{"id":1161,"date":"2022-12-18T11:55:17","date_gmt":"2022-12-18T11:55:17","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1161"},"modified":"2022-12-18T11:55:48","modified_gmt":"2022-12-18T11:55:48","slug":"05-08-1937","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1161","title":{"rendered":"05\/08\/1937"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1161\" class=\"elementor elementor-1161\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-79cd087a elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"79cd087a\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-a0433af\" data-id=\"a0433af\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e047c66 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e047c66\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-4th-public-talk-5th-august-1937\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-4th-public-talk-5th-august-1937<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Quarta Conversa em Ommen, Holanda<\/strong><\/p><p>Ignor\u00e2ncia \u00e9 a inconsci\u00eancia do processo do seu pr\u00f3prio pensamento e emo\u00e7\u00e3o. Tentei explicar o que quero dizer por consci\u00eancia.<\/p><p>Ir\u00e1 a experi\u00eancia dissolver essa ignor\u00e2ncia? O que queremos dizer por experi\u00eancia? A\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o de acordo com pensamento condicionado e emo\u00e7\u00e3o. A mente-cora\u00e7\u00e3o \u00e9 condicionada por conclus\u00f5es, h\u00e1bitos de pensamento, preconceitos, cren\u00e7as, medos, desejos.<\/p><p>Essa massa de ignor\u00e2ncia n\u00e3o pode ser dissolvida apenas pela experi\u00eancia. A experi\u00eancia pode dar \u00e0 ignor\u00e2ncia um novo significado, novos valores, novas ilus\u00f5es, mas ainda \u00e9 ignor\u00e2ncia. A mera experi\u00eancia n\u00e3o pode dissolver a ignor\u00e2ncia; ela s\u00f3 pode reform\u00e1-la.<\/p><p>Pode o controle e a mudan\u00e7a do ambiente dissolver a ignor\u00e2ncia? O que queremos dizer por ambiente? Os h\u00e1bitos e valores econ\u00f4micos, as divis\u00f5es sociais, a moralidade da conformidade, etc. Ser\u00e1 que a cria\u00e7\u00e3o de um novo ambiente, provocado pela compuls\u00e3o, pela viol\u00eancia, por meio da propaganda e da amea\u00e7a, dissolver\u00e1 essa ignor\u00e2ncia ou simplesmente a reformular\u00e1 de maneira diferente?<\/p><p>Atrav\u00e9s da domina\u00e7\u00e3o externa, pode essa ignor\u00e2ncia ser dissolvida? Eu digo que n\u00e3o pode. Isso n\u00e3o significa que a barb\u00e1rie atual das guerras, da explora\u00e7\u00e3o, das crueldades, das domina\u00e7\u00f5es de classe, n\u00e3o deve ser mudada. Mas mera mudan\u00e7a de sociedade n\u00e3o alterar\u00e1 a natureza fundamental da ignor\u00e2ncia.<\/p><p>Olhamos para dois processos diferentes de dissolu\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia: o de controlar o ambiente e o outro de destruir a ignor\u00e2ncia atrav\u00e9s da experi\u00eancia. Antes de aceitar ou negar a impossibilidade de acabar com a ignor\u00e2ncia atrav\u00e9s desses m\u00e9todos, voc\u00ea deve conhecer a realidade de cada processo. Voc\u00ea sabe disso? Se n\u00e3o, voc\u00ea deve experimentar e descobrir. Nenhuma estimula\u00e7\u00e3o artificial pode produzir a realidade.<\/p><p>A ignor\u00e2ncia n\u00e3o pode ser dissolvida nem pela experi\u00eancia, nem pelo mero controle do ambiente, mas espontaneamente, desaparece voluntariamente se houver aquela consci\u00eancia em que n\u00e3o h\u00e1 desejo, nem escolha.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Estou consciente de que eu amo e que a morte vai tirar o que eu amo, e o sofrimento \u00e9 uma coisa dif\u00edcil para eu compreender. Eu sei que \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o e sei que quero algo mais, mas n\u00e3o sei o qu\u00ea.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0A morte traz muita tristeza para a maioria de n\u00f3s, e queremos encontrar uma sa\u00edda para esse sofrimento. N\u00f3s nos voltamos para a cren\u00e7a na imortalidade, confortando-nos nisso, ou tentando esquecer a tristeza por v\u00e1rios meios, ou cultivando uma forma superior de indiferen\u00e7a, atrav\u00e9s da racionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Todas as coisas se deterioram, tudo \u00e9 desgastado pelo uso, tudo chega ao fim. Percebendo isso, alguns racionalizam\u00a0para sair da\u00a0tristeza. Por um processo intelectual eles amortecem seu sofrimento. Outros procuram superar esse sofrimento por adiamento, por uma cren\u00e7a no al\u00e9m, por um conceito de imortalidade. Isso tamb\u00e9m amortece o sofrimento, pois a cren\u00e7a d\u00e1 abrigo, conforto. N\u00e3o se pode ter medo do futuro ou da morte de si mesmo, mas a maioria de n\u00f3s n\u00e3o quer suportar a agonia da perda de algu\u00e9m que amamos. Ent\u00e3o, nos propusemos a descobrir formas e meios de frustrar a tristeza.<\/p><p>As explica\u00e7\u00f5es intelectuais de como se livrar do sofrimento tornam-no indiferente. No dist\u00farbio causado pela tomada de consci\u00eancia do pr\u00f3prio empobrecimento atrav\u00e9s da morte de algu\u00e9m que se ama, surge o choque do sofrimento. Outra vez a mente objeta \u00e0 amargura, assim ela procura maneiras e meios de escapar. Estar satisfeito com as muitas explica\u00e7\u00f5es do futuro, da continuidade, da reencarna\u00e7\u00e3o, e assim por diante; o homem racionaliza o sofrimento distante, de modo a viver o mais tranquilo poss\u00edvel, e outro, em sua cren\u00e7a, em seu adiamento, toma abrigo e conforto para n\u00e3o sofrer no presente. Estes dois s\u00e3o fundamentalmente os mesmos, nenhum quer sofrer; s\u00e3o apenas suas explica\u00e7\u00f5es que diferem. O primeiro zomba de todas as cren\u00e7as, e este \u00faltimo est\u00e1 profundamente imerso em refor\u00e7ar sua cren\u00e7a na reencarna\u00e7\u00e3o, na imortalidade, etc., ou em descobrir \u201cfatos\u201d, \u201crealidade\u201d sobre eles.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0N\u00e3o vejo por que o ref\u00fagio em si \u00e9 falso. Acho\u00a0que se refugiar\u00a0\u00e9 bobagem. A reencarna\u00e7\u00e3o pode ser um fato.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Se algu\u00e9m est\u00e1 sofrendo e h\u00e1 o suposto fato da reencarna\u00e7\u00e3o, que valor fundamental tem esse fato se ele deixa de ser um ref\u00fagio, um conforto? Se algu\u00e9m est\u00e1 morrendo de fome, de que adianta saber que h\u00e1 superprodu\u00e7\u00e3o no mundo? Ele quer ser alimentado, n\u00e3o fatos, mas comida.<\/p><p>N\u00e3o estamos discutindo se a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 um fato ou n\u00e3o. Para mim isso \u00e9 absolutamente irrelevante. Quando voc\u00ea est\u00e1 doente, com fome, fatos n\u00e3o aliviam o sofrimento, n\u00e3o satisfazem a fome. Pode-se ter esperan\u00e7a em um futuro estado ideal, mas a fome ainda vai continuar. O medo da morte e a tristeza que ela traz continuar\u00e1, mesmo apesar do suposto fato da reencarna\u00e7\u00e3o \u2013 a menos que, naturalmente, se viva em completa ilus\u00e3o.<\/p><p>Por que voc\u00ea se refugia em um suposto fato, numa cren\u00e7a? Eu n\u00e3o estou perguntando como voc\u00ea sabe que \u00e9 um fato. Voc\u00ea pensa que \u00e9, e por enquanto vamos deixar isso para l\u00e1. O que o leva a se abrigar? Como um homem se refugia na conclus\u00e3o racionalizada de que todas as coisas devem decair, e depois suaviza seu sofrimento, ent\u00e3o, por buscar ref\u00fagio em uma cren\u00e7a, em um suposto fato, voc\u00ea tamb\u00e9m amortece a a\u00e7\u00e3o da tristeza. Por causa da agudeza da mis\u00e9ria voc\u00ea deseja conforto, um al\u00edvio, e assim voc\u00ea procura um ref\u00fagio, esperando que seja duradouro e real. N\u00e3o \u00e9 por essa raz\u00e3o fundamental que buscamos ref\u00fagio, abrigo?<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Porque n\u00e3o somos capazes de enfrentar a vida, buscamos um substituto.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Simplesmente afirmando que voc\u00ea est\u00e1 buscando substitui\u00e7\u00f5es n\u00e3o resolve o problema do sofrimento. Eles nos impedem de pensar e sentir profundamente. Aqueles de voc\u00eas que sofreram e sofrem, qual foi a sua experi\u00eancia?<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Nada.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Alguns de voc\u00eas n\u00e3o fazem nada, lidando com isso indiferentemente. Alguns tentam escapar dela atrav\u00e9s de bebida, divers\u00e3o, esquecendo-se na a\u00e7\u00e3o, ou se refugiando em uma cren\u00e7a.<\/p><p>Qual \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o real no caso da morte? Voc\u00ea perdeu a pessoa que voc\u00ea ama e voc\u00ea gostaria de t\u00ea-la de volta; voc\u00ea n\u00e3o quer enfrentar a solid\u00e3o. Percebendo a impossibilidade de t\u00ea-la de volta, voc\u00ea se volta, em seu vazio e tristeza, para preencher sua mente e cora\u00e7\u00e3o com explica\u00e7\u00f5es, com cren\u00e7as, com informa\u00e7\u00f5es de segunda m\u00e3o, conhecimento e experi\u00eancias.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0H\u00e1 uma terceira possibilidade. Voc\u00ea nos mostra apenas essas duas possibilidades, mas eu sinto claramente que h\u00e1 outra maneira de enfrentar a tristeza.<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Pode haver muitas maneiras de encontrar a tristeza, mas se existe um desejo fundamental de buscar conforto, todos os m\u00e9todos se resolvem nessas duas abordagens definitivas \u2013 seja racionalizar ou buscar ref\u00fagio. Ambos os m\u00e9todos apenas aliviam a tristeza; eles oferecem uma fuga.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>E se um homem se casar novamente?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Mesmo que o fa\u00e7a, o problema do sofrimento ainda permanece sem solu\u00e7\u00e3o. Isso tamb\u00e9m \u00e9 um adiamento, um esquecimento. Algu\u00e9m se d\u00e1 explica\u00e7\u00f5es intelectuais e racionais porque n\u00e3o quer sofrer. Outro se refugia em uma cren\u00e7a, tamb\u00e9m para evitar o sofrimento. Outro se refugia na ideia de que, se ele puder encontrar a verdade, haver\u00e1 finalmente a cessa\u00e7\u00e3o do sofrimento. Outro, atrav\u00e9s do cultivo da irresponsabilidade, evita o sofrimento. Todos est\u00e3o tentando escapar do sofrimento.<\/p><p>N\u00e3o se oponha \u00e0s palavras abrigo, ref\u00fagio. Substitua sua pr\u00f3pria palavra \u2013 cren\u00e7a, Deus, verdade, novo casamento, racionaliza\u00e7\u00e3o, e assim por diante. Mas, enquanto houver um desejo consciente ou inconsciente de escapar da tristeza, a ilus\u00e3o em muitas formas deve existir.<\/p><p>Agora, por que voc\u00ea n\u00e3o deveria sofrer? Quando voc\u00ea est\u00e1 feliz, quando est\u00e1 alegre, voc\u00ea n\u00e3o diz que n\u00e3o deve ser feliz. Voc\u00ea n\u00e3o foge da alegria, voc\u00ea n\u00e3o procura um ref\u00fagio dela. Quando voc\u00ea est\u00e1 em estado de \u00eaxtase, voc\u00ea n\u00e3o recorre a cren\u00e7as, a substitui\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio, voc\u00ea destr\u00f3i todas as coisas que est\u00e3o em seu caminho \u2013 seus deuses, suas moralidades, seus valores, suas cren\u00e7as, tudo \u2013 para manter este \u00eaxtase. Agora, por que voc\u00ea n\u00e3o faz a mesma coisa quando est\u00e1 sofrendo? Por que voc\u00ea n\u00e3o destr\u00f3i todas as coisas que interferem com a tristeza, as muitas explica\u00e7\u00f5es da mente, fugas, medos e ilus\u00f5es?<\/p><p>Se voc\u00ea sinceramente e profundamente colocar esta pergunta para si mesmo, voc\u00ea ver\u00e1 que cren\u00e7as, deuses, esperan\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o importam. Ent\u00e3o sua vida tem um significado novo e fundamental.<\/p><p>Na chama do amor, todo o medo \u00e9 consumido.<\/p><p>5 de agosto de 1937<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-4th-public-talk-5th-august-1937 Quarta Conversa em Ommen, Holanda Ignor\u00e2ncia \u00e9 a inconsci\u00eancia do processo do seu pr\u00f3prio pensamento e emo\u00e7\u00e3o. Tentei explicar o que quero dizer por consci\u00eancia. Ir\u00e1 a experi\u00eancia dissolver essa ignor\u00e2ncia? O que queremos dizer por experi\u00eancia? A\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o de acordo com pensamento condicionado e emo\u00e7\u00e3o. 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