{"id":1315,"date":"2022-12-18T15:58:18","date_gmt":"2022-12-18T15:58:18","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1315"},"modified":"2022-12-18T15:58:48","modified_gmt":"2022-12-18T15:58:48","slug":"23-06-1940","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1315","title":{"rendered":"23\/06\/1940"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1315\" class=\"elementor elementor-1315\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3f95165b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3f95165b\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-25f356df\" data-id=\"25f356df\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-16cfe8d9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"16cfe8d9\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Quinta palestra em Oak Grove<\/strong><\/p><p>Durante os \u00faltimos quatro domingos, estivemos tentando compreender o que queremos dizer com gan\u00e2ncia e alguns dos problemas implicados na rela\u00e7\u00e3o. Dividimos a \u00e2nsia em gan\u00e2ncia, amor possessivo e depend\u00eancia de cren\u00e7as, mas de fato, n\u00e3o existe tal divis\u00e3o; fizemos isso para compreender a \u00e2nsia mais completamente. Existe apenas uma unidade complexa de \u00e2nsia e sua divis\u00e3o artificial \u00e9 por conveni\u00eancia apenas. Dissemos que a \u00e2nsia se expressa de tr\u00eas maneiras: pelo mundanismo, pelo amor possessivo e pelo desejo de imortalidade pessoal. Talvez alguns de voc\u00eas tenham refletido e visto a significa\u00e7\u00e3o do que tenho falado e tenham se conscientizado de como isso se expressa na rela\u00e7\u00e3o. Naturalmente h\u00e1 muitos problemas envolvidos nisso, como por exemplo, ganhar a vida. Ganhar o sustento de modo humano e inteligente parece quase imposs\u00edvel, j\u00e1 que a organiza\u00e7\u00e3o social se baseia no ganho pessoal, mas n\u00e3o podemos esperar produzir uma completa mudan\u00e7a no sistema at\u00e9 que haja uma completa mudan\u00e7a em nossa pr\u00f3pria consci\u00eancia. Para provocar essa mudan\u00e7a necess\u00e1ria, n\u00f3s, como indiv\u00edduos, temos que abandonar nossos interesses pr\u00f3prios. Pois, como tentei explicar, o indiv\u00edduo \u00e9 o mundo \u2013 suas atividades, seus pensamentos, seus afetos e conflitos produzem o ambiente, que n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m de seu reflexo. Como parece quase imposs\u00edvel, sob as condi\u00e7\u00f5es existentes, ganhar a vida humana honestamente, a primeira coisa \u00e9 compreender o processo da gan\u00e2ncia e, assim, libertar o pensamento daquelas \u00e2nsias psicol\u00f3gicos que distorcem nossas vidas.<\/p><p>Para transcender as condi\u00e7\u00f5es que limitam o\u00a0pensamento\u00a0e o mant\u00e9m em constante conflito, devemos compreender a \u00e2nsia expressada em nossa rela\u00e7\u00e3o com o outro, com a sociedade. Eu expliquei de que maneira isso \u00e9 feito n\u00e3o atrav\u00e9s de simples controle, n\u00e3o atrav\u00e9s de simples disciplina ou nega\u00e7\u00e3o, mas atrav\u00e9s de constante vigil\u00e2ncia do processo da \u00e2nsia. Isso exige aplica\u00e7\u00e3o extenuante, paci\u00eancia e constante vigil\u00e2ncia. Tornando-se ativamente consciente do processo da \u00e2nsia, voc\u00ea perceber\u00e1 que a \u00e2nsia, como possessividade de coisas e pessoas, passar\u00e1 por uma mudan\u00e7a fundamental. Tamb\u00e9m tentei explicar que a express\u00e3o da gan\u00e2ncia criou uma sociedade em que se d\u00e1 grande import\u00e2ncia \u00e0s coisas, \u00e0 propriedade, \u00e0 mat\u00e9ria e outros mundanismos, o que \u00e9, parcialmente, a causa dos conflitos separativos, antagonismos raciais e guerras.<\/p><p>Tamb\u00e9m vimos como a \u00e2nsia se expressa na rela\u00e7\u00e3o como sensa\u00e7\u00e3o, gratifica\u00e7\u00e3o, possessividade. Possessividade n\u00e3o pode ser amor, ela \u00e9 resultado do medo. Medo e sofrimento permeiam nosso ser atrav\u00e9s de nossa desaten\u00e7\u00e3o ao processo da \u00e2nsia. A \u00e2nsia por prazer e gratifica\u00e7\u00e3o precisa possuir o outro \u2013 continuando, assim, com o medo e o sofrimento. Onde existe medo n\u00e3o pode haver compreens\u00e3o, compaix\u00e3o. At\u00e9 resolvermos esse problema individual de rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos resolver nosso problema social, pois a sociedade n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m da extens\u00e3o do indiv\u00edduo, de seus pensamento e atividades.<\/p><p>Ent\u00e3o, a \u00e2nsia se expressa atrav\u00e9s do mundanismo e do amor possessivo. Quando o pensamento \u00e9 limitado pela gan\u00e2ncia, por esse desejo possessivo que chamamos amor, certamente haver\u00e1 sofrimento e conflito; e a fim de escapar desse conflito e sofrimento, inventamos v\u00e1rias cren\u00e7as e esperan\u00e7as que imaginamos v\u00e3o durar e ser\u00e3o satisfat\u00f3rias, sem consci\u00eancia de que elas s\u00e3o ainda cria\u00e7\u00e3o da \u00e2nsia e, por isso, transit\u00f3rias.<\/p><p>Nossas ideias, cren\u00e7as, esperan\u00e7as est\u00e3o t\u00e3o profundamente entranhadas em n\u00f3s que fogem de nossa observa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Contudo, sem o conhecimento de sua causa e origem, n\u00e3o pode haver a verdadeira compreens\u00e3o. Se nossas ideias e cren\u00e7as nascem da ignor\u00e2ncia e do medo, ent\u00e3o nossa vida e a\u00e7\u00e3o devem ser limitadas e sempre em conflito e sofrimento. Mas a ignor\u00e2ncia \u00e9 dif\u00edcil de erradicar.<\/p><p>Qual \u00e9 a base de nosso pensamento? Qual \u00e9 a origem da mente? Aqueles de voc\u00eas que experimentaram com a gan\u00e2ncia ir\u00e3o se conscientizar de seu processo e das v\u00e1rias express\u00f5es da \u00e2nsia; tamb\u00e9m ir\u00e3o se conscientizar da origem do amor possessivo. Agora, do mesmo modo, talvez possamos descobrir por n\u00f3s mesmos de que fonte o processo de nosso pensamento cotidiano come\u00e7a. O simples controle das muitas express\u00f5es do pensamento n\u00e3o revelar\u00e1 sua verdadeira fonte.<\/p><p>Qual \u00e9 a base, a raiz, de nosso processo de pensamento? \u00c9 importante descobrir, n\u00e3o? Se a raiz de uma \u00e1rvore est\u00e1 doente ou deteriorada, qual a utilidade de podar seus galhos? Do mesmo modo, n\u00e3o devemos primeiro discernir a origem de nosso pensar antes de nos preocuparmos com suas variadas express\u00f5es e altera\u00e7\u00f5es? Compreendendo verdadeiramente a fonte, por meio de profunda conscientiza\u00e7\u00e3o, nosso pensamento humano se tornar\u00e1 livre de ilus\u00e3o e medo. Cada pessoa tem que descobrir por si mesma essa fonte, e com conscientiza\u00e7\u00e3o vital transformar radicalmente o processo de pensar.<\/p><p>Nosso pensamento n\u00e3o tem sua origem na \u00e2nsia? O que chamamos mente n\u00e3o \u00e9 o resultado da \u00e2nsia? Atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o, contato, sensa\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o, o pensamento se divide em gostar e desgostar, \u00f3dio e afei\u00e7\u00e3o, dor e prazer, m\u00e9rito e dem\u00e9rito \u2013 as s\u00e9ries de opostos, o processo do conflito. Esse processo \u00e9 o conte\u00fado de nossa consci\u00eancia, a consciente bem como a inconsciente, e que chamamos a mente. Estando presa nesse processo e temendo a incerteza, a cessa\u00e7\u00e3o, a morte, cada pessoa anseia por perman\u00eancia e continuidade. Procuramos estabelecer essa continuidade por meio de propriedade, nome, fam\u00edlia, ra\u00e7a e, dubiamente, percebendo a inseguran\u00e7a dessas coisas, novamente buscamos essa continuidade e perman\u00eancia atrav\u00e9s de cren\u00e7as e esperan\u00e7as, atrav\u00e9s de conceitos de Deus e alma e imortalidade.<\/p><p>Tendo acumulado v\u00e1rias experi\u00eancias, muitas mem\u00f3rias e aquisi\u00e7\u00f5es, nos identificamos com elas, mas existe sempre dentro de n\u00f3s a corros\u00e3o da incerteza e a apreens\u00e3o da morte, pois tudo decai, passa e \u00e9 um fluxo cont\u00ednuo. Assim, alguns come\u00e7am a se justificar pelo completo abandono dos prazeres deste mundo e sua severa auto-expans\u00e3o; outros, crendo na continuidade, se tornam observadores, angustiados, e vivem suas vidas temendo uma puni\u00e7\u00e3o futura ou esperando por uma recompensa depois, talvez no c\u00e9u ou talvez em outra vida na terra.<\/p><p>Existem v\u00e1rias formas sutis de querer imortalidade, recompensa e sucesso. O pensamento est\u00e1 profunda e ativamente preocupado com a ideia de continuidade de si mesmo em diferentes formas, grosseiras e sutis. N\u00e3o \u00e9 essa nossa principal preocupa\u00e7\u00e3o na vida, a continuidade do ego nas posses, na rela\u00e7\u00e3o, nas ideias? N\u00f3s ansiamos por certeza, mas a \u00e2nsia sempre cria ignor\u00e2ncia e ilus\u00e3o, e estabelece instrumentos de f\u00e9 e autoridades que ir\u00e3o recompensar ou punir. Ir ao encal\u00e7o do ego \u00e9 morte.<\/p><p>A base de nosso pensar \u00e9 a \u00e2nsia, que cria o ego, e o pensamento se expressa no mundanismo, no amor possessivo e na cren\u00e7a na continuidade de si mesmo. O que acontece com uma mente que est\u00e1 ocupada consigo e com suas express\u00f5es, consciente ou inconscientemente? Ela se limitar\u00e1 e d\u00e1 import\u00e2ncia a si mesma. O pensamento, ocupado assim, engendra confus\u00e3o, conflito, sofrimento. Estando preso em sua pr\u00f3pria rede, ele tenta escapar para o futuro e para aquelas atividades que asseguram esquecimento imediato \u2013 os chamados servi\u00e7os sociais, adora\u00e7\u00e3o do estado ou da pessoa, antagonismos racial e social e por a\u00ed vai. Assim o pensamento fica mais e mais enredado na rede de seus pr\u00f3prios desejos e fugas. Enquanto o pensamento estiver preocupado com sua pr\u00f3pria import\u00e2ncia pessoal e continuidade, ele ser\u00e1 incapaz de se conscientizar de seu pr\u00f3prio processo.<\/p><p>Como vamos nos conscientizar? Atenciosa e desinteressadamente, observar o trabalho da mente sem corre\u00e7\u00e3o imediata, sem controlar, negar ou julg\u00e1-la. O presente impulso para julgar, corrigir, n\u00e3o vem da compreens\u00e3o; ele brota da \u00e2nsia, do medo. H\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o profunda e fundamental do ego quando existe compreens\u00e3o do processo da \u00e2nsia. A compreens\u00e3o transcende a simples raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o. A mente-intelecto \u00e9 agora o instrumento da \u00e2nsia, com sua racionaliza\u00e7\u00e3o e desejos expansivos; confiar apenas neles para compreender e amar \u00e9 continuar na ignor\u00e2ncia e sofrimento.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>O que voc\u00ea quer dizer com experimentar?<\/p><p><strong>K:<\/strong>\u00a0Se consciente ou inconscientemente estamos simplesmente buscando resultados, n\u00e3o estamos experimentando. A experimenta\u00e7\u00e3o com seu pr\u00f3prio pensamento e sentimento se torna imposs\u00edvel se estamos meramente nos ajustando a um padr\u00e3o, antigo ou moderno. Podemos achar que estamos experimentando, mas se nosso pensamento \u00e9 influenciado e limitado, digamos por uma cren\u00e7a, ent\u00e3o a experimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e a maioria de n\u00f3s est\u00e1 cega \u00e0s nossas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. A verdadeira experimenta\u00e7\u00e3o consiste em compreender atrav\u00e9s de nossa observa\u00e7\u00e3o atenta, conscientiza\u00e7\u00e3o, as causas que condicionam o pensamento. Por que o pensamento \u00e9 condicionado? Sendo inseguro, medroso, ele se prende \u00e0s certezas, resultados definidos e aquisi\u00e7\u00f5es, ou de algu\u00e9m que ele considera grande ou de suas pr\u00f3prias mem\u00f3rias asseguradas. Ou seja, o pensamento sai do conhecido para o conhecido, de uma certeza para outra, de uma seguran\u00e7a para outra, de um substituto para outro. A realidade n\u00e3o \u00e9 o conhecido. O que \u00e9 concebido n\u00e3o pode ser o real quando a mente \u00e9 o instrumento da \u00e2nsia. A \u00e2nsia sempre gera ignor\u00e2ncia seguida de sofrimento. A verdadeira experimenta\u00e7\u00e3o consiste em n\u00e3o tentar descobrir o desconhecido, mas antes em conhecer as for\u00e7as, as causas, que fazem o pensamento se prender ao conhecido. Na compreens\u00e3o desse processo, sempre profundamente, pacientemente, surge um novo elemento que transcendeu a simples raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Qual deveria ser minha atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia?<\/p><p><strong>K:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>A viol\u00eancia cessa atrav\u00e9s da viol\u00eancia, \u00f3dio atrav\u00e9s de \u00f3dio? Se voc\u00ea me odeia e eu odeio voc\u00ea de volta, se voc\u00ea age violentamente e eu ajo de mesmo jeito em rela\u00e7\u00e3o a voc\u00ea, qual \u00e9 o resultado? \u2013 mais viol\u00eancia, mais \u00f3dio, mais amargura, n\u00e3o? Existe alguma outra\u00a0consequ\u00eancia\u00a0al\u00e9m dessas? \u00d3dio gera \u00f3dio. Mal gera mal. Muito frequentemente em nossa rela\u00e7\u00e3o, individual ou social, esse esp\u00edrito de retalia\u00e7\u00e3o gera s\u00f3 mais viol\u00eancia e mais antagonismo.<\/p><p>O esp\u00edrito de vingan\u00e7a \u00e9 desmedido no mundo. Voc\u00ea pode ter alguma outra atitude frente \u00e0 viol\u00eancia? N\u00f3s nos sentimos poderosos sendo violentos. Para usar uma express\u00e3o comercial \u2013 h\u00e1 dividendos maiores e mais r\u00e1pidos no \u00f3dio. O indiv\u00edduo criou a estrutura social existente devido ao \u00f3dio dentro dele, devido ao seu desejo de retaliar e agir violentamente. O mundo a nossa volta est\u00e1 nessa condi\u00e7\u00e3o inflamada de \u00f3dio e viol\u00eancia devido \u00e0 sua for\u00e7a astuciosa e determinada; a menos que n\u00f3s mesmos estejamos livres do \u00f3dio, somos levados facilmente pela corrente brutal. Se voc\u00ea estiver livre disso, ent\u00e3o a quest\u00e3o de qual atitude se deve tomar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s muitas express\u00f5es do \u00f3dio n\u00e3o aparece. Se voc\u00ea estiver profundamente consciente do \u00f3dio em si e n\u00e3o simplesmente de suas express\u00f5es astuciosas, ver\u00e1 que o \u00f3dio s\u00f3 gera \u00f3dio. Se voc\u00ea tem \u00f3dio dentro de si, responder\u00e1 ao \u00f3dio do outro, e como o mundo \u00e9 voc\u00ea, voc\u00ea est\u00e1 fadado a reagir a seus medos, ignor\u00e2ncia e gan\u00e2ncia. Certamente voc\u00ea est\u00e1 fadado ao \u00f3dio, a agir vingativamente, se seu pensamento estiver confinado ao ego.\u00a0Gan\u00e2ncia e amor possessivo geram m\u00e1 vontade, e se o pensamento n\u00e3o se liberta deles, haver\u00e1 a constante a\u00e7\u00e3o de \u00f3dio e viol\u00eancia. Como apontei, nossas cren\u00e7as e esperan\u00e7as s\u00e3o o resultado do anseio, e quando a d\u00favida \u00e9 lan\u00e7ada sobre elas, o ressentimento e a raiva aparecem. Na compreens\u00e3o da causa do \u00f3dio surge\u00a0a\u00a0bondade, a benevol\u00eancia. Amor e compreens\u00e3o chegam atrav\u00e9s da constante conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 natural amar os Mestres, sabendo instintivamente sem analisar que a resposta deles estimula nosso amor, pois somos um? Isso n\u00e3o \u00e9 um esfor\u00e7o de expans\u00e3o, pois o amor \u00e9 a pr\u00f3pria vida.<\/p><p><strong>K:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>H\u00e1 dois tipos de gurus, Mestres, ou professores \u2013 aqueles com quem os alunos est\u00e3o em contato direto neste plano da exist\u00eancia, e aqueles com que se sup\u00f5e estar em contato indiretamente. O professor com quem o aluno est\u00e1 em contato diretamente, fisicamente, observa o aluno enquanto o ajuda e guia.\u00a0Isto \u00e9 rigoroso e dif\u00edcil o suficiente para o aluno. Agora os \u2018Mestres\u2019 n\u00e3o est\u00e3o em contato direto, f\u00edsico com o aluno exceto com aqueles que afirmam ser intermedi\u00e1rios. Nessa rela\u00e7\u00e3o, que tem suas pr\u00f3prias recompensas e ang\u00fastias, a mente pode se iludir ilimitadamente.<\/p><p>Agora, o interrogante quer saber se nosso amor por um Mestre n\u00e3o estimula nosso amor? Por que voc\u00ea busca um Mestre para amar quando n\u00e3o sabe amar seres humanos? Por que voc\u00ea afirma unidade com os Mestres e n\u00e3o com os seres humanos? Amar um ideal, um Mestre, um deus, um estado, \u00e9 mais f\u00e1cil, n\u00e3o? Pois eles podem ser criados \u00e0 nossa imagem, segundo nossas esperan\u00e7as, medos, ilus\u00f5es. \u00c9 mais conveniente, embora talvez mais exigente de modo diferente, ter um ideal, uma imagem long\u00ednqua para amar, pois entre ela e n\u00f3s n\u00e3o pode haver rea\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel, pessoal, que causa tanto sofrimento na rela\u00e7\u00e3o humana. Tal amor n\u00e3o \u00e9 amor, mas uma cria\u00e7\u00e3o intelectual chamada amor. N\u00e3o estando diretamente em contato com um Mestre, deve-se depender ou de um intermedi\u00e1rio ou da chamada intui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. A depend\u00eancia de um intermedi\u00e1rio destr\u00f3i a compreens\u00e3o e o amor e condiciona mais a mente; e a chamada intui\u00e7\u00e3o tem seus graves perigos, pois pode ser apenas desejo projetado.<\/p><p>Agora, por que voc\u00ea quer depender de um mediador ou da intui\u00e7\u00e3o? Para aprender a n\u00e3o ser ganancioso, n\u00e3o ter maldade, ser compassivo? Por que voc\u00ea quer olhar para um ideal distante quando compreens\u00e3o e amor s\u00f3 podem ser despertados nas rela\u00e7\u00f5es humanas? Quando amamos o outro, nossas paix\u00f5es, nosso amor possessivo e ci\u00fames brotam; encontramos sofrimento e conflito nessa rela\u00e7\u00e3o e, porque n\u00e3o podemos resolver essa dor aqui, tentamos fugir dela.<\/p><p>Porque n\u00e3o sabemos como amar seres humanos, amamos Mestres, ideais, deuses. Mas voc\u00ea pode dizer que amar um Mestre \u00e9 tamb\u00e9m amar a humanidade, amar o mais elevado \u00e9 amar o inferior tamb\u00e9m. Mas isso em geral n\u00e3o acontece. Isso n\u00e3o \u00e9 estranho, complicado e artificial? Se n\u00e3o podemos amar o outro sem possessividade, sem constante conflito e dor, com o que estamos t\u00e3o familiarizados, se n\u00e3o compreendemos isso, como podemos compreender e amar alguma outra coisa, especialmente quando nessa outra coisa h\u00e1 grande possibilidade de auto-ilus\u00e3o? Onde o amor come\u00e7a \u2013 com deuses e Mestres e ideais ou com seres humanos? Como pode haver amor quando temos orgulho de nossos preconceitos individuais, antagonismos raciais, \u00f3dios nacionais e conflitos econ\u00f4micos? Como podemos amar o outro quando estamos interessados principalmente com nossa pr\u00f3pria seguran\u00e7a, nosso pr\u00f3prio crescimento, nosso pr\u00f3prio bem estar? Esse chamado amor por ideais, Mestres, deuses \u00e9 rom\u00e2ntico e falso; n\u00e3o sei se as pessoas\u00a0veem\u00a0a brutalidade disso. A adora\u00e7\u00e3o de Mestres, ideias, \u00e9 idolatria e destr\u00f3i a compreens\u00e3o, o amor.<\/p><p>Amor e compreens\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o produtos do intelecto. O amor n\u00e3o \u00e9 para ser dividido intelectualmente como amor a Deus e amor ao homem. Se for dividido assim, n\u00e3o \u00e9 mais amor. Ame completamente, totalmente, sem o pensamento do ego e, assim, liberte-se verdadeiramente do medo que necessita de v\u00e1rias formas de fuga e de esquecimento.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>O que voc\u00ea faria se seu filho fosse atacado?<\/p><p><strong>K:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>N\u00e3o tenho resposta para problemas hipot\u00e9ticos. Como se reagir\u00e1 instantaneamente \u00e0 viol\u00eancia depender\u00e1 do condicionamento da mente da pessoa. Se voc\u00ea foi condicionado a enfrentar a viol\u00eancia com viol\u00eancia, ent\u00e3o agir\u00e1 violentamente, mas, se voc\u00ea se conscientizou da causa e do processo da viol\u00eancia, ent\u00e3o sua a\u00e7\u00e3o vai depender da profundidade de sua conscientiza\u00e7\u00e3o e da plenitude de sua compreens\u00e3o e amor. Nosso problema \u00e9: pode o pensamento dissipar o centro da viol\u00eancia que est\u00e1 em n\u00f3s mesmos? Pode, atrav\u00e9s de constante conscientiza\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o. Assim, se a viol\u00eancia chegar a voc\u00ea inesperadamente, voc\u00ea saber\u00e1 como agir, mas simples especula\u00e7\u00e3o de como se agiria no futuro \u00e9 in\u00fatil. O problema n\u00e3o \u00e9 como agiremos quando a viol\u00eancia nos chegar, mas como podemos, agora, ficar livres da viol\u00eancia em nossos pensamentos e sentimentos? A maioria de n\u00f3s n\u00e3o tem consci\u00eancia de nosso estado de ser; agimos irrefletidamente e o sofrimento nos alcan\u00e7a.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Pode se ser autoconfiante apesar da express\u00e3o pr\u00f3pria frustrada? O processo de autorevela\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz parte da necess\u00e1ria autoconfian\u00e7a?<\/p><p><strong>K:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Devemos descobrir por n\u00f3s mesmos o que em n\u00f3s est\u00e1 se expressando antes de dar tanta import\u00e2ncia \u00e0 auto-express\u00e3o. O indiv\u00edduo se expressa atrav\u00e9s de seu condicionamento, e essa limita\u00e7\u00e3o que ele acentua em sua auto-express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m de sofrimento e frustra\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 isso que fica constantemente procurando se expressar em nossa a\u00e7\u00e3o cotidiana? \u00c2nsia sob diferentes formas, como poder, sucesso, satisfa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o?<\/p><p>Eu disse que rela\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de auto-revela\u00e7\u00e3o. Se o pensamento se permite, sem nenhum obst\u00e1culo, perceber seu pr\u00f3prio processo na a\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o h\u00e1 o come\u00e7o da compreens\u00e3o das causas do conflito e do sofrimento; essa compreens\u00e3o \u00e9 autoconfian\u00e7a verdadeira. At\u00e9 que se compreenda totalmente o processo de ansiar com seu medo autoprotetor, que \u00e9 muitas vezes revelado na rela\u00e7\u00e3o com o outro e com a sociedade, a auto-express\u00e3o se torna apenas uma barreira entre o homem e o homem. Essa conscientiza\u00e7\u00e3o compreensiva demanda interesse vigoroso e discernimento, que \u00e9 verdadeira medita\u00e7\u00e3o.<\/p><p>23 de junho de 1940<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinta palestra em Oak Grove Durante os \u00faltimos quatro domingos, estivemos tentando compreender o que queremos dizer com gan\u00e2ncia e alguns dos problemas implicados na rela\u00e7\u00e3o. Dividimos a \u00e2nsia em gan\u00e2ncia, amor possessivo e depend\u00eancia de cren\u00e7as, mas de fato, n\u00e3o existe tal divis\u00e3o; fizemos isso para compreender a \u00e2nsia mais completamente. 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