{"id":1549,"date":"2022-12-18T16:22:26","date_gmt":"2022-12-18T16:22:26","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1549"},"modified":"2022-12-18T16:22:52","modified_gmt":"2022-12-18T16:22:52","slug":"22-07-1945","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1549","title":{"rendered":"22\/07\/1945"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1549\" class=\"elementor elementor-1549\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-662c4f00 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"662c4f00\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-46878dc\" data-id=\"46878dc\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7c28bd61 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7c28bd61\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>9\u00aa Palestra em Ojai<\/strong><\/p><p>O desejo de estar seguro com coisas e relacionamentos s\u00f3 gera conflito e sofrimento, depend\u00eancia e medo; a busca de felicidade na rela\u00e7\u00e3o sem compreender a causa do conflito leva \u00e0 infelicidade. Quando o pensamento coloca \u00eanfase nos valores sensoriais e \u00e9 dominado por isso, s\u00f3 pode haver luta e dor. Sem autoconhecimento, a rela\u00e7\u00e3o se torna fonte de disputa e antagonismo, um artif\u00edcio para encobrir a defici\u00eancia interior, a pobreza interior.<\/p><p>O anseio por seguran\u00e7a sob qualquer forma n\u00e3o indica defici\u00eancia interior? Essa pobreza interna n\u00e3o nos faz buscar, aceitar e nos prendermos a formula\u00e7\u00f5es, esperan\u00e7as, dogmas, cren\u00e7as, posses? Nossa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o simplesmente imitativa e compulsiva? E ancorado em ideologia, cren\u00e7a, nosso pensar se torna simples processo de encadeamento.<\/p><p>Nosso pensamento est\u00e1 condicionado pelo passado; o \u201ceu\u2019, e o \u2018meu\u2019 \u00e9 resultado da experi\u00eancia acumulada, sempre incompleta. A mem\u00f3ria do passado est\u00e1 sempre absorvendo o presente; o ego, que \u00e9 mem\u00f3ria de prazer e dor, est\u00e1 sempre acumulando e descartando, sempre forjando novamente as correntes de seu pr\u00f3prio condicionamento. Fica construindo e destruindo, mas sempre dentro da pris\u00e3o criada por ele mesmo. Ele se prende \u00e0s mem\u00f3rias agrad\u00e1veis e descarta as desagrad\u00e1veis. O pensamento deve transcender seu condicionamento para o surgimento do real.<\/p><p>Avaliar \u00e9 pensar correto? Escolha \u00e9 pensamento condicionado; o pensar correto vem pela compreens\u00e3o de quem escolhe, do censor. Enquanto o pensamento estiver ancorado em cren\u00e7a, ideologia, ele s\u00f3 pode funcionar dentro de sua pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o; ele s\u00f3 pode atuar dentro dos limites do ego e de sua escravid\u00e3o. O pensamento condicionado impede o pensar correto que \u00e9 n\u00e3o-avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o-identifica\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Deve haver alertada vigil\u00e2ncia de si, sem escolha: escolha \u00e9 avalia\u00e7\u00e3o e a avalia\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a mem\u00f3ria auto-identificada. Se desejarmos compreender profundamente, deve haver conscientiza\u00e7\u00e3o passiva e sem escolha, o que permite que a experi\u00eancia se desdobre e revele sua pr\u00f3pria significa\u00e7\u00e3o. A mente que busca seguran\u00e7a atrav\u00e9s do real s\u00f3 cria ilus\u00e3o. O real n\u00e3o \u00e9 um ref\u00fagio; ele n\u00e3o \u00e9 a recompensa pela a\u00e7\u00e3o correta; n\u00e3o \u00e9 um fim a ser alcan\u00e7ado.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0N\u00e3o dever\u00edamos duvidar de sua experi\u00eancia e daquilo que voc\u00ea fala? Embora certas religi\u00f5es condenem a d\u00favida como um entrave, ela n\u00e3o \u00e9, como voc\u00ea j\u00e1 expressou, um b\u00e1lsamo precioso, uma necessidade?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 importante descobrir porque a d\u00favida surge de fato? Qual a causa da d\u00favida? Ela n\u00e3o surge quando seguimos o outro? Ent\u00e3o o problema n\u00e3o \u00e9 a d\u00favida, mas a causa da aceita\u00e7\u00e3o. Por que aceitamos, por que seguimos?<\/p><p>Seguimos a autoridade do outro, a experi\u00eancia do outro e, a\u00ed, duvidamos dela; essa procura pela autoridade e sua consequente desilus\u00e3o, \u00e9 um processo doloroso para a maioria de n\u00f3s. N\u00f3s censuramos ou criticamos a autoridade que, uma vez, aceitamos \u2013 o l\u00edder, o mestre \u2013 mas n\u00e3o examinamos nosso pr\u00f3prio anseio por uma autoridade que possa orientar nossa conduta. Uma vez que compreendamos esse anseio, poderemos compreender o significado da d\u00favida.<\/p><p>N\u00e3o existe em n\u00f3s uma tend\u00eancia profundamente enraizada de buscar orienta\u00e7\u00e3o, aceitar a autoridade? De onde vem este impulso? Ele n\u00e3o surge de nossa pr\u00f3pria incerteza, de nossa pr\u00f3pria incapacidade de saber o que \u00e9 verdadeiro o tempo todo? Queremos que outra pessoa nos desenhe o mar do autoconhecimento; desejamos estar seguros, desejamos encontrar um ref\u00fagio a salvo e, assim, seguimos qualquer um que nos dirija. Incerteza e medo procuram orienta\u00e7\u00e3o e obrigam \u00e0 autoridade e \u00e0 adora\u00e7\u00e3o da autoridade.; tradi\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o criam para n\u00f3s muitos padr\u00f5es de obedi\u00eancia. Se algumas vezes n\u00e3o aceitamos e obedecemos a s\u00edmbolos de autoridade exterior, criamos nossa pr\u00f3pria autoridade interna, a voz sutil de nosso ego. Mas pela obedi\u00eancia n\u00e3o se pode conhecer a liberdade; a liberdade chega com a compreens\u00e3o, n\u00e3o pela aceita\u00e7\u00e3o da autoridade nem pela imita\u00e7\u00e3o.<\/p><p>O desejo de auto-expans\u00e3o cria obedi\u00eancia e aceita\u00e7\u00e3o o que leva \u00e0 d\u00favida. N\u00f3s nos adaptamos e obedecemos porque ansiamos por expans\u00e3o pr\u00f3pria e, assim, nos tornamos negligentes. Aceita\u00e7\u00e3o leva \u00e0 neglig\u00eancia e \u00e0 d\u00favida. A experi\u00eancia, especialmente aquela dita religiosa, nos d\u00e1 grande contentamento, e a usamos como orienta\u00e7\u00e3o, refer\u00eancia; mas quando essa experi\u00eancia cessa de nos sustentar e inspirar, come\u00e7amos a duvidar dela. A d\u00favida s\u00f3 surge quando aceitamos. Mas n\u00e3o \u00e9 tolice, neglig\u00eancia, aceitar uma experi\u00eancia de outra pessoa? \u00c9 voc\u00ea que deve refletir, sentir e estar vulner\u00e1vel ao real, mas voc\u00ea n\u00e3o pode estar aberto se voc\u00ea se encobre sob o manto da autoridade, seja a de outra pessoa ou a sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito mais essencial compreender o anseio por autoridade, orienta\u00e7\u00e3o, do que louvar ou afastar a d\u00favida. Compreendendo o anseio por orienta\u00e7\u00e3o, a d\u00favida cessa. A d\u00favida n\u00e3o tem espa\u00e7o no ser criativo.<\/p><p>Aquele que se prende ao passado, \u00e0 mem\u00f3ria, est\u00e1 sempre em conflito. A d\u00favida n\u00e3o p\u00f5e fim ao conflito; s\u00f3 quando o anseio \u00e9 compreendido pode haver a alegria do real. Tome cuidado com o homem que diz que sabe.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Eu quero compreender a mim mesmo, quero dar fim a minhas est\u00fapidas lutas e fazer um esfor\u00e7o definitivo para viver integralmente e verdadeiramente.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0O que voc\u00ea quer dizer quando usa a express\u00e3o a mim mesmo? Como voc\u00ea \u00e9 muitos e sempre muda, existe um momento duradouro quando voc\u00ea pode dizer que este \u00e9 meu \u2018eu\u2019 de sempre? \u00c9 a entidade m\u00faltipla, o fardo de mem\u00f3rias que deve ser compreendido e n\u00e3o a entidade \u00fanica que, convenientemente, chama a si mesma de \u201ceu\u2019.<\/p><p>Somos pensamentos-sentimentos sempre mudando, contradit\u00f3rios: amor e \u00f3dio, paz e paix\u00e3o, intelig\u00eancia e ignor\u00e2ncia. Agora, quem \u00e9 o \u2018eu\u2019 nisso tudo? Devo escolher o que \u00e9 mais agrad\u00e1vel e descartar o resto? Quem deve compreender esses egos contradit\u00f3rios e conflitantes? Existe um ego permanente, uma entidade espiritual separada desses? Esse ego n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o resultado continuado do conflito das muitas entidades? Existe um ego que est\u00e1 acima e al\u00e9m de todos os egos contradit\u00f3rios? A verdade dele s\u00f3 pode ser experimentada quando os egos contradit\u00f3rios forem compreendidos e transcendidos.<\/p><p>Todas as entidades conflitantes que fizeram o \u2018eu\u2019, tamb\u00e9m criaram o outro \u2018eu\u2019, o observador, o analista. Para compreender a mim mesmo devo compreender as muitas partes de mim, incluindo o \u2018eu\u2019 que se tornou aquele que olha, o \u2018eu\u2019 que compreende. O pensador deve compreender n\u00e3o apenas seus muitos pensamentos contradit\u00f3rios, mas deve compreender a si mesmo como o criador dessas muitas entidades. O \u2018eu\u2019, o pensador, o observador olha seus pensamentos-sentimentos opostos e conflitantes como se ele n\u00e3o fosse parte deles, como se ele estivesse acima e al\u00e9m deles, controlando, dirigindo, moldando. Mas ele n\u00e3o \u00e9 o \u2018eu\u2019, o pensador, esses conflitos? Ele n\u00e3o os criou? N\u00e3o importa o n\u00edvel, o pensador est\u00e1 separado de seus pensamentos? O pensador \u00e9 o criador dos impulsos opostos, assumindo diferentes pap\u00e9is em ocasi\u00f5es diferentes dependendo de seu prazer e dor. Para se compreender, o pensador deve chegar atrav\u00e9s de seus muitos aspectos. Uma \u00e1rvore n\u00e3o \u00e9 apenas a flor e a fruta, mas \u00e9 o processo total. Do mesmo modo, para compreender a mim mesmo devo, sem identifica\u00e7\u00e3o e escolha, estar consciente do processo total que \u00e9 o \u2018eu\u2019.<\/p><p>Como pode haver compreens\u00e3o quando uma parte \u00e9 usada como meio de compreender a outra? \u00c9 poss\u00edvel uma contradi\u00e7\u00e3o compreender outra? S\u00f3 existe compreens\u00e3o quando a contradi\u00e7\u00e3o como um todo cessa, quando o pensamento n\u00e3o est\u00e1 se identificando com a parte.<\/p><p>Ent\u00e3o \u00e9 importante compreender o desejo de condenar ou aprovar, justificar ou comparar, pois \u00e9 esse desejo que impede a completa compreens\u00e3o do ser inteiro. Quem \u00e9 o juiz, quem \u00e9 a entidade que fica comparando, analisando? Ele n\u00e3o \u00e9 apenas um aspecto do processo total, um aspecto do ego que est\u00e1 sempre mantendo o conflito? O conflito n\u00e3o \u00e9 dissolvido com a introdu\u00e7\u00e3o de outra entidade que pode representar condena\u00e7\u00e3o, justifica\u00e7\u00e3o, ou amor. S\u00f3 na liberdade pode haver compreens\u00e3o, mas a liberdade \u00e9 negada quando o observador, pela identifica\u00e7\u00e3o, condena ou justifica. S\u00f3 na compreens\u00e3o do processo como um todo pode o pensar correto abrir a porta para o eterno.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Como voc\u00ea \u00e9 muito contra a autoridade, existem sinais inequ\u00edvocos pelos quais se pode reconhecer objetivamente a liberta\u00e7\u00e3o de outra pessoa sem a afirma\u00e7\u00e3o pessoal do indiv\u00edduo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que atingiu?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Novamente \u00e9 o problema da aceita\u00e7\u00e3o colocado de outro modo, n\u00e3o? Suponha que algu\u00e9m afirme que \u00e9 liberto, qual \u00e9 a grande significa\u00e7\u00e3o disso para outra pessoa? Suponha que voc\u00ea est\u00e1 livre do sofrimento, qual a import\u00e2ncia disso para o outro? Isso s\u00f3 tem significa\u00e7\u00e3o se a pessoa busca se libertar da ignor\u00e2ncia, pois \u00e9 a ignor\u00e2ncia que causa sofrimento. Ent\u00e3o o ponto principal n\u00e3o \u00e9 quem atingiu, mas como libertar o pensamento de seu sofrimento que se auto-encadeia. A maioria de n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1 interessada com esta quest\u00e3o essencial, mas sim com sinais exteriores pelos quais podemos reconhecer aquele que se libertou a fim de que ele possa curar nossos sofrimentos. Desejamos ganhar mais do que compreender; nosso anseio por orienta\u00e7\u00e3o, por conforto, nos faz aceitar a autoridade e, assim, estamos sempre buscando o especialista. Voc\u00ea \u00e9 a causa de seu sofrimento e s\u00f3 voc\u00ea pode compreend\u00ea-lo e transcend\u00ea-lo, ningu\u00e9m pode lhe dar o livramento da ignor\u00e2ncia exceto voc\u00ea mesmo.<\/p><p>N\u00e3o \u00e9 importante quem conseguiu, mas \u00e9 importante estar consciente de sua atitude e como voc\u00ea ouve o que est\u00e1 sendo dito. N\u00f3s ouvimos com esperan\u00e7a e medo; procuramos a luz do outro, mas n\u00e3o ficamos vivamente passivos para sermos capazes de compreender. Se o liberado parece preencher nossos desejos, n\u00f3s o aceitamos; se n\u00e3o, continuamos nossa busca por um que o fa\u00e7a; o que a maioria de n\u00f3s deseja \u00e9 gratifica\u00e7\u00e3o em diferentes n\u00edveis. Importante n\u00e3o \u00e9 como reconhecer o liberado, mas como compreender a si mesmo. Nenhuma autoridade, aqui ou no futuro, pode lhe dar o conhecimento de si mesmo, sem autoconhecimento n\u00e3o h\u00e1 liberta\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia, do sofrimento.<\/p><p>Voc\u00ea \u00e9 o criador da mis\u00e9ria como \u00e9 o criador da ignor\u00e2ncia e da autoridade; voc\u00ea produz o l\u00edder e o segue; seu anseio molda o padr\u00e3o de sua vida religiosa e mundana, ent\u00e3o \u00e9 essencial compreender a si mesmo e, assim, transformar o modo de sua vida. Tenha consci\u00eancia de por que voc\u00ea segue outra pessoa, por que voc\u00ea busca autoridade, por que voc\u00ea anseia por orienta\u00e7\u00e3o de conduta; tenha consci\u00eancia dos caminhos do anseio. A mente-cora\u00e7\u00e3o se tornou insens\u00edvel pelo medo e a gratifica\u00e7\u00e3o da autoridade, mas com profunda conscientiza\u00e7\u00e3o do pensamento-sentimento vem a acelera\u00e7\u00e3o da vida. Com a conscientiza\u00e7\u00e3o sem escolha o processo total de seu ser \u00e9 compreendido; com a conscientiza\u00e7\u00e3o passiva vem a ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Embora voc\u00ea tenha respondido muitas perguntas sobre medita\u00e7\u00e3o, acho que n\u00e3o falou nada sobre medita\u00e7\u00e3o em grupo. Deve-se meditar com outras pessoas ou s\u00f3?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0O que \u00e9 medita\u00e7\u00e3o? N\u00e3o \u00e9 a compreens\u00e3o dos caminhos do ego, n\u00e3o \u00e9 autoconhecimento? Sem autoconhecimento, sem consci\u00eancia do processo total, aquilo que voc\u00ea construiu como car\u00e1ter, aquilo por que voc\u00ea luta, n\u00e3o tem realidade. O autoconhecimento \u00e9 o princ\u00edpio da verdadeira medita\u00e7\u00e3o. Ora, voc\u00ea compreender\u00e1 a si mesmo estando s\u00f3 ou com muitas pessoas? Os muitos podem ser obst\u00e1culo para a medita\u00e7\u00e3o bem como estar s\u00f3. O pr\u00f3prio peso da ignor\u00e2ncia das muitas pessoas que n\u00e3o compreendem a elas mesmas pode dominar aquele que est\u00e1 tentando compreender a si mesmo pela medita\u00e7\u00e3o. O grupo pode estimular a pessoa, mas estimula\u00e7\u00e3o \u00e9 medita\u00e7\u00e3o? A depend\u00eancia do grupo cria conformismo; a adora\u00e7\u00e3o ou ora\u00e7\u00e3o congregacional \u00e9 suscet\u00edvel \u00e0 sugest\u00e3o, \u00e0 influ\u00eancia, ao descuido. Meditar em isolamento tamb\u00e9m pode criar obst\u00e1culos e refor\u00e7ar preconceitos e conformidades da pessoa. Se n\u00e3o houver flexibilidade, conscientiza\u00e7\u00e3o vigorosa, simplesmente viver s\u00f3 refor\u00e7a tend\u00eancias e idiossincrasias, fortalece h\u00e1bitos, e aprofunda as rotinas de pensamento-sentimento. Sem compreender o significado da medita\u00e7\u00e3o, meditar s\u00f3 pode se tornar um processo de fechamento em si mesmo, de estreitamento da mente-cora\u00e7\u00e3o na auto-ilus\u00e3o, e de fortalecimento da obstina\u00e7\u00e3o e da credulidade.<\/p><p>Assim, se voc\u00ea meditar com um grupo ou por voc\u00ea mesmo ter\u00e1 pouca significa\u00e7\u00e3o se a significa\u00e7\u00e3o da medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o for corretamente compreendida: medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um processo de autotransforma\u00e7\u00e3o; come\u00e7ando com o autoconhecimento, ela traz tranquilidade e suprema sabedoria, abre a porta do eterno. O prop\u00f3sito da medita\u00e7\u00e3o \u00e9 estar consciente do processo total do ego. O ego \u00e9 resultado do passado e n\u00e3o existe no isolamento; ele \u00e9 constru\u00eddo. As muitas causas que o fizeram surgir devem ser compreendidas e transcendidas; s\u00f3 com profunda conscientiza\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o pode haver a liberta\u00e7\u00e3o do anseio, do ego. S\u00f3 ent\u00e3o h\u00e1 verdadeira solid\u00e3o. Mas quando voc\u00ea medita por si mesmo, n\u00e3o est\u00e1 sozinho, pois voc\u00ea \u00e9 o resultado de inumer\u00e1veis influ\u00eancias, ou for\u00e7as conflitantes. Voc\u00ea \u00e9 um resultado, um produto, e aquilo que \u00e9 constru\u00eddo, selecionado, reunido, n\u00e3o pode compreender aquilo que n\u00e3o \u00e9. Quando o pensador e seu pensamento s\u00e3o um s\u00f3, tendo ido acima e al\u00e9m de toda formula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 aquela tranquilidade em que est\u00e1 o real. Meditar \u00e9 penetrar nos muitos n\u00edveis condicionados e educados da consci\u00eancia.<\/p><p>J\u00e1 que estamos fechados em n\u00f3s mesmos, em dor e conflito, \u00e9 essencial estarmos intensamente conscientes, pois atrav\u00e9s do autoconhecimento, o pensamento-sentimento se liberta dos impedimentos por ele criados de m\u00e1 vontade e ignor\u00e2ncia, mundanismo e anseio. \u00c9 essa compreens\u00e3o meditativa que \u00e9 criativa; essa compreens\u00e3o traz n\u00e3o retraimento, n\u00e3o exclus\u00e3o, mas solid\u00e3o espont\u00e2nea.<\/p><p>Quanto mais estivermos meditativamente conscientes durante as chamadas horas de vig\u00edlia, menos haver\u00e1 sonhos, e menor ser\u00e1 o medo angustiante da interpreta\u00e7\u00e3o deles; porque se houver consci\u00eancia de si durante as horas de vig\u00edlia, os diversos n\u00edveis da consci\u00eancia v\u00e3o sendo descobertos e compreendidos e, durante o sono, h\u00e1 a continua\u00e7\u00e3o da conscientiza\u00e7\u00e3o. A medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para um per\u00edodo determinado, mas \u00e9 para continuar durante as horas de vig\u00edlia e horas de sono tamb\u00e9m, porque atrav\u00e9s da correta conscientiza\u00e7\u00e3o meditativa durante a vig\u00edlia, o pensamento pode penetrar profundidades de grande significa\u00e7\u00e3o. Mesmo durante o sono a medita\u00e7\u00e3o continua.<\/p><p>Medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica; n\u00e3o \u00e9 o cultivo de um h\u00e1bito; medita\u00e7\u00e3o \u00e9 elevada conscientiza\u00e7\u00e3o. A simples pr\u00e1tica entorpece a mente-cora\u00e7\u00e3o, pois o h\u00e1bito denota descuido e causa insensibilidade. A medita\u00e7\u00e3o correta \u00e9 um processo de libera\u00e7\u00e3o, uma criativa descoberta de si mesmo que liberta o pensamento-sentimento da escravid\u00e3o. S\u00f3 na liberdade est\u00e1 o real.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Discutindo o problema da doen\u00e7a, voc\u00ea introduziu o conceito de tens\u00e3o psicol\u00f3gica. Se lembro corretamente, voc\u00ea afirmou que o n\u00e3o-uso ou abuso da tens\u00e3o psicol\u00f3gica \u00e9 a causa da doen\u00e7a. A psicologia moderna, por outro lado, majoritariamente enfatiza o relaxamento, o al\u00edvio da tens\u00e3o nervosa e assim por diante. O que voc\u00ea acha?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0N\u00e3o devemos ser vigorosos se quisermos compreender? Enquanto ouve esta palestra n\u00e3o existe aten\u00e7\u00e3o, uma tens\u00e3o? Toda conscientiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma intensidade de tens\u00e3o correta? A conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para a compreens\u00e3o; \u00e9 necess\u00e1ria uma aten\u00e7\u00e3o vigorosa se quisermos captar a completa significa\u00e7\u00e3o de um problema. O relaxamento \u00e9 necess\u00e1rio, algumas vezes ben\u00e9fico; mas conscientiza\u00e7\u00e3o, tens\u00e3o correta, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para a compreens\u00e3o profunda? As cordas de um violino n\u00e3o devem ser afinadas, esticadas para produzir o tom correto? Se elas forem muito esticadas, elas rompem, e se n\u00e3o forem esticadas ou afinadas exatamente, elas n\u00e3o d\u00e3o o tom correto. Do mesmo modo, n\u00f3s sucumbimos quando nossos nervos s\u00e3o muito for\u00e7ados; a tens\u00e3o insuport\u00e1vel causa v\u00e1rias formas de desordens mentais e f\u00edsicas.<\/p><p>Mas a conscientiza\u00e7\u00e3o, a amplia\u00e7\u00e3o e o estiramento da mente-cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios para a compreens\u00e3o? A compreens\u00e3o \u00e9 o resultado de relaxamento, desaten\u00e7\u00e3o, ou ela vem com a conscientiza\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o h\u00e1 tens\u00e3o causada pelo desejo de abarcar, alcan\u00e7ar? A quietude vigilante n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para a compreens\u00e3o profunda?<\/p><p>A tens\u00e3o pode ou reparar ou arruinar. N\u00e3o existe tens\u00e3o em todas as rela\u00e7\u00f5es? Essa tens\u00e3o se torna nociva quando a rela\u00e7\u00e3o se torna uma fuga da pr\u00f3pria defici\u00eancia da pessoa, um abrigo autoprotetor da dolorosa descoberta de si mesmo. A tens\u00e3o se torna nociva quando a rela\u00e7\u00e3o vicia e n\u00e3o \u00e9 mais um processo de auto-revela\u00e7\u00e3o. A maioria de n\u00f3s usa a rela\u00e7\u00e3o para se gratificar, se enaltecer, mas quando isso falha, uma tens\u00e3o nociva \u00e9 criada que leva \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o, ao ci\u00fame, desilus\u00e3o e conflito. Enquanto o anseio do ego continuar, haver\u00e1 a tens\u00e3o psicol\u00f3gica nociva da defici\u00eancia interior que causa variadas desilus\u00f5es e mis\u00e9ria. Mas para compreender o vazio, a dolorosa solid\u00e3o, deve haver conscientiza\u00e7\u00e3o correta, tens\u00e3o correta. A tens\u00e3o da gan\u00e2ncia, do medo, da ambi\u00e7\u00e3o, do \u00f3dio, \u00e9 destrutiva, produtora de doen\u00e7as f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, e para transcender essa tens\u00e3o deve haver conscientiza\u00e7\u00e3o sem escolha.<\/p><p>O desejo, que se expressa de muitas maneiras no mundo material e assim chamado espiritual, \u00e9 a causa do conflito em todas as diferentes camadas de consci\u00eancia. A tens\u00e3o de se tornar \u00e9 conflito e dor sem fim. Ao estar ciente do desejo e assim compreend\u00ea-lo, o pensamento se liberta da ignor\u00e2ncia e do sofrimento.<\/p><p>22 de julho de 1945.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>9\u00aa Palestra em Ojai O desejo de estar seguro com coisas e relacionamentos s\u00f3 gera conflito e sofrimento, depend\u00eancia e medo; a busca de felicidade na rela\u00e7\u00e3o sem compreender a causa do conflito leva \u00e0 infelicidade. Quando o pensamento coloca \u00eanfase nos valores sensoriais e \u00e9 dominado por isso, s\u00f3 pode haver luta e dor. 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