{"id":1337,"date":"2022-12-18T16:00:23","date_gmt":"2022-12-18T16:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1337"},"modified":"2022-12-18T16:00:58","modified_gmt":"2022-12-18T16:00:58","slug":"07-07-1940","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1337","title":{"rendered":"07\/07\/1940"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1337\" class=\"elementor elementor-1337\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-58e100b4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"58e100b4\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-61c1e473\" data-id=\"61c1e473\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-66abd72a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"66abd72a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>S\u00e9tima Palestra em Oak Grove<\/strong><\/p><p>O mundo, principalmente agora, est\u00e1 em um estado de confus\u00e3o e conflito e em profundo sofrimento. Pode-se criar uma concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de como o mundo deveria ser e tentar se ajustar a essa ideia, mas a longo prazo isso n\u00e3o contribuiria com nossa compreens\u00e3o do complexo problema da vida, embora possa aliviar nosso sofrimento momentaneamente. O intelecto \u00e9 a faculdade de discernir e, quando ela est\u00e1 limitada como agora, esperan\u00e7as te\u00f3ricas s\u00e3o de pouca utilidade. Quando tantas pessoas est\u00e3o presas no \u00f3dio, na ambi\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel, que est\u00e1 criando tanta confus\u00e3o e mis\u00e9ria, voc\u00ea, pelo menos como indiv\u00edduo, pode se libertar destas causas e ajudar a gerar um mundo mais feliz e saud\u00e1vel. Se voc\u00ea tem um desejo de ajudar o mundo, deve come\u00e7ar com voc\u00ea mesmo, pois o mundo \u00e9 voc\u00ea. A presente condi\u00e7\u00e3o do mundo foi gerada consciente ou inconscientemente por cada um de n\u00f3s, e a fim de alter\u00e1-la fundamentalmente, devemos, deliberada e inteligentemente, dirigir nossas mentes e cora\u00e7\u00f5es para gerar uma completa mudan\u00e7a em n\u00f3s. Se n\u00e3o compreendermos isso profundamente e tentarmos simplesmente organizar um sistema econ\u00f4mico ou social melhor, nossos esfor\u00e7os \u2013 eu percebo \u2013 n\u00e3o criar\u00e3o um mundo mais sadio e melhor. A menos que o indiv\u00edduo seja harmonioso nele mesmo, estar\u00e1 fadado a ser antissocial em sua rela\u00e7\u00e3o com o outro, ou seja, afinal, com a sociedade.<\/p><p>Estivemos tentando compreender o que cria em n\u00f3s e, consequentemente, em torno de n\u00f3s, confus\u00e3o e mis\u00e9ria. O valor desproporcional que damos \u00e0s coisas, quando dependemos delas psicologicamente, cria gan\u00e2ncia. As necessidades humanas n\u00e3o corrompem nossos pensamentos e sentimentos se, psicologicamente, n\u00e3o nos tornarmos dependentes de coisas, posses. Enquanto nossa rela\u00e7\u00e3o com o outro for possessiva, haver\u00e1 conflito, pois o conflito surge quando existe depend\u00eancia fisiol\u00f3gica e psicol\u00f3gica. Eu mostrei como o mundo est\u00e1 fragmentado e dividido em indiv\u00edduos e grupos dependendo de cren\u00e7as, dogmas, teorias, sejam elas pol\u00edticas, sociais ou religiosas. Essas cren\u00e7as e dogmas t\u00eam sua origem no anseio de cada indiv\u00edduo por seguran\u00e7a, n\u00e3o apenas econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m psicol\u00f3gica e espiritual.<\/p><p>Assim, estamos num mundo dividido em si mesmo, racialmente, socialmente, economicamente, nacionalmente e religiosamente. Estamos conscientes disso. E o que vamos fazer? Como vamos interromper esse c\u00edrculo vicioso de gan\u00e2ncia, amor possessivo e imortalidade pessoal? \u00c9 poss\u00edvel interromper completamente e n\u00e3o cair em outra forma sutil de avareza, poder e possessividade? Como vamos come\u00e7ar a remover a causa de tanto sofrimento e ilus\u00e3o? Devemos nos tornar conscientes, cuidadosos.<\/p><p>Vou mostrar o que quero dizer com consci\u00eancia. Temos que nos tornar conscientes do que somos. Como nos tornamos conscientes do que somos? Estando interessados. Ou seja, estando interessado, h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o natural que produz vontade. Concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 focalizar todas as energias em alguma coisa na qual estamos interessados. Por exemplo, quando nosso interesse \u00e9 ganhar dinheiro, e o poder que o dinheiro confere, ou quando estamos absorvidos por um livro ou em alguma atividade criativa, h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o natural. A vontade \u00e9 criada quando h\u00e1 interesse. Quando n\u00e3o h\u00e1 interesse, h\u00e1 dispers\u00e3o do pensamento, contradi\u00e7\u00e3o do desejo. O come\u00e7o da conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o natural do interesse em que n\u00e3o existe conflito de desejos e escolha e, por isso, existe uma possibilidade de compreens\u00e3o dos desejos diferentes e opostos. Se o pensamento est\u00e1 em busca de certo resultado definido, ent\u00e3o h\u00e1 exclus\u00e3o ou agrega\u00e7\u00e3o, que leva a incompletude e n\u00e3o \u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o de que falo. Voc\u00ea n\u00e3o pode compreender todo o complexo processo de seu ser se est\u00e1 em busca de resultados ou tentando alcan\u00e7ar um estado que voc\u00ea pensa ser paz ou realidade ou libera\u00e7\u00e3o. Conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a compreens\u00e3o de todo o processo do desejo consciente e inconsciente. No pr\u00f3prio in\u00edcio da conscientiza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 verdadeiro; a verdade n\u00e3o \u00e9 um resultado ou uma aquisi\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 para ser compreendida. No pr\u00f3prio processo da compreens\u00e3o, digamos, por exemplo, da gan\u00e2ncia, surge a percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 verdadeiro. Essa compreens\u00e3o n\u00e3o nasce de simples raz\u00e3o ou emo\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 o resultado de conscientiza\u00e7\u00e3o, a integralidade de pensamento-a\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Quando estamos conscientes, estamos a par do processo dual que funciona em n\u00f3s \u2013 querer e n\u00e3o querer, desejos expandidos e desejos reprimidos. Os desejos preponderantes t\u00eam sua pr\u00f3pria forma de vontade. A concentra\u00e7\u00e3o em desejos preponderantes e sua a\u00e7\u00e3o, criam um mundo de competi\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o no mundanismo, de amor possessivo e o anseio de continuidade pessoal. Percebendo as consequ\u00eancias desses desejos preponderantes, que causam dor e sofrimento, h\u00e1 o desejo de reprimir, com seu pr\u00f3prio tipo de vontade. Ent\u00e3o existe conflito entre os desejos preponderantes e a vontade de reprimir. Esse conflito cria ou compreens\u00e3o ou confus\u00e3o e ignor\u00e2ncia. A vontade preponderante e a vontade de reprimir s\u00e3o a causa da dualidade, que n\u00e3o pode ser negada.<\/p><p>Embora os opostos tenham uma causa comum, n\u00e3o podemos desprez\u00e1-los ou deix\u00e1-los de lado; temos que compreend\u00ea-los e, assim, ficarmos livres do conflito dos opostos. Sendo invejosos e, consequentemente, conscientes do conflito e da dor, tentamos cultivar seu oposto, mas n\u00e3o h\u00e1 liberdade da inveja. O motivo para cultivar o oposto importa grandemente; se for um desejo de fugir da luta e da dor da inveja, ent\u00e3o seu oposto se torna id\u00eantico a ela mesma, e n\u00e3o h\u00e1 liberdade da inveja. Por outro lado, se voc\u00ea considerar profundamente a causa intr\u00ednseca da inveja e ficar consciente de suas v\u00e1rias formas, com seus impulsos, ent\u00e3o nessa compreens\u00e3o est\u00e1 a liberta\u00e7\u00e3o da inveja, sem a cria\u00e7\u00e3o de seu oposto. A concentra\u00e7\u00e3o que surge no processo de conscientiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 resultado do interesse pr\u00f3prio ou de uma introspec\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida. Como eu disse, estar interessado \u00e9 ser criativo, que \u00e9 felicidade. Essa concentra\u00e7\u00e3o de interesse surge naturalmente quando h\u00e1 conscientiza\u00e7\u00e3o. Quando h\u00e1 uma compreens\u00e3o do processo dos desejos proeminentes, com sua chamada vontade positiva e a vontade de reprimir, ent\u00e3o surge uma integralidade, uma totalidade que n\u00e3o \u00e9 cria\u00e7\u00e3o do intelecto. Intelecto, a faculdade do discernimento, \u00e9 o instrumento da compreens\u00e3o e n\u00e3o um fim em si mesmo. A compreens\u00e3o transcende raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Qual \u00e9 a melhor atitude em rela\u00e7\u00e3o a esta terr\u00edvel guerra na Europa? Podemos fazer alguma coisa pelo pensamento? Eu sinto o horror e o sofrimento dessa guerra. Posso fugir disso? Posso fugir se me dissociar dela? Voc\u00ea vai considerar as condi\u00e7\u00f5es do mundo atual em suas palestras?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Muitas vezes, n\u00f3s pensamos erradamente que o caos e a mis\u00e9ria do mundo surgem de uma \u00fanica causa e que a suprimindo, produziremos ordem e felicidade no mundo. A vida \u00e9 um processo complexo e devemos ter ampla e profunda compreens\u00e3o para captar sua vastid\u00e3o. A guerra \u00e9 o resultado de nossa vida cotidiana, de nossa ambi\u00e7\u00e3o, de nossa atitude geral em rela\u00e7\u00e3o a nossos companheiros no chamado tempo de paz. Em nossa vida cotidiana somos competitivos, agressivos, nacionalistas, vingativos, interesseiros, o que culmina inevitavelmente na guerra. Intelectualmente e emocionalmente somos influenciados e limitados pelo passado que produz a presente rea\u00e7\u00e3o de \u00f3dio, antagonismo e conflito. Intelectualmente somos incapazes de discernimento claro e, por isso, ficamos confusos; somos incapazes de discernimento cr\u00edtico porque nossa capacidade de pensar ficou embotada por influ\u00eancias e limita\u00e7\u00f5es anteriores. At\u00e9 o pensamento se libertar delas, disputa e guerra, dor e sofrimento continuar\u00e3o. At\u00e9 nossas pr\u00f3prias vidas n\u00e3o serem mais agressivas e gananciosas, e pararmos de buscar seguran\u00e7a psicologicamente dividindo o mundo em diferentes classes, ra\u00e7as, nacionalidades e religi\u00f5es, n\u00e3o pode haver paz.<\/p><p>Embora, superficialmente, possa haver a cessa\u00e7\u00e3o desta mortandade, at\u00e9 direcionarmos nossas mentes e cora\u00e7\u00f5es s\u00e9ria e vigorosamente para compreender e, assim, nos libertarmos daquelas causas psicol\u00f3gicas da gan\u00e2ncia \u2013 amor possessivo \u2013 e da continuidade do ego, disputa e mis\u00e9ria sempre v\u00e3o existir. A paz vem de dentro, n\u00e3o de fora. Essa compreens\u00e3o da paz requer profundo pensamento e seriedade.<\/p><p>Voc\u00ea pergunta se pode fugir da guerra se dissociando dela. Como voc\u00ea pode se dissociar dela? Pois voc\u00ea \u00e9 a causa da guerra. Por que voc\u00ea est\u00e1 associado com esta guerra que est\u00e1 acontecendo? Ou porque suas rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o envolvidas nela ou voc\u00ea est\u00e1 preso nela emocionalmente. Se suas rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o envolvidas, tal sofrimento \u00e9 compreens\u00edvel, mas estar emocionalmente envolvido nela \u00e9 descuido. Se voc\u00ea simplesmente se dissocia desta forma de excita\u00e7\u00e3o, inevitavelmente se voltar\u00e1 para outras formas. Assim, a menos que voc\u00ea compreenda por que depende da sensa\u00e7\u00e3o, dessa constante busca por excita\u00e7\u00e3o, que se torna vulgar e degradante, voc\u00ea sempre encontrar\u00e1 novas formas de excita\u00e7\u00e3o, satisfa\u00e7\u00e3o. A causa \u00e9 profunda e voc\u00ea tem que compreend\u00ea-la para ficar livre de suas superficialidades.<\/p><p>N\u00e3o pense que simplesmente desejando paz voc\u00ea ter\u00e1 paz, quando em sua vida cotidiana de rela\u00e7\u00e3o, voc\u00ea \u00e9 agressivo, ambicioso, buscando seguran\u00e7a psicol\u00f3gica aqui ou depois. Voc\u00ea tem que compreender a causa central do conflito e do sofrimento e dissolv\u00ea-la e n\u00e3o, simplesmente, buscar paz do lado de fora. Mas voc\u00ea sabe, a maioria de n\u00f3s \u00e9 indolente. Somos muito pregui\u00e7osos para nos olharmos e compreendermos e, sendo pregui\u00e7osos, o que \u00e9 realmente uma forma de conceito, pensamos que outros resolver\u00e3o este problema para n\u00f3s e nos dar\u00e3o paz, ou que devemos destruir as aparentemente poucas pessoas que est\u00e3o causando as guerras. Quando o indiv\u00edduo est\u00e1 em conflito em si mesmo, ele criar\u00e1 conflito do lado de fora inevitavelmente, e s\u00f3 ele pode produzir paz dentro de si mesmo e, portanto, no mundo, pois ele \u00e9 o mundo.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Dever\u00edamos nos reprimir e n\u00e3o assumir novas responsabilidades a fim de n\u00e3o causar novos desejos?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Certamente isso depende de como a pessoa se portou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s antigas responsabilidades. Se ela n\u00e3o compreendeu as responsabilidades passadas completamente e, simplesmente, fugiu delas, assumir novas \u00e9, simplesmente, a continua\u00e7\u00e3o do antigo sob uma forma diferente. Devo explicar melhor?<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Sim, por favor.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Aquilo que consideramos novas responsabilidades s\u00e3o, de fato, a continua\u00e7\u00e3o do antigo sob diferentes condi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, antes de assumir novas responsabilidades, deve-se considerar como se realizaram as antigas; se a pessoa n\u00e3o o fez, mas simplesmente fugiu pela raiva, pelo descuido ou obstina\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o tem que considerar por que assumiu novas. A presun\u00e7\u00e3o do novo pode ser apenas a continua\u00e7\u00e3o do anseio por sensa\u00e7\u00e3o, por conforto, pelo desejo antigo que n\u00e3o foi totalmente compreendido e dissolvido. O desejo sempre est\u00e1 buscando mais express\u00e3o e expans\u00e3o, e, simplesmente assumir novas responsabilidades n\u00e3o vai realizar o desejo, pois n\u00e3o h\u00e1 fim para o desejo, para o anseio. Mas na compreens\u00e3o do processo do desejo, tornando consciente de suas implica\u00e7\u00f5es e causas, voc\u00ea descobrir\u00e1 por si mesmo se assume novas responsabilidades ou n\u00e3o. Eu posso, naturalmente, lhe dizer o que voc\u00ea deveria fazer, mas voc\u00ea pode descobrir por si mesmo definitivamente.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Por favor, nos diga qual \u00e9 sua concep\u00e7\u00e3o de Deus?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Ora, por que n\u00f3s queremos saber se Deus existe? Se pudermos compreender profundamente a inten\u00e7\u00e3o dessa pergunta, poderemos entender muito. Cren\u00e7a e n\u00e3o-cren\u00e7a s\u00e3o obst\u00e1culos definitivos para a compreens\u00e3o da realidade; cren\u00e7as e ideias s\u00e3o os resultados do medo. O medo limita o pensamento e, para fugir do conflito, nos voltamos para v\u00e1rias formas de esperan\u00e7as, estimula\u00e7\u00f5es, ilus\u00f5es. A realidade \u00e9 aut\u00eantica, experi\u00eancia direta. Se dependermos da descri\u00e7\u00e3o do outro, a realidade cessa, pois o descrito n\u00e3o \u00e9 o real. Se nunca experimentamos sal, nenhuma descri\u00e7\u00e3o de seu sabor tem valor. Temos que prov\u00e1-lo por n\u00f3s mesmos para saber. Agora, a maioria de n\u00f3s quer saber o que Deus \u00e9 porque somos indolentes, porque \u00e9 mais f\u00e1cil depender da experi\u00eancia do outro do que de nossa pr\u00f3pria compreens\u00e3o; isso tamb\u00e9m cultiva em n\u00f3s uma atitude irrespons\u00e1vel e, assim, tudo que temos que fazer \u00e9 seguir o exemplo, moldar nossa vida pelo padr\u00e3o, ou pela experi\u00eancia do outro e, seguindo o exemplo, pensamos que alcan\u00e7amos, chegamos, realizamos. Para compreender o mais elevado, tem que haver liberta\u00e7\u00e3o do tempo, o cont\u00ednuo passado, presente e futuro dos medos do desconhecido, de fracasso e sucesso. Voc\u00ea est\u00e1 fazendo essa pergunta porque quer ou comparar sua imagem de Deus com a minha e, assim, se apoiar, ou condenar, o que s\u00f3 leva \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o e disputa de opini\u00f5es. Esse caminho n\u00e3o leva \u00e0 compreens\u00e3o.<\/p><p>Deus, verdade, ou como voc\u00ea queira chamar, a realidade n\u00e3o pode ser descrita. Aquilo que pode ser descrito n\u00e3o \u00e9 o real. \u00c9 in\u00fatil inquirir se existe Deus, pois a realidade surge quando o pensamento se liberta de suas limita\u00e7\u00f5es, seus anseios. Se formos criados na cren\u00e7a em Deus ou em seu oposto, o pensamento \u00e9 influenciado, um h\u00e1bito \u00e9 formado gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o. Cren\u00e7a e n\u00e3o-cren\u00e7a em Deus impedem a compreens\u00e3o de Deus. Estando ancorada na f\u00e9, qualquer experi\u00eancia que voc\u00ea possa ter de acordo com sua cren\u00e7a s\u00f3 pode refor\u00e7ar sua condi\u00e7\u00e3o anterior. A simples continua\u00e7\u00e3o do pensamento limitado n\u00e3o \u00e9 uma compreens\u00e3o da realidade. Quando afirmamos isso por meio de nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia de que Deus existe ou n\u00e3o, estamos continuando e repetindo experi\u00eancias influenciadas pelo passado. Experi\u00eancias, sem nossa compreens\u00e3o das causas da sujei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nos conferem sabedoria. Se continuarmos a repetir certa influ\u00eancia que chamamos de experi\u00eancia, tal experi\u00eancia apenas refor\u00e7a nossas limita\u00e7\u00f5es e n\u00e3o provoca a liberta\u00e7\u00e3o delas. A mente, como mostrei em minha palestra, \u00e9 o resultado do anseio e, portanto, transit\u00f3ria, e quando a mente concebe uma teoria de Deus ou da verdade, ela est\u00e1 fadada a ser produto de seu pr\u00f3prio conceito e, por isso, n\u00e3o \u00e9 real. A pessoa tem que se tornar consciente das v\u00e1rias formas de anseio, medo e assim por diante e, por meio de constante investiga\u00e7\u00e3o e discernimento, uma nova compreens\u00e3o surge que n\u00e3o \u00e9 o resultado do intelecto ou da emo\u00e7\u00e3o. Para compreender a verdade, deve haver conscientiza\u00e7\u00e3o constante e determinada.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Qual \u00e9 a significa\u00e7\u00e3o de Cristo ou o problema do cristianismo em nosso tempo atual?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0O que est\u00e1 acontecendo em nosso tempo atual? H\u00e1 confus\u00e3o, \u00f3dio, medo, gan\u00e2ncia, guerra. Ora, qual \u00e9 a resposta para tudo isso? Existe uma resposta crist\u00e3 ou hindu ou budista para isso, ou existe apenas uma solu\u00e7\u00e3o verdadeira? Cada religi\u00e3o e cada grupo dogm\u00e1tico consideram que apenas ela tem a chave para a solu\u00e7\u00e3o do caos atual. Existe competi\u00e7\u00e3o entre religi\u00f5es, com seus sistemas e sacerdotes. A solu\u00e7\u00e3o do presente caos est\u00e1 em voc\u00ea mesmo e n\u00e3o no outro. Pela autoconfian\u00e7a voc\u00ea pode gerar paz em voc\u00ea mesmo e, por isso, no mundo, que \u00e9 uma extens\u00e3o de voc\u00ea mesmo. Nenhum l\u00edder pode lhe dar paz. O importante \u00e9 compreender como seu pr\u00f3prio pensamento e a\u00e7\u00e3o criam o caos atual e a mis\u00e9ria e, s\u00f3 por meio de sua pr\u00f3pria autoconfian\u00e7a e conscientiza\u00e7\u00e3o pode haver liberdade desta recorrente agonia e confus\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Existe alguma rela\u00e7\u00e3o entre realidade e a minha pessoa?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea esperan\u00e7osamente implica \u2013 n\u00e3o? \u2013 que deveria haver uma rela\u00e7\u00e3o entre a realidade e voc\u00ea mesmo? Voc\u00ea acredita que a realidade, Deus ou como voc\u00ea chame est\u00e1 em voc\u00ea, mas est\u00e1 encoberta pela ignor\u00e2ncia; da\u00ed voc\u00ea pergunta qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre essa ignor\u00e2ncia e a realidade. Pode haver alguma rela\u00e7\u00e3o entre ignor\u00e2ncia e compreens\u00e3o? Ora, quais s\u00e3o esses revestimentos, essas capas que se sup\u00f5e encobrirem a realidade? Qual \u00e9 o \u2018Eu\u2019 que faz essa pergunta? O \u2018Eu\u2019 n\u00e3o \u00e9 certa forma, um nome, certo feixe de qualidades, mem\u00f3rias que se dividiram em inferior e elevado, em espiritual e n\u00e3o-espiritual e assim por diante? Tudo isso \u00e9 o \u2018Eu\u2019.<\/p><p>Agora voc\u00ea quer saber se existe alguma rela\u00e7\u00e3o entre este \u2018Eu\u2019 e a realidade. O que \u00e9 realidade? Voc\u00ea n\u00e3o sabe, mas voc\u00ea tem uma esperan\u00e7a, um anseio por ela. Pode haver alguma rela\u00e7\u00e3o entre o conhecido, o \u2018Eu\u2019, e o desconhecido? Voc\u00ea pode descobrir se existe alguma rela\u00e7\u00e3o apenas pela compreens\u00e3o daquilo que voc\u00ea \u00e9, n\u00e3o supondo e afirmando que existe rela\u00e7\u00e3o entre o \u2018Eu\u2019 e a realidade. Certamente, se o \u201cEu\u2019 \u00e9 transit\u00f3rio, e ele \u00e9 transit\u00f3rio como podemos observar no dia a dia, ent\u00e3o qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o transit\u00f3rio e alguma coisa que n\u00e3o existe? Nenhuma. Compreendendo integralmente o processo do \u2018Eu\u2019 e sua transitoriedade e n\u00e3o se apegando nisso, existe a compreens\u00e3o da realidade. O \u2018Eu\u2019 \u00e9 esse feixe de desejos, de gan\u00e2ncia, de amor possessivo, de anseio por imortalidade, aqui ou depois; e por meio de severa conscientiza\u00e7\u00e3o, o processo de ansiar pode ser transformado em paz, o que n\u00e3o \u00e9 uma esperan\u00e7a te\u00f3rica, mas uma realidade.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea afirma que devemos ser alertas e vigilantes a todo momento e que essa vigil\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que introspec\u00e7\u00e3o. Por favor, explique como elas diferem.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Entre conscientiza\u00e7\u00e3o e introspec\u00e7\u00e3o existe uma diferen\u00e7a. Introspec\u00e7\u00e3o \u00e9 um tipo de auto-an\u00e1lise em que o pensamento mede sua pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o e seus resultados, de acordo com prazer e dor, pr\u00eamio e puni\u00e7\u00e3o, formando um julgamento, um padr\u00e3o. Ou seja, tendo examinado a a\u00e7\u00e3o do passado, o pensamento tenta levar aquilo que aprendeu para a a\u00e7\u00e3o presente e, assim, determina como agir\u00e1 no futuro. Observe o que acontece quando voc\u00ea tenta se analisar. Voc\u00ea est\u00e1 sempre analisando uma a\u00e7\u00e3o passada; voc\u00ea n\u00e3o pode analisar uma a\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo vivida. Se voc\u00ea fez alguma coisa que causou dor ou conflito, voc\u00ea quer compreend\u00ea-la a fim de n\u00e3o agir do mesmo modo outra vez. Ent\u00e3o, quando faz isso, voc\u00ea est\u00e1 tentando compreender uma a\u00e7\u00e3o passada, uma a\u00e7\u00e3o morta, com inten\u00e7\u00e3o presente, esperando produzir um resultado futuro. Ou seja, o pensamento est\u00e1 ocupado, neste processo introspectivo, com o resultado, com como ele deveria agir.<\/p><p>Agora, conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. Na conscientiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 existe o presente \u2013 ou seja, estando consciente, voc\u00ea v\u00ea o processo passado de influ\u00eancia que controla o presente e modifica o futuro. Conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo integral, n\u00e3o um processo de divis\u00e3o. Por exemplo, se eu pergunto \u2018Eu acredito em Deus?\u2019 \u2013 no pr\u00f3prio processo de perguntar, eu posso observar, se estiver consciente, o que est\u00e1 me fazendo perguntar isso; se eu estiver consciente, posso perceber o que foi e quais s\u00e3o as for\u00e7as funcionando que me levam a fazer essa pergunta. Da\u00ed eu estou consciente da v\u00e1rias formas de medo \u2013 aqueles de meus ancestrais que criaram certa ideia de Deus e a transmitiram a mim; e, combinando a ideia deles, com minhas rea\u00e7\u00f5es atuais, eu modifiquei ou mudei o conceito de Deus. Se eu estiver consciente, percebo todo esse processo do passado, seus efeitos no presente e no futuro integralmente, como um todo.<\/p><p>Se a pessoa estiver consciente, ela v\u00ea que, pelo medo, nasce seu conceito de Deus; ou talvez tenha havido uma pessoa que teve uma experi\u00eancia original de Deus e a comunicou para outra pessoa que, em sua gan\u00e2ncia, se apoderou dela, e deu impulso ao processo de imita\u00e7\u00e3o. A conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo da completude, e a introspec\u00e7\u00e3o \u00e9 incompleta. O resultado da introspec\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00f3rbido, doloroso ao passo que conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 entusiasmo e alegria.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea recomenda a medita\u00e7\u00e3o?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Tudo depende do que voc\u00ea chama de medita\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muita coisa envolvida nessa pergunta. Voc\u00ea j\u00e1 fez a chamada medita\u00e7\u00e3o? Talvez alguns de voc\u00eas tenham feito de uma forma ou de outra. Talvez tenham refletido profundamente quando houve um problema humano premente que exigia uma resposta; isso pode ser considerado uma forma de medita\u00e7\u00e3o. Insistindo continuamente em uma ideia, o que ajuda a eliminar outras ideias que se introduzem, voc\u00ea aprender\u00e1 a concentra\u00e7\u00e3o; isso tamb\u00e9m \u00e9 considerado uma forma de medita\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea deseja despertar certos poderes, os chamados poderes ocultos, porque espera que tendo esses poderes, encontrar\u00e1 maior compreens\u00e3o. Essas pr\u00e1ticas s\u00e3o consideradas uma forma de medita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p><p>Estar constantemente alerta e consciente, estar vigilante, \u00e9 o come\u00e7o da medita\u00e7\u00e3o, pois sem a verdadeira funda\u00e7\u00e3o do discernimento, simples concentra\u00e7\u00e3o e outras formas da chamada medita\u00e7\u00e3o se tornam perigosas e n\u00e3o t\u00eam significa\u00e7\u00e3o profunda. Como mostrei, quando voc\u00ea estiver consciente, descobrir\u00e1 que a mente procura resultado, uma conclus\u00e3o, desejando aquisi\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a. Ir em busca de uma conclus\u00e3o predeterminada n\u00e3o \u00e9 mais medita\u00e7\u00e3o, pois o pensamento estar\u00e1 preso em sua pr\u00f3pria rede de imagens.<\/p><p>Vamos considerar o processo da medita\u00e7\u00e3o um pouco mais integralmente. \u00c9 muito dif\u00edcil fixar o pensamento que vagueia e se dispersa; ele vai de um objeto de sensa\u00e7\u00e3o para outro, de um interesse para outro. Nesse processo a pessoa se torna consciente da extrema sensibilidade do pensamento. O pensamento vagueia de um grupo de ideias para outro, ou por interesse ou simplesmente porque \u00e9 pregui\u00e7oso e indiferente. Se o pensamento simplesmente controla sua dispers\u00e3o, ele se torna superficial, limitado e destrutivo. Se o pensamento est\u00e1 interessado em vaguear, ent\u00e3o apenas control\u00e1-lo \u00e9 in\u00fatil, pois isso n\u00e3o revelar\u00e1 por que ele est\u00e1 interessado na dissipa\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria energia. Mas se voc\u00ea estiver interessado em descobrir por que ele vagueia, da\u00ed voc\u00ea come\u00e7a a discernir e se conscientizar e h\u00e1, ent\u00e3o, uma concentra\u00e7\u00e3o natural, espont\u00e2nea. Ent\u00e3o, primeiro voc\u00ea deve observar que o pensamento est\u00e1 vagueando e, ent\u00e3o, discernir por que ele vagueia. Quando o pensamento percebe que \u00e9 indolente, pregui\u00e7oso, j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a ficar ativo, mas apenas controlar o pensamento n\u00e3o gera a\u00e7\u00e3o criativa.<\/p><p>Quando h\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o natural de interesse, n\u00e3o simples controle, voc\u00ea come\u00e7a a descobrir que o pensamento fica num processo de constante imita\u00e7\u00e3o e que est\u00e1 sempre vagueando por seus muitos n\u00edveis de mem\u00f3rias, preceitos, exemplos; ou, tendo tido sensa\u00e7\u00e3o estimulante ou experi\u00eancia durante momentos de concentra\u00e7\u00e3o, ele a recria e tenta vivificar a sensa\u00e7\u00e3o passada, mas, assim, s\u00f3 refuta seu pr\u00f3prio processo criativo; ou, apartado da vida cotidiana, o pensamento tenta desenvolver v\u00e1rias qualidades a fim de controlar suas a\u00e7\u00f5es cotidianas, e viver perde sua significa\u00e7\u00e3o inerente, e o padr\u00e3o se torna o mais importante.<\/p><p>Tudo isso \u00e9, ent\u00e3o, meramente uma forma de aproxima\u00e7\u00e3o e n\u00e3o medita\u00e7\u00e3o criativa. Se voc\u00ea estiver consciente em suas atividades cotidianas \u2013 quando fala, quando caminha, quando est\u00e1 ganhando dinheiro ou buscando prazer \u2013 nessa consci\u00eancia, dependendo de sua seriedade, a\u00ed tem in\u00edcio uma compreens\u00e3o, um amor, que n\u00e3o est\u00e1 sob o comando do intelecto ou da emo\u00e7\u00e3o. Assim, medita\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de conscientiza\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o. Da realidade da vida deve brotar a medita\u00e7\u00e3o, e a\u00ed medita\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de auto-liberta\u00e7\u00e3o. Medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o. O acalmar da mente por meio de vontade, escolha, pode atingir certa tranquilidade, mas essa tranquilidade \u00e9 da morte, produzindo abatimento. Isso n\u00e3o \u00e9 medita\u00e7\u00e3o. Mas a compreens\u00e3o da escolha, que \u00e9 um processo muito delicado e en\u00e9rgico, \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o em que existe tranquilidade sem um tra\u00e7o de abatimento ou contentamento. Deve haver vigil\u00e2ncia e discernimento en\u00e9rgico na medita\u00e7\u00e3o. Medita\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de completude, totalidade, n\u00e3o uma s\u00e9rie de aquisi\u00e7\u00f5es culminando na realidade.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>O que a dieta tem a ver com o processo mental ou a intelig\u00eancia?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Com certeza, muito. Compreender a realidade n\u00e3o depende necessariamente do tipo de alimento que se come; pode-se ser vegetariano e viciado e est\u00fapido, ou carn\u00edvoro e ser inteligente no sentido mais amplo. Se a pessoa come demais, \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de descuido; a dieta moderada e racional \u00e9 necess\u00e1ria para despertar o pensamento. Muito jejum tamb\u00e9m embrutece a mente. N\u00e3o ter raiva, n\u00e3o ser caluniador em nosso falar, n\u00e3o ser insens\u00edvel, obstinado, n\u00e3o bajular, n\u00e3o receber bajula\u00e7\u00e3o \u2013 isso \u00e9 mais importante do que a considera\u00e7\u00e3o com o que comemos. De import\u00e2ncia fundamental s\u00e3o nossos pensamentos e sentimentos. Asseio de alimento n\u00e3o \u00e9 asseio de pensamento. Novamente come\u00e7amos pelo lado errado, com o exterior, esperando alcan\u00e7ar aquele estado de paz interior, que n\u00e3o pode ser realizado pela disciplina e nega\u00e7\u00e3o, pela imita\u00e7\u00e3o e isolamento; n\u00f3s come\u00e7amos pela periferia esperando criar paz interior e compaix\u00e3o, mas devemos come\u00e7ar no centro \u2013 o centro do qual surge conflito e sofrimento. Devemos nos conscientizar do processo do anseio e suas express\u00f5es exteriores; no discernimento disso, h\u00e1 uma restri\u00e7\u00e3o natural n\u00e3o imposta pelo medo.<\/p><p>7 de julho de 1940<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9tima Palestra em Oak Grove O mundo, principalmente agora, est\u00e1 em um estado de confus\u00e3o e conflito e em profundo sofrimento. Pode-se criar uma concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de como o mundo deveria ser e tentar se ajustar a essa ideia, mas a longo prazo isso n\u00e3o contribuiria com nossa compreens\u00e3o do complexo problema da vida, embora [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1337","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1337"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1337\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1344,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1337\/revisions\/1344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}