{"id":1359,"date":"2022-12-18T16:03:13","date_gmt":"2022-12-18T16:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1359"},"modified":"2022-12-18T16:03:41","modified_gmt":"2022-12-18T16:03:41","slug":"21-05-1944","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1359","title":{"rendered":"21\/05\/1944"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1359\" class=\"elementor elementor-1359\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-769b7e86 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"769b7e86\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7336b031\" data-id=\"7336b031\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-635aa2cf elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"635aa2cf\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Segunda palestra em Oak Grove<\/strong><\/p><p>No \u00faltimo Domingo eu estava tentando explicar o que \u00e9 o pensamento correto e como\u00a0come\u00e7\u00e1-lo.\u00a0Eu disse que a menos que haja autoconsci\u00eancia, autoconhecimento de todos os motivos, inten\u00e7\u00f5es e instintos, pensamento-sentimento n\u00e3o possui fundamento verdadeiro, e que sem esse fundamento n\u00e3o h\u00e1 pensamento correto. O autoconhecimento \u00e9 o inicio do entendimento. E como somos \u2013 o mundo \u00e9. Isto \u00e9, se somos gananciosos, invejosos, competitivos, nossa sociedade ser\u00e1 competitiva, invejosa e gananciosa, o que criar\u00e1 mis\u00e9ria e guerra. O Estado \u00e9 o que n\u00f3s somos. Para criar ordem e paz, precisamos come\u00e7ar com n\u00f3s mesmos e n\u00e3o com a sociedade, n\u00e3o com o Estado, pois n\u00f3s somos o mundo. E n\u00e3o \u00e9 ego\u00edsmo pensar que cada um deve primeiro entender e mudar a si mesmo para ajudar o mundo. Voc\u00ea n\u00e3o consegue ajudar o outro a menos que conhe\u00e7a a si mesmo. Atrav\u00e9s da autoconsci\u00eancia perceber\u00e1 que em si est\u00e1 o todo.<\/p><p>Se quisermos criar uma sociedade saud\u00e1vel\u00a0e feliz, precisamos come\u00e7ar com n\u00f3s mesmos e n\u00e3o com o outro, n\u00e3o fora de n\u00f3s, mas com n\u00f3s mesmos. Ao inv\u00e9s de dar import\u00e2ncia aos nomes, r\u00f3tulos, termos \u2013 que criam confus\u00e3o \u2013 devemos libertar a mente deles e olhar desapegadamente. At\u00e9 que entendamos e\u00a0avancemos\u00a0al\u00e9m de n\u00f3s mesmos, exclusividades<em>\u00a0<\/em>de todos os tipos existir\u00e3o<em>.<\/em>\u00a0N\u00f3s vemos sobre n\u00f3s, e em n\u00f3s, desejos e a\u00e7\u00f5es que resultam em relacionamentos estreitos<em>.<\/em>\u00a0Antes de entendermos que tipo de esfor\u00e7o devemos fazer para nos entender, devemos nos tornar conscientes do tipo de esfor\u00e7o que estamos fazendo agora. N\u00e3o \u00e9 verdade que nosso esfor\u00e7o agora se\u00a0constitui\u00a0em constante se tornar, em escapar de um oposto para o outro? N\u00f3s vivemos em uma s\u00e9rie de conflitos de a\u00e7\u00e3o e resposta, de querer e n\u00e3o querer. Nosso esfor\u00e7o \u00e9 gasto em se tornar e n\u00e3o se tornar. Vivemos em um estado de dualidade. Como surge essa dualidade? Se pudermos entender isto, talvez poderemos transcend\u00ea-la e descobrir um estado diferente de ser. Como surge este conflito dolorido dentro de n\u00f3s entre bem e mal, esperan\u00e7a e medo, amor e \u00f3dio, o \u201ceu\u201d e o n\u00e3o \u201ceu\u201d? Eles n\u00e3o s\u00e3o criados pela nossa \u00e2nsia em se tornar? Esta \u00e2nsia se expressa na forma de sensualidade, em mundanismo, ou em busca pessoal por fama ou imortalidade. Na tentativa de se tornar, n\u00e3o acabamos criando o posto? A menos que entendamos este conflito de opostos, qualquer esfor\u00e7o trar\u00e1 apenas formas diferentes e variadas de condi\u00e7\u00f5es cheias de sofrimento. Ent\u00e3o devemos usar os meios corretos para transcender este conflito. Meios errados ir\u00e3o produzir fins errados; apenas os meios corretos ir\u00e3o produzir fins corretos. Se queremos paz no mundo, devemos usar m\u00e9todos pac\u00edficos, por\u00e9m, parecemos invariavelmente usar m\u00e9todos errados na esperan\u00e7a de produzir os fins corretos.<\/p><p>A menos que entendamos esse problema de opostos com seus conflitos e mis\u00e9rias, nossos esfor\u00e7os ser\u00e3o em v\u00e3o. Atrav\u00e9s da autoconsci\u00eancia o desejo de se tornar, a causa do conflito, deve ser observado e entendido; mas o entendimento cessa se houver identifica\u00e7\u00e3o, se h\u00e1 aceita\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o ou compara\u00e7\u00e3o. Com desapego gentil, o desejo deve ser profundamente entendido e ent\u00e3o transcendido. Pois uma mente que \u00e9 apegada ao desejo, \u00e0 dualidade, n\u00e3o pode compreender a realidade. A mente deve estar extremamente quieta e essa quietude n\u00e3o pode ser induzida, disciplinada ou obrigada por qualquer t\u00e9cnica. Essa quietude s\u00f3 surge atrav\u00e9s da compreens\u00e3o do conflito. E voc\u00ea n\u00e3o pode obrigar o conflito a cessar. Voc\u00ea n\u00e3o pode, por vontade, fazer ele chegar ao fim. Voc\u00ea pode encobri-lo, escond\u00ea-lo, mas ele vai aparecer novamente e novamente. Uma doen\u00e7a deve ser curada, mas tratar apenas o sintoma \u00e9 de pouca utilidade. Somente quando nos tornamos conscientes da causa do conflito, o compreendemos e o transcendemos, podemos experimentar aquilo que \u00e9. Tomar consci\u00eancia \u00e9 pensar e sentir os opostos tanto quanto poss\u00edvel, t\u00e3o ampla e profundamente quanto poss\u00edvel, sem aceita\u00e7\u00e3o ou nega\u00e7\u00e3o, com consci\u00eancia livre de escolha. Nesta consci\u00eancia expansiva, voc\u00ea descobrir\u00e1 que surge um novo tipo de \u00edmpeto ou um novo sentido, uma nova compreens\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 gerada a partir dos opostos.<\/p><p>O pensamento correto cessa quando o pensamento-sentimento est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o, preso nos opostos. Se voc\u00ea se tornar consciente de seus pensamentos e sentimentos, suas a\u00e7\u00f5es e respostas, voc\u00ea vai perceber que eles est\u00e3o presos no conflito de opostos. A medida que cada pensamento surge, pense e sinta-o completamente, sem identifica\u00e7\u00e3o. Esta consci\u00eancia expansiva pode ocorrer apenas quando voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 negando, quando voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 rejeitando, nem aceitando e nem comparando. Atrav\u00e9s desta consci\u00eancia expansiva, ser\u00e1 descoberto um estado de ser que \u00e9 livre do conflito de todos os opostos. Esse entendimento criativo deve ser descoberto, e \u00e9 esse entendimento que liberta a mente do desejo. \u00c9 essa consci\u00eancia expandida em que n\u00e3o h\u00e1 o tornar-se, com sua esperan\u00e7a e medo, realiza\u00e7\u00e3o e fracasso, com sua dor e prazer velados, que libertar\u00e1 o pensamento-sentimento da ignor\u00e2ncia e da tristeza.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Como \u00e9 poss\u00edvel aprender concentra\u00e7\u00e3o de verdade?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Muitas coisas est\u00e3o envolvidas nesta quest\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 preciso ser paciente e ouvi-la por inteiro. O que \u00e9 medita\u00e7\u00e3o de verdade? N\u00e3o \u00e9 o come\u00e7o do autoconhecimento? Sem autoconhecimento, pode haver concentra\u00e7\u00e3o verdadeira, medita\u00e7\u00e3o correta? Medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a menos que voc\u00ea comece a se conhecer. Para conhecer a si mesmo, voc\u00ea deve se tornar meditativamente consciente, o que requer um tipo peculiar de concentra\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o a concentra\u00e7\u00e3o de exclusividade com a qual a maioria de n\u00f3s se sacia quando pensamos que estamos meditando. A medita\u00e7\u00e3o correta \u00e9 a compreens\u00e3o de si mesmo com todos os problemas de incerteza e conflito, mis\u00e9ria e afli\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Suponho que alguns de n\u00f3s tenham meditado ou tentado se concentrar. O que acontece quando estamos tentando nos concentrar? Muitos pensamentos surgem, um ap\u00f3s o outro, se amontoando, sem serem convidados. Tentamos fixar nosso pensamento em um objeto ou ideia ou sentimento e tentamos excluir todos os outros pensamentos e sentimentos. Este processo de concentra\u00e7\u00e3o ou fixa\u00e7\u00e3o em um ponto \u00e9 geralmente considerado necess\u00e1rio para a medita\u00e7\u00e3o. Este m\u00e9todo de exclusividade inevitavelmente falhar\u00e1, pois mant\u00e9m o conflito dos opostos; pode ter sucesso moment\u00e2neo, mas enquanto a dualidade existe no pensamento-sentimento, a concentra\u00e7\u00e3o deve levar \u00e0 limita\u00e7\u00e3o, teimosia e ilus\u00e3o.<\/p><p>O controle do pensamento n\u00e3o traz o pensamento correto; o mero controle do pensamento n\u00e3o \u00e9 medita\u00e7\u00e3o correta. Certamente, devemos primeiro descobrir por que a mente realmente vagueia. Ela vagueia, ou \u00e9 repetitiva, tanto por causa do interesse como do h\u00e1bito ou da pregui\u00e7a, ou porque o pensamento-sentimento n\u00e3o se saciou. Se \u00e9 por interesse, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o ser\u00e1 capaz de subjug\u00e1-lo; apesar de ter sucesso momentaneamente, o pensamento retornar\u00e1 aos seus interesses e por isso suas distra\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o voc\u00ea deve perseguir esse interesse, pensar sobre ele, senti-lo \u2013 completamente \u2013 e assim, compreender todo o conte\u00fado desse interesse, por mais trivial e est\u00fapido que seja. Se esta distra\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado do h\u00e1bito, ent\u00e3o \u00e9 muito indicativo; indica, n\u00e3o \u00e9 mesmo, que sua mente est\u00e1 presa em mero h\u00e1bito, em meros padr\u00f5es de pensamento e, portanto, n\u00e3o est\u00e1 pensando de fato. Uma mente que est\u00e1 aprisionada ao h\u00e1bito ou \u00e0 pregui\u00e7a indica que est\u00e1 funcionando mecanicamente, impensadamente, e qual o valor de agir impensadamente, ainda que sob controle? Quando o pensamento \u00e9 repetitivo, ent\u00e3o indica que o pensamento-sentimento n\u00e3o se satisfez e at\u00e9 que isso aconte\u00e7a ser\u00e1 recorrente. Atrav\u00e9s da conscientiza\u00e7\u00e3o de seus pensamentos-sentimentos, voc\u00ea vai descobrir que h\u00e1 um dist\u00farbio geral, uma agita\u00e7\u00e3o; a partir da consci\u00eancia das causas das perturba\u00e7\u00f5es, surge um autoconhecimento e um pensamento correto, que s\u00e3o a base para a verdadeira medita\u00e7\u00e3o. Sem autoconhecimento, autoconsci\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 medita\u00e7\u00e3o, e sem medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 autoconhecimento.<\/p><p>A verdadeira concentra\u00e7\u00e3o vem com o autoconhecimento. Voc\u00ea pode criar fixa\u00e7\u00f5es nobres e ser totalmente absorvido nelas, mas isso n\u00e3o traz compreens\u00e3o. Isso n\u00e3o leva \u00e0 descoberta do real. Pode produzir benevol\u00eancia ou certas qualidades desej\u00e1veis, mas fixa\u00e7\u00f5es nobres s\u00f3 fortalecem ainda mais a ilus\u00e3o, e uma mente que est\u00e1 presa aos opostos n\u00e3o pode entender o todo. Em vez de desenvolver o exclusivo processo de contra\u00e7\u00e3o, deixe seu pensamento-sentimento fluir, entenda cada vibra\u00e7\u00e3o, cada movimento dele. Pense-o, sinta-o o mais amplamente e profundamente poss\u00edvel. Ent\u00e3o voc\u00ea descobrir\u00e1 que desta conscientiza\u00e7\u00e3o vem a concentra\u00e7\u00e3o expansiva, uma medita\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 mais um \u201ctornar-se\u201d e sim um \u201cser\u201d. Mas essa consci\u00eancia expansiva demanda vigor para continuar durante todo o dia e n\u00e3o apenas durante um per\u00edodo definido. Voc\u00ea deve se tornar vigoroso e experiment\u00e1-la, pois, ela n\u00e3o \u00e9 para ser colhida de livros, atrav\u00e9s de reuni\u00f5es ou seguindo uma t\u00e9cnica. Isso vem atrav\u00e9s da autoconsci\u00eancia, atrav\u00e9s do autoconhecimento. O significado verdadeiro do que \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o se torna de enorme import\u00e2ncia. Este processo de autoconsci\u00eancia n\u00e3o deve limitar-se a certos per\u00edodos do dia, mas ser cont\u00ednuo. A partir desta consci\u00eancia meditativa surge uma profunda quietude, na qual s\u00f3 apenas existe o verdadeiro. Esta quietude da mente n\u00e3o \u00e9 o resultado de exclusividade, da contra\u00e7\u00e3o, de deixar de lado cada pensamento e sentimento e concentra-se em tornar a mente quieta. Voc\u00ea pode impor quietude \u00e0 mente, mas \u00e9 a quietude da morte, sem criatividade, estagnada, e nesse estado n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descobrir aquilo que \u00e9.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Como algu\u00e9m pode estar livre de qualquer problema que seja perturbador?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Para entender qualquer problema, devemos dar nossa aten\u00e7\u00e3o total a ele. Tanto o consciente como o inconsciente, ou a mente interior, devem participar na solu\u00e7\u00e3o dele, mas a maioria de n\u00f3s infelizmente tenta dissolver os problemas superficialmente, isto \u00e9, com aquela pequena parte da mente que chamamos de mente consciente, apenas com o intelecto. Por\u00e9m, nossa consci\u00eancia ou nossa mente-sentimento \u00e9 como um iceberg, a maior parte dela est\u00e1 escondida nas profundezas, apenas uma fra\u00e7\u00e3o dela aparece na superf\u00edcie. Estamos familiarizados com essa camada superficial, mas ela \u00e9 uma conhecida confusa; da parte maior, o inconsciente profundo, a parte interna, n\u00f3s dificilmente estamos conscientes. Ou, se estamos, ela se torna consciente atrav\u00e9s de sonhos, atrav\u00e9s de sinais ocasionais, mas esses sonhos e sugest\u00f5es traduzimos interpretando de acordo com nossos preconceitos e as nossas sempre limitadas capacidades intelectuais. E ent\u00e3o esses sinais perdem seu significado profundo e puro.<\/p><p>Se quisermos realmente entender nosso problema, precisamos primeiro limpar a confus\u00e3o no consciente, na mente superficial, pensando e sentindo-a t\u00e3o amplamente e inteligentemente quanto poss\u00edvel, de forma abrangente e desapegada. Ent\u00e3o nessa consci\u00eancia limpa, aberta e alerta, a mente interior pode se projetar. Quando os conte\u00fados das muitas camadas de consci\u00eancia forem assim reunidos e assimilados, s\u00f3 ent\u00e3o o problema deixa de existir.<\/p><p>Vamos dar um exemplo. A maioria de n\u00f3s \u00e9 educada no esp\u00edrito nacionalista. N\u00f3s somos educados a amar nosso pa\u00eds em oposi\u00e7\u00e3o a outro, a considerar nosso povo como superior a outro e assim por diante. Esta superioridade ou orgulho \u00e9 implantado na mente desde a inf\u00e2ncia e n\u00f3s a aceitamos, vivemos com ela e a toleramos. Com essa camada fina que chamamos de mente consciente, vamos entender esse problema e seu significado mais profundo. N\u00f3s aceitamos, em primeiro lugar, atrav\u00e9s de influ\u00eancias ambientais pelas quais somos condicionados. Al\u00e9m disso, esse esp\u00edrito nacionalista alimenta nossa vaidade. A afirma\u00e7\u00e3o de que somos desta ou daquela ra\u00e7a ou pa\u00eds alimenta nossos insignificantes, pequenos e pobres egos; os inflam como velas, e estamos prontos para defender, matar ou ser mutilados por nosso pa\u00eds, ra\u00e7a e ideologia. Ao nos identificarmos com aquilo que n\u00f3s consideramos ser grandioso, esperamos nos tornar grandiosos. Mas ainda assim permanecemos pobres; \u00e9 s\u00f3 o r\u00f3tulo que aparenta ser grande e poderoso. Esse esp\u00edrito nacionalista \u00e9 usado para fins econ\u00f4micos e tamb\u00e9m, atrav\u00e9s do \u00f3dio e do medo, para unir um povo contra outro. Assim, quando nos conscientizamos desse problema e de suas implica\u00e7\u00f5es, percebemos seus efeitos: guerra, mis\u00e9ria, fome, confus\u00e3o. Ao adorar a parte, que \u00e9 id\u00f3latra, n\u00f3s negamos o todo. Essa nega\u00e7\u00e3o da unidade humana gera guerras e brutalidades sem fim, divis\u00e3o econ\u00f4mica e social e tirania.<\/p><p>Entendemos tudo isso intelectualmente, com aquela camada fina que chamamos de mente consciente, mas ainda estamos presos na tradi\u00e7\u00e3o, opini\u00e3o, conveni\u00eancia, medo e assim por diante. At\u00e9 que as camadas profundas sejam expostas e compreendidas, n\u00e3o estamos livres da doen\u00e7a do nacionalismo e do patriotismo.<\/p><p>Assim, ao examinar este problema, limpamos a camada superficial do consciente na qual as camadas mais profundas podem fluir. Esse fluxo \u00e9 fortalecido por meio de constante consci\u00eancia \u2013 observando cada resposta, cada est\u00edmulo do nacionalismo ou de qualquer outro obst\u00e1culo. Cada resposta, por menor que seja, deve ser pensada, percebida, amplamente e profundamente. Assim, voc\u00ea logo perceber\u00e1 que o problema est\u00e1 dissolvido e o esp\u00edrito nacionalista secou. Todos os conflitos e mis\u00e9rias podem ser entendidos e dissolvidos desta maneira \u2013 para limpar a fina camada do consciente, pensando e sentindo o problema de forma t\u00e3o abrangente quanto poss\u00edvel; nessa claridade, nessa quietude comparativa, os motivos, inten\u00e7\u00f5es e medos mais profundos e assim por diante podem se projetar; a medida que eles aparecem examine-os, estude-os e compreenda-os. Assim, o obst\u00e1culo, o conflito, a tristeza \u00e9 profunda e totalmente entendida e dissolvida.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Por favor, elucide a ideia de \u201ccerteza em nega\u00e7\u00e3o\u201d. Voc\u00ea falou de pensamento negativo e positivo. Voc\u00ea quer dizer que quando somos positivos, fazemos declara\u00e7\u00f5es que s\u00e3o sem valor porque s\u00e3o limitadas e presun\u00e7osas; enquanto quando somos negativos, somos abertos ao pensamento porque estamos cansados de tradi\u00e7\u00f5es e capazes de investigar o novo? Ou voc\u00ea quer dizer que devemos ser positivos por n\u00e3o haver escolha entre o verdadeiro e o falso, e essa nega\u00e7\u00e3o significa tornar-se parte da harmoniza\u00e7\u00e3o?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Eu disse que na nega\u00e7\u00e3o h\u00e1 certeza. Vamos expandir essa ideia. Quando nos tornamos conscientes de n\u00f3s mesmos, percebemos que estamos em um estado de autocontradi\u00e7\u00e3o, de querer e n\u00e3o querer, amando e odiando, e assim por diante. Pensamentos e a\u00e7\u00f5es nascidos dessa autocontradi\u00e7\u00e3o s\u00e3o considerados positivos, mas \u00e9 positivo quando o pensamento se contradiz? Por causa do nosso treinamento religioso, estamos certos de que n\u00e3o devemos matar, mas acabamos apoiando ou encontrando raz\u00f5es para matar quando o Estado exige; um pensamento nega o outro e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 pensamento algum. Em um estado de autocontradi\u00e7\u00e3o o pensamento cessa e s\u00f3 h\u00e1 ignor\u00e2ncia. Ent\u00e3o vamos descobrir se pensamos de fato ou se existimos em um estado de autocontradi\u00e7\u00e3o em que o pensamento n\u00e3o existe.<\/p><p>Se olharmos para dentro de n\u00f3s, perceberemos que vivemos em um estado de contradi\u00e7\u00e3o, e como pode tal estado ser positivo, uma vez que aquilo que se contradiz deixa de existir? Sem nos conhecermos profundamente, como pode haver acordo ou desacordo, afirma\u00e7\u00e3o ou nega\u00e7\u00e3o?<\/p><p>Neste estado autocontradit\u00f3rio, como pode haver certeza? Como podemos, neste estado, assumir que estamos certos ou errados? N\u00e3o podemos assumir nada, podemos? Mas nossa moralidade, nossa a\u00e7\u00e3o positiva se baseia nessa autocontradi\u00e7\u00e3o e, portanto, somos incessantemente ativos, desejando a paz e ainda criando guerra, ansiando por felicidade e ainda causando tristeza, amando e ainda odiando. Se o nosso pensamento \u00e9 autocontradit\u00f3rio e, portanto, inexistente, existe apenas uma abordagem poss\u00edvel para a compreens\u00e3o, que \u00e9 o estado de n\u00e3o se tornar, um estado que pode parecer nega\u00e7\u00e3o, mas no qual existe o mais elevado potencial.<\/p><p>A humildade nasce da nega\u00e7\u00e3o e, sem humildade, n\u00e3o h\u00e1 compreens\u00e3o. Na compreens\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o, come\u00e7amos a perceber a possibilidade de certeza, de acordo, e assim do\u00a0mais elevado relacionamento e mais elevado pensamento. Quando a mente est\u00e1 criativamente vazia \u2013 n\u00e3o quando est\u00e1 positivamente se direcionando \u2013 existe realidade. Todas as grandes descobertas nascem neste vazio criativo, e s\u00f3 pode haver vazio criativo quando a autocontradi\u00e7\u00e3o cessa. Enquanto existir o desejo, haver\u00e1 autocontradi\u00e7\u00e3o. Portanto, em vez de abordar a vida positivamente, como a maioria de n\u00f3s, dando origem \u00e0s muitas mis\u00e9rias, brutalidades, conflitos os quais conhecemos t\u00e3o bem, por que n\u00e3o a abordar negativamente, que n\u00e3o \u00e9 de fato nega\u00e7\u00e3o?<\/p><p>Quando eu uso os termos positivo e negativo, eu n\u00e3o estou os usando em oposi\u00e7\u00e3o um ao outro. Quando come\u00e7amos a entender o que chamamos de positivo, que \u00e9 o resultado da ignor\u00e2ncia, ent\u00e3o descobriremos que a partir disso vem a certeza\u00a0na\u00a0nega\u00e7\u00e3o. Na tentativa de compreender a eternamente contradit\u00f3ria natureza do\u00a0<em>self<\/em>, do \u201ceu\u201d e do \u201cmeu\u201d, com seus desejos positivos e nega\u00e7\u00f5es, anseio e morte, surge a quietude, o vazio criativo. Isto n\u00e3o \u00e9 o resultado de uma a\u00e7\u00e3o positiva ou negativa, mas um estado de n\u00e3o-dualidade. Quando a mente-cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 quieta, criativamente vazia, ent\u00e3o s\u00f3 a\u00ed existe realidade.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Voc\u00ea disse que um homem que reage \u00e0 raiva com raiva se torna a raiva. Voc\u00ea quer dizer que quando lutamos contra a crueldade com as armas da crueldade, tamb\u00e9m nos tornamos o inimigo? \u2013 Por\u00e9m, se n\u00e3o nos protegemos, o bandido nos derruba.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Certamente essa coisa com a qual voc\u00ea luta, voc\u00ea se torna. (Devemos explicar isso tamb\u00e9m? Tudo bem). Se eu estiver com raiva e voc\u00ea reagir a mim com raiva, qual \u00e9 o resultado? \u2013 Mais raiva. Voc\u00ea se tornou o que eu sou. Se eu sou malvado e voc\u00ea luta contra mim de forma malvada, ent\u00e3o voc\u00ea tamb\u00e9m se torne mau, por mais justo que voc\u00ea se sinta. Se eu sou brutal e voc\u00ea usa m\u00e9todos brutais para me superar, ent\u00e3o voc\u00ea se torna brutal como eu. E isso n\u00f3s fizemos por milhares de anos. Certamente h\u00e1 uma abordagem diferente do que reagir ao \u00f3dio com \u00f3dio. Se eu usar m\u00e9todos violentos para reprimir a raiva em mim mesmo, ent\u00e3o eu estou usando os meios errados para um fim correto, e assim o fim correto deixa de existir. Desta forma n\u00e3o h\u00e1 entendimento; n\u00e3o h\u00e1 transcend\u00eancia da raiva. A raiva deve ser estudada com toler\u00e2ncia e compreendida; n\u00e3o \u00e9 para ser superada atrav\u00e9s de meios violentos. A raiva pode ser o resultado de muitas causas e sem\u00a0compreend\u00ea-las\u00a0n\u00e3o h\u00e1 como fugir da raiva.<\/p><p>N\u00f3s criamos o inimigo, o bandido, por nos tornarmos n\u00f3s mesmos no inimigo \u2013 De forma alguma isso p\u00f5e um fim \u00e0 hostilidade. Temos que entender a causa da hostilidade e deixar de aliment\u00e1-la\u00a0com nosso pensamento, sentimento e a\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua que exige constante autoconsci\u00eancia e uma inteligencia\u00a0male\u00e1vel, pois o que somos, a sociedade, o Estado \u00e9.<\/p><p>O inimigo e o amigo s\u00e3o o resultado do nosso pensamento e a\u00e7\u00e3o. N\u00f3s somos respons\u00e1veis por criar hostilidade, e por isso \u00e9 mais importante estarmos conscientes de nosso pensamento e a\u00e7\u00e3o do que se preocupar com o inimigo e o amigo, pois o pensamento correto p\u00f5e fim \u00e0 divis\u00e3o. O amor transcende o amigo e o inimigo.<\/p><p>21 de Maio de 1944<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segunda palestra em Oak Grove No \u00faltimo Domingo eu estava tentando explicar o que \u00e9 o pensamento correto e como\u00a0come\u00e7\u00e1-lo.\u00a0Eu disse que a menos que haja autoconsci\u00eancia, autoconhecimento de todos os motivos, inten\u00e7\u00f5es e instintos, pensamento-sentimento n\u00e3o possui fundamento verdadeiro, e que sem esse fundamento n\u00e3o h\u00e1 pensamento correto. 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