{"id":1249,"date":"2022-12-18T12:05:25","date_gmt":"2022-12-18T12:05:25","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1249"},"modified":"2022-12-18T12:05:54","modified_gmt":"2022-12-18T12:05:54","slug":"10-08-1938","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1249","title":{"rendered":"10\/08\/1938"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1249\" class=\"elementor elementor-1249\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-794c3be7 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"794c3be7\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-41c23be9\" data-id=\"41c23be9\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-40ae8a6b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"40ae8a6b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/%EF%BB%BFjkrishnamurti-ommen-4th-public-talk-10th-august-1938\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/%EF%BB%BFjkrishnamurti-ommen-4th-public-talk-10th-august-1938<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Quarta Palestra em Ommen, Holanda<\/strong><\/p><p>Cada um de n\u00f3s tem um problema peculiar e particular. Alguns est\u00e3o preocupados com a morte, o medo da morte e o que acontece a seguir; alguns est\u00e3o t\u00e3o solit\u00e1rios em suas ocupa\u00e7\u00f5es que procuram um modo de superar esse vazio; alguns est\u00e3o tristes; alguns sentem t\u00e9dio com a rotina do trabalho e outros, problemas de amor e suas complexidades. Como todos esses problemas ou cada um deles pode ser resolvido? Cada um deve ser resolvido separadamente, desconectado dos outros, ou devemos investigar cada problema e ent\u00e3o chegar ao \u00fanico problema? H\u00e1, ent\u00e3o, apenas um problema e, investigando cada dificuldade, chegaremos ao \u00fanico problema atrav\u00e9s do qual, se o entendermos, resolveremos todos os outros?<\/p><p>H\u00e1 apenas um problema fundamental, que se expressa de diferentes formas. Cada um de n\u00f3s est\u00e1 consciente de uma dificuldade particular e deseja tratar dessa dificuldade por ela mesma. Ao resolver um problema espec\u00edfico pode-se eventualmente se chegar ao problema central, mas durante o processo a mente fica cansada e adquiriu conhecimento, f\u00f3rmulas, padr\u00f5es que realmente atrapalham a compreens\u00e3o do problema central. Alguns de n\u00f3s tentam seguir o problema at\u00e9 sua origem e no processo de investiga\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise, vamos aprendendo, acumulando o chamado conhecimento. Esse conhecimento gradualmente vira um padr\u00e3o, uma f\u00f3rmula. A experi\u00eancia nos deu mem\u00f3rias e valores que guiam e disciplinam e, inevitavelmente, condicionam.<\/p><p>Ora, s\u00e3o esses padr\u00f5es e mem\u00f3rias autoprotetoras, esse conhecimento acumulado, essas f\u00f3rmulas, que nos impedem de alcan\u00e7ar o problema fundamental e resolv\u00ea-lo. Se formos confrontados com uma experi\u00eancia vital e tentarmos compreend\u00ea-la com mem\u00f3rias mortas, valores, simplesmente vamos pervert\u00ea-la, juntando-a \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o morta do passado.<\/p><p>Para resolver esse problema da vida voc\u00ea deve ter uma mente fresca, nova. Um novo nascimento deve ocorrer. Vida, amor, realidade s\u00e3o sempre novos e mente e cora\u00e7\u00e3o vi\u00e7osos s\u00e3o necess\u00e1rios para compreend\u00ea-los. O amor \u00e9 sempre novo, mas esse frescor \u00e9 deteriorado pelo intelecto mec\u00e2nico com suas complexidades, ansiedades, ci\u00fames e assim por diante.<\/p><p>N\u00f3s nos renovamos, h\u00e1 um novo nascimento a cada dia? Ou estamos apenas desenvolvendo a capacidade de resist\u00eancia atrav\u00e9s da vontade, do h\u00e1bito, de valores?<\/p><p>Estamos apenas refor\u00e7ando a vontade de resistir de formas diferentes e sutis. Ent\u00e3o a experi\u00eancia, em vez de nos libertar nos dando a possibilidade de renascer, est\u00e1 nos condicionando, nos amarrando \u00e0s acumula\u00e7\u00f5es do passado, ao conhecimento acumulado que \u00e9 ignor\u00e2ncia e medo. Isso deturpa e destr\u00f3i a libertadora for\u00e7a da experi\u00eancia.<\/p><p>Este \u00e9 o problema fundamental \u2013 como renascer ou se renovar. Voc\u00ea pode se renovar atrav\u00e9s de f\u00f3rmulas, atrav\u00e9s de cren\u00e7as? N\u00e3o \u00e9 absurda a ideia de que voc\u00ea pode se renovar atrav\u00e9s de modelos, ideais, padr\u00f5es? Pode a disciplina for\u00e7ada ou auto-imposta resultar no renascimento da mente? Isso tamb\u00e9m \u00e9 imposs\u00edvel, n\u00e3o \u00e9? Por meio de slogans, repeti\u00e7\u00e3o de palavras, institui\u00e7\u00f5es, com o trabalho do outro voc\u00ea pode se renovar? Talvez momentaneamente, enquanto est\u00e1 me ouvindo, voc\u00ea sinta a impossibilidade de se renovar atrav\u00e9s de um m\u00e9todo, atrav\u00e9s de uma pessoa e assim por diante.<\/p><p>Ent\u00e3o o que nos renovar\u00e1? Voc\u00ea percebe a necessidade vital de ser renovado, de renascer? Para entender a vida, com todos os seus problemas complexos, a realidade, o desconhecido, tem que haver a morte constante e um novo nascimento. De outra forma voc\u00ea encontrar\u00e1 novos problemas, novas experi\u00eancias, com acumula\u00e7\u00f5es mortas, que s\u00f3 limitam, causando confus\u00e3o e sofrimento.<\/p><p>Estamos, ent\u00e3o, diante dessas mem\u00f3rias acumuladas e f\u00f3rmulas, cren\u00e7as e valores que atuam constantemente como um escudo, como uma resist\u00eancia. Se tentarmos remover essas resist\u00eancias, essas prote\u00e7\u00f5es simplesmente pela vontade, pela disciplina, a mente n\u00e3o se renova. E ainda assim temos o poder, a \u00fanica for\u00e7a que pode libertar e pode renovar, e ela \u00e9 o amor \u2013 o amor, n\u00e3o o ideal, n\u00e3o a f\u00f3rmula, mas o amor do homem pelo homem. Mas n\u00f3s restringimos esse amor com a moralidade da vontade, pois existe o desejo de satisfa\u00e7\u00e3o, e seu medo. A\u00ed o amor se torna destrutivo, limitado, em vez de libertador, renovador.<\/p><p>N\u00f3s vemos esse processo de escravid\u00e3o e dor no nosso dia a dia. S\u00f3 no dia a dia, com suas rela\u00e7\u00f5es e conflitos, seus medos e ambi\u00e7\u00f5es, voc\u00ea come\u00e7a a perceber a for\u00e7a renovadora do amor. Esse amor n\u00e3o \u00e9 sentimento. Sentimento, afinal, \u00e9, simplesmente, a incapacidade de sentir profundamente, integralmente, e, portanto, mudar fundamentalmente.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Gostaria de saber por que algumas vezes sou muito pregui\u00e7oso para me renovar?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea pode sentir pregui\u00e7a por se alimentar mal, mas tendo um corpo saud\u00e1vel \u2013 isso garante o renascimento da mente? Voc\u00ea pode estar em sil\u00eancio, aparentemente pregui\u00e7oso e, ainda assim, extremamente vivo.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Para renascer devemos nos esfor\u00e7ar.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Voc\u00ea n\u00e3o pode se renovar com o peso do passado, e percebendo isso voc\u00ea pensa que precisa fazer um esfor\u00e7o para se libertar. Estando confuso voc\u00ea acha que para se livrar disso precisa ter disciplina, precisa fazer um esfor\u00e7o para superar isso, de outra forma a confus\u00e3o vai crescer e continuar. \u00c9 isso que voc\u00ea quer dizer, n\u00e3o \u00e9? Ou voc\u00ea se esfor\u00e7a para ficar quieto a fim de encontrar uma forma e meios de superar essa confus\u00e3o e conflito, ou voc\u00ea se esfor\u00e7a para ver as causas de modo que possa super\u00e1-las; ou voc\u00ea est\u00e1 intelectualmente interessado apenas em observar \u2013 mas precisamos n\u00e3o nos preocupar com os chamados intelectuais. Ou voc\u00ea aceita o caos, a luta ou tenta superar o sofrimento; ambos envolvem esfor\u00e7o. Se voc\u00ea examinar o motivo desse empenho, vai perceber que h\u00e1 o desejo de n\u00e3o sofrer, o desejo de fugir, de se satisfazer, de se proteger e assim por diante. Fazemos esfor\u00e7o para superar, para entender, para transformar aquilo que somos naquilo que queremos ser ou pensamos que devemos ser. Esse esfor\u00e7o todo n\u00e3o produz uma s\u00e9rie de novos h\u00e1bitos no lugar dos antigos? Os h\u00e1bitos antigos, os valores antigos n\u00e3o lhe proporcionaram o ideal, a satisfa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, voc\u00ea se esfor\u00e7a para estabelecer novos ideais, uma nova s\u00e9rie de h\u00e1bitos e valores e satisfa\u00e7\u00f5es. Esse esfor\u00e7o \u00e9 considerado digno e nobre. Voc\u00ea est\u00e1 fazendo esfor\u00e7o para ser ou n\u00e3o ser algo segundo uma f\u00f3rmula ou padr\u00e3o preconcebido. Ent\u00e3o, n\u00e3o pode haver renascimento, apenas a continua\u00e7\u00e3o do antigo desejo sob uma nova forma que logo cria confus\u00e3o e tristeza. De novo h\u00e1 o empenho da vontade de superar o conflito e a dor. De novo fica-se preso no c\u00edrculo vicioso do esfor\u00e7o. N\u00e3o importa se \u00e9 o esfor\u00e7o para encontrar a causa do sofrimento ou o esfor\u00e7o para super\u00e1-lo.<\/p><p>O esfor\u00e7o \u00e9 feito para superar o medo descobrindo suas causas. Por que voc\u00ea quer descobrir a causa? N\u00e3o \u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o quer sofrer, voc\u00ea tem medo de sofrer? Ent\u00e3o voc\u00ea espera que sendo indulgente com o medo, todo o medo desaparecer\u00e1. Isso \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p><p>Agora, voc\u00ea se esfor\u00e7a para descobrir a causa da alegria? Se fizer isso, a alegria cessa e apenas suas mem\u00f3rias e h\u00e1bitos existem.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Ent\u00e3o, pela an\u00e1lise, o medo deveria desaparecer assim como o prazer quando examinado. Por que isso n\u00e3o acontece?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0A alegria \u00e9 espont\u00e2nea, impensada e quando a mente a analisa para cultiv\u00e1-la ou reav\u00ea-la, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais alegria. Por outro lado, o medo n\u00e3o \u00e9 espont\u00e2neo, exceto em incidentes repentinos e imprevistos, mas \u00e9 sedutoramente cultivado pela mente em seu desejo de satisfa\u00e7\u00e3o, de certeza. Ent\u00e3o se voc\u00ea se esfor\u00e7ar para se livrar do medo descobrindo suas causas e assim por diante, estar\u00e1 apenas acobertando o medo, pois o esfor\u00e7o \u00e9 da vontade, que \u00e9 resist\u00eancia criada pelo medo.<\/p><p>Se voc\u00ea compreende esse processo integralmente com todo o seu ser, ent\u00e3o do meio dessa chama de sofrimento, onde n\u00e3o h\u00e1 desejo de escapar, de superar \u2013 nessa confus\u00e3o surge uma nova compreens\u00e3o espontaneamente brotando do solo do pr\u00f3prio medo.<\/p><p>10 de agosto de 1938<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/%EF%BB%BFjkrishnamurti-ommen-4th-public-talk-10th-august-1938 Quarta Palestra em Ommen, Holanda Cada um de n\u00f3s tem um problema peculiar e particular. 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