \u00e9 que ela encontra tudo como novo, e nisso existe alegria.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong> Voc\u00ea nunca menciona Deus. Ele n\u00e3o tem espa\u00e7o em seus ensinamentos?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong> Voc\u00eas falam muito sobre Deus, n\u00e3o? Seus livros est\u00e3o cheios dele. Voc\u00eas constroem igrejas, templos, fazem sacrif\u00edcios, fazem rituais, representam cerim\u00f4nias e est\u00e3o cheios de ideias sobre Deus, n\u00e3o? Voc\u00eas repetem a palavra, mas seus atos n\u00e3o s\u00e3o devotos, s\u00e3o? Embora adorem o que chamam Deus, seus modos, seus pensamentos, sua exist\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o devotos, s\u00e3o? Embora repitam a palavra \u2018Deus\u2019, voc\u00eas exploram o outro, n\u00e3o? Voc\u00eas t\u00eam seus deuses \u2013 hindu, mu\u00e7ulmano, crist\u00e3o e tudo o mais. Voc\u00eas constroem templos; e quanto mais rico voc\u00ea \u00e9, mais templos constr\u00f3i. (Riso) N\u00e3o ria, senhor, voc\u00ea faria o mesmo \u2013 apenas voc\u00ea ainda est\u00e1 tentando ficar tico, isso \u00e9 tudo.\u00a0 Ent\u00e3o, voc\u00eas est\u00e3o bem familiarizados com Deus, pelo menos com a palavra; mas a palavra n\u00e3o \u00e9 Deus, a palavra n\u00e3o \u00e9 a coisa. Vamos ter este ponto bem esclarecido: a palavra n\u00e3o \u00e9 Deus. Voc\u00ea pode usar a palavra \u2018Deus\u2019 ou alguma outra palavra, mas Deus n\u00e3o \u00e9 a palavra que voc\u00ea usa. Porque a usa, n\u00e3o significa que voc\u00ea conhe\u00e7a Deus; voc\u00ea apenas conhece a palavra. Eu n\u00e3o uso essa palavra pela simples raz\u00e3o de que voc\u00eas a conhecem. O que voc\u00ea conhece n\u00e3o \u00e9 o real. E, al\u00e9m disso, para descobrir a realidade, todo o murmurar verbal da mente deve cessar, n\u00e3o? Voc\u00eas t\u00eam imagens de Deus, mas a imagem n\u00e3o \u00e9 Deus, certamente. Como voc\u00ea pode conhecer Deus? Obviamente, n\u00e3o por meio de uma imagem, n\u00e3o num templo. Para receber Deus, o desconhecido, a mente deve ser o desconhecido. Se vai em busca de Deus, ent\u00e3o voc\u00ea j\u00e1 conhece Deus, conhece o fim; voc\u00ea sabe do que est\u00e1 atr\u00e1s, n\u00e3o? Se voc\u00ea busca Deus, deve saber o que Deus \u00e9; de outro modo n\u00e3o o buscaria, n\u00e3o? Voc\u00ea o busca de acordo com seus livros, ou de acordo com seus sentimentos; e seus sentimentos s\u00e3o, simplesmente, a resposta da mem\u00f3ria. Assim, aquilo que voc\u00ea busca j\u00e1 est\u00e1 criado, seja pela mem\u00f3ria ou por boato, e aquilo que \u00e9 criado n\u00e3o \u00e9 o eterno \u2013 \u00e9 produto da mente, senhores, se n\u00e3o houvesse livros, se n\u00e3o houvesse gurus, nem f\u00f3rmulas para serem repetidas voc\u00ea conheceria apenas sofrimento e felicidade, n\u00e3o? Constante sofrimento e mis\u00e9ria, e raros momentos de felicidade; e a\u00ed voc\u00ea quereria saber por que voc\u00ea sofre. N\u00e3o poderia escapar para Deus \u2013 mas provavelmente escaparia de outras formas, e prontamente inventa Deus como uma sa\u00edda. Mas se voc\u00ea quiser, realmente, compreender todo o processo do sofrimento, como um novo homem, um homem vigoroso, investigando e n\u00e3o fugindo, ent\u00e3o voc\u00ea se libertar\u00e1 do sofrimento, ent\u00e3o descobrir\u00e1 o que \u00e9 realidade, o que \u00e9 Deus. Mas um homem em sofrimento n\u00e3o pode descobrir Deus ou a realidade; a realidade s\u00f3 pode ser descoberta quando o sofrimento cessa, quando h\u00e1 alegria, n\u00e3o como um contraste, n\u00e3o como o oposto, mas aquele estado de ser em que n\u00e3o existem opostos.<\/p><p>Assim, o desconhecido, aquilo que n\u00e3o \u00e9 criado pela mente, n\u00e3o pode ser formulado pela mente. Aquilo que \u00e9 desconhecido n\u00e3o pode ser pensado. No momento em que voc\u00ea pensa no desconhecido, ele j\u00e1 \u00e9 o conhecido. Certamente voc\u00ea n\u00e3o pode pensar no desconhecido, pode? Voc\u00ea s\u00f3 pode pensar no conhecido. O pensamento sai do conhecido para o conhecido; e o que \u00e9 conhecido n\u00e3o \u00e9 realidade, \u00e9? Ent\u00e3o, quando voc\u00ea pensa e medita, quando senta e pensa em Deus, voc\u00ea pensa apenas no que \u00e9 conhecido, e o conhecido pertence ao tempo; est\u00e1 preso na rede do tempo e, portanto, n\u00e3o \u00e9 o real. A realidade s\u00f3 pode passar a existir quando a mente est\u00e1 livre da rede do tempo. Quando a mente deixa de criar, h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o. Ou seja, a mente deve estar absolutamente im\u00f3vel, mas n\u00e3o com uma imobilidade induzida, hipn\u00f3tica, que \u00e9 um resultado simplesmente. Tentar se tornar im\u00f3vel a fim de experimentar a realidade \u00e9 outra forma de fuga. S\u00f3 existe sil\u00eancio quando todos os problemas cessaram; como a po\u00e7a fica im\u00f3vel quando a brisa para, do mesmo modo a mente fica naturalmente im\u00f3vel quando o agitador, o pensador, cessa. Para dar um fim ao pensador, todos os pensamentos que ele fabrica devem ser pensados. N\u00e3o \u00e9 bom criar uma barreira, uma resist\u00eancia, contra o pensamento; porque os pensamentos devem ser sentidos, a mente estando im\u00f3vel, a realidade, o indescrit\u00edvel, surge. Voc\u00ea n\u00e3o pode convoc\u00e1-la. Para convoc\u00e1-la, voc\u00ea precisa conhec\u00ea-la, e aquilo que voc\u00ea conhece n\u00e3o \u00e9 o real. Assim, a mente deve ser simples, descarregada de cren\u00e7a, de idea\u00e7\u00e3o; e quando h\u00e1 imobilidade, quando n\u00e3o h\u00e1 desejo, nem anseio, quando a mente est\u00e1 absolutamente im\u00f3vel com a imobilidade que n\u00e3o \u00e9 induzida, ent\u00e3o a realidade chega. E essa verdade, essa realidade, \u00e9 o \u00fanico agente transformador; \u00e9 o \u00fanico fator que traz uma revolu\u00e7\u00e3o fundamental, radical \u00e0 exist\u00eancia, \u00e0 nossa vida cotidiana. E encontrar essa realidade \u00e9 n\u00e3o busc\u00e1-la, mas compreender os fatores que agitam a mente, que perturbam a mente em si. Ent\u00e3o a mente fica simples, im\u00f3vel. Nessa imobilidade o desconhecido, o irreconhec\u00edvel, surge; e quando isso acontece, h\u00e1 uma ben\u00e7\u00e3o.<\/p><p>8 de fevereiro de 1948<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarta Palestra P\u00fablica em Bombaim, 8 de fevereiro de 1948 Eu acho que \u00e9 importante compreender que existe ser, apenas quando n\u00e3o existe mais o pensador, e apenas no ser pode haver transforma\u00e7\u00e3o radical. Ideias n\u00e3o podem transformar, a modifica\u00e7\u00e3o dos pensamentos n\u00e3o pode gerar revolu\u00e7\u00e3o, revolu\u00e7\u00e3o radical. 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