{"id":2024,"date":"2022-12-18T20:26:32","date_gmt":"2022-12-18T20:26:32","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2024"},"modified":"2022-12-18T20:27:00","modified_gmt":"2022-12-18T20:27:00","slug":"alan-kishbaugh","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=2024","title":{"rendered":"Alan Kishbaugh"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2024\" class=\"elementor elementor-2024\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-47a21eca elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"47a21eca\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-28836d2c\" data-id=\"28836d2c\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1adb6ea elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1adb6ea\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Alan Kishbaugh<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ESCRITOR, AMBIENTALISTA, LOS ANGELES, CALIFORNIA&nbsp;<\/p>\n<p>Eu me sinto muito privilegiado por ter passado vinte anos na companhia de Krishnamurti. Ele apresentava tamanha capacidade de ter cuidado, de ter aten\u00e7\u00e3o por todos seres vivos, que s\u00f3 de estar pr\u00f3ximo a ele j\u00e1 era poss\u00edvel sentir-se parte de uma prote\u00e7\u00e3o invis\u00edvel e abrangente.<\/p>\n<p>Sua afei\u00e7\u00e3o pelas pessoas se manifestava em sua capacidade de ver nos outros mais do que eles viam em si mesmos. Ele trazia \u00e0 tona o melhor em cada um, e as pessoas frequentemente se surpreendiam ao perceber a profundidade de seus pr\u00f3prios seres na presen\u00e7a dele. O que se desenvolveu desse reconhecimento interior, dessa generosidade de esp\u00edrito, foi um enorme carinho. Ali estava algu\u00e9m que queria ver o outro se tornar aquilo que podia ser, que estava estendendo sua m\u00e3o para que o outro fosse exatamente aquilo.<\/p>\n<p>Nossa rela\u00e7\u00e3o parecia com a de dois irm\u00e3os pr\u00f3ximos, ou mesmo de bons amigos com respeito m\u00fatuo. Costum\u00e1vamos ir fazer comprar juntos em Londres, e tamb\u00e9m ao cinema em Los Angeles. Ele era um companheiro magn\u00edfico.<\/p>\n<p>Krishnamurti apreciava a excel\u00eancia e era atento aos detalhes, qualidades vis\u00edveis em seus ensinamentos. Suas palestras eram realizadas de maneira respons\u00e1vel e cuidadosa, com linguagem precisa, visando minimizar as ambiguidades. Ele escolhia bem suas palavras para evitar usar palavras que seriam rapidamente esquecidas ou que tivessem v\u00e1rias conota\u00e7\u00f5es. Prestava muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 origem das palavras e consultava v\u00e1rios dicion\u00e1rios que detalhavam amplamente os significados e sua origem.<\/p>\n<p>Os ensinamentos de Krishnamurti falam sobre a ordem e o comportamento correto. Por vezes ele definia sanidade como \u201ctudo em seu devido lugar.\u201d Na ordem h\u00e1 um desdobramento natural da beleza. Ao apreciar os objetos bem feitos, tal como roupas, carros e rel\u00f3gios, Krishnamurti apontava a exist\u00eancia do reflexo l\u00f3gico e externo dos mesmos princ\u00edpios que permeiam todo o ensino \u2013 ordem, beleza e intelig\u00eancia.&nbsp; Esses mesmos princ\u00edpios e valores, t\u00e3o meticulosamente aplicados a objetos materiais bem feitos, tamb\u00e9m est\u00e3o presentes no mundo interior, e s\u00e3o fundamentais para a sanidade e para o comportamento correto.<\/p>\n<p>Krishnamurti amava a natureza. A natureza, segundo suas afirma\u00e7\u00f5es, \u00e9 algo externo \u00e0 mente, intacto. Ele preferia falar em ambientes externos, sob a copa das \u00e1rvores, onde pudesse ouvir os p\u00e1ssaros, sentir a brisa do vento e ver a luz tocando as folhas.<\/p>\n<p>Passeamos v\u00e1rias vezes juntos na Su\u00ed\u00e7a, na Inglaterra e em Ojai. Ele era um observador atento do comportamento dos animais e da vida selvagem. Enquanto caminh\u00e1vamos, frequentemente troc\u00e1vamos hist\u00f3rias sobre animais com os quais hav\u00edamos cruzado.<\/p>\n<p>Nos anos sessenta, o movimento hippie estimulou grandes questionamentos sobre todos os valores da sociedade. As pessoas procuravam por novas dire\u00e7\u00f5es, e parecia haver uma ruptura com o passado e uma porta aberta para o novo. Inicialmente, parecia estar acontecendo uma revolu\u00e7\u00e3o verdadeira, ao lado de uma mudan\u00e7a fundamental no mecanismo de percep\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a lacuna formada entre terminar com o antigo e permanecer aberto para o novo, sempre em forma\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou a ser preenchida pela filosofia asi\u00e1tica, pelas drogas e por todo tipo de no\u00e7\u00f5es fixas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em vez de enxergar a profundidade do condicionamento de algu\u00e9m e permanecer aberto a essa observa\u00e7\u00e3o, durante as falas de Krishnamurti, acontecia tamb\u00e9m um movimento de afastamento, um movimento em dire\u00e7\u00e3o a um recondicionamento. As pessoas passaram de verdadeiras revolucion\u00e1rias, percebendo-se em a\u00e7\u00e3o nova e continuamente, para n\u00e3o revolucion\u00e1rias. Era como estar em uma pris\u00e3o, abrir a cela e se declarar livre apenas para dar alguns passos e entrar em uma nova cela. A vis\u00e3o era diferente, mas a pris\u00e3o no condicionamento continuava l\u00e1.<\/p>\n<p>Krishnamurti fala sobre a verdadeira revolu\u00e7\u00e3o como o momento em que vemos a profundidade de nosso condicionamento. Uma vez vista, alarma o organismo por tempo suficiente para perceber algo al\u00e9m de seus patr\u00f5es habituais. Quando n\u00e3o h\u00e1 movimentos em dire\u00e7\u00e3o ao velho ou ao novo, h\u00e1 a possibilidade de ser livre para agir de uma posi\u00e7\u00e3o livre de conceitos, cren\u00e7as e percep\u00e7\u00f5es acumuladas.<\/p>\n<p>Outras disciplinas, tal como Zen, Yoga e Budismo, falam de liberta\u00e7\u00e3o. Mas Krishnamurti, ciente do antigo significado e do longo uso da palavra \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d, preferiu falar sobre liberdade. A liberdade \u00e9 central nos trabalhos de Krishnamurti, e o que a diferencia da liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 o conceito de responsabilidade pessoal. Krishnamurti fala sobre a liberdade no centro do ser, enquanto \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d envolve a no\u00e7\u00e3o de ser livre de algo.<\/p>\n<p>Outras abordagens falam de realiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da vontade, autodom\u00ednio, equil\u00edbrio ou harmonia de v\u00e1rias partes de n\u00f3s mesmos, f\u00edsica, emocional e mentalmente. Mas novamente, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de liberdade nesse conceito de conquista e liberta\u00e7\u00e3o. A doutrina budista da liberta\u00e7\u00e3o certamente significa muito mais que isso, mas n\u00e3o apresenta a no\u00e7\u00e3o de liberdade como algo que n\u00e3o se pode trabalhar diretamente, um dom que vem ao vermos a profundidade de nosso condicionamento. O dom da liberdade, c\u00f3smico ou n\u00e3o, desafia a defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mais dif\u00edcil de tudo \u00e9 reconhecer que ver requer nada al\u00e9m da \u201ca\u00e7\u00e3o\u201d de ver. N\u00e3o necessidade de ser, ou agir. Fazer, tornar-se e alcan\u00e7ar s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es de nosso condicionamento.<\/p>\n<p>Os ensinamentos abrangem tr\u00eas \u00e1reas. Primeiro, h\u00e1 o corpo de tudo que Krishnamurti disse, gravou, filmou, digitou e escreveu, no qual ele definiu o tom e os par\u00e2metros do que considerou importante.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, h\u00e1 o ensinamento que se desenvolve internamente quando as pessoas come\u00e7am a ouvir e a ver como est\u00e3o no mundo. Conforme procedem da verdade do que veem em si mesmos, seu condicionamento, como est\u00e3o no mundo, e n\u00e3o se separam dele, o ensinamento come\u00e7a a viver.<\/p>\n<p>\u201cO que voc\u00eas far\u00e3o quando eu tiver partido?\u201d Krishnamurti constantemente dizia essas palavras para aqueles respons\u00e1veis pelos trabalhos das funda\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, \u201cSe o trabalho \u00e9 apenas \u2018meu\u2019, e n\u00e3o seu, como ele sobreviver\u00e1?\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto, \u00e0 medida que os ensinamentos se tornam nossos, que uma terceira fase surge. A possibilidade de viver uma vida s\u00e3, inteligente e n\u00e3o destrutiva reside em aceitar a responsabilidade de ver a vida de algu\u00e9m sem julgamento, mas como ela realmente \u00e9, e como estamos todos conectados com o resto da humanidade. Em tal vida, como Krishnamurti t\u00e3o eloquente e graciosamente nos mostrou, h\u00e1 afeto por todos seres vivos.<\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alan Kishbaugh ESCRITOR, AMBIENTALISTA, LOS ANGELES, CALIFORNIA&nbsp; Eu me sinto muito privilegiado por ter passado vinte anos na companhia de Krishnamurti. 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