{"id":2253,"date":"2022-12-18T20:58:42","date_gmt":"2022-12-18T20:58:42","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2253"},"modified":"2022-12-18T20:59:06","modified_gmt":"2022-12-18T20:59:06","slug":"jean-michel-maroger","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2253","title":{"rendered":"Jean Michel Maroger"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2253\" class=\"elementor elementor-2253\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-a776ca6 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"a776ca6\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-352a0315\" data-id=\"352a0315\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2aa6a291 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2aa6a291\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Jean Michel Maroger<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">CONSULTOR DE TRANSPORTE, PONTLEVOY, FRAN\u00c7A<\/p><p>Eu n\u00e3o possuo uma inclina\u00e7\u00e3o natural para a espiritualidade. Pelo contr\u00e1rio, eu fui de certa forma arrastado para essa \u00e1rea atrav\u00e9s da influ\u00eancia de meus pais, sendo que meus pais adquiriram interesse por tais quest\u00f5es no in\u00edcio de minha adolesc\u00eancia.<\/p><p>Ap\u00f3s um per\u00edodo de gra\u00e7a que durou aproximadamente vinte e cinco anos, uma longa e incur\u00e1vel doen\u00e7a tomou meu pai em 1965. A ci\u00eancia m\u00e9dica h\u00e1 muito havia desistido de cur\u00e1-lo, e esse per\u00edodo de gra\u00e7a ocorreu gra\u00e7as \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s sua morte, minha m\u00e3e expandiu seus questionamentos e enfim encontrou Krishnamurti, mas recordo de ter considerado seu entusiasmo com ele de forma bem tranquila.<\/p><p>Foi meu primeiro contato com o professor, em 1975, que despertou meu interesse.<\/p><p>Minha m\u00e3e havia convidado a fam\u00edlia para assistir as palestras de Krishnamurti em Saanen. A primeira vez que o vi l\u00e1, tomei um choque. Algo m\u00e1gico, quase irracional, me acertou. Foi algo mais profundo do que as palavras que eu estava ouvindo, que a princ\u00edpio n\u00e3o me comoveram particularmente, embora inconscientemente eu sentisse que o que ele estava dizendo era essencial.<\/p><p>Recordo-me de ter deixado a tenda ao mesmo tempo que ele, corrido at\u00e9 ele e de ter tomado suas m\u00e3os em gratid\u00e3o.<\/p><p>Assistimos a todas as palestras, e ao retornar a Paris (onde minha fam\u00edlia vivia na \u00e9poca), compareci a uma reuni\u00e3o com alguns dos amigos de minha m\u00e3e que tamb\u00e9m haviam estado em Saanen, e me surpreendi com a forma deturpada com que eles se referiam ao que haviam ouvido.\u00a0 Foi isso que me induziu a dublar as fitas com grava\u00e7\u00f5es das palestras que eu havia trazido de Saanen, na esperan\u00e7a de que assim eu os convencesse de que estavam errados e ent\u00e3o os ajudasse a compreender o que K havia realmente dito.<\/p><p>No ano seguinte, minha m\u00e3e sugeriu que fossemos \u00e0s palestras em Brockwood. Eu levei comigo as fitas com minhas dublagens e as mostrei para a primeira pessoa da equipe que conheci l\u00e1, que foi Mary Zimbalist. Seu conhecimento de Franc\u00eas fez com que ela percebesse a import\u00e2ncia que tal trabalho poderia ter na dissemina\u00e7\u00e3o dos ensinamentos de Krishnamurti, e foi assim que minha rela\u00e7\u00e3o com Brockwood come\u00e7ou.<\/p><p>Meu primeiro encontro com K n\u00e3o foi t\u00e3o f\u00e1cil. Apesar de eu j\u00e1 estar na casa dos meus quarenta anos, recordo de ter me sentido extremamente t\u00edmido, a ponto de quase ficar paralisado, e por algum tempo n\u00e3o consegui manter um di\u00e1logo com ele.\u00a0 K provavelmente percebeu isso, e uma vez que ele estava em seu melhor quando desafiado, levei muitos meses antes de conseguir me engajar em um di\u00e1logo profundo com ele. Recordo de um evento espec\u00edfico em que, ao caminhar pela tenda ap\u00f3s o fim de uma de suas palestras em Brockwood, deparei-me com Krishnamurti, de p\u00e9 em um canto, aparentemente aguardando por algu\u00e9m. Pensei, \u00e9 a chance de minha vida de falar com ele! Mas quando me aproximei dele, n\u00e3o consegui proferir nem uma palavra, e relutantemente me afastei (descobri muito depois que Dorothy Simmons havia pedido que ele voltasse \u00e0 tenda ap\u00f3s a palestra para \u201cser o anfitri\u00e3o\u201d de alguma forma, como ela disse, o que ele aceitou. Por\u00e9m, ele parecia estar t\u00e3o miser\u00e1vel em tal papel que ningu\u00e9m aparentemente ousou incomod\u00e1-lo).<\/p><p>No entanto, o autoconhecimento estava tomando seu lugar, e quando eu por fim percebi que a imagem que eu tinha de Krishnamurti que era oposta \u00e0 imagem que eu inconscientemente queria que ele tivesse de mim que causava a timidez, a coisa toda foi suprimida. Essa foi minha primeira percep\u00e7\u00e3o do poder de compreender a si mesmo profundamente.<\/p><p>Conforme meu envolvimento com o trabalho cresceu, passei a visitar Brockwood cada vez mais, mais ainda quando minha segunda filha se tornou aluna da escola. Em 1979, ao ouvir que Krishnamurti queria passar f\u00e9rias na Fran\u00e7a, ousei convid\u00e1-lo, junto \u00e0 Mary Zimbalist, \u00e0 nossa casa de campo no Vale do Loire, para onde hav\u00edamos mudado permanentemente. Ambos aceitaram, e essa foi uma experi\u00eancia emocionante, planejada com grande sigilo, uma vez que quer\u00edamos proporcionar aos nossos hospedes uma estadia tranquila. Eu creio que sua estadia tenha sido tanto um sucesso quanto uma oportunidade proporcionada por Deus para que eu o conhecesse fora do ambiente no qual est\u00e1vamos acostumados a v\u00ea-lo.<\/p><p>Ent\u00e3o percebi o qu\u00e3o excepcional era Krishnamurti, sua simplicidade absoluta, juntamente com um extraordin\u00e1rio senso de consci\u00eancia dos m\u00ednimos detalhes da exist\u00eancia e uma aten\u00e7\u00e3o insond\u00e1vel a outro ser humano, uma vez que o \u00faltimo estivesse preparado para ter uma conversa s\u00e9ria com ele. Essa \u00faltima qualidade provavelmente explica o porqu\u00ea K podia captar rapidamente a quest\u00e3o central de um problema humano apresentado a ele e encontrar as palavras exatas que fariam a pessoa ver com clareza nele ou em si mesma.<\/p><p>Seu amor pela natureza, pelos animais (ele mostrou tamanha afei\u00e7\u00e3o por nosso Pastor Alem\u00e3o que chegou a insistir em lev\u00e1-lo nos passeios de carro, e uma vez fiquei preocupado ao ver o c\u00e3o lambendo sua face enquanto estavam ambos no banco de tr\u00e1s!), a forma com que ele sempre cedia aos desejos casuais de outras pessoas na organiza\u00e7\u00e3o da vida di\u00e1ria eram parte das caracter\u00edsticas que ningu\u00e9m conseguiria ignorar ao observ\u00e1-lo.<\/p><p>Alguns anos depois, eu e minha fam\u00edlia tivemos acidentalmente outra oportunidade de nos aproximarmos de Krishnamurti. Foi em Saanen, quando minha filha mais nova, Diane \u2013 que tem uma doen\u00e7a rara nos ossos \u2013 quebrou sua perna e n\u00e3o p\u00f4de ser levada para casa. Aconteceu pr\u00f3ximo do fim das palestras, e n\u00e3o consegu\u00edamos encontrar acomoda\u00e7\u00e3o em plena temporada de f\u00e9rias. Sem haver pedido por nada, K organizou uma acomoda\u00e7\u00e3o para n\u00f3s em Chalet Tannegg, no apartamento que se encontrava desocupado abaixo do dele, embora um amigo dele houvesse o alugado. N\u00f3s ficamos l\u00e1 por pelo menos tr\u00eas semanas, e quase todo dia K descia as escadas e passava um tempo com Diane. Ocasionalmente, eu me sentava perto deles, em sil\u00eancio, e devo dizer que por diversas vezes senti algo al\u00e9m da descri\u00e7\u00e3o que imagino estar relacionada ao que ele chamou de \u201calteridade\u201d em seu di\u00e1rio (o Caderno). Outras vezes, era poss\u00edvel ouvi-los rindo de suas vidas \u2013 mas nunca fui capaz de extrair de Diane um relato sobre o que havia causado tanto riso.<\/p><p>Muito mais poderia ser dito sobre Krishnamurti. No entanto, acredito que na pr\u00f3pria opini\u00e3o dele o mais importante \u00e9 o impacto de seus ensinamentos sobre nossas vidas.<\/p><p>Pessoalmente, tem sido tremendo e continua crescendo \u00e0 medida que eu amadure\u00e7o com uma consci\u00eancia em expans\u00e3o.<\/p><p>Infelizmente, n\u00e3o tive a sorte de alcan\u00e7ar uma percep\u00e7\u00e3o total, pelo menos at\u00e9 o momento, mas desvendar percep\u00e7\u00f5es sobre temas como medo, competi\u00e7\u00e3o, ambi\u00e7\u00e3o, sucesso, entre outros, s\u00e3o os enormes presentes que recebi atrav\u00e9s dos ensinamentos de Krishnamurti.<\/p><p>O grande privil\u00e9gio de ser pr\u00f3ximo de Krishnamurti ou de estar envolvido com o trabalho conectado a seus ensinamentos nos proporciona uma vantagem na obten\u00e7\u00e3o de uma profunda compreens\u00e3o desses ensinamentos? A julgar pela minha pr\u00f3pria experi\u00eancia e pelo que eu observei a meu redor, sinto-me tentado a dizer que, a menos que algu\u00e9m seja fatalmente repreensivo a ponto de n\u00e3o cair na armadilha da auto-ilus\u00e3o, provavelmente n\u00e3o far\u00e1 muita diferen\u00e7a. Krishnamurti chamou nossa aten\u00e7\u00e3o para esse perigo mais de uma vez, e Deus sabe como ele estava certo. Acho que esta \u00e9 provavelmente a maior li\u00e7\u00e3o que aprendi em todos esses anos: nada deve ser considerado permanentemente adquirido no campo do autoconhecimento, e por isso nunca devemos parar de nos questionar em todos os n\u00edveis, em todas as oportunidades que a vida nos apresentar.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jean Michel Maroger CONSULTOR DE TRANSPORTE, PONTLEVOY, FRAN\u00c7A Eu n\u00e3o possuo uma inclina\u00e7\u00e3o natural para a espiritualidade. Pelo contr\u00e1rio, eu fui de certa forma arrastado para essa \u00e1rea atrav\u00e9s da influ\u00eancia de meus pais, sendo que meus pais adquiriram interesse por tais quest\u00f5es no in\u00edcio de minha adolesc\u00eancia. Ap\u00f3s um per\u00edodo de gra\u00e7a que durou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2253","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2253"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2260,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2253\/revisions\/2260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}