{"id":2121,"date":"2022-12-18T20:37:30","date_gmt":"2022-12-18T20:37:30","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2121"},"modified":"2022-12-18T20:37:54","modified_gmt":"2022-12-18T20:37:54","slug":"david-bohm","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2121","title":{"rendered":"David Bohm"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2121\" class=\"elementor elementor-2121\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2919a5d2 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2919a5d2\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-2f3ed595\" data-id=\"2f3ed595\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1c986e65 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1c986e65\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>David Bohm<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">F\u00cdSICO, LONDRES, INGLATERRA\u00a0<\/p><p>\u202fQuando a Inglaterra foi tomada pelo fogo de interesse e entusiasmo pelo\u202ftrabalho\u202fde\u00a0Krishnamurti, um novo relacionamento se formou,\u00a0tendo sido\u00a0de grande import\u00e2ncia para o f\u00edsico David\u00a0Bohm\u00a0e para o\u202fpr\u00f3prio\u202fKrishnamurti.\u00a0<\/p><p>Bohm\u00a0era um homem de intelecto vasto, capaz de explorar quest\u00f5es profundamente, mas com\u202fa hesita\u00e7\u00e3o de um cientista.\u00a0<\/p><p>Durante os anos de guerra, ele trabalhou com\u202f\u201cespalhamento de part\u00edculas nucleares\u201d sob a supervis\u00e3o de J. Robert\u202fOppenheimer.\u202fTornou-se\u202fprofessor assistente na Universidade de Princeton em 1946, onde iniciou di\u00e1logos com Einstein.\u202fNo entanto, o clima de medo generalizado existente durante a era McCarthy levou muitos artistas, cientistas e intelectuais a se dar conta de entendimentos que n\u00e3o estavam necessariamente em conformidade com os do comit\u00ea da C\u00e2mara dos Deputados dos EUA.\u202fO Comit\u00ea de Atividades Antiamericanas fez alega\u00e7\u00f5es contra\u00a0Bohm.\u202fDevido a sua recusa a testemunhar, por princ\u00edpio, considerou-se que ele havia desrespeitado o Congresso.\u202fSeu trabalho nos Estados Unidos, assim, foi danificado. Ele foi trabalhar no Brasil, posteriormente na\u202fTechnion\u00a0em Israel, e mais tarde se estabeleceu em Londres como professor de f\u00edsica te\u00f3rica na\u00a0Birkbeck.\u202fEle foi inocentado das acusa\u00e7\u00f5es de desrespeito e acabou sendo autorizado a\u202fviajar\u00a0aos Estados Unidos.\u00a0<\/p><p>As reuni\u00f5es com\u202fKrishnamurti\u202ftornaram-se lend\u00e1rias e deram nova urg\u00eancia para o termo \u201cdi\u00e1logo\u201d como um\u00a0dos fundamentos\u00a0dos ensinamentos de\u202fKrishnamurti.\u202f\u201cExplorar juntos, como dois amigos sentados debaixo de uma \u00e1rvore,\u201d ou \u201cpensar juntos\u201d \u00e9 a maneira como esse processo foi descrito.\u202fPor mais que\u00a0a\u00a0caracterizem, o di\u00e1logo \u00e9 uma maneira velha e ao mesmo tempo nova de olhar e questionar a condi\u00e7\u00e3o humana.\u00a0<\/p><p>Evelyn Blau:\u202fDr.\u00a0Bohm, voc\u00ea poderia dizer como veio a conhecer\u202fKrishnamurti\u202fou seus ensinamentos?\u00a0<\/p><p>DB: Bem, o contexto \u00e9 que, no meu trabalho com f\u00edsica, eu sempre me interessei pelas quest\u00f5es filos\u00f3ficas gerais relacionadas \u00e0 f\u00edsica e, de maneira mais geral, como poderiam se relacionar com toda a constitui\u00e7\u00e3o da natureza e do homem.\u202fUm dos pontos que surgiram na f\u00edsica que se relaciona um pouco com o que\u202fKrishnaji\u202ffaz \u00e9 a teoria qu\u00e2ntica, onde temos o fato de que a energia \u00e9 encontrada como sendo unidades discretas indivis\u00edveis.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fVoc\u00ea poderia esclarecer a palavra discreta nesse contexto?\u00a0<\/p><p>\u202fDB: Um ponto de vista \u00e9 que a mat\u00e9ria \u00e9 cont\u00ednua, fluida, e o outro \u00e9 que ela se constitui de \u00e1tomos, que s\u00e3o discretos, mas existem tantos \u00e1tomos que ela parece ser cont\u00ednua.\u202fComo gr\u00e3os em uma ampulheta, eles fluem como se fossem \u00e1gua.\u202fMas, obviamente, s\u00e3o feitos de unidades discretas.\u202fAssim, a no\u00e7\u00e3o de atomicidade ou discri\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria j\u00e1 era comum h\u00e1 muitos s\u00e9culos, mas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX descobriram que a energia tamb\u00e9m \u00e9 discreta.\u202fA energia vem em unidades, apesar de serem muito pequenas.\u202fDeste modo, n\u00e3o as vemos facilmente, e a quantidade \u00e9 t\u00e3o grande que parece ser cont\u00ednua.\u202fAgora, isso tem consequ\u00eancias importantes, porque significa que as coisas n\u00e3o podem ser\u202fdivididas umas das outras.\u202fSe duas coisas interagem por meio de uma energia que n\u00e3o pode ser dividida, essa liga\u00e7\u00e3o \u00e9 indivis\u00edvel.\u202fPortanto, fundamentalmente, todo o universo \u00e9 indivis\u00edvel e, em especial, significa que a coisa observada e o aparato que a observa n\u00e3o podem ser separados realmente.\u202fAgora, j\u00e1 sabemos que o observador n\u00e3o pode ser separado do observado.\u202fNa verdade, sempre que observamos, a coisa observada \u00e9 alterada porque n\u00e3o pode ser reduzida abaixo de um\u00a0determinado n\u00edvel por essa intera\u00e7\u00e3o.\u202fPortanto, temos a transforma\u00e7\u00e3o do objeto observado no ato de observa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p><p>Eu j\u00e1 havia notado a semelhan\u00e7a com a consci\u00eancia: que\u00a0quando\u00a0tentamos\u00a0observar\u00a0nossos\u202fpensamentos\u00a0detalhadamente, toda a linha de pensamentos muda.\u202fEst\u00e1 claro, n\u00e3o?\u202fPortanto, n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0poss\u00edvel\u00a0separar\u00a0o\u00a0observador do observado na consci\u00eancia.\u202fO observador muda o observado, e o observado muda o observador.\u00a0Logo, havia uma qualidade misteriosa que n\u00e3o era realmente compreendida na f\u00edsica.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fIsso fazia\u00a0parte da\u00a0sua observa\u00e7\u00e3o, tanto cient\u00edfica quanto\u202ffilosoficamente, quando voc\u00ea\u00a0teve contato com\u202fKrishnamurti\u202fpela primeira vez?\u00a0<\/p><p>DB: Isso\u202fmesmo,\u202fdeixe-me acrescentar mais um\u00a0ponto,\u202fmeu interesse\u00a0pela\u00a0f\u00edsica.\u202fEu\u202fsempre tive a tend\u00eancia de dizer que o que eu estava pensando\u00a0na\u00a0f\u00edsica deveria estar acontecendo\u00a0tamb\u00e9m\u00a0dentro de mim.\u202fEu sentia\u00a0que havia um paralelo entre o que est\u00e1 na consci\u00eancia e o que est\u00e1 na mat\u00e9ria em geral, e sentia\u00a0que o movimento tamb\u00e9m era\u00a0um ponto a ser considerado, que o\u202fmovimento que\u00a0vemos\u00a0do lado de fora\u00a0\u00e9\u00a0percept\u00edvel\u00a0do lado de\u202fdentro.\u202fEm geral, portanto, sentia\u00a0que apreendemos diretamente a natureza da realidade em nosso pr\u00f3prio ser.\u00a0<\/p><p>EB: Voc\u00ea\u00a0havia\u00a0buscado\u00a0isso atrav\u00e9s de contato com outros professores ou fil\u00f3sofos, ou isso era uma quest\u00e3o puramente cient\u00edfica,\u00a0sua pr\u00f3pria auto-observa\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/p><p>DB: Naquele momento,\u00a0era\u00a0provavelmente\u00a0sobretudo\u00a0minha.\u202fA quest\u00e3o\u00a0das implica\u00e7\u00f5es\u00a0do observador e do observado foi obviamente analisada na mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, especialmente por\u00a0Nils\u00a0Bohr, que\u00a0na verdade\u00a0foi influenciado pelo fil\u00f3sofo\u00a0americano\u00a0William James.\u202fEle\u00a0havia\u00a0desenvolvido\u00a0uma ideia de\u202ffluxo da consci\u00eancia,\u00a0semelhante ao que\u00a0venho dizendo.\u202fMas\u00a0na verdade, essa ideia me ocorreu independentemente, assim que li sobre teoria qu\u00e2ntica.\u202fHavia uma analogia entre esse fluxo de consci\u00eancia e o comportamento da mat\u00e9ria.\u202fEsse foi\u00a0o contexto\u00a0por tr\u00e1s\u00a0de\u00a0meu interesse pela ci\u00eancia.\u202fEu tamb\u00e9m estava tentando entender a natureza universal da mat\u00e9ria.\u202fQuest\u00f5es como causalidade, tempo e espa\u00e7o, e totalidade, para compreender tudo.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fIsso \u00e9 compartilhado por outros cientistas? Existem observa\u00e7\u00f5es\u00a0parecidas?\u00a0<\/p><p>DB: Aqueles que s\u00e3o inclinados\u00a0a ter esse pensamento sim, mas a maioria n\u00e3o.\u202fA maioria dos cientistas \u00e9 muito pragm\u00e1tica, e\u00a0deseja obter resultados,\u00a0principalmente.\u202fEles\u00a0queriam\u00a0desenvolver\u00a0uma teoria\u00a0para prever\u00a0a mat\u00e9ria com precis\u00e3o e a controlar, mas\u00a0poucos\u00a0se\u00a0interessam por\u00a0esta quest\u00e3o.\u202fEinstein, por exemplo.\u202fTive algumas discuss\u00f5es\u00a0sobre teoria qu\u00e2ntica\u00a0com Einstein quando estava em Princeton.\u202fA maioria dos f\u00edsicos sabe que\u00a0n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender\u00a0a teoria qu\u00e2ntica, eles a tomam como c\u00e1lculo, como\u00a0uma\u00a0forma de obter resultados,\u00a0de\u00a0prever.\u202fEles dizem,\u00a0\u201cIsso \u00e9 tudo o que realmente importa.\u00a0Um entendimento mais profundo pode ser bom, mas n\u00e3o \u00e9 realmente essencial\u201d.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fEnt\u00e3o,\u00a0com\u00a0esse tipo\u00a0de interesse\u00a0como plano de fundo\u00a0voc\u00ea\u00a0ent\u00e3o\u00a0leu\u00a0um livro de\u202fKrishnamurti?\u00a0<\/p><p>DB: Sim.\u202fComo eu disse, os cientistas\u00a0se interessam por\u202fcosmologia,\u00a0e\u202fmuitos deles est\u00e3o tentando entender a totalidade do cosmos.\u202fEinstein queria particularmente entend\u00ea-lo como um todo.\u202fO que aconteceu em rela\u00e7\u00e3o a\u202fKrishnamurti\u202ffoi que minha esposa e eu est\u00e1vamos em Bristol.\u202fCostum\u00e1vamos ir \u00e0 biblioteca p\u00fablica,\u00a0onde me interessei por\u00a0livros filos\u00f3ficos,\u00a0m\u00edsticos\u00a0e\u00a0religiosos, como os de\u202fOuspensky\u202fe\u202fGurdjief,\u202fporque estava um\u00a0tanto\u00a0insatisfeito com o que podia ser feito na esfera comum.\u202fMinha esposa\u202fSarel\u202fe eu\u00a0nos deparamos com\u00a0<em>A\u00a0Primeira e a \u00daltima Liberdade<\/em>.\u202fEla viu uma frase, \u201cO observador e o observado\u201d, ent\u00e3o ela pensou que poderia ter algo a ver com teoria qu\u00e2ntica e\u00a0mostrou\u00a0para mim.\u202fQuando eu li o livro,\u00a0estava\u00a0muito interessado nisso.\u202fSenti que era muito significativo,\u00a0e\u00a0ele\u00a0teve um\u00a0tremendo efeito em mim.\u202fOs questionamentos\u00a0do observador e\u00a0do observado foram levadas ao n\u00edvel psicol\u00f3gico da exist\u00eancia, e eu tinha a esperan\u00e7a de que algu\u00e9m pudesse\u00a0unir a\u00a0f\u00edsica\u00a0\u00e0s\u00a0quest\u00f5es psicol\u00f3gicas.\u00a0Tamb\u00e9m li\u00a0<em>Coment\u00e1rios sobre\u00a0o\u00a0Viver<\/em>.\u202fEram os \u00fanicos livros\u00a0dele na biblioteca.\u202fEscrevi para a editora nos Estados Unidos\u00a0e perguntei se\u00a0seria\u00a0poss\u00edvel\u00a0adquirir\u00a0outros\u00a0livros,\u00a0ou se\u202fKrishnamurti\u202festava\u00a0no pa\u00eds.\u202fAlgu\u00e9m me enviou uma carta sugerindo que eu entrasse em contato com as pessoas aqui na Inglaterra.\u202fEscrevi para eles, que ent\u00e3o\u00a0me enviaram uma lista de livros.\u00a0<\/p><p>E\u202fB:\u202fVoc\u00ea se lembra em que ano\u00a0isso\u00a0aconteceu?\u00a0<\/p><p>DB: Pode ter sido por volta de 1958 ou 1959. Ent\u00e3o, por volta de 1960, ele\u00a0retornou\u00a0\u00e0 Inglaterra e palestrou.\u202fPode ter sido\u00a0em\u00a01960.\u00a0Quando escrevi\u00a0pedindo\u00a0os\u00a0livros, perguntei se\u202fKrishnamurti\u202fj\u00e1 havia\u00a0vindo\u00a0\u00e0 Inglaterra, e eles disseram que\u00a0na verdade\u00a0ele estava\u00a0a caminho\u00a0e\u00a0que\u00a0um n\u00famero limitado de pessoas poderiam ouvi-lo.\u202fFui com\u202fSarel\u202fe, enquanto estava aqui, escrevi uma carta para\u00a0Doris\u00a0Pratt, perguntando se eu poderia conversar com\u202fKrishnamurti. Ent\u00e3o recebi um telefonema dela organizando um\u00a0encontro.\u202fEles estavam alugando uma casa em Wimbledon, e eu esperei por ele com\u202fSarel.\u202fEnt\u00e3o ele entrou e houve um longo sil\u00eancio, mas\u00a0por fim\u00a0come\u00e7amos a debater.\u202fContei a ele tudo sobre minhas ideias\u00a0da\u00a0f\u00edsica, que ele provavelmente n\u00e3o poderia\u00a0ter entendido em detalhes, mas ele entendeu o esp\u00edrito\u00a0do que disse.\u202fUsei palavras como totalidade, e quando usei essa palavra,\u00a0totalidade, ele me agarrou pelo bra\u00e7o e disse,\u00a0\u201c\u00c9 isso, \u00e9 isso!\u201d\u00a0<\/p><p>EB: Qual foi sua impress\u00e3o inicial?\u202fVoc\u00ea\u00a0havia\u00a0lido\u00a0livros de\u202fKrishnamurti.\u202fQual foi sua impress\u00e3o quando\u00a0o\u00a0conheceu?\u00a0<\/p><p>DB: Bem, veja bem, eu n\u00e3o costumo formar essas impress\u00f5es, geralmente apenas\u00a0sigo\u00a0em frente.\u202fMas a impress\u00e3o que tive foi que, quando n\u00f3s\u2026\u202fveja bem, n\u00f3s\u00a0ficamos em sil\u00eancio, o que era\u00a0incomum, mas\u202fn\u00e3o me pareceu estranho na \u00e9poca,\u00a0e n\u00e3o havia tens\u00e3o nisso.\u202fEnt\u00e3o come\u00e7amos a conversar.\u202fAgora, conversando, tive a sensa\u00e7\u00e3o de\u00a0ter uma\u00a0comunica\u00e7\u00e3o \u00edntima, instant\u00e2nea, do tipo que \u00e0s vezes\u00a0tenho\u00a0na ci\u00eancia com pessoas que\u00a0t\u00eam um interesse\u00a0vivido pela\u00a0mesma coisa\u00a0que eu.\u202fEle tinha essa\u00a0intensa\u00a0energia, sinceridade, clareza e uma sensa\u00e7\u00e3o de\u00a0aus\u00eancia de\u00a0tens\u00e3o.\u00a0<\/p><p>N\u00e3o me lembro dos detalhes, mas ele n\u00e3o conseguiu\u00a0entender muito do que eu disse, exceto\u00a0o significado\u00a0geral.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fVoc\u00ea estava falando em um n\u00edvel mais cient\u00edfico?\u00a0<\/p><p>DB: Eu estava falando sobre as quest\u00f5es das quais\u00a0falei\u00a0anteriormente, como teoria qu\u00e2ntica e relatividade, e depois levantei\u00a0e\u00a0questionei se a totalidade poderia\u00a0ser\u00a0compreendida.\u202fTamb\u00e9m devo dizer que meus interesses se voltaram para a compreens\u00e3o do pensamento,\u00a0o\u00a0que esqueci de mencionar.\u202fGradualmente comecei a ver que era necess\u00e1rio entender nosso pensamento.\u202fAo entrar na filosofia, na causalidade e em quest\u00f5es como essa, era uma quest\u00e3o de como pensamos.\u202fAntes,\u00a0havia sido\u00a0influenciado por pessoas interessadas\u00a0pelo\u00a0materialismo dial\u00e9tico e, quando fui ao Brasil, conversei com um homem que lera muito\u00a0a\u00a0Hegel e levantei a quest\u00e3o da pr\u00f3pria natureza de nosso pensamento.\u202fN\u00e3o apenas\u00a0sobre\u00a0o que estamos pensando, mas\u00a0sobre\u00a0a estrutura de como o nosso pensamento funciona, e que\u00a0ele\u00a0funciona atrav\u00e9s de opostos.\u202fNosso pensamento inevitavelmente une as duas caracter\u00edsticas opostas de necessidade e conting\u00eancia.\u202fQuando cheguei a Israel, conheci outro homem que\u00a0se interessava\u00a0muito\u00a0por\u00a0Hegel.\u202fO que ele disse foi,\u00a0\u201cVoc\u00ea deve prestar aten\u00e7\u00e3o\u00a0em\u00a0seu pensamento,\u202fcomo\u202fele est\u00e1 realmente funcionando\u201d. Ent\u00e3o, fiquei muito interessado em como o pensamento\u00a0acontece.\u202fConsiderando o pensamento como um processo em si, n\u00e3o\u202fseu\u202fconte\u00fado, mas\u00a0sua\u00a0natureza e estrutura real.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fEnt\u00e3o voc\u00ea encontrou semelhan\u00e7as entre o que\u202fKrishnamurti\u202fdizia\u00a0e\u00a0algu\u00e9m como Hegel.\u00a0<\/p><p>DB: H\u00e1\u00a0certa\u00a0semelhan\u00e7a, sim.\u202fEu encontrei um relacionamento, e foi por isso que\u00a0me\u00a0fascinei\u00a0por\u202fKrishnamurti.\u202fEle estava mergulhando profundamente no pensamento, muito mais profundamente\u00a0que Hegel, na medida em\u00a0que tamb\u00e9m\u00a0adentrou\u00a0o tema dos\u00a0sentimentos e\u00a0de toda\u00a0a vida.\u202fEle n\u00e3o parou no pensamento abstrato.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fEnt\u00e3o,\u00a0no decorrer de alguns\u00a0anos voc\u00ea\u00a0ficou profundamente\u00a0familiarizado\u00a0com\u202fo\u202fpensamento\u202fde\u00a0Krishnamurti.\u202fDurante esse per\u00edodo, como voc\u00ea observou a\u00a0fonte dos\u202fensinamentos\u202fde\u202fKrishnamurti?\u00a0<\/p><p>DB: Bem, eu n\u00e3o levantei\u00a0essa quest\u00e3o por um tempo.\u202fO que aconteceu foi que\u00a0passamos a nos encontrar\u00a0sempre que\u00a0ele vinha\u00a0a Londres,\u00a0e\u00a0t\u00ednhamos\u00a0um\u00a0ou dois di\u00e1logos.\u202fNo primeiro ano eu quis\u00a0discutir\u00a0com ele\u00a0a quest\u00e3o do\u00a0que \u00e9\u00a0universal e particular.\u00a0Assim\u00a0levantamos a quest\u00e3o,\u00a0\u201cA mente \u00e9 universal?\u201d\u00a0Ele disse,\u00a0\u201cSim\u201d. Usamos a palavra indiv\u00edduo,\u202f\u201cA\u00a0intelig\u00eancia\u00a0\u00e9\u00a0individual?\u201d\u00a0E\u00a0na \u00e9poca\u00a0ele disse,\u00a0\u201cSim\u201d.\u202fTivemos uma discuss\u00e3o muito\u00a0interessante\u00a0acerca disso.\u202fQuando sa\u00edmos, tive a sensa\u00e7\u00e3o de que\u00a0o\u00a0estado\u202fmental\u00a0havia mudado, pude\u00a0perceber\u00a0que n\u00e3o havia sentimento, mas\u00a0sim\u00a0clareza.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fQuando voc\u00ea diz que o estado mental mudou, voc\u00ea quer dizer\u00a0o estado mental dos\u00a0dois?\u00a0<\/p><p>DB:\u00a0N\u00e3o sei dizer.\u202fSuponho\u00a0que\u00a0tenha sido semelhante para\u00a0ele, uma vez\u00a0que\u00a0tivemos uma\u00a0comunica\u00e7\u00e3o\u00a0pr\u00f3xima.\u202fEu disse que n\u00e3o tinha nenhum sentimento, e ele disse,\u00a0\u201cSim, est\u00e1 certo\u201d, o que me surpreendeu, porque\u00a0anteriormente eu\u00a0pensava que qualquer coisa intensa deveria\u00a0trazer\u00a0muitos\u00a0sentimentos\u00a0e, quando\u00a0eu\u00a0sa\u00ed,\u00a0senti\u00a0como se houvesse alguma presen\u00e7a no c\u00e9u,\u00a0o que eu\u00a0geralmente desconsidero\u2026\u202fdizendo que \u00e9 minha imagina\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fFoi\u00a0um sentido f\u00edsico?\u00a0<\/p><p>DB: Sim.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fVoc\u00ea realmente podia ver\u2026?\u00a0<\/p><p>DB: Sentir.\u202fN\u00e3o\u00a0ver, mas sentir\u00a0algo ali, algo universal.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fVoc\u00ea j\u00e1\u00a0havia\u00a0sentido\u00a0algo dessa natureza antes?\u00a0<\/p><p>DB: Eu tinha pistas disso, mas todo o meu\u00a0contexto envolvia\u00a0o seguinte:\u00a0eu n\u00e3o contei aos meus pais ou a ningu\u00e9m\u00a0mais, eles teriam dito,\u00a0\u201cVoc\u00ea est\u00e1\u00a0apenas\u00a0imaginando\u201d.\u00a0<\/p><p>EB: Voc\u00ea sentiu que havia alguma rela\u00e7\u00e3o entre a intensidade da sua discuss\u00e3o e o que estava acontecendo?\u00a0<\/p><p>DB: Sim, eu provavelmente senti que estavam\u00a0relacionados.\u202fNa verdade, eu poderia ter\u202fexplicado dizendo que\u00a0eu\u00a0estava projetando a universalidade no c\u00e9u, como poderia ter feito quando crian\u00e7a.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fQuando foi\u00a0seu pr\u00f3ximo encontro\u00a0com ele?\u00a0<\/p><p>DB: Eu n\u00e3o o vi muitas vezes, mas t\u00ednhamos di\u00e1logos\u00a0em Londres\u00a0todos os anos\u00a0em junho, al\u00e9m de\u00a0quando eu ia\u00a0para\u00a0Saanen, na Su\u00ed\u00e7a.\u202fCome\u00e7amos a ter\u00a0di\u00e1logos\u00a0nos quais,\u00a0pelo menos por um tempo,\u00a0pude sentir que havia alguma mudan\u00e7a de consci\u00eancia, mas quando voltei para a Inglaterra, ela desapareceu.\u202fQuando voc\u00ea volta \u00e0 vida comum.\u00a0<\/p><p>E\u202fB:\u202fO que voc\u00ea\u00a0apontaria\u00a0como\u00a0as caracter\u00edsticas ou qualidades\u00a0proeminentes\u00a0do ensino\u00a0de\u00a0Krishnamurti\u00a0que o diferenciam dos outros?\u00a0<\/p><p>DB: Bem,\u00a0em primeiro lugar, a preocupa\u00e7\u00e3o total com todas as fases da vida e da consci\u00eancia e, em segundo lugar, a quest\u00e3o de algo al\u00e9m da consci\u00eancia, que come\u00e7ou a\u00a0surgir em nossas discuss\u00f5es em\u00a0Saanen.\u00a0<\/p><p>EB:\u00a0Krishnamurti\u202fchegou a\u00a0apontar\u202falguma influ\u00eancia particular em\u00a0seus\u202fensinamentos?\u202fEle\u202fdiz que n\u00e3o l\u00ea\u202flivros de natureza religiosa ou filos\u00f3fica, mas\u00a0no in\u00edcio\u00a0ele pode ter entrado em contato com isso.\u00a0<\/p><p>DB: Bem, ele n\u00e3o\u00a0falou sobre isso comigo, mas ouvi pessoas dizerem que ele leu\u00a0<em>A Nuvem do N\u00e3o Saber<\/em>,\u00a0o\u00a0que\u00a0o\u00a0influenciou,\u00a0e provavelmente outros livros.\u00a0Sinto\u00a0que ele tamb\u00e9m deve\u00a0ter se\u00a0familiarizado com o que os teosofistas diziam.\u202fAs outras coisas que ele leu ou ouviu podem ter\u00a0o\u00a0despertado at\u00e9 certo ponto.\u00a0<\/p><p>EB: Voc\u00ea\u00a0chegou a\u00a0sentir\u00a0que ele\u00a0estava\u00a0te afastando de seus interesses cient\u00edficos?\u00a0<\/p><p>DB: N\u00e3o, porque meus interesses cient\u00edficos\u00a0continuaram.\u00a0Naquele momento eu queria entender toda essa quest\u00e3o do observador e\u00a0do\u00a0observado\u00a0cientificamente, e a quest\u00e3o de lidar com o universo como uma totalidade.\u202fEnt\u00e3o isso n\u00e3o me afastou do trabalho cient\u00edfico.\u202fEu me tornei\u00a0cada vez\u00a0mais interessado\u00a0pela\u202fquest\u00e3o da natureza do pensamento, que \u00e9\u202fcrucial para tudo, incluindo a ci\u00eancia, j\u00e1 que era o \u00fanico instrumento que\u00a0t\u00ednhamos.\u202fQuando estava em Londres com\u202fKrishnaji,\u00a0discuti o que fazer\u00a0quanto a\u00a0pesquisa cient\u00edfica,\u00a0e\u202flembro que\u202fele disse,\u00a0\u201cComece\u00a0com o\u00a0desconhecido.\u202fExperimente\u00a0come\u00e7ar\u00a0pelo\u00a0desconhecido.\u201d\u00a0<\/p><p>Pude ver que a quest\u00e3o de\u00a0se tornar livre do\u00a0conhecido era a quest\u00e3o crucial na ci\u00eancia, assim como em tudo.\u202fPor exemplo, vou usar um caso muito simples\u00a0envolvendo descobertas cient\u00edficas.\u202fVoc\u00ea pode ter ouvido falar de Arquimedes e suas descobertas.\u202fFoi-lhe dado\u00a0um\u00a0problema,\u00a0medir o volume de uma coroa de tamanho irregular a fim de verificar se era ouro ou n\u00e3o\u00a0atrav\u00e9s de seu\u00a0peso.\u00a0Era muito irregular para ser medida, o que o deixou\u00a0muito intrigado. De repente, quando estava no banho, ele viu a \u00e1gua deslocada\u00a0ao redor de seu\u00a0corpo e percebeu que, independentemente da forma, a \u00e1gua deslocada\u00a0equivale\u00a0ao volume do corpo, certo?\u202fE, portanto, ele poderia medir o volume da coroa.\u202fEle saiu gritando \u201cEureka!\u201d, caso\u00a0se\u00a0recorde.\u202fAgora,\u00a0considere\u00a0a natureza do que aconteceu.\u202fA barreira b\u00e1sica para ver era que as pessoas pensavam nas coisas em compartimentos diferentes.\u00a0Um era\u00a0o\u00a0volume por medi\u00e7\u00e3o,\u00a0e\u00a0em segundo lugar,\u00a0a \u00e1gua deslocada n\u00e3o teria nada a ver com isso, certo?\u00a0<\/p><p>EB: Exatamente.\u00a0<\/p><p>DB: Para permitir que eles se\u00a0conectem, a mente\u00a0precisaria\u00a0dissolver esses compartimentos r\u00edgidos.\u202fUma vez estabelecida a conex\u00e3o, qualquer pessoa que use o racioc\u00ednio comum poderia ter feito o resto, qualquer estudante de intelig\u00eancia razo\u00e1vel.\u202fO mesmo aconteceu com Newton.\u202fObviamente Arquimedes, assim como Newton e Einstein, estava em estado de energia intensa quando estava trabalhando, e o que acontece \u00e9 que o momento da percep\u00e7\u00e3o \u00e9 a dissolu\u00e7\u00e3o da barreira no pensamento.\u202f\u00c9 uma\u00a0percep\u00e7\u00e3o\u00a0da natureza do pensamento, n\u00e3o do problema.\u202fToda\u00a0percep\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0a\u00a0mesma.\u202f\u00c9 sempre uma\u00a0percep\u00e7\u00e3o\u00a0do pensamento.\u202fN\u00e3o \u00e9 o\u202fseu\u202fconte\u00fado, mas sua natureza f\u00edsica real que\u00a0constitui\u00a0a barreira.\u202fE \u00e9 isso que penso que\u202fKrishnamurti\u202festava dizendo, que\u00a0a percep\u00e7\u00e3o\u00a0transforma toda a estrutura do pensamento e torna a consci\u00eancia diferente.\u202fAgora, para os cientistas, isso pode acontecer por um momento, e ent\u00e3o eles se interessam pelo resultado, resolvendo o problema, mas\u202fKrishnamurti\u202fenfatiza\u00a0a\u00a0percep\u00e7\u00e3o\u00a0como a ess\u00eancia da pr\u00f3pria vida.\u202fSem chegar a uma conclus\u00e3o.\u202fN\u00e3o se preocupe muito com os resultados, por mais importantes que\u00a0possam\u00a0ser.\u202fPercep\u00e7\u00e3o, novas\u00a0percep\u00e7\u00f5es\u00a0s\u00e3o continuamente necess\u00e1rias.\u202fEssa percep\u00e7\u00e3o\u00a0continuamente\u00a0dissolve\u00a0os r\u00edgidos\u00a0compartimentos do pensamento.\u202f\u00c9 essa\u00a0a transforma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia.\u202fNossa consci\u00eancia agora\u00a0\u00e9\u00a0r\u00edgida e fr\u00e1gil\u00a0porque \u00e9 mantida em padr\u00f5es fixos de pensamento devido ao nosso condicionamento sobre n\u00f3s mesmos. E\u00a0quando nos apegamos a esses pensamentos, eles\u00a0ficam\u00a0mais\u00a0confort\u00e1veis.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fKrishnamurti\u202fparece\u202fser\u00a0sempre\u00a0capaz de\u00a0fazer a\u00a0distin\u00e7\u00e3o\u202fentre usar o pensamento como uma ferramenta e\u00a0deix\u00e1-lo de lado quando a ferramenta n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1ria por uma\u00a0raz\u00e3o\u00a0espec\u00edfica.\u202fDeix\u00e1-lo de lado deixa espa\u00e7o para mais\u00a0questionamentos.\u00a0<\/p><p>DB: Sim,\u00a0era poss\u00edvel\u00a0sentir que esse espa\u00e7o\u00a0se fazia\u00a0presente em nossa discuss\u00e3o.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fQuais seriam\u00a0os\u00a0atributos\u00a0mais caracter\u00edsticos\u202fdos\u202fensinamentos\u202fde\u202fKrishnamurti?\u00a0<\/p><p>DB:\u00a0Acho que existem v\u00e1rios\u00a0atributos\u00a0que\u00a0poder\u00edamos chamar de\u00a0caracter\u00edsticos.\u202fA \u00eanfase no pensamento como fonte de nossos problemas.\u202fKrishnamurti\u202fafirma\u00a0que o pensamento \u00e9 um processo material.\u00a0Ele\u00a0sempre\u00a0falou\u00a0isso.\u202fA maioria das pessoas tende a considerar o pensamento algo\u00a0diferente\u00a0disso, e n\u00e3o vejo isso\u00a0sendo\u202fenfatizado em lugar algum.\u202fAgora, \u00e9 muito importante\u00a0perceber\u00a0que o pensamento \u00e9 um processo material. Em outras palavras, o pensamento pode ser observado como qualquer\u00a0outra\u00a0mat\u00e9ria.\u202fQuando observamos\u00a0interiormente,\u00a0estamos\u202fobservando n\u00e3o o conte\u00fado do pensamento, n\u00e3o a ideia, n\u00e3o o sentimento, mas o pr\u00f3prio processo material.\u202fSe\u00a0h\u00e1\u00a0algo errado com o pensamento, \u00e9 porque coisas err\u00f4neas foram controladas na mem\u00f3ria,\u00a0que\u00a0nos\u00a0controla,\u00a0e a mem\u00f3ria precisa ser\u00a0transformada\u00a0fisicamente.\u202f\u00c9 poss\u00edvel apagar a mem\u00f3ria de\u00a0uma fita com um \u00edm\u00e3, mas\u00a0apagar\u00edamos\u00a0as mem\u00f3rias\u00a0\u00fateis e\u00a0as\u00a0in\u00fateis ao mesmo tempo.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fKrishnamurti\u202fparece indicar que uma\u00a0certa\u00a0t\u00e1bula rasa pode ser\u00a0alcan\u00e7ada\u00a0atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o clara.\u00a0<\/p><p>DB:\u00a0Correto, mas\u00a0ela\u00a0acontece\u00a0necessariamente de maneira inteligente para que\u00a0n\u00e3o\u00a0apaguemos\u00a0as mem\u00f3rias necess\u00e1rias. Por\u00e9m,\u00a0as mem\u00f3rias que d\u00e3o origem \u00e0 import\u00e2ncia do eu\u00a0ser\u00e3o apagadas.\u202fEle diz que h\u00e1\u202fuma energia\u202fal\u00e9m da mat\u00e9ria, que \u00e9 a verdade, e que a verdade age com a for\u00e7a da necessidade.\u202fNa verdade,\u00a0ela\u00a0trabalha na base material do pensamento e da consci\u00eancia e\u00a0a transforma\u00a0em uma forma ordenada.\u202fAssim,\u00a0deixa de criar desordem.\u202fEnt\u00e3o, o pensamento s\u00f3 funcionar\u00e1 onde for\u202fnecess\u00e1rio e deixar\u00e1\u00a0a mente vazia para algo mais profundo.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fAs pessoas costumam\u00a0argumentar\u202fque n\u00e3o\u00a0possuem\u00a0energia suficiente\u202fpara continuar essa investiga\u00e7\u00e3o em suas vidas.\u202fComo voc\u00ea responderia?\u00a0<\/p><p>DB:\u00a0Provavelmente porque n\u00e3o h\u00e1 um entendimento\u00a0quanto \u00e0\u00a0natureza da energia.\u202fVamos conectar isso\u00a0com outra obje\u00e7\u00e3o\u00a0apontada pelas pessoas.\u202fElas veem isso em determinados momentos, mas\u00a0ent\u00e3o\u00a0desaparece.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fEssa \u00e9 uma reclama\u00e7\u00e3o frequente.\u00a0<\/p><p>DB:\u202fO modo como vejo isso \u00e9 o seguinte:\u00a0\u00e9\u202fpreciso\u00a0ver o que \u00e9 essencial e\u202funiversal, e isso transformar\u00e1 a mente.\u202fO universal pertence a todos, al\u00e9m de cobrir tudo, todas as formas poss\u00edveis.\u202f\u00c9 a consci\u00eancia geral da humanidade.\u202fAgora\u00a0a\u202fenergia,\u202ftodo esse processo do ego\u00a0desperdi\u00e7a\u00a0energia\u00a0continuamente,\u00a0nos\u00a0deprimindo e confundindo.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fEm outras palavras, a percep\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo\u00a0como\u00a0um ser separado \u00e9 um desperd\u00edcio de energia.\u00a0<\/p><p>DB: Sim, porque se voc\u00ea se v\u00ea\u202fcomo um ser em particular,\u202ftentar\u00e1 continuamente proteger\u00a0esse\u00a0ser.\u202fSuas energias\u00a0se\u00a0dissipar\u00e3o.\u00a0<\/p><p>EB:\u00a0Mais cedo\u00a0voc\u00ea estava dizendo que\u00a0uma vez que\u00a0o pensamento \u00e9 um processo material,\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio observar\u00a0seu processo, e\u202fn\u00e3o\u00a0seu\u202fconte\u00fado.\u202fComo\u00a0\u00e9 poss\u00edvel fazer isso?\u202fComo\u00a0\u00e9 poss\u00edvel\u00a0mudar\u00a0e observar o processo material quando parece que a \u00fanica coisa\u00a0da qual\u00a0a consci\u00eancia est\u00e1 ciente \u00e9 o conte\u00fado?\u00a0<\/p><p>DB: Bem, existem v\u00e1rios pontos.\u202fAntes de chegarmos a\u00a0eles, outra\u202fdiferen\u00e7a importante de\u202fKrishnamurti\u202f\u00e9 sua \u00eanfase na vida real,\u00a0em estar ciente de tudo,\u00a0e tamb\u00e9m sua recusa em aceitar\u00a0a\u00a0autoridade, o que \u00e9\u00a0de fato\u00a0extremamente importante.\u202fHavia budistas que disseram\u00a0que\u202fKrishnamurti\u202fdizia\u00a0o mesmo que\u00a0eles, mas ele diz,\u00a0\u201cPor que voc\u00ea come\u00e7a com o Buda?\u00a0Por que n\u00e3o come\u00e7ar\u00a0com o que est\u00e1 aqui agora?\u201d\u202fIsso foi muito\u202fimportante,\u202fele se recusa a levar a s\u00e9rio a compara\u00e7\u00e3o com o que outras pessoas dizem.\u202fAgora, voltando ao que\u202fvoc\u00ea estava dizendo sobre a observa\u00e7\u00e3o do processo material.\u202f\u00c9 preciso\u00a0ver o que pode ser observado sobre o pensamento, al\u00e9m das\u00a0imagens, sentimentos e seu significado.\u202fTudo que pensamos\u00a0aparece na consci\u00eancia como uma demonstra\u00e7\u00e3o.\u202f\u00c9 assim que o pensamento trabalha para exibir seu conte\u00fado, como uma demonstra\u00e7\u00e3o da\u00a0imagina\u00e7\u00e3o.\u202fPortanto, se pensarmos\u00a0o observador\u00a0separado do observado,\u00a0eles\u00a0aparecer\u00e3o\u00a0na consci\u00eancia como duas entidades diferentes.\u202fA quest\u00e3o\u00a0\u00e9 que as palavras parecer\u00e3o vir do\u202fobservador que sabe, que v\u00ea. Assim, elas s\u00e3o a verdade, s\u00e3o uma descri\u00e7\u00e3o da verdade.\u202fEssa \u00e9 a ilus\u00e3o.\u202fA\u00a0forma\u00a0como um m\u00e1gico trabalha \u00e9 exatamente\u202fa mesma,\u00a0veja bem.\u202fO trabalho de\u202ftodo\u202fm\u00e1gico depende de distrair\u00a0a\u00a0aten\u00e7\u00e3o\u00a0do p\u00fablico para que\u00a0n\u00e3o vejam\u00a0como as coisas est\u00e3o conectadas.\u202fDe repente, algo aparece\u00a0do\u00a0nada,\u00a0como m\u00e1gica.\u202fN\u00e3o veem\u00a0como depende do que ele realmente fez.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fSentimos\u00a0falta do elo perdido\u2026\u00a0<\/p><p>DB: Ao perder\u00a0a conex\u00e3o, alteramos o significado\u00a0completamente.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fEnt\u00e3o, o que parece ser m\u00e1gico, na verdade\u00a0\u00e9 a\u00a0n\u00e3o\u00a0percep\u00e7\u00e3o\u00a0do elo entre todas essas conex\u00f5es.\u00a0<\/p><p>DB:\u202fSim, e esse tipo de m\u00e1gica ocorre na consci\u00eancia.\u00a0O\u00a0observador e o observado veem as coisas aparecerem e o observador parece estar desvinculado do observado.\u202fAssim, sai como se fosse do nada.\u202fE se viesse do nada, seria verdade.\u202fAlgo que aparece na consci\u00eancia do nada \u00e9 tomado como real e verdadeiro.\u202fSe voc\u00ea vir\u00a0a conex\u00e3o com\u00a0o pensamento,\u202fver\u00e1 que ele n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o profundo.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fVoc\u00ea est\u00e1 dizendo que\u00a0o\u00a0pensamento \u00e9 mais superficial do que pensamos.\u00a0<\/p><p>DB: Sim, na verdade \u00e9 extremamente superficial.\u202fVeja,\u00a0a maior parte de nossa consci\u00eancia \u00e9 muito, muito superficial.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fE o que\u00a0vemos como nossas percep\u00e7\u00f5es\u00a0mais profundas s\u00e3o\u00a0na verdade\u00a0observa\u00e7\u00f5es bastante superficiais.\u00a0<\/p><p>DB: Sim, ou nem mesmo observa\u00e7\u00f5es.\u202fMuitas delas s\u00e3o apenas ilus\u00f5es, muito do que pensamos sobre\u202fn\u00f3s mesmos\u202f\u00e9 apenas uma ilus\u00e3o.\u202fA analogia que \u00e9 feita\u00a0frequentemente\u00a0na literatura indiana \u00e9 que se voc\u00ea tem uma corda que\u00a0voc\u00ea pensa ser\u00a0uma cobra, seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 batendo, sua mente est\u00e1 confusa,\u00a0e no minuto em que voc\u00ea v\u00ea que n\u00e3o \u00e9 uma cobra, tudo muda.\u202fA mera percep\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente para mudar o estado de esp\u00edrito, e a percep\u00e7\u00e3o de que, por exemplo, o observador e o observado n\u00e3o s\u00e3o independentes, significar\u00e1 que as coisas que o observador\u00a0pensa\u00a0n\u00e3o s\u00e3o mais consideradas como verdade.\u202fEle perde\u00a0esse poder.\u202fAgora, se voc\u00ea\u202fv\u00ea o todo,\u00a0pode\u00a0dizer que toda a energia do c\u00e9rebro \u00e9\u202fdespertada e dirigida pela demonstra\u00e7\u00e3o\u00a0que o pensamento faz\u00a0de seu conte\u00fado, \u00e9 como um mapa.\u202fH\u00e1 uma demonstra\u00e7\u00e3o na qual\u00a0todo esse conte\u00fado \u00e9 considerado verdade, conforme necess\u00e1rio.\u202fEnt\u00e3o todo o c\u00e9rebro\u00a0se reiniciar\u00e1 em torno desta\u00a0demonstra\u00e7\u00e3o.\u202fTudo ser\u00e1 organizado para tentar fazer uma\u00a0demonstra\u00e7\u00e3o\u00a0melhor.\u202fAgora, no\u00a0momento\u00a0em que voc\u00ea v\u00ea que \u00e9 apenas uma\u00a0demonstra\u00e7\u00e3o, tudo\u00a0isso para.\u202fAgora o c\u00e9rebro se acalma e\u00a0se apresenta em outro estado.\u202fN\u00e3o est\u00e1 mais preso e, portanto, pode fazer algo totalmente diferente.\u202fMas para isso, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o apenas dizer, mas v\u00ea-lo\u202fda maneira que sugerimos.\u00a0<\/p><p>Pensei em outro caso\u00a0no qual \u00e9 poss\u00edvel\u00a0ver o poder da\u00a0percep\u00e7\u00e3o.\u202fFoi o caso de Helen Keller, voc\u00ea deve ter\u00a0ouvido falar dela, ela era cega, surda e\u00a0muda.\u202fQuando n\u00e3o conseguia se comunicar, era como um animal selvagem.\u202fEles encontraram essa professora, Ann Sullivan.\u00a0<\/p><p>O que ela fez foi jogar um jogo, por assim dizer, colocar a m\u00e3o da crian\u00e7a em contato com algo, que era\u00a0o\u00a0seu \u00fanico sentido, e riscar a palavra em sua m\u00e3o.\u202fDe in\u00edcio\u00a0era claramente nada al\u00e9m de um jogo.\u00a0Ela n\u00e3o entendia o que estava acontecendo.\u202fEnt\u00e3o,\u00a0Helen Keller lembra que, certa manh\u00e3, ela foi exposta \u00e0 \u00e1gua em um copo,\u00a0e\u00a0a palavra \u00e1gua\u00a0foi riscada.\u00a0\u00c0\u00a0tarde\u00a0foi exposta \u00e0\u00a0\u00e1gua em uma bomba, e o nome\u202ffoi riscado\u00a0novamente.\u00a0De repente ela\u00a0teve uma percep\u00e7\u00e3o, uma\u00a0percep\u00e7\u00e3o\u00a0esmagadora, de que\u00a0tudo tem um nome.\u202fSe a \u00e1gua era uma coisa em todas as suas\u00a0diferentes\u00a0formas, esse \u00fanico nome \u201c\u00e1gua\u201d poderia ser comunicado \u00e0 outra pessoa que usasse o mesmo nome.\u202fA partir da\u00ed, ela come\u00e7ou a usar a linguagem e, em poucos dias, aprendeu palavras.\u00a0Em alguns dias estava fazendo frases,\u00a0e toda a sua vida foi transformada.\u202fEla n\u00e3o era mais essa pessoa selvagem violenta, mas\u00a0algo\u00a0completamente diferente.\u202fEnt\u00e3o voc\u00ea pode ver que essa percep\u00e7\u00e3o transformou tudo.\u202fUma vez que teve a percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havia como voltar atr\u00e1s.\u202fEla n\u00e3o\u00a0teve a percep\u00e7\u00e3o e depois a esqueceu e teve que\u00a0consegui-la novamente.\u00a0Acho que\u202fo que\u00a0Krishnamurti\u202fsugere \u00e9\u00a0que ver que o observador \u00e9 o observado seria uma percep\u00e7\u00e3o\u00a0muito\u00a0al\u00e9m da\u00a0que ela teve.\u202fTeria um efeito muito mais revolucion\u00e1rio.\u00a0<\/p><p>EB: Voc\u00ea sente que o conceito do\u00a0observador e\u00a0do\u00a0observado \u00e9\u00a0um conceito\u00a0fundamental nos\u202fensinamentos\u202fde\u00a0Krishnamurti.\u00a0<\/p><p>DB: Sim, na verdade eles s\u00e3o id\u00eanticos.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fMe pergunto se voc\u00ea poderia recapitular alguns dos outros\u00a0pontos fundamentais\u00a0dos\u00a0ensinamentos\u00a0dele?\u00a0<\/p><p>DB: Bem, a quest\u00e3o do tempo, o tempo psicol\u00f3gico sendo meramente produzido pelo pensamento.\u202fVeja,\u00a0o tempo \u00e9 exatamente a mesma coisa que o observador e o observado.\u202fO fim do observador e\u00a0do observado\u00a0\u00e9\u00a0id\u00eantico ao fim do tempo psicol\u00f3gico e, portanto, chega-se a\u00a0um estado atemporal.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fE com a percep\u00e7\u00e3o do observador e\u00a0do observado como uma unidade, todo o fen\u00f4meno do sofrimento,\u00a0das\u00a0dificuldades humanas pelas quais todos passamos terminam.\u00a0<\/p><p>DB: Isso mesmo, porque todos se originam\u00a0da\u00a0ignor\u00e2ncia da verdadeira natureza\u202fdesta quest\u00e3o.\u202fEnt\u00e3o, a \u00eanfase na\u202fcompaix\u00e3o surge.\u202fA paix\u00e3o por\u202ftodos, n\u00e3o apenas\u00a0a\u00a0paix\u00e3o por\u00a0aqueles que\u00a0est\u00e3o\u00a0sofrendo.\u202fIsso faz parte da paix\u00e3o que vai al\u00e9m do sofrimento.\u00a0<\/p><p>EB: A\u202fautoridade \u00e9 certamente outro fator importante em seus\u00a0ensinamentos.\u00a0<\/p><p>DB: Sim, voc\u00ea pode ver agora porque a autoridade \u00e9 t\u00e3o importante.\u202fUm dos pontos que\u00a0devemos\u00a0acrescentar \u00e9 o enorme poder da mente de enganar a si mesma, que ele reconheceu.\u202fA autoridade \u00e9 uma das principais formas de\u00a0autoengano.\u202fH\u00e1 autoridade na mente, n\u00e3o autoridade em outros meios, eles n\u00e3o s\u00e3o necessariamente autoengano.\u202fSe algu\u00e9m se apresenta como uma autoridade,\u00a0na verdade, o perigo \u00e9 dizer\u00a0que come\u00e7ou a duvidar de certas coisas\u00a0e ent\u00e3o\u00a0aceitar\u00a0o que ele diz\u202fcomo verdadeiro,\u202fporque voc\u00ea quer que seja assim.\u202f\u00c9 basicamente que a verdade deve ser para mim o que eu preciso que\u00a0ela\u00a0seja.\u202fSinto-me desconfort\u00e1vel, assustado, preocupado e assim por diante, e assim a autoridade,\u00a0a autoridade\u00a0religiosa,\u00a0aparece e diz,\u00a0\u201cDeus cuidar\u00e1 de voc\u00ea enquanto voc\u00ea for bom e acreditar\u201d, e assim por diante.\u202fEu quero acreditar e, portanto, digo que essa \u00e9 a verdade.\u202fEu estava prestes a ter que questionar tudo isso,\u00a0e vem a autoridade\u202fque\u202ftorna\u00a0isso\u00a0desnecess\u00e1rio.\u202f\u00c9\u00a0preciso\u00a0perguntar por que aceitamos a\u00a0autoridade.\u202fVeja bem, a autoridade n\u00e3o oferece nenhuma prova, ent\u00e3o por que a aceitamos?\u202fPorque queremos, precisamos,\u00a0n\u00e3o \u00e9?\u202fPreciso\u00a0ter conforto, consolo e seguran\u00e7a.\u202fE vem essa figura impressionante, muito\u00a0bem aparentada, talvez vestida com certas cerim\u00f4nias, m\u00fasica muito\u00a0agrad\u00e1vel, pensamentos consoladores e boa maneira, e ela\u00a0diz,\u00a0\u201cVoc\u00ea est\u00e1 bem, tudo ficar\u00e1\u00a0bem.\u202fVoc\u00ea\u00a0s\u00f3 precisa\u00a0acreditar.\u201d\u00a0<\/p><p>E\u202fB:\u202fUma das principais caracter\u00edsticas da autoridade \u00e9 que ela possui grande poder, e esse poder se manifesta, como voc\u00ea disse,\u00a0atrav\u00e9s de\u00a0ritual e cerim\u00f4nia.\u202fAssim como um poder mundano, um rei se mostraria atrav\u00e9s de suas armadilhas,\u00a0atrav\u00e9s de sua coroa etc.\u00a0<\/p><p>DB: Isso mesmo.\u202fMas\u00a0veja,\u202f\u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o\u00a0vazia.\u202fO ponto principal \u00e9 que a autoridade constr\u00f3i uma demonstra\u00e7\u00e3o\u00a0vazia\u00a0de poder ao seu redor.\u202fUma tela, como voc\u00ea a chamou.\u202fN\u00e3o h\u00e1 nada por tr\u00e1s disso, exceto\u202fnossa cren\u00e7a\u00a0de que\u202fest\u00e1 l\u00e1.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fFoi poss\u00edvel\u00a0observar nos\u202ftrabalhos\u202fde\u00a0Krishnamurti\u202falgum\u202fponto de ruptura\u00a0no qual\u00a0seus ensinamentos se desviaram ou foram em uma dire\u00e7\u00e3o completamente diferente?\u00a0<\/p><p>DB: N\u00e3o, n\u00e3o\u00a0observei\u00a0nenhuma mudan\u00e7a fundamental.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fMesmo quando jovem, esse ensinamento\u00a0esteve\u00a0impl\u00edcito em tudo o que ele dizia.\u00a0<\/p><p>DB: Sim, sim.\u00a0<\/p><p>EB:\u202fE n\u00e3o houve aprendizado com outros modelos?\u00a0<\/p><p>DB: N\u00e3o.\u202fAcho que vem de uma fonte al\u00e9m do c\u00e9rebro, que \u00e9, em\u202fprinc\u00edpio, aberta a todos.\u202fEsse per\u00edodo nos\u202fEstados Unidos durante a d\u00e9cada de 1950, conhecido como\u202fa\u00a0era McCarthy,\u00a0veio a impactar muitas\u202fpessoas.\u202fAssim como David\u202fBohm\u00a0caiu sob a sombra do suposto \u201cantiamericanismo\u201d, outro\u202fhomem de consci\u00eancia, em um campo muito diferente,\u00a0tamb\u00e9m\u00a0caiu sob\u00a0esse\u00a0manto.\u00a0<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>David Bohm F\u00cdSICO, LONDRES, INGLATERRA\u00a0 \u202fQuando a Inglaterra foi tomada pelo fogo de interesse e entusiasmo pelo\u202ftrabalho\u202fde\u00a0Krishnamurti, um novo relacionamento se formou,\u00a0tendo sido\u00a0de grande import\u00e2ncia para o f\u00edsico David\u00a0Bohm\u00a0e para o\u202fpr\u00f3prio\u202fKrishnamurti.\u00a0 Bohm\u00a0era um homem de intelecto vasto, capaz de explorar quest\u00f5es profundamente, mas com\u202fa hesita\u00e7\u00e3o de um cientista.\u00a0 Durante os anos de guerra, ele trabalhou 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