{"id":1436,"date":"2022-12-18T16:10:15","date_gmt":"2022-12-18T16:10:15","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1436"},"modified":"2022-12-18T16:11:21","modified_gmt":"2022-12-18T16:11:21","slug":"09-07-1944","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1436","title":{"rendered":"09\/07\/1944"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1436\" class=\"elementor elementor-1436\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2a0fb10c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2a0fb10c\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7fa540c1\" data-id=\"7fa540c1\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-69b1f902 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"69b1f902\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nona Palestra em Oak Grove<\/strong><\/p><p>\u00c9 importante em todas as ocasi\u00f5es e, especialmente, em ocasi\u00f5es de muito sofrimento e confus\u00e3o, encontrar em n\u00f3s mesmos a alegria criativa e a compreens\u00e3o interiores. Temos que descobri-las por n\u00f3s mesmos, mas a sensualidade, a prosperidade e o poder pessoal, em todas as suas diferentes formas, impedem a paz criativa e a felicidade. Se usarmos nossas energias para a gratifica\u00e7\u00e3o dos sentidos, inevitavelmente criaremos valores que produzir\u00e3o prosperidade, mundanismo, mas com eles vem a guerra, a confus\u00e3o e o sofrimento. Se buscarmos imortalidade pessoal, alimentaremos a gan\u00e2ncia por poder que se expressa de muitas formas: nacional, racial, econ\u00f4mica e assim por diante, da\u00ed fluindo grandes desastres com os quais estamos todos familiarizados.<\/p><p>Estivemos discutindo durante estas \u00faltimas oito palestras esses assuntos. \u00c9 preciso compreender a n\u00f3s mesmos, pois na compreens\u00e3o de n\u00f3s mesmos come\u00e7aremos a pensar corretamente, e no processo do pensar correto, descobriremos o que significa viver profundamente e criativamente e compreenderemos aquilo que est\u00e1 al\u00e9m de toda medida. Para viver completa e criativamente deve haver autoconhecimento; e para conhecer, deve haver franqueza e humildade, amor e pensamento livre do medo. A virtude est\u00e1 na liberdade do anseio, e o anseio traz multiplicidade e repeti\u00e7\u00e3o e torna a vida complexa, atormentada e sofrida.<\/p><p>Uma vida simples, como expliquei, n\u00e3o consiste apenas na posse de poucas coisas, mas no sustento correto, livre de distra\u00e7\u00f5es, v\u00edcios e possessividade. A liberdade da gan\u00e2ncia criar\u00e1 meios de sustento correto, mas existem certos meios errados \u00f3bvios. Gan\u00e2ncia, tradi\u00e7\u00e3o e o desejo de poder v\u00e3o gerar os meios de sustento errados. Mesmo nestes tempos em que todos est\u00e3o subordinados a um tipo particular de trabalho, \u00e9 poss\u00edvel encontrar a ocupa\u00e7\u00e3o correta. Cada pessoa deve se conscientizar dos resultados da ocupa\u00e7\u00e3o errada com seus desastres e mis\u00e9rias, rotinas cansativas e m\u00e9todos mortais.<\/p><p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que cada pessoa saiba por si mesma qual \u00e9 o meio correto de sustento? Se somos avarentos, invejosos, buscando poder, ent\u00e3o nosso meio de vida corresponder\u00e1 \u00e0 nossas demandas internas e, assim, produzir\u00e1 um mundo de competi\u00e7\u00e3o, crueldade, opress\u00e3o, terminado, finalmente, em guerra.<\/p><p>Ent\u00e3o, certamente \u00e9 imperativo que cada pessoa refleta sobre seu problema; talvez voc\u00ea n\u00e3o seja capaz de fazer alguma coisa imediatamente, mas ao menos voc\u00ea pode pensar-sentir a respeito disso, o que produzir\u00e1 sua pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o. Talento e capacidade t\u00eam seus pr\u00f3prios perigos, e se n\u00e3o estivermos conscientes, nos tornaremos escravos deles. Essa escravid\u00e3o produz a\u00e7\u00e3o antissocial, trazendo mis\u00e9ria e destrui\u00e7\u00e3o ao homem. Sem compreens\u00e3o correta, talento e capacidade se tornam um fim neles mesmo, e o desastre vem para ele que os tem e para seu companheiro homem.<\/p><p>Sem a descoberta e a compreens\u00e3o do real, n\u00e3o existe alegria criativa, nem paz; nossa vida ser\u00e1 constante disputa e dor; nossas a\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o ter\u00e3o significado; a legisla\u00e7\u00e3o exterior e a compuls\u00e3o nunca produzir\u00e3o riquezas interiores, tesouros imperec\u00edveis. Para compreender o real, temos que estar conscientes do processo de nosso pensamento, do caminho de nossa mem\u00f3ria e das camadas inter relacionadas de nossa consci\u00eancia. Nosso pensamento \u00e9 resultado do passado. Nosso ser est\u00e1 assentado no passado. Organicamente e no pensamento somos c\u00f3pias. Organicamente podemos compreender as c\u00f3pias que somos e podemos, compreendendo-as, entender suas rea\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es imitativas e rea\u00e7\u00f5es. Mas se nosso pensamento-sentimento \u00e9 meramente imitativo, o resultado de simples tradi\u00e7\u00e3o e ambiente, existe pouca esperan\u00e7a de ir al\u00e9m disso. Mas se reconhecermos e compreendermos os limites das influ\u00eancias ambientais e formos capazes de ir al\u00e9m de suas restri\u00e7\u00f5es imitativas, ent\u00e3o descobriremos que existe uma liberdade da c\u00f3pia em que est\u00e1 o real..<\/p><p>Uma c\u00f3pia, uma coisa que \u00e9 montada, o ego, n\u00e3o pode compreender aquilo que n\u00e3o foi constru\u00eddo, o n\u00e3o-criado. S\u00f3 quando a c\u00f3pia, o ego, o \u2018eu\u2019 e o \u2018meu\u2019 cessam pode haver o \u00eaxtase do imperec\u00edvel. O ego pensa-sente em termos de juntar, acumular, experimentar; ele pensa-sente em termos do passado, do futuro, ou de continuar o presente. Esse processo cumulativo de mem\u00f3ria fortalece o ego, o que \u00e9 causa de ignor\u00e2ncia e sofrimento. Sem compreender os caminhos do ego, aqueles de n\u00f3s que s\u00e3o pol\u00edtica e socialmente inclinados, est\u00e3o aptos a sacrificar o presente na esperan\u00e7a de criar um mundo melhor no futuro; ou h\u00e1 alguns que querem dar continuidade ao presente; ou h\u00e1 aqueles que olham para o passado. Sem compreender o ego e transcend\u00ea-lo, todas essas a\u00e7\u00f5es acabar\u00e3o em calamidade. Conscientizando-nos do processo do ego com sua mem\u00f3ria cumulativa, come\u00e7aremos a compreender sua qualidade de liga\u00e7\u00e3o temporal, o anseio por identifica\u00e7\u00e3o continuada. At\u00e9 compreendermos a natureza do ego e transcendermos sua qualidade de liga\u00e7\u00e3o temporal, n\u00e3o pode haver paz, nem felicidade. Como o ego \u00e9, do mesmo modo \u00e9 o ambiente pol\u00edtico e social.<\/p><p>\u00c9 a qualidade de liga\u00e7\u00e3o temporal do ego com sua mem\u00f3ria identificada que deve ser estudada, compreendida e, assim, transcendida. O desejo, especialmente o desejo prazeroso, \u00e9 individualista; e \u00e9 a mem\u00f3ria que d\u00e1 continuidade identificada ao \u2018eu\u2019 e ao \u2018meu\u2019. O pensamento-sentimento, que est\u00e1 sempre em movimento, sempre em fluxo, quando se identifica com o \u2018eu\u2019 e o \u2018meu\u2019, fica atrelado ao tempo, dando continuidade identificada \u00e0 mem\u00f3ria, ao ego. \u00c9 essa mem\u00f3ria, que est\u00e1 sempre crescendo e se multiplicando, que deve ser abandonada. \u00c9 essa mem\u00f3ria que \u00e9 a causa da c\u00f3pia, do movimento do pensamento do conhecido para o conhecido, impedindo assim a realiza\u00e7\u00e3o da verdade, do n\u00e3o-criado. A mem\u00f3ria deve ser como a concha sem um organismo vivo nela. Para descobrir a realidade irreconhec\u00edvel, temos que transcender a qualidade de liga\u00e7\u00e3o ao tempo do ego, a mem\u00f3ria identificada. Essa \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua. Atrav\u00e9s da conscientiza\u00e7\u00e3o meditativa o processo ligado ao tempo da mem\u00f3ria \u00e9 compreendido; atrav\u00e9s da conscientiza\u00e7\u00e3o constante de todo pensamento-sentimento, o anseio por identidade \u00e9 observado e compreendido. Assim, atrav\u00e9s da conscientiza\u00e7\u00e3o passiva e vigilante, o pensamento-sentimento se liberta da qualidade de liga\u00e7\u00e3o ao tempo da mem\u00f3ria do \u2018eu\u2019, do \u2018meu\u2019. Apenas quando o ego deixa de criar surge o n\u00e3o-criado.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0No Bhagavad-Gita, Krishna incita Arjuna e entrar na batalha. Voc\u00ea diz meios corretos para fins corretos. Voc\u00ea se op\u00f5e aos ensinamentos de Krishna?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Talvez alguns de voc\u00eas n\u00e3o tenham ouvido falar deste livro; \u00e9 o livro sagrado dos hindus em que Krishna, suposta manifesta\u00e7\u00e3o de Deus, incita Arjuna a guerrear, entrar na batalha. Agora, o interrogante quer saber se eu me oponho a este ensinamento que incita Arjuna a lutar. Esse ensinamento pode ser interpretado de v\u00e1rias maneiras, cada interpreta\u00e7\u00e3o criando contenda. Podemos pensar em muitas interpreta\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o quero ceder \u00e0 especula\u00e7\u00e3o que seria f\u00fatil. Vamos pensar-sentir sem o fardo mutilador da autoridade espiritual. Isso \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para compreender o real.<\/p><p>Aceitar a autoridade, especialmente em assuntos que se referem ao pensar correto, \u00e9 totalmente insensato. Aceitar a autoridade \u00e9 limitar, obstruir, e a adora\u00e7\u00e3o da autoridade \u00e9 adora\u00e7\u00e3o de si mesmo. \u00c9 uma forma de pregui\u00e7a, neglig\u00eancia, levando \u00e0 ignor\u00e2ncia e ao sofrimento.<\/p><p>Muitos de n\u00f3s desejamos ter um mundo em que haja paz e fraternidade, em que crueldade e guerra n\u00e3o tenham espa\u00e7o, em que haja bondade e toler\u00e2ncia. Como vamos conseguir isso? Para produzir fins corretos, certamente meios corretos devem ser empregados. Se voc\u00ea quiser toler\u00e2ncia, voc\u00ea deve ser tolerante, deve afastar a intoler\u00e2ncia de voc\u00ea. Se voc\u00ea quiser ter paz, voc\u00ea deve usar meios corretos para isso, n\u00e3o m\u00e9todos errados, brutalidade e viol\u00eancia. Isso \u00e9 \u00f3bvio, n\u00e3o? Se voc\u00ea quiser ser amigo do outro, voc\u00ea deve mostrar cortesia e bondade; n\u00e3o deve haver raiva, nem causa de inimizade. Ent\u00e3o voc\u00ea deve usar meios corretos para criar fins corretos, pois no pr\u00f3prio meio est\u00e1 o fim. Eles n\u00e3o est\u00e3o separados; eles n\u00e3o ficam distantes. Assim, se voc\u00ea quiser ter paz no mundo, deve usar m\u00e9todos pac\u00edficos. Voc\u00ea deve ter fins corretos, mas meios errados n\u00e3o v\u00e3o alcan\u00e7\u00e1-los. Certamente esse \u00e9 um fato \u00f3bvio, mas infelizmente n\u00f3s somos levados pela autoridade repetitiva, pela propaganda, pela ignor\u00e2ncia. A coisa em si \u00e9 simples e clara. Se voc\u00ea quiser ter um mundo fraterno, unido, ent\u00e3o voc\u00ea deve afastar as causas de ruptura: inimizade, ci\u00fame, ambi\u00e7\u00e3o, nacionalidade, diferen\u00e7a racial, orgulho e assim por diante. Mas muitos poucos de n\u00f3s querem deixar de lado nosso anseio por poder, nossa religi\u00e3o especializada, nossa m\u00e1 vontade e assim por diante; n\u00e3o queremos abandonar essas coisas e, contudo, queremos paz, um mundo n\u00e3o-competitivo e sensato!<\/p><p>Voc\u00ea n\u00e3o pode ter paz no mundo exceto por meios pac\u00edficos. Voc\u00ea tem que erradicar em si mesmo as causas da inimizade por meios corretos e inteligentes, pelo pensar correto. O autoconhecimento cultiva o pensar correto. Mas como a maioria de n\u00f3s \u00e9 ignorante de si mesmo, e como nosso sentir-pensar \u00e9 contradit\u00f3rio, nosso pensamento \u00e9 n\u00e3o-existente. Assim, somos levados, dirigidos e feitos para aceitar. Atrav\u00e9s da constante conscientiza\u00e7\u00e3o de cada pensamento-sentimento, os caminhos do ego s\u00e3o conhecidos, e a partir do autoconhecimento vem o pensar correto. O pensar correto criar\u00e1 os meios corretos para um mundo sensato e pac\u00edfico.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Como eu me livro do \u00f3dio?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0H\u00e1 perguntas semelhantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ignor\u00e2ncia, \u00e0 raiva, ao ci\u00fame. Respondendo a essa pergunta particular, espero responder \u00e0s outras tamb\u00e9m.<\/p><p>Um problema n\u00e3o pode ser resolvido em seu pr\u00f3prio plano, em seu pr\u00f3prio n\u00edvel. Ele deve ser compreendido e, assim, dissolvido a partir de um n\u00edvel de abstra\u00e7\u00e3o mais profundo e diferente. Se quisermos, simplesmente, nos livrar do \u00f3dio suprimindo-o ou tratando-o como uma coisa cansativa e perturbadora, ent\u00e3o n\u00e3o o dissolveremos; ele vai ocorrer novamente e novamente sob formas diferentes, pois estamos lidando com ele no seu pr\u00f3prio n\u00edvel limitado e trivial. Mas se come\u00e7armos a compreender suas causas internas e seus efeitos externos, e tornarmos nosso pensamento-sentimento mais amplo e mais profundo, mais agu\u00e7ado e mais claro, ent\u00e3o o \u00f3dio desaparecer\u00e1 naturalmente, pois estaremos interessados em mais profundos e mais importantes n\u00edveis de pensamentos-sentimentos.<\/p><p>Se estivermos irados e formos capazes de suprimir isso, ou nos controlarmos de modo que isso n\u00e3o surja outra vez, nossa mente estar\u00e1 ainda t\u00e3o pequena e insens\u00edvel quanto antes. O que foi ganho com esse esfor\u00e7o para n\u00e3o ficar irado se nosso pensamento-sentimento \u00e9 ainda invejoso e medroso, superficial e fechado? Podemos nos livrar do \u00f3dio ou raiva, mas se a mente-cora\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda est\u00fapida e pequena, ela criar\u00e1 novamente outros problemas e outros antagonismos e, assim, n\u00e3o h\u00e1 fim para o conflito. Mas se come\u00e7armos a nos conscientizar e, assim, compreender as causas da raiva e seus efeitos, ent\u00e3o, certamente, estaremos ampliando e libertando o pensamento-sentimento da ignor\u00e2ncia e do conflito. Estando conscientes, come\u00e7aremos a descobrir as causas da raiva ou do \u00f3dio que s\u00e3o medos autoprotetores em diferentes formas. Pela conscientiza\u00e7\u00e3o descobrimos que somos irados, talvez, porque nossa cren\u00e7a particular est\u00e1 sendo atacada; examinando mais, questionamos se a cren\u00e7a, o credo \u00e9 necess\u00e1rio de fato. N\u00f3s nos tornamos mais conscientes do significado mais amplo disso; percebemos como dogmas, ideologias dividem as pessoas, causando antagonismo, v\u00e1rias formas de cru\u00e9is e est\u00fapidos absurdos. Assim, atrav\u00e9s dessa conscientiza\u00e7\u00e3o extensiva, atrav\u00e9s da compreens\u00e3o de sua significa\u00e7\u00e3o interior, a raiva logo definha; atrav\u00e9s desse processo de autoconscientiza\u00e7\u00e3o a mente se tornou mais profunda, calma e mais s\u00e1bia, e as causas do \u00f3dio e da raiva n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o nela. Libertando o pensamento-sentimento da raiva e do \u00f3dio, da gan\u00e2ncia e da m\u00e1 vontade, surge uma bondade, a \u00fanica cura. Essa bondade, compaix\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o resultado de supress\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o, mas a conseq\u00fc\u00eancia de autoconhecimento e pensar correto.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Embora voc\u00ea tenha falado sobre isso, considero a concentra\u00e7\u00e3o extremamente dif\u00edcil. Poderia, por gentileza, examin\u00e1-la outra vez?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0A aten\u00e7\u00e3o interessada n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria se quisermos compreender? Especialmente ela \u00e9 necess\u00e1ria se quisermos compreender a n\u00f3s mesmos, pois nossos pensamentos e sentimentos s\u00e3o muito fugidios, ligeiros e, aparentemente, desconectados. Para compreender a n\u00f3s mesmos uma conscientiza\u00e7\u00e3o extensiva \u00e9 essencial, n\u00e3o uma mente exclusiva com suas rejei\u00e7\u00f5es e julgamentos, n\u00e3o uma concentra\u00e7\u00e3o restrita. Da conscientiza\u00e7\u00e3o extensiva vem o foco, a concentra\u00e7\u00e3o verdadeira.<\/p><p>Agora, por que consideramos a concentra\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil? N\u00e3o \u00e9 porque a maior parte de nosso pensar \u00e9 uma distra\u00e7\u00e3o, uma dissipa\u00e7\u00e3o? Ou pelo h\u00e1bito, pregui\u00e7a, ou por interesses, ou porque nosso pensamento-sentimento n\u00e3o se completou, o pensamento vagueia ou \u00e9 repetitivo. Se ele vagueia devido ao interesse, simplesmente suprimir ou controlar o pensamento tem pouca utilidade, pois tal supress\u00e3o e controle \u00e9 outro fator adicional para mais perturba\u00e7\u00e3o. O pensamento reverter\u00e1 para aquele interesse, conquanto trivial, vezes e vezes at\u00e9 que todo o seu valor cesse. Assim, se o pensamento vagueia devido ao interesse, por que n\u00e3o pens\u00e1-lo at\u00e9 o fim em vez de resistir a ele? Siga com ele, se conscientize de todas as suas implica\u00e7\u00f5es, estude-o desinteressadamente at\u00e9 esse pensamento particular, conquanto est\u00fapido ou trivial, seja compreendido e, assim, dissolvido. Da\u00ed voc\u00ea descobrir\u00e1, atrav\u00e9s desse processo de conscientiza\u00e7\u00e3o extensiva, que pensamentos repetitivos de interesse trivial cessam; e eles cessam apenas quando voc\u00ea conscientemente os pensa-sente completamente, n\u00e3o os suprime. Se o pensamento vagueia por h\u00e1bito, ele \u00e9 indicativo, e se conscientizar dele \u00e9 importante. Se o pensamento-sentimento est\u00e1 preso no h\u00e1bito, ele \u00e9 apenas repeti\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e c\u00f3pia, e n\u00e3o \u00e9 pensamento de fato. Se voc\u00ea examinar tal h\u00e1bito de pensamento, perceber\u00e1 que ele pode ser causado pela educa\u00e7\u00e3o, pelo medo da opini\u00e3o, pela forma\u00e7\u00e3o religiosa, pela influ\u00eancia do ambiente e assim por diante. Ent\u00e3o, seu pensamento segue uma trilha, um padr\u00e3o que revela seu pr\u00f3prio estado de ser. Pode ser por pregui\u00e7a que o pensamento fique vagueando. Novamente, isso \u00e9 muito indicativo, n\u00e3o? Estar c\u00f4nscio da pregui\u00e7a \u00e9 se tornar alerta, mas estar inconsciente dela \u00e9 ser verdadeiramente pregui\u00e7oso. N\u00f3s nos permitimos ser pregui\u00e7osos por uma dieta errada, n\u00e3o dando suficiente aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, ou por circunst\u00e2ncias ou rela\u00e7\u00f5es que nos p\u00f5em a dormir, e assim por diante. Assim, quando nos conscientizamos das causas de nossa pregui\u00e7a, podemos produzir perturba\u00e7\u00f5es internas que t\u00eam efeito externo e, por isso, podemos preferir ser pregui\u00e7osos. Ou o pensamento \u00e9 repetitivo porque ele nunca se permite completar-se. Exatamente como uma carta n\u00e3o acabada se torna fonte de irrita\u00e7\u00e3o, o pensamento-sentimento inacabado se torna repetitivo.<\/p><p>Atrav\u00e9s de constante conscientiza\u00e7\u00e3o, voc\u00ea come\u00e7ar\u00e1 a descobrir por si mesmo por que seu pensamento-sentimento vagueia ou \u00e9 repetitivo, seja por interesse ou h\u00e1bito ou pregui\u00e7a, ou porque ele n\u00e3o \u00e9 completado. Se voc\u00ea seguir seu pensamento-sentimento diligentemente, alertadamente, com aten\u00e7\u00e3o passiva, desinteressada, ocorre uma concentra\u00e7\u00e3o extensiva que \u00e9 essencial para a compreens\u00e3o do real. Uma mente que fica formulando, criando, n\u00e3o pode compreender a cria\u00e7\u00e3o, o n\u00e3o-criado. Como pode uma mente tagarela, barulhenta compreender o imensur\u00e1vel? Qual o valor de uma bela obra de arte para uma crian\u00e7a? Ela vai brincar com ela e logo se cansa. Assim \u00e9 com a maioria de n\u00f3s. N\u00f3s acreditamos ou n\u00e3o acreditamos; temos as experi\u00eancias de outras pessoas e conhecimento. Nossas mentes s\u00e3o triviais, cru\u00e9is, ignorantes. Nossas mentes s\u00e3o fragmentadas, n\u00e3o h\u00e1 integra\u00e7\u00e3o e quietude. Como pode tal mente compreender aquilo que est\u00e1 al\u00e9m de toda medida, al\u00e9m de toda formula\u00e7\u00e3o! Para estar verdadeiramente concentrado, toda avalia\u00e7\u00e3o deve cessar. A conscientiza\u00e7\u00e3o flui para profundos e calmos reservat\u00f3rios de medita\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Eu n\u00e3o devo alguma coisa \u00e0 minha ra\u00e7a, \u00e0 minha na\u00e7\u00e3o, ao meu grupo?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Qual \u00e9 sua na\u00e7\u00e3o, sua ra\u00e7a? Toda pessoa diz \u201cSua na\u00e7\u00e3o, seu grupo, sua ra\u00e7a.\u201d A partir dessa afirma\u00e7\u00e3o descuidada h\u00e1 confus\u00e3o e conflito, sofrimento inenarr\u00e1vel e degrada\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea e eu somos o mesmo; n\u00e3o existe o ocidente e o oriente. N\u00f3s somos seres humanos, n\u00e3o r\u00f3tulos. N\u00f3s criamos artificialmente na\u00e7\u00f5es, ra\u00e7as, grupos em oposi\u00e7\u00e3o a outras na\u00e7\u00f5es, ra\u00e7as e grupos. N\u00f3s os criamos, voc\u00ea e eu, em nossa busca por poder e fama; pela gan\u00e2ncia, m\u00e1 vontade e ignor\u00e2ncia, n\u00f3s criamos barreiras nacionais, raciais e econ\u00f4micas. N\u00f3s nos separamos artificialmente de nossos companheiros homens. Um homem cuidadoso deve alguma coisa \u00e0quilo que \u00e9 o resultado de m\u00e1 vontade e ignor\u00e2ncia? Se voc\u00ea ainda faz parte da na\u00e7\u00e3o, do grupo, da ra\u00e7a, do resultado de medo e gan\u00e2ncia, ent\u00e3o sendo parte, voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pelo sofrimento e crueldade. Ent\u00e3o o que voc\u00ea for \u2013 sua ra\u00e7a, sua na\u00e7\u00e3o, seu grupo ser\u00e1. Ent\u00e3o como voc\u00ea pode dever alguma coisa \u00e0quilo de que faz parte? S\u00f3 quando voc\u00ea se coloca em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 massa, ent\u00e3o em sua resposta individualista, exclusiva, o d\u00e9bito ocorre. Mas certamente tal rea\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa, pois voc\u00ea \u00e9 o grupo, a na\u00e7\u00e3o, a ra\u00e7a; a partir de voc\u00ea ela surgiu; sem voc\u00ea ela n\u00e3o existe.<\/p><p>Ent\u00e3o a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se voc\u00ea est\u00e1 em d\u00e9bito, mas como transcender isso; como ir al\u00e9m das causas que produziram essa exist\u00eancia separativa, exclusiva. Perguntando a si mesmo qual \u00e9 sua obriga\u00e7\u00e3o, seu carma, sua rela\u00e7\u00e3o com a massa, com a na\u00e7\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 fazendo uma pergunta errada que ter\u00e1 apenas uma resposta errada.<\/p><p>Voc\u00ea criou a na\u00e7\u00e3o em seu desejo de auto-adora\u00e7\u00e3o, autoglorifica\u00e7\u00e3o, e qualquer resposta para isso ser\u00e1 ainda condicionada por seu anseio. Uma resposta para um desejo est\u00e1 no pr\u00f3prio desejo. Ent\u00e3o a quest\u00e3o \u00e9 como transcender as respostas de individualidade, das massas, ou da na\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea pode ir acima e al\u00e9m delas apenas por meio da autoconscientiza\u00e7\u00e3o na qual o ego, a causa de conflito, antagonismo e ignor\u00e2ncia, \u00e9 observado desinteressadamente e, assim, compreendido e dissolvido. O pensar correto \u00e9 sua pr\u00f3pria recompensa.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Existem caminhos diferentes para a realidade?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea n\u00e3o colocaria a pergunta diferentemente? Cada um de n\u00f3s tem v\u00e1rias tend\u00eancias, cada tend\u00eancia criando suas pr\u00f3prias dificuldades. Em cada um de n\u00f3s existe uma tend\u00eancia dominante, intelectual, emocional ou sensual.<\/p><p>9 de julho de 1944<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nona Palestra em Oak Grove \u00c9 importante em todas as ocasi\u00f5es e, especialmente, em ocasi\u00f5es de muito sofrimento e confus\u00e3o, encontrar em n\u00f3s mesmos a alegria criativa e a compreens\u00e3o interiores. 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