{"id":2340,"date":"2022-12-18T21:12:56","date_gmt":"2022-12-18T21:12:56","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2340"},"modified":"2022-12-18T21:13:22","modified_gmt":"2022-12-18T21:13:22","slug":"michael-mendizza","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2340","title":{"rendered":"Michael Mendizza"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2340\" class=\"elementor elementor-2340\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-5fb01bce elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"5fb01bce\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-727e1903\" data-id=\"727e1903\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-236140ab elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"236140ab\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Michael Mendizza<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">CINEASTA, LOS ANGELES, CALIF\u00d3RNIA<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Vim primeiro como um aspirante. Um conjunto de fitas chegou, sem ser solicitado, e eu escutei todas as noites por mais de um ano. Elas eram envolventes. Eram novas, importantes e me confundiam. Ent\u00e3o encontrei um livro que me levou a Ojai. Ele ainda estava vivo e falaria em breve sob os carvalhos.<\/p><p>Era primavera e as montanhas reluziam. Velhos senhores com bengalas, senhoras com chap\u00e9us de sol sentadas em cadeiras bem assinaladas, professores de meia idade e jovens hippies amontoados, escutando, batalhando. Deve ter sido em 1975 ou 1976. Eu estava sozinho, ansioso, e me sentei t\u00e3o perto quanto pude.<\/p><p>Vim novamente no ano seguinte e ele estava l\u00e1, sentado naquela cadeira especial, abaixo das \u00e1rvores, intenso, apaixonado, quase desesperado. No ano seguinte, enquanto eu caminhava bosque adentro, tr\u00eas c\u00e2meras de v\u00eddeo apareciam acima do p\u00fablico. Quando a palestra come\u00e7ou, uma vastid\u00e3o misteriosa veio e, quando ela havia passado, abordei a mulher que havia feito os an\u00fancios. Ofereci meus servi\u00e7os como um jovem cineasta. Isso aconteceu seis meses antes de nos encontrarmos para discutir a import\u00e2ncia de documentar os \u00faltimos anos da vida de Krishnamurti. Foi assim que tudo come\u00e7ou.<\/p><p>Na primavera seguinte, eu fui convidado para um almo\u00e7o. Essa viria a ser minha primeira reuni\u00e3o de verdade, o mais perto que j\u00e1 havia estado. Nos sentamos todos ao redor de uma grande mesa. Relaxado, leve e muito humano ele ouviu, contou hist\u00f3rias e nos fez rir, nada parecido com o palestrante que eu havia visto no bosque. Embora eu tenha aprendido a am\u00e1-lo profundamente, nunca me senti familiar. Eu o chamava de Senhor, o que me pareceu pr\u00f3ximo o suficiente.<\/p><p>Poucas semanas depois, com a c\u00e2mera em m\u00e3os, eu estava em um avi\u00e3o a caminho da Col\u00fambia Brit\u00e2nica. Ele estava visitando uma escola. Pouco depois encontrei-me na Su\u00ed\u00e7a filmando as palestras abertas. Ent\u00e3o estava nos Pa\u00edses Baixos visitando pessoas e lugares que fizeram parte de sua juventude. A Inglaterra foi a pr\u00f3xima, e em seguida a \u00cdndia. Descobri na \u00cdndia que a maioria das pessoas era como aquelas que eu conhecera nos Estados Unidos e na Europa, cada um entendendo um pouco.<\/p><p>Eu ainda era um aspirante, seguindo o sol conforme ele afastava a escurid\u00e3o. Tinha milhares de perguntas e todas pareciam importantes, mas nenhuma, eu achava, era profunda o suficiente ou verdadeira o suficiente para perturb\u00e1-lo. Ainda assim eu queria entender, n\u00e3o apenas um pouco, mas a verdade disso. Quando estava na \u00cdndia, escrevi em meu di\u00e1rio: \u201cPara entender desse jeito, cada pensamento deve ser grande o suficiente para compreender todo o universo.\u201d Ent\u00e3o larguei minha caneta e, conforme o sol se punha atr\u00e1s das antigas colinas do Vale de Rishi, uma s\u00fabita clareza surgiu e eu tive um vislumbre do que eu acredito que ele deve ter entendido por \u201cliberdade do conhecido.\u201d Com isso, minha busca chegou ao fim.<\/p><p>Por cinco anos a mulher, a que compartilhava minha paix\u00e3o e acreditava em mim, trabalhou nesse filme. Quando ficou pronto, Krishnamurti sentou-se perto da tela e assistiu como uma crian\u00e7a, enquanto vislumbres de sua vida brilhavam. Era importante que ele aprovasse, e ele o fez. Nenhum de n\u00f3s sabia na \u00e9poca que os pr\u00f3ximos dois anos seriam seus \u00faltimos.<\/p><p>Poucas semanas antes da morte de Krishnamurti um segundo filme foi iniciado. Pessoas de todo o mundo haviam vindo se despedir. Alguns estavam dispostos a se sentar diante de minha c\u00e2mera e descreveram os momentos que haviam compartilhado com aquele homem que se encontrava falecido. Viajamos novamente a Inglaterra e a \u00cdndia entrevistando aqueles que haviam sido tocados por sua vida e sua luz. Eu pesquisei atrav\u00e9s de seus arquivos e escritos pessoais na busca por alguma ess\u00eancia. O que foi isso tudo? Anos se passaram. O trabalho se tornou uma medita\u00e7\u00e3o, um mantra. O processo deu nova forma \u00e0 minha vida e ao que eu faria com ela.<\/p><p>Um ano ap\u00f3s sua morte, eu estava caminhando pelo terreno de Brockwood e aquela presen\u00e7a especial \u2014 a presen\u00e7a de Krishnamurti \u2014 me cercou. Ent\u00e3o um outro sentimento surgiu. Muitos meses antes meu filho, na \u00e9poca com apenas sete ou oito meses de idade, estava dormindo. Minha esposa estava fora e ele acordou, com medo de ficar sozinho. Eu fui a ele, o peguei e ele olhou para mim. Totalmente seguro, ele adormeceu novamente. Aquele sentimento familiar irradiava dentro da crian\u00e7a enquanto estava relaxada em meus bra\u00e7os. Passou por mim e preencheu o quarto. Era vasto. Era carinho al\u00e9m do que podemos descrever, pairando.<\/p><p>Enquanto caminhava pelo interior da Inglaterra, compreendi algo sobre o homem e sua vida. Sem dar nome, ele estava l\u00e1 no carinho infinito, irradiando de uma crian\u00e7a inocente. Os ensinamentos s\u00e3o apenas sinais de tr\u00e2nsito apontando para algo vivo, vital e expansivo. Quando ele pronunciava as palavras, ele costumava repousar sobre esse mar de carinho sem limites. Isso me cercou como as \u00e1rvores e as montanhas que ele tanto amou. Foi imediato e se espalhou em todas as dire\u00e7\u00f5es, aproximando-se antes que ca\u00edsse no horizonte.<\/p><p>Ele disse uma vez, e sinto que \u00e9 verdade\u2026 quando estivermos totalmente sozinhos, e essa quietude surgir como uma luz para n\u00f3s mesmos, l\u00e1 encontraremos Krishnamurti.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michael Mendizza CINEASTA, LOS ANGELES, CALIF\u00d3RNIA \u00a0 Vim primeiro como um aspirante. Um conjunto de fitas chegou, sem ser solicitado, e eu escutei todas as noites por mais de um ano. Elas eram envolventes. Eram novas, importantes e me confundiam. Ent\u00e3o encontrei um livro que me levou a Ojai. 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