{"id":1172,"date":"2022-12-18T11:56:24","date_gmt":"2022-12-18T11:56:24","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1172"},"modified":"2022-12-18T11:56:50","modified_gmt":"2022-12-18T11:56:50","slug":"06-08-1937","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1172","title":{"rendered":"06\/08\/1937"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1172\" class=\"elementor elementor-1172\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-157be9c9 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"157be9c9\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-5c17476b\" data-id=\"5c17476b\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2357df4b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2357df4b\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-5th-public-talk-6th-august-1937\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-5th-public-talk-6th-august-1937<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Quinta Discuss\u00e3o em Ommen, Holanda<\/strong><\/p><p>Embora intelectualmente possamos perceber a causa do sofrimento, ela tem pouca influ\u00eancia em nossas vidas. Embora possamos intelectualmente concordar que enquanto h\u00e1 apego, medo e tristeza, mas nosso desejo \u00e9 t\u00e3o fortemente possessivo que supera todo o racioc\u00ednio. Mesmo que possamos conhecer a causa do sofrimento, o sofrimento continuar\u00e1, pois o mero conhecimento intelectual n\u00e3o \u00e9 suficiente para destruir a causa. Assim, quando a mente, atrav\u00e9s da an\u00e1lise, descobre a causa do sofrimento, essa pr\u00f3pria descoberta pode tornar-se um ref\u00fagio. A esperan\u00e7a de que ao descobrir a causa da tristeza, o sofrimento cessar\u00e1, \u00e9 uma ilus\u00e3o.<\/p><p>Por que a mente procura a causa da tristeza? Obviamente, para super\u00e1-la. No entanto, nos momentos de \u00eaxtase n\u00e3o h\u00e1 busca de sua causa; se houvesse, o \u00eaxtase cessaria. Na \u00e2nsia de \u00eaxtase, tentamos tatear as causas que est\u00e3o no caminho. Esta \u00e2nsia de \u00eaxtase e o intenso desejo de superar a tristeza impedem sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Uma mente que est\u00e1 carregada com o desejo por realidade, por felicidade, por amor, n\u00e3o pode se livrar do medo. O medo amortece a tristeza como tamb\u00e9m distorce a alegria. Est\u00e1 todo o nosso ser em contato direto com a tristeza, como est\u00e1 com a felicidade, com alegria?<\/p><p>N\u00f3s estamos conscientes de que n\u00e3o somos completos com a tristeza; que h\u00e1 uma parte de n\u00f3s que est\u00e1 tentando fugir dela. Nesse processo, a mente acumulou muitos tesouros aos quais se apega desesperadamente. Quando percebemos esse processo de acumula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um desejo de acabar com isso. Ent\u00e3o come\u00e7amos a procurar m\u00e9todos, a maneira de nos livrar desses fardos. A pr\u00f3pria busca de um m\u00e9todo \u00e9 outra forma de fuga.<\/p><p>A escolha de m\u00e9todos, de uma maneira de livrar a si pr\u00f3prio daqueles fardos acumulados, que causam resist\u00eancia \u2013 essa escolha \u00e9 gerada pelo desejo de n\u00e3o sofrer, e por isso \u00e9 prejudicial. Este preconceito \u00e9 o resultado do desejo de ref\u00fagio, conforto.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Eu acho que ningu\u00e9m pensou no que voc\u00ea disse agora pouco. \u00c9 muito complicado.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Estamos tentando perceber, sentir a verdade que h\u00e1 de libertar o homem, n\u00e3o apenas descobrir quais s\u00e3o as causas da tristeza. Se o que eu disse, que pode soar complicado, \u00e9 a verdade, ent\u00e3o \u00e9 libertador. A descoberta da verdade \u00e9 um processo complexo, pois a mente se envolveu em muitas ilus\u00f5es.<\/p><p>O amanhecer da verdade n\u00e3o est\u00e1 na escolha do essencial contra o n\u00e3o essencial. Mas quando voc\u00ea come\u00e7a a perceber a ilus\u00e3o da escolha em si, ent\u00e3o essa revela\u00e7\u00e3o \u00e9 libertadora, destruindo espontaneamente a ilus\u00e3o sobre a qual a mente se alimenta.<br \/>\u00c9 o amor que, quando \u00e9 frustrado, sofre, e h\u00e1 amargura, h\u00e1 vazio? \u00c9 a exposi\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria pequenez de amor que est\u00e1 doendo.<\/p><p>Sempre que a mente escolhe, sua escolha deve basear-se no preconceito auto-protetor, e como desejamos n\u00e3o sofrer, seus atos s\u00e3o baseados no medo. O medo e a realidade n\u00e3o podem existir juntos. Um destr\u00f3i o outro. Mas \u00e9 uma das ilus\u00f5es da mente que cria a esperan\u00e7a de algo al\u00e9m de sua pr\u00f3pria escurid\u00e3o. Este algo, esta realidade esperada, \u00e9 outra forma de ref\u00fagio, outra fuga da tristeza. A mente perpetua seu pr\u00f3prio estado condicionado atrav\u00e9s do medo.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>O que voc\u00ea diz conduz a uma forma de vida muito materialista.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>O que voc\u00ea quer dizer com uma forma de vida materialista? Que s\u00f3 existe esta vida, que n\u00e3o h\u00e1 realidade, nenhum Deus, que a moralidade deve ser baseada na conveni\u00eancia social e econ\u00f4mica, e assim por diante. Agora, qual \u00e9 a atitude n\u00e3o-materialista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida? Que existe Deus, que h\u00e1 uma alma que continua, que h\u00e1 um al\u00e9m, que o indiv\u00edduo cont\u00e9m dentro de si a centelha do eterno. Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre os dois, o materialista e o religioso?<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Ambas s\u00e3o cren\u00e7as.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Mas por que ent\u00e3o voc\u00ea despreza a forma materialista da vida?<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Porque nega a persist\u00eancia.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea est\u00e1 apenas reagindo ao preconceito. Sua vida religiosa \u00e9 fundamentalmente irreligiosa. Embora voc\u00ea possa encobri-la falando sobre Deus, o amor, o futuro, em seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa nada, apenas tantas frases que voc\u00ea aprendeu como o homem materialista aprendeu suas ideias e frases. Tanto a mente religiosa como a mente materialista s\u00e3o condicionadas por seus pr\u00f3prios preconceitos, que impedem a compreens\u00e3o integral da verdade e a comunh\u00e3o com ela.<br \/><span style=\"font-size: 14px;\"><br \/><\/span><\/p><p><span style=\"font-size: 14px;\">I<\/span><b style=\"font-size: 14px;\">nterrogante:<\/b><span style=\"font-size: 14px;\"> Ontem voc\u00ea nos pediu para dizermos por que tentamos escapar do sofrimento, e de repente eu vi todo o significado disso. Se nos entregarmos ao sofrimento em vez de tentar escapar dele, romperemos a resist\u00eancia dentro de n\u00f3s.<\/span><\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Sim, se n\u00e3o \u00e9 o esfor\u00e7o da vontade. Mas n\u00e3o \u00e9 isso se entregar \u00e0 tristeza artificial, um esfor\u00e7o do intelecto para ganhar alguma coisa? Certamente voc\u00ea n\u00e3o se entrega sobre o \u00eaxtase? Se o fizer, n\u00e3o \u00e9 \u00eaxtase.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Eu n\u00e3o quis dizer isso. Eu quis dizer que em vez de tentar escapar, voc\u00ea apenas sofre.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Por que voc\u00ea sente que voc\u00ea deve sofrer? Quando voc\u00ea diz a si mesmo que voc\u00ea n\u00e3o deve escapar, voc\u00ea est\u00e1 esperando que fora do sofrimento voc\u00ea conseguir\u00e1 algo. Mas quando voc\u00ea est\u00e1 integralmente consciente da ilus\u00e3o de toda fuga, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 vontade de resistir ao desejo de escapar nem a vontade de alcan\u00e7ar algo atrav\u00e9s do sofrimento.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Sim, eu vejo isso<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea vai repetir o que voc\u00ea acabou de dizer.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Algu\u00e9m n\u00e3o se entrega sobre a alegria. N\u00e3o h\u00e1 dualidade no \u00eaxtase. \u00c9 um estado que surge espontaneamente sem nossa vontade disso. O sofrimento \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de dualidade. Sem entender isso, perpetuamos a dualidade atrav\u00e9s dos muitos esfor\u00e7os e processos intelectuais de super\u00e1-lo, dando-se a si mesmo sobre o seu oposto, \u00e0s virtudes em desenvolvimento, e assim por diante. Todas essas tentativas s\u00f3 refor\u00e7am a dualidade.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>As resist\u00eancias que colocamos contra o sofrimento n\u00e3o agem tamb\u00e9m como resist\u00eancias contra o \u00eaxtase?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0\u00c9 claro. Se h\u00e1 falta de sensibilidade para a feiura, para a tristeza, deve haver tamb\u00e9m insensibilidade profunda \u00e0 beleza, \u00e0 alegria. A resist\u00eancia contra a tristeza \u00e9 tamb\u00e9m uma barreira para a felicidade.<\/p><p>O que \u00e9 \u00eaxtase? Esse estado de ser quando a mente e o cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o em uni\u00e3o completa, quando o medo n\u00e3o os separa em peda\u00e7os, quando a mente n\u00e3o est\u00e1 retida.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Existe uma maneira melhor de sofrer? Uma maneira melhor de viver?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Existe. E \u00e9 isso que eu tenho tentado explicar. Se cada um tomar consci\u00eancia de seu pr\u00f3prio estado condicionado, ent\u00e3o ele come\u00e7ar\u00e1 a se livrar do \u00f3dio, da ambi\u00e7\u00e3o, do apego, dos temores que paralisam a vida.<\/p><p>Se a mente destr\u00f3i um estado condicionado apenas para entrar em outro, a vida se torna totalmente v\u00e3 e sem esperan\u00e7a. Isso \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo com a maioria de n\u00f3s, vagando de gaiola em gaiola, pensando que cada uma \u00e9 mais livre do que a anterior, enquanto na realidade cada uma \u00e9 apenas um tipo diferente de limita\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 livre n\u00e3o pode crescer a partir do menos para o mais.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>\u00a0Eu aceito o estado condicionado da mesma maneira que o globo est\u00e1 girando, como uma parte necess\u00e1ria do desenvolvimento.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Ent\u00e3o n\u00e3o estamos usando a intelig\u00eancia. Simplesmente afirmando que toda a exist\u00eancia \u00e9 condicionada, nunca descobriremos se existe um estado que n\u00e3o pode ser condicionado. Ao tornar-se integralmente consciente do estado condicionado, cada um ent\u00e3o come\u00e7ar\u00e1 a compreender a liberdade que vem atrav\u00e9s da cessa\u00e7\u00e3o do medo.<\/p><p>6 de agosto de 1937.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-5th-public-talk-6th-august-1937 Quinta Discuss\u00e3o em Ommen, Holanda Embora intelectualmente possamos perceber a causa do sofrimento, ela tem pouca influ\u00eancia em nossas vidas. Embora possamos intelectualmente concordar que enquanto h\u00e1 apego, medo e tristeza, mas nosso desejo \u00e9 t\u00e3o fortemente possessivo que supera todo o racioc\u00ednio. 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