{"id":1403,"date":"2022-12-18T16:07:18","date_gmt":"2022-12-18T16:07:18","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1403"},"modified":"2022-12-18T16:07:45","modified_gmt":"2022-12-18T16:07:45","slug":"18-06-1944","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1403","title":{"rendered":"18\/06\/1944"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1403\" class=\"elementor elementor-1403\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-262d042c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"262d042c\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f69240\" data-id=\"f69240\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6329cc62 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6329cc62\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Sexta Palestra em Oak Grove<\/strong><\/p><p>Tenho afirmado, em minhas palestras, que o autoconhecimento \u00e9 o come\u00e7o do pensamento correto e, sem o autoconhecimento, o pensamento verdadeiro n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Com o autoconhecimento, vem a compreens\u00e3o; nele est\u00e1 a raiz de toda a compreens\u00e3o. Sem autoconhecimento, n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o do mundo ao nosso redor. Para gerar essa compreens\u00e3o, deve haver empenho correto, pois, sem ela, como expliquei, o pensamento-sentimento sempre estar\u00e1 no conflito da dualidade, do m\u00e9rito e do dem\u00e9rito, o \u2018eu\u2019 e o \u2018meu\u2019 em oposi\u00e7\u00e3o ao \u2018n\u00e3o eu\u2019 e ao \u2018n\u00e3o meu\u2019, o que causa profunda ang\u00fastia e sofrimento. Esse conflito dos opostos sempre existir\u00e1 se o ansiar n\u00e3o for observado, compreendido e transcendido. O anseio pelo mundanismo e pela imortalidade pessoal \u00e9 a causa do sofrimento. Ansiar por eles, em diferentes formas, gera ignor\u00e2ncia, antagonismo e afli\u00e7\u00e3o. O desejo de imortalidade pessoal n\u00e3o \u00e9 apenas a continua\u00e7\u00e3o do \u2018eu\u2019 no futuro, mas tamb\u00e9m no presente, o que se expressa no orgulho da fam\u00edlia, do nome, da posi\u00e7\u00e3o, no desejo por posses, por fama, autoridade, mist\u00e9rio e milagre. O anseio por essas coisas \u00e9 o come\u00e7o da afli\u00e7\u00e3o, e, ao ceder a elas, n\u00e3o h\u00e1 fim para o sofrimento.<\/p><p>Assim, libertar o sentimento-pensamento do ansiar \u00e9 o come\u00e7o da virtude. A virtude \u00e9 negar o \u2018eu\u2019, em vez do positivo vir a ser do \u2018eu\u2019, pois a compreens\u00e3o negativa \u00e9 a forma mais elevada de pensamento-sentimento. O assim chamado vir a ser positivo e as qualidades do \u201ceu\u201d s\u00e3o auto enclausurantes, auto restritivas, e, portanto, nunca h\u00e1 o libertar-se do conflito e da afli\u00e7\u00e3o. O desejo de se tornar, embora nobre e virtuoso, est\u00e1 ainda na estreita esfera do \u2018eu\u2019, e, assim, tal desejo \u00e9 o meio de produzir conflito e confus\u00e3o. Esse processo de constante transforma\u00e7\u00e3o, supostamente positivo, traz a morte, com seus medos e esperan\u00e7as. Libertar do ansiar o pensamento, embora possa parecer nega\u00e7\u00e3o, \u00e9 a ess\u00eancia da virtude, pois esse libertar n\u00e3o est\u00e1 erigindo o processo do \u201ceu\u201d, do \u201cmim\u201d e do \u201cmeu\u201d.<\/p><p>Tornar-se c\u00f4nscio da ignor\u00e2ncia \u00e9 o come\u00e7o da franqueza, da honestidade. Desconhecer a ignor\u00e2ncia gera obstina\u00e7\u00e3o e credulidade. Sem estar c\u00f4nscio da ignor\u00e2ncia, tentar tornar-se honesto s\u00f3 leva a mais confus\u00e3o. Sem o autoconhecimento, a mera sinceridade \u00e9 estreiteza e ingenuidade. Se o indiv\u00edduo come\u00e7a a ser c\u00f4nscio de si mesmo e observa o que \u00e9 franqueza, ent\u00e3o a confus\u00e3o cede \u00e0 clareza. \u00c9 a falta de clareza que leva \u00e0 desonestidade, \u00e0 pretens\u00e3o. Estar c\u00f4nscio das fugas, das distor\u00e7\u00f5es, dos obst\u00e1culos, traz ordem e clareza. A ignor\u00e2ncia, que \u00e9 a falta de autoconhecimento, leva \u00e0 confus\u00e3o, \u00e0 desonestidade. Sem compreender a natureza contradit\u00f3ria do \u2018eu\u2019, ser sincero \u00e9 ser \u00e1spero e produzir mais e mais confus\u00e3o. Por meio do estar c\u00f4nscio e do autoconhecimento, h\u00e1 ordem, clareza e pensamento correto.<\/p><p>A forma mais elevada de pensamento \u00e9 a compreens\u00e3o negativa. Pensar-sentir de forma assertiva, sem compreender o desejo, \u00e9 gerar valores que s\u00e3o separativos, perturbadores e sem criatividade.<\/p><p>O amor, agora, \u00e9 doloroso; estamos c\u00f4nscios de que h\u00e1 no amor tristeza, amargura, desilus\u00e3o; a dor do amor \u00e9 uma tortura; nela conhecemos o medo e o ressentimento. N\u00e3o h\u00e1 como escapar do amor, mas nele h\u00e1 tormento. Os tolos culpam o amor, sem compreender a causa da dor; sem entender esse conflito, n\u00e3o h\u00e1 o transcender a ang\u00fastia. Sem tornar-se c\u00f4nscio da fonte do conflito, do ansiar, o amor traz afli\u00e7\u00e3o. \u00c9 o ansiar, n\u00e3o o amor, que cria depend\u00eancia e todas as quest\u00f5es dolorosas que surgem da\u00ed. \u00c9 o ansiar, no relacionamento, que d\u00e1 origem \u00e0 incerteza, n\u00e3o o amor; e essa incerteza gera possessividade, ci\u00fame e medo. Nessa possessividade, nessa depend\u00eancia, existe um falso senso de unidade, que sustenta e nutre o transit\u00f3rio sentimento de bem-estar; mas isso n\u00e3o \u00e9 amor, pois nele h\u00e1 medo e suspeita. Essa estimula\u00e7\u00e3o externa da aparente unidade \u00e9 parasit\u00e1ria, um vivendo do outro; n\u00e3o \u00e9 amor, pois interiormente h\u00e1 vazio, solid\u00e3o e necessidade de depend\u00eancia.<\/p><p>A depend\u00eancia gera medo, n\u00e3o amor. Sem compreender o desejo, n\u00e3o h\u00e1 domina\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o, tomando a forma de amor? No relacionamento com um ou com muitos, tal amor ao poder e \u00e0 domina\u00e7\u00e3o, com sua submiss\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o, traz conflito, antagonismo e dor. Tendo a semente da viol\u00eancia dentro de si mesmo, como pode haver amor? Tendo a semente da contradi\u00e7\u00e3o e da incerteza dentro de si mesmo, como pode haver amor? O amor est\u00e1 al\u00e9m e acima de tudo isso; transcende a sensualidade. O amor \u00e9 em si mesmo eterno, n\u00e3o dependente, n\u00e3o \u00e9 um resultado. Nele h\u00e1 miseric\u00f3rdia e generosidade, perd\u00e3o e compaix\u00e3o. Com amor, a humildade e a gentileza surgem; sem amor, elas n\u00e3o t\u00eam exist\u00eancia.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Eu j\u00e1 sou introvertido, e parece-me que, pelo que voc\u00ea tem dito, n\u00e3o h\u00e1 o perigo de eu me tornar mais e mais egoc\u00eantrico, mais introvertido?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Se voc\u00ea \u00e9 um introvertido em oposi\u00e7\u00e3o a um extrovertido, ent\u00e3o h\u00e1 um perigo de egocentrismo. Se voc\u00ea se coloca em oposi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o; dessa forma, seus pensamentos, sentimentos e a\u00e7\u00f5es, enclausuram-se em si mesmos, s\u00e3o isolantes. Ao compreender inteligentemente o exterior, voc\u00ea ir\u00e1 inevitavelmente ao interior e, assim, cessa a divis\u00e3o entre o exterior e o interior. Se voc\u00ea se op\u00f5e ao exterior e se apega ao interior, ou se voc\u00ea nega o interior e afirma o exterior, ent\u00e3o h\u00e1 o conflito dos opostos, no qual n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o. Para compreender o exterior, o mundo, voc\u00ea deve come\u00e7ar consigo mesmo, pois voc\u00ea, seus pensamentos e a\u00e7\u00f5es s\u00e3o o resultado tanto do exterior quanto do interior. Voc\u00ea \u00e9 o centro de toda exist\u00eancia objetiva e subjetiva, e, para compreend\u00ea-la, de onde voc\u00ea come\u00e7ar\u00e1, sen\u00e3o com voc\u00ea mesmo? Isso n\u00e3o incentiva o desequil\u00edbrio, pelo contr\u00e1rio, trar\u00e1 compreens\u00e3o criativa, paz interior.<\/p><p>Mas se voc\u00ea nega o exterior, o mundo, se voc\u00ea tenta escapar dele, se voc\u00ea o distorce, moldando-o \u00e0s suas fantasias, ent\u00e3o seu mundo interior \u00e9 uma ilus\u00e3o, que isola e cria obst\u00e1culos. Dessa maneira, \u00e9 um estado de ilus\u00e3o que traz sofrimento. Ser \u00e9 estar relacionado, mas voc\u00ea pode bloquear, distorcer essa rela\u00e7\u00e3o, tornando-se, assim, cada vez mais isolado e autocentrado, o que leva \u00e0 desordem mental. A raiz da compreens\u00e3o est\u00e1 dentro de voc\u00ea, no autoconhecimento.<\/p><p><strong>Interrogante:\u00a0<\/strong>Voc\u00ea, da mesma forma que muitos orientais, parece ser contra a industrializa\u00e7\u00e3o. Por qu\u00ea?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Eu n\u00e3o sei se muitos orientais s\u00e3o contra a industrializa\u00e7\u00e3o, e, se s\u00e3o, n\u00e3o sei quais seriam as suas raz\u00f5es; mas penso ter explicado porque considero que a mera industrializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para o nosso problema humano, com seus conflitos e tristezas. A mera industrializa\u00e7\u00e3o estimula os valores dos sentidos \u2013 banheiros maiores e melhores, carros maiores e melhores, distra\u00e7\u00f5es, divers\u00f5es e tudo o mais. Valores externos e temporais adquirem preced\u00eancia sobre o valor eterno. A felicidade, a paz, \u00e9 procurada em posses, feitas pela m\u00e3o ou pela mente, com o apego a coisas e ao mero conhecimento. Caminhe por qualquer rua principal, e voc\u00ea ver\u00e1 loja ap\u00f3s loja vendendo a mesma coisa, em diferentes cores e formas \u2013 in\u00fameras revistas e milhares de livros. Queremos ser distra\u00eddos, entretidos, levados para longe de n\u00f3s mesmos, pois somos muito pobres e infelizes, vazios e tristes. E onde h\u00e1 demanda, h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o e a tirania da m\u00e1quina. E pensamos que pela mera industrializa\u00e7\u00e3o iremos resolver o problema econ\u00f4mico e social. Iremos? Temporariamente, sim, mas com isso v\u00eam as guerras, as revolu\u00e7\u00f5es, a opress\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o, trazendo a assim chamada civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 a industrializa\u00e7\u00e3o, com todas as suas implica\u00e7\u00f5es \u2013 para os n\u00e3o-civilizados.<\/p><p>A industrializa\u00e7\u00e3o e a m\u00e1quina est\u00e3o aqui, voc\u00ea n\u00e3o pode acabar com elas; elas assumem o seu devido lugar apenas quando o homem n\u00e3o \u00e9 dependente de coisas para a sua felicidade, apenas quando ele cultiva as riquezas interiores, os imperec\u00edveis tesouros da verdade. Sem estes, a mera industrializa\u00e7\u00e3o traz horrores incalcul\u00e1veis; com tesouros internos, a industrializa\u00e7\u00e3o tem um significado. Este problema n\u00e3o \u00e9 de nenhum pa\u00eds ou ra\u00e7a; \u00e9 uma quest\u00e3o humana. Sem o poder do equil\u00edbrio da compaix\u00e3o e da n\u00e3o-mundanidade, voc\u00ea ter\u00e1, atrav\u00e9s do mero aumento da produ\u00e7\u00e3o de coisas, de fatos e de t\u00e9cnica, guerras maiores e melhores, opress\u00e3o econ\u00f4mica e fronteiras de pot\u00eancias, modos mais sutis de engano, desuni\u00e3o e tirania.<\/p><p>Uma pedra pode mudar o curso de um rio; portanto, alguns que compreendam talvez possam desviar esse curso terr\u00edvel do ente humano. Mas \u00e9 dif\u00edcil resistir \u00e0 press\u00e3o constante da civiliza\u00e7\u00e3o moderna, a menos que se esteja constantemente c\u00f4nscio e, assim, esteja descobrindo os tesouros que s\u00e3o imperec\u00edveis.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea acha que a medita\u00e7\u00e3o em grupo \u00e9 \u00fatil?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Qual \u00e9 o prop\u00f3sito da medita\u00e7\u00e3o? O pensar correto n\u00e3o \u00e9 a base para a descoberta do supremo? Com o pensamento correto, o incognosc\u00edvel, o incomensur\u00e1vel, surge. Voc\u00ea deve descobri-lo, e, para o descobrir, sua mente tem de ser totalmente n\u00e3o influenciada. Sua mente tem de estar completamente silenciosa, im\u00f3vel, e criativamente vazia. A mente deve libertar-se do passado, das influ\u00eancias condicionadoras, cessar de criar valor. Voc\u00ea \u00e9 o \u00fanico e os muitos, o grupo e o indiv\u00edduo; voc\u00ea \u00e9 o resultado do passado. N\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o de todo esse processo, a n\u00e3o ser por meio do resultado; voc\u00ea deve estudar e examinar o resultado, que \u00e9 voc\u00ea mesmo. Para observar, voc\u00ea tem de ser desapegado, n\u00e3o influenciado, deixar de ser um escravo da propaganda, a sutil e a vulgar. A influ\u00eancia do ambiente molda o pensamento-sentimento, e disso tamb\u00e9m tem de haver liberdade, para que se descubra a verdade \u2013 s\u00f3 ela liberta. Qu\u00e3o facilmente somos persuadidos a acreditar ou n\u00e3o acreditar, a agir ou n\u00e3o agir; revistas, jornais, cinemas, r\u00e1dios, moldam diariamente nosso sentimento-pensamento, e qu\u00e3o poucos conseguem escapar de sua influ\u00eancia limitadora!<\/p><p>Um grupo religioso acredita nisso e outro naquilo; seus pensamentos-sentimentos s\u00e3o imitativos, influenciados, moldados. Nessa confus\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o imitativas, que esperan\u00e7a h\u00e1 de encontrar o verdadeiro? Para compreender essa louca confus\u00e3o, o sentimento-pensamento tem de se livrar dela e, assim, tornar-se claro, imparcial e simples. Para descobrir a verdade, a mente-cora\u00e7\u00e3o tem de se libertar da tirania do passado; deve tornar-se puramente s\u00f3. Qu\u00e3o facilmente a coletividade, a congrega\u00e7\u00e3o, \u00e9 usada, persuadida e drogada! A descoberta da verdade n\u00e3o deve ser organizada; a verdade deve ser buscada por cada um, n\u00e3o por coa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o incentivada por recompensa ou puni\u00e7\u00e3o. Quando a mente deixa de inventar, h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>A cren\u00e7a em Deus n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria neste mundo terr\u00edvel e implac\u00e1vel?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Temos acreditado em Deus por s\u00e9culos e s\u00e9culos, mas ainda assim criamos um mundo terr\u00edvel. O selvagem e o sacerdote altamente civilizado acreditam em Deus. O primitivo mata com arcos e flechas e dan\u00e7a loucamente; o sacerdote civilizado aben\u00e7oa os navios de guerra e os bombardeiros, e os racionaliza. N\u00e3o estou dizendo isso com esp\u00edrito c\u00ednico e desdenhoso; ent\u00e3o, por favor, n\u00e3o sorria. \u00c9 um assunto grave. Ambos acreditam, e tamb\u00e9m h\u00e1 o outro que \u00e9 descrente, mas ele tamb\u00e9m recorre ao exterm\u00ednio daqueles que est\u00e3o em seu caminho. Apegar-se a uma cren\u00e7a ou a uma ideologia n\u00e3o elimina a matan\u00e7a, a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, tem havido e continua a haver terr\u00edveis e implac\u00e1veis guerras, \u200b\u200bdestrui\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o, em nome da paz, em nome de Deus. Se pudermos deixar de lado essas cren\u00e7as e ideologias conflitantes e produzir uma mudan\u00e7a profunda em nossa vida cotidiana, haver\u00e1 uma chance de um mundo melhor. \u00c9 a nossa vida cotidiana que traz essa e outras cat\u00e1strofes e horrores; nossa falta de considera\u00e7\u00e3o, nossos privil\u00e9gios e barreiras nacionais e econ\u00f4micas exclusivas, nossa falta de boa vontade e compaix\u00e3o, trouxeram essas guerras e outros desastres. A mundanidade ir\u00e1 constantemente irromper em caos e sofrimento.<\/p><p>Somos o resultado do passado, e, sem compreend\u00ea-lo, construir sobre ele \u00e9 convidar a um desastre. A mente, que \u00e9 um resultado, um agregado, n\u00e3o pode esperar compreender aquilo que n\u00e3o \u00e9 inventado, aquilo que \u00e9 sem causa, atemporal. Para compreender o incriado, a mente tem de deixar de criar. Uma cren\u00e7a \u00e9 sempre do passado, do que \u00e9 inventado, e tal cren\u00e7a se torna um obst\u00e1culo \u00e0 experi\u00eancia do real. Quando o pensamento-sentimento \u00e9 ancorado, tornado dependente, a compreens\u00e3o da verdade n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Tem de haver um estar livre do passado, amplo e est\u00e1vel, um fluxo espont\u00e2neo de sil\u00eancio; nisso apenas o real pode florescer. Quando voc\u00ea v\u00ea um p\u00f4r do sol, nesse momento de beleza h\u00e1 uma alegria espont\u00e2nea e criativa. Quando deseja repetir essa experi\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 alegria no p\u00f4r do sol; voc\u00ea tenta receber essa mesma felicidade criativa, mas ela n\u00e3o est\u00e1 ali. Sua mente, n\u00e3o esperando, n\u00e3o querendo, foi capaz de receber, mas, tendo recebido, tem ganas por mais, e \u00e9 essa gan\u00e2ncia que cega. A cobi\u00e7a \u00e9 acumulativa e sobrecarrega a mente-cora\u00e7\u00e3o; est\u00e1 sempre acumulando, armazenando. O pensamento-sentimento corrompe-se pela gan\u00e2ncia, pelas ondas corrosivas da mem\u00f3ria. Apenas por meio do profundo estar c\u00f4nscio \u00e9 que esse processo do passado \u00e9 encerrado. A gan\u00e2ncia, como o prazer, \u00e9 sempre separativa, limitante, e como pode o pensamento nascido da gan\u00e2ncia compreender aquilo que \u00e9 imensur\u00e1vel?<\/p><p>Em vez de fortalecer cren\u00e7as e ideologias, torne-se c\u00f4nscio de seus sentimentos-pensamentos, pois a partir deles surgem os problemas da vida. O que voc\u00ea \u00e9 o mundo \u00e9; se voc\u00ea \u00e9 cruel, lascivo, ignorante, ganancioso, assim \u00e9 o mundo. Sua cren\u00e7a ou sua descren\u00e7a em Deus \u00e9 de pouca import\u00e2ncia, pois, por seus pensamentos-sentimentos-a\u00e7\u00f5es, voc\u00ea torna o mundo terr\u00edvel e implac\u00e1vel, pac\u00edfico e compassivo, b\u00e1rbaro ou s\u00e1bio.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Qual \u00e9 a fonte do desejo?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0A percep\u00e7\u00e3o, o contato, a sensa\u00e7\u00e3o, o querer e a identifica\u00e7\u00e3o causam desejo. A fonte do desejo \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o em suas formas mais baixas e mais elevadas. E quanto mais voc\u00ea exige para estar sensualmente satisfeito, mais tem de mundanidade, que procura continuidade no futuro. Uma vez que a exist\u00eancia \u00e9 sensa\u00e7\u00e3o, o que temos de fazer \u00e9 compreend\u00ea-la, n\u00e3o nos tornar escravos dela; compreend\u00ea-la, para libertar o pensamento, para transcender em consci\u00eancia pura. O desejo de estar satisfeito tem de produzir os meios de satisfa\u00e7\u00e3o, a qualquer custo. Tal demandar, tal ansiar pode ser observado, estudado, inteligentemente compreendido e transcendido. Ser escravizado pelo ansiar \u00e9 ser ignorante, e o sofrimento \u00e9 o seu resultado.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Voc\u00ea n\u00e3o acha que existe no ente humano um princ\u00edpio de destrui\u00e7\u00e3o, independentemente de sua vontade de destruir e de seu desejo, ao mesmo tempo, pela vida? A vida em si parece ser um processo de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Em todos n\u00f3s h\u00e1 a vontade adormecida de destruir \u2013 como raiva e m\u00e1 vontade, que, ampliadas, levam a cat\u00e1strofes mundiais \u2013 e tamb\u00e9m dentro de n\u00f3s h\u00e1 o desejo de ser atencioso e compassivo. Portanto, h\u00e1 em a\u00e7\u00e3o dentro de n\u00f3s esse processo dual, um conflito aparentemente intermin\u00e1vel. O interrogante quer saber se a pr\u00f3pria vida n\u00e3o parece ser um processo destrutivo. Sim, \u00e9, se compreendermos a destrui\u00e7\u00e3o com o significado de que na nega\u00e7\u00e3o se encontra a maior compreens\u00e3o. Essa nega\u00e7\u00e3o \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o daqueles valores que s\u00e3o baseados no positivo, no \u201ceu\u201d e no \u201cmeu\u201d. Enquanto a vida for o vir a ser, envolvida pelo pensamento-sentimento de \u201ceu\u201d e \u201cmeu\u201d, ela se torna um processo destrutivo, cruel e sem criatividade. O vir a ser positivo e assertivo \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o transacionar com morte, o que \u00e9 obviamente evidente no mundo atual. A vida vivida positivamente como o \u201ceu\u201d e o \u201cmeu\u201d \u00e9 conflitante e destrutiva. Quando a esse positivo, agressivo querer ou n\u00e3o querer \u00e9 posto um fim, h\u00e1 a consci\u00eancia do medo, da morte, do nada. Mas se o pensamento puder ir acima e al\u00e9m desse medo, ent\u00e3o h\u00e1 a verdade \u00faltima.<\/p><p>18 de junho de 1944<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta Palestra em Oak Grove Tenho afirmado, em minhas palestras, que o autoconhecimento \u00e9 o come\u00e7o do pensamento correto e, sem o autoconhecimento, o pensamento verdadeiro n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Com o autoconhecimento, vem a compreens\u00e3o; nele est\u00e1 a raiz de toda a compreens\u00e3o. Sem autoconhecimento, n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o do mundo ao nosso redor. 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