{"id":2381,"date":"2022-12-18T21:17:37","date_gmt":"2022-12-18T21:17:37","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2381"},"modified":"2022-12-18T21:18:03","modified_gmt":"2022-12-18T21:18:03","slug":"rom-landau","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2381","title":{"rendered":"Rom Landau"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2381\" class=\"elementor elementor-2381\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-115c5d7b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"115c5d7b\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-55490583\" data-id=\"55490583\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6f8492c1 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6f8492c1\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Rom Landau<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Do livro de Rom Landau<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cGod is my Adventure\u201d<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">Voltara eu \u00e0 Alemanha, pa\u00eds onde se iniciara minha busca; vira novamente Keyserling e me inteirara das transforma\u00e7\u00f5es por que haviam passado as grandiosas vis\u00f5es de Steiner de um mundo mais real. Mas, de todos os mestres com quem estivera em contato, aquele cuja mudan\u00e7a eu mais ansiava verificar era Krishnamurti. Escrevi-lhe para Eerde, na Holanda, perguntando quando e onde poderia visit\u00e1-lo. Esperei mais de tr\u00eas meses pela resposta, e, quando finalmente chegou, soube que ele acabava de deixar a Nova Zel\u00e2ndia, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de confer\u00eancias na Austr\u00e1lia, estando j\u00e1 a caminho da Calif\u00f3rnia, e que n\u00e3o voltaria \u00e0 Europa antes de dezoito meses. Uma viagem \u00e0 Calif\u00f3rnia significava grande sacrif\u00edcio de tempo e dinheiro. N\u00e3o obstante, decidi seguir toda a Costa do Pac\u00edfico para verificar o quanto Krishnamurti havia mudado desde os dias em que eu estivera com ele no seu castelo holand\u00eas, e, principalmente, depois da dissolu\u00e7\u00e3o de sua sociedade. A casa de Krishnamurti na Calif\u00f3rnia se encontrava no Vale de Ojai, n\u00e3o muito longe de Hollywood.<br \/>Quando resolvi visitar Krishnamurti, esperava tamb\u00e9m sentir a atmosfera espiritual do pa\u00eds no qual ele vivia. Eu j\u00e1 conhecia bastante a Am\u00e9rica para saber que a descri\u00e7\u00e3o de Romain Rolland da caracter\u00edstica mais impressionante na vida norte-americana ainda se mantinha verdadeira: \u201c\u2026a coexist\u00eancia, lado a lado, do desejo o do temor do futuro; das mais elevadas e das mais baixas for\u00e7as; uma imensa sede de verdade, e um enorme apego \u00e0 falsidade; desinteresse absoluto ao lado da mais vil adora\u00e7\u00e3o do ouro; uma sinceridade inteiramente infantil acompanhando um aut\u00eantico charlatanismo de feira.\u201d Durante o s\u00e9culo dezenove, a Am\u00e9rica do Norte possuiu v\u00e1rios escritores de valor espiritual, encontrando-se entre os mais importantes Emerson e Walt Whitman. As preocupa\u00e7\u00f5es espirituais viviam par a par com o mais vulgar materialismo.<br \/>Ao chegar aos Estados Unidos, no outono de 1934, notei logo que a decep\u00e7\u00e3o e a descren\u00e7a na salva\u00e7\u00e3o puramente material, resultantes das crises econ\u00f4micas dos \u00faltimos anos, haviam despertado em muitas criaturas verdadeira \u00e2nsia pelas coisas do esp\u00edrito. Percebia-se um n\u00edtido acordar do esp\u00edrito, semelhante ao que se dera na Alemanha nos anos que se seguiram \u00e0 guerra. Isto n\u00e3o era surpreendente. Poucas formas de experi\u00eancia haver\u00e1 mais capazes de levar-nos \u00e0 compreens\u00e3o espiritual que o sofrimento. A incapacidade da maioria das divindades \u2013 pol\u00edtica, finan\u00e7as, ind\u00fastria \u2013 em satisfazer seus adoradores obrigava as aten\u00e7\u00f5es a se voltarem cada vez mais para o poder do esp\u00edrito \u2013 \u00fanico ainda inexplorado.<br \/>N\u00e3o era, pois, por acaso que Krishnamurti se encontrava no cen\u00e1rio norte-americano. Ele n\u00e3o era o primeiro mestre da \u00cdndia a exercer, pelo contato pessoal, influ\u00eancia sobre o pensamento desse povo. Cerca de meio s\u00e9culo antes dele, Vivekananda, grande mestre indiano e disc\u00edpulo de Ramakrishna, havia visitado os Estados Unidos, impressionando o Congresso de Religi\u00f5es em Chicago, em 1893, mais que qualquer te\u00f3logo, fil\u00f3sofo ou cl\u00e9rigo, e influenciara sobremaneira o grande fil\u00f3sofo William James. A forma peculiar da verdade espiritual, como \u00e9 vista pelo Oriente, j\u00e1 n\u00e3o era estranha ao p\u00fablico norte-americano. Depois dos ensinamentos de Ramakrishna e Vivekananda, a mensagem de Krishnamurti se transplantava para o solo dos Estados Unidos num dos momentos mais cr\u00edticos e, por conseguinte, espiritualmente mais prop\u00edcios de sua civiliza\u00e7\u00e3o.<br \/><strong>II<\/strong><\/p><p>Como dispusesse de pouco tempo, resolvi ir de avi\u00e3o de Nova Iorque \u00e0 Calif\u00f3rnia. Nunca havia voado antes e, embora a velocidade de mais de duzentas milhas \u00e0 hora pouco significasse para mim, senti-me estranhamente emocionado quando, dezessete horas ap\u00f3s ter deixado a g\u00e9lida atmosfera de Nova Iorque, pousamos a tr\u00eas mil milhas para o Oeste, no aeroporto de Hollywood, Glendale, banhado por um sol brilhante e circundado de montanhas cujos topos estavam cobertos de neve.<\/p><p>N\u00e3o havia ningu\u00e9m \u00e0 minha espera e, assim, a chegada foi bastante melanc\u00f3lica. Telefonei, e fui informado de que Krishnamurti n\u00e3o estava em Ojai, e sim em Carmel, havia j\u00e1 algumas semanas. Mas assegurou-me a voz, do outro lado do fio, que eu gostaria de Carmel, localidade n\u00e3o muito distante de S. Francisco, e muito melhor que Ojai.Passado o primeiro desapontamento, senti alegria por estar a caminho de Carmel, que eu conhecera numa visita anterior feita \u00e0 Calif\u00f3rnia, e previa que o local ofereceria maiores possibilidades de quietude e concentra\u00e7\u00e3o do que Ojai, bem pr\u00f3ximo de Hollywood.<\/p><p>Deixei Hollywood numa tarde chuvosa. Desci do trem em Monterey e da esta\u00e7\u00e3o telefonei a Krishnamurti, para avis\u00e1-lo de minha chegada. Meia hora depois, parava um carro diante da esta\u00e7\u00e3o e dele descia Krishnamurti.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>III<\/strong><\/p><p>Havia v\u00e1rios anos que n\u00e3o o via. Conservava a mesma e anterior esbelteza, mas o rosto j\u00e1 n\u00e3o tinha a primitiva lisura da extrema juventude. Sete anos antes, aquilo que ele mais irradiava era beleza, e embora j\u00e1 tivesse mais idade, parecia um jovem de vinte e poucos anos. Agora, as faces estavam fundas e se distinguiam escuras olheiras. Alguns fios prateados apareciam entre a basta cabeleira preta, e as linhas do rosto tra\u00edam, talvez, alguma ansiedade ou conflito secreto \u2013 ou seria apenas a evid\u00eancia de uma mais acentuada maturidade?<\/p><p>Seguimos de autom\u00f3vel para Carmel, a v\u00e1rias milhas de dist\u00e2ncia. Parara de chover e a regi\u00e3o ia surgindo da escurid\u00e3o. O sol da montanha tornava as plan\u00edcies verdes e douradas, e os outeiros e as montanhas, arroxeados e avermelhados.<\/p><p>Como estivessem ocupados os quartos do pequeno hotel onde se encontrava Krishnamurti, levou-me ele a um maior, que ficava pr\u00f3ximo, situado entre imensos pinheiros, num outeiro, de onde se descortinava o mar. Com exce\u00e7\u00e3o das salas de jantar e de estar, o hotel se compunha de algumas pequenas cabanas, espalhadas pela mata. Era uma maneira de viver extremamente atraente. Cada um tinha sua pr\u00f3pria cabana, com um pequeno alpendre e quintal pr\u00f3prio. Pinheiros, arbustos e in\u00fameras plantas cresciam entre as v\u00e1rias cabanas situadas em n\u00edveis diferentes. O aspecto era agrad\u00e1vel e pitoresco, e pod\u00edamos trabalhar ou repousar em nossos quartos sem sermos perturbados pelos outros moradores do hotel.<\/p><p>Depois de haver passado os olhos por meus novos aposentos e expressado o meu agrado, disse Krishnamurti: \u201cN\u00e3o sei ao certo o que quer de mim, se serei capaz de satisfaz\u00ea-lo. Como deseja que fa\u00e7amos?\u201d<\/p><p>\u201cFiquemos juntos tanto quanto poss\u00edvel, se isso n\u00e3o lhe desagradar\u201d, respondi. \u201cConversaremos, e as coisas provavelmente surgir\u00e3o automaticamente. Vim aqui para explorar sua mente e fazer-lhe muitas perguntas indiscretas\u201d, acrescentei, em tom s\u00e9rio.<\/p><p>Krishnamurti prometeu vir buscar-me naquela tarde para um longo passeio, durante o qual ter\u00edamos nossa primeira palestra; \u00e0 noite, jantar\u00edamos juntos, quando eu seria apresentado \u00e0s pessoas com as quais ele vivia.<\/p><p>Ambos gost\u00e1vamos muito de andar, mas espessas nuvens se aglomeraram durante a tarde e, quando Krishnamurti chegou, chovia tanto que fomos obrigados a permanecer dentro de casa. Por entre os troncos de pinheiros que se viam pela minha janela, perceb\u00edamos o mar, coberto de espuma branca, produzida pelas ondas bravias. Sentia-me ligeiramente nervoso ao pensar em nossa primeira palestra. A falta de contato di\u00e1rio tende a tornar artificiais tais conversas.<\/p><p>Em v\u00e1rios livros e artigos, Krishnamurti fora atacado e, que eu soubesse, n\u00e3o havia respondido a nenhum desses ataques. Havia, por exemplo, a quest\u00e3o de sua atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cren\u00e7a de ser ele um segundo Cristo; e uma outra que se relacionava com suas finan\u00e7as e vida privada.<\/p><p>Certo de que nossas palestras n\u00e3o nos conduziriam a fim algum pr\u00e1tico, enquanto pairasse uma d\u00favida em minha mente quanto \u00e0 absoluta honestidade de fins de Krishnamurti, disse-lhe, sem o olhar de frente:<\/p><p>\u201cTemo que minha primeira pergunta lhe pare\u00e7a sem tato. Mas n\u00e3o fiz uma viagem t\u00e3o longa para mantermos uma palestra polida, nem para mergulharmos em abstratas discuss\u00f5es filos\u00f3ficas. Vim para descobrir a verdade. Desejo poder dizer aos meus leitores que acreditei em tudo o que me disse e, portanto, o que lhe pe\u00e7o, em primeiro lugar, \u00e9 absoluta franqueza e honestidade. De outro modo, toda a minha viagem ter\u00e1 sido v\u00e3. Talvez possa formular minha primeira pergunta citando relevante trecho da Biografia da Sra. Besant, por Theodore Besterman. Eis o que o autor diz sobre voc\u00ea: \u201cO Sr. Krishnamurti encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o em que lhe \u00e9 poss\u00edvel fazer um grande bem; a mensagem que traz ao mundo nos \u00e9 util\u00edssima; se ele for capaz de induzir um grande e influente n\u00famero de pessoas, adotarem tais pontos de vista, agindo de acordo com eles, o benef\u00edcio propiciado \u00e0 humanidade ser\u00e1 incalcul\u00e1vel. Mas, para isto, compete ao Sr. Krishnamurti compreender que, como defensor da verdade no seu mais vasto sentido, cumpre-lhe viver integralmente a verdade. Ele se tem mostrado muito franco, mas ainda precisa s\u00ea-lo mais. At\u00e9 1929 a sua vida esteve emaranhada em complexa rede de grandiosas pretens\u00f5es. O Sr. Krishnamurti tem o dever de relatar-nos a verdade sobre esses fatos, por mais doloroso que lhe seja falar em p\u00fablico acerca de seus amigos do passado\u201d.<\/p><p>Krishnamurti tomou-me a m\u00e3o, num gesto quase apaixonado, e disse: \u201cEscute. N\u00e3o precisa desculpar-se. Pode perguntar tudo o que quiser, as mais indiscretas coisas, as mais \u00edntimas. N\u00e3o h\u00e1 segredo em minha vida e todos podem conhecer quaisquer pormenores que os interessem. Firmemos nossas rela\u00e7\u00f5es nessa base, e isto nos evitar\u00e1 muitos desentendimentos desnecess\u00e1rios. Pergunte tudo. Continue\u201d.<\/p><p>Decidi come\u00e7ar por um ponto, cuja melhor apresenta\u00e7\u00e3o encontrara nesse mesmo livro de Besterman. Trata-se de um pequeno livro m\u00edstico, cuja autoria se atribuiu a Krishnamurti, como havendo sido escrito por ele quando ainda menino, mas sob a direta orienta\u00e7\u00e3o do \u201cmestre\u201d que o preparava para uma \u201cinicia\u00e7\u00e3o\u201d. Prossegui: \u201cEis o que Besterman diz sobre este assunto: \u201c\u2026 cumpre-lhe dizer-nos o que h\u00e1 de verdade sobre a autoria de livros tais como \u201cAos p\u00e9s do Mestre\u201d, publicados com o seu nome\u2026 Cabe-me afirmar, da maneira mais singela, que enquanto o Sr. Krishnamurti n\u00e3o nos falar francamente sobre os anos anteriores a 1929, as pessoas inteligentes e cultas n\u00e3o lhe prestar\u00e3o aten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p><p>Krishnamurti ficou silencioso durante um segundo, e disse: \u201cJ\u00e1 me fizeram antes esta mesma pergunta. Algumas pessoas se satisfizeram com a minha resposta, outras n\u00e3o. Para aqueles que n\u00e3o me conhe\u00e7am bem, talvez seja dif\u00edcil a princ\u00edpio acreditar no que digo. Tenho de falar um pouco a meu respeito para responder \u00e0 sua pergunta. Voc\u00ea j\u00e1 ter\u00e1 notado o quanto \u00e9 p\u00e9ssima a minha mem\u00f3ria para o que podemos chamar de realidades f\u00edsicas. Quando voc\u00ea chegou hoje de manh\u00e3, n\u00e3o consegui lembrar-me se estivemos juntos h\u00e1 dois, tr\u00eas ou dez anos. Tamb\u00e9m n\u00e3o me lembro onde e como nos encontramos. Muita gente me chama de sonhador e acusa-me, com inteira raz\u00e3o, de ser desesperadoramente vago. Na \u00cdndia, quando estive na escola, era um caso perdido. Os professores e colegas falavam comigo, eu os ouvia e entretanto n\u00e3o tinha a menor no\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria sobre a qual haviam falado. N\u00e3o me lembro se costumava pensar em determinada coisa nesses momentos, e, se o fazia, n\u00e3o sei em que era. Provavelmente, sonhava apenas, j\u00e1 que os fatos n\u00e3o causaram a menor impress\u00e3o \u00e0 minha mem\u00f3ria. Lembro-me, vagamente, de haver escrito algo quando era menino e estava sendo educado pelo Bispo Leadbeater, mas n\u00e3o sei mesmo se escrevi um livro inteiro ou apenas algumas p\u00e1ginas. Tamb\u00e9m ignoro o que fez Leadbeater com as p\u00e1ginas por mim escritas; se as corrigiu, ou n\u00e3o, se foram conservadas ou destru\u00eddas. Tamb\u00e9m n\u00e3o sei se escrevi por mim mesmo ou influenciado por algum poder estranho a mim. Quisera saber. N\u00e3o pretendo ser um escritor, mas parece-me que ningu\u00e9m poder\u00e1 jamais afirmar que um escritor \u00e9 dirigido por um poder estranho ou apenas por seu intelecto e emo\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Gostaria imenso de conhecer as sutilezas secretas do processo complicado desse ato a que chamamos escrever. Tamb\u00e9m eu gostaria de conhecer tudo o que se relaciona com a autoria da obra \u201cAos P\u00e9s do Mestre\u201d. Vejo-me ainda sentado a uma mesa, escrevendo algo que n\u00e3o brotava com facilidade alguma. Isto deve ter ocorrido h\u00e1 cerca de 25 anos.\u201d<\/p><p>\u201cQuantos anos tem hoje\u201d?<\/p><p>\u201cN\u00e3o sei ao certo. Na \u00cdndia a idade n\u00e3o importa tanto quanto no Ocidente, e n\u00e3o h\u00e1 registros de nascimento. De acordo com o meu passaporte, nasci em 1897. Mas n\u00e3o posso garantir ser essa a minha idade exata.\u201d<\/p><p>A essa altura j\u00e1 sentia a atmosfera bastante \u00edntima para formular a pergunta que me parecia mais dif\u00edcil. Eu, pessoalmente, dava pouca import\u00e2ncia a esse ponto, mas sabia que v\u00e1rias pessoas, interessadas em Krishnamurti o discutiam constantemente. \u201cMuita gente duvida de voc\u00ea\u201d, disse-lhe eu, \u201cporque nunca negou as pretens\u00f5es existentes sobre a sua pessoa. Por nunca haver dito claramente: \u201cTudo o que se diz sobre o fato de ser eu o Instrutor do Mundo \u00e9 puro disparate; nego a verdade de tal afirmativa.\u201d<\/p><p>\u201cNunca neguei nem afirmei ser Cristo ou qualquer outro\u201d, replicou Krishnamurti \u2013 \u201cTais imputa\u00e7\u00f5es s\u00e3o para mim absolutamente sem sentido.\u201d<\/p><p>\u201cMas n\u00e3o para as pessoas que vem ouvi-lo\u201d, interrompi.<\/p><p>\u201cSe eu tivesse dito sim, quereriam que eu realizasse milagres, andasse sobre as \u00e1guas ou ressuscitasse os mortos. Se houvesse dito que n\u00e3o sou o Cristo, teriam recebido isso como uma declara\u00e7\u00e3o imperativa e agido de acordo com ela. Acontece, por\u00e9m, ser eu inteiramente contr\u00e1rio a qualquer autoridade em assuntos espirituais, contra quaisquer padr\u00f5es criados por terceiros. \u00c9-me imposs\u00edvel dizer sim ou n\u00e3o. Provavelmente compreender\u00e1 isto melhor depois de haver estado comigo durante alguns dias, e ap\u00f3s termos tido v\u00e1rias palestras. Hoje s\u00f3 posso dizer que n\u00e3o considero a minha pessoa de import\u00e2ncia especial, quer seja Cristo, quer n\u00e3o o seja. O relevante \u00e9 saber se o que digo pode, ou n\u00e3o, ser de algum aux\u00edlio para os homens. Qualquer confirma\u00e7\u00e3o ou negativa de minha parte suscitaria apenas expectativas id\u00eanticas por parte dos outros. Quando visito a \u00cdndia, costumam perguntar-me: \u201cPorque usa roupas europ\u00e9ias e come diariamente? Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um verdadeiro mestre. Se o fosse, jejuaria e usaria apenas um cal\u00e7\u00e3o.\u201d Minha \u00fanica resposta a isto \u00e9 que cada um ensina aquilo que o seu dever particular lhe imp\u00f5e, cumprindo a todos dirigir sua pr\u00f3pria vida. Porque Gandhi usa apenas um cal\u00e7\u00e3o e Cristo andou sobre as \u00e1guas, n\u00e3o se segue que deva eu fazer o mesmo. As v\u00e1rias classifica\u00e7\u00f5es que atribuem \u00e0 minha personalidade s\u00e3o sem import\u00e2ncia. Mas havia ainda outra raz\u00e3o para eu n\u00e3o negar abertamente o que se acreditava sobre mim. Quero referir-me \u00e0 Dra. Besant. Tivesse eu dito n\u00e3o ser o Mestre do Mundo, teriam exclamado: \u201cA Sra. Besant \u00e9 mentirosa!\u201d Uma negativa categ\u00f3rica t\u00ea-la-ia ofendido e magoado. N\u00e3o dizendo nada, poupei-a sem prejudicar a quem quer que fosse.\u201d<\/p><p>\u201cE porque continuou fazendo confer\u00eancias, mesmo depois de haver renunciado \u00e0 sua sociedade?\u201d<\/p><p>Krishnamurti pareceu surpreso. \u201cNunca pensei sobre isto\u201d, disse ele depois de pequena pausa, \u201ccontinuei a falar por h\u00e1bito, creio eu; estava acostumado a faz\u00ea-lo desde a minha adolesc\u00eancia; tornou-se para mim uma esp\u00e9cie de obriga\u00e7\u00e3o e apenas continuei a faz\u00ea-lo. Creio que naqueles dias nunca estava inteiramente consciente de todas as minhas a\u00e7\u00f5es di\u00e1rias; anos depois \u00e9 que me tornei l\u00facido, deixando de agir como um sonhador\u201d.<\/p><p>\u201cAcredito em voc\u00ea, Krishnaji, mas julga que meus leitores o acreditar\u00e3o?\u201d<\/p><p>\u201cNada posso fazer nem por voc\u00ea nem por eles, se n\u00e3o crerem. N\u00e3o lhe estou escondendo nada; digo-lhe toda a verdade. Presumo que as pessoas dotadas de um sentimento extremamente desenvolvido dos fatos, e de boa mem\u00f3ria, devem considerar-me exasperante. Mas nada posso fazer\u201d.<\/p><p>N\u00e3o falara mais com Krishnamurti depois que dissolvera a imensa sociedade, e estava ansioso por conhecer melhor aquela momentosa decis\u00e3o sua. S\u00f3 depois disso poder\u00edamos voltar-nos para assuntos mais importantes.<\/p><p>\u201cQuando decidiu abrir m\u00e3o daquela sociedade organizada para voc\u00ea e renunciar a todas as suas posses terrenas? E qual foi o verdadeiro motivo que o induziu a isso?\u201d, perguntei. \u201cFoi em 1929 que pela primeira vez falou sobre esse ponto?\u201d<\/p><p>\u201cN\u00e3o. Um ou dois anos antes. Mas at\u00e9 1929 minhas id\u00e9ias relativas a esse assunto n\u00e3o estavam inteiramente claras. Falei sobre isso com Rajagopal (o melhor amigo de Krishnamurti e o \u00faltimo chefe executivo da Ordem da Estrela); tivemos longas discuss\u00f5es e, mais tarde, comuniquei \u00e0 Dra. Besant a minha decis\u00e3o. Ela disse apenas o seguinte: \u201cPara mim, voc\u00ea \u00e9 o Instrutor, seja qual for a sua decis\u00e3o. N\u00e3o posso compreender essa resolu\u00e7\u00e3o, mas terei de respeit\u00e1-la.\u201d Durante algum tempo mostrou-se bastante abalada, mas era uma espl\u00eandida mulher e por fim pareceu concordar com o que eu estava fazendo. Desisti de minha sociedade porque acabei compreendendo, sem a menor sombra de d\u00favida, que qualquer coisa desse g\u00eanero \u00e9 sempre um obst\u00e1culo quando desejamos encontrar a verdade. Igrejas, dogmas, rituais, nada mais s\u00e3o que trope\u00e7os no caminho que conduz ao verdadeiro\u201d.<\/p><p>\u201cMas ainda hoje continua fazendo confer\u00eancias, pois n\u00e3o?\u201d<\/p><p>\u201cSim, realmente. Mais do que nunca sinto hoje ser-me poss\u00edvel ajudar os homens. De fato, n\u00e3o lhes posso dar a felicidade nem a verdade. Ningu\u00e9m o pode fazer. Posso, no entanto, auxili\u00e1-los a discernirem sobre o caminho que leva a verdade. No ano passado fui \u00e0 Austr\u00e1lia e houve vezes em que me dirigi a dez mil pessoas. Dentro de poucos meses \u00e9 prov\u00e1vel que fa\u00e7a uma s\u00e9rie de confer\u00eancias na Am\u00e9rica do Sul\u201d.<\/p><p>Pretendia interrogar Krishnamurti sobre sua situa\u00e7\u00e3o financeira e o momento me pareceu bem apropriado. \u201cCostuma ganhar bastante quando realiza essas s\u00e9ries de confer\u00eancias?\u201d<\/p><p>\u201cNada, absolutamente\u201d, respondeu Krishnamurti; \u201ctenho apenas as despesas pagas\u201d.<\/p><p>\u201cFala-se tanto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o financeira\u201d, disse eu, que para mim seria \u00f3timo se voc\u00ea pudesse esclarecer-me a tal respeito. Alguns o acusam de haver aceitado grandes fortunas que lhe foram deixadas por certas pessoas bem ricas da Europa e da Am\u00e9rica, enfim, para resumir, dizem que voc\u00ea \u00e9 praticamente milion\u00e1rio.\u201d<\/p><p>Krishnamurti riu. \u201cSabe o que eu possuo? Uns dois ou tr\u00eas ternos de roupa, poucos livros, alguns objetos pessoais e nenhum dinheiro. Tenho alguns bons amigos que me sustentam; convidam-me, pagam minhas modestas despesas quando viajo. Veja Carmel, por exemplo. Estou hospedado no hotel como convidado de um velho amigo que tem uma casa nas vizinhan\u00e7as e que sabe o quanto adoro trabalhar aqui. Se eu tivesse dinheiro, d\u00e1-lo-ia, como j\u00e1 o fiz uma vez. Minhas necessidades s\u00e3o t\u00e3o poucas que o que recebo \u00e9 bastante. Se ningu\u00e9m me desse nada, eu trabalharia para sustentar-me\u201d.<\/p><p>\u201cEstou satisfeito por termos esclarecido esse ponto\u201d, disse eu; \u201cde agora em diante n\u00e3o precisarei mais sentir-me como um advogado de acusa\u00e7\u00e3o, e podemos passar o tempo discutindo coisas que realmente sejam de interesse.\u201d<\/p><p>\u201cEnt\u00e3o, vamos embora, vamos jantar\u201d, exclamou Krishnamurti, levantando-se. \u201cJantamos cedo, aqui n\u00e3o fazemos como voc\u00eas na Inglaterra. Geralmente deito-me pouco depois das nove, e levanto-me antes das seis da manh\u00e3.\u201d<\/p><p>J\u00e1 era noite l\u00e1 fora, e de autom\u00f3vel seguimos vagarosamente para o hotel de Krishnamurti. A estrada nos levava por sobre escarpados penhascos e atrav\u00e9s de pinheirais, enquanto l\u00e1 do fundo subia o troar das ondas batendo contra os rochedos. O caminho era estreito e \u00edngreme e existiam muitas curvas perigosas. De um dos lados parecia haver um profundo precip\u00edcio. \u201cN\u00e3o tenho dirigido muito estes dias\u201d, disse Krishnamurti com a m\u00e3o colocada displicentemente na dire\u00e7\u00e3o, e acrescentou com uma risada: \u201cEspero tenha feito um seguro de vida antes de deixar a Inglaterra.\u201d<\/p><p>O tempo estava maravilhoso na manh\u00e3 seguinte, e fui buscar Krishnamurti para um passeio. Ainda n\u00e3o hav\u00edamos andado muito quando chegamos a uma clareira entre os pinheiros, l\u00e1 em cima dos outeiros com uma vista imensa de toda a pitoresca beira-mar. Achamos mais f\u00e1cil conversar sentados. Krishnamurti sentou-se \u00e0 oriental, com as pernas cruzadas sobre o ch\u00e3o coberto de urzes. Eu j\u00e1 havia organizado um plano para conversarmos diariamente sobre certos e definidos assuntos e esperava que isto evitasse nos perd\u00eassemos, introduzindo ao mesmo tempo certa ordem em nossas palestras.<\/p><p>\u201cQual \u00e9 sua mensagem hoje?\u201d comecei.<\/p><p>A resposta de Krishnamurti veio em tom muito definido: \u2013 \u201cN\u00e3o tenho mensagem alguma. Se tivesse, muitas pessoas a aceitariam cegamente e procurariam viver de acordo com ela, simplesmente por causa da autoridade que insistem em conferir-me.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cMas que diz a quem lhe vem pedir aux\u00edlio?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cMuitas pessoas perguntam-me se experi\u00eancias anteriores lhes podem servir de aprendizado\u201d.<\/p><p>\u2013 \u201cE qual \u00e9 sua resposta?\u201d \u201cQue n\u00e3o podem.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cN\u00e3o!?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cDecerto que n\u00e3o. N\u00e3o se aprende a verdade espiritual atrav\u00e9s de experi\u00eancias passadas. N\u00e3o compreende isso? Imaginemos que voc\u00ea tenha tido um profundo sofrimento e haja aprendido como lutar contra ele. Essa experi\u00eancia o induzir\u00e1 a aplicar o mesmo m\u00e9todo para dominar a dor no seu pr\u00f3ximo sofrimento.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cE isso n\u00e3o me parece nada errado.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cMas est\u00e1 errado. Em vez de fazer algo diferente, voc\u00ea estar\u00e1 apenas aplicando um m\u00e9todo morto \u00e0 vida. Sua experi\u00eancia anterior ter-se-\u00e1 transformado numa prescri\u00e7\u00e3o, num rem\u00e9dio. Mas a vida \u00e9 por demais complicada, sutil, para isso. Ela nunca se repete; n\u00e3o h\u00e1 dois sofrimentos id\u00eanticos. Devemos tratar cada novo sofrimento ou alegria da maneira espec\u00edfica que cada experi\u00eancia, que \u00e9 \u00fanica, requer.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cE como pode isso ser feito?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cEliminando da mem\u00f3ria as experi\u00eancias anteriores; destruindo toda lembran\u00e7a de nossas a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cQue resta depois de as havermos destru\u00eddo todas?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cUma prepara\u00e7\u00e3o interna que nos aproxima da verdade. N\u00e3o devemos agir consoante antigos h\u00e1bitos, mas sim da maneira que a vida exige \u2013 espontaneamente, ao impulso do momento.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cIsto se aplica a tudo na vida?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cA tudo. \u00c9 necess\u00e1rio que tentemos eliminar de nossa vida todos os velhos h\u00e1bitos e modos de agir, porque n\u00e3o h\u00e1 dois momentos, na vida de quem quer que seja, perfeitamente semelhantes.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cMas tudo isso \u00e9 apenas negativo, e nada encontro de positivo na sua teoria.\u201d<\/p><p>Krishnamurti sorriu e acercou-se mais de mim: \u201cN\u00e3o precisa procurar o que \u00e9 positivo; n\u00e3o force. Ele est\u00e1 sempre a\u00ed, embora escondido sob uma enorme pilha de velhas experi\u00eancias. Examinemo-las todas e a verdade \u2013 ou o que voc\u00ea chama de positivo a\u00ed estar\u00e1. Vem automaticamente. Nada o pode impedir.\u201d<\/p><p>Meditei acerca de suas palavras durante algum tempo e depois disse: \u201cVoc\u00ea acaba de empregar a palavra \u201cverdade\u201d. Que \u00e9 a verdade, segundo seu ponto de vista?\u201d.<\/p><p>\u2013 \u201cD\u00ea a isto o nome de verdade, liberta\u00e7\u00e3o, ou mesmo de Deus. \u00c9 tudo a mesma coisa. Para mim a verdade \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o da mente de toda a bagagem das lembran\u00e7as\u201d. Esta defini\u00e7\u00e3o era nova para mim, mas antes que eu dissesse algo, continuou Krishnamurti: \u201cA verdade \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o constante da vida dentro e fora de n\u00f3s. Est\u00e1 compreendendo?\u201d Sua voz se tornara quase insistente.<\/p><p>\u2013 \u201cEstou, mas por favor explique o que quer dizer por \u201cpercep\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p><p>Krishnamurti aproximou-se ainda mais de mim, e sua voz se tornou realmente mais persuasiva. \u201cO que importa \u00e9 vivermos integralmente cada momento de nossa vida. Esta \u00e9 a \u00fanica e verdadeira liberta\u00e7\u00e3o. A verdade n\u00e3o \u00e9 nada abstrato, nem \u00e9 filosofia, nem ocultismo, nem misticismo. \u00c9 a vida de todos os dias, \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o do significado e da sabedoria da vida em derredor. A \u00fanica vida com a qual devemos preocupar-nos \u00e9 a atual e cada um de seus instantes. Mas, para compreend\u00ea-la, torna-se mister libertar nossa mente de todas as lembran\u00e7as e deixar que ela aprecie espontaneamente o momento presente.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cCreio que por aprecia\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea voc\u00ea quer dizer uma aprecia\u00e7\u00e3o ditada exclusivamente pelas circunst\u00e2ncias daquele momento exato, pois n\u00e3o?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cIsso mesmo \u2013 n\u00e3o pode haver outra espontaneidade da vida; e isto \u00e9 o que eu chamo a verdadeira percep\u00e7\u00e3o. Compreende?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cCompreendo, mas duvido que tal percep\u00e7\u00e3o possa realmente ser expressa por palavras\u2026 Creio que ela s\u00f3 poder\u00e1 ser compreendida se realmente a experimentarmos em n\u00f3s mesmos. Nenhuma descri\u00e7\u00e3o pode explic\u00e1-la satisfatoriamente.\u201d<\/p><p>Krishnamurti n\u00e3o respondeu imediatamente. Estava deitado no ch\u00e3o, olhando para o c\u00e9u.<br \/>\u2013 \u201cVoc\u00ea tem raz\u00e3o\u201d, disse ele vagarosamente; \u201cmas que se pode fazer?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cRealmente, Krishnaji, que se pode fazer? Fiquei pensando ontem no que quereria voc\u00ea realmente dizer quando falava em ajudar os seus semelhantes, falando-lhes. Ser\u00e1 poss\u00edvel a algu\u00e9m, que n\u00e3o tenha alcan\u00e7ado esse estado de percep\u00e7\u00e3o de que voc\u00ea fala compreender o que isso significa? Aqueles que j\u00e1 chegaram a esse estado n\u00e3o necessitam ouvir falar nele.\u201d<\/p><p>Krishnamurti silenciou novamente e percebi que ele estava impressionado pelo tom que nossa conversa tomara. Disse depois de algum tempo: \u201cE, no entanto, esta \u00e9 a \u00fanica maneira pela qual podemos ajudar os outros. Sou de opini\u00e3o que esclarecemos as mentes das pessoas quando discutimos essas coisas com elas. Mais tarde elas perceber\u00e3o a verdade por si mesmas. N\u00e3o concorda?\u201d<\/p><p>Eu sabia que Krishnamurti n\u00e3o gostava de perguntas que parecessem nascidas de simples curiosidade ou que resultassem de especula\u00e7\u00e3o abstrata; n\u00e3o obstante, perguntei-lhe: \u201cN\u00e3o acha que os limites de tempo e espa\u00e7o deixar\u00e3o de existir desde que estabele\u00e7amos dentro de n\u00f3s um estado de constante percep\u00e7\u00e3o da vida?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cSem d\u00favida. O passado \u00e9 apenas o resultado de lembran\u00e7as. \u00c9 algo morto. Desde que j\u00e1 n\u00e3o carreguemos conosco esse peso, deixa de haver limites de tempo em rela\u00e7\u00e3o ao passado. E o mesmo se aplica, de maneira ligeiramente diferente, ao futuro. Mas toda esta discuss\u00e3o sobre ver o futuro ou o passado prov\u00e9m apenas de curiosidade puramente intelectual. Em todas as minhas palestras h\u00e1 sempre umas dez pessoas que me interrogam sobre suas reencarna\u00e7\u00f5es futuras e passadas. Como se importasse o que elas foram ou vir\u00e3o a ser. Somente o presente \u00e9 real. Quer nossa vista possa penetrar o futuro, quer atravessar os continentes, isto nada exprime no tocante \u00e0 espiritualidade.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cN\u00e3o acredita que uma percep\u00e7\u00e3o consciente atrav\u00e9s do tempo e do espa\u00e7o possa ser de grande valor? N\u00e3o acha que os resultados obtidos pela percep\u00e7\u00e3o oculta de Rodolf Steiner sejam de real import\u00e2ncia para a humanidade?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cNunca estudei a obra de Steiner, e desejaria que me falasse mais sobre ela. Tudo o que sei sobre Steiner se resume em alguns coment\u00e1rios ocasionais da Dra. Besant. Creio que ela tinha grande admira\u00e7\u00e3o pelos dons extraordin\u00e1rios de Steiner, e sentia que suas rela\u00e7\u00f5es tivessem de ter sido interrompidas, mas eu nunca estudei os seus trabalhos convenientemente. Quanto \u00e0s percep\u00e7\u00f5es ocultas, n\u00e3o as considero propriamente espirituais: s\u00e3o apenas um determinado m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o. E \u00e9 tudo. Podem ser espirituais em certos momentos, mas n\u00e3o o s\u00e3o sempre, nem necessariamente.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cNunca leu nenhum dos livros de Steiner?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cN\u00e3o, nem li jamais qualquer dos outros fil\u00f3sofos\u2026\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cSteiner n\u00e3o era um fil\u00f3sofo\u201d, interrompi.<\/p><p>\u2013 \u201cEu sei. Quis apenas dizer escritores de assuntos filos\u00f3ficos ou semelhantes. N\u00e3o consigo l\u00ea-los. Sinto muito, mas me \u00e9 imposs\u00edvel. Viver e reagir \u00e0 vida \u00e9 tudo o que me interessa. Toda teoria me \u00e9 insuport\u00e1vel\u201d.<\/p><p>Embora j\u00e1 fosse quase meio dia e come\u00e7asse a fazer muito calor, Krishnamurti sugeriu um passeio at\u00e9 \u00e0 praia. \u201cEst\u00e1 escrevendo alguma coisa atualmente?\u201d, perguntei quando cheg\u00e1vamos \u00e0 estrada que levava ao mar.<\/p><p>\u2013 \u201cSim, estou preparando um livro. N\u00e3o se trata de mat\u00e9ria seguida, \u00e9 apenas um livro de pensamentos.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cQue me diz sobre sua poesia?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cSinto a poesia, mas de certo modo n\u00e3o posso escrev\u00ea-la atualmente.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cQue livros costuma ler? Lembro-me que em certa ocasi\u00e3o voc\u00ea lia muito e gostava de escolher seus amigos principalmente entre artistas e escritores.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cQue livros lemos geralmente?\u201d, respondeu Krishnamurti, ligeiramente embara\u00e7ado.<\/p><p>As perguntas sobre seus h\u00e1bitos pessoais pareciam sempre embara\u00e7\u00e1-lo. Notei isto v\u00e1rias vezes durante minha estada em Carmel. Embora ele extra\u00edsse todo o seu ensinamento de experi\u00eancias pessoais e preferisse falar de maneira tamb\u00e9m pessoal, pareceu-me que se retra\u00eda todas as vezes que eu lhe fazia perguntas n\u00e3o relacionadas diretamente com sua miss\u00e3o na vida ou relativas a seus gostos ou h\u00e1bitos individuais. As discuss\u00f5es para a simples satisfa\u00e7\u00e3o de curiosidade intelectual pareciam desagradar-lhe. Isto n\u00e3o resultava, creio eu, do que costumamos chamar de mod\u00e9stia natural. Parecia antes desejar ele conservar-se permanentemente num plano de percep\u00e7\u00e3o interior, n\u00e3o se sentindo vontade sempre que se via obrigado a transportar-se rapidamente para um plano de discuss\u00e3o intelectual. Apreciava, por\u00e9m, a versa habitual sobre pol\u00edtica, m\u00fasica, teatro ou viagens. Era s\u00f3 quando o mundo exterior era colocado em rela\u00e7\u00e3o intelectual direta com sua personalidade que se furtava a tal interroga\u00e7\u00e3o.<\/p><p>\u2013 \u201cN\u00e3o sou especialista em nada\u201d, disse Krishnamurti, respondendo \u00e0 minha primitiva pergunta. \u201cLeio tudo o que me parece interessante \u2013 Huxley, Lawrence, Joyce, Andr\u00e9 Gide\u2026\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cFoi realmente sincero quando me disse que nunca l\u00ea filosofia?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cMas, inteiramente! Para que leria eu filosofia?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cTalvez para aprender alguma coisa.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cJulga voc\u00ea sinceramente que se aprenda algo nos livros? Podemos acumular conhecimento, aprender fatos e t\u00e9cnicas, nunca a verdade, a felicidade, ou qualquer das coisas que interessam. Voc\u00ea pode ler para seu prazer, por mil outros motivos, mas n\u00e3o para aprender coisas essenciais. S\u00f3 podemos aprender vivendo e tendo consci\u00eancia da vida que \u00e9 inteiramente nossa, n\u00e3o da vida de outrem\u201d.<\/p><p>\u2013 \u201cQuerer\u00e1 isto dizer que, em sua opini\u00e3o, nada pode ser aprendido nos livros, ou por meio das experi\u00eancias alheias?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cVou refrear-me e n\u00e3o direi definitivamente sim, embora me sinta bastante inclinado a diz\u00ea-lo. O conhecimento dos outros apenas cria barreiras dentro de n\u00f3s mesmos, barreiras que ficam no caminho de uma rea\u00e7\u00e3o impulsiva \u00e0 vida. Na verdade \u00e9 mais f\u00e1cil viver aprendendo por meio de experi\u00eancias alheias, estudando Arist\u00f3teles, Kant, B\u00e9rgson ou Freud; mas isto n\u00e3o \u00e9 viver nossa pr\u00f3pria vida, enfrentar a realidade. \u00c9 apenas fugir \u00e0 realidade escondendo-nos atr\u00e1s de um anteparo criado por outros\u201d.<\/p><p>\u2013 \u201cAcha que isso tamb\u00e9m se aplica \u00e0 religi\u00e3o?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cSim. As religi\u00f5es oferecem aos homens autoridades em lugar da verdade; d\u00e3o-lhes muletas em vez de lhes fortalecerem as pernas; suprem-nos de rem\u00e9dios em lugar de os incitarem a seguir seu pr\u00f3prio caminho, \u00e0 procura da verdade por si mesmos. Acho que nenhuma das igrejas de hoje tenha muito que ver com a verdade.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cEntre as milhares de pessoas que v\u00eam ouvi-lo, h\u00e1 muitas que o interrogam acerca de assuntos religiosos?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cA maioria. H\u00e1 tr\u00eas perguntas que se repetem constantemente, e n\u00e3o h\u00e1 confer\u00eancia completa sem elas, quer eu fale na \u00cdndia, quer na Austr\u00e1lia, na Europa ou na Calif\u00f3rnia. Deduzo de sua popularidade ligarem-se elas aos tr\u00eas problemas espirituais mais urgentes do homem moderno. S\u00e3o quest\u00f5es relativas ao valor da experi\u00eancia, da ora\u00e7\u00e3o e da religi\u00e3o em geral.\u201d<\/p><p>Krishnamurti j\u00e1 me havia dado sua opini\u00e3o sobre a experi\u00eancia, e a religi\u00e3o. Perguntei-lhe, ent\u00e3o: \u201cQual \u00e9 sua atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cNa minha opini\u00e3o, a ora\u00e7\u00e3o em que pedimos coisas a Deus \u00e9 inteiramente errada.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cMesmo se pedirmos a Deus aux\u00edlio para alcan\u00e7armos a percep\u00e7\u00e3o sobre a qual voc\u00ea esteve falando?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cMesmo nesse caso. Como pode ser espiritual \u2013 e sup\u00f5e-se, presumo, ser a ora\u00e7\u00e3o coisa espiritual \u2013 algo que pede uma recompensa? Isto n\u00e3o \u00e9 espiritualidade, mas economia, ou seja qual for o nome que lhe queira dar. Dentro da verdade espiritual, as coisas s\u00e3o o que s\u00e3o; n\u00e3o pode haver pedidos, promessas ou recompensas. As coisas acontecem na vida simplesmente porque t\u00eam de acontecer. Uma recompensa tem de ser alguma coisa fixa, estacion\u00e1ria, se compreende o que quero dizer. A vida espiritual, a verdadeira vida deve estar em cont\u00ednuo movimento, flutuando, viva.<\/p><p>\u2013 \u201cMas n\u00e3o poder\u00e1 a ora\u00e7\u00e3o ser apenas uma ponte sobre a qual nos movemos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o interior?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cPode, mas n\u00e3o \u00e9 isto o que os homens geralmente compreendem por ora\u00e7\u00e3o. O que voc\u00ea quer dizer agora \u00e9 simplesmente um estado de vida real, de expectativa interior. Isto nos identifica com a verdade. Percebe a diferen\u00e7a?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cPercebo; sendo assim, presumo que voc\u00ea nega todas as formas \u201ccristalizadas\u201d inventadas pelo homem para atingirmos a verdade, tais como a medita\u00e7\u00e3o, a ioga ou outros m\u00e9todos de exerc\u00edcio mental.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cPerfeitamente. Como podemos esperar conseguir alguma coisa, que se encontra constantemente flutuando, por meio de um m\u00e9todo, que, segundo suas pr\u00f3prias palavras, est\u00e1 cristalizado \u2013 ou, segundo as minhas, est\u00e1 morto? Muitas pessoas me interrogam sobre o valor da medita\u00e7\u00e3o. Respondo-lhes que n\u00e3o vejo motivo para meditarem sobre um determinado assunto em vez de o fazerem no curso de toda a vida; isso por me parecer que a concentra\u00e7\u00e3o deliberada sobre uma id\u00e9ia determinada, eliminando todas as outras, cria conflito interior\u2026 Acho mais s\u00e1bio meditar sobre qualquer assunto que penetre em nossa mente: quer seja o que faremos nesta tarde, quer sobre a roupa que usaremos. Tais pensamentos s\u00e3o t\u00e3o importantes \u2013 se atendidos com toda a nossa percep\u00e7\u00e3o interior quanto qualquer filosofia. O assunto sobre o qual pensamos importa menos que a qualidade de nosso pensar. Tente completar um pensamento em vez de bani-lo, e sua mente se tornar\u00e1 um \u00f3timo instrumento criativo, deixando de ser um campo de batalha de pensamentos contradit\u00f3rios. Sua medita\u00e7\u00e3o se desenvolver\u00e1, ent\u00e3o, num estado de constante vigil\u00e2ncia mental. \u00c9 isso o que entendo por medita\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p><p>Lembrei-me da resposta de Keyserling \u00e0 minha pergunta acerca de medita\u00e7\u00e3o e impressionou-me a similaridade dos pontos de vista defendidos por esses dois homens t\u00e3o diferentes. \u201cKeyserling\u201d, falei, \u201ch\u00e1 bem pouco tempo me disse algo bem parecido com isto. Afirmou-me que para ele a medita\u00e7\u00e3o nada mais era que enfrentar a realidade.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cConcordo com ele nesse ponto. S\u00f3 encontramos a verdade pela constante percep\u00e7\u00e3o da vida. N\u00e3o devemos tentar viver seguindo os padr\u00f5es alheios, porque for\u00e7osamente os padr\u00f5es de dois homens diferentes nunca ser\u00e3o realmente id\u00eanticos.\u201d<\/p><p>\u2013 \u201cSignifica isto que voc\u00ea cr\u00ea na absoluta igualdade dos homens?\u201d<\/p><p>\u2013 \u201c\u00c9 certo que acredito, mas n\u00e3o da maneira como os comunistas o compreendem. Porque prego a igualdade das ra\u00e7as, das religi\u00f5es e das castas, os comunistas julgam pregar eu o Comunismo. Freq\u00fcentemente v\u00eam comunistas norte-americanos visitar-me em Ojai e dizem: \u201cCremos em voc\u00ea, porque prega as coisas que fazemos. Porque n\u00e3o entra para o nosso partido?\u201d<\/p><p>Eles n\u00e3o compreendem que n\u00e3o s\u00f3 eu nunca entraria para o seu partido, ou para outro qualquer, como n\u00e3o concordaria com seus m\u00e9todos. S\u00f3 se realiza a igualdade entre os homens por um conhecimento maior, uma compreens\u00e3o mais profunda, melhor educa\u00e7\u00e3o, e fazendo com que os homens aprendam o significado da vida. Como conseguir isso, se os seus pr\u00f3prios l\u00edderes n\u00e3o o sabem, se eles mesmos agem como aut\u00f4matos, pregando seus evangelhos particulares, que n\u00e3o emanam de uma percep\u00e7\u00e3o interior da vida e de suas necessidades \u2013 o que significa segundo a pr\u00f3pria verdade, mas apenas repetindo constantemente certas f\u00f3rmulas inventadas por outros? Nunca alcan\u00e7aremos a igualdade tomando os bens aos homens. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 tirar-lhes o instinto de posse. Isto n\u00e3o se aplica apenas \u00e0 terra e ao dinheiro, \u00e0 f\u00e1brica ou \u00e0 capa de peles, mas tamb\u00e9m a um livro, a uma flor, \u00e0 amante ou ao filho. N\u00e3o quero dizer que n\u00e3o devamos possuir ou curtir qualquer uma dessas coisas. Sem d\u00favida, o devemos! Mas gozemo-las apenas pela alegria que transmitem, e n\u00e3o pela sensa\u00e7\u00e3o de prazer que a sua posse nos d\u00e1. Para que algo possa ser feito, \u00e9 indispens\u00e1vel seja modificada esta atitude fundamental. Nada se modificar\u00e1 se apenas tirarmos as coisas ao rico e as dermos ao pobre, desenvolvendo assim seu sentimento de cobi\u00e7a e posse.\u201d<\/p><p>Tradu\u00e7\u00e3o: Marina Brand\u00e3o Machado<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rom Landau Do livro de Rom Landau \u201cGod is my Adventure\u201d Voltara eu \u00e0 Alemanha, pa\u00eds onde se iniciara minha busca; vira novamente Keyserling e me inteirara das transforma\u00e7\u00f5es por que haviam passado as grandiosas vis\u00f5es de Steiner de um mundo mais real. Mas, de todos os mestres com quem estivera em contato, aquele cuja [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2381","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2381","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2381"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2381\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2388,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2381\/revisions\/2388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}