{"id":1458,"date":"2022-12-18T16:13:05","date_gmt":"2022-12-18T16:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1458"},"modified":"2022-12-18T16:13:34","modified_gmt":"2022-12-18T16:13:34","slug":"27-05-1945","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1458","title":{"rendered":"27\/05\/1945"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1458\" class=\"elementor elementor-1458\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-620c087b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"620c087b\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3765190d\" data-id=\"3765190d\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-32332155 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"32332155\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>1\u00aa palestra em Ojai<\/strong><\/p>\n<p>Para compreendermos a confus\u00e3o e a infelicidade que existe em n\u00f3s pr\u00f3prios, e portanto no mundo, temos que primeiro encontrar clareza dentro de n\u00f3s pr\u00f3prios e esta clareza surge atrav\u00e9s do pensar correto. Esta clareza n\u00e3o \u00e9 para ser organizada porque ela n\u00e3o pode ser intercambiada com outro. O pensamento de grupo organizado torna-se perigoso por muito bom que possa parecer; o pensamento de grupo organizado pode ser usado, explorado; o pensamento de grupo deixa de ser o pensar correto, \u00e9 apenas repetitivo. A clareza \u00e9 essencial porque sem ela a mudan\u00e7a e a reforma simplesmente conduzem a mais confus\u00e3o. A clareza n\u00e3o \u00e9 o resultado da asser\u00e7\u00e3o verbal mas da auto-consci\u00eancia intensa e do pensar correto. O pensar correto n\u00e3o \u00e9 o resultado da mero cultivo do intelecto, nem \u00e9 a conformidade a um padr\u00e3o, ainda que digno e nobre. O pensar correto chega com o auto-conhecimento. Sem se compreender a si pr\u00f3prio, n\u00e3o se tem nenhuma base para o pensamento; sem auto-conhecimento o que voc\u00ea pensa n\u00e3o \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p>Voc\u00ea e o mundo n\u00e3o s\u00e3o duas entidades diferentes com problemas separados; voc\u00ea e o mundo s\u00e3o um. O seu problema \u00e9 o problema do mundo. Voc\u00ea pode ser o resultado de determinadas tend\u00eancias, de influ\u00eancias do meio, mas n\u00e3o \u00e9 fundamentalmente diferente de outro. Interiormente somos muitos parecidos; todos somos impelidos pela gan\u00e2ncia, pela malevol\u00eancia, pelo medo, pela ambi\u00e7\u00e3o, etc. As nossas cren\u00e7as, esperan\u00e7as, aspira\u00e7\u00f5es t\u00eam uma base comum. N\u00f3s somos um; somos uma humanidade, embora as fronteiras artificiais da economia e da pol\u00edtica e do preconceito nos dividam. Se matar outro, est\u00e1 a destruir-se a si pr\u00f3prio. Voc\u00ea \u00e9 o centro do todo e sem se compreender a si pr\u00f3prio n\u00e3o pode compreender a Realidade.<\/p>\n<p>Temos um conhecimento intelectual desta unidade, mas guardamos o conhecimento e o sentimento em compartimentos diferentes e por isso nunca experimentamos a extraordin\u00e1ria unidade do homem. Quando o conhecimento e o sentimento se encontram h\u00e1 experi\u00eancia. Estas palestras ser\u00e3o totalmente in\u00fateis se n\u00e3o experimentar \u00e0 medida que ouve. N\u00e3o diga, compreenderei mais tarde, mas experimentarei agora. N\u00e3o mantenha o seu conhecimento e o seu sentimento separados, porque desta separa\u00e7\u00e3o cresce a confus\u00e3o e a infelicidade. Tem que experimentar esta unidade viva do homem. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 separado do Japon\u00eas, do Hindu, do Negro ou do Alem\u00e3o. Para experimentar esta imensa unidade esteja aberto, torne-se consciente desta divis\u00e3o entre o conhecimento e o sentimento; n\u00e3o seja um escravo da filosofia compartimental.<\/p>\n<p>Sem auto-conhecimento a compreens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. O auto-conhecimento \u00e9 extremamente \u00e1rduo e dif\u00edcil, porque voc\u00ea \u00e9 uma entidade complexa. Tem que abordar a compreens\u00e3o do ego com simplicidade, sem quaisquer pretens\u00f5es, sem quaisquer teorias. Se eu quiser compreend\u00ea-lo n\u00e3o posso ter nenhuma formula\u00e7\u00e3o preconcebida a seu respeito, n\u00e3o pode haver nenhum preconceito; tenho que estar aberto, sem julgamento, sem compara\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 muito dif\u00edcil porque, para a maior parte de n\u00f3s, o pensamento \u00e9 o resultado da compara\u00e7\u00e3o, do julgamento. Atrav\u00e9s da aproxima\u00e7\u00e3o n\u00f3s pensamos que estamos compreendendo, mas nasce a compreens\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o, do julgamento? Ou \u00e9 o resultado do pensamento n\u00e3o-comparativo? Se quiser compreender algo compara-o com outra coisa ou estuda-o por si mesmo?<\/p>\n<p>O pensamento nascido da compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pensar correto. Contudo estudando-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios estamos a comparar, a aproximar. \u00c9 isto que impede a compreens\u00e3o de n\u00f3s pr\u00f3prios. Porque \u00e9 que nos julgamos a n\u00f3s pr\u00f3prios? N\u00e3o \u00e9 o nosso julgamento o resultado do nosso desejo de virmos a ser algo, de obter, de nos ajustarmos, de nos protegermos? Este mesmo desejo impede a compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal como eu disse, voc\u00ea \u00e9 uma entidade complexa, e para a compreender tem que a examinar. N\u00e3o a pode compreender se a comparar com o ontem ou com o amanh\u00e3. Voc\u00ea \u00e9 um mecanismo intricado, mas a compara\u00e7\u00e3o, o julgamento, a identifica\u00e7\u00e3o impedem a compreens\u00e3o. N\u00e3o receie tornar-se indolente, complacente, auto-satisfeito se n\u00e3o competir na compara\u00e7\u00e3o. Uma vez tenha percebido a inutilidade da compara\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma grande liberdade. Ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 a esfor\u00e7ar-se para vir a ser mas h\u00e1 uma liberdade para compreender. Seja consciente deste processo comparativo do seu pensamento \u2013 experimente tudo isto a medida que estou a explicar \u2013 e sinta a sua inutilidade, a sua fundamental irreflex\u00e3o; experimentar\u00e1 ent\u00e3o uma grande liberdade, como se tivesse deixado uma carga fatigante. Nesta aus\u00eancia de aproxima\u00e7\u00e3o e portanto de identifica\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 capaz de descobrir e compreender as suas pr\u00f3prias realidades. Se n\u00e3o comparar, julgar, ent\u00e3o ser\u00e1 confrontado consigo mesmo e isto conferir\u00e1 clareza e for\u00e7a para descobrir grandes profundidades. Isto \u00e9 essencial para a compreens\u00e3o da Realidade. Quando n\u00e3o h\u00e1 auto-aproxima\u00e7\u00e3o ent\u00e3o o pensamento \u00e9 libertado da dualidade; o problema e o conflito com os opostos caem. Nesta liberdade h\u00e1 uma compreens\u00e3o revolucion\u00e1ria, criativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um de n\u00f3s que n\u00e3o seja confrontado com o problema de matar e n\u00e3o matar, da viol\u00eancia e da n\u00e3o-viol\u00eancia. Alguns de voc\u00eas podem achar que como os vossos filhos, irm\u00e3os ou maridos, n\u00e3o est\u00e3o envolvidos neste massacre chamado guerra, n\u00e3o est\u00e3o diretamente implicados neste problema, mas se olharem um pouco mais de perto ver\u00e3o como est\u00e3o profundamente envolvidos. N\u00e3o podem fugir. Voc\u00ea tem, como um indiv\u00edduo, uma atitude precisa relativamente a matar e n\u00e3o matar. Se n\u00e3o t\u00eam estado consciente dela est\u00e1 agora a ser confrontado com ela; t\u00eam que enfrentar o problema, o problema dualista do capitalismo e do comunismo, do amor e do \u00f3dio, de matar e de n\u00e3o matar, etc. Como \u00e9 que h\u00e1-se encontrar a verdade do assunto? Existe alguma liberta\u00e7\u00e3o do conflito no intermin\u00e1vel corredor da dualidade? Muitos acreditam que na pr\u00f3pria batalha dos opostos h\u00e1 criatividade, que este conflito \u00e9 a vida, e que fugir-lhe \u00e9 estar na ilus\u00e3o. \u00c9 assim? N\u00e3o cont\u00e9m o oposto um elemento do seu pr\u00f3prio oposto e produz assim conflito e dor infind\u00e1veis? \u00c9 o conflito necess\u00e1rio para a cria\u00e7\u00e3o? S\u00e3o os momentos de criatividade o resultado da disc\u00f3rdia e da dor? O estado do ser criativo n\u00e3o nasce quando toda a dor e toda a luta cessaram totalmente? Pode experimentar isto por si pr\u00f3prio. Esta aus\u00eancia de opostos n\u00e3o \u00e9 uma ilus\u00e3o; s\u00f3 nela est\u00e1 a resposta a toda a nossa confus\u00e3o e problemas contradit\u00f3rios.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 confrontado com o problema de matar o seu irm\u00e3o em nome da religi\u00e3o, da paz, do pa\u00eds, etc. Como encontrar\u00e1 a resposta em que n\u00e3o estejam inerentes mais problemas contradit\u00f3rios, mais problemas adversos? Para encontrar uma resposta verdadeira, duradoura, n\u00e3o tem que sair do padr\u00e3o dualista do pensamento? Mata porque os seus bens, a sua seguran\u00e7a, o seu prest\u00edgio s\u00e3o amea\u00e7ados; tal como \u00e9 com o indiv\u00edduo assim \u00e9 com o grupo, com a na\u00e7\u00e3o. Para estar livre da viol\u00eancia e da n\u00e3o-viol\u00eancia tem que haver aus\u00eancia de aquisitividade, malevol\u00eancia, lux\u00faria, etc. Mas a maior parte de n\u00f3s n\u00e3o investiga o problema profundamente e est\u00e1 satisfeita com a reforma, com a altera\u00e7\u00e3o dentro do padr\u00e3o da dualidade. Aceitamos como inevit\u00e1vel este conflito da dualidade e dentro desse padr\u00e3o tentamos provocar a modifica\u00e7\u00e3o, a mudan\u00e7a; dentro dele manobramos para uma posi\u00e7\u00e3o melhor, para um ponto mais vantajoso para n\u00f3s pr\u00f3prios. A mudan\u00e7a ou a reforma apenas dentro do padr\u00e3o da dualidade somente produz mais confus\u00e3o e dor e \u00e9 por isso regress\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea tem que ir para al\u00e9m do padr\u00e3o da dualidade para resolver permanentemente o problema dos opostos. Dentro do padr\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 verdade, por muito que possamos estar presos nele; se procurarmos nela a verdade seremos conduzidos a muitas ilus\u00f5es. Temos que ir para al\u00e9m do padr\u00e3o dualista do eu e do n\u00e3o-eu, do possuidor e do possu\u00eddo. Acima e para al\u00e9m do intermin\u00e1vel corredor da dualidade reside a Verdade. Acima e para al\u00e9m do contradit\u00f3rio e doloroso problema dos opostos reside a compreens\u00e3o criativa. Isto \u00e9 para ser experimentado, n\u00e3o para ser especulado; n\u00e3o para ser formulado mas para ser compreendido atrav\u00e9s da consci\u00eancia profunda dos obst\u00e1culos dualistas.<\/p>\n<p><strong>Interrogante:<\/strong>&nbsp;Tenho a certeza que a maior parte de n\u00f3s viu imagens aut\u00eanticas em filmes e em revistas dos horrores e das barbaridades dos campos de concentra\u00e7\u00e3o. O que deveria ser feito, na sua opini\u00e3o, com aqueles que perpetraram estas atrocidades monstruosas? N\u00e3o deveriam ser castigados?<\/p>\n<p><strong>Krishnamurti:<\/strong>&nbsp;Quem os h\u00e1-de castigar? N\u00e3o \u00e9 o juiz muitas vezes t\u00e3o culpado como o acusado? Cada um de n\u00f3s edificou esta civiliza\u00e7\u00e3o, cada um contribuiu para a sua mis\u00e9ria (da civiliza\u00e7\u00e3o); cada um \u00e9 respons\u00e1vel pelas suas a\u00e7\u00f5es (da civiliza\u00e7\u00e3o). N\u00f3s somos o resultado das a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es uns dos outros; esta civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um resultado coletivo. Nenhum pa\u00eds ou povo est\u00e1 separado de outro; estamos todos inter-relacionados, somos um. Quer o reconhe\u00e7amos ou n\u00e3o, quando acontece um infort\u00fanio a um povo, n\u00f3s participamos dele tal como da sua boa sorte. N\u00e3o se pode separar para condenar ou louvar.<\/p>\n<p>O poder de oprimir \u00e9 mau e cada grupo que seja grande e bem organizado torna-se uma potencial fonte do mal. Gritando sonoramente as crueldades de outro pa\u00eds voc\u00ea pensa que pode desconsiderar as do seu pr\u00f3prio pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o derrotado, mas cada pa\u00eds \u00e9 respons\u00e1vel pelos horrores da guerra. A guerra \u00e9 uma das maiores cat\u00e1strofes; o mal maior \u00e9 matar outro. Uma vez admita um mal assim no seu cora\u00e7\u00e3o, deixa ent\u00e3o \u00e0 solta incont\u00e1veis desastres menores. Voc\u00ea n\u00e3o condena a guerra em si mas aquele que \u00e9 cruel na guerra.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pela guerra; voc\u00ea provocou-a pela sua a\u00e7\u00e3o quotidiana de gan\u00e2ncia, malevol\u00eancia, ira. Cada um de n\u00f3s edificou esta civiliza\u00e7\u00e3o competitiva, impiedosa, em que o homem est\u00e1 contra o homem. Voc\u00ea quer extirpar as causas da guerra, da barbaridade nos outros, enquanto voc\u00ea pr\u00f3prio se entrega a elas. Isto conduz \u00e0 hipocrisia e a mais guerras. Voc\u00ea tem que extirpar as causas da guerra, da viol\u00eancia, em si pr\u00f3prio, o que exige paci\u00eancia e brandura, n\u00e3o a condena\u00e7\u00e3o sangrenta de outros.<\/p>\n<p>A humanidade n\u00e3o precisa de mais sofrimento para a fazer compreender, &nbsp;mas o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 que voc\u00ea seja consciente das suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, que desperte para a sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia e sofrimento e assim provoque em si compaix\u00e3o e toler\u00e2ncia. N\u00e3o deveria estar preocupado com castigos e recompensas, mas com a erradica\u00e7\u00e3o em si pr\u00f3prio daquelas causas que se manifestam em viol\u00eancia e em \u00f3dio, em antagonismo e malevol\u00eancia. Assassinando o assassino voc\u00ea torna-se como ele; torna-se no criminoso. Um mal n\u00e3o \u00e9 emendado atrav\u00e9s de meios errados; s\u00f3 atrav\u00e9s dos meios corretos se pode alcan\u00e7ar um fim correto. Se quiser paz tem que empregar meios pac\u00edficos, e o massacre, a guerra, s\u00f3 podem conduzir a mais massacre, a mais sofrimento. N\u00e3o pode haver amor atrav\u00e9s do derramamento de sangue; um ex\u00e9rcito n\u00e3o \u00e9 um instrumento de paz. S\u00f3 a boa vontade e a compaix\u00e3o podem trazer paz ao mundo, n\u00e3o o poder e a ast\u00facia nem a mera legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pela mis\u00e9ria e pelo desastre que existem, voc\u00ea que na sua vida quotidiana \u00e9 cruel, opressivo, ganancioso, ambicioso. O sofrimento continuar\u00e1 at\u00e9 que voc\u00ea erradique em si mesmo aquelas causas que geram ira, gan\u00e2ncia e crueldade Tenha paz e compaix\u00e3o no seu cora\u00e7\u00e3o e encontrar\u00e1 a resposta certa \u00e0s suas perguntas.<\/p>\n<p><strong>Interrogante:<\/strong>&nbsp;Nesta altura e no nosso presente modo de vida, os nossos sentimentos tornaram-se embotados e duros. Pode sugerir um modo de vida que nos torne mais sens\u00edveis? Podemos tornar-nos mais sens\u00edveis apesar do barulho, da precipita\u00e7\u00e3o, de todas as profiss\u00f5es competitivas e de todas as atividades? Podemos tornar-nos mais sens\u00edveis sem dedica\u00e7\u00e3o a uma fonte de vida superior?<\/p>\n<p><strong>Krishnamurti:<\/strong>&nbsp;N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, para o pensar claro e correto, ser-se sens\u00edvel? Para sentir profundamente n\u00e3o tem o cora\u00e7\u00e3o que estar aberto? N\u00e3o tem o corpo que estar saud\u00e1vel para avidamente responder? N\u00f3s embotamos as nossas mentes, os nossos sentimentos, os nossos corpos, com cren\u00e7as e malevol\u00eancia, com estimulantes fortes e endurecedores. \u00c9 essencial ser sens\u00edvel, responder intensa e corretamente, mas n\u00f3s tornamo-nos embotados, duros, atrav\u00e9s dos nossos apetites. N\u00e3o existe uma entidade separada tal como a mente, \u00e0 parte do organismo como um todo, e quando o organismo como um todo \u00e9 maltratado, debilitado, distra\u00eddo, ent\u00e3o a insensibilidade instala-se. O nosso meio, o nosso modo de vida atual embota-nos, debilita-nos. Como pode ser sens\u00edvel quando todos os dias se satisfaz lendo ou vendo imagens da carnificina de milhares \u2013 a not\u00edcia deste massacre sendo dada como se se tratasse de um jogo de \u00eaxito. A primeira vez que l\u00ea as not\u00edcias pode sentir uma dor de alma, mas a constante repeti\u00e7\u00e3o da crueldade brutal embrutece a sua mente-cora\u00e7\u00e3o, imunizando-o ao total barbarismo da sociedade moderna. As r\u00e1dios, as revistas, os cinemas est\u00e3o sempre a debilitar as suas maleabilidades sens\u00edveis; voc\u00ea \u00e9 for\u00e7ado, amea\u00e7ado, arregimentado e como pode, no meio de tanto barulho, precipita\u00e7\u00e3o e falsas atividades permanecer sens\u00edvel para o cultivo do pensamento correto?<\/p>\n<p>Se n\u00e3o quiser ter os seus sentimentos embotados e endurecidos, tem que pagar o pre\u00e7o; tem que abandonar a precipita\u00e7\u00e3o, a distra\u00e7\u00e3o, as profiss\u00f5es erradas e as ocupa\u00e7\u00f5es. Tem que se tornar consciente dos seus apetites, do seu meio limitador, e compreendendo-os corretamente, come\u00e7a a redespertar a sua sensibilidade. Atrav\u00e9s da consci\u00eancia constante dos seus pensamentos-sentimentos, as causas do auto-confinamento e da tacanhez caem. Se quiser ser altamente sens\u00edvel e claro, tem que trabalhar deliberadamente para isso; n\u00e3o pode ser mundano e contudo ser puro na busca da Realidade. A nossa dificuldade \u00e9 que queremos ambos, os apetites ardentes e a serenidade da Realidade. Tem que abandonar um ou a outro; n\u00e3o pode ter ambos. N\u00e3o pode satisfazer-se e contudo estar alerta; para estar intensamente consciente, tem que haver aus\u00eancia daquelas influ\u00eancias que s\u00e3o cristalizadoras, embotantes.<\/p>\n<p>Desenvolvemos o intelecto em excesso \u00e0 custa dos nossos sentimentos mais profundos e mais claros, e uma civiliza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 baseada no cultivo do intelecto tem que originar crueldade e a venera\u00e7\u00e3o do sucesso. A \u00eanfase no intelecto ou na emo\u00e7\u00e3o conduz ao desequil\u00edbrio, e o intelecto est\u00e1 sempre \u00e0 procura de se salvaguardar. A mera determina\u00e7\u00e3o s\u00f3 fortalece o intelecto e embota-o e endurece-o; \u00e9 sempre auto-agressivo no vir a ser ou n\u00e3o vir a ser. Os processos do intelecto t\u00eam que ser compreendidos atrav\u00e9s da consci\u00eancia constante e a sua reeduca\u00e7\u00e3o tem que transcender o seu pr\u00f3prio racioc\u00ednio.<\/p>\n<p><strong>Interrogante:<\/strong>&nbsp;Eu acho que h\u00e1 conflito entre a minha ocupa\u00e7\u00e3o e a minha rela\u00e7\u00e3o. V\u00e3o em dire\u00e7\u00f5es diferentes. Como posso faz\u00ea-las encontrar-se?<\/p>\n<p><strong>Krishnamurti:<\/strong>&nbsp;A maior parte das nossas ocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ditadas pela tradi\u00e7\u00e3o, ou pela gan\u00e2ncia, ou pela ambi\u00e7\u00e3o. Na nossa ocupa\u00e7\u00e3o somos cru\u00e9is, competitivos, falsos, astutos e altamente auto-protetores. Se enfraquecermos a qualquer altura podemos afundar-nos, portanto temos que continuar com a alta efici\u00eancia da m\u00e1quina gananciosa dos neg\u00f3cios. \u00c9 uma luta constante para manter um controle, para nos tornarmos mais perspicazes e mais espertos. A ambi\u00e7\u00e3o jamais encontra uma satisfa\u00e7\u00e3o duradoura; est\u00e1 sempre \u00e0 procura de campos mais amplos para a auto-confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas na rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 envolvido um processo bastante diferente. Nela tem que haver afeto, considera\u00e7\u00e3o, ajustamento, abnega\u00e7\u00e3o, ced\u00eancia; n\u00e3o conquistar mas viver com felicidade. Nela tem que haver ternura modesta, aus\u00eancia de domina\u00e7\u00e3o, de possessividade; mas o vazio e o medo geram ci\u00fame e dor na rela\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de auto-descoberta, no qual h\u00e1 uma compreens\u00e3o mais ampla e mais profunda; a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 um ajustamento constante na auto-descoberta. Requer paci\u00eancia, flexibilidade infinita e um cora\u00e7\u00e3o simples.<\/p>\n<p>Mas como podem os dois encontrar-se, a auto-confian\u00e7a e o amor, a ocupa\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o? Uma \u00e9 cruel, competitiva, ambiciosa, a outra \u00e9 abnegante, considerada, terna; n\u00e3o podem juntar-se. Com uma m\u00e3o as pessoas lidam com sangue e dinheiro, e com a outra tentar ser bondosas, afetuosas, sensatas. Como um al\u00edvio para a sua irreflex\u00e3o e ocupa\u00e7\u00f5es aborrecidas procuram conforto e tranquilidade na rela\u00e7\u00e3o. Mas a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o produz conforto porque \u00e9 um processo caracter\u00edstico de auto-descoberta e de compreens\u00e3o. O homem de ocupa\u00e7\u00e3o tenta procurar atrav\u00e9s da sua vida de rela\u00e7\u00e3o, o conforto e o prazer como uma compensa\u00e7\u00e3o pelo seu neg\u00f3cio enfadonho. A sua ocupa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de ambi\u00e7\u00e3o. gan\u00e2ncia e crueldade conduz passo a passo \u00e0 guerra e \u00e0s barbaridades da civiliza\u00e7\u00e3o moderna.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o correta n\u00e3o \u00e9 ditada pela tradi\u00e7\u00e3o, pela gan\u00e2ncia ou pela ambi\u00e7\u00e3o. Se cada um estiver seriamente interessado em estabelecer a rela\u00e7\u00e3o correta, n\u00e3o s\u00f3 com um mas com todos, ent\u00e3o encontrar\u00e1 a ocupa\u00e7\u00e3o correta. A ocupa\u00e7\u00e3o correta chega com a regenera\u00e7\u00e3o, com a mudan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o com a mera determina\u00e7\u00e3o intelectual de a encontrar.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se houver clareza de compreens\u00e3o a todos os diferentes n\u00edveis da nossa consci\u00eancia. N\u00e3o pode haver integra\u00e7\u00e3o do amor e da ambi\u00e7\u00e3o, da ilus\u00e3o e da clareza, da compaix\u00e3o e da guerra. Enquanto a ocupa\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o forem mantidas separadas, haver\u00e1 conflito e infelicidade intermin\u00e1veis. Toda a reforma dentro do padr\u00e3o da dualidade \u00e9 regress\u00e3o; s\u00f3 para al\u00e9m dela existe a paz criativa.<\/p>\n<p>27\/05\/1945<\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1\u00aa palestra em Ojai Para compreendermos a confus\u00e3o e a infelicidade que existe em n\u00f3s pr\u00f3prios, e portanto no mundo, temos que primeiro encontrar clareza dentro de n\u00f3s pr\u00f3prios e esta clareza surge atrav\u00e9s do pensar correto. Esta clareza n\u00e3o \u00e9 para ser organizada porque ela n\u00e3o pode ser intercambiada com outro. 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