{"id":1723,"date":"2022-12-18T16:47:23","date_gmt":"2022-12-18T16:47:23","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1723"},"modified":"2022-12-18T16:47:48","modified_gmt":"2022-12-18T16:47:48","slug":"17-06-1955","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1723","title":{"rendered":"17\/06\/1955"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1723\" class=\"elementor elementor-1723\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-648eca83 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"648eca83\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-191375b6\" data-id=\"191375b6\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-192264f9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"192264f9\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>1\u00aa\u00a0palestra em Londres<\/strong><\/p><p>Embora tenhamos muitos problemas, e cada problema pare\u00e7a produzir tantos outros problemas, talvez possamos considerar juntos se n\u00e3o \u00e9 melhor parar de buscar a solu\u00e7\u00e3o de todos os problemas. Parece que a nossa mente \u00e9 incapaz de lidar com a totalidade da vida; aparentemente, lidamos com todos os problemas de modo fragment\u00e1rio, isolado, e n\u00e3o com uma vis\u00e3o integrada. Se temos problemas, talvez a primeira coisa a fazer n\u00e3o seja buscar uma solu\u00e7\u00e3o imediata para eles, mas termos a paci\u00eancia de investig\u00e1-los profundamente e descobrir se esses problemas podem ser resolvidos pelo exerc\u00edcio da vontade. O que \u00e9 importante, penso eu, \u00e9 descobrir, n\u00e3o como resolver o problema, mas como abord\u00e1-lo. Porque, sem liberdade, toda abordagem \u00e9 necessariamente limitada; sem liberdade, toda solu\u00e7\u00e3o \u2013 econ\u00f4mica, pol\u00edtica, pessoal, etc. \u2013 s\u00f3 pode acarretar mais sofrimento, mais confus\u00e3o. Portanto, sinto ser importante descobrir o que \u00e9 a verdadeira liberdade, descobrir por si mesmo o que \u00e9 liberdade.<\/p><p>S\u00f3 h\u00e1 uma liberdade \u2013 a liberdade religiosa; n\u00e3o h\u00e1 outra liberdade. A liberdade proporcionada pelo Estado de bem-estar, a liberdade econ\u00f4mica, nacional, pol\u00edtica, e de v\u00e1rias outras formas, certamente n\u00e3o s\u00e3o de modo algum liberdade, mas somente levam a maior caos e maior sofrimento \u2013 o que \u00e9 \u00f3bvio para qualquer um que observe. Portanto, acho que dev\u00edamos gastar todo o nosso tempo, nossa energia e nosso pensamento na investiga\u00e7\u00e3o do que \u00e9 liberdade religiosa \u2013 se \u00e9 que existe tal coisa. Essa investiga\u00e7\u00e3o requer muito insight, muita energia e perseveran\u00e7a, se quisermos levar a cabo a investiga\u00e7\u00e3o sem sermos desviados por nenhuma atra\u00e7\u00e3o. Acho que vale a pena concentrarmo-nos nesse problema, se pudermos: \u201co que significa ser livre no sentido religioso\u201d. \u00c9 poss\u00edvel libertar a mente \u2013 isto \u00e9, nossa pr\u00f3pria mente, a mente individual \u2013 da tirania de todas as igrejas, de todas as cren\u00e7as organizadas, todos os dogmas, todos os sistemas de filosofia, todas as v\u00e1rias pr\u00e1ticas de yoga, todos os preconceitos sobre o que \u00e9 a realidade ou Deus, e, pondo isso tudo de lado, descobrir por si mesmo se existe uma liberdade religiosa? Pois, certamente, s\u00f3 a liberdade religiosa pode oferecer, definitiva e fundamentalmente, a solu\u00e7\u00e3o para todos os nossos problemas, tanto os individuais quanto os coletivos.<\/p><p>Isso significa, realmente, que a mente pode descondicionar-se a si mesma? Porque a mente, nossa pr\u00f3pria mente, \u00e9, afinal, resultado do tempo, do crescimento, da tradi\u00e7\u00e3o, da vasta experi\u00eancia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 a experi\u00eancia do presente, mas a experi\u00eancia coletiva do passado. Assim, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 como enobrecer o nosso condicionamento, como melhor\u00e1-lo \u2013 coisa que a maioria de n\u00f3s est\u00e1 tentando fazer \u2013 mas, sim, livrar a mente totalmente de todos os condicionamentos. A mim me parece que a quest\u00e3o verdadeira n\u00e3o \u00e9 a que religi\u00e3o pertencer, qual sistema ou filosofia aceitar, ou qual disciplina praticar para realizar alguma coisa que est\u00e1 al\u00e9m da mente \u2013 se \u00e9 que existe algo al\u00e9m da mente \u2013 mas, sim, descobrir, descobrir por si mesmo, pela compreens\u00e3o de cada um de n\u00f3s, pela investiga\u00e7\u00e3o e pelo autoconhecimento, se a mente pode ser livre. Essa \u00e9 a maior, a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o \u2013 libertar a mente de todo o condicionamento.<\/p><p>Afinal, para descobrir algo que seja eterno \u2013 se \u00e9 que tal coisa existe \u2013 a mente n\u00e3o pode pensar em termos de tempo; n\u00e3o pode haver ac\u00famulo do passado, pois isso engendra tempo. As pr\u00f3prias experi\u00eancias que a pessoa acumula, precisam ser descartadas, pois elas fabricam tempo. Certamente, nossa mente \u00e9 resultado do tempo; ela \u00e9 condicionada pelo passado, pelas in\u00fameras experi\u00eancias, pelas lembran\u00e7as que temos acumulado e que nos d\u00e3o continuidade. Portanto, pode-se ser realmente livre, no sentido religioso \u2013 no sentido mais profundo da palavra religi\u00e3o? Porque, obviamente, religi\u00e3o n\u00e3o consiste em rituais, dogmas, moralidade social, ir \u00e0 igreja todos os domingos, praticar a virtude, o bom comportamento, que leva \u00e0 respeitabilidade \u2013 certamente nada disso \u00e9 religi\u00e3o. Religi\u00e3o \u00e9 algo completamente diferente de tudo isso.<\/p><p>Se a pessoa descobrisse o que \u00e9 ser livre em termos religiosos, acho que todo o problema da vontade, do desejo, com suas inten\u00e7\u00f5es, suas buscas, seus prop\u00f3sitos, suas in\u00fameras proje\u00e7\u00f5es \u2013 coisas em que a mente fica aprisionada \u2013 tudo isso precisa ser compreendido. Portanto, parece-me que os nossos problemas, quaisquer que sejam, s\u00f3 podem ser dissolvidos totalmente com a destrui\u00e7\u00e3o do processo da vontade \u2013 o que pode parecer estranh\u00edssimo para a mente ocidental, e mesmo para a mente oriental. Porque, afinal, a assim chamada religi\u00e3o que geralmente aceitamos \u00e9 essencialmente baseada no processo de vir a ser, n\u00e3o \u00e9? \u2013 processo de finalmente alcan\u00e7ar certo estado que \u00e9 projetado ou inventado. Podemos experimentar um novo estado em raros momentos, mas ent\u00e3o perseguimos esses raros momentos, o que tamb\u00e9m implica \u2013 n\u00e3o \u00e9? \u2013 o cultivo da vontade de ser, de tornar-se algo, na qual encontra-se o processo do tempo. Se a mente procurasse algo que est\u00e1 al\u00e9m do tempo, al\u00e9m das limita\u00e7\u00f5es da nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia, que \u00e9 essencialmente baseada no condicionamento da a\u00e7\u00e3o, do pensamento, do sentimento \u2013 se encontr\u00e1ssemos algo al\u00e9m de tudo isso, certamente a nossa mente, que \u00e9 feita de tantas buscas e tantos desejos, tem de chegar ao fim. O que realmente significa \u2013 n\u00e3o \u00e9 mesmo? \u2013 a compreens\u00e3o do inteiro processo da mente como sendo condicionado. Afinal, uma mente que seja condicionada, moldada, formatada na cultura de alguma sociedade, obviamente n\u00e3o pode descobrir o que se encontra al\u00e9m de todo o pensamento. E a descoberta daquilo que se encontra al\u00e9m, \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o, a verdadeira religi\u00e3o.<\/p><p>Portanto, o que \u00e9 importante n\u00e3o \u00e9 se voc\u00ea \u00e9 crist\u00e3o, budista, hindu, se voc\u00ea \u00e9 um seguidor, mudando de uma religi\u00e3o para outra para satisfazer sua vaidade pessoal, aceitando certos rituais e descartando os antigos \u2013 voc\u00ea conhece a sensa\u00e7\u00e3o que a pessoa tem quando frequenta cerim\u00f4nias religiosas \u2013 tudo isso, parece-me, \u00e9 prejudicial, completamente in\u00fatil para uma mente que descobrisse o que \u00e9 verdadeiro. Mas, abdicar dessa busca por a\u00e7\u00e3o da vontade certamente s\u00f3 causa mais condicionamento, e acho que \u00e9 importante compreender isso. Estamos acostumados a envidar esfor\u00e7os para alcan\u00e7ar um resultado. \u00c9 por isso que praticamos; praticamos certas virtudes, perseguimos certa forma de moralidade, e tudo isso indica \u2013 n\u00e3o \u00e9? \u2013 um esfor\u00e7o da nossa parte para chegar algures.<\/p><p>Gostaria que pud\u00e9ssemos realmente pensar sobre isso, discuti-lo, investig\u00e1-lo juntos \u2013 como realmente libertar a mente de todo o condicionamento, e se \u00e9 poss\u00edvel descondicionar a mente, seja por meio de a\u00e7\u00e3o da voli\u00e7\u00e3o, seja mediante an\u00e1lise dos v\u00e1rios processos de pensamento e suas rea\u00e7\u00f5es, ou se existe um modo totalmente diferente de abordar este assunto, no qual s\u00f3 haja uma percep\u00e7\u00e3o que elimine todos os processos de pensamento na sua pr\u00f3pria raiz. Todo pensamento \u00e9 condicionado, obviamente; n\u00e3o existe pensamento livre. O pensamento jamais poder\u00e1 ser livre; ele \u00e9 resultado do nosso condicionamento, da nossa cultura, do nosso clima, do nosso background social, econ\u00f4mico, pol\u00edtico. Os pr\u00f3prios livros que voc\u00ea l\u00ea e os rituais que pratica est\u00e3o estabelecidos no backgroud, e qualquer pensamento tem de ser resultado desse background. Assim, se pudermos ficar c\u00f4nscios \u2013 e podemos falar sobre o que significa ficar c\u00f4nscios \u2013 talvez possamos descondicionar a mente sem o processo da vontade, sem a determina\u00e7\u00e3o de descondicionar a mente. Porque, no momento em que voc\u00ea se determina, h\u00e1 uma entidade que deseja, uma entidade que diz: \u201cPreciso descondicionar minha mente.\u201d Essa pr\u00f3pria entidade \u00e9 resultado do nosso desejo de alcan\u00e7ar certo resultado; assim, j\u00e1 temos a\u00ed um conflito. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel ficarmos c\u00f4nscios do nosso condicionamento, s\u00f3 ficarmos c\u00f4nscios? \u2013 estado em que n\u00e3o h\u00e1 nenhum conflito. Essa pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o, se a permitirmos, poder\u00e1 talvez eliminar os problemas.<\/p><p>Afinal, todos sentimos que h\u00e1 alguma coisa al\u00e9m do nosso pensamento, dos nossos diminutos problemas, das nossas tristezas. H\u00e1 momentos, talvez, em que experimentamos esse estado. Mas, infelizmente, essa mesma experi\u00eancia torna-se um empecilho \u00e0 posterior descoberta de coisas maiores, porque a nossa mente agarra-se \u00e0quilo que experimentou. Pensamos que \u00e9 o real e, assim, agarramo-nos \u00e0 coisa, mas esse ato impede o experimentar de algo muito maior.<\/p><p>Portanto, a quest\u00e3o \u00e9: \u201cA mente condicionada pode olhar para si mesma, ficar c\u00f4nscia do seu pr\u00f3prio condicionamento sem nenhuma escolha, ficar c\u00f4nscia sem nenhuma compara\u00e7\u00e3o, sem condena\u00e7\u00e3o, e ver se, nessa percep\u00e7\u00e3o, o problema particular, o pensamento particular, n\u00e3o \u00e9 queimado totalmente at\u00e9 a raiz? Certamente, qualquer forma de acumula\u00e7\u00e3o, seja de conhecimento ou de experi\u00eancia, qualquer tipo de ideal, qualquer proje\u00e7\u00e3o da mente, qualquer pr\u00e1tica destinada a moldar a mente \u2013 o que ela deve ser e n\u00e3o deve ser \u2013 tudo isso est\u00e1 obviamente prejudicando o processo de investiga\u00e7\u00e3o e descoberta. Se a pessoa realmente examina isso e pensa seriamente sobre isso, ver\u00e1 que a mente tem de ser completamente livre de todo o condicionamento para ter a liberdade religiosa. E \u00e9 s\u00f3 nessa liberdade religiosa que todos os nossos problemas, quaisquer que sejam, s\u00e3o resolvidos.<\/p><p>Portanto, penso que devemos investigar, n\u00e3o para encontrar a solu\u00e7\u00e3o dos nossos problemas imediatos, mas para descobrir se a mente \u2013 a parte consciente e a parte profunda, inconsciente, na qual se armazenam todas as tradi\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias, heran\u00e7a do conhecimento da ra\u00e7a \u2013 se tudo isso pode ser descartado. Acho que isso s\u00f3 pode ser feito se a mente for capaz de ficar c\u00f4nscia sem nenhum senso de exig\u00eancia, sem press\u00e3o alguma \u2013 somente ficar c\u00f4nscia. Acho que isso \u00e9 uma das coisas mais dif\u00edceis \u2013 ficar c\u00f4nscio desse modo \u2013 porque ficamos presos no problema imediato e na sua solu\u00e7\u00e3o imediata, e, assim, nossa vida fica muito superficial. Embora possamos ir a todos os analistas, ler todos os livros, adquirir muito conhecimento, frequentar igrejas, orar, meditar, praticar v\u00e1rias disciplinas, nossa vida \u00e9 obviamente muito superficial porque n\u00e3o sabemos como penetrar profundamente. Acho que a compreens\u00e3o, o modo de penetra\u00e7\u00e3o, como ir muito, muito profundamente, reside na percep\u00e7\u00e3o \u2013 apenas ficarmos c\u00f4nscios dos nossos pensamentos e sentimentos, sem condena\u00e7\u00e3o, sem compara\u00e7\u00e3o, apenas observar. Voc\u00ea ver\u00e1, se experimentar, o qu\u00e3o extraordinariamente dif\u00edcil \u00e9 fazer isso, porque toda a nossa educa\u00e7\u00e3o se deu no sentido de condenar, de aprovar, de comparar.<\/p><p>Portanto, parece-me que o nosso problema \u2013 que \u00e9 realmente eterno \u2013 consiste em descobrirmos por n\u00f3s mesmos, em experimentarmos diretamente o que significa libertar a mente de todo o condicionamento. \u00c9 relativamente f\u00e1cil livrar-se da nacionalidade, livrar-se das qualidades raciais herdadas, livrar-se de certas cren\u00e7as, dogmas, e n\u00e3o pertencer a nenhuma igreja ou religi\u00e3o espec\u00edfica \u2013 essas coisas s\u00e3o relativamente f\u00e1ceis para qualquer um que tenha pensado sobre tais assuntos e seja s\u00e9rio e sincero. Mas \u00e9 muito mais dif\u00edcil ir mais longe, ir al\u00e9m. Pensamos ter feito muita coisa se descartamos algumas camadas superficiais de cultura, seja ocidental, seja oriental. Mas, penetrar al\u00e9m, sem ilus\u00e3o, sem se enganar, \u00e9 muit\u00edssimo dif\u00edcil. A maioria de n\u00f3s n\u00e3o tem a energia necess\u00e1ria para tal. N\u00e3o estou falando da energia que vem mediante abstin\u00eancia, nega\u00e7\u00e3o, ascetismo, controle \u2013 essas coisas produzem um tipo errado de energia que distorce a observa\u00e7\u00e3o \u2013 mas estou falando daquela energia que vem quando a mente j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 buscando coisa alguma, j\u00e1 n\u00e3o precisa buscar, n\u00e3o precisa descobrir, experimentar, e, portanto, \u00e9 uma mente realmente tranquila. S\u00f3 uma mente assim pode descobrir, pois \u00e9 s\u00f3 uma mente assim tranquila que pode receber algo que n\u00e3o seja proje\u00e7\u00e3o sua. A mente tranquila \u00e9 uma mente livre, e tal mente \u00e9 a mente religiosa.<\/p><p>Ent\u00e3o, podemos realmente considerar isto \u2013 n\u00e3o como um grupo coletivo experimentando alguma coisa, o que \u00e9 relativamente f\u00e1cil, mas como indiv\u00edduos \u2013 podemos realmente investigar e descobrir por n\u00f3s mesmos at\u00e9 que ponto e em que profundidade estamos condicionados? E n\u00e3o podemos ficar c\u00f4nscios desse condicionamento sem a ele reagirmos, sem o condenarmos, sem tentarmos alter\u00e1-lo, sem o trocarmos por um novo condicionamento, mas ficarmos c\u00f4nscios, t\u00e3o facilmente e profundamente, que o pr\u00f3prio processo de condicionamento \u2013 o qual \u00e9, afinal, o desejo de estar em seguran\u00e7a, o desejo de perman\u00eancia \u2013 seja queimado at\u00e9 a raiz? Podemos descobrir isso por n\u00f3s mesmos \u2013 n\u00e3o porque algu\u00e9m tenha falado sobre isso \u2013 e ficar c\u00f4nscios disso diretamente, de modo que a pr\u00f3pria raiz, o pr\u00f3prio desejo de ficar em seguran\u00e7a, de ser permanente, seja totalmente queimado? \u00c9 esse desejo de ser permanente, quer no futuro quer no passado, de agarrar-se \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia, que d\u00e1 \u00e0 pessoa o senso de seguran\u00e7a; ser\u00e1 que isso n\u00e3o pode ser eliminado? Porque \u00e9 isso que engendra o condicionamento. Esse desejo que a maioria das pessoas tem de saber, e, nesse pr\u00f3prio saber, encontrar seguran\u00e7a, ter experi\u00eancia que nos d\u00ea for\u00e7a \u2013 podemos livrar-nos de tudo isso? \u2013 n\u00e3o por ato da vontade, mas queim\u00e1-lo completamente na percep\u00e7\u00e3o, de modo que a mente fique livre de todos os seus desejos, e aquilo que \u00e9 eterno possa manifestar-se.<\/p><p>Acho que isso \u00e9 a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o a revolu\u00e7\u00e3o comunista ou qualquer outra. Essas revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o resolvem os nossos problemas; ao contr\u00e1rio, elas os aumentam, elas multiplicam as nossas afli\u00e7\u00f5es \u2013 o que \u00e9 bem \u00f3bvio. Certamente, a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o verdadeira \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o da mente do seu condicionamento, e, assim, da sociedade \u2013 n\u00e3o a simples reforma da sociedade. O homem que reforma a sociedade ainda fica aprisionado nela, mas o homem que est\u00e1 livre da sociedade, sendo livre do condicionamento, este agir\u00e1 do seu pr\u00f3prio modo, e tal a\u00e7\u00e3o agir\u00e1 de novo sobre a sociedade. Portanto, o nosso problema n\u00e3o \u00e9 reforma, como melhorar a sociedade, como ter um melhor Estado de bem-estar, seja comunista, ou socialista, ou outro qualquer. N\u00e3o \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ou pol\u00edtica, ou paz mediante terror. Para um homem s\u00e9rio, essas coisas n\u00e3o s\u00e3o o problema. Seu verdadeiro problema \u00e9 descobrir se a mente pode ficar completamente livre de todo o condicionamento, e, assim, talvez, descobrir, nesse extraordin\u00e1rio sil\u00eancio, aquilo que est\u00e1 al\u00e9m de toda mensura\u00e7\u00e3o.<\/p><p>H\u00e1 v\u00e1rias perguntas e, antes de eu as responder, acho importante descobrir o que queremos dizer com \u2018problema\u2019. S\u00f3 existe problema quando a mente est\u00e1 ocupada. Por favor, escutem, e, se eu puder sugerir, n\u00e3o saltem para conclus\u00f5es, pois estamos tentando investigar a coisa em sua inteireza. Quando a mente est\u00e1 ocupada, seja com Deus, com a cozinha, com uma pessoa, ou com uma ideia, uma virtude \u2013 toda essa ocupa\u00e7\u00e3o certamente cria problemas. Se estou ocupado com a descoberta de Deus, ou da verdade, ent\u00e3o isso se torna um problema, pois eu saio perguntando, suplicando, tentando descobrir qual m\u00e9todo \u00e9 o melhor, etc. Portanto, a quest\u00e3o real n\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio problema, mas, sim, por que a mente est\u00e1 ocupada. Por que a mente busca ocupa\u00e7\u00e3o? N\u00e3o estou falando da ocupa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria do trabalho e todo o resto, mas dessa ocupa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica da mente \u2013 que tem rela\u00e7\u00e3o com a nossa vida di\u00e1ria. Porque, se estamos ocupados com Deus, com a verdade, com o amor, com o sexo, ou com os trabalhos da cozinha ou da na\u00e7\u00e3o, todas as ocupa\u00e7\u00f5es d\u00e3o no mesmo; n\u00e3o h\u00e1 ocupa\u00e7\u00f5es \u2018nobres\u2019. A mente procura ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade? Ela quer ficar ocupada com alguma coisa; ela teme n\u00e3o estar ocupada. Tente, alguma vez, ver o qu\u00e3o ocupado voc\u00ea est\u00e1 com os seus problemas, e descubra o que aconteceria se n\u00e3o estivesse t\u00e3o ocupado. Voc\u00ea logo descobrir\u00e1 qu\u00e3o assustada fica a mente se n\u00e3o tiver nenhuma ocupa\u00e7\u00e3o! Toda a nossa cultura, todo o nosso treinamento, nos diz que a mente deve estar ocupada, e, mesmo assim, parece-me que a ocupa\u00e7\u00e3o mesma cria o problema. N\u00e3o que n\u00e3o existam problemas \u2013 existem problemas, mas penso que \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o com o problema que impede a compreens\u00e3o dele. \u00c9 realmente muito interessante observar a mente, vigiar a pr\u00f3pria mente e descobrir qu\u00e3o incessantemente ela est\u00e1 ocupada com uma coisa ou outra \u2013 n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 momento em que ela esteja quieta, desocupada, vazia, nunca h\u00e1 um espa\u00e7o no qual n\u00e3o haja limites.<\/p><p>Estando assim ocupados, nossos problemas n\u00e3o param de crescer, e a simples solu\u00e7\u00e3o de um problema particular, sem o entendimento do processo todo da ocupa\u00e7\u00e3o da mente, s\u00f3 faz criar outros problemas. Portanto, n\u00e3o podemos entender essa peculiar insist\u00eancia da mente em manter-se ocupada \u2013 seja com ideias, com especula\u00e7\u00f5es, com conhecimentos, com ilus\u00f5es, com estudo, ou com sua pr\u00f3pria virtude e seus temores? Ficar livre de tudo isso, ter uma mente desocupada, \u00e9 muito dif\u00edcil porque significa, realmente, a cessa\u00e7\u00e3o de toda rea\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, que \u00e9 chamada de pensamento.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Sou muito apegado e sinto que \u00e9 muito importante cultivar o desapego. Como posso ter a sensa\u00e7\u00e3o de estar livre do desapego?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: O nosso problema \u00e9 o desapego? Ou \u00e9 o apego? \u2013 ser apegado traz sofrimento, e, portanto, queremos ser desapegados. Se pudermos fitar o inteiro processo do apego, n\u00e3o apenas superficialmente, mas penetrar no inteiro significado do apego, na sua profundidade, ent\u00e3o talvez haja algo inteiramente diferente daquilo que chamamos de desapego.<\/p><p>Por que somos apegados a alguma coisa \u2013 \u00e0 propriedade, a pessoas, a ideias, a cren\u00e7as? \u2013 voc\u00eas conhecem as numerosas formas de apego a tantas coisas. Por que temos apegos? N\u00e3o h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de medo se n\u00e3o estivermos apegados a alguma coisa \u2013 a um amigo, a uma ideia, a uma experi\u00eancia j\u00e1 acabada, a um filho, a um irm\u00e3o, a uma m\u00e3e, a uma esposa falecida? N\u00e3o sentimos que somos desleais, que n\u00e3o temos amor, se n\u00e3o formos apegados? E, tamb\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 um medo extraordin\u00e1rio de n\u00e3o sermos algo por meio do apego? Esse \u00e9 o problema, e n\u00e3o como cultivar o desapego. Se voc\u00ea cultivar o desapego, esse pr\u00f3prio cultivo torna-se um problema.<\/p><p>Por favor, veja isto. Sou apegado. Esse apego \u00e9 resultado do medo, das v\u00e1rias formas de solid\u00e3o, vazio, etc. Estou c\u00f4nscio disso, e conhe\u00e7o a dor do apego, de modo que tento cultivar o desapego. Minha mente est\u00e1 ocupada com o desapego e com como chegar ao desapego, e esse pr\u00f3prio processo torna-se um problema, n\u00e3o \u00e9 verdade? Quero alcan\u00e7ar o desapego, e, ent\u00e3o, a mente, estando ocupada com o resultado, com uma ideia chamada desapego, transforma essa empreitada num problema; ent\u00e3o h\u00e1 conflito \u2013 \u201cSou apegado, preciso ser desapegado\u201d \u2013 h\u00e1 sofrimento, e, assim, h\u00e1 uma luta constante para chegar a um estado particular no qual n\u00e3o haja dor, n\u00e3o haja medo. Mas, se eu puder olhar para o apego, ficar c\u00f4nscio dele, n\u00e3o perguntar como livrar-me da dor, nem lutar para compreender toda a implica\u00e7\u00e3o do apego, mas apenas ficar c\u00f4nscio dele como se fica c\u00f4nscio do c\u00e9u \u2013 que est\u00e1 nublado, chuvoso, ou azul \u2013 ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 problema; ent\u00e3o a mente n\u00e3o est\u00e1 ocupada com o apego nem com o seu oposto, o desapego. Quando a mente est\u00e1 assim c\u00f4nscia, ela v\u00ea o inteiro significado do apego. Mas voc\u00ea n\u00e3o pode ver o completo significado interior do apego, se houver alguma forma de condena\u00e7\u00e3o, alguma forma de compara\u00e7\u00e3o, julgamento, avalia\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Se fizer uma experi\u00eancia com isso, voc\u00ea saber\u00e1. Meramente cultivar o desapego torna-se coisa muito superficial. Se voc\u00ea for desapegado, que import\u00e2ncia tem isso? Mas quando h\u00e1 percep\u00e7\u00e3o, voc\u00ea ver\u00e1 que, onde houver apego, n\u00e3o haver\u00e1 amor; onde houver apego, haver\u00e1 desejo de perman\u00eancia, de seguran\u00e7a, de autocontinuidade \u2013 o que n\u00e3o significa que devamos buscar a autodestrui\u00e7\u00e3o. E, vendo isso, o problema do apego fica muito mais importante e vasto. Simplesmente fugir do apego, porque acarreta tanta dor, s\u00f3 pode levar ao amor superficial, ao pensamento superficial. E a maioria de n\u00f3s, que estamos praticando a virtude \u2013 a virtude do desapego, da n\u00e3o-ambi\u00e7\u00e3o, da n\u00e3o-viol\u00eancia \u2013 vivemos uma vida superficial \u2013 a vida das ideias, a vida das palavras.<\/p><p>Se a pessoa estiver c\u00f4nscia do inteiro problema do apego, come\u00e7ar\u00e1 a descobrir a sua extraordin\u00e1ria profundidade, como a mente est\u00e1 apegada \u00e0 experi\u00eancia de ontem, com a sua dor ou com o seu prazer, como a mente agarra-se a ela. N\u00e3o se pode ficar livre da experi\u00eancia de prazer e de dor at\u00e9 que se fique realmente c\u00f4nscio. Nessa percep\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o h\u00e1 escolha, em que n\u00e3o h\u00e1 rea\u00e7\u00e3o, a mente pode penetrar fundo. A simples pr\u00e1tica de qualquer virtude s\u00f3 pode levar \u00e0 respeitabilidade, coisa que a maioria das pessoas deseja, pois a respeitabilidade identifica-nos com a sociedade. Todos n\u00f3s desejamos ser reconhecidos como sendo algo \u2013 grande ou pequeno, isto ou aquilo \u2013 e a essa ideia estamos apegados. Talvez queiramos desapegar-nos das pessoas porque esse apego nos causa dor, ao passo que a ideia \u00e0 qual estamos apegados n\u00e3o o faz. Mas, para realmente compreender todo esse problema do apego \u2013 \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, \u00e0 nacionalidade, ao costume, a um h\u00e1bito, ao conhecimento, \u00e0 opini\u00e3o, a um salvador, a todas as inumer\u00e1veis cren\u00e7as e descren\u00e7as \u2013 n\u00e3o podemos ficar satisfeitos com simplesmente arranhar a superf\u00edcie e pensar que j\u00e1 compreendemos o problema do apego, quando estamos cultivando o desapego. Por outro lado, se n\u00e3o tentarmos cultivar o desapego \u2013 o que apenas se torna outro problema \u2013 se pudermos apenas olhar claramente para o apego, ent\u00e3o talvez possamos aprofundar-nos e descobrir algo inteiramente diferente, algo que n\u00e3o \u00e9 nem apego nem desapego.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Estudei muitos sistemas de filosofia e os ensinamentos dos grandes l\u00edderes religiosos. O senhor tem algo melhor para oferecer do que aquilo que j\u00e1 conhecemos?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Pergunto-me por que o senhor estuda, por que l\u00ea filosofia, por que l\u00ea o que disseram os l\u00edderes religiosos. O senhor acha que o conhecimento que aprendeu, sobre o qual leu, o levar\u00e1 a alguma parte? Talvez numa discuss\u00e3o, para exibir sua intelig\u00eancia ou erudi\u00e7\u00e3o, isso possa ter utilidade. Mas ser\u00e1 que o conhecimento acumulado \u2013 exceto no mundo cient\u00edfico \u2013 levar\u00e1 o homem, o senhor e a mim, a descobrir o que \u00e9 real, o que \u00e9 verdadeiro, o que \u00e9 Deus, o eterno? \u2013 sem o que a vida tem muito pouco significado. Certamente, para descobrir o que \u00e9 o eterno, todo o conhecimento tem de desaparecer, n\u00e3o \u00e9 verdade? As palavras de Buda, de Cristo, de todos \u2013 n\u00e3o precisamos p\u00f4r de lado tudo isso? Se n\u00e3o for assim, ent\u00e3o o senhor est\u00e1 meramente buscando suas pr\u00f3prias proje\u00e7\u00f5es ou a proje\u00e7\u00e3o da sua igreja; \u00e9 realmente ao seu pr\u00f3prio condicionamento que o senhor est\u00e1 respondendo.<\/p><p>Certamente, o senhor deve deixar de ser crist\u00e3o, hindu, budista, ou praticante de yoga \u2013 precisa abandonar completamente tudo isso para que se manifeste algo que est\u00e1 al\u00e9m \u2013 se \u00e9 que existe algo al\u00e9m. Apenas dizer que h\u00e1 algo al\u00e9m e aceit\u00e1-lo, e ter esperan\u00e7a de alcan\u00e7\u00e1-lo, fazendo disso um problema, \u00e9 muito superficial obviamente. Mas podemos fazer uma viagem \u201cn\u00e3o sabendo\u201d, n\u00e3o tendo nenhum incentivo, n\u00e3o tendo nenhum apoio, n\u00e3o sendo nem crist\u00e3o, nem budista, nem hindu, coisas que n\u00e3o passam de r\u00f3tulos indicativos de uma mente condicionada? P\u00f4r de lado todo o \u201cconhecimento\u201d \u00e9 o \u00fanico problema \u2013 e n\u00e3o \u201cTenho algo melhor para oferecer?\u201d Pois, certamente, a pessoa precisa ficar s\u00f3 \u2013 n\u00e3o isolada, n\u00e3o sozinha em conhecimento, sozinha em experi\u00eancia, porque todo conhecimento, toda experi\u00eancia, \u00e9 um obst\u00e1culo \u00e0 descoberta daquilo que \u00e9 real. A mente precisa ficar livre de todo condicionamento, sozinha, para descobrir. Quanto mais o senhor praticar, quanto mais acumular, quanto mais se disciplinar, moldar, lutar, menor ser\u00e1 a compreens\u00e3o daquilo que \u00e9.<\/p><p>N\u00e3o estou falando de alguma filosofia indiana da nega\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o fazer nada, enquanto voc\u00eas todos t\u00eam a ideia ocidental de fazer alguma coisa; n\u00e3o estou falando disso. Estamos falando de coisa completamente diferente. A mente precisa tornar-se inocente, fresca. Ela n\u00e3o pode ser fresca e inocente se houver acumula\u00e7\u00e3o de conhecimento, ou a mera repeti\u00e7\u00e3o de palavras de um professor, ou o resultado final de alguma pr\u00e1tica. N\u00e3o poderia a mente ficar c\u00f4nscia do seu pr\u00f3prio condicionamento \u2013 n\u00e3o s\u00f3 o condicionamento superficial, mas todos os s\u00edmbolos, todas as ideologias, filosofias, imagens, todas aquelas coisas l\u00e1 no fundo que condicionam a mente?Ficar c\u00f4nscio de tudo isso e libertar-se \u2013 tal liberdade \u00e9 liberdade religiosa. \u00c9 essa liberdade que faz a revolu\u00e7\u00e3o \u2013 a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o que pode transformar o mundo.<\/p><p>17 de junho de 1955<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1\u00aa\u00a0palestra em Londres Embora tenhamos muitos problemas, e cada problema pare\u00e7a produzir tantos outros problemas, talvez possamos considerar juntos se n\u00e3o \u00e9 melhor parar de buscar a solu\u00e7\u00e3o de todos os problemas. 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