{"id":2132,"date":"2022-12-18T20:38:28","date_gmt":"2022-12-18T20:38:28","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2132"},"modified":"2022-12-18T20:38:52","modified_gmt":"2022-12-18T20:38:52","slug":"david-shainberg","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2132","title":{"rendered":"David Shainberg"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2132\" class=\"elementor elementor-2132\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3a32c18c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3a32c18c\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-656dd2af\" data-id=\"656dd2af\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-72190302 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"72190302\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>David Shainberg<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">DOUTOR EM MEDICINA\u00a0PSIQUIATRA, NOVA IORQUE<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Nos dias 29 e 30 de abril de 1975,\u00a0Krishnamurti encontrou-se com vinte psicoterapeutas em Nova Iorque.\u00a0O grupo representava diferentes orienta\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, incluindo as de Freud, Homey, Sullivan e Rogers.\u00a0Havia quatro assistentes sociais, quatro psic\u00f3logos e dezessete psiquiatras.\u00a0V\u00e1rios diretores de institutos de ensino de psicanalise estiveram presentes, al\u00e9m de um diretor de um departamento hospitalar de psiquiatria, muitos professores e v\u00e1rias pessoas que contribu\u00edram extensivamente para o conhecimento psicanal\u00edtico.<\/p><p>O grupo se reuniu para explorar as rela\u00e7\u00f5es e implica\u00e7\u00f5es\u00a0do\u00a0ensino\u00a0de\u00a0Krishnamurti\u00a0em seus trabalhos di\u00e1rios.\u00a0Cada membro sabia bem a dificuldade que envolvia ajudar outro ser humano.\u00a0A partir do momento em que o debate come\u00e7ou, a atmosfera do di\u00e1logo se mostrou intensa, profundamente s\u00e9ria e respeitosa.<\/p><p>Devidamente, a\u00a0primeira quest\u00e3o levantada foi: qual \u00e9 a raiz do medo?\u00a0Uma diferencia\u00e7\u00e3o \u00fatil surgiu prontamente: existe uma preocupa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica conhecida por n\u00f3s que envolve inc\u00eandios, cobras etc. Alguns chamam de dom\u00ednio do \u201cmedo\u00a0pr\u00e1tico\u201d.\u00a0Krishnamurti\u00a0observou que esse n\u00e3o \u00e9 um medo psicol\u00f3gico, mas uma \u201cintelig\u00eancia da autopreserva\u00e7\u00e3o.\u201d O medo psicol\u00f3gico \u00e9 diferente.\u00a0Krishnamurti\u00a0enfatizou que o medo psicol\u00f3gico \u00e9 causado pelo pensamento. \u201cTransformar-se,\u201d disse ele, \u201ccom o medo de n\u00e3o se transformar \u00e9 a raiz de todo medo.\u201d \u201cSe n\u00e3o houvesse pensamento, n\u00e3o haveria medo.\u201d Um psiquiatra respondeu, \u201cSe n\u00e3o houvesse pensamento, voc\u00ea n\u00e3o seria humano.\u201d\u00a0Mas\u00a0Krishnamurti\u00a0direcionou a discuss\u00e3o para que consider\u00e1ssemos a possibilidade de que a aus\u00eancia do pensamento fosse verdadeiramente humana. Houve uma dificuldade inicial em entenderem isso, mas o grupo come\u00e7ou a chegar ao cerne do dilema quando\u00a0Krishnamurti\u00a0enfatizou a necessidade de chegar \u00e0 raiz do medo, n\u00e3o aos seus galhos. O medo e seus galhos sempre surgem quando, em vez de a\u00e7\u00e3o imediata, o pensamento se desenvolve.<\/p><p>Psicoterapeutas usualmente focam nos pensamentos\u00a0de\u00a0seus pacientes, ou, se n\u00e3o nos pensamentos, na transforma\u00e7\u00e3o e no ser.\u00a0O terapeuta tenta ajudar o paciente a tornar-se menos\u00a0temeroso, mais maduro, mais competente na sociedade.\u00a0Por isso, foi um choque para muitos considerar que o pensamento e a transforma\u00e7\u00e3o eram a raiz da doen\u00e7a mental.\u00a0No entanto, para muitos foi mais do que\u00a0chocante, por diversas vezes at\u00e9 profundamente\u00a0confuso quando\u00a0Krishnamurti\u00a0apontou que o pr\u00f3prio ser era a raiz mais profunda do medo.\u00a0Poucos entenderam, mas todos se questionaram.\u00a0Krishnamurti\u00a0perguntou como seria poss\u00edvel prevenir completamente a doen\u00e7a.<\/p><p>A partir da\u00ed, o grupo passou a debater uma diferen\u00e7a central: psicoterapeutas e, claro, o mundo inteiro est\u00e3o acostumados a pensar em termos de processo.\u00a0Isso implica que a mudan\u00e7a leva tempo, que leva tempo para que qualquer transforma\u00e7\u00e3o ocorra.\u00a0Um homem, por exemplo, disse que\u00a0a vis\u00e3o de Krishnamurti\u00a0sobre a transforma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia\u00a0parecia implicar um processo.\u00a0Os pacientes, argumentou-se, melhoram \u201ccom o tempo\u201d como resultado da participa\u00e7\u00e3o em um di\u00e1logo que chamamos de terapia.\u00a0Pode-se observar\u00a0que estes pacientes, como resultado de uma mudan\u00e7a em seu conhecimento sobre si mesmos e sobre o mundo, t\u00eam menos medo.\u00a0Os terapeutas questionaram como seria poss\u00edvel descartar a ideia do processo diante da recorrente melhora ao longo do tempo?\u00a0Krishnamurti\u00a0se perguntou se tais pessoas realmente n\u00e3o adquiriam outra depend\u00eancia para aliviar seus medos.\u00a0Ele perguntou, \u201c\u00c9 poss\u00edvel ser totalmente livre do medo e n\u00e3o simplesmente ter menos medo (como sugerido ser o\u00a0resultado usual da psicoterapia)?\u201d<\/p><p>Esse tipo de pergunta surgiu de outra forma na discuss\u00e3o sobre desenvolvimento, um conceito que atrai o interesse da maioria dos terapeutas.\u00a0A ideia de que a crian\u00e7a se desenvolve com o tempo \u00e9 central para as teorias psicanal\u00edticas, assim como a de que doen\u00e7as mentais surgem da realiza\u00e7\u00e3o imperfeita de v\u00e1rias tarefas de desenvolvimento ao longo de um processo.\u00a0De forma semelhante, o terapeuta observa um processo no paciente, que gradualmente resolve seus v\u00e1rios medos.\u00a0\u00c0 medida que a terapia avan\u00e7a, h\u00e1 mudan\u00e7as,\u00a0e diferentes\u00a0medos v\u00eam \u00e0 tona.\u00a0O paciente gradualmente se torna capaz de prolongar sua vida e viver mais \u201cprodutiva\u201d e \u201clivremente\u201d.\u00a0Krishnamurti\u00a0concordou que um organismo como tal passou por um desenvolvimento.\u00a0Mas o organismo \u00e9 diferente\u00a0do \u201ceu\u201d.\u00a0Esse \u201ceu\u201d \u00e9 um produto do pensamento como preven\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o imediata.\u00a0O eu ou ego, no qual os terapeutas focam, \u00e9 uma caracter\u00edstica do processo de transforma\u00e7\u00e3o e \u00e9 a pr\u00f3pria doen\u00e7a com sua necessidade incessante de ser.<\/p><p>Isso tamb\u00e9m levantou quest\u00f5es sobre o tipo de mudan\u00e7a observada nos pacientes que o terapeuta considera terem melhorado.\u00a0Embora eles possam se adaptar \u201cmelhor\u201d a este mundo corrupto, isso significa que eles s\u00e3o capazes de amar ou que est\u00e3o livres do medo?\u00a0Krishnamurti\u00a0perguntou\u00a0se\u00a0h\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja do eu ou do tempo.\u00a0Isso tem algo a ver com conhecimento e aprendizado?\u00a0E o amor est\u00e1 de alguma forma relacionado ao conhecimento?<\/p><p>A quest\u00e3o do processo surgiu de outra maneira quando um terapeuta observou, \u201cVemos muitos pacientes que\u00a0se sentem como se n\u00e3o fossem nada.\u00a0Ou seja, como voc\u00ea sugere, eles est\u00e3o se sentindo vazios do eu e da subst\u00e2ncia da consci\u00eancia.\u201d\u00a0Krishnamurti\u00a0observou que o problema com tais pessoas \u00e9 que elas realmente sentem que querem ser algo.\u00a0Outro m\u00e9dico considerou isso mais problem\u00e1tico do que\u00a0Krishnamurti\u00a0havia sugerido.\u00a0Ele insistiu que esse estado de se sentir como um nada era porque esses pacientes estavam com medo.\u00a0N\u00e3o era resultado da supera\u00e7\u00e3o do medo.\u00a0Era um estado anterior ao sentir, experimentar ou entrar em contato com a vida.\u00a0Este m\u00e9dico e outros sentiram que era necess\u00e1rio que o paciente passasse por um processo de experimentar um eu, um\u00a0ego\u00a0antes que pudesse abrir m\u00e3o do eu.<\/p><p>Krishnamurti\u00a0continuou ressaltando que nenhum processo \u00e9 necess\u00e1rio para se estar ciente da natureza do pensamento e da transforma\u00e7\u00e3o, ou da forma\u00e7\u00e3o\u00a0de\u00a0ideais, e que o intervalo entre o que \u00e9 e as inven\u00e7\u00f5es do pensamento deve ser instantaneamente finalizado.\u00a0Ele desafiou outra suposi\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica b\u00e1sica, afirmando ser desnecess\u00e1rio divulgar as camadas profundas do inconsciente ao longo do tempo.\u00a0Os terapeutas achavam que um processo de tal revela\u00e7\u00e3o era necess\u00e1rio, mas\u00a0Krishnamurti\u00a0disse que a aten\u00e7\u00e3o completa ao momento da a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o abrangente e suficiente.\u00a0Ficou claro que os terapeutas sentiam que os pacientes n\u00e3o eram capazes de viver o momento, e que eles precisavam de prepara\u00e7\u00e3o a fim de, gradualmente, perceber os limites\u00a0do\u00a0pensamento, incluindo a ajuda para passar por um processo de acentuar o ego.<\/p><p>Ao longo do di\u00e1logo, o tema recorrente foi como encontrar uma a\u00e7\u00e3o que exista al\u00e9m do tempo e do pensamento.\u00a0Era perturbador para muitos ouvir que era imposs\u00edvel agir conscientemente sem se fragmentar, e que a verdade n\u00e3o tinha nada\u00a0a ver com a realidade, que \u00e9 o produto do pensamento.\u00a0Impl\u00edcita na discuss\u00e3o e frequentemente emergindo em explos\u00f5es expl\u00edcitas estava a pergunta: como os psicoterapeutas podem ajudar seus pacientes se eles pr\u00f3prios n\u00e3o s\u00e3o completos?\u00a0Claro que todo mundo\u00a0na sala estava ciente de sua pr\u00f3pria fragmenta\u00e7\u00e3o, e isso levava ao confrontamento de todos com quest\u00f5es sobre o tipo de ajuda eles estavam fornecendo.<\/p><p>Para explorar isso,\u00a0Krishnamurti\u00a0enfatizou que n\u00e3o existe seguran\u00e7a psicol\u00f3gica.\u00a0A a\u00e7\u00e3o de pensar e se transformar \u00e9 a a\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a.\u00a0A \u00fanica seguran\u00e7a \u00e9 a plena compreens\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a psicol\u00f3gica.\u00a0Ao compreender isso, pensamento e transforma\u00e7\u00e3o chegam ao fim.\u00a0Essa discuss\u00e3o desafiou o processo anal\u00edtico do qual a maioria dos participantes participava diariamente.\u00a0Krishnamurti\u00a0observou que a an\u00e1lise como pensamento era uma paralisia da a\u00e7\u00e3o.\u00a0Vai de uma parte para a pr\u00f3xima, infinitamente incompleta.\u00a0Agir de uma conclus\u00e3o a outra produz fragmenta\u00e7\u00e3o infinita e \u00e9 em si mesmo um processo de fragmenta\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00c9 tudo uma a\u00e7\u00e3o do pensamento.\u00a0A liberdade nunca poder\u00e1 ser alcan\u00e7ada assim.<\/p><p>A maioria dos psicoterapeutas que participaram da confer\u00eancia de dois dias ficou profundamente comovida com o debate.\u00a0Em geral, eles tiveram grande dificuldade em compreender que nenhum processo era necess\u00e1rio.\u00a0Isso desafiou os pressupostos psicanal\u00edticos de crescimento e desenvolvimento.\u00a0Ser\u00a0nada e viver diretamente o momento intrigou e interessou a muitos que apreciavam que a intermin\u00e1vel an\u00e1lise atrav\u00e9s do pensamento n\u00e3o estava ajudando seus pacientes.\u00a0Muitos relataram que ficaram agitados, e ent\u00e3o questionaram,\u00a0alguns disseram que se sentiram mais tranquilos ap\u00f3s o trabalho com\u00a0Krishnamurti.\u00a0Um homem disse, \u201cFoi como um sopro de ar fresco\u201d. Mas \u00e9 claro que\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio mais di\u00e1logo para\u00a0compreender o processo do pensamento.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>David Shainberg DOUTOR EM MEDICINA\u00a0PSIQUIATRA, NOVA IORQUE \u00a0 Nos dias 29 e 30 de abril de 1975,\u00a0Krishnamurti encontrou-se com vinte psicoterapeutas em Nova Iorque.\u00a0O grupo representava diferentes orienta\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, incluindo as de Freud, Homey, Sullivan e Rogers.\u00a0Havia quatro assistentes sociais, quatro psic\u00f3logos e dezessete psiquiatras.\u00a0V\u00e1rios diretores de institutos de ensino de psicanalise estiveram presentes, al\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2132","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2132"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2132\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2139,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2132\/revisions\/2139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}