{"id":1800,"date":"2022-12-18T16:58:30","date_gmt":"2022-12-18T16:58:30","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1800"},"modified":"2022-12-18T16:59:02","modified_gmt":"2022-12-18T16:59:02","slug":"09-07-1963","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1800","title":{"rendered":"09\/07\/1963"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1800\" class=\"elementor elementor-1800\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-41754ab9 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"41754ab9\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-234a4fe3\" data-id=\"234a4fe3\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2c9efa21 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2c9efa21\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>2\u00aa palestra em Saanen, Su\u00ed\u00e7a.<\/strong><\/p><p>Eu sinto que \u00e9 sempre dif\u00edcil comunicar exatamente o que se quer dizer. Voc\u00ea tem de usar palavras. H\u00e1 outras formas de comunica\u00e7\u00e3o, mas elas podem ser enganosas e n\u00e3o devem ser consideradas confi\u00e1veis. As palavras tamb\u00e9m podem ser distorcidas; h\u00e1 tantas nuances de significado para cada palavra, e, quando se est\u00e1 comunicando algo que n\u00e3o \u00e9 puramente objetivo, \u00e9 preciso uma certa flexibilidade por parte do ouvinte, uma certa sutileza de mente, uma qualidade que as pr\u00f3prias palavras n\u00e3o possuem. Qualquer que seja o idioma utilizado, seja ele franc\u00eas, italiano, ingl\u00eas, \u00e9 sempre dif\u00edcil, penso eu, ir al\u00e9m das palavras e realmente capturar o significado daquilo que o palestrante quer transmitir. Para isso \u00e9 preciso uma grande dose de reflex\u00e3o obstinada, uma qualidade de penetra\u00e7\u00e3o, um insight, em vez de mera argumenta\u00e7\u00e3o, explica\u00e7\u00e3o articulada ou an\u00e1lise sutil.<\/p><p>Para mim, a coisa mais importante na vida \u00e9 ter uma mente religiosa, porque ent\u00e3o tudo o mais caminha para um relacionamento correto \u2013 tudo: trabalho, sa\u00fade, casamento, sexo, amor \u2013 e os inumer\u00e1veis problemas e atribula\u00e7\u00f5es da vida s\u00e3o compreendidos. A mente religiosa n\u00e3o \u00e9 algo que voc\u00ea possa facilmente alcan\u00e7ar pela leitura de uns poucos livros, por participar de uma s\u00e9rie de palestras ou por impor a si mesmo uma certa atitude. Mas eu sinto que se deve ter uma tal mente, e talvez durante essas palestras n\u00f3s possamos chegar a ela \u2013 n\u00e3o deliberadamente, n\u00e3o atrav\u00e9s de qualquer forma de cultivo, ou pelo desenvolvimento de certa capacidade, mas chegar at\u00e9 ela de modo obscuro, inesperadamente, sem perceb\u00ea-lo.<\/p><p>A mente \u2013 que inclui tanto o consciente quanto o inconsciente \u2013 \u00e9, como observamos, o campo de uma grande parcela de contradi\u00e7\u00e3o. Ela est\u00e1 aprisionada em um enorme esfor\u00e7o, pervertida por muitos conflitos, contendas, choques de desejos, e uma mente assim nunca pode compreender o que \u00e9 ser religioso. Fa\u00e7a o que fizer \u2013 seja ir \u00e0 igreja, ler os livros sagrados ou fazer qualquer uma das coisas que fazemos em nossas tentativas pueris de descobrir se Deus existe, se h\u00e1 um al\u00e9m, e assim por diante \u2013 uma tal mente nunca pode chegar at\u00e9 aquele extraordin\u00e1rio estado religioso. Esse \u00e9 o motivo por que eu sinto que \u00e9 muito importante, especialmente durante essas tr\u00eas semanas, que n\u00f3s possamos estar profundamente conscientes desse campo interior de conflito. Eu penso que muito poucos est\u00e3o totalmente conscientes dessa batalha incessante que est\u00e1 ocorrendo dentro de cada um de n\u00f3s, e, como eu estava mostrando outro dia, o importante n\u00e3o \u00e9 o que fazer com rela\u00e7\u00e3o a ela, mas v\u00ea-la, porque o pr\u00f3prio ato de ver a coisa \u00e9 estar livre dela.<\/p><p>Ent\u00e3o eu quero discutir essa manh\u00e3 o fato do conflito e da degenera\u00e7\u00e3o \u2013 porque ambos caminham juntos; eles n\u00e3o est\u00e3o separados. Onde h\u00e1 conflito, seja consciente ou inconsciente, profundo ou superficial, esse conflito destr\u00f3i a sutileza, a rapidez, a sensibilidade da mente. O conflito provoca obtusidade, insensibilidade. Por conflito eu quero dizer ter problemas, e, para se estar livre do conflito, das contradi\u00e7\u00f5es, deve-se compreender, certamente, essa coisa chamada consci\u00eancia, a mente, aquilo que somos. Eu vou entrar em tudo isso, n\u00e3o teoricamente, n\u00e3o de modo abstrato, ou meramente atrav\u00e9s de explica\u00e7\u00f5es, mas vou entrar nisso, espero, com a sua coopera\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9, voc\u00ea e eu estamos a ponto de realizar uma jornada juntos; voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 meramente me ouvindo, mas no pr\u00f3prio ato de ouvir, voc\u00ea est\u00e1 observando o processo de sua pr\u00f3pria consci\u00eancia.<\/p><p>Voc\u00ea sabe, h\u00e1 duas formas de se olhar para algo. Ou voc\u00ea olha porque lhe disseram para olhar, e para o que olhar; ou voc\u00ea olha porque quer descobrir, e voc\u00ea come\u00e7a a descobrir. Quando voc\u00ea tem fome, voc\u00ea come; ningu\u00e9m precisa lhe dizer para comer. Mas lhe dizerem que voc\u00ea deve comer e sentir fome s\u00e3o duas coisas muito diferentes. Ent\u00e3o devemos ser muito claros nesse ponto. Eu n\u00e3o estou dizendo que voc\u00eas deveriam olhar, ou para o que olhar, mas n\u00f3s vamos olhar juntos, e vamos descobrir juntos. Ser\u00e1 uma experi\u00eancia em primeira m\u00e3o, tanto para mim quanto para voc\u00ea, porque um n\u00e3o est\u00e1 direcionando o outro. Espero que isso esteja claro.<\/p><p>Esse \u00e9 um problema muito complexo, e entrar nele requer uma mente que seja capaz de olhar, de observar, de considerar, sem dizer imediatamente \u201cO que eu vejo me agrada, eu gosto disso.\u201d, ou \u201cIsso n\u00e3o me agrada, n\u00e3o gosto disso.\u201d. \u00c9 preciso uma mente cient\u00edfica, uma mente que n\u00e3o distor\u00e7a, que n\u00e3o d\u00ea cor ao que v\u00ea. O importante \u00e9 fazer com que ocorra uma transforma\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio processo de nosso pensar, na pr\u00f3pria matriz, na pr\u00f3pria base da mente. Uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria \u2013 n\u00e3o uma revolu\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica ou econ\u00f4mica, mas uma revolu\u00e7\u00e3o na consci\u00eancia, no pr\u00f3prio centro de nosso ser, e uma tal revolu\u00e7\u00e3o pode vir a ocorrer somente se n\u00f3s entendermos essa quest\u00e3o do conflito. O conflito em qualquer n\u00edvel da consci\u00eancia, superficial ou profundo, \u00e9 fator de deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>N\u00e3o aceite isso, simplesmente \u2013 n\u00e3o aceite nada do que o orador diz. Mas vamos examinar juntos esse problema do conflito, isto \u00e9, autocontradi\u00e7\u00e3o, autopiedade e a exig\u00eancia por realiza\u00e7\u00e3o, com sua frustra\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel. H\u00e1 conformidade, imita\u00e7\u00e3o e a contradi\u00e7\u00e3o de querer transformar o que \u00e9 em algo que n\u00f3s chamamos de ideal \u2013 a contradi\u00e7\u00e3o entre o que eu sou e o que eu acho que deveria ser. Contradi\u00e7\u00e3o implica competi\u00e7\u00e3o, o desejo de ser algu\u00e9m maravilhoso, famoso, com todo o esfor\u00e7o inerente a isso, a batalha, a ansiedade, o medo de n\u00e3o ser algo, a agonia do desespero \u2013 tudo isso e muito mais est\u00e1 implicado na palavra contradi\u00e7\u00e3o, e esse \u00e9 o fator de deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p><p>N\u00f3s somos educados a viver em conflito perp\u00e9tuo: economicamente, moralmente, espiritualmente, nossa sociedade est\u00e1 baseada no conflito; todos os instrutores religiosos nos disseram para nos disciplinarmos, para nos esfor\u00e7armos para ser ou nos tornar alguma coisa. N\u00f3s sempre temos o exemplo, o her\u00f3i nacional ou religioso; n\u00f3s imitamos o santo, o salvador, aquele que alcan\u00e7ou; h\u00e1 sempre esse hiato entre aquele que sabe e aquele que n\u00e3o sabe, com o que n\u00e3o sabe se esfor\u00e7ando incessantemente para saber \u2013 o est\u00fapido tentando se tornar inteligente. Essa \u00e9 a estrutura psicol\u00f3gica de nossa sociedade. N\u00f3s somos guiados pela ambi\u00e7\u00e3o; n\u00f3s idolatramos o sucesso e condenamos o fracasso; h\u00e1 a multiplica\u00e7\u00e3o do sofrimento e a tentativa incessante de escapar do sofrimento. Essa batalha constante prossegue, quer estejamos dormindo ou despertos, quer estejamos indo para uma caminhada ou sentados em sil\u00eancio. Essa \u00e9 nossa sina; para isso fomos educados, o que aceitamos; esse \u00e9 o estado em que vivemos. Assim, a mente nunca est\u00e1 clara; est\u00e1 sempre confusa, sempre em autocontradi\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Por favor, observe seu pr\u00f3prio estado. Agora, como voc\u00ea observa a si mesmo? Voc\u00ea observa como um espectador olhando para algo fora de si mesmo, o que significa que h\u00e1 uma divis\u00e3o, uma contradi\u00e7\u00e3o entre o observador e aquilo que \u00e9 observado? Ou voc\u00ea observa sem o observador? Por favor, acompanhe isso, \u00e9 importante. Quando estamos olhando para o processo imensamente complexo de nossa pr\u00f3pria consci\u00eancia, cuja ess\u00eancia mesma \u00e9 o conflito, n\u00f3s devemos entender o que queremos dizer com olhar, observar. Estou certo de que n\u00f3s observamos como algu\u00e9m de fora olhando para dentro. Voc\u00ea est\u00e1 consciente de seus conflitos, e voc\u00ea os est\u00e1 observando como um censor, como um juiz, como um observador separado daquilo que observa. Isso \u00e9 o que a maioria de n\u00f3s faz, e isso nos impede de compreender esse problema complexo chamado conflito \u2013 o enorme peso, o conte\u00fado, as nuances dele. Quando voc\u00ea observa como um observador externo olhando para dentro, voc\u00ea na verdade cria conflito, n\u00e3o? Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 compreendendo o conflito, mas apenas aumentando-o. Estando consciente do conflito dentro de si mesmo, o observador diz \u201cEu devo mudar isso; eu n\u00e3o gosto de conflito, eu gosto de prazer.\u201d. Ent\u00e3o o observador sempre tem essa atitude de julgar, censurar, e quando voc\u00ea observa desse modo, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 compreendendo o conflito; ao contr\u00e1rio, voc\u00ea o est\u00e1 multiplicando. Eu fui claro nesse ponto?<\/p><p>Para mim, todo o processo psicanal\u00edtico \u00e9 intensifica\u00e7\u00e3o do conflito, e n\u00e3o pode trazer liberta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a ele. Eu gostaria que voc\u00ea visse esse fato de uma vez por todas, visse a verdade, a beleza disso, e ent\u00e3o voc\u00ea saberia o que \u00e9 olhar, n\u00e3o com os olhos do censor, mas apenas olhar. Se voc\u00ea olha com os olhos do censor, ir\u00e1 aumentar o conflito; mas se voc\u00ea observa, n\u00e3o a partir de um centro, ent\u00e3o voc\u00ea come\u00e7a a entender esse processo extraordin\u00e1rio chamado consci\u00eancia, que \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia do conflito, do esfor\u00e7o, de uma batalha incessante por vir a ser, por suprimir, por alcan\u00e7ar.<\/p><p>Voc\u00ea observa aquelas montanhas cobertas de neve, aqueles montes e vales, a terra verde; e como voc\u00ea os observa? Voc\u00ea os v\u00ea a partir de um centro que analisa? Ou voc\u00ea simplesmente v\u00ea a beleza extraordin\u00e1ria? H\u00e1 uma diferen\u00e7a, sem d\u00favida, entre percep\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise. Se essa diferen\u00e7a estiver de algum modo clara, ent\u00e3o tamb\u00e9m estar\u00e1 claro que a an\u00e1lise n\u00e3o provoca uma revolu\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise pode ajud\u00e1-lo a se ajustar \u00e0 sociedade; pode remover algumas de suas peculiaridades, suas idiossincrasias, suas neuroses; mas n\u00f3s n\u00e3o estamos falando disso. Estamos falando de algo muito mais fundamental do que o mero ajustamento a uma sociedade falida. A an\u00e1lise implica o analista e o que \u00e9 analisado. O analista \u00e9 o censor, o juiz que examina, interpreta, que condena ou aprova o que \u00e9 visto, e portanto provoca mais conflito. N\u00e3o estamos fazendo isso, em absoluto; estamos fazendo algo totalmente diferente, que \u00e9 entender o conflito, n\u00e3o apenas no mundo exterior, mas internamente. Estou usando a palavra entender no sentido de observar sem adotar qualquer posicionamento. Quando voc\u00ea faz isso, voc\u00ea j\u00e1 tem um campo de observa\u00e7\u00e3o no qual n\u00e3o h\u00e1 conflito. Eu n\u00e3o sei se voc\u00ea v\u00ea a verdade disso.<\/p><p>Voc\u00ea sabe t\u00e3o bem quanto eu que h\u00e1 conflito externamente. Na\u00e7\u00e3o est\u00e1 contra na\u00e7\u00e3o e governos soberanos com seus ex\u00e9rcitos est\u00e3o constantemente \u00e0 beira da guerra. H\u00e1 competi\u00e7\u00e3o, o antagonismo das divis\u00f5es de ra\u00e7a e de classe, e a batalha que est\u00e1 ocorrendo entre Ocidente e Oriente, entre aqueles que est\u00e3o subnutridos e os milh\u00f5es de famintos da \u00c1sia. H\u00e1 a explos\u00e3o demogr\u00e1fica com sua amea\u00e7a de fome generalizada e o medo opressor de uma guerra nuclear. Tudo isso \u00e9 \u00f3bvio; est\u00e1 nos l\u00e1bios de cada pol\u00edtico, de cada reformador \u2013 a guerra \u201cfria\u201d que est\u00e1 ocorrendo, e que pode a qualquer momento se tornar \u201cquente\u201d.<\/p><p>E ent\u00e3o h\u00e1 essa batalha interior que est\u00e1 ocorrendo em cada um de n\u00f3s: as autocontradi\u00e7\u00f5es, os problemas n\u00e3o resolvidos e os problemas que foram temporariamente resolvidos, todos deixando sua marca na mente. N\u00f3s queremos ser algu\u00e9m; queremos ser famosos como um pintor, um escritor, um palestrante, um grande homem de neg\u00f3cios, e, se n\u00e3o podemos ser, ficamos frustrados \u2013 o que traz ainda outra forma de conflito.<\/p><p>Ent\u00e3o h\u00e1 o conflito externo e o interno, e o externo n\u00e3o \u00e9 essencialmente diferente do interno. Eles s\u00e3o ambos partes do mesmo movimento, que \u00e9 como uma mar\u00e9 que vai e volta. Separ\u00e1-los \u00e9 absurdo, est\u00fapido, porque eles s\u00e3o uma e a mesma coisa. Voc\u00ea deve lidar com o problema como um todo, e n\u00e3o dividi-lo entre exterior e interior; de outro modo, voc\u00ea nunca ser\u00e1 capaz de entend\u00ea-lo. No momento em que separa o exterior do interior, voc\u00ea aumentou o conflito em que est\u00e1 aprisionado.<\/p><p>Agora, vendo essa batalha incessante, essa autocontradi\u00e7\u00e3o na qual se est\u00e1 preso, o que de deve fazer? O conflito interior pode produzir um certo esfor\u00e7o, um certo resultado. Ele pode e frequentemente produz pinturas, poemas, literatura, os assim chamados movimentos religiosos; mas todos est\u00e3o dentro do campo do conflito, e um homem que produz um livro, um poema, uma pintura a partir dessa tens\u00e3o do conflito \u00e9 um fator de degenera\u00e7\u00e3o. Ele auxilia outras pessoas a degenerar. Isso \u00e9 bastante \u00f3bvio. Ent\u00e3o, o conflito, em qualquer forma, estando-se consciente dele ou n\u00e3o, e qualquer a\u00e7\u00e3o que surja desse conflito, \u00e9 um fator de degenera\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Por favor, n\u00e3o aceite o que eu estou dizendo porque, se voc\u00ea aceitar, trata-se meramente de uma concord\u00e2ncia verbal, e n\u00f3s n\u00e3o estamos aqui para concordar ou discordar verbalmente. Isto n\u00e3o \u00e9 um clube de debates.<\/p><p>Voc\u00ea v\u00ea, por s\u00e9culos e s\u00e9culos n\u00f3s temos sido criados com essa id\u00e9ia de que devemos nos esfor\u00e7ar para ser ou alcan\u00e7ar algo. Nos esfor\u00e7amos para ser bem-sucedidos nesse mundo, e tamb\u00e9m pensamos que atrav\u00e9s do conflito n\u00f3s podemos chegar a Deus, ou criar alguma coisa no sentido religioso ou art\u00edstico. Olhe para os inumer\u00e1veis santos que batalharam consigo mesmos para chegar a um estado que eles chamam de espiritual, e que \u00e9 reconhecido como tal pelas igrejas. Ent\u00e3o o conflito \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o legitimada pela tradi\u00e7\u00e3o, algo que n\u00f3s idolatramos. Voc\u00ea v\u00ea o conflito representado em figuras do antigo Egito e nas cavernas de Lascaux, onde o homem \u00e9 retratado batalhando com animais, o bem contra o mal, na esperan\u00e7a de que o bem ir\u00e1 prevalecer. O conflito \u00e9 um processo hist\u00f3rico; \u00e9 como uma enorme onda que est\u00e1 sempre nos carregando, e n\u00f3s somos parte dessa onda.<\/p><p>Agora, ver o conflito \u2013 esse processo sociol\u00f3gico, hist\u00f3rico, do qual somos uma parte \u2013 como um fator de deteriora\u00e7\u00e3o requer cuidadosa aten\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia real. A maioria de n\u00f3s n\u00e3o reconhece o conflito como um fator de deteriora\u00e7\u00e3o porque estamos acostumados a ele. Na escola, nos neg\u00f3cios, em tudo que fazemos, a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 nosso modo de vida, e ningu\u00e9m quer admitir que ele \u00e9 profundamente destrutivo. Uns poucos podem admiti-lo em teoria, mas n\u00e3o factualmente, ent\u00e3o entremos nisso.<\/p><p>Como eu disse, h\u00e1 muitas variedades de conflito. As assim chamadas pessoas religiosas t\u00eam suas v\u00e1rias disciplinas. Elas controlam, subjugam a si mesmas; elas se conformam a um padr\u00e3o que chamam de espiritual, ou imitam algum her\u00f3i; elas aceitam a autoridade de um salvador, um instrutor, de acordo com cujos ditames elas se esfor\u00e7am para viver. Se elas s\u00e3o, afinal, s\u00e9rias \u2013 como os monges crist\u00e3os ou como aquelas pessoas na \u00cdndia que abandonaram o mundo \u2013 sua vida \u00e9 uma batalha para controlar, disciplinar a si mesmas.<\/p><p>E olhe para nossas pr\u00f3prias vidas. Talvez alguns de voc\u00eas fumem. Voc\u00ea pode sentir que \u00e9 um absurdo ser escravo de qualquer h\u00e1bito, mas qu\u00e3o extraordinariamente dif\u00edcil \u00e9 para voc\u00ea abandonar uma pequena coisa como o h\u00e1bito de fumar; que torturas voc\u00ea atravessa! Isso se torna um conflito e, \u00e9 claro, com outras coisas emocionais como o sexo, e assim por diante, torna-se uma mis\u00e9ria incalcul\u00e1vel. Mas voc\u00ea est\u00e1 acostumado ao conflito; \u00e9 seu h\u00e1bito, seu modo de viver. O conflito foi transformado em algo sagrado, respeit\u00e1vel; e quando uma pessoa como eu aparece e diz que se pode viver totalmente sem conflito, voc\u00ea ou se torna c\u00ednico e diz \u201cpobre camarada.\u201d, ou voc\u00ea tenta viver do jeito que ele vive, e portanto est\u00e1 novamente preso em conflito.<\/p><p>Como eu disse, estando-se consciente disso ou n\u00e3o, o todo da consci\u00eancia, o todo daquilo que chamamos pensamento, \u00e9 conflito \u2013 o pensamento como a palavra, o s\u00edmbolo, o pensamento que \u00e9 a resposta da mem\u00f3ria, n\u00e3o apenas da mem\u00f3ria de ontem, mas de muitos milhares de ontens. E se voc\u00ea n\u00e3o pensasse, em absoluto, o que aconteceria? Voc\u00ea vegetaria, ficaria satisfeito com o que \u00e9, como uma vaca? Ou n\u00e3o pensar, em absoluto, \u00e9 um estado extraordinariamente vital, porque significa que voc\u00ea compreende e est\u00e1 livre de toda essa resposta mec\u00e2nica da mem\u00f3ria, que \u00e9 o c\u00e9rebro respondendo com todas as suas acumula\u00e7\u00f5es de experi\u00eancias como conhecimento?<\/p><p>A maioria de n\u00f3s abandona o esfor\u00e7o de se libertar do conflito e se permite ser levado pela correnteza, tornando assim a mente obtusa; e se a dor do conflito se torna grande demais, n\u00f3s recorremos a uma cren\u00e7a em Deus, esperando desse modo encontrar paz, mas mais cedo ou mais tarde isso tamb\u00e9m se torna uma fonte de conflito. Ou, temendo que, por n\u00e3o ter conflitos, n\u00f3s vegetemos, nos tornemos obtusos, satisfeitos, n\u00f3s mantemos a agudeza do conflito argumentando intelectualmente com outros, lendo e nos informando sobre cada assunto no planeta. Mas h\u00e1 uma abordagem a esse problema que requer a mais elevada forma de intelig\u00eancia, a mais elevada sensibilidade, e essa abordagem \u00e9 observar, estar consciente de todo o processo do conflito, sem escolha. Se voc\u00ea entrar nisso, ir\u00e1 descobrir que nesse estado de aten\u00e7\u00e3o sua mente entende imediatamente cada problema \u00e0 medida que surge, de forma que o conflito n\u00e3o tem solo no qual criar ra\u00edzes.<\/p><p>Agora, \u00e9 sobre isso que vou falar: n\u00e3o como escapar do conflito \u2013 o que voc\u00ea faz, de qualquer modo, fugindo para seu deus favorito ou para seu analista favorito \u2013 mas como compreender negativamente todo esse processo do conflito. Por compreens\u00e3o negativa eu quero dizer o estado de uma mente que olha para um problema, ou uma montanha, sem verbalizar \u2013 ela apenas olha. \u00c9 o estado de uma mente que n\u00e3o interpreta, censura ou escolhe, mas est\u00e1 consciente sem escolha. Uma tal mente n\u00e3o diz \u201cEu gosto disso e n\u00e3o gosto daquilo.\u201d, mas meramente observa com uma aten\u00e7\u00e3o que \u00e9 total; e nesse estado de mente voc\u00ea vai descobrir que conflitos de qualquer tipo, em qualquer n\u00edvel de seu ser, terminam. A mente que n\u00e3o tem conflito \u00e9 a \u00fanica mente religiosa \u2013 mas esse estado voc\u00ea ainda n\u00e3o conhece. N\u00e3o importa o quanto voc\u00ea possa se encantar com minha descri\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o ter\u00e1 qualquer valor.<\/p><p>Para um homem ou mulher que se dispusesse a realmente compreender a beleza, o significado extraordin\u00e1rio de uma vida sem conflito \u2013 e eu digo que uma vida assim \u00e9 poss\u00edvel \u2013 a primeira coisa \u00e9 estar totalmente ciente de todo o conte\u00fado da consci\u00eancia. Estar totalmente ciente n\u00e3o \u00e9 analisar, mas simplesmente observar. E essa \u00e9 nossa grande dificuldade porque n\u00f3s fomos treinados, ao longo de milhares de anos de h\u00e1bito, para julgar, condenar, comparar, identificar; essa \u00e9 nossa resposta instintiva, e portanto n\u00f3s nunca observamos realmente.<\/p><p>Assim, viver nesse mundo, que \u00e9 feito de conflito, que mant\u00e9m o conflito atrav\u00e9s de realiza\u00e7\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es, e que exige que voc\u00ea tamb\u00e9m viva em conflito, num estado de autocontradi\u00e7\u00e3o \u2013 vivendo nesse mundo, voc\u00ea pode, pela compreens\u00e3o, sendo sens\u00edvel \u00e0quele processo inteiro, ficar totalmente livre do conflito? Certamente, apenas a mente que n\u00e3o tem problemas, nenhuma cicatriz de conflito, \u00e9 inocente, e apenas uma mente inocente pode conhecer aquilo que \u00e9 imensur\u00e1vel.<\/p><p>Bem, vamos discutir sobre o que falei nessa manh\u00e3.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o real do pensamento?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Eu realmente n\u00e3o sei, mas vamos descobrir. O pensamento tem alguma import\u00e2ncia? Se tem, qual \u00e9 seu lugar na vida? N\u00e3o estamos oferecendo opini\u00f5es sobre isso. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o do que voc\u00ea pensa, ou do que eu penso, ou do que algu\u00e9m mais pensa \u2013 isso n\u00e3o tem qualquer valor. N\u00f3s vamos descobrir a verdade da quest\u00e3o. Para fazer isso, tem-se de hesitar, de esperar, de olhar, de ouvir, de sentir o que se passa ao redor, e n\u00e3o apenas repetir a rea\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. Tendo lido algum livro sobre filosofia, ou sobre o pensar, voc\u00ea pode se lembrar de alguma cita\u00e7\u00e3o contida nele, mas n\u00e3o estamos aqui para citar o que outros disseram. Aquele cavalheiro fez um questionamento muito s\u00e9rio. Eu tenho dito que o pensamento \u00e9 conflito, que o pensamento \u00e9 destrutivo, e ele pegou isso, e est\u00e1 perguntando \u201cO que voc\u00ea quer dizer com isso?\u201d. Se o pensamento \u00e9 destrutivo, ent\u00e3o qual a fun\u00e7\u00e3o real do pensamento? Qual o lugar correto do pensamento em nossa vida?\u201d.<\/p><p>Agora, antes de respondermos essa quest\u00e3o, n\u00f3s devemos descobrir o que \u00e9 o pensamento, n\u00e3o devemos? Ent\u00e3o n\u00f3s podemos coloc\u00e1-lo em seu lugar; podemos lhe dar o significado correto. Mas sem compreender todo o processo do pensar, apenas oferecer algumas poucas palavras em resposta n\u00e3o resolve a quest\u00e3o.<\/p><p>Assim, o que \u00e9 o pensar? Por favor, n\u00e3o me respondam \u2013 \u00e9 muito f\u00e1cil dizer o que \u00e9 o pensar, mas isso p\u00f5e um fim \u00e0 nossa investiga\u00e7\u00e3o. Eu lhe fa\u00e7o uma pergunta: o que \u00e9 o pensamento? E o que acontece, ent\u00e3o? H\u00e1 um desafio em forma de quest\u00e3o, e voc\u00ea responde a ele. Entre minha pergunta e sua resposta h\u00e1 um intervalo, um intervalo de tempo em que sua mem\u00f3ria est\u00e1 operando. Voc\u00ea diz para si mesmo \u201cO que ele quer dizer? Onde eu li sobre isso?\u201d e etc., etc. Se a quest\u00e3o \u00e9 muito familiar, se eu te pergunto qual o seu nome, sua resposta \u00e9 imediata porque voc\u00ea n\u00e3o tem de pensar. Mas se eu pergunto algo que voc\u00ea n\u00e3o sabe realmente, voc\u00ea hesita, h\u00e1 um intervalo de tempo durante o qual voc\u00ea est\u00e1 procurando, olhando em sua mem\u00f3ria para descobrir. Assim, seu pensamento \u00e9 a resposta de sua mem\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9? Por favor, v\u00e1 devagar \u2013 isso \u00e9 muito interessante se voc\u00ea for vagarosamente.<\/p><p>Quando a quest\u00e3o \u00e9 uma com a qual voc\u00ea est\u00e1 familiarizado, sua resposta \u00e9 instant\u00e2nea. Quando voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 muito familiarizado com a quest\u00e3o, voc\u00ea precisa de tempo, e durante esse per\u00edodo voc\u00ea est\u00e1 procurando em sua mem\u00f3ria pela resposta. E quando \u00e9 feita uma pergunta sobre a qual voc\u00ea n\u00e3o reuniu nenhuma informa\u00e7\u00e3o, em absoluto, voc\u00ea olha, procura, e voc\u00ea diz \u201cEu n\u00e3o sei.\u201d. (a) Sua resposta \u00e9 instant\u00e2nea, (b) Voc\u00ea leva tempo para responder, (c) Voc\u00ea diz \u201cEu n\u00e3o sei.\u201d. Mas quando voc\u00ea diz \u201cEu n\u00e3o sei.\u201d, voc\u00ea est\u00e1 esperando saber, esperando ser informado, esperando ir \u00e0 biblioteca e procurar; voc\u00ea est\u00e1 esperando uma resposta. Assim, quando voc\u00ea diz \u201cEu n\u00e3o sei.\u201d, trata-se de um \u201cEu n\u00e3o sei.\u201d condicional. Voc\u00ea espera saber em poucos dias, ou em poucos anos \u2013 o que \u00e9 condicional. E h\u00e1 tamb\u00e9m (d), que \u00e9 dizer \u201cEu n\u00e3o sei.\u201d, e que n\u00e3o \u00e9 condicional; a mente n\u00e3o est\u00e1 esperando, n\u00e3o est\u00e1 procurando na esperan\u00e7a de encontrar uma resposta. Ela apenas diz \u201cEu n\u00e3o sei.\u201d<\/p><p>Agora, (a), (b) e (c) s\u00e3o todos um processo de pensamento, n\u00e3o s\u00e3o? Se voc\u00ea pergunta a um crist\u00e3o se h\u00e1 um Deus, ele imediatamente dir\u00e1 \u201cClaro que h\u00e1.\u201d Se voc\u00ea faz a um comunista a mesma pergunta, ele dir\u00e1 \u201cSobre o que voc\u00ea est\u00e1 falando? \u00c9 claro que n\u00e3o.\u201d. Seu deus \u00e9 o estado, mas essa j\u00e1 \u00e9 outra quest\u00e3o. Ent\u00e3o nossa resposta a qualquer desafio est\u00e1 de acordo com nosso condicionamento, de acordo com nossa mem\u00f3ria. Se a mem\u00f3ria \u00e9 aguda, limpa, ativa, v\u00edvida, nossas respostas s\u00e3o fortes, e esse \u00e9 todo o processo que chamamos de pensar. Seja nosso pensar simples ou elaborado, seja ele leigo ou muito erudito e cient\u00edfico, ele \u00e9 baseado nesse processo.<\/p><p>Mas h\u00e1 esse ponto em que voc\u00ea diz \u201cEu realmente n\u00e3o sei.\u201d, e voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 esperando por uma resposta. Nenhum livro pode lhe dizer. N\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3ria que v\u00e1 dizer \u201c\u00c9 isso.\u201d. Certamente, isso \u00e9 inteiramente diferente dos outros tr\u00eas processos; (a), (b) e (c) n\u00e3o s\u00e3o o mesmo que (d), em que todo o pensar parou porque voc\u00ea n\u00e3o sabe e n\u00e3o est\u00e1 esperando que lhe digam.<\/p><p>Agora, a partir de qual ponto de vista voc\u00ea est\u00e1 perguntando \u201cQual o valor real do pensamento?\u201d? Voc\u00ea est\u00e1 perguntando isso para receber uma resposta, como em (a), (b), e (c)? Ou est\u00e1 fazendo essa pergunta no estado da mente representado por (d), em que n\u00e3o h\u00e1 pensamento? E que rela\u00e7\u00e3o tem o pensamento com o estado da mente representado por (d)?<\/p><p>Eu estou me fazendo entender, ou isso est\u00e1 se tornando muito complexo?<\/p><p>O pensamento tem valor em um certo n\u00edvel, n\u00e3o tem? Quando voc\u00ea vai para o escrit\u00f3rio, quando voc\u00ea faz algo em qualquer campo ou atividade, o pensamento obviamente tem valor; em todos esses assuntos deve haver pensamento. Mas o pensamento tem algum valor quando voc\u00ea diz \u201cEu n\u00e3o sei.\u201d, isso \u00e9, quando a mente passou por (a), (b) e (c) e est\u00e1 completamente num estado de n\u00e3o-saber?<\/p><p>Como eu j\u00e1 disse, se voc\u00ea \u00e9 um crist\u00e3o e algu\u00e9m lhe pergunta se h\u00e1 um deus, voc\u00ea responder\u00e1 de acordo com seu condicionamento; voc\u00ea dir\u00e1 que h\u00e1, e seu pensamento tem um certo valor dependendo de seu c\u00f3digo de moralidade, de como voc\u00ea se comporta, se voc\u00ea vai \u00e0 igreja, e todo o resto. Mas o homem que diz \u201cEu n\u00e3o sei se existe um deus ou n\u00e3o.\u201d, que nem afirma nem nega que haja um deus, e que est\u00e1 realmente num estado de n\u00e3o-saber \u2013 um tal homem n\u00e3o exercita seu pensamento para descobrir porque se ele usar seu pensamento para descobrir, ele volta para o conhecido. Voc\u00ea est\u00e1 entendendo isso?<\/p><p>Agora, eu devo negar os tr\u00eas, (a), (b), e (c), para descobrir. Voc\u00ea entende? Eu devo negar toda a estrutura do conhecimento e da cren\u00e7a e ficar em um estado de n\u00e3o-saber. N\u00e3o h\u00e1, ent\u00e3o, nenhum exerc\u00edcio de pensamento, em absoluto, e portanto minha mente n\u00e3o d\u00e1 valor ao pensamento. Mas o pensamento obviamente tem valor em qualquer outro campo.<\/p><p>Voc\u00ea v\u00ea, o conhecimento tem sido acumulado atrav\u00e9s da experi\u00eancia, atrav\u00e9s do pensamento; e o pensamento, que \u00e9 ele mesmo o produto do conhecimento, tem import\u00e2ncia no campo do conhecimento. No campo do conhecimento, voc\u00ea deve ter pensamento. Mas o conhecimento, que \u00e9 o conhecido, n\u00e3o ajudar\u00e1 voc\u00ea a encontrar o desconhecido. Ent\u00e3o a mente deve estar livre do conhecido \u2013 e essa \u00e9 uma de nossas dificuldades.<\/p><p>Eu espero que tudo isso signifique algo para voc\u00eas todos.<\/p><p>9 de julho de 1963<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2\u00aa palestra em Saanen, Su\u00ed\u00e7a. Eu sinto que \u00e9 sempre dif\u00edcil comunicar exatamente o que se quer dizer. Voc\u00ea tem de usar palavras. H\u00e1 outras formas de comunica\u00e7\u00e3o, mas elas podem ser enganosas e n\u00e3o devem ser consideradas confi\u00e1veis. 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