{"id":1491,"date":"2022-12-18T16:16:02","date_gmt":"2022-12-18T16:16:02","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1491"},"modified":"2022-12-18T16:16:30","modified_gmt":"2022-12-18T16:16:30","slug":"17-06-1945","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1491","title":{"rendered":"17\/06\/1945"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1491\" class=\"elementor elementor-1491\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-19187de5 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"19187de5\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-603bb555\" data-id=\"603bb555\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d8145f4 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d8145f4\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>4\u00aa palestra em Ojai<\/strong><\/p><p>\u00a0<\/p><p>tradu\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Clemente Moura<\/p><p>\u00a0<\/p><p>Pode aquele que \u00e9 respons\u00e1vel pelos conflitos e sofrimento em si mesmo, e assim no mundo, permitir que a mente-cora\u00e7\u00e3o seja entorpecida por filosofias e ideias err\u00f4neas? Se voc\u00ea, que criou essa luta e sofrimento, n\u00e3o mudar fundamentalmente, poderiam sistemas, confer\u00eancias e projetos trazer ordem e boa vontade? N\u00e3o \u00e9 imperativo que voc\u00ea se transforme? Se voc\u00ea \u00e9 o mundo, sim. Seus conflitos internos se expressam como desastres externos. O seu problema \u00e9 o problema do mundo, e s\u00f3 voc\u00ea pode resolv\u00ea-lo, n\u00e3o outra pessoa, voc\u00ea n\u00e3o pode deleg\u00e1-lo a outros. O pol\u00edtico, o economista, o reformista \u00e9 assim como voc\u00ea um elaborador astuto de artif\u00edcios; mas o nosso problema, o conflito e a infelicidade dos seres humanos, essa exist\u00eancia vazia que produz desastres t\u00e3o agonizantes, precisa de algo mais do que artif\u00edcios elaborados, mais do que reformas superficiais de pol\u00edticos e propagandistas. \u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a radical da mente humana, e nenhuma outra pessoa pode provocar essa transforma\u00e7\u00e3o em voc\u00ea, salve a si pr\u00f3prio. O que voc\u00ea \u00e9, seu grupo, sua sociedade, seu l\u00edder tamb\u00e9m \u00e9. Sem voc\u00ea o mundo n\u00e3o \u00e9; em voc\u00ea est\u00e1 o come\u00e7o e o fim de todas as coisas. Nenhum grupo, nenhum l\u00edder pode estabelecer valores eternos, salve a si pr\u00f3prio.<\/p><p>Cat\u00e1strofes e infelicidade surgem quando valores sensoriais tempor\u00e1rios se sobrep\u00f5em ao valor eterno. O valor eterno, permanente, n\u00e3o \u00e9 resultado de cren\u00e7as; sua cren\u00e7a em Deus n\u00e3o significa que voc\u00ea est\u00e1 vivenciando o valor eterno, seu modo de vida por si s\u00f3 vai te mostrar essa realidade. Opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, agressividade e crueldade econ\u00f4mica \u00e9 o que inevitavelmente ocorre quando perdemos a realidade. Voc\u00ea a perde quando, professando o amor de Deus, voc\u00ea absolve e justifica a matan\u00e7a dos seus semelhantes, quando voc\u00ea justifica assassinato em massa em nome da paz e liberdade. Enquanto voc\u00ea der import\u00e2ncia suprema a valores sensoriais, haver\u00e1 conflito, confus\u00e3o e tristeza. Matar algu\u00e9m \u00e9 algo que nunca pode ser justificado, e n\u00f3s perdemos a imensa signific\u00e2ncia do ser humano quando valores sensoriais permanecem predominantes.<\/p><p>N\u00f3s teremos infelicidade e tribula\u00e7\u00f5es enquanto a religi\u00e3o for organizada para ser uma parte do Estado, a aia do Estado. Ela ajuda a tolerar a for\u00e7a organizada como pol\u00edtica do Estado e, assim, encoraja a opress\u00e3o, a ignor\u00e2ncia e a intoler\u00e2ncia. Como ent\u00e3o a religi\u00e3o aliada ao Estado pode cumprir sua \u00fanica fun\u00e7\u00e3o verdadeira \u2014 a de revelar e manter o valor eterno? Quando a realidade se perde e n\u00e3o \u00e9 procurada, h\u00e1 desuni\u00e3o e o homem fica contra o homem. A confus\u00e3o e a infelicidade n\u00e3o ser\u00e3o banidas pelo processo amn\u00e9sico do tempo, pela reconfortante ideia de evolu\u00e7\u00e3o, que apenas gera pregui\u00e7a, aceita\u00e7\u00e3o presun\u00e7osa e a cont\u00ednua marcha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cat\u00e1strofe; n\u00e3o devemos deixar que o curso de nossas vidas seja dirigido por outros, para os outros ou em nome do futuro. Somos respons\u00e1veis por nossa vida, n\u00e3o outra pessoa; somos respons\u00e1veis por nossa conduta, n\u00e3o outra pessoa; ningu\u00e9m pode nos transformar. Cada um deve descobrir e vivenciar a realidade, e somente nisso h\u00e1 alegria, serenidade e sabedoria mais elevada.<\/p><p>Como ent\u00e3o podemos chegar a essa experi\u00eancia \u2014 atrav\u00e9s da mudan\u00e7a de circunst\u00e2ncias externas, ou atrav\u00e9s da transforma\u00e7\u00e3o interior? Mudan\u00e7as externas implicam controle do ambiente por meio de legisla\u00e7\u00e3o, por meio de reformas econ\u00f4micas e sociais, por meio do conhecimento dos fatos e melhorias inconstantes, sejam violentas ou graduais. Mas ser\u00e1 que a modifica\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias externas traz transforma\u00e7\u00e3o interior fundamental? N\u00e3o seria necess\u00e1rio primeiro haver uma transforma\u00e7\u00e3o interna para ent\u00e3o obter um resultado externo? Voc\u00ea pode, atrav\u00e9s da legisla\u00e7\u00e3o, proibir a ambi\u00e7\u00e3o, pois a ambi\u00e7\u00e3o gera crueldade, auto-afirma\u00e7\u00e3o, competi\u00e7\u00e3o e conflito. Mas pode a ambi\u00e7\u00e3o ser arrancada por fora? Suprimida de uma maneira, n\u00e3o se afirmar\u00e1 de outra? O motivo interno, o pensamento-sentimento privado, n\u00e3o determina sempre o exterior? Para uma transforma\u00e7\u00e3o pac\u00edfica externa, n\u00e3o deveria ocorrer primeiro uma profunda mudan\u00e7a psicol\u00f3gica? O exterior, por mais agrad\u00e1vel que seja, pode trazer satisfa\u00e7\u00e3o duradoura?<\/p><p>A aspira\u00e7\u00e3o interior sempre modifica o exterior. Psicologicamente, o que voc\u00ea \u00e9 sua sociedade \u00e9, seu estado \u00e9, sua religi\u00e3o \u00e9; se voc\u00ea \u00e9 luxurioso, invejoso, ignorante, seu ambiente \u00e9 o que voc\u00ea \u00e9. Criamos o mundo em que vivemos. Para provocar uma mudan\u00e7a radical e pac\u00edfica, deve haver uma transforma\u00e7\u00e3o interna volunt\u00e1ria e inteligente; certamente essa mudan\u00e7a psicol\u00f3gica n\u00e3o deve ser feita compulsoriamente; se for, haver\u00e1 conflito e confus\u00e3o internos que atirar\u00e3o novamente a sociedade no desastre. A regenera\u00e7\u00e3o interna deve ser volunt\u00e1ria, inteligente, n\u00e3o for\u00e7ada. Precisamos primeiro buscar a realidade e s\u00f3 ent\u00e3o pode haver paz e ordem em n\u00f3s.<\/p><p>Quando voc\u00ea aborda o problema da exist\u00eancia a partir do exterior, tem in\u00edcio imediatamente o jogo do processo dual; na dualidade, h\u00e1 conflitos sem fim, e tais conflitos apenas entorpecem a mente-cora\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea aborda o problema da exist\u00eancia a partir do interior, n\u00e3o h\u00e1 divis\u00e3o entre o interior e o exterior; a divis\u00e3o cessa porque o interior \u00e9 o exterior, o pensador e seus pensamentos s\u00e3o um, insepar\u00e1veis. Mas separamos falsamente o pensamento do pensador e tentamos lidar apenas com uma parte, tentamos educar e modificar a parte, esperando assim transformar o todo. A parte fica cada vez mais separada e, portanto, h\u00e1 cada vez mais conflitos. Portanto, devemos nos preocupar com o pensador que h\u00e1 dentro, e n\u00e3o com a modifica\u00e7\u00e3o da parte, seu pensamento.<\/p><p>Infelizmente, por\u00e9m, a maioria de n\u00f3s est\u00e1 presa entre a incerteza do exterior e a incerteza do interior. \u00c9 essa incerteza que deve ser entendida. \u00c9 a incerteza de valor que traz conflito, confus\u00e3o e tristeza e impede que sigamos um curso claro de a\u00e7\u00e3o, seja exterior ou interior. Se segu\u00edssemos o exterior com plena consci\u00eancia, percebendo todo o seu significado, esse caminho inevitavelmente levaria ao interior, mas infelizmente nos perdemos no exterior, pois n\u00e3o somos suficientemente male\u00e1veis em nossa auto-indaga\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea examina os valores sensoriais que dominam nossos pensamentos-sentimentos, e toma plena consci\u00eancia deles, voc\u00ea percebe que o interior se torna claro. Essa descoberta trar\u00e1 liberdade e alegria criativa. Mas essa descoberta e sua viv\u00eancia n\u00e3o podem ser feitas para voc\u00ea por outra pessoa. Sua fome ser\u00e1 saciada assistindo ao outro comer? Atrav\u00e9s de sua pr\u00f3pria autoconsci\u00eancia, voc\u00ea deve despertar para os valores falsos e, assim, descobrir o valor eterno. Uma mudan\u00e7a fundamental dentro e fora somente pode existir quando o pensamento-sentimento se desembara\u00e7a daqueles valores sensoriais que causam conflito e tristeza.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Nas obras de arte, poesia e m\u00fasica verdadeiramente grandiosas, \u00e9 expressado e transmitido algo indescrit\u00edvel que parece refletir a realidade ou a verdade ou Deus. No entanto, \u00e9 fato que, em suas vidas privadas, a maioria daqueles que criaram essas obras nunca conseguiu se libertar do c\u00edrculo vicioso do conflito. Como se explica que um indiv\u00edduo que n\u00e3o libertou a si mesmo \u00e9 capaz de criar algo que transcende o conflito dos opostos? Ou, para inverter a quest\u00e3o, n\u00e3o precisar\u00edamos concluir que a criatividade nasce do conflito?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0O conflito \u00e9 necess\u00e1rio para a criatividade? O que queremos dizer com conflito? Almejamos ser, positiva ou negativamente. Esse anseio constante gera conflito. Consideramos esse conflito inevit\u00e1vel, quase virtuoso; consideramos essencial para o crescimento humano. O que acontece quando voc\u00ea est\u00e1 em conflito? Atrav\u00e9s do conflito, a mente-cora\u00e7\u00e3o se torna cansada, entediada e insens\u00edvel. O conflito fortalece as capacidades de autoprote\u00e7\u00e3o, o conflito \u00e9 a subst\u00e2ncia sobre a qual o eu prospera. Em sua pr\u00f3pria natureza, o eu \u00e9 a causa de todos os conflitos e, onde o eu est\u00e1, a cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1. O conflito \u00e9 necess\u00e1rio para o ser criativo? Quando voc\u00ea sente esse \u00eaxtase criativo e avassalador? Somente quando todo conflito cessa, somente quando o eu estiver ausente, somente quando houver tranquilidade completa. Essa quietude n\u00e3o pode ocorrer quando a mente-cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 agitada, quando est\u00e1 em conflito; isso apenas fortalece o processo de fechamento em si. Como a maioria de n\u00f3s est\u00e1 em constante luta interior, raramente temos momentos de alta sensibilidade ou quietude e, quando estes ocorrem, s\u00e3o acidentais. Por isso tentamos recapturar aqueles momentos acidentais e somente adicionamos carga \u00e0 nossa mente-cora\u00e7\u00e3o com o passado morto.<\/p><p>O poeta, o artista, n\u00e3o passa pelo mesmo processo que n\u00f3s? Talvez ele seja mais sens\u00edvel, mais alerta e ent\u00e3o mais vulner\u00e1vel, aberto, mas certamente ele, tamb\u00e9m, experimenta a cria\u00e7\u00e3o em momentos de autoabnega\u00e7\u00e3o, de autoesquecimento, em momentos de completa quietude. Ele tenta expressar essa experi\u00eancia no m\u00e1rmore ou na m\u00fasica; mas o conflito n\u00e3o surge ao expressar a experi\u00eancia, ao aperfei\u00e7oar a palavra, e n\u00e3o no momento da pr\u00f3pria experi\u00eancia? A cria\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ocorrer quando a mente-cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 quieta, e n\u00e3o presa na rede do devir. A passividade aberta \u00e0 realidade n\u00e3o \u00e9 resultado do anseio, com sua vontade e conflito.<\/p><p>Como n\u00f3s, o artista tem momentos de quietude nos quais a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 vivenciada; assim ele coloca esses momentos na pintura, na m\u00fasica, na forma. Sua express\u00e3o assume grande valor, pois ele a pintou, \u00e9 sua obra. Ambi\u00e7\u00e3o e fama se tornam importantes e, em uma luta intermin\u00e1vel e est\u00fapida, ele \u00e9 pego. Ele assim contribui para a infelicidade, inveja, derramamento de sangue, paix\u00e3o e m\u00e1 vontade do mundo. Ele se perde nessa luta e, quanto mais se perde, mais recua sua sensibilidade, sua vulnerabilidade \u00e0 verdade. Seus conflitos mundanos obscurecem a clareza alegre, embora sua capacidade t\u00e9cnica o ajude a continuar com suas vis\u00f5es vazias e endurecedoras.<\/p><p>Mas n\u00e3o somos grandes artistas, m\u00fasicos ou poetas; n\u00e3o temos dons ou talentos especiais; n\u00e3o nos expressamos atrav\u00e9s do m\u00e1rmore, da pintura ou da grinalda das palavras. Estamos em conflito e tristeza, mas tamb\u00e9m temos momentos ocasionais de imensid\u00e3o da verdade. Ent\u00e3o nos esquecemos momentaneamente de n\u00f3s mesmos, mas logo voltamos \u00e0 nossa turbul\u00eancia di\u00e1ria, embotando e endurecendo nossa mente-cora\u00e7\u00e3o. A mente-cora\u00e7\u00e3o nunca est\u00e1 quieta; se estiver, \u00e9 o sil\u00eancio da fadiga, mas esse estado n\u00e3o \u00e9 o sil\u00eancio do entendimento, da sabedoria. Esse vazio criativo e expectante n\u00e3o \u00e9 provocado pela vontade ou pelo desejo; surge quando o conflito do eu cessa.<\/p><p>O conflito cessa apenas quando h\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o completa no valor, n\u00e3o mera substitui\u00e7\u00e3o. Somente atrav\u00e9s da autoconsci\u00eancia o cora\u00e7\u00e3o-mente se liberta de todos os valores; essa transcend\u00eancia de todos os valores n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o vem com a pr\u00e1tica, mas com o aprofundamento da consci\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 um presente, um talento de poucos. Todos os que s\u00e3o esfor\u00e7ados e \u00e1vidos podem experimentar a realidade criativa.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0O presente \u00e9 um horror tr\u00e1gico sem mitiga\u00e7\u00e3o. Por que voc\u00ea insiste na ideia de que no presente est\u00e1 o eterno?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0O presente \u00e9 conflito e tristeza, com lampejos ocasionais de alegria passageira. O presente costura, indo e voltando, o passado e o futuro, e assim o presente \u00e9 inquieto. O presente \u00e9 o resultado do passado, nosso ser \u00e9 fundado sobre ele. Como voc\u00ea pode entender o passado a n\u00e3o ser atrav\u00e9s de seu resultado, o presente? Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 capaz de investigar o passado com qualquer outro instrumento a n\u00e3o ser aquele que voc\u00ea tem, que \u00e9 o presente. O presente \u00e9 a porta de entrada para o passado e, se voc\u00ea quiser, para o futuro. O que voc\u00ea \u00e9, \u00e9 o resultado do passado, do ontem, e para entender o ontem, voc\u00ea deve come\u00e7ar com o hoje. Para entender a si mesmo, voc\u00ea deve come\u00e7ar a partir de voc\u00ea como voc\u00ea \u00e9 hoje.<\/p><p>Sem compreender o presente, que est\u00e1 enraizado no passado, voc\u00ea n\u00e3o entender\u00e1. A infelicidade presente do homem \u00e9 compreendida quando, atrav\u00e9s da porta do presente, ele \u00e9 capaz de estar ciente das causas que a produziram. Voc\u00ea n\u00e3o pode deixar de lado o presente para tentar entender o passado, pois somente atrav\u00e9s da consci\u00eancia do presente o passado come\u00e7a a se desdobrar. O presente \u00e9 tr\u00e1gico e sangrento; certamente n\u00e3o \u00e9 negando-o, nem justificando-o, que vamos entend\u00ea-lo. Temos que encar\u00e1-lo como ele \u00e9 e descobrir as causas que delinearam o presente. A maneira como voc\u00ea considera o presente, a maneira como sua mente est\u00e1 condicionada a ele, revela o processo do passado; se voc\u00ea \u00e9 preconceituoso, nacionalista, se tem \u00f3dio, o que voc\u00ea \u00e9 agora perverte a sua compreens\u00e3o do passado; sua paix\u00e3o, m\u00e1 vontade e ignor\u00e2ncia \u2014 o que voc\u00ea \u00e9 agora \u2014 corrompe seu entendimento das causas do presente. Ao entender a si mesmo, como voc\u00ea \u00e9 agora, o tapete do passado se desdobra.<\/p><p>O presente \u00e9 da maior import\u00e2ncia; o presente, embora tr\u00e1gico e doloroso, \u00e9 a \u00fanica porta para a realidade. O futuro \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do passado atrav\u00e9s do presente; atrav\u00e9s da compreens\u00e3o do presente o futuro \u00e9 transformado. O presente \u00e9 o \u00fanico momento de entendimento, pois se estende ao ontem e ao amanh\u00e3. O presente \u00e9 o tempo em sua totalidade; na semente do presente est\u00e3o o passado e o futuro; o passado \u00e9 o presente e o futuro \u00e9 o presente. O presente \u00e9 o eterno, o atemporal. Mas consideramos o presente, o agora, como uma passagem para o passado ou para o futuro; no processo do devir, o presente \u00e9 um meio para atingir um fim e, assim, ele perde seu imenso significado. O devir cria continuidade, perenidade, mas n\u00e3o \u00e9 o atemporal, o eterno. O desejo de vir a ser tece o padr\u00e3o do tempo. Voc\u00ea nunca experimentou, em momentos de grande \u00eaxtase, a suspens\u00e3o do tempo? \u2014 n\u00e3o h\u00e1 passado, nem futuro, mas uma consci\u00eancia intensa, um presente atemporal. Tendo experimentado tal estado, a gan\u00e2ncia inicia suas atividades e recria o tempo, lembrando, revivendo, olhando para o futuro em busca de mais experi\u00eancias, reorganizando o padr\u00e3o de tempo para capturar o atemporal. Assim, a gan\u00e2ncia, o devir, mant\u00eam o pensamento-sentimento na escravid\u00e3o do tempo.<\/p><p>Portanto, esteja atento em rela\u00e7\u00e3o ao presente, por mais triste ou agrad\u00e1vel que seja; ent\u00e3o, ele se desdobra como um processo temporal, e se o pensamento-sentimento puder seguir seus caminhos sutis e tortuosos e transcend\u00ea-los, ent\u00e3o essa consci\u00eancia\u00a0 extensional \u00e9 o presente atemporal. Olhe apenas para o presente, nem para o passado nem para o futuro, pois o amor \u00e9 o presente, o atemporal.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Voc\u00ea condena a guerra e, no entanto, n\u00e3o a est\u00e1 ajudando?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0N\u00e3o estamos todos n\u00f3s apoiando este terr\u00edvel assassinato em massa? Somos respons\u00e1veis, cada um, pela guerra; a guerra \u00e9 um resultado final da nossa vida di\u00e1ria; \u00e9 trazida \u00e0 exist\u00eancia atrav\u00e9s de nosso pensamento-sentimento-a\u00e7\u00e3o di\u00e1rio. O que somos em nossas rela\u00e7\u00f5es profissionais, sociais e religiosas que projetamos; o que somos, o mundo \u00e9.<\/p><p>A menos que entendamos as quest\u00f5es prim\u00e1rias e secund\u00e1rias envolvidas na responsabilidade pela guerra, estaremos confusos e incapazes de nos ver livres do seu desastre. Precisamos saber onde colocar a \u00eanfase, e s\u00f3 ent\u00e3o entenderemos o problema. O fim inevit\u00e1vel dessa sociedade \u00e9 a guerra; ela \u00e9 voltada para a guerra, sua industrializa\u00e7\u00e3o leva \u00e0 guerra; seus valores promovem a guerra. Tudo o que fazemos dentro dos limites da sociedade contribui para a guerra. Quando compramos algo, o imposto vai para a guerra; os selos postais ajudam a sustentar a guerra. N\u00e3o podemos escapar da guerra, onde quer que voc\u00ea v\u00e1, especialmente agora, pois a sociedade \u00e9 organizada para a guerra total. O trabalho mais simples e inofensivo contribui para a guerra de uma maneira ou de outra. Quer gostemos ou n\u00e3o, pela nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia, estamos ajudando a manter a guerra. Ent\u00e3o, o que devemos fazer? N\u00e3o podemos nos retirar para uma ilha ou para uma comunidade primitiva, pois a cultura atual est\u00e1 em todo lugar. Ent\u00e3o o que n\u00f3s podemos fazer? Devemos recusar a apoiar a guerra n\u00e3o pagando impostos, nem comprando selos? Essa \u00e9 a quest\u00e3o principal? Se n\u00e3o for, e se for apenas a secund\u00e1ria, n\u00e3o nos deixemos distrair com ela.<\/p><p>N\u00e3o seria a quest\u00e3o principal muito mais profunda, aquela da causa da pr\u00f3pria guerra? Se pudermos entend\u00ea-la, a quest\u00e3o secund\u00e1ria poder\u00e1 ser abordada atrav\u00e9s de um ponto de vista diferente; se n\u00e3o entendermos, estaremos perdidos nela. Se pudermos nos libertar das causas da guerra, talvez o problema secund\u00e1rio possa nem surgir.<\/p><p>Portanto, a \u00eanfase precisa estar na descoberta dentro de si da causa da guerra; essa descoberta deve ser feita por cada um de n\u00f3s, e n\u00e3o por um grupo organizado, pois as atividades em grupo tendem a gerar falta de considera\u00e7\u00e3o, mera propaganda e slogans, que apenas criam mais intoler\u00e2ncia e conflito. A causa deve ser autodescoberta, e assim, cada um, atrav\u00e9s da experi\u00eancia direta, se liberta dela.<\/p><p>Se pararmos para pensar, estamos bem cientes das causas da guerra: paix\u00e3o, m\u00e1 vontade e ignor\u00e2ncia; sensualidade, mundanismo e desejo de fama e continuidade pessoais; gan\u00e2ncia, inveja e ambi\u00e7\u00e3o; nacionalismo com suas soberanias apartadas, fronteiras econ\u00f4micas, divis\u00f5es sociais, preconceitos raciais e religi\u00e3o organizada. N\u00e3o pode cada um de n\u00f3s estar ciente de sua gan\u00e2ncia, m\u00e1 vontade, ignor\u00e2ncia e, portanto, libertar-se deles? N\u00f3s nos apegamos ao nacionalismo, pois ele \u00e9 uma sa\u00edda para nossos instintos cru\u00e9is e criminosos; em nome de nosso pa\u00eds ou ideologia, podemos matar ou liquidar impunemente, nos tornar her\u00f3is, e quanto mais matamos nossos semelhantes, mais honra recebemos de nosso pa\u00eds.<\/p><p>Agora, n\u00e3o seria nossa liberta\u00e7\u00e3o da causa do conflito e da tristeza a quest\u00e3o principal? Se n\u00e3o enfatizarmos isso, como a solu\u00e7\u00e3o dos problemas secund\u00e1rios poder\u00e1 interromper a guerra? Se n\u00e3o erradicarmos as causas da guerra em n\u00f3s mesmos, de que vale alterar os resultados externos de nosso estado interior? Cada um de n\u00f3s deve mergulhar profundamente e limpar a lux\u00faria, a m\u00e1 vontade e a ignor\u00e2ncia; devemos abandonar completamente o nacionalismo, o racismo e as causas que geram hostilidade. Devemos nos preocupar totalmente com o que \u00e9 de primordial import\u00e2ncia e n\u00e3o nos confundir com quest\u00f5es secund\u00e1rias.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea \u00e9 muito desanimador. Busco inspira\u00e7\u00e3o para continuar; voc\u00ea n\u00e3o nos anima com palavras de coragem e esperan\u00e7a. \u00c9 errado buscar inspira\u00e7\u00e3o?<\/p><p><strong>Krishnamurti:\u00a0<\/strong>Por que voc\u00ea quer ser inspirado? N\u00e3o \u00e9 porque em si mesmo voc\u00ea est\u00e1 vazio, n\u00e3o criativo, solit\u00e1rio? Voc\u00ea quer preencher essa solid\u00e3o, esse vazio dolorido; voc\u00ea deve ter tentado diferentes maneiras de preench\u00ea-la e espera escapar novamente dela ao vir aqui. Esse processo de encobrir a \u00e1rida solid\u00e3o \u00e9 chamado de inspira\u00e7\u00e3o. Inspira\u00e7\u00e3o que se torna um mero est\u00edmulo e, como todo est\u00edmulo, logo traz seu aborrecimento e sua insensibilidade pr\u00f3prios. Ent\u00e3o, passamos de uma inspira\u00e7\u00e3o, de um est\u00edmulo, para outro, cada um trazendo sua pr\u00f3pria frustra\u00e7\u00e3o e seu pr\u00f3prio cansa\u00e7o; assim, a mente-cora\u00e7\u00e3o perde sua maleabilidade, sua sensibilidade; a capacidade interna de tens\u00e3o \u00e9 perdida por esse processo constante de alongamento e relaxamento. A tens\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para descobrir, mas uma tens\u00e3o que exige relaxamento ou est\u00edmulo logo perde sua capacidade de se renovar, de ser flex\u00edvel e de estar alerta. Essa flexibilidade alerta n\u00e3o pode ser induzida de fora; ocorre quando n\u00e3o depende de est\u00edmulo, de inspira\u00e7\u00e3o.<\/p><p>N\u00e3o \u00e9 toda estimula\u00e7\u00e3o semelhante em efeito? Quer voc\u00ea tome uma bebida ou seja estimulado por uma imagem ou uma ideia, se voc\u00ea vai a um concerto ou a uma cerim\u00f4nia religiosa, ou se encoraja para desempenhar um papel, por mais nobre ou ign\u00f3bil \u2014 tudo isso n\u00e3o atrapalha a mente e o cora\u00e7\u00e3o? Uma raiva justa, que \u00e9 um absurdo, por mais estimulante e inspiradora que possa ser, gera insensibilidade; e n\u00e3o \u00e9 a forma mais elevada de intelig\u00eancia, sensibilidade, receptividade, necess\u00e1ria para experimentar a realidade? A estimula\u00e7\u00e3o gera depend\u00eancia, e a depend\u00eancia, digna ou indigna, causa medo. \u00c9 relativamente sem import\u00e2ncia como algu\u00e9m \u00e9 estimulado ou inspirado, seja atrav\u00e9s da igreja organizada ou pol\u00edtica ou atrav\u00e9s da distra\u00e7\u00e3o, pois o resultado ser\u00e1 o mesmo \u2014 insensibilidade causada pelo medo e depend\u00eancia.<\/p><p>Distra\u00e7\u00f5es tornam-se est\u00edmulos. Nossa sociedade incentiva principalmente a distra\u00e7\u00e3o, distra\u00e7\u00e3o em todas as formas. Nosso pr\u00f3prio pensamento-sentimento tornou-se um processo de afastamento do centro, da realidade. Portanto, \u00e9 extremamente dif\u00edcil se desvencilhar de todas as distra\u00e7\u00f5es, pois nos tornamos quase incapazes de estarmos conscientes do que \u00e9. Assim, o conflito nasce, que ent\u00e3o distrai ainda mais nosso sentimento-pensamento, e \u00e9 somente atrav\u00e9s da consci\u00eancia constante que o pensamento-sentimento \u00e9 capaz de se livrar da rede de distra\u00e7\u00f5es.<\/p><p>Al\u00e9m disso, quem pode lhe dar alegria, coragem e esperan\u00e7a? Se confiarmos no outro, por mais grandioso e nobre que seja, estaremos totalmente perdidos, pois a depend\u00eancia gera possessividade na qual h\u00e1 luta e dor sem fim. Alegria e felicidade n\u00e3o s\u00e3o fins em si mesmas; s\u00e3o, como coragem e esperan\u00e7a, incidentes na busca de algo que \u00e9 um fim em si mesmo. \u00c9 esse fim que deve ser buscado com paci\u00eancia e dilig\u00eancia, e somente atrav\u00e9s de sua descoberta que nosso turbilh\u00e3o e nossa dor cessar\u00e3o. A jornada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua descoberta reside em si mesma; qualquer outra jornada \u00e9 uma distra\u00e7\u00e3o que leva \u00e0 ignor\u00e2ncia e ilus\u00e3o. A jornada dentro de si deve ser empreendida n\u00e3o para um resultado, n\u00e3o para resolver conflitos e tristezas; pois a busca em si \u00e9 devo\u00e7\u00e3o, inspira\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a jornada em si \u00e9 um processo revelador, uma experi\u00eancia que \u00e9 constantemente libertadora e criativa. Voc\u00ea n\u00e3o notou que a inspira\u00e7\u00e3o vem quando voc\u00ea n\u00e3o a procura? Vem quando todas as expectativas cessam, quando a mente-cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 quieta. O que \u00e9 cobi\u00e7ado \u00e9 autocriado e, portanto, n\u00e3o \u00e9 o real.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea diz que vida e morte s\u00e3o a mesma coisa. Por favor, elabore esta declara\u00e7\u00e3o surpreendente.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Conhecemos nascimento e morte, exist\u00eancia e inexist\u00eancia; estamos cientes desse conflito entre os opostos: o desejo de viver, de continuar, e o medo da morte, da n\u00e3o continuidade. Nossa vida \u00e9 mantida no padr\u00e3o de devir e de n\u00e3o devir. Podemos ter teorias, cren\u00e7as e, consequentemente, experi\u00eancia, mas elas ainda est\u00e3o no campo da dualidade, do nascimento e da morte.<\/p><p>Pensamos em termos de tempo, de viver, de se tornar, ou de n\u00e3o se tornar, ou de morte, ou de estender esse devir para al\u00e9m da morte. O padr\u00e3o de nosso pensamento-sentimento se move do conhecido para o conhecido, do passado para o presente e para o futuro; se h\u00e1 medo do futuro, ele se apega ao passado ou ao presente. Somos mantidos no tempo e como \u00e9 que n\u00f3s, que pensamos-sentimos em termos de tempo, podemos experimentar a realidade da atemporalidade, na qual a vida e a morte s\u00e3o uma?<\/p><p>Voc\u00ea n\u00e3o experimentou em momentos de grande intensidade a cessa\u00e7\u00e3o do tempo? Essa cessa\u00e7\u00e3o geralmente vem de maneira for\u00e7ada a algu\u00e9m; \u00e9 acidental, mas, dependendo do nosso prazer, desejamos repetir a experi\u00eancia novamente. Ent\u00e3o, nos tornamos mais uma vez prisioneiros do tempo. N\u00e3o seria poss\u00edvel para a mente-cora\u00e7\u00e3o parar de formular, ficar totalmente quieta e n\u00e3o ser for\u00e7ada \u00e0 quietude, por um ato de vontade? Vontade e determina\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o autocontinuadas e, portanto, dentro do campo do tempo. A determina\u00e7\u00e3o de ser, a vontade de se tornar, implica autocrescimento, tempo, que gera o medo da morte.<\/p><p>Como o tronco de uma \u00e1rvore morta no meio de um riacho junta os res\u00edduos flutuantes, assim n\u00f3s juntamos, nos apegamos \u00e0 nossa acumula\u00e7\u00e3o; assim n\u00f3s e o fluxo imortal da vida est\u00e3o separados. Sentamos no tronco morto da nossa acumula\u00e7\u00e3o e refletimos sobre a vida e a morte; n\u00f3s n\u00e3o abandonamos o processo de sempre-acumular para estarmos em \u00e1guas livres. Para estar livre da acumula\u00e7\u00e3o deve haver um profundo autoconhecimento, n\u00e3o o conhecimento superficial das poucas camadas de nossa consci\u00eancia. A descoberta e a experi\u00eancia de todas as camadas da consci\u00eancia s\u00e3o o in\u00edcio da verdadeira medita\u00e7\u00e3o. Na tranquilidade da mente-cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o a sabedoria e a realidade.<\/p><p>A realidade deve ser experimentada, n\u00e3o especulada. Essa experi\u00eancia s\u00f3 pode ocorrer quando a mente-cora\u00e7\u00e3o deixa de acumular. A mente-cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixa de acumular atrav\u00e9s da nega\u00e7\u00e3o ou atrav\u00e9s da determina\u00e7\u00e3o, mas apenas atrav\u00e9s da autoconsci\u00eancia; atrav\u00e9s do autoconhecimento a causa da acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 descoberta. S\u00f3 \u00e9 vivenciada quando cessa o conflito dos opostos. Somente o pensamento correto, que vem do autoconhecimento e da medita\u00e7\u00e3o correta, pode trazer a unidade da vida e da morte. \u00c9 apenas morrendo a cada dia que pode haver renova\u00e7\u00e3o eterna.<\/p><p>\u00c9 dif\u00edcil morrer se voc\u00ea estiver no processo de devir, se estiver acumulando, sentado no toco da acumula\u00e7\u00e3o morta. Voc\u00ea deve abandon\u00e1-la, mergulhar na \u00e1gua corrente; voc\u00ea deve todos os dias morrer para a acumula\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, morrer tanto para o agrad\u00e1vel quanto para o desagrad\u00e1vel. Nos apegamos ao agrad\u00e1vel e deixamos o desagrad\u00e1vel ir; ent\u00e3o fortalecemos a gratifica\u00e7\u00e3o e conhecemos a morte. Sem buscar recompensa, abandonemos nossas coletas e s\u00f3 ent\u00e3o poder\u00e1 haver o imortal. Ent\u00e3o a vida n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 morte nem a morte \u00e9 um escurecimento da vida.<\/p><p>\u00a0<\/p><p>17 de junho de 1945<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>4\u00aa palestra em Ojai \u00a0 tradu\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Clemente Moura \u00a0 Pode aquele que \u00e9 respons\u00e1vel pelos conflitos e sofrimento em si mesmo, e assim no mundo, permitir que a mente-cora\u00e7\u00e3o seja entorpecida por filosofias e ideias err\u00f4neas? 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