{"id":2099,"date":"2022-12-18T20:35:23","date_gmt":"2022-12-18T20:35:23","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2099"},"modified":"2022-12-18T20:35:47","modified_gmt":"2022-12-18T20:35:47","slug":"beatrice-wood","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2099","title":{"rendered":"Beatrice Wood"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2099\" class=\"elementor elementor-2099\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-117a9335 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"117a9335\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-470849b2\" data-id=\"470849b2\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-141f74e7 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"141f74e7\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Beatrice Wood<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">CERAMISTA E ARTISTA, OJAI, CALIF\u00d3RNIA<\/p><p>BW: Imagino que tenha conhecido Krishnamurti em 1923. Um amigo, Reginald Pole, o levou ao meu pequeno apartamento em Nova York.\u00a0Depois fomos ao Metropolitan Museum e observamos a arte indiana.\u00a0Almocei com ele, seu irm\u00e3o Nityananda, Rajagopal e Mima Porter, quem ele conhecera quando jovem.\u00a0Almo\u00e7amos todos no Hotel Gotham. Eu era muito t\u00edmida e sentia admira\u00e7\u00e3o por ele.<\/p><p>Evelyn Blau: Que impress\u00e3o teve quando o viu pela primeira vez?<\/p><p>BW: Bem, acho que escrevi em meu di\u00e1rio, \u201cUma das pessoas mais bonitas que j\u00e1 vi.\u201d Na verdade, eu n\u00e3o o ouvi palestrar at\u00e9 muitos anos depois.\u00a0Eu estava em seu primeiro acampamento em Ojai, em 1928. O acampamento durou uma semana.\u00a0Almocei com ele v\u00e1rias vezes, uma vez que t\u00ednhamos muitos amigos em comum.\u00a0Eu n\u00e3o era uma amiga \u00edntima, eu era uma boa amiga.\u00a0Como o acampamento durou uma semana, ficou decidido que deveria haver entretenimento, e ele me encarregou de organizar as pe\u00e7as de teatro.\u00a0Organizamos tr\u00eas pe\u00e7as de um ato, uma de Tolst\u00f3i, uma de George Bernard Shaw e acho que uma de Barry.\u00a0As pessoas do acampamento que se interessaram participaram.\u00a0Meu trabalho era ensai\u00e1-las, e depois escolhemos A Luz da \u00c1sia como uma das pe\u00e7as.\u00a0Aquelas primeiras conversas sentados no ch\u00e3o sob os carvalhos foram maravilhosas.\u00a0Nunca se falou em dinheiro, nada.\u00a0Havia uma atmosfera maravilhosa, e eu ouvia.\u00a0Eu estava lendo um outro fil\u00f3sofo, e depois li Krishnamurti. O achei o orador mais profundo, embora n\u00e3o fa\u00e7a ideia do quanto absorvi do que ele disse.\u00a0Havia um grande sil\u00eancio nessas conversas iniciais, e lembro-me de ter acontecido a mesma coisa na \u00cdndia muitos anos depois, o grande sil\u00eancio da plateia.<\/p><p>EB: Voc\u00ea acha que foi porque as pessoas sentiram que ele era um messias? Porque houve tais proclama\u00e7\u00f5es.<\/p><p>BW: Bem, acho que teve muito a ver com isso.\u00a0Durante\u00a0esses primeiros anos, ele dava entrevistas com muita facilidade.\u00a0Eu tive cinco com ele, e uma esteve comigo e me ajudou especialmente.\u00a0Voc\u00ea quer que eu\u00a0conte?<\/p><p>EB: Sim, por favor.<\/p><p>BW: Teve a ver com inveja.\u00a0Geralmente n\u00e3o sinto inveja de outros artistas, mas uma vez vi um esmalte que estava tentando fazer.\u00a0Fui at\u00e9 Claremont, e ali estava aquele esmalte que eu tinha lutado para ter e n\u00e3o tinha conseguido.\u00a0Foi como uma rea\u00e7\u00e3o f\u00edsica de inveja, e fiquei horrorizada comigo mesma.\u00a0Ent\u00e3o fui conversar com Krishnamurti.\u00a0Essas n\u00e3o s\u00e3o as palavras exatas, mas \u00e9 o impacto daquilo que ele me fez perceber.\u00a0Ele disse algo assim, \u201cTudo bem, somos todos invejosos.\u00a0N\u00e3o tente n\u00e3o sentir inveja.\u00a0Deixe de lado e parta para outro pensamento.\u201d Isso me ajudou de muitas maneiras.\u00a0Eu n\u00e3o senti inveja da arte, mas senti inveja, eu diria, das pessoas.\u00a0Essa coisa de tentar n\u00e3o sentir inveja, mas no lugar tocar a quietude da mente.<\/p><p>EB: Voc\u00ea acha que o fato de ele ter falado tantas vezes sobre observar suas pr\u00f3prias rea\u00e7\u00f5es e suas pr\u00f3prias respostas a tornou mais consciente? Anteriormente, a inveja poderia ter surgido em voc\u00ea, mas agora voc\u00ea estava ciente disso.<\/p><p>BW: Bem, isso est\u00e1 nos ensinamentos dele, e todo grande professor religioso que existiu ao longo do tempo disse, \u201cConhe\u00e7a a si mesmo\u201d. E o que eu percebi em Krishnamurti \u00e9 que, se eu encarar a atividade da minha mente, suas distra\u00e7\u00f5es, inveja, se desejar \u2013 e apenas deixar para l\u00e1 \u2013 eu alcan\u00e7o o que \u00e9 para mim uma quietude. A quest\u00e3o \u00e9, como ele disse, observar momento a momento. Claro que eu n\u00e3o fa\u00e7o isso. S\u00f3 posso dizer que ele teve um grande impacto em mim e que sou diferente do que seria se n\u00e3o o tivesse escutado.<\/p><p>Em 1930 ele convidou a mim e a um bom amigo meu para irmos \u00e0 Holanda por uma semana, para o pr\u00e9-acampamento, antes do in\u00edcio do encontro oficial, e houve muitos debates.\u00a0Fomos \u00e0 Holanda e Ommen, e estava muito frio.\u00a0A maioria das pessoas ficaria em pequenas cabanas, enquanto Krishnamurti ficaria no castelo. Ele nos convidou com outras pessoas para ficarmos no castelo com ele. Ficou cercado pela multid\u00e3o, e mesmo assim recusou-se a coloc\u00e1-las para fora.\u00a0Ent\u00e3o, em vez disso, ficamos com o gerente do acampamento.<\/p><p>EB:\u00a0Os debates pr\u00e9-acampamento foram diferentes das conversas regulares?<\/p><p>BW: No pr\u00e9-acampamento?\u00a0Bem, esse foi o \u00fanico pr\u00e9-acampamento que participei na Holanda.\u00a0\u00c9ramos um grupo menor de pessoas, e aqui nos Estados Unidos ele tinha pr\u00e9-acampamentos tamb\u00e9m, tinha grupos de vinte pessoas, e pelo que lembro compareci a pelo menos quatro deles, mas acho que isso foi nos anos 30, n\u00e3o nos anos 20.\u00a0As perguntas eram respondidas, e lembro que ele disse uma vez a uma mulher, \u201cNenhum de voc\u00eas escuta, n\u00e3o h\u00e1 uma troca real entre voc\u00eas.\u201d Gostei dos encontros porque havia uma proximidade na qual poder\u00edamos fazer as perguntas que desej\u00e1ssemos.<\/p><p>EB: Quando foi seu pr\u00f3ximo contato?<\/p><p>BW: Bem, o seguinte foi quando vim para Arya Vihara para passar uma ou duas noites.<\/p><p>EB\u00a0:\u00a0Voc\u00ea morava em Ojai naquela \u00e9poca?<\/p><p>BW: Eu estava morando em Ojai e, em 1948, mudei-me para uma casa em frente \u00e0 dele, ent\u00e3o o via constantemente.\u00a0Por um tempo, trabalhei para Rajagopal, mas minha vista n\u00e3o estava boa.\u00a0Eu simplesmente n\u00e3o era r\u00e1pida e precisa o suficiente para continuar trabalhando para ele.\u00a0N\u00f3s \u00e9ramos jovens na \u00e9poca.\u00a0Todos interligados, se conhecendo.<\/p><p>EB\u00a0:\u00a0E o que te trouxe a Ojai em primeiro lugar?<\/p><p>BW: Ah, eu vim por Krishnamurti, sem d\u00favidas.\u00a0Eu havia o conhecido em Nova Iorque, assim como havia conhecido Rajagopal e Rosalind.\u00a0Meu cora\u00e7\u00e3o estava despeda\u00e7ado devido a uma rela\u00e7\u00e3o amorosa, e eu precisava de algo para sobreviver.\u00a0Eu conhecia Krishnamurti, e foi assim que cheguei ao primeiro\u00a0<em>Star Camp<\/em>.\u00a0Tenho trabalhado maravilhosamente como artista desde que cheguei aqui.\u00a0Nunca gastei muito tempo pensando na escolha de me mudar para Ojai.\u00a0O que me preocupava era que eu estava perdida.\u00a0Meu cora\u00e7\u00e3o estava realmente despeda\u00e7ado, e eu queria que algo viesse \u00e0 tona.<\/p><p>EB\u00a0:\u00a0E havia uma comunidade de pessoas interessadas em torno de Krishnamurti?<\/p><p>BW: Ah, sim, sempre.\u00a0Huxley, \u00e9 claro, Robert e Sarah Logan eram o que se chamava aristocracia.\u00a0Eu odeio essa palavra, mas h\u00e1 uma palavra, alguma coisa alta.<\/p><p>EB: Classe alta?<\/p><p>BW: Classe alta de Filad\u00e9lfia. Eles desistiram da sociedade depois de conhecerem Dr. Besant e Krishnamurti.\u00a0Ele costumava falar na casa deles em Sarobia, na Pensilv\u00e2nia. Depois Robert Logan comprou uma casa bem ao fundo de Arya Vihara. Eu e ele \u00e9ramos bons amigos.\u00a0Nos viamos todos constantemente.<\/p><p>EB\u00a0:\u00a0Eu gostaria de voltar um pouco no tempo.\u00a0Voc\u00ea estava ciente do que havia acontecido quando Krishnamurti teve a experi\u00eancia da \u201c\u00e1rvore de pimenta\u201d?<\/p><p>BW: Me falaram sobre isso.\u00a0Mas n\u00e3o estava ciente.<\/p><p>EB\u00a0:\u00a0Voc\u00ea conseguiu perceber alguma diferen\u00e7a, um novo despertar ou algum outro entendimento?<\/p><p>BW: N\u00e3o. N\u00e3o posso dizer que sim, porque sempre que via Krishnamurti, ele era apenas um ser humano, como todos n\u00f3s.\u00a0Ele n\u00e3o estava em uma \u00e1rvore falando coisas elevadas.\u00a0Ele ajudava quando estava em Arya Vihara, ajudava com a cria\u00e7\u00e3o dos animais, acho que ordenhou a vaca por um tempo.\u00a0Ele criou Radha, a filhinha de Rosalind e Rajagopal, ele praticamente a criou.\u00a0Ele fez o que qualquer um faria.\u00a0Mas ele tamb\u00e9m me ensinou, ensinar n\u00e3o \u00e9 a palavra certa, mas ouvindo-o comecei a perceber a import\u00e2ncia do que eu fazia no presente, para poder fazer perfeitamente.\u00a0Sou muito desleixada, muito descuidada, e estou tentando observar isso.\u00a0Esse foi seu impacto sobre mim.\u00a0Quando eu tinha quarenta e poucos anos, entregava cer\u00e2mica a uma grande loja \u2013 meu agente havia indo embora \u2013 e o gerente uma vez disse, \u201cOnde est\u00e1 sua fatura,\u201d e eu disse, \u201cFatura, o que \u00e9 uma fatura?\u201d Ela disse, \u201c\u00c9 um documento.\u201d Eu falei, \u201cSenhora, eu sou uma artista, eu n\u00e3o entendo de documentos.\u201d Ela disse, \u201cComo voc\u00ea espera receber o pagamento?\u201d E essa foi uma grande revolu\u00e7\u00e3o na minha vida.\u00a0Assim, o poder pr\u00e1tico de sua exatid\u00e3o me tornou ciente da ordem.\u00a0Ele me fez ver a import\u00e2ncia de ser verdadeira no interior.\u00a0Ele me tornou ciente do condicionamento da mente.<\/p><p>EB\u00a0:\u00a0Uma das coisas importantes que ele destacou foi o que\u00a0realmente\u00a0acontece na mente. Essa \u00eanfase na mente \u00e9 bastante incomum, em pensar nela mesma como um obst\u00e1culo.<\/p><p>BW: Ah, sim. Como eu disse, estava lendo outro fil\u00f3sofo, muito conceituado, e ent\u00e3o peguei um dos livros de Krishnamurti, e Krishnamurti me pareceu muito a frente em pensamentos profundos.<\/p><p>EB:\u00a0Como voc\u00ea se sentiu quando Krishnamurti dissolveu a Ordem da Estrela?<\/p><p>BW: Bem, sou contra organiza\u00e7\u00f5es.\u00a0N\u00e3o vejo como uma pessoa com o alcance dele possa trabalhar em qualquer organiza\u00e7\u00e3o.\u00a0Porque no momento em que nos tornamos parte de uma organiza\u00e7\u00e3o, somos presos a rigidez e regras.\u00a0Isso nunca me incomodou.\u00a0Veja bem, acho que a vida \u00e9 muito misteriosa, e sejamos sinceros, considerando apenas o assunto do sexo, que \u00e9 um problema para todos aparentemente, de uma maneira ou de\u00a0outra, digo que n\u00e3o conhecemos os diferentes costumes, n\u00e3o conhecemos. E o mais estranho \u00e9 que colocamos tanta \u00eanfase nisso em vez de nos preocuparmos em sermos \u00a0honestos em nosso interior.\u00a0Para mim, esse \u00e9 o primeiro ponto, e estou consciente do condicionamento da minha mente, e luto mais para ser sincera do que para fazer cer\u00e2mica ou algo assim, mas n\u00e3o consigo.\u00a0Mas eu luto, e isso \u00e9 realmente importante.\u00a0Penso que para n\u00f3s todos, \u00e9 importante ir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u00e9 honesto e compassivo, e n\u00e3o precisamos de uma Ordem da Estrela para isso.<\/p><p>EB:\u00a0Voc\u00ea acha que a beleza f\u00edsica de Krishnamurti teve um impacto?\u00a0Voc\u00ea acha que isso ajudou ou prejudicou o papel dele como professor?<\/p><p>BW: Eu n\u00e3o fa\u00e7o ideia. Acho que, se houvesse algum impacto, ajudaria, pois\u00a0ver uma pessoa bonita nos faz sentir bem.\u00a0Escuto a uma pessoa bonita muito mais rapidamente do que a uma pessoa comum, e preciso aprender a ser gentil com pessoas que n\u00e3o s\u00e3o atraentes.<\/p><p>EB:\u00a0Voc\u00ea acha que isso pode ter levado as pessoas para o caminho errado?\u00a0Nos sentimos atra\u00eddos por pessoas poderosas, pessoas bonitas, mas o que ele tinha a dizer era esmagador em seu impacto.\u00a0Voc\u00ea acha que as pessoas n\u00e3o estavam prestando tanta aten\u00e7\u00e3o ao que ele estava dizendo porque se apaixonaram por esse homem bonito?<\/p><p>BW: Eu n\u00e3o tinha consci\u00eancia disso, mas tinha consci\u00eancia de que algumas mulheres se sentiam pessoalmente mais pr\u00f3ximas dele do que eu, embora eu j\u00e1 o tivesse visto muitas vezes.\u00a0Provavelmente porque eu tinha admira\u00e7\u00e3o por ele.\u00a0Perdi um pouco dela quando me encontrei com ele na \u00cdndia nos anos 60.\u00a0Eu sei que ele se\u00a0op\u00f4s\u2026 essa\u00a0n\u00e3o \u00e9 a palavra correta. Ele apontou todas as minhas joias e eu afirmei que gostava delas, e eu teria at\u00e9 um diamante no nariz se n\u00e3o machucasse. Ele levantou as m\u00e3os horrorizado, e eu disse, \u201cKrishnaji, voc\u00ea simplesmente n\u00e3o \u00e9 igual as mulheres, n\u00e3o \u00e9 provocante como n\u00f3s.\u201d Ele apontou para todas as pulseiras no meu bra\u00e7o.\u00a0Uma mulher indiana disse, risonhamente, \u201cN\u00f3s a conhecemos quando est\u00e1vamos nos Estados Unidos, vimos as joias que voc\u00ea usava e rimos juntas, dizendo, \u2018como ser\u00e1 quando ela for para a \u00cdndia?\u2019\u201d. Agora, a mulher indiana usa muitas joias.\u00a0Eu sempre amei joias, ent\u00e3o passei a usar cada vez mais.\u00a0Amo as joias desde os dezesseis anos. Sup\u00f5e-se ser vulgar e de mau gosto.\u00a0Eu n\u00e3o ligo. Gosto de joias, ent\u00e3o uso.\u00a0Fico feliz quando vejo em outras mulheres.\u00a0Agora, parece-me que me faltaria compreens\u00e3o se eu parasse de usar joias apenas porque havia uma possibilidade de Krishnamurti n\u00e3o ter gostado delas.\u00a0Ele disse,\u00a0\u201cVoc\u00ea parece uma prisioneira com elas.\u201d Eu tinha mais em meus bra\u00e7os.\u00a0Apenas ri dele.\u00a0\u201cVoc\u00ea n\u00e3o sabe, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 uma mulher\u201d, mas ele era muito cuidadoso com a maneira como se vestia,\u00a0muito mais do que eu.\u00a0Ele estava sempre muito bem arrumado, impec\u00e1vel e elegante, ent\u00e3o n\u00e3o tinha o direito de dizer uma palavra para mim!\u00a0Eu estava em uma reuni\u00e3o na \u00cdndia e percebi, uma vez que estava muito infeliz, que a solid\u00e3o era provavelmente o problema b\u00e1sico.\u00a0No dia seguinte, fui ouvi-lo e havia uma grande multid\u00e3o de indianos ao ar livre, e achei maravilhoso o jeito que trouxe \u00e0 tona as travessuras da solid\u00e3o do homem.\u00a0Foi maravilhoso o jeito que ele fez isso.<\/p><p>EB: As pessoas ainda t\u00eam esse sentimento de isolamento, sentem que est\u00e3o isoladas e sozinhas, e realmente anseiam por algu\u00e9m para conversar sobre assuntos importantes.<\/p><p>BW: Principalmente o homem, apesar de ser parte da ra\u00e7a humana. Ele me fez perceber que a maior parte de nossa distra\u00e7\u00e3o e atividade \u00e9 buscando escapar dessa solid\u00e3o. Mas se encararmos isso, a atividade da vida continua como uma m\u00fasica.\u00a0\u00c9 completamente diferente se algu\u00e9m pode enfrent\u00e1-la.<\/p><p>EB: Qual foi a coisa mais significativa que voc\u00ea aprendeu ao ouvir Krishnamurti?\u00a0Voc\u00ea mencionou ordem anteriormente, um senso de ordem \u2026<\/p><p>BW: Eu n\u00e3o sei exatamente como responder, porque acho que tentar me livrar do condicionamento de minha mente \u00e9 minha maior luta.\u00a0Agora, isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o devamos rir, dizer coisas tolas.\u00a0\u00c9 completamente diferente.<\/p><p>EB: Voc\u00ea acha que havia maneiras pelas quais Krishnamurti poderia ter sido\u00a0mais claro\u00a0ao expor seus ensinamentos?<\/p><p>BW: Eu n\u00e3o sei.\u00a0Veja bem, ele est\u00e1 falando sobre o imaterial.\u00a0N\u00e3o podemos manter o pensamento em mat\u00e9ria, e ele fala t\u00e3o profundamente, n\u00e3o vejo como isso poderia ser mais claro, mas n\u00e3o fa\u00e7o ideia do quanto absorvi.\u00a0Como posso saber?\u00a0S\u00f3 sei que, no que me diz respeito, luto para ser um ser humano mais honesto do que se n\u00e3o o tivesse conhecido.\u00a0Para a\u00ed.<\/p><p>EB: Voc\u00ea continuou ouvindo Krishnamurti por muitos anos?<\/p><p>BW: Por muitos anos, at\u00e9 mais ou menos quinze anos atr\u00e1s, quando comecei a ficar surda.\u00a0Nos \u00faltimos anos, quando voltei da \u00cdndia, comecei a ficar surda, por isso n\u00e3o participei, mas o li constantemente.\u00a0N\u00e3o todas as noites, mas muitas vezes, porque n\u00e3o quero ser fan\u00e1tica.\u00a0Na verdade, todas as noites quando vou para a cama leio algo de natureza filos\u00f3fica. Exceto quando quero trapacear, e eu trapaceio de vez em quando quando tenho uma hist\u00f3ria de detetive que mal posso esperar para saber o fim.<\/p><p>EB: Eu n\u00e3o acho que te culpariam por isso.\u00a0De fato, \u00e9 sabido que Krishnamurti gostava de ler hist\u00f3rias de detetive.<\/p><p>BW: Talvez ele tamb\u00e9m tenha trapaceado.\u00a0Acho que temos que estar todos atentos ao fanatismo.\u00a0Acho que temos que observar isso com muito cuidado.<\/p><p>EB: O pr\u00f3prio Krishnamurti questionava constantemente tudo.\u00a0Ele questionava seus pr\u00f3prios pensamentos, seus pr\u00f3prios ensinamentos em certo sentido, para que ele n\u00e3o se tornasse um fan\u00e1tico.\u00a0Ele nunca estabeleceu nenhuma lei para seguirem.\u00a0Eu acho que ele foi um bom exemplo de liberdade do fanatismo.\u00a0Muito obrigado pela sua contribui\u00e7\u00e3o.\u00a0Eu tenho que cumpriment\u00e1-lo por sua magn\u00edfica mem\u00f3ria.<\/p><p>BW: Eu n\u00e3o acho t\u00e3o bom assim.<\/p><p>EB: Bem, aos cem anos, acho que n\u00e3o podemos reclamar.<\/p><p>BW: Tenho trinta e dois, cem apenas para o resto de voc\u00eas.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beatrice Wood CERAMISTA E ARTISTA, OJAI, CALIF\u00d3RNIA BW: Imagino que tenha conhecido Krishnamurti em 1923. Um amigo, Reginald Pole, o levou ao meu pequeno apartamento em Nova York.\u00a0Depois fomos ao Metropolitan Museum e observamos a arte indiana.\u00a0Almocei com ele, seu irm\u00e3o Nityananda, Rajagopal e Mima Porter, quem ele conhecera quando jovem.\u00a0Almo\u00e7amos todos no Hotel Gotham. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2099","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2099","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2099"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2099\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2106,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2099\/revisions\/2106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2099"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}