{"id":2088,"date":"2022-12-18T20:34:20","date_gmt":"2022-12-18T20:34:20","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2088"},"modified":"2022-12-18T20:34:45","modified_gmt":"2022-12-18T20:34:45","slug":"asha-lee","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2088","title":{"rendered":"Asha Lee"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2088\" class=\"elementor elementor-2088\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2e77dfc elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2e77dfc\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7e62045b\" data-id=\"7e62045b\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-74ce870d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"74ce870d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Asha Lee<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">PEDIATRA, OJAI, CALIFORNIA<\/p><p>AL: Eu levei minha m\u00e3e para ouvir e ver Krishnamurti pela primeira vez em Nova Delhi, quando eu ainda era apenas uma estudante de medicina. Quando ouvi Krishnamurti tive um forte sentimento de compreens\u00e3o da verdade sobre a qual ele falava. A simplicidade e a beleza do que ele disse me tocaram.<\/p><p>Evelyn Blau: Quando foi isso, Asha?<\/p><p>AL: Em 1964. Foi quando eu comecei a frequentar suas confer\u00eancias. Nunca perdi nenhuma delas. Eu costumava fazer meu trabalho no hospital e depois ir ouvi-lo no clube da Constitui\u00e7\u00e3o. Eu chegava pela porta dos fundos do audit\u00f3rio e entrava sorrateiramente, porque costumava chegar bem no momento em que ele come\u00e7ava a falar. Eu ficava no fundo, o escutava, e assim que acabava eu saia e pegava o \u00f4nibus para casa.<\/p><p>Durante uma viagem por Andhra Pradesh, em 1965, visitei a escola em Rishi Valley. Aquela viagem foi quase uma peregrina\u00e7\u00e3o, pois eu havia escutado Krishnamurti em algumas ocasi\u00f5es e depois visitei aquele lugar. Era t\u00e3o bonito, intocado. Havia uma escola no meio do vale em meio a algumas vilas e montanhas. Era semelhante a Ojai, rochosa, com o vale se espalhando entre as colinas. Passei entre uma semana e dez dias no vale. Era tudo tranquilo e bonito. Ent\u00e3o voltei e fiz minha p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o antes de ir para a Inglaterra, onde trabalhei com pediatria. Ao voltar para a \u00cdndia, me casei, visitei Rishi Valley e fui morar l\u00e1, em mar\u00e7o de 1969. Em novembro, Krishnaji chegou. Foi um per\u00edodo muito bonito para mim.<\/p><p>E B: Quando voc\u00ea voltou para Rishi Valley, voc\u00ea o fez j\u00e1 pensando em morar l\u00e1?<\/p><p>A L: Sim, eu fui para morar l\u00e1. Eu me tornei a m\u00e9dica da escola. Rapidamente os moradores dos vilarejos da regi\u00e3o descobriram que eu era m\u00e9dica e come\u00e7aram a me procurar para consultas. Eu abri uma cl\u00ednica para os moradores locais, os alunos e os funcion\u00e1rios da escola.<\/p><p>A escola tinha muitos jardins. Assim, eu me encantava por cuidar das flores do apartamento de Krishnaji quando ele chegava. Bem cedinho, \u00e0s 4h, ou no fim da tarde quando o sol j\u00e1 havia se posto, costumava caminhar pelos jardins e cortar as flores para que estivessem sempre novas. Se eu as cortasse \u00e0 noite, as colocaria em vasos de \u00e1gua para conserv\u00e1-las at\u00e9 de manh\u00e3.\u00a0 Eu buscava ir at\u00e9 o apartamento de Krishnaji antes que ele acordasse para agrad\u00e1-lo com flores novas. Eu subia os degraus na ponta dos p\u00e9s com vasos de flores novas, retirava os vasos de flores velhas de cada c\u00f4modo e os levava para a entrada da varanda ocidental. Havia luz suficiente da manh\u00e3, assim eu n\u00e3o precisava acender nenhuma luz. Eu me sentava na entrada e organizava as flores. Eu as colocava em diferentes partes dos c\u00f4modos e ent\u00e3o voltava para nossa casa, que ficava ao lado.<\/p><p>E B: Krishnamurti sabia que voc\u00ea fazia isso?<\/p><p>A L: Eu tamb\u00e9m ia l\u00e1 mais tarde levar papel de carta, l\u00e1pis e suco para o apartamento. Bem, o que aconteceu depois de dois ou tr\u00eas dias foi que, quando eu entrei, eles estavam tomando caf\u00e9 da manh\u00e3 e o diretor, Dr. Balasundaram, disse, \u201cEntre e tome caf\u00e9 conosco.\u201d Eu o fiz, e ele disse para Krishnaji, \u201cEssa \u00e9 Asha. \u00c9 ela quem cuida das flores e leva o suco de manh\u00e3.\u201d Assim ele percebeu que era eu quem cuidava das flores.<\/p><p>Eu n\u00e3o sei se o incidente que irei contar agora aconteceu antes ou depois deste caf\u00e9 da manh\u00e3. Uma daquelas manh\u00e3s, enquanto eu cuidava das flores, ouvi o barulho de algu\u00e9m acordando no quarto (que ficava no fundo do grande c\u00f4modo onde eu estava arrumando as flores), ent\u00e3o eu fiquei quieta. Percebendo que era o quarto de Krishnaji, que talvez ele estivesse se levantando e n\u00e3o soubesse que eu estava l\u00e1, n\u00e3o quis assust\u00e1-lo ou incomod\u00e1-lo, ent\u00e3o tentei ser muito silenciosa e interrompi o que eu estava fazendo. Ent\u00e3o escutei os chinelos de madeira que ele usava na \u00cdndia, aquele modelo da Kharow que tem um pequeno bot\u00e3o entre o ded\u00e3o e os outros dedos. Quando andamos com esses chinelos de madeira podemos ouvir a madeira batendo no piso. Eu escutei o barulho dos passos dele enquanto ele caminhava em dire\u00e7\u00e3o ao banheiro. Disse a mim mesma, \u201cSim, agora ele vai voltar pra cama.\u201d Mas ent\u00e3o ele continuou andando e foi para o pr\u00f3ximo c\u00f4modo, que era como uma sala de espera onde ele tinha reuni\u00f5es e discuss\u00f5es. Ele passou pelo c\u00f4modo e atravessou a varanda em frente a sala de estar na ala leste do apartamento, onde eu estava sentada com as flores ao meu redor. Eu me encolhi na sombra, saindo da \u00e1rea iluminada para n\u00e3o o assustar. Fiquei em sil\u00eancio enquanto ele passava em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sala de jantar.<\/p><p>O que eu vi foi incr\u00edvel, pois n\u00e3o foi a figura de Krishnaji que passou. Foi uma figura iluminada incomumente alta. Parecia a figura de Buda, com o mesmo tipo de porte. Essa figura foi em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cozinha e voltou pouco tempo depois. Dessa vez, enquanto ela passava pela porta da sala de estar, parou, virou-se e sorriu, como se dissesse, \u201cSei que est\u00e1 a\u00ed.\u201d Eu fiquei apenas sentada, completamente parada. N\u00e3o consegui compreender de forma alguma. N\u00e3o havia medo, foi extraordin\u00e1rio. Foi algo muito bonito.<\/p><p>E B: Era o Krishnamurti?<\/p><p>A L: Bem, era o Krishnamurti, porque aquele era o quarto dele. Ele havia vindo de l\u00e1, caminhou pelo banheiro dele, pela varanda at\u00e9 a sala de jantar, pela cozinha, e depois retornou. N\u00e3o havia mais ningu\u00e9m no apartamento.<\/p><p>E B: Voc\u00ea poderia descrever de que maneira ele parecia diferente?<\/p><p>A L: Krishnaji \u00e9 uma pessoa muito magra, delicada, de baixa estatura. Essa figura era pelo menos duas vezes mais alta e maior. Era como se houvesse uma luz dentro do corpo. A face era muito pac\u00edfica e compassiva, e parecia haver algo acima da cabe\u00e7a. Uma vez que eu j\u00e1 havia visto imagens de Ajanta e Ellora e de outros lugares, eu fiquei sentado im\u00f3vel por algum tempo, ent\u00e3o eu peguei minhas coisas rapidamente e desci as escadas em sil\u00eancio. Eu tremia sem parar. Contei para meu marido Mark o que eu havia visto e nunca contei para mais ningu\u00e9m porque era algo t\u00e3o sagrado que n\u00e3o queria diminu\u00ed-lo ao falar sobre o ocorrido. A \u00fanica pessoa para quem havia contado, at\u00e9 agora, era para o pr\u00f3prio Krishnaji, antes de sua morte. Eu fui v\u00ea-lo. Pedi para encontra-lo em particular, como fazia todos os anos. Era uma pergunta muito comovente. Eu disse, \u201cKrishnaji, eu quero te perguntar sobre algo que vi. N\u00e3o sou uma pessoa supersticiosa, n\u00e3o costumo ter vis\u00f5es. Mesmo que eu veja ou escute algo no escuro, vou e verifico. Me ligo a fatos e realidade.\u201d Contei a ele que estava no apartamento dele anos atr\u00e1s, pouco ap\u00f3s ter me casado e me mudado para Rishi Valley, que estava sentada e tinha visto aquilo. Ele sentou-se com as m\u00e3os cruzadas e a cabe\u00e7a inclinada. Depois que terminei de falar, ele ergueu os olhos e disse, \u201cVoc\u00ea viu algo. Por que voc\u00ea questiona?\u201d Eu disse, \u201cN\u00e3o estou questionando, porque realmente vi, s\u00f3 estou tentando entender. Pensei que talvez conversar com voc\u00ea trouxesse uma explica\u00e7\u00e3o.\u201d Ele disse, \u201cVoc\u00ea viu, n\u00e3o h\u00e1 outra explica\u00e7\u00e3o.\u201d Ficamos em sil\u00eancio enquanto ele segurava minha m\u00e3o e ent\u00e3o eu me afastei.<\/p><p>Aquele acontecimento em meu primeiro ano em Rishi Valley estabeleceu em mim um relacionamento com Krishnaji. Havia algo al\u00e9m do comum naquela manh\u00e3. Quando eu comparecia a suas palestras, sentia que havia a presen\u00e7a de algo extraordin\u00e1rio e tenho certeza que muitas outras pessoas sentiam o mesmo.<\/p><p>E B: Foi mais uma sensa\u00e7\u00e3o ou um sentimento que voc\u00ea teve, ou voc\u00ea realmente viu ou mesmo percebeu algo diferente na estatura ou apar\u00eancia dele?<\/p><p>A L: Nunca vi o que vi em Rishi Valley novamente, mas com frequ\u00eancia eu sentia como se houvesse a presen\u00e7a de algo que n\u00e3o era do meu plano, que havia algo extraordin\u00e1rio chegando.<\/p><p>E B: Voc\u00ea j\u00e1 havia tido uma experi\u00eancia como aquela antes ou mesmo veio a ter ap\u00f3s aquela ocasi\u00e3o?<\/p><p>A L: N\u00e3o, porque eu n\u00e3o frequentava templos, ou me sentava com os outros para cantar e conversar. Eu focava em meus estudos, era muito ligada a realidade. Por isso quis conversar com o Krishnaji, porque eu n\u00e3o conseguia relacionar aquilo com minha realidade.<\/p><p>E B: Mas ele n\u00e3o explicou de verdade.<\/p><p>A L: Ele n\u00e3o explicou, apenas disse que eu havia visto algo, e que se vemos algo, por que devemos questionar aquilo que vemos, que tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade?<\/p><p>E B: Havia alguma rela\u00e7\u00e3o entre o que voc\u00ea viu e os ensinamentos de Krishnamurti?<\/p><p>A L: Para mim, seus ensinamentos representam a verdade, uma verdade b\u00e1sica que se relaciona com a vida e o mundo, com o ritmo dela, uma atemporalidade. Talvez alguma coisa nessa atemporalidade tenha sido tocada, e foi isso o que eu vi.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Asha Lee PEDIATRA, OJAI, CALIFORNIA AL: Eu levei minha m\u00e3e para ouvir e ver Krishnamurti pela primeira vez em Nova Delhi, quando eu ainda era apenas uma estudante de medicina. Quando ouvi Krishnamurti tive um forte sentimento de compreens\u00e3o da verdade sobre a qual ele falava. 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