{"id":1128,"date":"2022-12-18T11:51:41","date_gmt":"2022-12-18T11:51:41","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1128"},"modified":"2022-12-18T11:52:17","modified_gmt":"2022-12-18T11:52:17","slug":"01-08-1937","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1128","title":{"rendered":"01\/08\/1937"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1128\" class=\"elementor elementor-1128\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4bf3d607 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4bf3d607\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-79ca5ddb\" data-id=\"79ca5ddb\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4053e237 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4053e237\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-1st-public-talk-1st-august-1937\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-1st-public-talk-1st-august-1937<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Primeira palestra em Ommen, Holanda<\/strong><\/p><p>No meio de todas as circunst\u00e2ncias mut\u00e1veis da vida, existe alguma coisa permanente? Existe alguma rela\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s mesmos e a constante mudan\u00e7a em torno de n\u00f3s? Se aceit\u00e1ssemos que tudo \u00e9 mudan\u00e7a, inclusive n\u00f3s mesmos, ent\u00e3o nunca haveria a ideia de perman\u00eancia. Se pens\u00e1ssemos em n\u00f3s mesmos como em um estado de cont\u00ednuo movimento, ent\u00e3o n\u00e3o haveria conflito entre as circunst\u00e2ncias mutantes da vida e a coisa que agora consideramos como sendo permanente.<\/p><p>Existe uma profunda, duradoura esperan\u00e7a ou uma certeza em n\u00f3s de que existe uma coisa permanente no meio da cont\u00ednua mudan\u00e7a, e isto d\u00e1 origem ao conflito. Vemos que a mudan\u00e7a existe em torno de n\u00f3s. Vemos todas as coisas decaindo, definhando. Vemos cataclismos, guerras, fome, morte, inseguran\u00e7a, desilus\u00e3o. Tudo a nossa volta est\u00e1 em constante mudan\u00e7a, se tornando e decaindo. Todas as coisas ficam gastas pelo uso. N\u00e3o h\u00e1 nada permanente a nossa volta. Em nossas institui\u00e7\u00f5es, nossas morais, nossas teorias de governo, de economia, de rela\u00e7\u00e3o social \u2013 em todas as coisas h\u00e1 um fluxo, h\u00e1 uma mudan\u00e7a.<\/p><p>E, contudo, no meio desta imperman\u00eancia, sentimos que existe perman\u00eancia; estando insatisfeitos com esta imperman\u00eancia, n\u00f3s criamos um estado de perman\u00eancia, dando surgimento ao conflito entre aquilo que se sup\u00f5e ser permanente e aquilo que est\u00e1 mudando, o transit\u00f3rio. Mas se perceb\u00eassemos que todas as coisas, inclusive n\u00f3s mesmos, o \u201cEu\u201d, s\u00e3o transit\u00f3rias e as coisas no ambiente da vida s\u00e3o, tamb\u00e9m, impermanentes, certamente n\u00e3o haveria este conflito doloroso.<\/p><p>O que \u00e9 isto que exige perman\u00eancia, seguran\u00e7a, que anseia por continuidade? \u00c9 nesta exig\u00eancia que nossa rela\u00e7\u00e3o social, moral est\u00e1 baseada.<\/p><p>Se voc\u00ea, realmente, acreditasse ou sentisse profundamente a incessante mudan\u00e7a da vida, ent\u00e3o nunca haveria um anseio por seguran\u00e7a, por perman\u00eancia. Mas porque existe um profundo anseio por perman\u00eancia, n\u00f3s criamos um muro fechado contra o movimento da vida.<\/p><p>Assim, o conflito existe entre os valores mutantes da vida e o desejo que busca perman\u00eancia. Se n\u00f3s sent\u00edssemos e compreend\u00eassemos profundamente a imperman\u00eancia de n\u00f3s mesmos e das coisas deste mundo, ent\u00e3o haveria a cessa\u00e7\u00e3o do conflito penoso, dores e medos. Da\u00ed n\u00e3o haveria apego do qual surge a disputa social e individual.<\/p><p>O que \u00e9, ent\u00e3o, esta coisa que assumiu perman\u00eancia e est\u00e1 sempre buscando mais continuidade? N\u00e3o podemos examinar isto inteligentemente at\u00e9 analisarmos e compreendermos a pr\u00f3pria capacidade cr\u00edtica.<\/p><p>Nossa capacidade cr\u00edtica nasce de preconceitos, cren\u00e7as, teorias, esperan\u00e7as e assim por diante, ou daquilo que chamamos experi\u00eancia. A experi\u00eancia se baseia na tradi\u00e7\u00e3o, nas mem\u00f3rias acumuladas. Nossa experi\u00eancia est\u00e1 sempre tingida pelo passado. Se voc\u00ea cr\u00ea em Deus, talvez possa ter tido o que voc\u00ea chama de experi\u00eancia divina. Certamente esta n\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia verdadeira. Foi registrado em nossas mentes durante s\u00e9culos que existe Deus, e por esse condicionamento n\u00f3s temos uma experi\u00eancia. Esta n\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia verdadeira, de primeira m\u00e3o.<\/p><p>Uma mente condicionada agindo de modo condicionado n\u00e3o pode experimentar completamente. Tal mente \u00e9 incapaz de experimentar integralmente a realidade ou a n\u00e3o-realidade de Deus. Do mesmo modo, uma mente que j\u00e1 \u00e9 preconceituosa por um desejo consciente ou inconsciente pelo permanente, n\u00e3o pode compreender integralmente a realidade. Para tal mente preconceituosa toda investiga\u00e7\u00e3o \u00e9, meramente, um refor\u00e7o daquele preconceito.<\/p><p>A busca e o anseio por imortalidade \u00e9 o impulso de mem\u00f3rias acumuladas da consci\u00eancia individual, o \u201cEu\u201d, com seus medos e esperan\u00e7as, amores e \u00f3dios. Esse \u201cEu\u201d se quebra em muitas partes conflitantes: o mais elevado e o mais inferior, o permanente e o transit\u00f3rio, e assim por diante. Este \u201cEu\u201d, em seu desejo de se perpetuar, busca e usa formas e meios para se fortalecer.<\/p><p>Talvez alguns de voc\u00eas digam para si mesmos: \u201cCertamente com o desaparecimento destes anseios, deve estar a realidade\u201d. O pr\u00f3prio desejo de saber se existe algo al\u00e9m da consci\u00eancia conflituosa da exist\u00eancia \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de que a mente est\u00e1 em busca de uma seguran\u00e7a, uma certeza, um pr\u00eamio pelos seus esfor\u00e7os.<\/p><p>N\u00f3s vemos como a resist\u00eancia contra o outro \u00e9 criada, e essa resist\u00eancia pelas mem\u00f3rias acumulativas, pela experi\u00eancia, \u00e9 mais e mais fortalecida, tornando-se mais e mais consci\u00eancia de si mesmo. Assim, h\u00e1 sua resist\u00eancia pessoal e a do seu vizinho, da sociedade. O ajustamento entre duas ou mais resist\u00eancias \u00e9 chamado relacionamento, sobre o qual a moralidade \u00e9 constru\u00edda.<\/p><p>Onde existe amor, n\u00e3o existe a consci\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o. Apenas num estado de resist\u00eancia pode haver esta consci\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o, que \u00e9 meramente um ajustamento de conflitos opostos.<\/p><p>O conflito n\u00e3o \u00e9 apenas entre v\u00e1rias resist\u00eancias, mas tamb\u00e9m dentro de si, dentro da pr\u00f3pria qualidade de permanente e impermanente.<\/p><p>Existe alguma coisa permanente nesta resist\u00eancia? N\u00f3s vemos que a resist\u00eancia pode se perpetuar pela gan\u00e2ncia, pela ignor\u00e2ncia, pelo anseio consciente ou inconsciente de experi\u00eancia. Mas, certamente, esta continuidade n\u00e3o \u00e9 o eterno; ela \u00e9, meramente, a perpetua\u00e7\u00e3o do conflito. O que chamamos de permanente na resist\u00eancia \u00e9 apenas parte de resist\u00eancia em si e, portanto, do conflito.<\/p><p>Onde existe incompletude, a n\u00e3o-realiza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 o anseio por continuidade que cria resist\u00eancia, e confere a qualidade da perman\u00eancia. A coisa a que a mente se prende como permanente \u00e9 em sua pr\u00f3pria ess\u00eancia o transit\u00f3rio. \u00c9 o resultado de ignor\u00e2ncia, medo e anseio. Se entendermos isto, ent\u00e3o vemos que o problema n\u00e3o \u00e9 aquele de uma resist\u00eancia em conflito com outra, mas como essa resist\u00eancia surge e como ela \u00e9 para ser dissolvida. Quando enfrentamos este problema profundamente, h\u00e1 um novo despertar, um estado que pode ser chamado de amor.<\/p><p>1 de agosto de 1937<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-1st-public-talk-1st-august-1937 Primeira palestra em Ommen, Holanda No meio de todas as circunst\u00e2ncias mut\u00e1veis da vida, existe alguma coisa permanente? Existe alguma rela\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s mesmos e a constante mudan\u00e7a em torno de n\u00f3s? Se aceit\u00e1ssemos que tudo \u00e9 mudan\u00e7a, inclusive n\u00f3s mesmos, ent\u00e3o nunca haveria a ideia de perman\u00eancia. 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