{"id":2077,"date":"2022-12-18T20:32:38","date_gmt":"2022-12-18T20:32:38","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2077"},"modified":"2022-12-18T20:33:43","modified_gmt":"2022-12-18T20:33:43","slug":"angel-patrick-boyar","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2077","title":{"rendered":"Angel Patrick Boyar"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2077\" class=\"elementor elementor-2077\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-32c80f25 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"32c80f25\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4bdef12a\" data-id=\"4bdef12a\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-55e7b6f5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"55e7b6f5\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Angel Patrick Boyar<\/strong><\/p><p style=\"text-align: center;\">ESCRITOR, EX-DETENTO<\/p><p>Meu grande desejo na vida era ser algu\u00e9m. Eu constantemente me via diante do medo de n\u00e3o ser reconhecido. Eu era atormentado pela ambi\u00e7\u00e3o de sobressair a meus colegas, e literalmente comecei a desenvolver aquilo que acreditava ser uma figura e personalidade intrigante que atrairia a aten\u00e7\u00e3o do mundo e que ent\u00e3o gozaria da gl\u00f3ria do reconhecimento.<\/p><p>Cheguei \u00e0 Penitenci\u00e1ria Estadual de San Quentin em janeiro de 1982. Fui sentenciado a oito anos de pris\u00e3o por homic\u00eddio. Eu dancei! Ap\u00f3s poucos meses em San Quentin me deparei com alguns livros de Erich Fromm e os devorei. A partir de ent\u00e3o compreendi que minha sobreviv\u00eancia na pris\u00e3o dependeria de minha intelig\u00eancia, pois eu n\u00e3o era algu\u00e9m agressivo, ou fisicamente superior e nem suscet\u00edvel \u00e0 viol\u00eancia. Al\u00e9m disso, era e ainda sou um homem de baixa estatura. Assim, eu precisava compensar tal restri\u00e7\u00e3o me aproximando de alguns dos criminosos mais perigosos e violentos do sistema prisional, que n\u00e3o hesitariam em machucar e matar diante da menor provoca\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Cada prisioneiro tinha sua pr\u00f3pria t\u00e9cnica de sobreviv\u00eancia. Minha prote\u00e7\u00e3o era uma grande dose de autoeduca\u00e7\u00e3o que mais tarde veio a ser a causa de muita influ\u00eancia t\u00f3xica, que levou ao crescente desenvolvimento de problemas internos incapacitantes, e por fim ao que eu entendia ser psicose.<\/p><p>Por que estou escrevendo? Bem, por muitos motivos. Nenhum que eu pense ser relevante. Provavelmente estou tentando escrever e expressar o que h\u00e1 aqui, o que na verdade n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil para mim, uma vez que a mente \u201cdesordenada\u201d est\u00e1 sempre no caminho, bloqueando o fluxo de ideias.<\/p><p>Na verdade, o que pode ser dito quando nada pode realmente surgir de nosso vazio interior?<\/p><p>Estamos sempre tentando preencher o vazio com \u201calgo\u201d \u2013 qualquer coisa que nos ajude a escapar da realidade da exist\u00eancia \u201ccomo ela \u00e9\u201d. N\u00e3o podemos fugir de tudo aquilo que tememos \u2013 n\u00e3o h\u00e1 nada no que se apoiar, n\u00e3o h\u00e1 identidade isolada \u2013 h\u00e1 apenas um vazio e nossa pr\u00f3pria necessidade de seguran\u00e7a que sempre nos leva a colocar um sinal de \u201creparar\u201d em tudo, como se pud\u00e9ssemos manter ou cultivar os sentimentos que nos proporcionam a experi\u00eancia de estar vivo.<\/p><p>Identidade e vida s\u00e3o sin\u00f4nimas: estar vivo \u00e9 ser algu\u00e9m.<\/p><p>\u201cVoc\u00ea quer ser um her\u00f3i?\u201d Depois de quinze anos essas palavras ainda ecoam em minha mente, e se mostraram prof\u00e9ticas.<\/p><p>Foi meu pai quem perguntou se eu queria ser um her\u00f3i. Mas o verdadeiro significado dessas cinco palavras est\u00e1 come\u00e7ando a ter seu principal impacto enquanto eu contemplo suas conota\u00e7\u00f5es existenciais.<\/p><p>Meu pai sabia o que estava dizendo quando disse aquelas palavras prof\u00e9ticas. Ele sabia por que eu estava correndo pela vizinhan\u00e7a agindo como um \u201c<em>vato loco<\/em>\u201d: eu queria ser um her\u00f3i!<\/p><p>Como Nostradamus, meu pai observou o futuro como um antigo profeta e viu a profecia se realizando em minha vida.<\/p><p>Meu pai n\u00e3o precisava ser dotado de inspira\u00e7\u00e3o para perceber a ampla vis\u00e3o que se desenrolava diante de seu olhar penetrante. Naquele dia eu contemplei os olhos de meu pai\u2026 o \u00fanico her\u00f3i, cuja aten\u00e7\u00e3o teria me proporcionado a vida que eu buscava desesperadamente em v\u00e3o, ao cometer atos de maldade est\u00fapidos e audaciosos. Tais atos visavam construir uma reputa\u00e7\u00e3o onde viveria para possivelmente ser reconhecido e assim voltar \u00e0 vida real com uma identidade estabelecida, o que vim a aprender ter sido sempre uma imagem erroneamente projetada de um ser humano \u201cassustado\u201d, que tinha medo de ser um ningu\u00e9m, nada. Um ser sendo ainda paradoxalmente compelido por pensamentos, sentimentos e cren\u00e7as inevit\u00e1veis de que a experi\u00eancia de estar vivo s\u00f3 poderia surgir quando me tornasse algu\u00e9m aos olhos e mentes de todas as outras pessoas.<\/p><p>Na pris\u00e3o, a maioria dos prisioneiros luta para ser algu\u00e9m, especialmente aqueles que fazem parte de gangues na pris\u00e3o.<\/p><p>A imagem \u00e9 o bem mais valioso e est\u00e1 ligada \u00e0 cren\u00e7a de que ser reconhecido como \u201calgu\u00e9m\u201d \u00e9 um poder \u2013 e praticamente n\u00e3o h\u00e1 regras sobre o que se pode fazer para criar uma imagem p\u00fablica que valha a pena ser reconhecida e admirada na pris\u00e3o.<\/p><p>Foi a experi\u00eancia na pris\u00e3o que me ensinou que a \u00fanica coisa sagrada para o homem \u00e9 o poder. Na pris\u00e3o, ou voc\u00ea \u00e9 algu\u00e9m ou voc\u00ea n\u00e3o tem poder algum! Ser algu\u00e9m na pris\u00e3o significa pertencer a algum grupo, e o \u00fanico fio condutor que governa as atividades do(s) grupo(s) \u00e9 o \u201cSuper-homem\u201d de Nietzsche.<\/p><p>Estes homens sabem instintivamente que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para fraqueza em um universo em expans\u00e3o, que o poder \u00e9 a \u00fanica coisa que o homem respeita. E esses grupos t\u00eam se tornado, por assim dizer, entidades cabal\u00edsticas de viol\u00eancia organizada, havendo estabelecido uma reputa\u00e7\u00e3o de serem assassinos. A identidade deles n\u00e3o representa quem eles realmente s\u00e3o, mas sim o que eles t\u00eam poder para fazer \u2013 tirar vidas!<\/p><p>A M\u00e1fia Mexicana \u00e9 uma respeitada e not\u00f3ria gangue de indiv\u00edduos sanguin\u00e1rios que h\u00e1 muito tempo domina os prisioneiros nas institui\u00e7\u00f5es penais da Calif\u00f3rnia. Seus membros s\u00e3o respeitados principalmente pelos prisioneiros mexicanos mais fracos e n\u00e3o organizados devido ao medo, e s\u00e3o adulados por aqueles que aspiram ser mafiosos, que os consideram her\u00f3is e semideuses.<\/p><p>Muitos prisioneiros chicanos desejam e aspiram tornar-se membros da M\u00e1fia Mexicana, pois pela maior parte de suas vidas vivem com um baixo senso de autoestima, uma imagem ruim de si mesmos e uma pseudoidentidade como bandidos que se tornaram um estigma, desde o advento dos tempos de Pachuco e do \u201cternos\u00a0<em>zoot<\/em>\u201d; um futuro adverso que o chicano tem sido incapaz de superar.<\/p><p>Alvo de desprezo e preconceito da sociedade majoritariamente anglo, \u00e9 for\u00e7ada a se reunir em bairros miser\u00e1veis, tendo recusada a entrada na sociedade em geral, a juventude chicana ficou alienada, e as fam\u00edlias que antes se mantinham unidas pelos valores familiares paternalistas do velho pa\u00eds come\u00e7aram a se desintegrar, uma vez que o chefe de fam\u00edlia n\u00e3o podia mais imprimir respeito (tendo perdido o respeito por si pr\u00f3prio) nos filhos por n\u00e3o lhes proporcionar um ambiente dom\u00e9stico adequado e decente. Precisando trabalhar longas horas em empregos servis por um sal\u00e1rio m\u00ednimo, a autoridade dos chefes de fam\u00edlia em casa come\u00e7ou a decair. O chefe n\u00e3o podia supervisionar adequadamente uma casa cheia de filhos.<\/p><p>Sem estabilidade em casa, com supervis\u00e3o inadequada e falta de considera\u00e7\u00e3o b\u00e1sica perante jovens em crescimento, que precisavam de aten\u00e7\u00e3o para se sentir amados e cuidados, os jovens saem \u00e0s ruas e come\u00e7am a andar com amigos e amigas que se tornam uma fam\u00edlia substituta no bairro.<\/p><p>Ele se associa ao\u00a0<em>vato loco<\/em>\u00a0na pris\u00e3o. Est\u00e1 perdido, sozinho, alienado e sofrendo para ser algu\u00e9m. E a \u00fanica imagem que ele tem de si mesmo \u00e9 o estere\u00f3tipo gangster cercado e admirado por lindas damas da noite. Dono de bens valiosos, temido pelos outros e respeitado como algu\u00e9m importante, porque agora ele \u00e9 o modelo do chamado Sonho Americano, o que na verdade \u00e9 uma ilus\u00e3o. Por alguns momentos ef\u00eameros ele transcende sua pobre imagem para se banhar em uma autoglorifica\u00e7\u00e3o ego\u00edsta enquanto contempla o poder que tem sobre aqueles a quem explora devido a sua posi\u00e7\u00e3o e por ser membro da M\u00e1fia Mexicana.<\/p><p>Enquanto estava na pris\u00e3o, comecei a ler e estudar muitos livros sobre filosofia, espiritualidade, religi\u00e3o, misticismo oriental, metaf\u00edsica oriental, psicologia e ocultismo.<\/p><p>Eu estava sedento por conhecimento, devorando livros que pensei que me levariam a descobrir minha verdadeira identidade e, anos depois, pude ver que tal chamado conhecimento n\u00e3o me aproximou de ser totalmente integro, pois eu ainda era um ser humano incompleto e fragmentado.<\/p><p>Por muitos anos me considerei v\u00edtima do sistema, e acreditei existirem for\u00e7as do universo ocultas e poderosas sendo exercidas por homens inescrupulosos, motivados pelo poder em posi\u00e7\u00f5es de destaque, que de alguma forma haviam explorado os segredos do universo e que estavam usando esses segredos descobertos como ferramentas para subjugar e manipular as massas para fins de explora\u00e7\u00e3o, a fim de permanecer no poder.<\/p><p>Enquanto estava em San Quentin adotei a vis\u00e3o conspirat\u00f3ria da hist\u00f3ria e da pol\u00edtica e comecei a ler livros hist\u00f3ricos e pol\u00edticos sobre conspira\u00e7\u00e3o, bem como sociedades secretas e movimentos subversivos.<\/p><p>Naquela \u00e9poca, tamb\u00e9m tentava conseguir qualquer livro que abordasse lavagem cerebral, controle mental e guerra psicol\u00f3gica. Eu queria desesperadamente saber como estava sendo manipulado, influenciado e controlado, por aqueles manipuladores invis\u00edveis, que eu j\u00e1 conclu\u00edra serem de alguma forma respons\u00e1veis \u200b\u200bpela minha identidade perdida.<\/p><p>Mergulhei vigorosamente em meus livros sobre conspira\u00e7\u00e3o pensando que finalmente estava me aproximando da verdade sobre o que, como e por que isso realmente estava acontecendo e onde eu me encaixava no sistema. Iria aprender todos os detalhes poss\u00edveis dessa luta pelo poder mundial e expor essa conspira\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica. Ao longo do caminho fui obrigado a descobrir minha verdadeira identidade.<\/p><p>Tornei-me arrogante e desprez\u00edvel porque me considerava membro de um pequeno c\u00edrculo de pessoas, que sabiam o que realmente estava acontecendo nos bastidores do mundo. Naquela \u00e9poca eu n\u00e3o tinha plena consci\u00eancia de que meu pr\u00f3prio senso de inferioridade junto ao meu medo de n\u00e3o ser nada e ningu\u00e9m, me fez superestimar-me e diminuir os outros, olhando com desprezo para aqueles que eram analfabetos e ing\u00eanuos, para que eu pudesse me sentir importante.<\/p><p>Eu n\u00e3o queria compartilhar meu conhecimento com ningu\u00e9m, pois, se eles soubessem o que eu sabia, eu n\u00e3o poderia me destacar como inteligente e \u00fanico, quando desde o in\u00edcio eu sabia que meu motivo para me recusar a compartilhar meu conhecimento com qualquer um era exercer poder sobre eles.<\/p><p>Como vejo agora, meu motivo para adquirir conhecimento era totalmente por identidade, poder e seguran\u00e7a.<\/p><p>Meu c\u00e9rebro parecia uma \u00e1rvore de Natal e eu continuava adicionando todo esse conhecimento a ele, como se decorasse uma \u00e1rvore de Natal morta, arrancada de sua fonte de vida. Esse conhecimento era para mim como as luzes da \u00e1rvore, cujo brilho ofuscava as outras mentes mon\u00f3tonas e med\u00edocres ao meu redor.<\/p><p>Pensei que eu fosse consciente, mas era muito superficial. Na minha vangl\u00f3ria n\u00e3o vi que ser conhecedor e intelectual, n\u00e3o me proporcionava a importante ajuda pr\u00f3pria, que eu realmente precisava para p\u00f4r um fim ao conflito espiritual e psicol\u00f3gico existente dentro de mim.<\/p><p>Eu tinha medo de aceitar que estava completamente vazio por dentro, que eu n\u00e3o era nada e nem ningu\u00e9m.<\/p><p>Hoje eu sei que a \u00fanica conspira\u00e7\u00e3o que existe \u00e9 entre mim e eu mesmo!<\/p><p>Li v\u00e1rios livros que afetaram profundamente minha mente e ingenuamente pensei que cada descoberta instigante de um conhecimento oculto da verdade revelada mudava significativamente minha consci\u00eancia, de modo que gradualmente eu me libertasse de mentiras, ilus\u00f5es, conhecimento falso e limita\u00e7\u00f5es impostas por mim mesmo. Pensei que estava progredindo, libertando-me gradualmente. No entanto, eu estava apenas me escravizando psicologicamente e exacerbando a confus\u00e3o que acontecia dentro de mim, envenenando-me com as teorias de outras pessoas sobre a vida.<\/p><p>Por anos procurei a resposta desesperadamente nos livros, mas n\u00e3o percebi que todos esses livros haviam sido escritos por pessoas postulando suas pr\u00f3prias teorias sobre a vida. Eles eram muito bons em diagnosticar os problemas da humanidade, apontando o dedo para os culpados \u200b\u200bpela cria\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana, mas aqueles que apontaram os dedos nunca consideraram que eles mesmos estavam criando os problemas do mundo.<\/p><p>O problema n\u00e3o \u00e9 o mundo, mas a rela\u00e7\u00e3o entre voc\u00ea e o outro, o que cria um problema. E esse problema, ao estender-se, torna-se o problema do mundo.<\/p><p>A afirma\u00e7\u00e3o acima \u00e9 verdadeira. \u00c9 um fato. N\u00e3o porque Krishnamurti a disse, mas porque posso ver que isso \u00e9 verdadeiro para mim. \u00c9 o meu \u201crelacionamento com o outro que cria o problema\u201d. Nunca pensei em mim como o problema. O problema era sempre o outro!<\/p><p>O mundo seria um lugar melhor para se viver assim que os outros recuperassem a raz\u00e3o e aceitassem a verdade como eu a vi. Assim que todos come\u00e7assem a ver a realidade do meu jeito e come\u00e7assem a viver de acordo com a minha realidade, surgiria uma nova ordem mundial de seres humanos s\u00e3os.<\/p><p>A cisma no homem, a dicotomia proverbial da vida contra a morte, o bem contra o mal, o esp\u00edrito contra a carne, somos n\u00f3s, voc\u00ea e eu que perpetuamos esse conflito porque acreditamos ser necess\u00e1rio nos dar a experi\u00eancia de estar vivo.<\/p><p>Testemunhei uma transforma\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica quando interrompi todos esfor\u00e7os para me transformar.<\/p><p>\u00c9 a verdade que liberta, n\u00e3o o seu esfor\u00e7o para ser livre.<\/p><p>Por muitos anos soube-se que o \u201ceu\u201d psicol\u00f3gico era apenas uma imagem, uma proje\u00e7\u00e3o do eu. Era um impostor, um aspirante ao trono que havia usurpado o cora\u00e7\u00e3o sem limites, e agora tinha o interesse de preservar sua identidade inexistente. Convenceu-se de que era o verdadeiro \u201cfulano\u201d, o tempo todo jogava verdade ou consequ\u00eancias consigo mesmo.<\/p><p>Durante todo o tempo pensei que estava me tornando mais s\u00e1bio atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento, mas ideias moment\u00e2neas revelaram que, \u00e0 medida que eu ganhava mais conhecimento do mundo, esse conhecimento representava meu pr\u00f3prio estado de ignor\u00e2ncia. Quanto mais conhecimento eu adquiria, mais eu podia ver o qu\u00e3o ignorante eu realmente era.<\/p><p>A cada momento eu pensava haver mudado e progredido na obten\u00e7\u00e3o de conhecimento, mas quando verificava o trajeto percorrido me encontrava no mesmo lugar.<\/p><p>De fato, mesmo que eu obtivesse todo o conhecimento do mundo e do universo, eu ainda seria um ignorante. Todo este conhecimento n\u00e3o seria nem uma gota microsc\u00f3pica no balde da eternidade.<\/p><p>Ganhei liberdade da pris\u00e3o de San Quentin em 17 de mar\u00e7o de 1986. Lembro-me que n\u00e3o me senti ansioso para sair na noite anterior \u00e0 minha sa\u00edda. Ap\u00f3s aproximadamente seis anos de encarceramento, pensei que deveria me sentir empolgado, que deveria estar agitado com um sentimento de euforia emocional por estar prestes a ser libertado. Eu esperava ter os sentimentos corretos ao sair pelo port\u00e3o da frente da pris\u00e3o e entrar no chamado mundo livre.<\/p><p>A manh\u00e3 chegou. Os sentimentos esperados devido a importante ocasi\u00e3o de estar prestes a se tornar um homem livre n\u00e3o surgiram. Meus documentos foram processados para libera\u00e7\u00e3o. Troquei-me das roupas da pris\u00e3o do estado para minhas pr\u00f3prias roupas. Recebi os duzentos d\u00f3lares que tinha direito em minha sa\u00edda e parti junto com os outros, sendo escoltado para a liberdade!<\/p><p>Atravessando a pra\u00e7a da capela do jardim, vi alguns amigos cujas express\u00f5es sorridentes indicavam sentimentos de paz e alegria interior. Eles acenaram adeus para mim, e eu consegui sorrir e acenar de volta. Ent\u00e3o percebi que ainda estava no interior da pris\u00e3o, e que ainda havia alguma dist\u00e2ncia para percorrer \u201cdaqui\u201d at\u00e9 a liberdade \u201cali\u201d, al\u00e9m dos port\u00f5es de entrada da pris\u00e3o. Finalmente cheguei, mas quando cruzei a linha final para a liberdade, nada!<\/p><p>Eu ainda estava na pris\u00e3o! A mente fingia estar livre. Eu sabia que essa liberdade era uma ilus\u00e3o. N\u00e3o havia experi\u00eancia de ser livre, eu n\u00e3o ganhei vida.<\/p><p>Portanto, liberdade n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o alguma com estar do outro lado dos muros da pris\u00e3o. Psicologicamente eu ainda estava na pris\u00e3o, escravizado por paix\u00f5es e desejos e cercado pela muralha chinesa de imagens e ideias, que eram as verdadeiras barreiras no caminho para a liberdade.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Angel Patrick Boyar ESCRITOR, EX-DETENTO Meu grande desejo na vida era ser algu\u00e9m. Eu constantemente me via diante do medo de n\u00e3o ser reconhecido. Eu era atormentado pela ambi\u00e7\u00e3o de sobressair a meus colegas, e literalmente comecei a desenvolver aquilo que acreditava ser uma figura e personalidade intrigante que atrairia a aten\u00e7\u00e3o do mundo e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2077","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2077"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2084,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/2077\/revisions\/2084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}