{"id":1293,"date":"2022-12-18T15:49:59","date_gmt":"2022-12-18T15:49:59","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1293"},"modified":"2022-12-18T15:50:29","modified_gmt":"2022-12-18T15:50:29","slug":"09-06-1940","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1293","title":{"rendered":"09\/06\/1940"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1293\" class=\"elementor elementor-1293\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4fed90dc elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4fed90dc\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-5bb0674e\" data-id=\"5bb0674e\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-58912c3d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"58912c3d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><strong>Terceira Palestra em Oak Grove<\/strong><\/p><p>Eu estava tentando explicar na semana passada a diferen\u00e7a entre gan\u00e2ncia e necessidade. Se n\u00e3o compreendermos a diferen\u00e7a entre as duas, haver\u00e1 sempre o conflito da escolha. Existe uma abordagem diferente para o problema de ansiar e precisar em vez do costumeiro controle, nega\u00e7\u00e3o e escolha; \u00e9 compreender o processo da gan\u00e2ncia, se conscientizar do anseio. Estando empobrecidos psicologicamente, internamente, queremos nos enriquecer por meio de aquisi\u00e7\u00f5es e posses e, assim, damos \u00e0s coisas um valor desproporcional. Estando conscientes, h\u00e1 uma profunda compreens\u00e3o das causas dessa pobreza psicol\u00f3gica, dessa falta de enriquecimento criativo, e da\u00ed vem a liberdade da gan\u00e2ncia com seus conflitos. Nesse processo de conscientiza\u00e7\u00e3o, nessa busca interior para compreender a depend\u00eancia das coisas para nossas satisfa\u00e7\u00f5es, prazeres, voc\u00ea perceber\u00e1, se experimentar, que existe um tipo diferente de vontade \u2013 n\u00e3o a vontade de resist\u00eancias conflitantes, mas a vontade da compreens\u00e3o que \u00e9 integral, completa. Para experimentar a pessoa deve se conscientizar do anseio, da gan\u00e2ncia, n\u00e3o teoricamente, mas em nossa vida cotidiana de rela\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 quando estamos realmente livres internamente da gan\u00e2ncia, n\u00e3o simplesmente em nossa rela\u00e7\u00e3o exterior e a\u00e7\u00e3o, que pode haver paz e a\u00e7\u00e3o desinteressada.<\/p><p>Estivemos tentando compreender nosso anseio por coisas, e agora vamos examinar a quest\u00e3o de nossa rela\u00e7\u00e3o com as pessoas, e pela compreens\u00e3o desse problema complexo, a riqueza da vida \u00e9 revelada.<\/p><p>A exist\u00eancia toda n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o? Existir \u00e9 estar em rela\u00e7\u00e3o. Em nossa rela\u00e7\u00e3o existe conflito, n\u00e3o apenas entre indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m entre o indiv\u00edduo e a sociedade. A sociedade \u00e9, afinal, a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com os outros; ela \u00e9 a extens\u00e3o, a proje\u00e7\u00e3o, do indiv\u00edduo. Se o indiv\u00edduo n\u00e3o compreender sua rela\u00e7\u00e3o com as coisas ou com as pessoas com que est\u00e1 imediatamente implicado, suas a\u00e7\u00f5es produzir\u00e3o conflito \u2013 pessoal bem como social. Existe conflito na rela\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, existe o desejo de se isolar, se afastar de uma rela\u00e7\u00e3o que provoca dor. Esse isolamento toma a forma ou de aceita\u00e7\u00e3o de novas e agrad\u00e1veis rela\u00e7\u00f5es no lugar da antiga, ou se recolher a um mundo de ideias. Se a vida \u00e9 uma s\u00e9rie de eventos que produzir\u00e3o ao final um isolamento do indiv\u00edduo, ent\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 um meio em dire\u00e7\u00e3o a esse fim. Mas a pessoa n\u00e3o pode se afastar, pois toda a exist\u00eancia \u00e9 uma forma de rela\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, at\u00e9 se compreender e se libertar das causas do conflito dentro de si mesmo, quem quer que seja a pessoa, quaisquer que sejam as circunst\u00e2ncias, haver\u00e1 sempre conflito. A ideia de isolamento progressivo que o homem em seu conflito deseja, chamando-a de realidade, unidade, amor e assim por diante, \u00e9 uma fuga da realidade que s\u00f3 pode ser compreendida na rela\u00e7\u00e3o. Existe conflito na rela\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, o pensamento busca se afastar desse conflito. Encontramos muitos meios de fuga, mas a causa do conflito ainda est\u00e1 ali.<\/p><p>Por que existe conflito entre as pessoas? Qual \u00e9 a raz\u00e3o desse conflito mesmo entre aqueles que dizem se amar? Ora, toda rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um processo de auto revela\u00e7\u00e3o? Ou seja, nesse processo de rela\u00e7\u00e3o, voc\u00ea vai se revelando, vai se descobrindo \u2013 todas as condi\u00e7\u00f5es de seu ser, as feias e as agrad\u00e1veis. Se voc\u00ea estiver c\u00f4nscio, a rela\u00e7\u00e3o atua como um espelho, refletindo mais e mais os v\u00e1rios estados de seus pensamentos e sentimentos. Se n\u00f3s compreendermos profundamente que rela\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de auto revela\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ela ter\u00e1 um significado diferente. Mas n\u00e3o admitimos que a rela\u00e7\u00e3o seja um processo revelador, pois n\u00e3o queremos mostrar o que somos, e h\u00e1 constante conflito por isso. Na rela\u00e7\u00e3o buscamos gratifica\u00e7\u00e3o, prazer, conforto, e se houver qualquer oposi\u00e7\u00e3o profunda a isso, tentamos trocar nossa rela\u00e7\u00e3o. Assim, a rela\u00e7\u00e3o em vez de ser uma a\u00e7\u00e3o progressiva de constante conscientiza\u00e7\u00e3o, tende a se tornar um processo de auto-isolamento. O caminho do desejo leva ao auto-isolamento e \u00e0 limita\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Quando estamos buscando simplesmente gratifica\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia cr\u00edtica se torna imposs\u00edvel, contudo, \u00e9 s\u00f3 nessa conscientiza\u00e7\u00e3o alertada que qualquer ajustamento ou compreens\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Assim, a responsabilidade na rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o se baseia na satisfa\u00e7\u00e3o, mas na compreens\u00e3o e no amor. N\u00e3o encontrando satisfa\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o humana, n\u00f3s muitas vezes tentamos estabelec\u00ea-la no \u00e2mbito das teorias, cren\u00e7as e conceitos. O amor, ent\u00e3o, se torna simplesmente uma emo\u00e7\u00e3o, uma sensa\u00e7\u00e3o, uma concep\u00e7\u00e3o ideal, e n\u00e3o uma realidade para ser compreendida na rela\u00e7\u00e3o humana. Porque na rela\u00e7\u00e3o humana existe atrito, dor, n\u00f3s tentamos idealizar o amor e cham\u00e1-lo c\u00f3smico, universal, o que n\u00e3o \u00e9 mais do que uma fuga da realidade. Amar integralmente, sem medo, sem possessividade, exige uma conscientiza\u00e7\u00e3o intensa e compreens\u00e3o que s\u00f3 pode se realizar na rela\u00e7\u00e3o humana quando o pensamento est\u00e1 livre do anseio e da possessividade. S\u00f3 ent\u00e3o pode haver o amor do todo.<\/p><p>Se compreendermos a causa do conflito e do sofrimento em nossa rela\u00e7\u00e3o sem medo, surge uma qualidade de completude que n\u00e3o \u00e9 mera expans\u00e3o nem a agrega\u00e7\u00e3o de muitas virtudes. Esperamos amar o homem atrav\u00e9s do amor a Deus, mas se n\u00e3o soubermos como amar o homem, como poderemos amar a realidade? Amar o homem \u00e9 amar a realidade. N\u00f3s achamos que amar o outro \u00e9 t\u00e3o doloroso, tantos problemas est\u00e3o envolvidos nisso, que consideramos ser mais f\u00e1cil e mais satisfat\u00f3rio amar um ideal, o que \u00e9 emocionalismo intelectual, n\u00e3o amor.<\/p><p>N\u00f3s dependemos da sensa\u00e7\u00e3o para a continua\u00e7\u00e3o do chamado amor, e quando essa gratifica\u00e7\u00e3o \u00e9 impedida, tentamos encontr\u00e1-la em outra. Assim, o que mais buscamos em nossa rela\u00e7\u00e3o humana \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o do desejo. Sem compreender o anseio, n\u00e3o pode haver completude de amor. Isso, novamente, exige constante e intensa conscientiza\u00e7\u00e3o. Para compreender esta completude, esta totalidade, precisamos come\u00e7ar a nos conscientizar do desejo como gan\u00e2ncia e possessividade. Ent\u00e3o compreenderemos a complexa natureza do desejo e, assim, haver\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 liberdade da gan\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m a completude que transcende o intelecto e suas resist\u00eancias.<\/p><p>Se formos capazes de fazer isso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas, ent\u00e3o, talvez, sejamos capazes de captar uma forma muito mais complexa de anseio, que existe na rela\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o devemos come\u00e7ar nas altas aspira\u00e7\u00f5es, esperan\u00e7a e vis\u00e3o, mas com coisas e pessoas com quem estamos em contato di\u00e1rio. Se n\u00e3o formos capazes de profunda compreens\u00e3o das coisas e das pessoas, n\u00e3o compreenderemos a realidade, pois a realidade est\u00e1 na compreens\u00e3o do ambiente, das coisas e pessoas. Esse ambiente \u00e9 o produto de nossa rela\u00e7\u00e3o com as coisas e pessoas: se o resultado se baseia no anseio e em sua gratifica\u00e7\u00e3o, como acontece hoje, fugir dele e buscar a realidade \u00e9 criar outras formas de gratifica\u00e7\u00e3o e ilus\u00e3o. A realidade n\u00e3o \u00e9 produto do anseio; aquilo que \u00e9 criado atrav\u00e9s do anseio \u00e9 transit\u00f3rio; aquilo que \u00e9 eterno s\u00f3 pode ser compreendido atrav\u00e9s do permanente.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Algumas vezes n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil diferenciar entre as necessidades b\u00e1sicas humanas e os desejos psicol\u00f3gicos por satisfa\u00e7\u00e3o?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0\u00c9 muito dif\u00edcil diferenciar. Para fazer isso, deve haver clareza de percep\u00e7\u00e3o. Estar consciente do processo dos desejos transit\u00f3rios, e compreendendo-os totalmente, as necessidades humanas naturais ser\u00e3o reguladas inteligentemente sem \u00eanfase desmedida. Mas veja, individualmente n\u00e3o estamos interessados em compreender o processo do desejo. N\u00e3o somos suficientemente impetuosos para descobrir se podemos diferenciar entre necessidades humanas e desejos psicol\u00f3gicos. Pode se descobrir isso por meio da conscientiza\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, por meio de paciente investiga\u00e7\u00e3o, mas a compreens\u00e3o desse problema por outra pessoa \u00e9 de pouco valor para voc\u00ea; voc\u00ea ter\u00e1 que compreend\u00ea-lo por si mesmo. Se voc\u00ea disser que se limitar\u00e1 \u00e0s m\u00ednimas coisas, n\u00e3o estar\u00e1 compreendendo o complexo problema do desejo; est\u00e1 simplesmente interessado em conseguir certos resultados, o que \u00e9 buscar gratifica\u00e7\u00e3o em outro n\u00edvel, mas isso n\u00e3o resolve o problema que o desejo cria.<\/p><p>O que estamos tentando fazer aqui \u00e9 compreender o processo do desejo, n\u00e3o colocar um limite no anseio. Compreendendo o anseio, surge uma limita\u00e7\u00e3o natural das coisas, n\u00e3o uma limita\u00e7\u00e3o predeterminada sobre o exerc\u00edcio da vontade. \u00c9 o anseio que confere \u00e0s coisas seus desproporcionais valores. Esses valores se baseiam em demandas psicol\u00f3gicas. Se a pessoa for pobre psicologicamente, ela busca satisfa\u00e7\u00e3o em coisas; consequentemente, propriedade, nome, fam\u00edlia se tornam urgentes e importantes, resultando em caos social. Enquanto n\u00e3o se resolve este conflito da gan\u00e2ncia, a simples limita\u00e7\u00e3o das coisas n\u00e3o pode gerar nem ordem social nem aquela tranquilidade de liberdade do anseio. Atrav\u00e9s da legisla\u00e7\u00e3o social, a gan\u00e2ncia n\u00e3o pode ser destru\u00edda; voc\u00ea pode limitar suas express\u00f5es em certas dire\u00e7\u00f5es, mas mesmo essas limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o superadas se o anseio ainda for o motivo da a\u00e7\u00e3o humana. As compensa\u00e7\u00f5es oferecidas pelas religi\u00f5es para se abrir m\u00e3o das coisas mundanas s\u00e3o ainda formas de anseio. Para se libertar do anseio, deve-se pacientemente, delicadamente, sem preconceito, compreender seu complexo problema.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0No \u00faltimo domingo voc\u00ea disse que se pud\u00e9ssemos descobrir por que temos raiva em vez de tentar controlar a raiva, pod\u00edamos nos libertar dela. Acho que fico com raiva quando meu conforto, minhas opini\u00f5es, minha seguran\u00e7a e assim por diante, est\u00e3o amea\u00e7adas; e por que tenho raiva quando ou\u00e7o sobre a injusti\u00e7a que se relaciona com algu\u00e9m que n\u00e3o conhe\u00e7o?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Todos n\u00f3s, tenho certeza, tentamos subjugar a raiva, mas de algum modo isso n\u00e3o parece dissolv\u00ea-la. Existe uma abordagem diferente para dissipar a raiva? Como eu disse no \u00faltimo domingo, a raiva pode nascer de causas f\u00edsicas ou psicol\u00f3gicas. A pessoa tem raiva, talvez, porque est\u00e1 amea\u00e7ada, suas rea\u00e7\u00f5es defensivas est\u00e3o rompidas, a seguran\u00e7a que ela construiu cuidadosamente est\u00e1 sendo amea\u00e7ada e assim por diante. Todos n\u00f3s estamos familiarizados com a raiva. Como vai se compreender e dissolver a raiva? Se voc\u00ea considerar que suas cren\u00e7as, conceitos, opini\u00f5es s\u00e3o de grande import\u00e2ncia, ent\u00e3o est\u00e1 fadado a reagir violentamente quando questionado. Em vez de se prender a cren\u00e7as, opini\u00f5es, se voc\u00ea come\u00e7ar a questionar se elas s\u00e3o essenciais para a compreens\u00e3o de sua vida, ent\u00e3o, atrav\u00e9s da compreens\u00e3o de suas causas, vem a cessa\u00e7\u00e3o da raiva. Da\u00ed se come\u00e7a a dissolver as pr\u00f3prias resist\u00eancias que causam conflito e dor. Isso, novamente, exige severidade. N\u00f3s estamos acostumados a nos controlar por raz\u00f5es sociol\u00f3gicas ou religiosas ou por conveni\u00eancia, mas para erradicar a raiva \u00e9 preciso profunda conscientiza\u00e7\u00e3o e const\u00e2ncia na inten\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Voc\u00ea diz que fica com raiva quando sabe de injusti\u00e7a. \u00c9 porque voc\u00ea ama a humanidade, porque voc\u00ea \u00e9 compassivo? Compaix\u00e3o e raiva andam juntas? Pode haver justi\u00e7a quando h\u00e1 raiva, \u00f3dio? Voc\u00ea talvez fique com raiva com o pensamento de injusti\u00e7a em geral, crueldade, mas sua raiva n\u00e3o altera a injusti\u00e7a ou a crueldade; ela s\u00f3 pode trazer preju\u00edzo. Para gerar ordem, voc\u00ea mesmo tem que ser cuidadoso, compassivo. A a\u00e7\u00e3o nascida do \u00f3dio s\u00f3 pode criar mais \u00f3dio. N\u00e3o pode haver retid\u00e3o onde existe \u00f3dio; retid\u00e3o e \u00f3dio n\u00e3o podem andar juntos. Sob qualquer circunst\u00e2ncia, a raiva \u00e9 a aus\u00eancia de compreens\u00e3o e amor. Ela \u00e9 sempre cruel e ofensiva. O que voc\u00ea pode fazer se algu\u00e9m age injustamente, com \u00f3dio e preconceito? Esse ato n\u00e3o \u00e9 eliminado por sua raiva, por seu \u00f3dio.<\/p><p>Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 realmente preocupado com a injusti\u00e7a \u2013 se estivesse, nunca ficaria com raiva. Voc\u00ea fica com raiva porque existe uma satisfa\u00e7\u00e3o emocional no \u00f3dio e na raiva \u2013 voc\u00ea se sente poderoso atrav\u00e9s do \u00f3dio e sendo raivoso. Se em nossa rela\u00e7\u00e3o humana houvesse compaix\u00e3o e perd\u00e3o, generosidade e bondade, como poderia haver tamb\u00e9m brutalidade e \u00f3dio? Se n\u00e3o tivermos amor, como pode haver ordem e paz? N\u00f3s desejamos reformar o outro quando n\u00f3s mesmos precisamos disso. N\u00e3o \u00e9 o outro que \u00e9 cruel, injusto, mas n\u00f3s mesmos. Para compreender isso, temos que estar constantemente conscientes. O problema somos n\u00f3s mesmos e n\u00e3o o outro. E eu lhe digo que quando voc\u00ea olhar a raiva em voc\u00ea mesmo e come\u00e7ar a se conscientizar de suas causas e express\u00f5es, ent\u00e3o nessa compreens\u00e3o existe compaix\u00e3o, perd\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Estando completamente dissociado da viol\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel que minha a\u00e7\u00e3o possa estar dissociada? Por exemplo, se eu for atacado, eu mato por autopreserva\u00e7\u00e3o como parte da viol\u00eancia. Se me recuso a matar e me deixo matar, eu n\u00e3o sou ainda parte da viol\u00eancia? A dissocia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de atitude mais do que de a\u00e7\u00e3o?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0As quest\u00f5es sobre viol\u00eancia em todas as suas variadas formas ser\u00e3o compreendidas se pudermos perceber a causa principal do \u00f3dio, do desejo de ferir, de vingan\u00e7a, de medo e assim por diante. Se pudermos compreender isso, ent\u00e3o saberemos espontaneamente como lidar com aqueles que nos odeiam, que querem ser violentos conosco. Toda a nossa aten\u00e7\u00e3o deve ser dirigida n\u00e3o ao que devemos fazer a respeito da viol\u00eancia apontada para n\u00f3s, mas compreender as causas de nosso pr\u00f3prio medo, \u00f3dio, arrog\u00e2ncia, ou partidarismo. Compreendendo isso em nossa vida cotidiana, os problemas criados pelo outro deixam de ter muita significa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea resolver\u00e1 o problema externo da viol\u00eancia compreendendo o problema central de anseio, inveja, por meio da constante conscientiza\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de seu pensamento, de sua rela\u00e7\u00e3o com o outro.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Para estar totalmente consciente, para ser flex\u00edvel, deve haver sempre um grande sentimento de amor. N\u00e3o se pode sentir amor nem se tornar totalmente consciente por esfor\u00e7o; ent\u00e3o o que se deve fazer?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Ora, qual \u00e9 o esfor\u00e7o envolvido na compreens\u00e3o, por exemplo, de nossos anseios psicol\u00f3gicos e necessidades naturais? Para compreender profundamente que toda depend\u00eancia psicol\u00f3gica, seja de coisas ou de pessoas, cria n\u00e3o s\u00f3 conflito e sofrimento social, mas pessoal, para compreender as complexas causas do conflito e o desejo de se livrar dele, \u00e9 preciso n\u00e3o simplesmente a vontade de se livrar, mas constante conscientiza\u00e7\u00e3o em sua vida cotidiana. Se essa conscientiza\u00e7\u00e3o for o resultado do desejo de alcan\u00e7ar certo resultado, ent\u00e3o o esfor\u00e7o para estar consciente s\u00f3 produz mais resist\u00eancia e conflito. A conscientiza\u00e7\u00e3o nasce quando existe o interesse de compreender, mas o interesse n\u00e3o pode ser criado por meio de simples vontade e controle. Se voc\u00ea der verdadeiro valor \u00e0s coisas apenas a fim de n\u00e3o ter conflito, estar\u00e1 vivendo num estado de ilus\u00e3o, pois n\u00e3o compreendeu o processo do anseio, que cria conflito e dor.<\/p><p>9 de junho de 1940<\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceira Palestra em Oak Grove Eu estava tentando explicar na semana passada a diferen\u00e7a entre gan\u00e2ncia e necessidade. Se n\u00e3o compreendermos a diferen\u00e7a entre as duas, haver\u00e1 sempre o conflito da escolha. Existe uma abordagem diferente para o problema de ansiar e precisar em vez do costumeiro controle, nega\u00e7\u00e3o e escolha; \u00e9 compreender o processo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_canvas","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1293","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1293"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1293\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1300,"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/1293\/revisions\/1300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}