{"id":1513,"date":"2022-12-18T16:18:07","date_gmt":"2022-12-18T16:18:07","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1513"},"modified":"2022-12-18T16:18:38","modified_gmt":"2022-12-18T16:18:38","slug":"01-07-1945","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1513","title":{"rendered":"01\/07\/1945"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1513\" class=\"elementor elementor-1513\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2da3c9aa elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2da3c9aa\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-34e82845\" data-id=\"34e82845\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7b2f3d39 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7b2f3d39\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>6\u00aa Palestra em Ojai<\/strong><\/p><p>Esta manh\u00e3 responderei a tantas perguntas quanto for poss\u00edvel.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Se n\u00e3o destru\u00edssemos o mal que havia na Europa Central, ele teria nos subjugado. Voc\u00ea quer dizer que n\u00e3o dev\u00edamos ter nos defendido? A agress\u00e3o deve ser refutada. Como a refutar\u00edamos?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Esta onda de agress\u00e3o, de sangue, de criminalidade organizada, parece surgir periodicamente em um grupo e passar para outro. Isso \u00e9 recorrente na hist\u00f3ria. Nenhum pa\u00eds est\u00e1 livre dessa agress\u00e3o. Todos n\u00f3s somos, cada um de seu modo, respons\u00e1veis por esta onda de agress\u00e3o massiva e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p><p>\u00c9 poss\u00edvel viver sem agress\u00e3o e, por isso, sem defesa? Todo esfor\u00e7o \u00e9 uma s\u00e9rie de ataques e defesas? Pode a vida ser vivida sem este esfor\u00e7o destrutivo? Cada pessoa deveria estar consciente de suas respostas a esse problema. Todo o esfor\u00e7o para se tornar n\u00e3o exige arrog\u00e2ncia e expans\u00e3o do indiv\u00edduo e, portanto, do grupo ou na\u00e7\u00e3o, levando ao conflito, ao antagonismo e \u00e0 guerra?<\/p><p>\u00c9 poss\u00edvel resolver este problema da agress\u00e3o seguindo as linhas da defesa? Defesa implica autoprote\u00e7\u00e3o, oposi\u00e7\u00e3o e conflito, e o antagonismo vai ser dissolvido pela oposi\u00e7\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel viver neste mundo e, contudo, estar livre desta constante batalha entre seu e meu, com seu cruel ataque e defesa? Porque desejamos proteger nosso nome, nossa propriedade, nossa nacionalidade, nossa religi\u00e3o, nossos ideais, n\u00f3s cultivamos o esp\u00edrito de ataque e defesa. Somos possessivos, gananciosos, e criamos uma estrutura social que necessita cada vez mais de explora\u00e7\u00e3o cruel e agress\u00e3o. Esse processo de gan\u00e2ncia gera seu pr\u00f3prio oposto e, assim, defesa e ataque se tornam parte de nossa exist\u00eancia di\u00e1ria. Nenhuma solu\u00e7\u00e3o pode ser encontrada enquanto estivermos pensando-sentindo em termos de defesa e ataque, o que s\u00f3 mant\u00e9m a confus\u00e3o e a disputa.<\/p><p>\u00c9 poss\u00edvel pensar-sentir sem defesa e ataque? S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando existe amor, quando cada pessoa abandona a avidez, a\u00a0m\u00e1 vontade, a ignor\u00e2ncia, que se expressam atrav\u00e9s do nacionalismo, anseio por poder e outras formas de criminalidade e crueldade. Se se quer resolver esse problema permanentemente, certamente o pensamento-sentimento deve se libertar de toda gan\u00e2ncia e medo. Esta atitude de ataque e defesa \u00e9 cultivada em nossa vida cotidiana e termina, finalmente, em guerra e cat\u00e1strofes. A dificuldade est\u00e1 em nossa pr\u00f3pria natureza contradit\u00f3ria; queremos paz e, contudo, cultivamos as causas que provocam guerra e destrui\u00e7\u00e3o. Queremos felicidade e liberdade e, contudo, cedemos \u00e0 lux\u00faria, \u00e0\u00a0m\u00e1 vontade\u00a0e ao descuido; rogamos por compreens\u00e3o e, contudo, a negamos em nossa vida cotidiana; queremos aproveitar os dois opostos e, assim, ficamos confusos e perdidos.<\/p><p>Se voc\u00ea quiser dar um fim a esta onda de crueldade, de apavorante destrui\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria, se voc\u00ea quiser salvar seu filho, seu marido, seu vizinho, voc\u00ea deve pagar o pre\u00e7o. Essa mis\u00e9ria n\u00e3o \u00e9 cria\u00e7\u00e3o de um grupo ou ra\u00e7a, mas de cada um de n\u00f3s; cada pessoa deve, refletidamente, abandonar as causas que produzem essas calamidades e incont\u00e1vel mis\u00e9ria. Voc\u00ea deve deixar de lado completamente seu nacionalismo, sua avidez e\u00a0m\u00e1 vontade, seu anseio por poder e riqueza, e sua ades\u00e3o aos preconceitos religiosos organizados que, enquanto asseveram a unidade do homem, colocam o homem contra o homem. S\u00f3 ent\u00e3o haver\u00e1 paz e alegria.<\/p><p>Por que n\u00f3s parecemos incapazes de viver criativa e felizmente sem destruir um ao outro? N\u00e3o \u00e9 porque nos condicionamos por meio de nossa pr\u00f3pria paix\u00e3o,\u00a0m\u00e1 vontade\u00a0e estupidez que somos incapazes de viver alegremente e serenamente? Temos que romper nosso pr\u00f3prio condicionamento e sermos nada. Temos medo de ser nada, ent\u00e3o fugimos e alimentamos nosso medo com gan\u00e2ncia, \u00f3dio, ambi\u00e7\u00e3o.<\/p><p>O problema n\u00e3o \u00e9 como defender, mas como transcender o desejo de expans\u00e3o pr\u00f3pria, o anseio por se tornar. S\u00f3 aqueles indiv\u00edduos que abandonam suas paix\u00f5es, seu anseio por fama e imortalidade pessoal, podem ajudar a gerar paz criativa e alegria.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>No crescimento pessoal n\u00e3o h\u00e1 um processo cont\u00ednuo e recorrente de morte da esperan\u00e7as e dos desejos acalentados, de desilus\u00e3o cruel em rela\u00e7\u00e3o ao passado, de transmuta\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno negativo em uma vida mais positiva e forte \u2013 at\u00e9 o mesmo est\u00e1gio ser alcan\u00e7ado novamente numa espiral mais elevada? E, assim, o conflito e a dor n\u00e3o s\u00e3o indispens\u00e1veis para todo crescimento em todos os est\u00e1gios?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0O conflito e a dor s\u00e3o necess\u00e1rios para o ser criativo? O sofrimento \u00e9 necess\u00e1rio para a compreens\u00e3o? O conflito n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel no se tornar, na expans\u00e3o de si mesmo? O estado criativo de ser n\u00e3o \u00e9 a liberdade do conflito, da exist\u00eancia acumulada? A acumula\u00e7\u00e3o em qualquer est\u00e1gio da espiral do se tornar gera o ser criativo? Existe se tornar e crescimento ao longo da trilha horizontal da exist\u00eancia, mas isso leva ao eterno? Ele \u00e9 para ser vivenciado apenas quando o horizontal \u00e9 abandonado. A experi\u00eancia de ser est\u00e1 relacionada com o conflito do horizontal, o conflito do se tornar? O eterno n\u00e3o pode ser realizado atrav\u00e9s do tempo.<\/p><p>O que acontece quando estamos em conflito? Na luta para superar o conflito, nos tornamos desiludidos, entramos na escurid\u00e3o ou, estando em conflito, tentamos encontrar sa\u00eddas sob todas as formas. Se o pensamento-sentimento n\u00e3o est\u00e1 preso em desilus\u00e3o nem no ref\u00fagio confortante, ent\u00e3o o conflito encontrar\u00e1 os meios de seu pr\u00f3prio fim. O conflito produz desilus\u00e3o ou o desejo de fugir, pois n\u00e3o queremos refletir, sentir todas as implica\u00e7\u00f5es nele envolvidas; somos pregui\u00e7osos, muito condicionados para mudar, aceitando a autoridade e um modo de vida f\u00e1cil. Para compreender o conflito e ser capaz de examin\u00e1-lo com liberdade, deve haver certa tranquilidade desinteressada. Mas quando estamos em conflito ou em sofrimento, nossa rea\u00e7\u00e3o instintiva \u00e9 escapar deles, fugir de suas causas, n\u00e3o encarar sua significa\u00e7\u00e3o oculta; assim, procuramos v\u00e1rios canais de escape \u2013 atividade, divers\u00e3o, deuses, guerra. E as distra\u00e7\u00f5es se multiplicam, elas se tornam mais importantes do que a causa do sofrimento em si; ent\u00e3o nos tornamos intolerantes dos meios de fuga dos outros e tentamos modific\u00e1-los ou reform\u00e1-los, mas o conflito e o sofrimento continuam.<\/p><p>Agora, o conflito \u00e9 necess\u00e1rio para a compreens\u00e3o? A compreens\u00e3o \u00e9 o resultado do crescimento? N\u00e3o queremos dizer com crescimento o constante se tornar do ego, acumulando e renunciando, sendo ganancioso e se tornando n\u00e3o-ganancioso, o infinito processo de se tornar? A pr\u00f3pria natureza do ego \u00e9 criar contradi\u00e7\u00e3o. O conflito entre opostos \u00e9 crescimento, traz com ele compreens\u00e3o? A luta no infind\u00e1vel corredor dos opostos leva a algum lugar al\u00e9m de mais conflito e sofrimento?<\/p><p>N\u00e3o h\u00e1 fim para o conflito e o sofrimento no se tornar. Esse se tornar leva ao conflito da contradi\u00e7\u00e3o em que a maioria de n\u00f3s est\u00e1 presa; presos nele, pensamos que luta e dor s\u00e3o inevit\u00e1veis, um processo necess\u00e1rio e evolucion\u00e1rio. Ent\u00e3o o tempo se torna um fator indispens\u00e1vel para o sofrimento, para mais se tornar. Nessa espiral do se tornar n\u00e3o h\u00e1 fim para luta e dor. Ent\u00e3o nosso problema \u00e9 como dar fim a eles. O pensamento-sentimento deve ir al\u00e9m e acima do padr\u00e3o da dualidade; ou seja, quando houver conflito e dor, viva com eles incondicionalmente sem fugir; fugir \u00e9 comparar, justificar, condenar; estar consciente do sofrimento n\u00e3o \u00e9 buscar um ref\u00fagio, um al\u00edvio, mas estar consciente dos caminhos do pensamento-sentimento. Da\u00ed, quando h\u00e1 compreens\u00e3o da futilidade do ref\u00fagio, da fuga, ent\u00e3o esse pr\u00f3prio sofrimento cria a chama necess\u00e1ria que vai consumi-lo. A tranquilidade da compreens\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para transcender o sofrimento, n\u00e3o o conflito e a dor de se tornar. Quando o ego n\u00e3o est\u00e1 ocupado com seu pr\u00f3prio se tornar, h\u00e1 uma clareza n\u00e3o premeditada, um \u00eaxtase profundo. Essa intensidade de alegria \u00e9 o resultado do abandono do ego.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Eu lutei muitos e muitos anos com um problema pessoal. E ainda estou lutando. O que eu fa\u00e7o?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Qual \u00e9 o processo de compreender um problema? Para compreender, a mente-cora\u00e7\u00e3o deve se descarregar de suas acumula\u00e7\u00f5es de modo que seja capaz de percep\u00e7\u00e3o correta. Se voc\u00ea quiser compreender uma pintura moderna, deve colocar de lado, se puder, seu treinamento cl\u00e1ssico, seus preconceitos, suas rea\u00e7\u00f5es treinadas. Do mesmo modo, se quisermos compreender um problema psicol\u00f3gico complexo, devemos ser capazes de examin\u00e1-lo sem nenhuma tend\u00eancia condenat\u00f3ria ou favor\u00e1vel; devemos ser capazes de abord\u00e1-lo com imparcialidade e frescor.<\/p><p>O interrogante diz que vem lutando durante muitos anos com seu problema. Em sua luta, ele acumulou o que chamaria de experi\u00eancia, conhecimento, e com esse crescente fardo tenta resolver o problema; desse modo, nunca ficou face a face com ele abertamente, de forma nova, mas sempre o abordou com o ac\u00famulo de muitos anos. \u00c9 a mem\u00f3ria acumulada que confronta o problema e, assim, n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o dele. O passado morto obscurece o presente vivo.<\/p><p>Muitos de n\u00f3s somos levados por alguma paix\u00e3o e estamos inconscientes dela, mas se estamos, geralmente a justificamos ou condenamos. Mas se \u00e9 uma paix\u00e3o que desejamos transcender, geralmente lutamos contra ela, tentamos domin\u00e1-la ou suprimi-la. Tentando super\u00e1-la n\u00e3o a compreendemos, tentando suprimi-la n\u00e3o a transcendemos. A paix\u00e3o ainda permanece ou assume outra forma, que ainda \u00e9 causa de conflito e sofrimento. Essa luta constante e cont\u00ednua n\u00e3o traz compreens\u00e3o, mas s\u00f3 fortalece o conflito, sobrecarregando a mente-cora\u00e7\u00e3o com mem\u00f3ria acumulada. Mas se pudermos mergulhar profundamente nele ou morrer para ele, ou chegar de novo nele sem o fardo de ontem, ent\u00e3o podemos compreend\u00ea-lo. Porque nossa mente-cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 alerta e incisiva, profundamente consciente e quieta, o problema \u00e9 transcendido.<\/p><p>Se pudermos abordar nosso problema sem julgar, sem identifica\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o as causas que est\u00e3o por tr\u00e1s s\u00e3o reveladas. Para compreender um problema, devemos deixar de lado nossos desejos, nossas experi\u00eancias acumuladas, nossos padr\u00f5es de pensamento. A dificuldade n\u00e3o est\u00e1 no problema em si, mas em nossa abordagem dele. As cicatrizes de ontem impedem a abordagem correta. O condicionamento traduz o problema de acordo com seu pr\u00f3prio padr\u00e3o, o que de modo algum liberta o pensamento-sentimento da luta e dor do problema. Traduzir o problema n\u00e3o \u00e9 compreend\u00ea-lo; para compreend\u00ea-lo e, assim, transcend\u00ea-lo, a interpreta\u00e7\u00e3o deve cessar. Aquilo que \u00e9 compreendido integralmente, completamente n\u00e3o deixa tra\u00e7o como mem\u00f3ria.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Sou profundamente solit\u00e1rio. Pare\u00e7o estar em conflito constante em minhas rela\u00e7\u00f5es por conta desta solid\u00e3o. Ela \u00e9 uma doen\u00e7a e deve ser curada.\u00a0Por favor, voc\u00ea pode me ajudar a cur\u00e1-la?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0O presente caos, mis\u00e9ria, \u00e9 um produto dessa dolorosa solid\u00e3o, v\u00e1cuo, pois o pensamento em si se tornou vazio, sem significa\u00e7\u00e3o. As guerras e a crescente confus\u00e3o s\u00e3o o resultado de nossas vidas vazias e atividades.<\/p><p>Se temos consci\u00eancia ou n\u00e3o disso, a maioria de n\u00f3s est\u00e1 s\u00f3; quanto mais conscientes estamos disso, mais intenso, abrasador e doloroso se torna. Os imaturos ficam satisfeitos facilmente com seu vazio, mas quanto mais se est\u00e1 consciente, maior \u00e9 o problema. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a solid\u00e3o dolorosa, nem ela vai ser dominada pela neglig\u00eancia, pela ignor\u00e2ncia; a ignor\u00e2ncia, como a supersti\u00e7\u00e3o, permite certa gratifica\u00e7\u00e3o, mas isso apenas promove o conflito e o sofrimento. A maioria de n\u00f3s est\u00e1 intensamente s\u00f3, e a ang\u00fastia \u00e9 penetrante e embota a mente-cora\u00e7\u00e3o. Seu sofrimento opressivo parece se espalhar indefinidamente, e buscamos constantemente fugir dele, encobri-lo, preencher este doloroso vazio consciente ou inconscientemente com esperan\u00e7a e f\u00e9, com divertimento e distra\u00e7\u00e3o. Tentamos encobrir a ang\u00fastia por meio de atividade, com o prazer do conhecimento, cren\u00e7a e toda forma de v\u00edcio, religioso ou mundano. Nossa busca por um ref\u00fagio, um conforto para essa dor \u00e9 infinita; coisas, rela\u00e7\u00f5es e conhecimento s\u00e3o meios de fuga para a persistente ang\u00fastia da solid\u00e3o. O movimento de uma sa\u00edda para outra \u00e9 considerado progresso; condenamos o homem que preenche seu vazio com bebida e divers\u00e3o, mas o homem que procura uma sa\u00edda permanente, chamando-a nobre, n\u00f3s consideramos digno, espiritual.<\/p><p>Existe alguma sa\u00edda duradoura desse vazio? Tentamos v\u00e1rias formas de preencher o v\u00e1cuo, mas repetidamente nos conscientizamos dele. N\u00e3o ser\u00e1 que todos os rem\u00e9dios, por mais nobres e gratificantes que sejam, apenas evitam o problema? Voc\u00ea pode encontrar al\u00edvio tempor\u00e1rio, mas a ang\u00fastia logo retorna.<\/p><p>Para encontrar a correta e duradoura resposta para a solid\u00e3o, devemos, primeiro, parar de fugir dela, e isso \u00e9 muito dif\u00edcil, pois o pensamento est\u00e1 sempre em busca de um ref\u00fagio, uma sa\u00edda. Apenas quando a mente-cora\u00e7\u00e3o aceitar o v\u00e1cuo incondicionalmente, cedendo a ele sem nenhum motivo, sem nenhuma esperan\u00e7a ou medo, pode haver sua transforma\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Se voc\u00ea quiser, verdadeiramente, compreender o problema da solid\u00e3o e sua grandeza, os valores do mundo devem ser colocados de lado, pois eles s\u00e3o distra\u00e7\u00f5es do real. Essas distra\u00e7\u00f5es e seus valores s\u00e3o o resultado de nosso desejo de fugir de nosso pr\u00f3prio vazio e eles s\u00e3o, por isso, vazios tamb\u00e9m. Apenas quando a mente-cora\u00e7\u00e3o \u00e9 despida de todas as suas pretens\u00f5es e formula\u00e7\u00f5es pode este doloroso vazio ser transcendido.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Eu tive o que se poderia chamar de experi\u00eancia espiritual, uma orienta\u00e7\u00e3o, ou certa percep\u00e7\u00e3o. Como lidar com isso?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0A maioria de n\u00f3s teve experi\u00eancias profundas, chame-as do jeito que quiser; tivemos experi\u00eancias de grande \u00eaxtase, de grande vis\u00e3o, de grande amor. A experi\u00eancia ocupa nosso ser com sua luz, com seu alento; mas ela n\u00e3o \u00e9 permanente, ela passa, deixando seu perfume.<\/p><p>Com a maioria de n\u00f3s a mente-cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 capaz de estar aberta para esse \u00eaxtase. A experi\u00eancia \u00e9 acidental, n\u00e3o convocada, muito grande para a mente-cora\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia \u00e9 maior do que o experimentador e, assim, o experimentador a reduz ao seu pr\u00f3prio n\u00edvel, \u00e0 sua esfera de compreens\u00e3o. A mente n\u00e3o fica quieta; ela fica ativa, barulhenta, reorganizando; ela precisa lidar com a experi\u00eancia; deve reorganiz\u00e1-la; deve expandi-la; precisa falar aos outros de sua beleza. E a mente reduz o inexprim\u00edvel ao padr\u00e3o da autoridade ou a uma dire\u00e7\u00e3o de conduta. Ela interpreta e traduz a experi\u00eancia e, assim, a envolve em sua pr\u00f3pria trivialidade. Porque a mente-cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o sabe cantar, persegue o cantor.<\/p><p>O int\u00e9rprete, o tradutor da experi\u00eancia, deve ser t\u00e3o profundo e vasto como a experi\u00eancia em si se ele quiser compreend\u00ea-la; como ele n\u00e3o \u00e9, deve parar de interpret\u00e1-la; para parar ele deve ser maduro, s\u00e1bio em sua compreens\u00e3o. Voc\u00ea pode ter uma experi\u00eancia significativa, mas como voc\u00ea a compreende, como a interpreta, depende de voc\u00ea, o int\u00e9rprete; se sua mente-cora\u00e7\u00e3o for pequena, limitada, ent\u00e3o voc\u00ea vai traduzir a experi\u00eancia de acordo com seu pr\u00f3prio condicionamento. \u00c9 esse condicionamento que deve ser compreendido e rompido antes que voc\u00ea possa esperar captar a significa\u00e7\u00e3o total da experi\u00eancia.<\/p><p>A maturidade da mente-cora\u00e7\u00e3o chega quando ela se liberta de suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o ao se apegar \u00e0 lembran\u00e7a de uma experi\u00eancia espiritual. Se ela se apega \u00e0 lembran\u00e7a, ela permanece com a morte, n\u00e3o com a vida. A experi\u00eancia profunda pode abrir a porta da compreens\u00e3o, do autoconhecimento e do pensar correto, mas para muitos se torna apenas um est\u00edmulo excitante, uma lembran\u00e7a, e logo perde sua significa\u00e7\u00e3o vital, impedindo mais experi\u00eancia.<\/p><p>N\u00f3s traduzimos toda experi\u00eancia em termos de nosso pr\u00f3prio condicionamento \u2013 quanto mais profunda ela for, mais atentamente conscientes devemos estar para n\u00e3o a interpretarmos mal. Experi\u00eancias profundas e espirituais s\u00e3o raras, e se tivemos tais experi\u00eancias, n\u00f3s as reduzimos ao insignificante n\u00edvel de nossa pr\u00f3pria mente e cora\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea \u00e9 crist\u00e3o ou hindu ou um ateu, voc\u00ea traduz tais experi\u00eancias de acordo com isso, reduzindo-as ao n\u00edvel de seu pr\u00f3prio condicionamento. Se sua mente-cora\u00e7\u00e3o cede ao nacionalismo e \u00e0 gan\u00e2ncia, \u00e0 paix\u00e3o e \u00e0 m\u00e1-vontade, essas experi\u00eancias v\u00e3o ser usadas para promover o exterm\u00ednio de seu vizinho; assim voc\u00ea busca orienta\u00e7\u00e3o para bombardear seu irm\u00e3o; ent\u00e3o adorar \u00e9 destruir ou torturar aqueles que n\u00e3o s\u00e3o de seu pa\u00eds, de sua f\u00e9.<\/p><p>\u00c9 essencial estar consciente de seu condicionamento mais do que tentar fazer alguma coisa a respeito da experi\u00eancia em si, mas a mente-cora\u00e7\u00e3o se prende \u00e0 experi\u00eancia de ontem e se torna incapaz de compreender o presente vivo.<\/p><p>1 de julho de 1945<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>6\u00aa Palestra em Ojai Esta manh\u00e3 responderei a tantas perguntas quanto for poss\u00edvel. 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