{"id":1745,"date":"2022-12-18T16:49:30","date_gmt":"2022-12-18T16:49:30","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1745"},"modified":"2022-12-18T16:49:57","modified_gmt":"2022-12-18T16:49:57","slug":"19-06-1955","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1745","title":{"rendered":"19\/06\/1955"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1745\" class=\"elementor elementor-1745\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3e924ff9 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3e924ff9\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d4a1330\" data-id=\"d4a1330\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5d130c31 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5d130c31\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>3\u00aa Palestra em Londres<\/strong><\/p><p>Parece-me que, especialmente em assuntos religiosos, nossa busca \u00e9 bastante superficial. N\u00e3o parece que sejamos capazes de chegar a profundidades al\u00e9m da superf\u00edcie. A maioria das pessoas passa os dias buscando alguma realidade que o nosso pensamento condicionado projeta ou que s\u00f3 pode compreender superficialmente. N\u00e3o \u00e9 um problema, para a maioria de n\u00f3s, investigar muito profundamente, ultrapassar as profundidades superficiais, ficar livre de todos os psic\u00f3logos, de todos os profetas, professores, salvadores, mestres e disciplinas, de modo que, como indiv\u00edduos, possamos realmente descobrir, por n\u00f3s mesmos, o que \u00e9 verdadeiro? E parece que n\u00e3o conseguimos realizar esse feito porque estamos sempre buscando apoio, confirma\u00e7\u00e3o daqueles que pensamos j\u00e1 terem achado, ou que nos foram designados pelas v\u00e1rias religi\u00f5es. N\u00e3o temos confian\u00e7a em nossa capacidade de descobrir. Se pudermos ter confian\u00e7a em nossa capacidade, ent\u00e3o talvez fiquemos livres para descobrir, por n\u00f3s mesmos, o que \u00e9 verdadeiro \u2013 aquilo que se encontra al\u00e9m das medidas da mente.<\/p><p>E como algu\u00e9m ter\u00e1 tal capacidade? Porque, se a pessoa a tiver, ent\u00e3o ser\u00e1 livre, estar\u00e1 livre de seguir seja quem for, livre de toda autoridade, livre do seu senso de imita\u00e7\u00e3o, livre de conformar-se com o padr\u00e3o estabelecido por qualquer religi\u00e3o ou filosofia. Se tivermos essa capacidade de investigar realmente a fundo, de irmos aos rec\u00f4nditos do nosso ser, sem distor\u00e7\u00e3o, sem o medo de n\u00e3o descobrir, de n\u00e3o encontrar um resultado, ent\u00e3o talvez possamos ficar livres de toda a cultura, seja do Oriente ou do Ocidente. Porque a cultura, quer-me parecer, n\u00e3o nos ajuda a encontrar a realidade \u2013 aquilo que est\u00e1 al\u00e9m de todas as medidas, aquilo que est\u00e1 al\u00e9m do tempo. A influ\u00eancia Ocidental ou Oriental nos condicionou de tal modo, formatou de tal modo nossa mente, que pensamos somente dentro do padr\u00e3o da nossa cultura.<\/p><p>N\u00e3o acho que a cultura alguma vez nos ajude. Ao contr\u00e1rio, penso que precisamos livrar-nos de todas as culturas, totalmente \u2013 o que significa ficarmos livres do desejo de sermos reconhecidos pela sociedade. O homem capaz de penetrar as coisas em profundidade, s\u00f3 ele \u00e9 o verdadeiro indiv\u00edduo. Presentemente, somos a massa, o coletivo, o resultado da cultura, da tradi\u00e7\u00e3o, de todas as v\u00e1rias cren\u00e7as e experi\u00eancias condicionadas. Certamente \u00e9 s\u00f3 quando estamos livres de tudo isso que somos verdadeiramente indiv\u00edduos, e \u00e9 s\u00f3 ent\u00e3o que a realidade se manifesta.<\/p><p>Ent\u00e3o, como teremos essa capacidade que nos libertar\u00e1 de toda autoridade em assuntos espirituais, de modo que sejamos verdadeiros indiv\u00edduos, capazes de descobrir por n\u00f3s mesmos, nunca solicitando encorajamento, confirma\u00e7\u00e3o, apoio? Acho que essa \u00e9 uma pergunta fundamental. Raramente fazemos perguntas fundamentais, e, se as fazemos, ficamos facilmente satisfeitos com respostas superficiais, com as palavras de outrem. Portanto, como podemos, voc\u00ea e eu, ter essa capacidade \u2013 n\u00e3o no processo do tempo, que \u00e9 outra forma de fuga \u2013 mas podemos t\u00ea-la imediatamente? Pode-se ir al\u00e9m do n\u00edvel superficial? O que \u00e9 que me impede de ser t\u00e3o claro que compreenda o todo, a totalidade do meu ser? No pr\u00f3prio processo de compreender como o meu ser \u00e9 o resultado da tradi\u00e7\u00e3o, do tempo, da cultura, do medo, da experi\u00eancia, n\u00e3o poderia eu p\u00f4r tudo isso de lado, de modo que a mente fique fresca, clara e capaz de descobrir, de perceber, diretamente? Estou certo de que a maioria de n\u00f3s fez essa pergunta. Pode a mente ficar livre, n\u00e3o depender de outra pessoa, seja quem for, n\u00e3o depender de nenhum sistema ou caminho? Se voc\u00ea perseguir um sistema, um caminho, ent\u00e3o obviamente obter\u00e1 o resultado de tal sistema, de tal caminho, mas voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 um indiv\u00edduo, um verdadeiro investigador. Um verdadeiro investigador precisa, obviamente, ser livre. Ent\u00e3o, o que \u00e9 que impede essa extraordin\u00e1ria capacidade de investigar muito a fundo e n\u00e3o se satisfazer com explica\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as superficiais?<\/p><p>Uma das raz\u00f5es \u00e9 que nos movemos, que pensamos, de acumula\u00e7\u00e3o para acumula\u00e7\u00e3o. Onde houver acumula\u00e7\u00e3o, tem de haver imita\u00e7\u00e3o. Cada experi\u00eancia deixa um res\u00edduo em forma de mem\u00f3ria, e, a partir dessa mem\u00f3ria, agimos, conclu\u00edmos, fortalecemo-nos. Nunca h\u00e1 um momento em que a mente esteja realmente livre, mas sempre h\u00e1 o res\u00edduo das experi\u00eancias de ontem. \u00c9 essa mem\u00f3ria \u2013 o resultado de anos de acumula\u00e7\u00e3o \u2013 que impede a capacidade de ser claro, direto. Ent\u00e3o, a mente nunca \u00e9 livre. N\u00e3o sei se j\u00e1 notaram como cada experi\u00eancia deixa um res\u00edduo, um resultado, ao redor do qual toda experi\u00eancia posterior \u00e9 traduzida, reunida, acumulada, retida. Portanto, a mem\u00f3ria, como experi\u00eancia, como tradi\u00e7\u00e3o, como conhecimento, \u00e9 a carga que nos impede de ter a capacidade de ser livres, de ser completamente individuais, de descobrir a n\u00f3s mesmos.<\/p><p>Tendo nascido hindu ou crist\u00e3o, \u00e9 natural que a mente esteja condicionada de acordo com determinada simbologia, com v\u00e1rias ideias do que seja a realidade, do que \u00e9 medita\u00e7\u00e3o. A mente tem experi\u00eancias em conformidade com esse condicionamento, e, com isso, fortalece ainda mais o seu pr\u00f3prio condicionamento. O crist\u00e3o, em assuntos espirituais, ater-se-\u00e1 \u00e0 vis\u00e3o de Cristo e da Virgem Maria; e o hindu faz o mesmo, s\u00f3 que a seu modo. Ser totalmente livre, n\u00e3o superficialmente, mas completamente \u2013 quando n\u00e3o h\u00e1 nenhuma forma de imita\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o h\u00e1 conforma\u00e7\u00e3o psicologicamente, interiormente \u2013 s\u00f3 ent\u00e3o, certamente, a pessoa pode ter a capacidade de investigar, de descobrir.<\/p><p>Se voc\u00ea acompanhou isso, a pergunta \u00f3bvia \u00e9: \u201cComo \u00e9 que vou libertar-me de todas as acumula\u00e7\u00f5es do passado, de todo o meu condicionamento?\u201d N\u00e3o h\u00e1 \u201ccomo\u201d; s\u00f3 h\u00e1 descoberta da verdade, sem se perguntar \u201ccomo ficar livre\u201d. Porque, se toda a nossa aten\u00e7\u00e3o for aplicada \u00e0 descoberta do que \u00e9 verdadeiro, ent\u00e3o essa mesma percep\u00e7\u00e3o, esse mesmo escutar aquilo que \u00e9 verdadeiro, liberta. Enquanto pensarmos em termos de cren\u00e7a, de ilus\u00e3o, de coisas que queremos ser, seremos incapazes de escutar, de dar toda a nossa aten\u00e7\u00e3o. Nossas cren\u00e7as, tradi\u00e7\u00f5es, s\u00edmbolos, impedem o verdadeiro escutar de qualquer verdade. Parece-me que a \u00fanica coisa importante \u00e9 dar aten\u00e7\u00e3o; a aten\u00e7\u00e3o completa \u00e9 o bem completo. A aten\u00e7\u00e3o com um objetivo em vista j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 aten\u00e7\u00e3o, mas, sim, exclus\u00e3o. Portanto, se pudermos escutar, n\u00e3o para ganhar alguma coisa \u2013 tal aten\u00e7\u00e3o torna-se excludente, estreita, limitada \u2013 mas escutar com todo o nosso ser, sem nenhum objetivo, ent\u00e3o veremos que jamais perguntaremos \u201ccomo\u201d \u2013 o m\u00e9todo, o sistema, a filosofia, a disciplina. Nesse estado de aten\u00e7\u00e3o completa, n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o em n\u00f3s, n\u00e3o h\u00e1 batalha entre o consciente e o inconsciente \u2013 \u00e9 uma aten\u00e7\u00e3o total. E, ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de passar por todo o processo psicanal\u00edtico, mergulhando numa mem\u00f3ria depois da outra, para ser livre.<\/p><p>Ent\u00e3o ser\u00e1 que podemos \u2013 eu e voc\u00eas que est\u00e3o escutando \u2013 realmente experimentar sem que cada experi\u00eancia deixe um res\u00edduo? Voc\u00eas entendem o problema? Se experimento algo e esse algo deixa uma mem\u00f3ria, essa mem\u00f3ria condiciona futuras experi\u00eancias, e, ent\u00e3o, aquilo que \u00e9 imensur\u00e1vel jamais poder\u00e1 ser experimentado. Aquilo que \u00e9, \u00e9 atemporal, e a mem\u00f3ria \u00e9 do tempo. Quer seja a mem\u00f3ria superficial de certo incidente ou a mem\u00f3ria de uma experi\u00eancia que a pessoa teve em raras ocasi\u00f5es quando talvez tenha sentido, conhecido algo que transcenda as medidas da mente, algo eterno \u2013 seja o que for, estamos para sempre presos a essa experi\u00eancia e, assim, ela impede a mente de continuar a experimentar mais profundamente. Enquanto a experi\u00eancia deixar uma marca de mem\u00f3ria, coisa que \u00e9 tempo, aquilo que \u00e9 eterno jamais poder\u00e1 ser experimentado. Ent\u00e3o, a mente precisa morrer para si mesma de momento a momento, a prop\u00f3sito de todas as experi\u00eancias. Certamente, s\u00f3 nesse estado a mente \u00e9 criativa.<\/p><p>E pode-se ter a capacidade de penetrar profundamente? Penso que sim, mas s\u00f3 quando n\u00e3o ficamos satisfeitos com explica\u00e7\u00f5es, quando n\u00e3o mais nos alimentemos de palavras, quando n\u00e3o mais dependamos das experi\u00eancias de outras pessoas, quando j\u00e1 n\u00e3o estivermos olhando para ningu\u00e9m, quando estivermos fazendo a jornada completamente s\u00f3s, tendo abandonado todas as tradi\u00e7\u00f5es, todas as culturas, todas as cren\u00e7as e, acima de tudo, todos os conhecimentos \u2013 pois a mente entupida de conhecimentos s\u00f3 pode experimentar o que j\u00e1 conhece. Ent\u00e3o, podemos, voc\u00eas e eu, n\u00e3o teoricamente, n\u00e3o s\u00f3 neste momento por voc\u00eas estarem escutando uma palestra, mas realmente, diretamente, p\u00f4r de lado toda a acumula\u00e7\u00e3o racial herdada, deixar de ser ingl\u00eas ou hindu, deixar de ter religi\u00e3o no sentido de ortodoxia, dogmas, s\u00edmbolos? Se nos agarrarmos a tudo isso, j\u00e1 n\u00e3o seremos investigadores; estaremos meramente buscando satisfa\u00e7\u00e3o, o prazer de uma experi\u00eancia que a mente condicionada exige.<\/p><p>E penso que essa capacidade n\u00e3o \u00e9 do tempo. Se olharmos para o tempo, ent\u00e3o seremos novamente presos no m\u00e9todo. Mas, para ver a import\u00e2ncia, sentir a import\u00e2ncia, ficar c\u00f4nscio da necessidade de completa liberdade interior, ver a verdade disso \u2013 ent\u00e3o essa percep\u00e7\u00e3o mesma, esse mesmo escutar com aten\u00e7\u00e3o total, faz surgir a capacidade.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Quero que meu filho seja livre. A verdadeira liberdade \u00e9 incompat\u00edvel com a lealdade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o inglesa de vida e educa\u00e7\u00e3o?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: \u00c9 isso que dizem na \u00cdndia tamb\u00e9m \u2013 posso ser hindu, com lealdade a meu pa\u00eds, e ainda assim ser livre para descobrir Deus? Posso ser hindu, budista, crist\u00e3o, e ainda ser livre? Voc\u00eas podem? Pode-se ter um passaporte, um peda\u00e7o de papel para viajar, mas isso n\u00e3o precisa fazer da pessoa um hindu. Certamente a liberdade \u00e9 totalmente incompat\u00edvel com qualquer nacionalidade, qualquer tradi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 o modo de vida americano, o modo de vida ingl\u00eas, o russo, o hindu. Cada um diz: \u201cO nosso modo \u00e9 o \u00fanico modo.\u201d E a pessoa aferra-se a ele; e, no entanto, falamos de liberdade, de paz.<\/p><p>Penso que tudo isso tem de desaparecer se quisermos um mundo diferente, um mundo que seja nosso, um mundo em que n\u00e3o exista comunismo, ou socialismo, ou capitalismo, ou hindu\u00edsmo, ou cristianismo. A Terra \u00e9 o nosso mundo, para nele vivermos sem divis\u00f5es, com felicidade, com liberdade. Mas a Terra n\u00e3o pode ser o nosso mundo enquanto houver ingleses, hindus, alem\u00e3es, comunistas, etc. \u2013 assim o mundo n\u00e3o pode jamais ser livre. Essa liberdade s\u00f3 pode existir quando formos realmente religiosos, quando cada um de n\u00f3s for realmente um indiv\u00edduo, no sentido verdadeiro da palavra.<\/p><p>Quando formos religiosamente livres, poderemos ent\u00e3o criar um mundo nosso e prover uma educa\u00e7\u00e3o de tipo diferente \u2013 e n\u00e3o apenas condicionar a crian\u00e7a de acordo com determinada cultura, encaix\u00e1-la em dado sistema, trein\u00e1-la para ser comunista, ou ate\u00edsta, ou cat\u00f3lica, ou protestante, ou hindu; tais indiv\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o livres; portanto, n\u00e3o s\u00e3o realmente religiosos; s\u00e3o meramente condicionados e criam muito sofrimento. Se quisermos criar um mundo totalmente diferente, ser\u00e1 preciso haver uma revolu\u00e7\u00e3o religiosa \u2013 n\u00e3o o voltar a alguma cren\u00e7a, ou buscar alguma realiza\u00e7\u00e3o, mas liberdade em rela\u00e7\u00e3o a todas as tradi\u00e7\u00f5es, todos os dogmas, todos os s\u00edmbolos, todas as cren\u00e7as, de modo que a pessoa seja verdadeiramente um indiv\u00edduo, livre para descobrir, para investigar aquilo que \u00e9 imensur\u00e1vel.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: A mente ocidental \u00e9 treinada para contemplar objetivamente; a mente oriental, para meditar subjetivamente. A primeira leva \u00e0 a\u00e7\u00e3o; a outra, \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 pela integra\u00e7\u00e3o dessas duas dire\u00e7\u00f5es de percep\u00e7\u00e3o dentro do indiv\u00edduo que pode emergir uma total compreens\u00e3o da vida.<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Por que dividir o ser humano como sendo do ocidente ou do oriente? N\u00e3o haveria outra abordagem para esse problema? \u2013 n\u00e3o apenas uma tentativa de integrar a\u00e7\u00e3o com medita\u00e7\u00e3o. Penso que tal integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja poss\u00edvel. Talvez haja uma abordagem de todo diferente para o problema, em vez dessa tentativa de integrar a\u00e7\u00e3o com um estado mental de distanciamento, que se atenha a observar, a contemplar. Dividimos a vida em a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-a\u00e7\u00e3o, e, portanto, buscamos integra\u00e7\u00e3o. Mas, se n\u00e3o nos dividirmos de maneira nenhuma, se pudermos eliminar do nosso pensamento toda essa quest\u00e3o de oriente como oposto a ocidente e olhar para o problema de modo diferente \u2013 ent\u00e3o, ao buscar a realidade, a mente se torna criativa, e, na pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 real, h\u00e1 a\u00e7\u00e3o, que \u00e9 contempla\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o h\u00e1 divis\u00e3o.<\/p><p>Para a mente ocidental, o Oriente, com seu misticismo e todas aquelas tolices \u00e9 muito estranho. Em raz\u00e3o do clima frio do Ocidente, das v\u00e1rias formas de revolu\u00e7\u00e3o industrial e tudo o mais, voc\u00eas precisam ser ativos, precisam de muita roupa. No Oriente, onde h\u00e1 um clima bem quente e pouca roupa \u00e9 necess\u00e1ria, tem-se tempo, \u00f3cio; e h\u00e1 a antiga tradi\u00e7\u00e3o de que a pessoa precisa sair da sociedade para encontrar (a verdade). Aqui, voc\u00eas est\u00e3o completamente ocupados com reformas \u2013 melhores condi\u00e7\u00f5es, melhor qualidade de vida. Ent\u00e3o, como podem os dois ser integrados? Ambas as abordagens podem ser falsas \u2013 e, certamente, precisam s\u00ea-lo quando d\u00e3o exagerada import\u00e2ncia a uma coisa e negam a outra.<\/p><p>Mas, se tentarmos descobrir, buscando, n\u00e3o como um grupo de crist\u00e3os, mas como indiv\u00edduos, n\u00e3o contando com autoridade alguma em nossa busca da realidade, ent\u00e3o essa pr\u00f3pria busca \u00e9 criativa, e essa mesma criatividade faz surgir sua pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o buscarmos essa liberdade religiosa, todas as reformas resultar\u00e3o em maior sofrimento \u2013 o que est\u00e1 demonstrado em todos os lugares. Voc\u00eas podem ter paz mediante terror, mas ainda haver\u00e1 guerras \u00edntimas com o pr\u00f3ximo \u2013 competi\u00e7\u00e3o, grosseria, a busca do poder pelo grupo ou pelo indiv\u00edduo. S\u00f3 aquelas pessoas que s\u00e3o religiosas no sentido mais profundo da palavra, que abriram m\u00e3o de toda autoridade espiritual, que n\u00e3o pertencem a nenhuma igreja, nenhum grupo, que n\u00e3o se identificaram com nenhuma doutrina, que est\u00e3o eternamente buscando, eternamente perguntando e jamais acumulando nenhuma experi\u00eancia \u2013 s\u00f3 tais pessoas s\u00e3o verdadeiramente criativas. Tal mente \u00e9 a \u00fanica mente religiosa e, portanto, revolucion\u00e1ria, e ela agir\u00e1 sem se dividir em contemplativa ou ativa, porque tal mente \u00e9 um ser total.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Tenho medo da morte. Tenho vivido uma vida muito rica e cheia de vida em termos intelectuais, art\u00edsticos e emocionais. Agora que a morte se aproxima, toda essa satisfa\u00e7\u00e3o se foi e eu fiquei sem nada al\u00e9m das cren\u00e7as religiosas da minha inf\u00e2ncia \u2013 tais como purgat\u00f3rio, inferno, etc. \u2013 as quais me enchem de terror. O senhor poderia tranquilizar-me?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Acho que a pr\u00f3xima pergunta refere-se \u00e0 morte; por isso, vou l\u00ea-la tamb\u00e9m.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Sou um rapaz que, at\u00e9 poucas semanas atr\u00e1s, estava em perfeita sa\u00fade e gozando a vida ao m\u00e1ximo. Um acidente feriu-me fatalmente, e os m\u00e9dicos d\u00e3o-me apenas poucos meses de vida. Por que isso aconteceu comigo e como me encontrarei com a morte?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Acho que a maioria de n\u00f3s, quer sejamos jovens ou velhos, temos medo da morte. O homem que quer terminar seu trabalho tem medo da morte porque quer alcan\u00e7ar um resultado. O homem que est\u00e1 fazendo uma carreira de sucesso n\u00e3o quer morrer em meio a isso, e ent\u00e3o tem medo da morte. O homem que viveu plenamente, com todas as riquezas deste mundo, ele tamb\u00e9m tem medo da morte. Ent\u00e3o, o que fazer? N\u00f3s nunca fazemos perguntas fundamentais. A pessoa que viveu ricamente, plenamente, jamais fez tal pergunta. Sua vida rica e plena foi muito superficial, pois, abaixo da superf\u00edcie, l\u00e1 no fundo, todas as tradi\u00e7\u00f5es do cristianismo, do hindu\u00edsmo, ou do que for, estavam l\u00e1, ocultas, adormecidas; e, quando a vida n\u00e3o est\u00e1 sendo vivida ricamente, plenamente, os sedimentos do passado v\u00eam \u00e0 tona e ele teme o purgat\u00f3rio ou inventa um c\u00e9u que seja satisfat\u00f3rio.<\/p><p>Ent\u00e3o, h\u00e1, no inconsciente, os sedimentos da nossa cultura, nossos medos raciais, etc. E, enquanto estamos ativos, com o c\u00e9rebro e o corpo saud\u00e1veis, parece-me que \u00e9 necess\u00e1rio investigar as profundezas do nosso ser para descobrir e erradicar todos esses dep\u00f3sitos, esses sedimentos de tradi\u00e7\u00e3o, de temores, de modo que, quando a morte vier, sejamos capazes de encar\u00e1-la. Isso significa, realmente, que devemos ser capazes de fazer a pergunta fundamental agora, e n\u00e3o nos darmos por satisfeitos com respostas superficiais. H\u00e1 aqueles que acreditam em reencarna\u00e7\u00e3o; eles dizem que v\u00e3o viver a vida seguinte, que h\u00e1 uma continuidade, n\u00e3o h\u00e1 aniquila\u00e7\u00e3o; e est\u00e3o felizes com essa cren\u00e7a. Mas eles n\u00e3o resolveram o problema; est\u00e3o satisfeitos apenas com palavras, com explica\u00e7\u00f5es. Ou, se voc\u00ea for muito intelectualizado, dir\u00e1: \u201cA morte \u00e9 inevit\u00e1vel, \u00e9 parte da exist\u00eancia. Assim como nasci, morrerei. Por que fazer disso um problema?\u201d Eles tampouco resolveram o problema.<\/p><p>A maioria de n\u00f3s tem medo, s\u00f3 que o encobrimos com cren\u00e7as, com explica\u00e7\u00f5es, com racionalidade. E h\u00e1 o homem que diz: \u201cSou jovem ainda; por que deveria eu ser eliminado? Quero viver, quero ver a riqueza da vida. E por que isso deveria acontecer comigo?\u201d Quando algu\u00e9m diz: \u201cPor que isso acontece comigo?\u201d, obviamente quer dizer: \u201cIsso deveria acontecer n\u00e3o comigo, mas com voc\u00ea.\u201d Portanto, todos estamos preocupados com essa quest\u00e3o. Podemos investigar o assunto?<\/p><p>Por favor, experimentem o que estou dizendo; n\u00e3o se limitem a escutar, mas, realmente, experimentem isso agora, realmente acompanhando a descri\u00e7\u00e3o e aplicando-a a si mesmos. A descri\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas a porta atrav\u00e9s da qual voc\u00eas est\u00e3o olhando, mas voc\u00eas precisam olhar. Se voc\u00eas n\u00e3o olharem, ter\u00e1 muito pouco valor a descri\u00e7\u00e3o, a porta. Portanto, vamos olhar e descobrir por n\u00f3s mesmos a verdade desse problema; por\u00e9m n\u00e3o buscando explana\u00e7\u00f5es, n\u00e3o trocando uma cren\u00e7a por outra, n\u00e3o substituindo a cren\u00e7a hindu na reencarna\u00e7\u00e3o pela cren\u00e7a crist\u00e3 no c\u00e9u, e assim por diante.<\/p><p>O fato \u00e9 que a morte existe; o organismo chega ao fim. E o fato \u00e9 que pode haver ou n\u00e3o continuidade. Mas eu quero saber agora, enquanto tenho sa\u00fade, vitalidade, o que significa viver ricamente, e tamb\u00e9m quero descobrir agora o que significa morrer \u2013 e n\u00e3o esperar que um acidente ou uma doen\u00e7a me leve embora. Quero saber o que significa morrer; ainda vivendo, quero entrar na casa da morte. N\u00e3o teoricamente, mas de fato, quero experimentar a coisa extraordin\u00e1ria que deve ser entrar no desconhecido, eliminando todo o conhecido.<\/p><p>N\u00e3o encontrar o conhecido, n\u00e3o encontrar um amigo do outro lado \u2013 \u00e9 isso que nos assusta. Tenho medo de abrir m\u00e3o de todas as coisas que conheci: a fam\u00edlia, a virtude que cultivei, a propriedade, a posi\u00e7\u00e3o, o poder, a tristeza, a alegria, tudo que acumulei, o que vem a ser o conhecido \u2013 tenho medo de abrir m\u00e3o de tudo isso, completamente, profundamente, das profundezas do meu ser, e ficar com o desconhecido, que \u00e9, afinal, a morte. Poderia eu, que sou o resultado do conhecido, n\u00e3o procurar mudar para algo tamb\u00e9m conhecido, mas entrar em algo que eu n\u00e3o conhe\u00e7a, algo que eu jamais tenha experimentado? T\u00eam-se escrito livros sobre a morte, v\u00e1rias religi\u00f5es t\u00eam ensinado sobre ela; mas todas essas coisas s\u00e3o descri\u00e7\u00f5es, s\u00e3o todas coisas conhecidas. A morte, certamente, \u00e9 o desconhecido, assim como a verdade \u00e9 o desconhecido, e a mente que estiver sobrecarregada com o conhecido jamais poder\u00e1 entrar no reino do desconhecido.<\/p><p>Portanto, a quest\u00e3o \u00e9: \u201cPosso abrir m\u00e3o de todo o conhecido?\u201d N\u00e3o consigo faz\u00ea-lo pela vontade. Por favor, acompanhe isso. N\u00e3o consigo abrir m\u00e3o do conhecido pela vontade, pela voli\u00e7\u00e3o, porque isso implica um forjador da vontade, uma entidade que diga: \u201cIsto \u00e9 certo e aquilo \u00e9 errado; isto eu quero e aquilo eu n\u00e3o quero.\u201d Tal mente est\u00e1 agindo a partir do conhecido, n\u00e3o \u00e9 verdade? Ela diz: \u201cQuero entrar naquela coisa extraordin\u00e1ria que \u00e9 a morte, o incognosc\u00edvel, e, portanto, preciso abrir m\u00e3o do conhecido.\u201d Tal pessoa ent\u00e3o examina os v\u00e1rios cantos da mente para eliminar o conhecido. Tal a\u00e7\u00e3o permite a perman\u00eancia da entidade que deliberadamente eliminou o conhecido. Mas, como essa entidade \u00e9, ela pr\u00f3pria, o resultado do conhecido, jamais poder\u00e1 experimentar ou entrar naquele estado extraordin\u00e1rio. Isso n\u00e3o est\u00e1 claro? \u2013 que, enquanto houver um experimentador, esse experimentador \u00e9 o resultado do conhecido; e ent\u00e3o esse experimentador deseja compreender aquilo que n\u00e3o \u00e9 conhecido, o desconhecido. Fa\u00e7a o que fizer para alcan\u00e7ar isso, sua experi\u00eancia estar\u00e1 ainda dentro do campo do conhecido. Ent\u00e3o, o problema \u00e9: \u201cO experimentador pode deixar de existir, totalmente?\u201d Porque ele \u00e9 o ator, a compuls\u00e3o, ele \u00e9 o investigador, ele \u00e9 a entidade que diz: \u201cIsto \u00e9 o conhecido, e preciso mudar para o desconhecido\u201d. E, certamente, qualquer a\u00e7\u00e3o, qualquer movimento da parte do observador, daquele que experimenta, estar\u00e1 ainda dentro do campo do conhecido.<\/p><p>Ent\u00e3o, pode a mente, que \u00e9 resultado do conhecido, que \u00e9 resultado do tempo \u2013 pode tal mente penetrar o desconhecido? \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o. Ent\u00e3o, qualquer explica\u00e7\u00e3o sobre a morte, qualquer cren\u00e7a, continua sendo produto do conhecido. Portanto, posso eu, pode a minha mente, desnudar-se completamente de todo o conhecido? N\u00e3o existe resposta. Depende de voc\u00ea. Voc\u00ea ter\u00e1 de descobrir, ter\u00e1 de investigar, ter\u00e1 de mergulhar nesse problema. As perguntas fundamentais n\u00e3o comportam sim ou n\u00e3o como resposta. Voc\u00ea ter\u00e1 de propor a pergunta fundamental e esperar que ela mesma se revele. Ela n\u00e3o poder\u00e1 revelar-se caso voc\u00ea esteja somente buscando uma resposta, uma explana\u00e7\u00e3o. Eis a pergunta fundamental: \u201cPosso eu, que sou resultado do conhecido, penetrar o desconhecido, que \u00e9 a morte?\u201d Se eu quiser fazer isso, dever\u00e1 ser enquanto eu viver, certamente, e n\u00e3o no \u00faltimo momento. No \u00faltimo momento, a mente n\u00e3o ser\u00e1 capaz de olhar, compreender; ela estar\u00e1 doente, cansada, exausta; ter\u00e1 muito pouca consci\u00eancia. Mas, enquanto a pessoa est\u00e1 ativa, em plena consci\u00eancia, alerta, c\u00f4nscia \u2013 ser\u00e1 que pode descobrir? Entrar na casa da morte enquanto vivo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma ideia m\u00f3rbida: \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o. Enquanto vivemos uma vida rica, plena \u2013 seja o que for isso \u2013 ou enquanto vivemos uma vida miser\u00e1vel, depauperada, ser\u00e1 que n\u00e3o podemos conhecer aquilo que n\u00e3o \u00e9 mensur\u00e1vel, aquilo que s\u00f3 \u00e9 vislumbrado pelo experimentador em raros momentos?<\/p><p>Ent\u00e3o, podemos, voc\u00ea e eu, abrir m\u00e3o do conhecido? Voc\u00ea compreende a profundidade do problema? A mente aferra-se a cada experi\u00eancia prazerosa e quer evitar a desagrad\u00e1vel. Essa acumula\u00e7\u00e3o das coisas agrad\u00e1veis \u00e9 o conhecido, e a fuga \u00e0s coisas desagrad\u00e1veis \u00e9 tamb\u00e9m o conhecido. Pode a mente morrer momento a momento para tudo que experimenta, e jamais acumular? Porque, se houve acumula\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o haver\u00e1 o experimentador sempre olhando a partir dessa acumula\u00e7\u00e3o; a pr\u00f3pria acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 o experimentador; portanto, ele jamais conhecer\u00e1 o que est\u00e1 al\u00e9m do conhecido. Acho que \u00e9 muito importante que cada um de n\u00f3s compreenda isso profundamente, pois ent\u00e3o n\u00e3o ter\u00e3o significado algumas coisas como conhecimento, disciplina, cren\u00e7a e dogma, o seguir mestres e gurus e tudo o mais. Pois as disciplinas, os m\u00e9todos, constituem o conhecido \u2013 coisas a serem praticadas e fins a serem alcan\u00e7ados.<\/p><p>Podemos ver a totalidade de tudo isso, dedicando toda a nossa aten\u00e7\u00e3o? \u2013 n\u00e3o a fim de alcan\u00e7ar o desconhecido, pois tal aten\u00e7\u00e3o seria meramente exclus\u00e3o, uma forma de avidez. Podemos estar c\u00f4nscios de que, enquanto houver qualquer movimento da mente, esse movimento ter\u00e1 nascido do tempo, do conhecido, e que tal movimento para o desconhecido jamais poder\u00e1 penetrar naquele campo de liberdade? Se pudermos, ent\u00e3o a mente, vendo a verdade disso, fica completamente im\u00f3vel. Ela j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 buscando, perguntando, investigando, pois compreende que qualquer investiga\u00e7\u00e3o, qualquer pergunta, prov\u00e9m do conhecido. S\u00f3 quando a mente est\u00e1 totalmente quieta, o desconhecido pode manifestar-se.<\/p><p>19 de junho de 1955<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>3\u00aa Palestra em Londres Parece-me que, especialmente em assuntos religiosos, nossa busca \u00e9 bastante superficial. N\u00e3o parece que sejamos capazes de chegar a profundidades al\u00e9m da superf\u00edcie. A maioria das pessoas passa os dias buscando alguma realidade que o nosso pensamento condicionado projeta ou que s\u00f3 pode compreender superficialmente. N\u00e3o \u00e9 um problema, para a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1745","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1745"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1752,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1745\/revisions\/1752"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}