{"id":1822,"date":"2022-12-18T17:00:40","date_gmt":"2022-12-18T17:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1822"},"modified":"2022-12-18T17:01:22","modified_gmt":"2022-12-18T17:01:22","slug":"14-07-1963","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1822","title":{"rendered":"14\/07\/1963"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1822\" class=\"elementor elementor-1822\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-739df2df elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"739df2df\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-533f0c90\" data-id=\"533f0c90\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-55fee997 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"55fee997\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>4\u00aa Palestra em Saanen, Sui\u00e7a<\/strong><\/p><p>Esta manh\u00e3, se puder, gostaria de falar sobre algo que pode ser um tanto dif\u00edcil de compreender. A maioria das pessoas \u00e9 escrava das palavras, as quais podem tornar-se extraordinariamente importantes. As palavras s\u00e3o necess\u00e1rias como meio de comunica\u00e7\u00e3o, mas, para a maioria de n\u00f3s, a palavra \u00e9 a mente, e estamos escravizados pelas palavras. At\u00e9 que entendamos esta profunda quest\u00e3o da verbaliza\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia da palavra, e quanto estamos escravizados \u00e0s palavras, continuaremos a pensar mecanicamente, qual computadores. O computador \u00e9 a palavra e o problema. Sem o problema e a palavra, n\u00e3o haveria computador; ele n\u00e3o teria valor algum. Para a maioria dos seres humanos, tamb\u00e9m, a palavra e o problema s\u00e3o tremendamente importantes, de modo que devemos entrar nessa quest\u00e3o das palavras.<\/p><p>N\u00e3o sei se estamos c\u00f4nscios de qu\u00e3o ligados estamos \u00e0 palavra, ao s\u00edmbolo, \u00e0 ideia. Nunca questionamos a import\u00e2ncia da palavra. Quando uso o termo \u201cpalavra\u201d, refiro-me ao s\u00edmbolo, ao processo de dar nomes, com sua extraordin\u00e1ria profundidade ou superficialidade, por meio do que pensamos ter compreendido o inteiro significado da vida. N\u00e3o acho que cada um de n\u00f3s compreenda at\u00e9 que ponto a mente, todo o nosso ser, depende da palavra, do s\u00edmbolo, do nome, do termo. E parece-me que, enquanto formos escravos das palavras e permanecermos nesse n\u00edvel, toda a nossa atividade, tanto f\u00edsica quanto psicol\u00f3gica, certamente ser\u00e1 superficial.<\/p><p>H\u00e1 muita discuss\u00e3o hoje em dia sobre a filosofia das palavras, e a constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura, um sistema de palavras. Acho que devemos estar atentos a esta quest\u00e3o e observar o qu\u00e3o profundamente ou superficialmente ela afeta nossa vida, e dever\u00edamos procurar saber se a mente pode algum dia ficar livre da palavra.<\/p><p>Agora, quero entrar nesse assunto porque parece-me que a palavra \u00e9 o passado; ela n\u00e3o \u00e9 o presente ativo. Num mundo de tanta viol\u00eancia, de tanto \u00f3dio e brutalidade, uma palavra como compaix\u00e3o tem muito pouco significado. Estamos todos cientes do que acontece no mundo: a competi\u00e7\u00e3o, as ambi\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es, a enorme brutalidade, o \u00f3dio e a viol\u00eancia causada pelo conflito entre partidos pol\u00edticos, a direita contra a esquerda, a esquerda contra a direita. Certas palavras s\u00e3o torcidas por conveni\u00eancia e perderam todo o significado. H\u00e1 viol\u00eancia em todos n\u00f3s, consciente ou inconsciente. H\u00e1 agressividade, desejo de ser ou de tornar-se alguma coisa, compuls\u00e3o de expressar-se a qualquer custo, de satisfazer-se sexualmente, no relacionamento, no escrever, no pintar \u2013 coisas que s\u00e3o, todas elas, formas de viol\u00eancia.<\/p><p>N\u00e3o sei at\u00e9 que ponto temos consci\u00eancia disso tudo sem que ningu\u00e9m no-lo diga. H\u00e1 imensa crueldade em um mundo no qual um pequeno grupo de pessoas domina completamente milh\u00f5es de outras e governa suas vidas com tirania, como acontece no Oriente e na R\u00fassia. E pergunto-me at\u00e9 que ponto estamos conscientes da nossa pr\u00f3pria crueldade, nossas ambi\u00e7\u00f5es agressivas, nossa compuls\u00e3o de satisfazer-nos a qualquer custo, de sorte que uma palavra como compaix\u00e3o tenha muito pouco significado.<\/p><p>Como eu dizia outro dia, a menos que haja uma completa mudan\u00e7a, uma total muta\u00e7\u00e3o na inteira consci\u00eancia do indiv\u00edduo, qualquer sociedade constru\u00edda com base em impulsos aquisitivos e agress\u00e3o est\u00e1 fadada a ficar cada vez mais cruel, mais tir\u00e2nica, mais e mais entregue a valores materialistas \u2013 o que significa que a mente se tornar\u00e1 sempre mais submissa a esses valores. N\u00e3o sei se voc\u00eas t\u00eam consci\u00eancia de tudo isso. Provavelmente, a maioria de voc\u00eas l\u00ea jornal todos os dias, e, infelizmente, acabam acostumados com isso \u2013 acostumados a ler sobre as crueldades, as brutalidades. Ler tais coisas todos os dias embota a mente e, assim, fica-se acostumado a elas. Por conseguinte, gostaria de, nesta manh\u00e3, falar com voc\u00eas sobre como romper as camadas desse condicionamento ambiental feio e est\u00fapido que tornou a mente escrava das palavras, e tamb\u00e9m da estrutura social na qual vivemos.<\/p><p>Como tenho procurado esclarecer, sinto que a crise que surgiu no mundo n\u00e3o \u00e9 nem econ\u00f4mica nem social, mas uma crise na mente, na consci\u00eancia; e n\u00e3o pode haver resposta a essa crise a menos que haja uma muta\u00e7\u00e3o profunda, fundamental em cada um de n\u00f3s. Essa muta\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode acontecer se entendermos o inteiro processo da verbaliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a estrutura psicol\u00f3gica da palavra. Por favor, n\u00e3o descarte isso dizendo: \u201cIsso \u00e9 tudo?\u201d Isso n\u00e3o \u00e9 coisa que se possa descartar facilmente, pois a palavra, o s\u00edmbolo, a ideia est\u00e1 profundamente arraigada na mente. Estamos falando de induzir uma muta\u00e7\u00e3o na mente, e, para tal, \u00e9 preciso que a palavra cesse. Ao ouvir uma afirma\u00e7\u00e3o deste tipo pela primeira vez, voc\u00ea provavelmente n\u00e3o saber\u00e1 o que ela significa e dir\u00e1: \u201cQue tolice!\u2019 Mas n\u00e3o vejo como a mente possa ficar completamente livre, enquanto n\u00e3o tivermos entendido a influ\u00eancia da palavra, e da interpreta\u00e7\u00e3o da palavra \u2013 o que significa que temos de entender todo o processo do nosso pensamento, pois ele \u00e9 inteiramente baseado na palavra.<\/p><p>Por favor, isto n\u00e3o \u00e9 uma conversa \u201cintelectual\u201d. Tenho horror \u00e0 mente intelectual que apenas tece palavras sem muito significado. Voc\u00eas tiveram muitas dificuldades para virem aqui, e seria realmente uma pena se n\u00e3o levassem a s\u00e9rio o que estamos dizendo. Certamente, precisamos considerar este problema da palavra com grande determina\u00e7\u00e3o e profundidade.<\/p><p>Agora, se a palavra for removida, o que lhe sobra? A palavra representa o passado, n\u00e3o \u00e9? Os in\u00fameros quadros, imagens, camadas da experi\u00eancia, tudo se baseia na palavra, na ideia, na mem\u00f3ria. Da mem\u00f3ria procede o pensamento, e damos ao pensamento extraordin\u00e1ria import\u00e2ncia. Mas eu questiono toda essa import\u00e2ncia. O pensamento n\u00e3o pode, de modo algum, cultivar a compaix\u00e3o. N\u00e3o estou usando a palavra compaix\u00e3o no sentido de oposto, ant\u00edtese de \u00f3dio ou viol\u00eancia. Mas, a menos que cada um de n\u00f3s tenha um profundo senso de compaix\u00e3o, seremos mais e mais brutais, desumanos uns com os outros. Teremos mentes mec\u00e2nicas, qual computadores, treinadas apenas para realizar certas fun\u00e7\u00f5es; continuaremos a buscar seguran\u00e7a, tanto f\u00edsica quanto psicol\u00f3gica, e perderemos a extraordin\u00e1ria profundidade e beleza, o inteiro significado da vida.<\/p><p>Por compaix\u00e3o n\u00e3o me refiro a algo que deva ser adquirido. A compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a palavra, a qual s\u00f3 representa o passado, mas compaix\u00e3o \u00e9 algo que pertence ao presente ativo; \u00e9 o verbo e n\u00e3o a palavra, o nome, ou o substantivo. H\u00e1 diferen\u00e7a entre verbo e palavra. O verbo \u00e9 do presente ativo, ao passo que a palavra \u00e9 sempre do passado e, portanto, est\u00e1tica. Voc\u00ea pode dar vitalidade ou movimento ao nome, \u00e0 palavra, mas ela n\u00e3o \u00e9 o mesmo que o verbo, o qual \u00e9 ativamente presente. E n\u00e3o estou, de modo algum, usando o termo \u201cpresente\u201d no sentido existencialista.<\/p><p>A maioria de n\u00f3s vive num ambiente de agress\u00e3o, viol\u00eancia, brutalidade, e, como aqueles \u00e0 nossa volta, somos conduzidos pela ambi\u00e7\u00e3o, pela \u00e2nsia de nos satisfazermos. Qualquer que seja o talento que tenhamos \u2013 alguma insignificante capacidade de pintar quadros, escrever poemas, ou outra coisa qualquer \u2013 ele exige express\u00e3o, e disso fazemos uma coisa monumental, pela qual esperamos alcan\u00e7ar gl\u00f3ria pessoal e renome. Essa \u00e9, mais ou menos, a nossa vida, com todas as suas satisfa\u00e7\u00f5es, frustra\u00e7\u00f5es e desesperos.<\/p><p>A muta\u00e7\u00e3o precisa fazer-se na pr\u00f3pria origem do pensamento, n\u00e3o nas express\u00f5es externas dessa origem, e isso s\u00f3 pode acontecer se entendermos todo o processo do pensamento \u2013 o qual \u00e9 a palavra, a ideia. Tomemos, por exemplo, a palavra Deus. A palavra Deus n\u00e3o \u00e9 Deus, e a pessoa s\u00f3 poder\u00e1 chegar a essa imensid\u00e3o, esse algo incomensur\u00e1vel, o que quer que seja, quando a palavra n\u00e3o mais existir, quando o s\u00edmbolo n\u00e3o mais existir, quando n\u00e3o houver nenhuma cren\u00e7a, nenhuma ideia \u2013 quando se estiver completamente livre de seguran\u00e7a.<\/p><p>Portanto, estamos falando de uma muta\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria fonte, na pr\u00f3pria origem do pensamento. Como descobrimos, ao examinarmos isso outro dia, o que chamamos de pensamento \u00e9 rea\u00e7\u00e3o; \u00e9 a resposta da mem\u00f3ria, a resposta do background da pessoa, do seu condicionamento religioso e social; ele reflete a influ\u00eancia do ambiente da pessoa, e de outras coisas mais. At\u00e9 que a semente (origem) do pensamento morra, n\u00e3o haver\u00e1 muta\u00e7\u00e3o, e, portanto, n\u00e3o haver\u00e1 compaix\u00e3o. Compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sentimento; n\u00e3o \u00e9 a vaga simpatia ou empatia. Compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 coisa que voc\u00ea possa cultivar por meio do pensamento, da disciplina, do controle, da supress\u00e3o, nem sendo gentil, polido, e tudo o mais. A compaix\u00e3o s\u00f3 aparece quando o pensamento finda na pr\u00f3pria raiz. Se voc\u00ea estiver ouvindo essa asser\u00e7\u00e3o pela primeira vez, provavelmente n\u00e3o ter\u00e1 sentido para voc\u00ea. Voc\u00ea dir\u00e1: \u201cComo pode findar o pensamento?, ou \u201cO que acontece com uma mente que n\u00e3o consiga pensar?\u201d Voc\u00ea ter\u00e1 muitas d\u00favidas. Mas j\u00e1 falamos sobre isso; j\u00e1 entramos nesse assunto, embora talvez n\u00e3o detalhadamente.<\/p><p>Quero abordar, esta manh\u00e3, a quest\u00e3o de observar o ego. Mas primeiro entendamos o que significa observar, e ent\u00e3o poderemos entrar no que significa a palavra ego. Tomemos a palavra observa\u00e7\u00e3o. O que ela significa? A maioria de n\u00f3s observa coisas mortas, as coisas que j\u00e1 se foram, as coisas que acabaram. Nunca observamos uma coisa que esteja viva, que se mova, que seja ativa.<\/p><p>Por favor, enquanto eu falo, enquanto explico, n\u00e3o fique preso na explana\u00e7\u00e3o, na palavra, mas observe a si mesmo; note como voc\u00ea v\u00ea, como voc\u00ea observa. O que vem a seguir \u00e9 muito importante, e ser\u00e1 muito dif\u00edcil compreend\u00ea-lo se voc\u00ea n\u00e3o compreender primeiro a beleza da observa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A maioria de n\u00f3s observa com um senso de concentra\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, separando a coisa observada do contexto a que pertence. H\u00e1 o observador e a coisa observada, e, portanto, surge um conflito entre o observador e a coisa observada \u2013 a pessoa luta para elimin\u00e1-la ou modific\u00e1-la, ou identifica-se com o que foi observado, o que inevitavelmente ocasiona outros problemas. Tal observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa de processo de an\u00e1lise, que examinamos anteriormente. \u00c9 isso que a maioria de n\u00f3s faz \u2013 analisamos aquilo que observamos. Quero conhecer, quero entender essa entidade extraordinariamente complexa, essa consci\u00eancia que sou eu, e ent\u00e3o digo: \u201cVou observar a mim mesmo.\u201d E observo olhando para cada pensamento, separando-o do inteiro movimento do pensamento. \u00c9 como se a pessoa fosse observar aquele riacho retirando dele um copo de \u00e1gua e olhando para ele como coisa separada, fora do fluxo inteiro, fora do ru\u00eddo e do poder do pr\u00f3prio riacho. Obviamente, isso n\u00e3o revelaria o total significado do riacho. Para observar o riacho, a pessoa tem de prestar aten\u00e7\u00e3o a cada onda, por menor que seja, e perceber sua curvatura antes de ela se desfazer; a pessoa tem de mover-se com a mesma rapidez da \u00e1gua. Na observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 tempo para interpretar, n\u00e3o h\u00e1 tempo para dizer que isto \u00e9 certo, aquilo \u00e9 errado, isto \u00e9 bonito, aquilo \u00e9 feio, isto precisa ser, aquilo n\u00e3o pode ser. N\u00e3o h\u00e1 censor \u2013 durante a observa\u00e7\u00e3o de uma coisa viva, m\u00f3vel, uma coisa t\u00e3o vital quanto aquele riacho \u2013 voc\u00ea n\u00e3o poderia ter um censor, um juiz. S\u00f3 h\u00e1 censor, juiz, quando voc\u00ea separa um pouco da \u00e1gua do riacho e olha para ela.<\/p><p>Portanto, por favor, compreenda bem que, no momento em que voc\u00ea separa algo do seu contexto para observ\u00e1-lo, voc\u00ea criou o censor, e, portanto, h\u00e1 conflito, h\u00e1 a palavra, todo o processo de verbaliza\u00e7\u00e3o com a sua satisfa\u00e7\u00e3o, sua agonia e sua frustra\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea se separa da coisa para a qual est\u00e1 olhando, e ent\u00e3o diz: \u201cTenho me observado, e sei que sou isto, que sou aquilo, mas n\u00e3o consigo ir mais longe.\u201d Obviamente isso ocorre porque aquelas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de um observador externo que se separou do fluxo, do movimento, da rapidez do pensamento. Se isso n\u00e3o estiver claro, discuti-lo-emos no fim desta palestra.<\/p><p>Observar-se a si mesmo sem conflito equivale a seguir aquele riacho, ficando \u00e0 frente da cascata, \u00e0 frente dos movimentos de cada pequena onda, vendo cada pedrinha que faz a onda se desfazer. Isto n\u00e3o \u00e9 uma teoria. Estou lidando com a quest\u00e3o cientificamente, objetivamente; n\u00e3o estou sendo sentimental, ideol\u00f3gico ou hipot\u00e9tico, mas fatual. Quando voc\u00ea tiver realmente captado o profundo significado da observa\u00e7\u00e3o, descobrir\u00e1 que o pr\u00f3prio processo de observa\u00e7\u00e3o, de ver, \u00e9 o fim do conflito, pois voc\u00ea ter\u00e1 removido a divis\u00e3o entre o observador e a coisa observada; voc\u00ea a ter\u00e1 eliminado por completo e, portanto, estar\u00e1 olhando para o pensamento, n\u00e3o como entidade separada, mas como a pr\u00f3pria coisa. Voc\u00ea \u00e9 aquele pensamento, e n\u00e3o um pensador olhando para o seu pensamento. Se voc\u00ea realmente estiver seguindo algo muito vivo, muito r\u00e1pido, algo que esteja em tremendo movimento, n\u00e3o ter\u00e1 tempo para julgar, avaliar, condenar, ou para identificar-se com aquela coisa. \u00c9 t\u00e3o dinamicamente vital que voc\u00ea n\u00e3o tenha tempo \u2013 e isto \u00e9 importante \u2013 que voc\u00ea n\u00e3o tenha tempo para verbalizar, para dar-lhe nome, para atribuir-lhe uma palavra, pois essas coisas todas causam separa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Portanto, se isso estiver entendido, voltemo-nos para essa coisa complexa chamada ego, que \u00e9 o \u201ceu\u201d, o campo da consci\u00eancia. Estamos olhando para descobrir se \u00e9 verdade \u2013 e n\u00e3o apenas minha ideia ou sua ideia \u2013 que, para realizar uma muta\u00e7\u00e3o completa, uma total revolu\u00e7\u00e3o na consci\u00eancia, o pensamento n\u00e3o pode participar.<\/p><p>O pensamento n\u00e3o \u00e9 compaix\u00e3o \u2013 pensar que sim seria absurdo demais. Voc\u00ea n\u00e3o pode cultivar compaix\u00e3o, assim como n\u00e3o pode cultivar amor. Fa\u00e7a o que fizer, voc\u00ea n\u00e3o pode produzir amor por meio da mente; n\u00e3o pode fabric\u00e1-lo com o pensamento. Agora, podem-se observar tanto os movimentos conscientes como os inconscientes dessa entidade integral chamada de \u201ceu\u201d, levando em conta que n\u00e3o h\u00e1 tempo? O tempo \u00e9 a palavra. No instante em que voc\u00ea diz: \u201cIsso \u00e9 raiva; isso \u00e9 ci\u00fame; isso \u00e9 ruim\u201d, voc\u00ea j\u00e1 separou de si mesmo a coisa observada e est\u00e1 olhando para algo que est\u00e1 morto; portanto, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 observando-se a si mesmo. E, se voc\u00ea n\u00e3o conhece a si mesmo, n\u00e3o conhece tudo sobre si mesmo, seu pensamento n\u00e3o tem raz\u00e3o de ser; em qualquer movimento do pensamento, em qualquer a\u00e7\u00e3o, voc\u00ea s\u00f3 est\u00e1 funcionando cegamente, como uma m\u00e1quina. A maioria de n\u00f3s n\u00e3o pensa de modo completo, mas fragment\u00e1rio; o que pensamos em um n\u00edvel \u00e9 contrariado pelo nosso pensamento em outro n\u00edvel. Sentimos algo em certo n\u00edvel e o negamos em outro, de modo que nossa a\u00e7\u00e3o di\u00e1ria \u00e9 igualmente contradit\u00f3ria, fragment\u00e1ria, e tal a\u00e7\u00e3o engendra conflito, sofrimento, confus\u00e3o.<\/p><p>Por favor, essas coisas s\u00e3o fatos psicol\u00f3gicos \u00f3bvios, e, para compreend\u00ea-los, voc\u00ea n\u00e3o tem de ler um \u00fanico livro de psicologia ou de filosofia, pois h\u00e1 um livro dentro de voc\u00ea \u2013 o livro que foi escrito ao longo dos s\u00e9culos pelo homem.<\/p><p>Portanto, estamos lidando n\u00e3o somente com a\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m com compaix\u00e3o, pois a a\u00e7\u00e3o traz em si mesma a compaix\u00e3o. A compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo separado da a\u00e7\u00e3o; n\u00e3o \u00e9 uma ideia da qual a a\u00e7\u00e3o se est\u00e1 aproximando. Por favor, olhe para isso, considere-o cuidadosamente, pois, para a maioria das pessoas, a ideia \u00e9 importante, e da ideia vem a a\u00e7\u00e3o. Mas a ideia separada da a\u00e7\u00e3o cria conflito. A\u00e7\u00e3o inclui compaix\u00e3o; n\u00e3o s\u00f3 no n\u00edvel tecnol\u00f3gico, ou no n\u00edvel de relacionamento entre marido e mulher, ou entre o indiv\u00edduo e a comunidade, mas \u00e9 um movimento total do ser integral da pessoa. Estou falando de a\u00e7\u00e3o total, n\u00e3o de a\u00e7\u00e3o fragment\u00e1ria. Quando h\u00e1 observa\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, n\u00e3o h\u00e1 observador \u2013 o observador sendo a ideia, a palavra \u2013 e voc\u00ea come\u00e7a a entender toda essa coisa complexa chamada de ego, o \u201ceu\u201d, ent\u00e3o conhecer\u00e1 essa a\u00e7\u00e3o total, n\u00e3o a a\u00e7\u00e3o separatista, fragment\u00e1ria, na qual h\u00e1 conflito.<\/p><p>N\u00e3o sei se voc\u00eas entenderam tudo isto.<\/p><p>Qual \u00e9 o prop\u00f3sito desta palestra? Voc\u00eas est\u00e3o sentados a\u00ed, e eu, falando. Qual o prop\u00f3sito disto? N\u00e3o estou falando para satisfazer-me. Esta n\u00e3o \u00e9 minha profiss\u00e3o; n\u00e3o \u00e9 meu ganha-p\u00e3o. Ent\u00e3o, por que estou falando? Por que voc\u00eas est\u00e3o escutando, e o que est\u00e3o escutando? Voc\u00eas e eu estamos numa jornada juntos para descobrir o que \u00e9 o fato, o que \u00e9 a verdade \u2013 n\u00e3o uma ideia abstrata da verdade, n\u00e3o uma palavra separada do fato, mas o fato em si. A pessoa observa o estado catastr\u00f3fico do mundo e sente que precisa haver uma tremenda revolu\u00e7\u00e3o, uma completa muta\u00e7\u00e3o na mente, de modo que o ser humano seja realmente um ser humano \u2013 que esteja livre de problemas, livre do sofrimento, que viva uma exist\u00eancia plena, rica, completa \u2013 e n\u00e3o seja a entidade torturada, guiada, condicionada que \u00e9 agora. Por isso eu falo, e espero que essa seja tamb\u00e9m a raz\u00e3o pela qual voc\u00eas est\u00e3o escutando.<\/p><p>Agora, o que significa observar, digamos, o movimento da ambi\u00e7\u00e3o? Estou considerando a ambi\u00e7\u00e3o como uma das coisas feias em nossa vida \u2013 embora alguns de voc\u00eas a achem bonita. O que significa observar a estrutura, a anatomia da ambi\u00e7\u00e3o? \u2013 n\u00e3o a palavra, pois a palavra n\u00e3o \u00e9 a coisa. A palavra \u00e1rvore n\u00e3o \u00e9 a \u00e1rvore. Voc\u00ea pode dizer: \u201cSim, \u00e9 isso mesmo\u201d; mas, psicologicamente, quando observamos a ambi\u00e7\u00e3o em n\u00f3s mesmos, imediatamente identificamo-nos com aquele estado, com aquela palavra, e nela ficamos presos. \u00c9 f\u00e1cil ver que a palavra \u00e1rvore n\u00e3o \u00e9 a \u00e1rvore, mas observar em si mesmo, sem a palavra, esse estado extraordin\u00e1rio chamado ambi\u00e7\u00e3o, \u00e9 coisa bem diferente. Esse estado \u00e9 constru\u00eddo dentro de voc\u00ea, no seu pensamento, no seu pr\u00f3prio ser, pela sociedade, pelo ambiente no qual voc\u00ea vive, por sua educa\u00e7\u00e3o, pela igreja, por incont\u00e1veis s\u00e9culos de esfor\u00e7o humano agressivo para alcan\u00e7ar, para avan\u00e7ar, para matar, e tudo o mais. E o que importa \u00e9 observar esse estado em si mesmo, n\u00e3o somente agora, ao falarmos dele, mas observ\u00e1-lo ao irmos para o escrit\u00f3rio, ao lermos no jornal o louvor a algum her\u00f3i ou homem de sucesso. Se voc\u00ea observar a ambi\u00e7\u00e3o sem lhe dar nome, ver\u00e1 que ela n\u00e3o \u00e9 coisa est\u00e1tica, mas um movimento n\u00e3o identificado com a palavra, e, portanto, n\u00e3o identificado com o nome, com voc\u00ea; e, se voc\u00ea a observar com intensidade, com certa celeridade, ultrapassar\u00e1 a ambi\u00e7\u00e3o. Ela ter\u00e1 perdido a import\u00e2ncia \u2013 e, ainda assim, voc\u00ea poder\u00e1 estar totalmente em a\u00e7\u00e3o. Mas observar esse estado em si mesmo, olhar o pensamento sem um observador, sem um pensador que esteja olhando, \u00e9 extremamente \u00e1rduo.<\/p><p>A observa\u00e7\u00e3o implica n\u00e3o acumula\u00e7\u00e3o de conhecimento, mesmo que o conhecimento seja obviamente necess\u00e1rio em certo n\u00edvel: conhecimento como m\u00e9dico, conhecimento como cientista, conhecimento de hist\u00f3ria, de todas as coisas que existiram. Afinal, \u00e9 isso o conhecimento: informa\u00e7\u00e3o sobre as coisas que existiram. N\u00e3o h\u00e1 conhecimento do amanh\u00e3, mas apenas conjecturas quanto ao que poder\u00e1 acontecer amanh\u00e3, com base em seu conhecimento do que j\u00e1 aconteceu. Uma mente que observe com conhecimento \u00e9 incapaz de acompanhar rapidamente o fluxo do pensamento. \u00c9 s\u00f3 observando sem o filtro do conhecimento, que voc\u00ea come\u00e7a a ver a inteira estrutura do seu pr\u00f3prio pensamento. E ao observar \u2013 que n\u00e3o \u00e9 condenar nem aceitar, mas simplesmente olhar \u2013 voc\u00ea descobrir\u00e1 que o pensamento chega ao fim. Observar casualmente um pensamento ocasional n\u00e3o leva a lugar nenhum. Mas, se voc\u00ea observar o processo do pensamento e n\u00e3o se tornar um observador separado do observado, se voc\u00ea vir o inteiro movimento do pensamento sem aceitar nem condenar, ent\u00e3o essa mesma observa\u00e7\u00e3o p\u00f5e fim, imediatamente, ao pensamento \u2013 e, por conseguinte, a mente torna-se misericordiosa; ela fica num estado de constante muta\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Podemos discutir o que acabei de falar?<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Como podemos ficar livres de influ\u00eancia, de modo que possamos ver um fato como fato?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Primeiramente, precisamos ter consci\u00eancia de toda essa quest\u00e3o da influ\u00eancia, n\u00e3o \u00e9? As influ\u00eancias nos envolvem por todos os lados, e somos influenciados. Quando voc\u00ea abre um jornal, l\u00ea um livro, escuta o r\u00e1dio ou v\u00ea televis\u00e3o, est\u00e1 sendo influenciado, conscientemente ou inconscientemente. Toda a sua educa\u00e7\u00e3o consiste numa s\u00e9rie de influ\u00eancias e diretrizes, e, com tal condicionamento, como pode ser poss\u00edvel ver um fato como fato? Claro que voc\u00ea n\u00e3o pode. Portanto, voc\u00ea tem de come\u00e7ar por compreender a influ\u00eancia.<\/p><p>\u00c9 poss\u00edvel ficar livre de influ\u00eancias? Voc\u00ea s\u00f3 pode fazer essa pergunta quando percebe que \u00e9 influenciado, nunca antes. Provavelmente voc\u00ea est\u00e1 sendo influenciado agora pelo orador. Se estiver, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 olhando para o fato. Se, por causa de o orador ter certa reputa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea estiver aceitando o que ele diz, obviamente voc\u00ea est\u00e1 sendo influenciado. Essa \u00e9 a natureza da propaganda \u2013 e n\u00f3s n\u00e3o estamos fazendo propaganda aqui. Ou voc\u00ea v\u00ea por si mesmo o que \u00e9 verdadeiro, ou voc\u00ea n\u00e3o o v\u00ea. Isso \u00e9 com voc\u00ea. N\u00e3o \u00e9 minha inten\u00e7\u00e3o influenciar voc\u00ea, mas tudo na vida \u00e9 uma influ\u00eancia. Sua mulher e seus filhos influenciam voc\u00ea tanto quanto voc\u00ea os influencia. A influ\u00eancia pode ser consciente ou inconsciente. Se for consciente, voc\u00ea pode mais ou menos afast\u00e1-la \u2013 isso \u00e9 comparativamente f\u00e1cil. Se a sua mulher o importuna, voc\u00ea pode aceitar isso ou fazer algo a respeito \u2013 pode sair de casa. Mas, se voc\u00ea estiver sendo influenciado inconscientemente, se a influ\u00eancia for profunda e voc\u00ea n\u00e3o a perceber, ser\u00e1 muito mais dif\u00edcil livrar-se dela \u2013 e esse \u00e9 o nosso problema. A influ\u00eancia assume muitas formas. H\u00e1 a influ\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o, a influ\u00eancia de palavras como comunista, cat\u00f3lico, protestante, a influ\u00eancia do partido a que voc\u00ea pertence, e assim por diante.<\/p><p>Seria poss\u00edvel tomar consci\u00eancia de todas as influ\u00eancias que s\u00e3o despejadas sobre n\u00f3s? Por favor, n\u00e3o digam imediatamente que sim nem que n\u00e3o, porque voc\u00eas n\u00e3o sabem. Seria poss\u00edvel? Para ser livre de influ\u00eancias, certamente voc\u00ea precisa ter um corpo extraordinariamente sens\u00edvel, e tamb\u00e9m uma mente, um c\u00e9rebro que n\u00e3o tenha sido embotado pela tradi\u00e7\u00e3o, pela sociedade, pela igreja com suas cren\u00e7as e dogmas. Todas essas influ\u00eancias, e muitas mais, est\u00e3o embotando o c\u00e9rebro. Para ter consci\u00eancia dessas inumer\u00e1veis influ\u00eancias, compreend\u00ea-las e ficar livre delas, a pessoa precisa sacudir o embotamento, a letargia que se instalou na mente \u2013 e a maioria de n\u00f3s n\u00e3o quer fazer isso. A maioria de n\u00f3s est\u00e1 confortavelmente estabelecida na vida. Somos cat\u00f3licos, protestantes, comunistas \u2013 voc\u00eas conhecem as muitas coisas \u00e0s quais nos apegamos: nossa nacionalidade, nossas divis\u00f5es de classe, e todo o resto. Estamos bem instalados no conforto de uma mente estagnada, e estamos satisfeitos. S\u00f3 sabemos dizer sim; aceitamos e nunca questionamos.<\/p><p>Portanto, \u00e9 preciso ter consci\u00eancia das muitas influ\u00eancias, apenas estar atento a elas, em vez de dizer: \u201cSou a favor disso e contra aquilo.\u201d Para estar atento, \u00e9 preciso observar. A pessoa pode estar c\u00f4nscia das influ\u00eancias que incidem no inconsciente \u2013 completamente c\u00f4nscia delas. Como dissemos outro dia, \u00e9 s\u00f3 quando o c\u00e9rebro est\u00e1 quieto \u2013 n\u00e3o quero dizer resistindo, for\u00e7ado ao embotamento, mas s\u00f3 quando o c\u00e9rebro est\u00e1 muito sens\u00edvel, muito alerta e vigilante \u2013 que ele pode perceber todas as influ\u00eancias inconscientes e, assim, livrar-se delas. Ent\u00e3o a pessoa pode ver o fato como fato, e isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil assim; isto \u00e9, a pessoa pode perceber-se a si mesma, com todas as complicadas distor\u00e7\u00f5es da ambi\u00e7\u00e3o. A pessoa pode observar tudo isso em si mesma, e observar todas as influ\u00eancias inconscientes. Ent\u00e3o, pode-se ver o fato como fato, a verdade no falso, e a verdade como verdade. Isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa dividida; \u00e9 um processo total.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: O c\u00e9rebro \u00e9 uma coisa morta? E como ele pode voltar \u00e0 vida?<\/p><p><strong>Krishnamurt<\/strong>i: O c\u00e9rebro \u00e9 uma coisa morta? Certamente, ele \u00e9 coisa morta, mas s\u00f3 quando paralisado, quando os nervos n\u00e3o t\u00eam mais sensibilidade. Mas, para a maioria de n\u00f3s, o c\u00e9rebro \u00e9 obrigado a embotar-se mediante conflito, dor, sofrimento, mediante os in\u00fameros meios de prote\u00e7\u00e3o e san\u00e7\u00f5es com as quais vivemos. Ele se torna embotado pelo medo, pelos fa\u00e7a e n\u00e3o-fa\u00e7a da sociedade. Se voc\u00ea for especializado exclusivamente em um setor, como m\u00e9dico, como cientista, como engenheiro, ou outra profiss\u00e3o qualquer, uma parte do seu c\u00e9rebro pode ser extraordinariamente brilhante, mas o resto obviamente fica embotado. Sabendo de tudo isso, observando tudo isso, e sondando todo o processo do pensamento, voc\u00ea descobrir\u00e1 que o c\u00e9rebro n\u00e3o \u00e9 embotado; mas voc\u00ea tem de romper o embotamento em vez de apenas aceit\u00e1-lo.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Eu me enganei na pergunta. O que eu quero perguntar \u00e9: \u201cComo pode uma coisa mec\u00e2nica, como o c\u00e9rebro, tornar-se parte da coisa total chamada de mente?\u201d<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Senhor, quando dizemos que o c\u00e9rebro \u00e9 mec\u00e2nico, queremos significar isso? N\u00e3o acho que o queiramos. Se voc\u00ea perde o emprego, ou se a sua mulher interessa-se por outro homem, voc\u00ea n\u00e3o diz: \u201cMeu c\u00e9rebro \u00e9 mec\u00e2nico\u201d. Voc\u00ea fica inflamado com ansiedade, com ci\u00fames. Assim, voc\u00ea pode ver o qu\u00e3o enganadoras podem ser as palavras. Voc\u00ea diz que o c\u00e9rebro \u00e9 mec\u00e2nico, e d\u00e1 o assunto por encerrado. Voc\u00ea n\u00e3o descobre se ele realmente \u00e9 mec\u00e2nico. Se o c\u00e9rebro fosse uma coisa mec\u00e2nica como o computador, ele n\u00e3o teria problemas. Uma m\u00e1quina n\u00e3o tem problemas, mas o operador da m\u00e1quina tem problemas. Assim, voc\u00ea v\u00ea qu\u00e3o f\u00e1cil \u00e9 cair na armadilha de uma palavra e nela ficar preso.<\/p><p>Como vimos outro dia, o c\u00e9rebro \u00e9, tanto biol\u00f3gica quanto psicologicamente, um instrumento que se pode agu\u00e7ar e tornar-se extremamente sens\u00edvel. Mas a sociedade \u2013 a saber, nossos relacionamentos no trabalho, na fam\u00edlia, toda a estrutura psicol\u00f3gica da sociedade \u2013 n\u00e3o o tornar\u00e1 sens\u00edvel. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 s\u00f3 quando a pessoa entende toda a estrutura psicol\u00f3gica da sociedade, da qual ela faz parte, observando e compreendendo o processo do pensamento \u2013 \u00e9 s\u00f3 ent\u00e3o que o c\u00e9rebro se torna agu\u00e7ado, vivo, penetrante, alerta.<\/p><p>14 de julho de 1963<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>4\u00aa Palestra em Saanen, Sui\u00e7a Esta manh\u00e3, se puder, gostaria de falar sobre algo que pode ser um tanto dif\u00edcil de compreender. A maioria das pessoas \u00e9 escrava das palavras, as quais podem tornar-se extraordinariamente importantes. As palavras s\u00e3o necess\u00e1rias como meio de comunica\u00e7\u00e3o, mas, para a maioria de n\u00f3s, a palavra \u00e9 a mente, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1822","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1822"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1822\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1829,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1822\/revisions\/1829"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}