{"id":2176,"date":"2022-12-18T20:43:10","date_gmt":"2022-12-18T20:43:10","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2176"},"modified":"2022-12-18T20:44:11","modified_gmt":"2022-12-18T20:44:11","slug":"friedrich-grohe-1","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2176","title":{"rendered":"Friedrich Grohe \u2013 1"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2176\" class=\"elementor elementor-2176\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-46176350 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"46176350\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-38687455\" data-id=\"38687455\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-24933113 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"24933113\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Friedrich Grohe\u00a0<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">EMPRES\u00c1RIO ALEM\u00c3O\u00a0APOSENTADO, ATUALMENTE VIVE NA SU\u00cd\u00c7A<\/p><p>\u00a0<\/p><p>A primeira vez que li um livro de Krishnamurti\u00a0foi em 1980,\u00a0<em>A Quest\u00e3o do Imposs\u00edvel<\/em>.\u00a0Embora eu pensasse que as obras de\u00a0Krishnamurti\u00a0n\u00e3o poderiam ser lidas como um romance, n\u00e3o conseguia interromper minha leitura.\u00a0Ele parecia estar dizendo o oposto do que as pessoas haviam aprendido e vivenciado.\u00a0Parecia ser poss\u00edvel sentir vagamente antes o que ele expressou ali em linguagem clara, simples e esmagadora.<\/p><p>Embora eu soubesse em 1981 que\u00a0Krishnamurti\u00a0costumava dar uma s\u00e9rie\u00a0de\u00a0palestras p\u00fablicas a cada ano em Saanen, na Su\u00ed\u00e7a, eu n\u00e3o tinha vontade de assisti-las, uma vez que estava bastante contente estudando apenas seus livros.\u00a0Na verdade, perdi o interesse por filosofia, psicologia, literatura, arte e coisas do g\u00eanero que uma vez haviam me cativado, porque de repente senti: \u201c\u00c9 isso!\u201d Os livros das outras pessoas se tornaram simplesmente sup\u00e9rfluos.<\/p><p>Foi um momento de grande mudan\u00e7a para mim.\u00a0Eu estava prestes a me aposentar do mundo empresarial, entre outras coisas.\u00a0Anteriormente, eu n\u00e3o dispunha de muito tempo para enfrentar questionamentos essenciais, mas agora, de uma s\u00f3 vez, K deixou claro para mim o qu\u00e3o importante era se preocupar com quest\u00f5es centrais, tal como morte e amor, prazer e dor, liberdade, desejo e medo.\u00a0Quanto mais eu explorava os ensinamentos, mais fascinantes eles se tornavam.<\/p><p>Participei das palestras em Saanen, na\u00a0Su\u00ed\u00e7a,\u00a0pela primeira vez em 1983.<\/p><p>Sentado nos degraus que levavam \u00e0 tenda gigante onde aproximadamente duas mil pessoas se reuniam, eu ouvia Krishnamurti. Ali, sob o toldo, eu ficava protegido\u00a0do calor e ainda podia desfrutar de uma brisa fresca.\u00a0Como eu normalmente andava de Rougemont para l\u00e1, o que leva cerca de uma hora e meia, e chegava pouco antes do in\u00edcio das palestras, eu podia usar a entrada lateral e n\u00e3o precisava me sentar no meio da multid\u00e3o.\u00a0Bem em frente ao palco de onde\u00a0Krishnamurti\u00a0falava, as pessoas ficavam agachadas, empurrando umas contra as outras.\u00a0Cada cent\u00edmetro quadrado de espa\u00e7o para sentar era extremamente valioso.\u00a0Em Saanen e\u00a0Brockwood as pessoas\u00a0faziam\u00a0fila a noite toda em frente \u00e0 tenda para serem as primeiras a entrar quando ela fosse aberta.\u00a0Nos Estados Unidos e na \u00cdndia era geralmente um pouco mais tranquilo.<\/p><p>O primeiro ver\u00e3o foi t\u00e3o quente que, em minha caminhada de volta a Rougemont, tomava banho no\u00a0rio\u00a0Fenilbach, que normalmente est\u00e1 sempre muito frio para que isso seja poss\u00edvel.\u00a0Na tenda, era poss\u00edvel comprar livros de K traduzidos para v\u00e1rios idiomas, e eu ficava feliz em encher minha mochila com eles.<\/p><p>Era avassalador ouvi-lo.\u00a0Ele emanava tanta energia que eu sentia que simplesmente n\u00e3o conseguia me sentar diretamente em frente a\u00a0ele.\u00a0Ele falava de forma simples e clara, com gestos simples e n\u00e3o ret\u00f3ricos.\u00a0Enquanto o escutava, eu\u00a0esquecia da fome e da sede e nem sequer notava o calor.<\/p><p>Meu\u00a0contato pessoal com ele se desenvolveu\u00a0rapidamente.\u00a0Conhec\u00ea-lo pessoalmente me impactou tanto que a partir de ent\u00e3o fui a todas as palestras em\u00a0Brockwood, \u00cdndia, Ojai e Washington, at\u00e9 as \u00faltimas em Madras, em dezembro e janeiro de 1986, pouco antes de sua morte.<\/p><p>Eu precisava viajar constantemente. Passava mais da metade do ano fora da Su\u00ed\u00e7a.\u00a0Meu contato com a fam\u00edlia e os amigos reduziu consideravelmente.\u00a0Essas foram as mudan\u00e7as externas.<\/p><p>Essencialmente, minha vida j\u00e1 havia come\u00e7ado a mudar.\u00a0Parece que era hora de conhecer um homem como\u00a0Krishnamurti.\u00a0Eu j\u00e1 havia deixado de lado minha vida profissional em tempo integral.\u00a0Minhas atividades de alpinismo haviam se reduzido consideravelmente desde que um amigo pr\u00f3ximo, guia de montanha, morreu em um acidente de alpinismo.\u00a0Eu j\u00e1 havia perdido minha paix\u00e3o de longa data por colecionar pinturas.\u00a0Quando K visitou minha casa no lago Genebra, cobriu os olhos por um segundo com uma exclama\u00e7\u00e3o de surpresa ao entrar.\u00a0Ele parecia estar impressionado com o poderoso\u00a0ambiente criado com todas as pinturas.\u00a0Esse foi apenas o passo final.\u00a0Eu tamb\u00e9m j\u00e1 havia parado de comer carne, mas nisso, assim como em muitas outras \u00e1reas, K acelerou um desenvolvimento que j\u00e1 estava a caminho.\u00a0Quando ele disse durante uma reuni\u00e3o, \u201cN\u00f3s comemos animais mortos\u201d, algo ficou absolutamente claro para mim, e assim eu parei de comer carne de uma vez por todas.\u00a0Mas talvez a fala mais impactante que me recordo em uma de suas palestras foi: \u201cO amor n\u00e3o tem causa.\u201d Essas palavras foram como uma revela\u00e7\u00e3o para mim.<\/p><p>Outro aspecto marcante de estar em sua companhia \u00e9 que minha percep\u00e7\u00e3o acerca da beleza da natureza se fazia mais intensa.\u00a0Em algumas ocasi\u00f5es, eu o acompanhava em seus passeios \u00e0 tarde frequentes.\u00a0Geralmente alguns amigos \u00edntimos o acompanhavam nesses passeios, mas ele falava muito pouco nesses momentos.\u00a0Ele tinha um relacionamento intenso com a natureza.\u00a0Ele afirmava que as ra\u00edzes das \u00e1rvores tinham um som, mas n\u00f3s, ao caminhar por elas, n\u00e3o as ouvimos mais. Certa vez, ao atravessar os\u00a0prados de\u00a0Brockwood\u00a0atr\u00e1s do \u201cGrove\u201d, eu estava prestes a passar entre um grupo de cinco pinheiros altos, e ele me pegou pelo bra\u00e7o e disse: \u201cN\u00e3o, ao redor delas! N\u00e3o devemos perturb\u00e1-las.\u201d<\/p><p>Uma coisa que ocorreu na \u00cdndia tamb\u00e9m demonstra esse relacionamento \u00edntimo que ele tinha com os seres vivos.\u00a0Havia uma planta\u00e7\u00e3o de grandes mangueiras em Rajghat que n\u00e3o dava frutos.\u00a0De tal modo, iriam derrub\u00e1-las.\u00a0K contou com um brilho nos olhos como um dia ele andou entre as \u00e1rvores e disse a elas: \u201cEscutem, se voc\u00eas n\u00e3o derem frutos, eles v\u00e3o derrub\u00e1-las.\u201d\u00a0Elas deram frutos no ano seguinte.<\/p><p>Krishnamurti\u00a0me chamou de irm\u00e3o,\u00a0seu anjo da guarda.\u00a0Em 1984, em\u00a0Schoenried,\u00a0ele me abra\u00e7ou e sugeriu que eu fosse\u00a0morar\u00a0com ele.\u00a0Eu entendi o que ele queria dizer com isso.\u00a0Ele j\u00e1 havia pedido a v\u00e1rias pessoas que morassem mais pr\u00f3ximo dele para poder trabalhar com elas, dizendo que elas ent\u00e3o mudariam.<\/p><p>Mas eu n\u00e3o estava pronto para essa mudan\u00e7a completa.\u00a0Eu n\u00e3o poderia imaginar abrir m\u00e3o de tudo.\u00a0Eu estaria pronto para fazer isso agora, dez anos depois?\u00a0Eu n\u00e3o sei.<\/p><p>No fim de sua vida, K disse que ningu\u00e9m havia entendido o que ele tinha a dizer.\u00a0Em resposta a uma das piadas que ele costumava contar, \u201cTodo mundo tem que morrer, talvez at\u00e9 eu mesmo\u201d, eu poderia dizer, \u201cNingu\u00e9m o entendeu, talvez nem eu mesmo\u201d.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Friedrich Grohe\u00a0 EMPRES\u00c1RIO ALEM\u00c3O\u00a0APOSENTADO, ATUALMENTE VIVE NA SU\u00cd\u00c7A \u00a0 A primeira vez que li um livro de Krishnamurti\u00a0foi em 1980,\u00a0A Quest\u00e3o do Imposs\u00edvel.\u00a0Embora eu pensasse que as obras de\u00a0Krishnamurti\u00a0n\u00e3o poderiam ser lidas como um romance, n\u00e3o conseguia interromper minha leitura.\u00a0Ele parecia estar dizendo o oposto do que as pessoas haviam aprendido e vivenciado.\u00a0Parecia ser poss\u00edvel [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2176","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2176"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2185,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2176\/revisions\/2185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}