{"id":255,"date":"2022-11-27T12:25:16","date_gmt":"2022-11-27T12:25:16","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=255"},"modified":"2022-12-30T21:57:42","modified_gmt":"2022-12-30T21:57:42","slug":"10-09-1933","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=255","title":{"rendered":"10\/09\/1933"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"255\" class=\"elementor elementor-255\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-170d0ef5 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"170d0ef5\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-5681bcb0\" data-id=\"5681bcb0\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-46f6bb41 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"46f6bb41\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>palestra no coliseu<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Oslo, Noruega<\/strong><\/p><p>Amigos, voc\u00eas sabem, n\u00f3s vamos de cren\u00e7a em cren\u00e7a, de experi\u00eancia em experi\u00eancia, esperando e procurando alguma compreens\u00e3o permanente que nos d\u00ea ilumina\u00e7\u00e3o, sabedoria; e assim esperamos tamb\u00e9m descobrir por n\u00f3s mesmos o que \u00e9 a verdade. Portanto, come\u00e7amos a procurar a verdade, Deus ou a vida. Agora, para mim, essa mesma busca pela verdade \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o dela, pois essa vida eterna, essa verdade, s\u00f3 pode ser compreendida quando a mente e o cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o livres de todas as ideias, de todas as doutrinas, de todas as cren\u00e7as, e quando compreendemos a verdadeira fun\u00e7\u00e3o da individualidade.<\/p><p>Eu afirmo que existe uma vida eterna da qual conhe\u00e7o e da qual falo, mas n\u00e3o se pode compreend\u00ea-la procurando-a. O que \u00e9 a nossa busca agora? \u00c9 apenas uma fuga de nossos sofrimentos, confus\u00f5es, conflitos di\u00e1rios; uma fuga de nossa confus\u00e3o do amor em que h\u00e1 uma batalha constante de posse, de ci\u00fame; uma fuga da luta constante pela exist\u00eancia. Portanto, dizemos para n\u00f3s mesmos: \u201cSe eu puder compreender o que \u00e9 a verdade, se eu puder descobrir o que \u00e9 Deus, ent\u00e3o compreenderei e vencerei a confus\u00e3o, a luta, a dor, as in\u00fameras batalhas de escolha. Deixe-me, portanto, descobrir o que \u00e9 e compreendendo isso, compreenderei a vida di\u00e1ria em que h\u00e1 tanto sofrimento.\u201d Para mim, a compreens\u00e3o da verdade n\u00e3o est\u00e1 na busca por ela. Reside na compreens\u00e3o do significado correto de todas as coisas; todo o significado da verdade est\u00e1 no transit\u00f3rio, e n\u00e3o separado dele.<\/p><p>Portanto, nossa busca pela verdade \u00e9 apenas uma fuga. Nossa busca e investiga\u00e7\u00e3o, nosso estudo de filosofias, nossa imita\u00e7\u00e3o de sistemas \u00e9ticos e nossa cont\u00ednua procura por essa realidade que digo existir s\u00e3o apenas meios de fuga. Compreender essa realidade \u00e9 compreender a causa de nossos variados conflitos, lutas, sofrimentos; mas atrav\u00e9s do desejo de fugir desses conflitos, constru\u00edmos muitas maneiras sutis de evitar conflitos e nelas nos abrigamos. Assim, a verdade torna-se apenas outro abrigo, no qual a mente e o cora\u00e7\u00e3o podem obter conforto.<\/p><p>Agora, essa pr\u00f3pria ideia de conforto \u00e9 um obst\u00e1culo, essa mesma concep\u00e7\u00e3o, da qual retiramos consolo, \u00e9 apenas uma fuga do conflito da vida di\u00e1ria. Durante s\u00e9culos, constru\u00edmos vias de fuga, como a autoridade; pode ser a autoridade dos padr\u00f5es sociais, da opini\u00e3o p\u00fablica ou das doutrinas religiosas; pode ser um padr\u00e3o externo, como esses que as pessoas mais bem educadas est\u00e3o descartando ou um padr\u00e3o interno, como esses que se cria depois de abandonar o externo. Mas uma mente que estima a autoridade, isto \u00e9, uma mente que aceita sem questionar, uma mente que imita, n\u00e3o pode compreender a liberdade da vida. Portanto, embora tenhamos constru\u00eddo ao longo dos s\u00e9culos essa autoridade que nos d\u00e1 uma pacifica\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea, um consolo moment\u00e2neo, um conforto transit\u00f3rio, essa autoridade se tornou apenas nossa fuga. Do mesmo modo, a imita\u00e7\u00e3o \u2013 a imita\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es, a imita\u00e7\u00e3o de um sistema \u2013 ou um m\u00e9todo de vida; para mim, isso tamb\u00e9m \u00e9 um obst\u00e1culo. E nossa busca pela certeza \u00e9 apenas uma forma de fuga; queremos ter certezas, nossas mentes desejam agarrar-se \u00e0s certezas para que, a partir desse pano de fundo, possamos olhar para a vida, para que, a partir desse abrigo, possamos seguir em frente.<\/p><p>Agora, para mim, tudo isso s\u00e3o obst\u00e1culos que impedem essa a\u00e7\u00e3o natural, espont\u00e2nea, que liberta a mente e o cora\u00e7\u00e3o para que o homem possa viver harmoniosamente, para que o homem possa compreender a verdadeira fun\u00e7\u00e3o da individualidade.<\/p><p>Quando sofremos procuramos certezas, queremos recorrer a valores que nos d\u00eaem conforto \u2013 e esse conforto \u00e9 apenas mem\u00f3ria. Depois novamente entramos em contato com a vida e novamente experimentamos sofrimento. Ent\u00e3o pensamos que aprendemos com o sofrimento, que obtemos compreens\u00e3o com o sofrimento. Uma cren\u00e7a, uma ideia ou uma teoria nos d\u00e1 uma satisfa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea quando sofremos, e a partir dessa satisfa\u00e7\u00e3o pensamos que compreendemos ou que adquirimos entendimento a partir dessa experi\u00eancia. Assim, passamos de sofrimento em sofrimento, aprendendo a nos ajustar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es externas. Isto \u00e9, n\u00e3o compreendemos o movimento real do sofrimento; simplesmente nos tornamos cada vez mais astutos e sutis em nossas rela\u00e7\u00f5es com o sofrimento. Esta \u00e9 a superficialidade da civiliza\u00e7\u00e3o e da cultura moderna: prop\u00f5em-se muitas teorias, muitas explica\u00e7\u00f5es de nosso sofrimento e nessas explica\u00e7\u00f5es e teorias nos abrigamos, indo de experi\u00eancia em experi\u00eancia, sofrendo, aprendendo e esperando encontrar sabedoria atrav\u00e9s de tudo isso.<\/p><p>Eu afirmo que a sabedoria n\u00e3o se compra. A sabedoria n\u00e3o reside no processo de acumula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o resultado de inumer\u00e1veis experi\u00eancias, n\u00e3o \u00e9 adquirida atrav\u00e9s da aprendizagem. A sabedoria, a pr\u00f3pria vida, s\u00f3 pode ser compreendida quando a mente est\u00e1 livre desse sentido de busca, dessa busca por conforto, dessa imita\u00e7\u00e3o, porque essas s\u00e3o apenas as maneiras de fuga que cultivamos h\u00e1 s\u00e9culos. Se voc\u00eas examinarem nossa estrutura de pensamento, de emo\u00e7\u00e3o, toda a nossa civiliza\u00e7\u00e3o, voc\u00eas ver\u00e3o que \u00e9 apenas um processo de fuga, um processo de conformidade. Quando sofremos, nossa rea\u00e7\u00e3o imediata \u00e9 um desejo de al\u00edvio, de consolo e aceitamos as teorias oferecidas sem descobrir a causa de nosso sofrimento; isto \u00e9, estamos momentaneamente satisfeitos, vivemos superficialmente e, portanto, n\u00e3o descobrimos profundamente, por n\u00f3s mesmos, qual \u00e9 a causa de nosso sofrimento.<\/p><p>Deixem-me colocar isso de outra forma, embora tenhamos experi\u00eancias, essas experi\u00eancias n\u00e3o nos mant\u00eam despertos, mas nos fazem dormir, porque nossas mentes e cora\u00e7\u00f5es foram treinados por gera\u00e7\u00f5es apenas para imitar, para se conformar. Afinal, quando h\u00e1 algum tipo de sofrimento, n\u00e3o devemos contar com esse sofrimento para nos ensinar, mas sim para nos manter totalmente despertos para que possamos enfrentar a vida com plena consci\u00eancia \u2013 n\u00e3o nesse estado semiconsciente em que quase todos os seres humanos enfrentam a vida.<\/p><p>Vou explicar isso novamente para me tornar claro, porque se voc\u00eas compreenderem isso, naturalmente compreender\u00e3o o que vou dizer.<\/p><p>Eu afirmo que a vida n\u00e3o \u00e9 um processo de aprendizagem, de acumula\u00e7\u00e3o. A vida n\u00e3o \u00e9 uma escola em que voc\u00eas passam nas provas sobre o que aprenderam, o que voc\u00eas aprenderam com as experi\u00eancias, com as a\u00e7\u00f5es, com o sofrimento. A vida \u00e9 feita para ser vivida, n\u00e3o para ser aprendida. Se voc\u00eas considerarem a vida como algo com o qual voc\u00eas t\u00eam que aprender, voc\u00eas agem apenas superficialmente. Isto \u00e9, se a a\u00e7\u00e3o, se a vida di\u00e1ria, \u00e9 apenas um meio para uma recompensa, para uma finalidade, ent\u00e3o a a\u00e7\u00e3o em si n\u00e3o tem valor. Agora, quando voc\u00eas t\u00eam experi\u00eancias, voc\u00eas dizem que devem aprender com elas, compreend\u00ea-las. Portanto, a experi\u00eancia em si n\u00e3o tem valor para voc\u00eas, porque voc\u00eas est\u00e3o procurando um ganho atrav\u00e9s do sofrimento, da a\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da experi\u00eancia. Mas para compreender completamente a a\u00e7\u00e3o, que para mim \u00e9 o \u00eaxtase da vida, o \u00eaxtase que \u00e9 a imortalidade, a mente deve estar livre da ideia de aquisi\u00e7\u00e3o, da ideia de aprender atrav\u00e9s da experi\u00eancia, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o. Agora, tanto a mente quanto o cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o presos nessa ideia de aquisi\u00e7\u00e3o, nessa ideia de que a vida \u00e9 um meio para outra coisa. Mas quando voc\u00eas virem a falsidade dessa concep\u00e7\u00e3o, voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o mais tratar o sofrimento como um meio para uma finalidade. Ent\u00e3o, voc\u00eas n\u00e3o se confortar\u00e3o com ideias, com cren\u00e7as, voc\u00eas n\u00e3o se abrigar\u00e3o mais em padr\u00f5es de pensamento ou sentimento; voc\u00eas come\u00e7ar\u00e3o ent\u00e3o a estar totalmente despertos, n\u00e3o com o objetivo de ver o que voc\u00eas podem ganhar com isso, mas para inteligentemente libertar a a\u00e7\u00e3o da imita\u00e7\u00e3o e da busca por uma recompensa. Isto \u00e9, voc\u00eas veem o significado da a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas qual o lucro que ela lhes trar\u00e1. Agora, a maioria das mentes est\u00e1 presa na ideia de aquisi\u00e7\u00e3o, na busca por uma recompensa. O sofrimento vem para despert\u00e1-los para essa ilus\u00e3o, para despert\u00e1-los de seu estado de semiconsci\u00eancia, mas n\u00e3o para lhes ensinar uma li\u00e7\u00e3o. Quando a mente e o cora\u00e7\u00e3o agem com um sentido de dualidade, criando assim opostos, deve haver conflito e sofrimento. O que acontece quando voc\u00eas sofrem? Voc\u00eas buscam al\u00edvio imediato, seja na bebida, na divers\u00e3o ou na ideia de Deus. Para mim, tudo isso \u00e9 a mesma coisa, porque s\u00e3o apenas vias de fuga que a mente sutil concebeu, fazendo do sofrimento uma coisa superficial. Por isso, eu digo, tornem-se completamente conscientes de suas a\u00e7\u00f5es, sejam elas quais forem, ent\u00e3o voc\u00eas perceber\u00e3o como sua mente est\u00e1 continuamente encontrando uma fuga; voc\u00eas ver\u00e3o que n\u00e3o est\u00e3o enfrentando as experi\u00eancias completamente, com todo o seu ser, mas apenas parcialmente, semiconscientemente.<\/p><p>N\u00f3s constru\u00edmos muitos obst\u00e1culos que se tornaram abrigos, nos quais nos refugiamos no momento de dor. Esses abrigos s\u00e3o apenas fugas e, portanto, sem qualquer valor inerente em si pr\u00f3prios. Mas para descobrir esses abrigos, esses falsos valores que criamos sobre n\u00f3s, que nos dominam e nos aprisionam, n\u00e3o devemos tentar analisar as a\u00e7\u00f5es que brotam deles. Para mim, a an\u00e1lise \u00e9 a pr\u00f3pria nega\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o completa. N\u00e3o se pode compreender um obst\u00e1culo analisando-o. N\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o na an\u00e1lise de uma experi\u00eancia passada, porque ela est\u00e1 morta. S\u00f3 h\u00e1 compreens\u00e3o na a\u00e7\u00e3o viva do presente. Por isso, a autoan\u00e1lise \u00e9 destrutiva. Mas descobrir as inumer\u00e1veis barreiras que os rodeiam \u00e9 tornarem-se totalmente conscientes, tornarem-se completamente conscientes de qualquer a\u00e7\u00e3o que esteja acontecendo ao seu redor ou de qualquer coisa que estejam fazendo. Ent\u00e3o, todos os obst\u00e1culos passados, como tradi\u00e7\u00e3o, imita\u00e7\u00e3o, medo, rea\u00e7\u00f5es defensivas, o desejo de seguran\u00e7a, de certeza \u2013 tudo isso entra em atividade e somente naquilo que \u00e9 ativo h\u00e1 compreens\u00e3o. Nessa chama de consci\u00eancia, a mente e o cora\u00e7\u00e3o se libertam de todos os obst\u00e1culos, de todos os falsos valores, ent\u00e3o h\u00e1 liberta\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o e essa liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 a liberdade da vida, que \u00e9 imortalidade.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>:\u00a0\u00c9 somente a partir da dor e do sofrimento que se desperta para a realidade da vida?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: O sofrimento \u00e9 a coisa com a qual estamos mais familiarizados, com a qual estamos constantemente vivendo. Conhecemos o amor e sua alegria, mas em seu rastro vem muitos conflitos. Seja o que for que nos d\u00ea o maior choque que chamamos de sofrimento, isso nos manter\u00e1 despertos para enfrentar a vida completamente, nos ajudar\u00e1 a descartar as muitas ilus\u00f5es que criamos ao nosso redor. N\u00e3o \u00e9 apenas o sofrimento ou o conflito que nos mant\u00e9m despertos, mas qualquer coisa que nos d\u00ea um choque, que nos fa\u00e7a questionar todos os falsos padr\u00f5es e valores que criamos ao nosso redor em nossa busca por seguran\u00e7a. Quando voc\u00eas sofrem muito, voc\u00eas se tornam totalmente conscientes e nessa intensidade de consci\u00eancia, voc\u00eas descobrem os verdadeiros valores. Isso liberta a mente de criar mais ilus\u00f5es.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Por que tenho medo da morte? E o que est\u00e1 al\u00e9m da morte?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Eu penso que uma pessoa tem medo da morte porque sente que n\u00e3o viveu. Se voc\u00ea \u00e9 um artista, voc\u00ea pode ter medo de que a morte o leve embora antes de terminar seu trabalho. Voc\u00ea est\u00e1 com medo porque n\u00e3o se realizou. Ou se voc\u00ea for um homem de vida comum, sem capacidades especiais, tem medo porque tamb\u00e9m n\u00e3o se realizou. Voc\u00ea diz: \u201cSe me cortarem da minha conquista, o que h\u00e1? Como eu n\u00e3o entendo esta confus\u00e3o, esta labuta, esta escolha e conflitos incessantes, existir\u00e1 mais oportunidades para mim?\u201d Voc\u00ea tem medo da morte quando n\u00e3o se realiza na a\u00e7\u00e3o; isto \u00e9, voc\u00ea tem medo da morte quando n\u00e3o enfrenta a vida integralmente, completamente, com plenitude de mente e cora\u00e7\u00e3o. Portanto, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 porque voc\u00ea tem medo da morte, mas sim, o que o impede de enfrentar a vida completamente. Tudo tem que morrer, tudo tem que se desgastar. Mas se voc\u00ea tem a compreens\u00e3o que lhe permite enfrentar a vida completamente, ent\u00e3o nisso h\u00e1 vida eterna, imortalidade, nem come\u00e7o nem fim e n\u00e3o h\u00e1 medo da morte. Novamente, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 como libertar a mente do medo da morte, mas como enfrentar a vida integralmente, como enfrentar a vida para que haja realiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Para enfrentar a vida integralmente, \u00e9 preciso estar livre de todos os valores defensivos. Mas nossas mentes e cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o sufocados com tais valores, que tornam nossa a\u00e7\u00e3o incompleta e, portanto, h\u00e1 medo da morte. Para encontrar o valor verdadeiro, para se livrarem desse medo cont\u00ednuo da morte e do problema da vida ap\u00f3s a morte, voc\u00eas devem conhecer a verdadeira fun\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, tanto no criativo quanto no coletivo.<\/p><p>Agora, quanto \u00e0 segunda pergunta: \u201cO que est\u00e1 al\u00e9m da morte? Existe uma vida ap\u00f3s a morte?\u201d Voc\u00eas sabem por que uma pessoa costuma fazer essas perguntas, por que ela quer saber o que est\u00e1 do outro lado? Ela pergunta porque n\u00e3o sabe como viver o presente; ela est\u00e1 mais morta do que viva. Ela diz: \u201cDeixe-me descobrir o que vem depois da morte\u201d, porque ela n\u00e3o tem a capacidade de compreender este eterno presente. Para mim, o presente \u00e9 a eternidade, a eternidade est\u00e1 no presente, n\u00e3o no futuro. Mas para tal questionador, a vida tem sido toda uma s\u00e9rie de experi\u00eancias sem realiza\u00e7\u00e3o, sem compreens\u00e3o, sem sabedoria. Portanto, para ele, a vida ap\u00f3s a morte \u00e9 mais atraente do que o presente, e da\u00ed as inumer\u00e1veis quest\u00f5es sobre o que est\u00e1 al\u00e9m. O homem que se pergunta sobre a vida ap\u00f3s a morte j\u00e1 est\u00e1 morto. Se voc\u00eas viverem no eterno presente, a vida ap\u00f3s a morte n\u00e3o existe; ent\u00e3o a vida n\u00e3o \u00e9 dividida em passado, presente e futuro. Ent\u00e3o h\u00e1 apenas plenitude, e nisso h\u00e1 o \u00eaxtase da vida.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>:\u00a0Voc\u00ea acha que a comunica\u00e7\u00e3o com os esp\u00edritos dos mortos \u00e9 uma ajuda para a compreens\u00e3o da vida em sua totalidade?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Por que voc\u00ea deveria pensar que os mortos s\u00e3o mais \u00fateis do que os vivos? Porque os mortos n\u00e3o podem contradiz\u00ea-lo, n\u00e3o podem se opor a voc\u00ea, enquanto os vivos podem. Na comunica\u00e7\u00e3o com os mortos, voc\u00ea pode ser fantasioso; portanto, voc\u00ea conta com os mortos e n\u00e3o com os vivos para ajud\u00e1-lo. Para mim, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se existe uma vida al\u00e9m do que chamamos de morte; n\u00e3o \u00e9 se podemos ou n\u00e3o nos comunicar com os esp\u00edritos dos mortos; para mim, tudo isso \u00e9 irrelevante. Algumas pessoas dizem que se pode comunicar com os esp\u00edritos dos mortos, outras dizem que n\u00e3o se pode. Para mim, a discuss\u00e3o parece de muito pouco valor, porque para compreender a vida com suas andan\u00e7as r\u00e1pidas, com sua sabedoria, voc\u00ea n\u00e3o pode contar com outro para libert\u00e1-lo das ilus\u00f5es que voc\u00ea criou. Nem os mortos nem os vivos podem libert\u00e1-lo de suas ilus\u00f5es. Somente no interesse despertado pela vida, na constante vigil\u00e2ncia de mente e cora\u00e7\u00e3o, existe uma vida harmoniosa, existe realiza\u00e7\u00e3o, a riqueza da vida.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>:\u00a0Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre o problema do sexo e do ascetismo \u00e0 luz da atual crise social?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>:\u00a0N\u00e3o vamos olhar para esse problema, se posso sugerir, do ponto de vista da situa\u00e7\u00e3o atual, porque as situa\u00e7\u00f5es est\u00e3o mudando constantemente. Vamos antes considerar o problema em si, porque se voc\u00eas compreenderem o problema, ent\u00e3o a crise atual tamb\u00e9m poder\u00e1 ser compreendida.<\/p><p>O problema do sexo, que parece incomodar tantas pessoas, surgiu porque perdemos a chama da criatividade, esse viver harmonioso. N\u00f3s apenas nos tornamos m\u00e1quinas imitativas, fechamos as portas ao pensamento criativo e \u00e0 emo\u00e7\u00e3o; estamos constantemente em conformidade, estamos presos pela autoridade, pela opini\u00e3o p\u00fablica, pelo medo e, portanto, somos confrontados com esse problema do sexo. Mas se a mente e o cora\u00e7\u00e3o se libertam do sentido de imita\u00e7\u00e3o, dos falsos valores, do exagero do intelecto e assim liberam sua pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o criadora, ent\u00e3o o problema n\u00e3o existe. Isso se tornou grande porque gostamos de nos sentir seguros, porque pensamos que a felicidade est\u00e1 no sentimento de posse. Mas se compreendermos o verdadeiro significado da posse e sua natureza ilus\u00f3ria, ent\u00e3o a mente e o cora\u00e7\u00e3o estar\u00e3o livres tanto da posse quanto da n\u00e3o-posse.<\/p><p>Assim tamb\u00e9m \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda parte da quest\u00e3o, que diz respeito ao ascetismo. Voc\u00eas sabem, n\u00f3s pensamos que quando somos confrontados com um problema \u2013 nesse caso, o problema da posse \u2013 podemos resolv\u00ea-lo e compreend\u00ea-lo indo ao seu oposto. Eu venho de um pa\u00eds onde o ascetismo est\u00e1 no sangue. O clima incentiva o costume. A \u00cdndia \u00e9 quente e l\u00e1 \u00e9 muito melhor ter poucas coisas, sentar-se \u00e0 sombra de uma \u00e1rvore e discutir filosofia ou retirar-se inteiramente da vida angustiante, conflitante e ir para a floresta meditar. A quest\u00e3o do ascetismo tamb\u00e9m surge quando se \u00e9 escravo da posse.<\/p><p>O ascetismo n\u00e3o tem valor inerente. Quando voc\u00ea o pratica, voc\u00ea est\u00e1 apenas fugindo da posse para o seu oposto, que \u00e9 o ascetismo. \u00c9 como um homem que procura o desapego porque sente dor com o apego. \u201cDeixe-me ser desapegado\u201d, diz ele. Da mesma maneira, voc\u00eas dizem: \u201cEu me tornarei um asceta\u201d, porque a posse cria sofrimento. O que voc\u00eas est\u00e3o realmente fazendo \u00e9 simplesmente passar da posse para a n\u00e3o-posse, que \u00e9 outra forma de posse. Mas nesse movimento tamb\u00e9m h\u00e1 conflito, porque voc\u00eas n\u00e3o compreendem o significado total da posse. Isto \u00e9, voc\u00eas contam com a posse para ter conforto; voc\u00eas pensam que a felicidade, a seguran\u00e7a, a bajula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, est\u00e1 em ter muitas coisas, sejam ideias, virtudes, terras ou t\u00edtulos. Porque pensamos que a seguran\u00e7a, a felicidade e o poder est\u00e3o na posse, acumulamos, nos esfor\u00e7amos para possuir, lutamos e competimos uns com os outros, sufocamos e exploramos uns aos outros. Isso \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo em todo o mundo, e uma mente astuta diz: \u201cVamos nos tornar ascetas, n\u00e3o possuamos, tornemo-nos escravos do ascetismo, fa\u00e7amos leis para que o homem n\u00e3o possua\u201d. Em outras palavras, voc\u00eas est\u00e3o apenas trocando uma pris\u00e3o por outra, apenas chamando a nova pris\u00e3o por um nome diferente. Mas se voc\u00eas realmente compreenderem o valor transit\u00f3rio da posse, ent\u00e3o voc\u00eas n\u00e3o se tornam um asceta nem uma pessoa sobrecarregada pelo desejo de posse; ent\u00e3o voc\u00eas s\u00e3o verdadeiramente seres humanos.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Tive a impress\u00e3o de que voc\u00ea tem um certo desd\u00e9m pela aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento. Voc\u00ea quer dizer que a educa\u00e7\u00e3o ou o estudo dos livros \u2013 por exemplo, o estudo da hist\u00f3ria ou da ci\u00eancia \u2013 n\u00e3o tem valor? Voc\u00ea quer dizer que o senhor mesmo n\u00e3o aprendeu nada com seus professores?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>:\u00a0Eu estou falando de viver uma vida completa, uma vida humana e nenhuma explica\u00e7\u00e3o, seja da ci\u00eancia ou da hist\u00f3ria, libertar\u00e1 a mente e o cora\u00e7\u00e3o do sofrimento. Voc\u00ea pode estudar, pode aprender a enciclop\u00e9dia de cor, mas voc\u00ea \u00e9 um ser humano, ativo, suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o volunt\u00e1rias, sua mente \u00e9 flex\u00edvel e voc\u00ea n\u00e3o pode sufoc\u00e1-la com conhecimento. O conhecimento \u00e9 necess\u00e1rio, a ci\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria. Mas se sua mente for aprisionada por explica\u00e7\u00f5es e a causa do sofrimento \u00e9 explicada intelectualmente, ent\u00e3o voc\u00ea leva uma vida superficial, uma vida sem profundidade. E \u00e9 isso que est\u00e1 acontecendo conosco. Nossa educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 nos tornando cada vez mais superficiais, n\u00e3o est\u00e1 nos ensinando profundidade de sentimento nem liberdade de pensamento, e nossas vidas s\u00e3o desarmoniosas.<\/p><p>O interlocutor quer saber se eu n\u00e3o aprendi com os professores. Receio que n\u00e3o, porque n\u00e3o h\u00e1 nada para aprender. Algu\u00e9m pode ensin\u00e1-lo a tocar piano, a resolver problemas de matem\u00e1tica, voc\u00ea pode aprender os princ\u00edpios da engenharia ou a t\u00e9cnica da pintura, mas ningu\u00e9m pode lhe ensinar a realiza\u00e7\u00e3o criativa, que \u00e9 a pr\u00f3pria vida. E, no entanto, voc\u00eas est\u00e3o constantemente pedindo para ser ensinados. Voc\u00eas dizem: \u201cEnsine-me a t\u00e9cnica de viver e saberei o que \u00e9 a vida\u201d. Eu afirmo que esse mesmo desejo por um m\u00e9todo, essa mesma ideia destr\u00f3i sua liberdade de a\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a pr\u00f3pria liberdade da vida em si.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>:\u00a0Voc\u00ea diz que ningu\u00e9m nos pode ajudar, a n\u00e3o ser n\u00f3s mesmos. Voc\u00ea n\u00e3o acredita que a vida de Cristo foi uma expia\u00e7\u00e3o pelos nossos pecados? Voc\u00ea n\u00e3o acredita na gra\u00e7a de Deus?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Essas s\u00e3o palavras que eu temo n\u00e3o compreender. Se voc\u00ea quer dizer que outro pode salv\u00e1-lo, ent\u00e3o eu digo que ningu\u00e9m pode salv\u00e1-lo. Esta ideia de que outro pode salv\u00e1-lo \u00e9 uma confort\u00e1vel ilus\u00e3o. A grandeza do homem \u00e9 que ningu\u00e9m pode ajud\u00e1-lo ou salv\u00e1-lo, a n\u00e3o ser ele mesmo. Voc\u00eas t\u00eam a ideia de que um Deus externo pode nos mostrar o caminho atrav\u00e9s deste labirinto conflitante da vida; que um professor, um salvador do homem, pode nos mostrar o caminho, pode nos tirar, pode nos conduzir para longe das pris\u00f5es que criamos para n\u00f3s mesmos. Se algu\u00e9m lhes der liberdade, tomem cuidado com essa pessoa, porque voc\u00eas apenas criar\u00e3o outras pris\u00f5es atrav\u00e9s da sua pr\u00f3pria falta de compreens\u00e3o. Mas se voc\u00eas questionarem, se estiverem despertos, alertas, constantemente conscientes de sua a\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o sua vida \u00e9 harmoniosa; ent\u00e3o sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 completa, porque nasce da harmonia criativa e essa \u00e9 a verdadeira realiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Qualquer que seja a atividade que uma pessoa se dedique, como ela pode fazer algo mais que n\u00e3o seja remendar, enquanto ela n\u00e3o tiver alcan\u00e7ado completamente a compreens\u00e3o da verdade?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>:\u00a0Voc\u00ea acha que o trabalho e a assist\u00eancia podem ajudar quem est\u00e1 sofrendo. Para mim, tal tentativa de fazer o bem social para o bem-estar do homem \u00e9 remendar. N\u00e3o estou dizendo que \u00e9 errado, isso \u00e9 indubitavelmente necess\u00e1rio, porque a sociedade est\u00e1 em um estado que requer que haja aqueles que trabalhem pela mudan\u00e7a social, aqueles que trabalhem por melhores condi\u00e7\u00f5es sociais. Mas tamb\u00e9m deve haver trabalhadores de outro tipo, aqueles que trabalham para evitar que as novas estruturas da sociedade se baseiem em ideias falsas.<\/p><p>Em outras palavras, suponham que alguns de voc\u00eas estejam interessados em educa\u00e7\u00e3o, voc\u00eas ouviram o que eu tenho dito, e suponham que voc\u00eas comecem uma escola ou lecionem numa escola. Em primeiro lugar, descubram se voc\u00eas est\u00e3o interessados apenas em melhorar as condi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o ou se est\u00e3o interessados em lan\u00e7ar a semente da verdadeira compreens\u00e3o, em despertar as pessoas para uma vida criativa. Descubram se voc\u00eas est\u00e3o interessados apenas em mostrar-lhes um caminho onde n\u00e3o h\u00e1 problemas, em dar-lhes consolo, panaceias ou se voc\u00eas est\u00e3o realmente ansiosos para despert\u00e1-los para a compreens\u00e3o de suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, para que possam destruir as barreiras que agora os det\u00eam.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Por favor, explique o que voc\u00ea quer dizer com imortalidade. A imortalidade \u00e9 t\u00e3o real para voc\u00ea quanto o ch\u00e3o em que voc\u00ea est\u00e1 ou \u00e9 apenas uma ideia sublime?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>:\u00a0O que lhes vou dizer sobre a imortalidade ser\u00e1 dif\u00edcil de compreender, porque para mim a imortalidade n\u00e3o \u00e9 uma cren\u00e7a, \u00e9 algo real. Isso \u00e9 uma coisa muito diferente. Existe imortalidade \u2013 e n\u00e3o que eu saiba ou acredite nela. Espero que vejam a diferen\u00e7a. No momento em que digo \u201ceu sei\u201d, a imortalidade se torna uma coisa objetiva, est\u00e1tica. Mas quando n\u00e3o h\u00e1 \u201ceu\u201d, h\u00e1 imortalidade. Tenham cuidado com a pessoa que diz: \u201cEu conhe\u00e7o a imortalidade\u201d, porque para ela a imortalidade \u00e9 uma coisa est\u00e1tica, o que significa que existe dualidade: existe o \u201ceu\u201d e existe o que \u00e9 imortal, duas coisas diferentes. Eu afirmo que existe imortalidade, e isso existe porque n\u00e3o h\u00e1 consci\u00eancia do \u201ceu\u201d.<\/p><p>Agora, por favor, n\u00e3o digam que n\u00e3o acredito na imortalidade. Para mim, a cren\u00e7a n\u00e3o tem nada a ver com ela. A imortalidade n\u00e3o \u00e9 externa. Mas onde h\u00e1 uma cren\u00e7a numa coisa, tem que haver um objeto e um sujeito. Por exemplo, voc\u00eas n\u00e3o acreditam na luz do sol, ela existe. Somente um cego que nunca viu o que \u00e9 a luz do sol tem que acreditar nela.<\/p><p>Para mim existe uma vida eterna, uma vida de eterno devir; est\u00e1 sempre a devir, n\u00e3o sempre crescendo, pois aquilo que cresce \u00e9 transit\u00f3rio. Agora, para compreender essa imortalidade que digo existir, a mente deve estar livre desta ideia de continuidade e n\u00e3o-continuidade. Quando uma pessoa pergunta: \u201cA imortalidade existe?\u201d Ela quer saber se ela, como indiv\u00edduo, continuar\u00e1 ou se ela, como indiv\u00edduo, ser\u00e1 destru\u00edda. Isto \u00e9, ela pensa apenas em termos de opostos, em termos de dualidade: voc\u00ea existe ou n\u00e3o existe. Se voc\u00eas tentarem compreender minha resposta do ponto de vista da dualidade, voc\u00eas falhar\u00e3o completamente. Eu afirmo que a imortalidade existe. Mas para realizar essa imortalidade, que \u00e9 o \u00eaxtase da vida, a mente e o cora\u00e7\u00e3o devem estar livres de identifica\u00e7\u00e3o com o conflito, do qual surge a consci\u00eancia do \u201ceu\u201d. E livres tamb\u00e9m da ideia de aniquila\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia do ego.<\/p><p>Deixem-me colocar de uma maneira diferente. Voc\u00eas conhecem apenas opostos \u2013 coragem e medo, posse e n\u00e3o-posse, desapego e apego. Toda sua vida est\u00e1 dividida em opostos \u2013 virtude e n\u00e3o-virtude, certo e errado \u2013 porque voc\u00eas nunca enfrentam a vida completamente, mas sempre com essa rea\u00e7\u00e3o, sempre com esse pano de fundo da divis\u00e3o. Voc\u00eas criaram esse pano de fundo; voc\u00eas feriram sua mente com essas ideias e depois perguntam: \u201cA imortalidade existe?\u201d Eu afirmo que existe, mas para compreend\u00ea-la, a mente deve estar livre dessa divis\u00e3o. Isto \u00e9, se voc\u00eas t\u00eam medo, n\u00e3o procurem coragem, mas deixem que a mente se liberte do medo; vejam a inutilidade do que voc\u00eas chamam de coragem, compreendam que \u00e9 apenas uma fuga do medo e que o medo existir\u00e1 enquanto houver a ideia de ganho e perda. Em vez de sempre buscarem o oposto, em vez de lutarem para desenvolver a qualidade oposta, deixem que a mente e o cora\u00e7\u00e3o se libertem daquilo em que est\u00e3o presos. N\u00e3o tentem desenvolver o seu oposto. Ent\u00e3o, voc\u00eas saber\u00e3o por si mesmos, sem que ningu\u00e9m lhes diga ou conduza, o que \u00e9 a imortalidade; imortalidade que n\u00e3o \u00e9 o \u201ceu\u201d nem o \u201cvoc\u00ea\u201d, mas que \u00e9 a vida.<\/p><p>10\/09\/1933<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>palestra no coliseu Oslo, Noruega Amigos, voc\u00eas sabem, n\u00f3s vamos de cren\u00e7a em cren\u00e7a, de experi\u00eancia em experi\u00eancia, esperando e procurando alguma compreens\u00e3o permanente que nos d\u00ea ilumina\u00e7\u00e3o, sabedoria; e assim esperamos tamb\u00e9m descobrir por n\u00f3s mesmos o que \u00e9 a verdade. Portanto, come\u00e7amos a procurar a verdade, Deus ou a vida. 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