{"id":1502,"date":"2022-12-18T16:17:05","date_gmt":"2022-12-18T16:17:05","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1502"},"modified":"2022-12-18T16:17:33","modified_gmt":"2022-12-18T16:17:33","slug":"24-06-1945","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1502","title":{"rendered":"24\/06\/1945"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1502\" class=\"elementor elementor-1502\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-50e05043 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"50e05043\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-65230543\" data-id=\"65230543\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ce2ec87 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ce2ec87\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>5\u00aa palestra em Ojai<\/strong><\/p><p>Esta manh\u00e3 s\u00f3 vou responder a perguntas. Estas perguntas e conversas ter\u00e3o pouco significado se permanecerem unicamente ao n\u00edvel verbal. A maior parte de n\u00f3s procura estimula\u00e7\u00e3o e encontra-a de v\u00e1rias maneiras, mas em breve ela se desgasta. S\u00f3 a experi\u00eancia mant\u00e9m a mente-cora\u00e7\u00e3o flex\u00edvel e alerta mas a experi\u00eancia est\u00e1 para al\u00e9m e para cima da gratifica\u00e7\u00e3o e estimula\u00e7\u00e3o intelectual e emocional. O sentimento torna a raz\u00e3o flex\u00edvel e \u00e9 esta flexibilidade de raz\u00e3o, com a vulnerabilidade do sentimento, que traz experi\u00eancia. \u00c9 a experi\u00eancia, quando corretamente compreendida, que transforma.<\/p><p>Em todas as ocasi\u00f5es, e especialmente agora, h\u00e1 necessidade de transforma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da experi\u00eancia vital; esta transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial num mundo que se tornou completamente cruel, um mundo cujos valores s\u00e3o predominantemente sensoriais, um mundo que \u00e9 corrupto na sua pr\u00f3pria degrada\u00e7\u00e3o. Sem experimentar profunda e amplamente o valor eterno, n\u00e3o encontraremos qualquer solu\u00e7\u00e3o para os nossos problemas; qualquer resposta que n\u00e3o seja do Real s\u00f3 incrementar\u00e1 a nossa carga e a nossa dor. Para assim experimentar, cada um de n\u00f3s tem que estar sozinho, n\u00e3o dependente de qualquer autoridade, de qualquer organiza\u00e7\u00e3o, religiosa ou secular, porque a depend\u00eancia de qualquer genero gera incerteza e medo, impedindo assim a experimenta\u00e7\u00e3o do Real. No mundo externo n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a, claridade, compreens\u00e3o criativa e renovadora, apenas h\u00e1 derramamento de sangue, confus\u00e3o e desastres crescentes. S\u00f3 no interior h\u00e1 compreens\u00e3o e esta compreens\u00e3o \u00e9 para ser descoberta, n\u00e3o atrav\u00e9s do exemplo, n\u00e3o atrav\u00e9s da autoridade. S\u00f3 atrav\u00e9s da auto-consci\u00eancia e do auto-conhecimento pode chegar a tranquilidade e a sabedoria. N\u00e3o h\u00e1 tranquilidade se voc\u00ea seguir outro; n\u00e3o h\u00e1 paz se voc\u00ea for mundano; n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o se houver auto-ignor\u00e2ncia. Atrav\u00e9s da consci\u00eancia silenciosa do externo e no estar objetivamente consciente dos acontecimentos da vida, voc\u00ea \u00e9 inevitavelmente for\u00e7ado a estar consciente do interno, do subjetivo; compreendendo o ego, o externo torna-se claro e significativo. O externo n\u00e3o tem significado em si; s\u00f3 tem significado em rela\u00e7\u00e3o ao interno. Para experimentar e compreender o interno, voc\u00ea tem que estar preparado para estar s\u00f3; tem que resistir ao peso persuasivo do externo, aos seus enganos l\u00f3gicos e astutos.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0O senhor disse no domingo passado que cada um de n\u00f3s \u00e9 respons\u00e1vel por estas guerras terr\u00edveis. Somos tamb\u00e9m respons\u00e1veis pelas torturas abomin\u00e1veis nos campos de concentra\u00e7\u00e3o e pela extermina\u00e7\u00e3o deliberada de um povo na europa central?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente que cada um de n\u00f3s \u00e9 respons\u00e1vel pela guerra? As guerras n\u00e3o surgem de causas desconhecidas, elas t\u00eam fontes definidas e aqueles que desejam desenredar-se desta loucura peri\u00f3dica chamada guerra, t\u00eam que procurar estas causas e libertar-se. A guerra \u00e9 uma das maiores calamidades que podem acontecer para o homem que \u00e9 capaz de experimentar o Real. Ele tem que se preocupar em eliminar a causa da guerra dentro dele pr\u00f3prio, n\u00e3o com quem \u00e9 menos ou mais degradado e terr\u00edvel na guerra. N\u00e3o nos devemos deixar levar pelas quest\u00f5es secund\u00e1rias mas estar conscientes da quest\u00e3o principal que \u00e9 a pr\u00f3pria matan\u00e7a organizada. As quest\u00f5es secund\u00e1rias podem causar medo e o desejo de vingan\u00e7a, mas sem compreendermos as raz\u00f5es essenciais da guerra, o conflito e o sofrimento n\u00e3o cessar\u00e3o.<\/p><p>Matar outro \u00e9 o maior dos crimes, porque o homem \u00e9 capaz de compreender o Mais Elevado. A guerra, a organiza\u00e7\u00e3o deliberada do assass\u00ednio, \u00e9 a maior cat\u00e1strofe que o homem pode trazer a si mesmo, porque com ela chega incont\u00e1vel mis\u00e9ria e destrui\u00e7\u00e3o, degrada\u00e7\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o; uma vez que admita um tal vasto \u201cmal\u201d como o assass\u00ednio organizado de outros, est\u00e1 ent\u00e3o a abrir a porta a uma legi\u00e3o de desastres menores. Cada um de n\u00f3s \u00e9 respons\u00e1vel pela guerra, porque cada um originou a situa\u00e7\u00e3o presente, consciente ou inconscientemente, pela sua atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, pelos valores falsos a que deu exist\u00eancia. Tendo perdido o valor eterno, os valores sensoriais passageiros tornaram-se completamente importantes. N\u00e3o h\u00e1 fim para o desejo sempre em expans\u00e3o. As coisas s\u00e3o necess\u00e1rias mas n\u00e3o t\u00eam valor eterno, e o desejo louco de posses conduz sempre \u00e0 disc\u00f3rdia e \u00e0 infelicidade.<\/p><p>Quando a aquisitividade sob qualquer forma \u00e9 encorajada, quando existem o nacionalismo e os estados soberanos separados, quando a religi\u00e3o separa, quando h\u00e1 intoler\u00e2ncia e ignor\u00e2ncia, ent\u00e3o matar o seu semelhante \u00e9 inevit\u00e1vel. A guerra \u00e9 o resultado da nossa vida quotidiana. A f\u00faria, a malevol\u00eancia e a opress\u00e3o s\u00e3o justificadas quando s\u00e3o nacionais; matar pelo Estado, pelo pa\u00eds, por uma ideologia, \u00e9 considerado necess\u00e1rio, nobre. Cada um cede a esta crueldade degradante porque h\u00e1 em cada um o desejo de fazer mal. A guerra torna-se um meio de libertar os pr\u00f3prios instintos brutais e encoraja a irresponsabilidade. Um tal estado s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando predominam os valores sensoriais.<\/p><p>Como cada um \u00e9 respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o desta cultura, se cada um n\u00e3o se transformar radicalmente, como pode ent\u00e3o haver um fim para este mundo brutal e os seus processos? Cada um \u00e9 respons\u00e1vel por estas trag\u00e9dias e desastres, pelas torturas e bestialidades, se pensar-sentir em termos de na\u00e7\u00f5es, grupos, ou se se considerar como um Hindu ou Budista, um Crist\u00e3o ou um Mu\u00e7ulmano. Se um chamado \u201cestrangeiro\u201d na \u00cdndia for morto por um nacionalista, ent\u00e3o sou respons\u00e1vel por esse assass\u00ednio se eu for um nacionalista; mas n\u00e3o sou respons\u00e1vel se n\u00e3o penso-sinto em termos de na\u00e7\u00f5es, grupos ou classes, se n\u00e3o for luxurioso, se n\u00e3o tiver malevol\u00eancia, se n\u00e3o for mundano. S\u00f3 ent\u00e3o h\u00e1 aus\u00eancia de responsabilidade por matar, torturar, oprimir.<\/p><p>Perdemos o sentimento de humanidade; s\u00f3 nos sentimos respons\u00e1veis pela classe ou grupo a que pertencemos; sentimo-nos respons\u00e1veis por um nome, por um r\u00f3tulo. Perdemos a compaix\u00e3o, o amor do todo, e sem esta chama aceleradora da vida contamos com pol\u00edticos, com sacerdotes, com uma planifica\u00e7\u00e3o economica para termos paz e felicidade. N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a nisso. Unicamente em cada um h\u00e1 a compreens\u00e3o criativa, essa compaix\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1ria para o bem-estar do homem. Os meios corretos criam os fins corretos, os meios errados s\u00f3 trar\u00e3o vazio e morte, n\u00e3o paz e alegria.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Sinto que n\u00e3o posso alcan\u00e7ar a outra margem sem ajuda, sem a Gra\u00e7a de Deus. Se eu puder dizer \u2018seja feita a tua vontade\u2019 e me dissolver nela, n\u00e3o dissolvo as minhas limita\u00e7\u00f5es? Se eu me puder render incondicionalmente, n\u00e3o existe a gra\u00e7a para me ajudar a transpor o abismo que separa Deus de mim?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Este abandono do ego n\u00e3o \u00e9 um ato da vontade; este atravessar para a outra margem n\u00e3o \u00e9 uma atividade de prop\u00f3sito ou de benef\u00edcio. A Realidade chega na plenitude do sil\u00eancio e da sabedoria. Voc\u00ea n\u00e3o pode convidar a Realidade, ela tem que vir ter consigo; voc\u00ea n\u00e3o pode escolher a Realidade, ela tem que o escolher voc\u00ea.<\/p><p>Temos que compreender o esfor\u00e7o, a tranquilidade incondicional, a auto-abnega\u00e7\u00e3o; porque s\u00f3 atrav\u00e9s da consci\u00eancia correta chega a tranquilidade meditativa.<\/p><p>O que \u00e9 o esfor\u00e7o correto? H\u00e1 uma compreens\u00e3o do esfor\u00e7o correto quando h\u00e1 uma consci\u00eancia do processo do vir a ser. Enquanto for feito esfor\u00e7o para vir a ser, a dualidade existir\u00e1, o pensador separando-se do seu pensamento. Este conflito de opostos \u00e9 considerado inevit\u00e1vel e necess\u00e1rio para a liberdade e para o desenvolvimento. Quando algu\u00e9m que \u00e9 ganancioso faz um esfor\u00e7o para se tornar n\u00e3o-ganancioso, consideramos este esfor\u00e7o reto e espiritual. Mas trata-se de um esfor\u00e7o correto? \u00c9 o esfor\u00e7o gasto em vencer o oposto produtor de compreens\u00e3o? N\u00e3o se continua a ser ganancioso ao tentar tornar-se n\u00e3o-ganancioso? Pode tomar um disfarce verbal novo, gratificante, mas o criador do esfor\u00e7o continua a ser o mesmo, ele continua a ser ganancioso. O esfor\u00e7o feito para vir a ser, n\u00e3o s\u00f3 cria o conflito de opostos como tamb\u00e9m \u00e9 dirigido ao longo dos canais errados, porque, vir a ser continua a ser estar em conflito e sofrimento; n\u00e3o h\u00e1 portanto liberdade para experimentar a Verdade no longo corredor dos opostos.<\/p><p>O nosso esfor\u00e7o \u00e9 gasto em rejeitar ou aceitar e assim o pensamento-sentimento \u00e9 embotado neste conflito intermin\u00e1vel. Este \u00e9 certamente um esfor\u00e7o errado porque n\u00e3o produz compreens\u00e3o criativa. O esfor\u00e7o correto consiste em estar consciente sem escolha deste conflito, em estar silenciosamente observante sem identifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 esta consci\u00eancia sem escolha, silenciosa, do conflito que traz liberdade. Nesta consci\u00eancia passiva que \u00e9 tranquila, surge a Realidade.<\/p><p>Esteja consciente do seu conflito, de como rejeita, justifica, compara ou identifica; de como tenta vir a ser; esteja consciente do significado profundo, pleno, da dor dos opostos. Vir\u00e1 ent\u00e3o a experi\u00eancia da inseparabilidade do pensador e do seu pensamento, a tranquilidade da compreens\u00e3o unicamente atrav\u00e9s da qual pode haver transforma\u00e7\u00e3o radical, o atravessar para a outra margem sem a a\u00e7\u00e3o da vontade.<\/p><p>Existe uma vasta diferen\u00e7a entre tornar-se tranquilo e estar tranquilo. Temos que morrer cada dia para todas as experi\u00eancias e acumula\u00e7\u00f5es, medos e esperan\u00e7as, e s\u00f3 podemos fazer isto estando ativamente conscientes dos nossos conflitos, e estando depois passivamente tranquilos. Temos que viver cada dia as quatro esta\u00e7\u00f5es, a primavera, o ver\u00e3o, o outono e o inverno da passividade. Tal como no inverno os campos permanecem em repouso, abertos aos c\u00e9us, para se revitalizarem, assim a mente-cora\u00e7\u00e3o tem que se permitir estar aberta, criativamente vazia. S\u00f3 ent\u00e3o pode haver o sopro da Realidade.<\/p><p>Este vazio criativo, esta passividade ardente, n\u00e3o \u00e9 ocasionado atrav\u00e9s de um ato da vontade. \u00c9 extremamente dif\u00edcil para aqueles que s\u00e3o escravos da distra\u00e7\u00e3o, que est\u00e3o incessantemente ativos, que est\u00e3o sempre a esfor\u00e7ar-se para vir a ser, estar passivos de modo alerta. Se quiser compreender, a mente-cora\u00e7\u00e3o tem que estar calma; tem que haver sensibilidade intensificada para receber e s\u00f3 pode haver tranquilidade na compreens\u00e3o. Esta consci\u00eancia silenciosa n\u00e3o \u00e9 um ato de determina\u00e7\u00e3o, mas surge quando o pensamento-sentimento n\u00e3o est\u00e1 preso na rede do devir. Voc\u00ea jamais diz a uma crian\u00e7a, torna-te quieta, mas est\u00e1 quieta. Dizemos a n\u00f3s mesmos que viremos a ser e para este vir a ser temos v\u00e1rias desculpas e raz\u00f5es intermin\u00e1veis e assim nunca estamos quietos. O tornar-se quieto nunca pode ser o estar quieto; s\u00f3 com a morte do vir a ser h\u00e1 o ser.<\/p><p>Em momentos de grande criatividade, em momentos de grande beleza, h\u00e1 absoluta tranquilidade; nestes momentos h\u00e1 completa aus\u00eancia do ego com todos os seus conflitos; \u00e9 esta nega\u00e7\u00e3o, a mais elevada forma de pensar-sentir, que \u00e9 essencial para o ser criativo. Mas estes momentos s\u00e3o raros para a maioria de n\u00f3s, os momentos em que o pensador e o seu pensamento s\u00e3o transcendidos; estas ocasi\u00f5es acontecem inesperadamente, mas o ego em breve regressa. Tendo experimentado uma vez esta tranquilidade viva o pensamento-sentimento apega-se \u00e0 sua mem\u00f3ria, \u00a0impedindo assim mais experi\u00eancia da Realidade. Este cultivo da mem\u00f3ria \u00e9 esfor\u00e7o dirigido ao longo dos canais errados, resultando no fortalecimento do ego com os seus conflitos e dor; mas se estivermos profundamente conscientes dos nossos problemas e conflitos e os compreendermos, ent\u00e3o este mesma cultivo do auto-conhecimento origina passividade alerta e tranquilidade. Neste sil\u00eancio vivo est\u00e1 a Realidade. S\u00f3 na absoluta simplicidade, quando toda a \u00e2nsia cessou, est\u00e1 a bem-aventuran\u00e7a da Realidade.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Sou inventor e acontece que inventei v\u00e1rias coisas que foram usadas na guerra. Penso que sou contra o matar mas o que hei-de fazer com a minha capacidade? N\u00e3o a posso reprimir uma vez que o poder de inventar me impulsiona.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Qual voc\u00ea pensa-sente que \u00e9 o problema importante mais urgente para compreender, o poder de matar ou a capacidade de inventar? Se s\u00f3 est\u00e1 interessado no inventar, com a mera express\u00e3o do seu talento, ent\u00e3o tem que descobrir porque lhe d\u00e1 tanta \u00eanfase. A sua capacidade n\u00e3o lhe d\u00e1 o meio de fuga da vida, da realidade? Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o seu talento uma barreira \u00e0 rela\u00e7\u00e3o? Ser \u00e9 estar relacionado e nada pode existir no isolamento. Portanto sem auto-conhecimento a sua capacidade de inventar torna-se perigosa para o seu semelhante e para si pr\u00f3prio.<\/p><p>A sua ocupa\u00e7\u00e3o auxilia a destruir o seu semelhante? As suas inven\u00e7\u00f5es e atividades podem temporariamente ajudar, mas se o conduzem \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o final ent\u00e3o de que servem? Se o resultado final desta cultura \u00e9 o massacre, ent\u00e3o que import\u00e2ncia tem o seu talento? Qual \u00e9 o prop\u00f3sito de inventar, melhorar, reordenar se tudo isso conduz \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do homem? Se estiver interessado s\u00f3 em realizar a sua capacidade particular, negligenciando as quest\u00f5es mais amplas da vida e, em \u00faltima an\u00e1lise, o final da exist\u00eancia, ent\u00e3o o seu talento \u00e9 in\u00fatil e desprovido de sentido. S\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o com a Realidade \u00faltima \u00e9 que a sua capacidade \u00e9 significativa. Sinto que todos voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o absolutamente interessados nesta quest\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 este tamb\u00e9m um problema vosso? Podem ser artistas, carpinteiros ou ter qualquer outra ocupa\u00e7\u00e3o e esta quest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vital para voc\u00eas como o \u00e9 para o inventor. Se voc\u00ea for um artista ou um m\u00e9dico, \u00a0a sua ocupa\u00e7\u00e3o ou a express\u00e3o do seu talento tem que ter os seus alicerces na realidade, caso contr\u00e1rio ela torna-se simplesmente uma forma de auto-express\u00e3o e a mera express\u00e3o do ego conduz inevitavelmente \u00e0 dor. Se estiver interessado somente na auto-express\u00e3o ent\u00e3o est\u00e1 a contribuir para o conflito, para a confus\u00e3o e para o antagonismo do homem. Sem procurar primeiro o sentido da vida, a mera auto-express\u00e3o, ainda que gratificante, s\u00f3 trar\u00e1 infelicidade e desastre.<\/p><p>Tenham cuidado com o mero talento. Com o auto-conhecimento a \u00e2nsia de auto-realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 transformada. A \u00e2nsia de realiza\u00e7\u00e3o traz a sua pr\u00f3pria frustra\u00e7\u00e3o e desilus\u00e3o, porque o desejo de auto-realiza\u00e7\u00e3o surge da ignor\u00e2ncia.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Posso encontrar Deus numa trincheira?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Um homem que procura Deus n\u00e3o estar\u00e1 numa trincheira. Qu\u00e3o falsos s\u00e3o os modos do nosso pensamento. Criamos uma falsa situa\u00e7\u00e3o e nela esperamos encontrar a verdade; no falso tentamos encontrar o real. Feliz daquele que v\u00ea o falso como falso e aquilo que \u00e9 verdadeiro como verdadeiro.<\/p><p>Tornamo-nos pervertidos nos nossos modos de pensar-sentir. Na infelicidade desejamos encontrar a felicidade; s\u00f3 abandonando a causa da infelicidade \u00e9 que h\u00e1 alegria, Voc\u00ea e o soldado criaram uma cultura que os for\u00e7a a matar e a serem mortos, e no meio desta crueldade desejam encontrar o amor. Se est\u00e1 \u00e0 procura de Deus n\u00e3o estar\u00e1 numa trincheira, mas se l\u00e1 estiver e o procurar, saber\u00e1 como atuar. Justificamos o homic\u00eddio e no pr\u00f3prio ato de matar tentamos encontrar o amor. Criamos uma sociedade essencialmente baseada no valor sensorial, na mundaneidade, que necessita de trincheiras. Justificamos e consentimos a trincheira e depois, na trincheira ou no bombardeiro, esperamos encontrar Deus, o amor. Sem alterarmos fundamentalmente a estrutura do nosso pensamento-sentimento, o Real n\u00e3o \u00e9 encontrado. Sendo invejosos, gananciosos e ignorantes, queremos ser pac\u00edficos, tolerantes e sensatos; com uma m\u00e3o assassinamos e com a outra pacificamos. \u00c9 esta contradi\u00e7\u00e3o que tem que ser compreendida; n\u00e3o pode ter ambas, gan\u00e2ncia e paz, a trincheira e Deus; n\u00e3o pode justificar a ignor\u00e2ncia e contudo esperar por ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A pr\u00f3pria natureza do ego \u00e9 estar em contradi\u00e7\u00e3o; e s\u00f3 quando o pensamento-sentimento se liberta dos seus pr\u00f3prios desejos contradit\u00f3rios pode haver tranquilidade e alegria. Esta liberdade com o seu j\u00fabilo chega com a consci\u00eancia profunda do conflito da \u00e2nsia. Quando se tornar consciente do processo dual do desejo e estiver passivamente alerta, haver\u00e1 a alegria do Real, alegria essa que n\u00e3o \u00e9 o produto da vontade ou do tempo.<\/p><p>N\u00e3o pode fugir da ignor\u00e2ncia em qualquer altura, ela tem que ser dissipada atrav\u00e9s do seu pr\u00f3prio despertar; ningu\u00e9m o pode despertar, salvo voc\u00ea mesmo. Atrav\u00e9s da sua pr\u00f3pria auto-consci\u00eancia \u00e9 que o problema da sua \u00a0cria\u00e7\u00e3o cessa de ser.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Qual \u00e9 uma maneira duradoura de resolver um problema psicol\u00f3gico?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0H\u00e1 tr\u00eas est\u00e1dios de consci\u00eancia em qualquer problema humano, n\u00e3o h\u00e1? Primeiro, estar consciente da causa e do efeito do problema; segundo, estar consciente do seu processo dual ou contradit\u00f3rio; e terceiro, estar consciente do ego e experienciar o pensador e o seu pensamento como uma coisa s\u00f3.<\/p><p>Pegue em qualquer problema que tenha: por exemplo, a ira. Seja consciente da sua causa, fisiol\u00f3gica e psicol\u00f3gica. A ira pode surgir de determinados condicionamentos do pensamento-sentimento, do medo, da depend\u00eancia ou da \u00e2nsia de seguran\u00e7a, etc; pode surgir atrav\u00e9s da dor corporal e emocional. Muitos de n\u00f3s est\u00e3o conscientes do conflito dos opostos; mas por causa da dor ou perturba\u00e7\u00e3o devido ao conflito, instintivamente procuramos livrar-nos dela violentamente ou numa variedade de maneiras sutis; estamos interessados em fugir da luta mais que em compreend\u00ea-la. \u00c9 este desejo de nos livrarmos do conflito que d\u00e1 for\u00e7a \u00e0 sua continuidade, e assim mant\u00e9m a contradi\u00e7\u00e3o; \u00e9 este desejo que tem que ser observado e compreendido. \u00c9 contudo dif\u00edcil estar passivo de modo alerta no conflito da dualidade; condenamos ou justificamos, comparamos ou identificamos; estamos portanto sempre a escolher lados e a sustentar assim a causa do conflito. Estar consciente sem escolha do conflito da dualidade \u00e9 \u00e1rduo, mas \u00e9 essencial se quiser transcender o problema.<\/p><p>A modifica\u00e7\u00e3o do externo, do pensamento, \u00e9 um mecanismo auto-protector do pensador; ele coloca o seu pensamento numa nova estrutura que o salvaguarda de uma transforma\u00e7\u00e3o radical. \u00c9 um dos muitos processos astutos do ego. Porque o pensador se coloca \u00e0 parte do seu pensamento, os problemas e conflitos continuam, e a modifica\u00e7\u00e3o constante do seu pensamento s\u00f3, sem se transformar radicalmente, simplesmente continua a ilus\u00e3o.<\/p><p>A completa integra\u00e7\u00e3o do pensador com o seu pensamento n\u00e3o pode ser experienciada se n\u00e3o houver compreens\u00e3o do processo do devir e do conflito de opostos. Este conflito n\u00e3o pode ser transcendido atrav\u00e9s de um ato da vontade, ele s\u00f3 pode ser transcendido quando a escolha tiver cessado. Nenhum problema pode ser resolvido no seu pr\u00f3prio plano; s\u00f3 pode ser resolvido de maneira permanente quando o pensador tiver cessado de vir a ser.<\/p><p>24\/06\/1945.<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>5\u00aa palestra em Ojai Esta manh\u00e3 s\u00f3 vou responder a perguntas. Estas perguntas e conversas ter\u00e3o pouco significado se permanecerem unicamente ao n\u00edvel verbal. A maior parte de n\u00f3s procura estimula\u00e7\u00e3o e encontra-a de v\u00e1rias maneiras, mas em breve ela se desgasta. S\u00f3 a experi\u00eancia mant\u00e9m a mente-cora\u00e7\u00e3o flex\u00edvel e alerta mas a experi\u00eancia est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1502","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1502"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1509,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1502\/revisions\/1509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}