{"id":1051,"date":"2022-12-18T11:42:20","date_gmt":"2022-12-18T11:42:20","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1051"},"modified":"2022-12-18T11:42:47","modified_gmt":"2022-12-18T11:42:47","slug":"02-08-1936","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1051","title":{"rendered":"02\/08\/1936"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1051\" class=\"elementor elementor-1051\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2d1bba23 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2d1bba23\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3f5fdfa6\" data-id=\"3f5fdfa6\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-263d8147 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"263d8147\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-camp-holland-6th-public-talk-2nd-august-1936\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-camp-holland-6th-public-talk-2nd-august-1936<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Sexta Palestra em Ommen, Holanda<\/strong><\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Quais, de acordo com voc\u00ea, s\u00e3o os princ\u00edpios b\u00e1sicos pelos quais se cria e educa as crian\u00e7as? Devemos ser sempre justificados ao assumir que as crian\u00e7as s\u00e3o capazes de conhecer o que \u00e9 bom e certo para elas, e que a menor interfer\u00eancia e orienta\u00e7\u00e3o de adultos, o melhor?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Os v\u00e1rios problemas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as podem apenas ser resolvidos compreensivelmente, integralmente. A humanidade est\u00e1 sendo educada e regimentada de acordo com certas ideias industriais, filos\u00f3ficas, e religiosas. Se o homem n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o resultado do ambiente e hereditariedade, se ele \u00e9 meramente uma entidade social, ent\u00e3o certamente que quanto mais houver de arregimenta\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o, imposi\u00e7\u00e3o, e compuls\u00e3o, melhor. Se assim for, ent\u00e3o, de uma muito tenra idade, a crian\u00e7a deve ser controlada, e suas rea\u00e7\u00f5es \u00edntimas para com a vida, devem ser corrigidas e disciplinadas de acordo com a necessidade industrial e a moralidade biol\u00f3gica.<\/p><p>Em oposi\u00e7\u00e3o a esta concep\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a f\u00e9, que mant\u00e9m que existe apenas uma for\u00e7a universal, transcendental, que \u00e9 Deus, e tudo \u00e9 parte dele, e nada \u00e9 desconhecido para ele. Ent\u00e3o, o homem n\u00e3o \u00e9 livre e seu destino est\u00e1 predeterminado. Na f\u00e9 tamb\u00e9m h\u00e1 arregimenta\u00e7\u00e3o de pensamento, atrav\u00e9s da cren\u00e7a e ideal. O que chamamos de educa\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 meramente for\u00e7ar o indiv\u00edduo a se adaptar a certas ideias, moralidades e conclus\u00f5es estabelecidas pelas organiza\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p><p>Se voc\u00eas examinarem ambos os opostos, as afirma\u00e7\u00f5es da f\u00e9 e da ci\u00eancia, ver\u00e3o que, embora estejam em oposi\u00e7\u00e3o, ambas moldam o homem, evidente ou sutilmente, cada uma de acordo com seu pr\u00f3prio padr\u00e3o. Antes de podermos saber como criar as crian\u00e7as, ou n\u00f3s mesmos, devemos compreender o significado destes opostos. Criamos atrav\u00e9s da f\u00e9, do medo, e compuls\u00e3o, um sistema de pensamento e conduta que chamamos de religi\u00e3o, e ao qual estamos constantemente a ajustar-nos; ou, pela cont\u00ednua afirma\u00e7\u00e3o de que o homem \u00e9 meramente uma entidade social, um produto do ambiente e hereditariedade, criamos uma moralidade superficial que \u00e9 oca e est\u00e9ril. Portanto, antes de podermos educar as crian\u00e7as ou n\u00f3s pr\u00f3prios, temos de compreender o que \u00e9 o homem.<\/p><p>O nosso pensamento e a\u00e7\u00e3o desenvolvem-se, por vezes, da f\u00e9, e noutras vezes, das rea\u00e7\u00f5es da necessidade biol\u00f3gica ou industrial. Quando h\u00e1 grande ansiedade, medo, incerteza, nos voltamos para Deus, afirmamos que h\u00e1 uma for\u00e7a transcendental que nos guia, e com a moralidade da f\u00e9, tentamos viver num mundo de oportunismo, \u00f3dio e crueldades. Ent\u00e3o, inevitavelmente existe conflito entre o sistema da f\u00e9 e o sistema da moralidade egot\u00edstica. Atrav\u00e9s de qualquer um desses sistemas, que se op\u00f5em, o que o homem \u00e9 n\u00e3o pode ser discernido.<\/p><p>Como, ent\u00e3o, descobriremos o que o homem \u00e9? Devemos, primeiro, tornar-nos conscientes de nosso pensamento e a\u00e7\u00e3o, e libert\u00e1-los da f\u00e9, do medo e da compuls\u00e3o. Devemos desembara\u00e7\u00e1-los da rea\u00e7\u00e3o e do conflito de opostos no qual s\u00e3o atualmente mantidos. Estando alerta e constantemente conscientes, devemos descobrir, por n\u00f3s mesmos, o verdadeiro processo da consci\u00eancia. Tenho tentado explicar este processo nas minhas muitas palestras.<\/p><p>Em vez de pertencer a qualquer um dos sistemas de pensamento opostos \u2013 f\u00e9 e ci\u00eancia \u2013 devemos ir al\u00e9m deles, e apenas ent\u00e3o devemos discernir aquilo que \u00e9 verdadeiro. Ent\u00e3o, devemos ver que h\u00e1 muitas energias cujos processos s\u00e3o \u00fanicos, e que n\u00e3o h\u00e1 uma for\u00e7a universal que p\u00f5e em movimento essas energias separadas. O homem \u00e9 esta energia \u00fanica, autoativa, que n\u00e3o tem in\u00edcio. Em seu desenvolvimento autoativo, h\u00e1 consci\u00eancia, da qual surge a individualidade. Este processo \u00e9 autossustentado pelas suas pr\u00f3prias atividades de ignor\u00e2ncia, preconceito, vontade, medo. Enquanto o processo de ignor\u00e2ncia e vontade existir, deve haver medo, com suas muitas ilus\u00f5es e fugas; deste processo, surge conflito e sofrimento.<\/p><p>Se discernirmos verdadeiramente este processo autossustentado de ignor\u00e2ncia, ent\u00e3o devemos ter uma atitude completamente diferente para com o homem e sua educa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 a compuls\u00e3o da f\u00e9 ou da moralidade superficial, mas o despertar da intelig\u00eancia, que se ajustar\u00e1 a todas as provoca\u00e7\u00f5es da vida. At\u00e9 que compreendamos realmente o significado de tudo isto, a mera busca por outro sistema de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 inteiramente in\u00fatil. Para despertar a intelig\u00eancia criativa, de modo que cada ser humano seja capaz de ajustamento espont\u00e2neo \u00e0 vida, deve haver o discernimento profundo do processo de si mesmo. Nenhum sistema filos\u00f3fico pode ajudar algu\u00e9m a se compreender a si mesmo. A compreens\u00e3o vem apenas por meio do discernimento do processo do \u2018Eu\u2019, com sua ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias e medos. Onde h\u00e1 intelig\u00eancia profunda e criativa, haver\u00e1 educa\u00e7\u00e3o correta, a\u00e7\u00e3o correta e rela\u00e7\u00e3o correta com o ambiente.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0N\u00e3o leva a experi\u00eancia \u00e0 plenitude da vida?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Vemos muitas pessoas passando por experi\u00eancia ap\u00f3s experi\u00eancia, multiplicando sensa\u00e7\u00e3o, vivendo em mem\u00f3rias passadas com antecipa\u00e7\u00e3o futura. Vivem essas pessoas uma vida de plenitude? Trazem as mem\u00f3rias acumuladas a plenitude da vida? Ou existe a plenitude da vida apenas quando a mente est\u00e1 aberta, vulner\u00e1vel, completamente despida de todas as mem\u00f3rias auto protetoras?<\/p><p>Quando h\u00e1 a\u00e7\u00e3o integral sem a divis\u00e3o de muitas vontades, h\u00e1 plenitude, intelig\u00eancia, a profundidade da realidade. Mera acumula\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia, ou viver na sensa\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um enriquecimento superficial da mem\u00f3ria, que proporciona uma sensa\u00e7\u00e3o artificial de plenitude, atrav\u00e9s de estimula\u00e7\u00e3o. Mero enriquecimento da mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 plenitude da vida; ele apenas constr\u00f3i mais muros auto protetores contra o movimento da vida, contra o sofrimento. Muros auto protetores da mem\u00f3ria impedem a espontaneidade da vida, e aumentam a resist\u00eancia e, portanto, intensificam o sofrimento e o conflito. Mem\u00f3rias acumuladas de experi\u00eancia n\u00e3o originam compreens\u00e3o ou a for\u00e7a da profunda flexibilidade.<\/p><p>A mem\u00f3ria guia-nos nas experi\u00eancias. Abordamos cada nova experi\u00eancia com uma mente condicionada \u2013 uma mente que est\u00e1 j\u00e1 carregada de mem\u00f3rias auto protetoras de medos, preconceitos, tend\u00eancias. A mem\u00f3ria condiciona sempre a mente e cria, para ela, um ambiente de valores do qual ela se torna prisioneira. Enquanto as mem\u00f3rias auto protetoras existirem e derem continuidade ao processo do \u2018Eu\u2019, n\u00e3o pode haver a plenitude da vida.<\/p><p>Ent\u00e3o, temos de compreender o processo da experi\u00eancia e perceber como a mente est\u00e1 sempre a reunir li\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia, que se torna seu guia. Essas li\u00e7\u00f5es, esses ideais e guias, que n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o mem\u00f3rias auto protetoras, constantemente ajudam a mente a fugir da realidade. Embora a mente busque fugir do sofrimento, ajudada por essas mem\u00f3rias, ela apenas acentua o medo, a ilus\u00e3o e o conflito. A plenitude da vida \u00e9 poss\u00edvel apenas quando a mente e o cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o completamente vulner\u00e1veis ao movimento da vida, sem quaisquer obst\u00e1culos auto criados e artificiais. A riqueza da vida vem quando a vontade, com suas ilus\u00f5es e valores, acabou.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Por favor, fale-nos sobre a beleza e \u00eaxtase da liberdade. \u00c9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar esse estado de felicidade sem o uso de medita\u00e7\u00e3o ou outros m\u00e9todos adequados ao n\u00edvel em que estamos?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Por que querem que vos fale sobre a beleza e \u00eaxtase da liberdade? Para ter uma nova sensa\u00e7\u00e3o, uma nova figura imaginativa, um novo ideal, ou \u00e9 porque esperam que se crie, em v\u00f3s, atrav\u00e9s da minha descri\u00e7\u00e3o, uma garantia, uma certeza? Voc\u00eas desejam ser estimulados. Como quando l\u00ea um poema, voc\u00ea \u00e9 levado pela vis\u00e3o moment\u00e2nea da fantasia do poeta, assim quer a estimula\u00e7\u00e3o da minha descri\u00e7\u00e3o. Quando olha para uma linda pintura, voc\u00ea \u00e9 transportado, por um momento, pela sua beleza, do seu conflito, mis\u00e9ria, e medo di\u00e1rios. Voc\u00ea foge, mas cedo retorna ao seu sofrimento. De qual proveito \u00e9 a minha descri\u00e7\u00e3o, para v\u00f3s, do indescrit\u00edvel? Nenhuma palavra o pode medir. Ent\u00e3o, n\u00e3o perguntemos o que \u00e9 verdade, o que \u00e9 liberdade.<\/p><p>Voc\u00eas saber\u00e3o o que \u00e9 liberdade quando voc\u00eas estiverem profundamente conscientes das paredes de vossa pris\u00e3o, pois essa mesma consci\u00eancia dissolve as limita\u00e7\u00f5es autocriadas. Quando perguntam o que \u00e9 verdade, o que \u00e9 o \u00eaxtase da liberdade, est\u00e3o apenas demandando uma nova fuga do fardo pesado da luta, paix\u00e3o, e \u00f3dio di\u00e1rios. Ocasionalmente, estamos conscientes da beleza do indescrit\u00edvel, mas esses momentos s\u00e3o t\u00e3o raros, que nos agarramos a eles, em mem\u00f3ria, e tentamos viver no passado, com a realidade sempre presente. Isto apenas cria e perpetua o conflito e a ilus\u00e3o. N\u00e3o nos deixemos viver, por meio de imagina\u00e7\u00e3o, num futuro antecipado, mas deixemo-nos estar conscientes de nossas lutas e medos di\u00e1rios.<\/p><p>Existem aqueles poucos que, compreendendo o processo de ignor\u00e2ncia autossustentado, trouxeram-no voluntariamente a um fim. E h\u00e1 os muitos que t\u00eam escapado do real; eles n\u00e3o conseguem discernir o real, \u201co que se torna sempre\u201d. Nenhum sistema, filos\u00f3fico ou cient\u00edfico, pode lev\u00e1-los ao \u00eaxtase da verdade. Nenhum sistema de medita\u00e7\u00e3o pode libert\u00e1-los das ilus\u00f5es, conflitos, e mis\u00e9rias auto engendrados e auto ativos, que s\u00e3o t\u00e3o insistentes que ajudam a criar aquelas condi\u00e7\u00f5es que impedem a frui\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia. Voc\u00ea quer dizer, por medita\u00e7\u00e3o, um conjunto de regras, uma disciplina, que, se seguida, espera que o ajude a despertar a intelig\u00eancia. Pode a compuls\u00e3o, quer de recompensa ou de puni\u00e7\u00e3o, trazer a intui\u00e7\u00e3o criativa da realidade? N\u00e3o deve voc\u00ea estar consciente, profundamente ciente do processo de ignor\u00e2ncia, vontade, que est\u00e1 sempre criando mais vontade, e portanto, sempre gerando medo e ilus\u00e3o? Quando come\u00e7a realmente a estar consciente deste processo, essa mesma consci\u00eancia \u00e9 medita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a medita\u00e7\u00e3o artificial por uns poucos minutos do dia, nos quais voc\u00ea se afasta da vida, para contemplar a vida. Pensamos que, ao nos afastarmos da vida, mesmo por um minuto, devemos compreender a vida. Para compreender a vida, devemos estar no fluxo da vida, no movimento da vida. Devemos estar cientes do processo de ignor\u00e2ncia, vontade, e medo, pois somos esse mesmo processo.<\/p><p>Temo que muitos de v\u00f3s, que me ouvem tantas vezes, mas n\u00e3o experimentam aquilo que digo, ir\u00e3o meramente adquirir uma nova terminologia, sem aquela mudan\u00e7a fundamental de vontade, que por si s\u00f3, pode libertar a mente e o cora\u00e7\u00e3o do conflito e do sofrimento. Ao inv\u00e9s de pedir por um m\u00e9todo de medita\u00e7\u00e3o, que nada \u00e9 sen\u00e3o uma indica\u00e7\u00e3o de querer uma fuga da realidade, discirnam, por v\u00f3s mesmos, o processo de ignor\u00e2ncia e medo. Este profundo discernimento \u00e9 medita\u00e7\u00e3o.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea diz que a disciplina \u00e9 f\u00fatil, quer externa ou autoimposta. Contudo, quando algu\u00e9m considera a vida seriamente, ele submete-se inevitavelmente a um tipo de autodisciplina volunt\u00e1ria. H\u00e1 algo errado nisto?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Tenho tentado explicar que a conduta que nasce da compuls\u00e3o, quer seja a compuls\u00e3o de recompensa ou de puni\u00e7\u00e3o, de medo ou de amor, n\u00e3o \u00e9 conduta correta. \u00c9 meramente uma imita\u00e7\u00e3o, um for\u00e7ar e treinar a mente de acordo com certas ideias, de forma a evitar o conflito. Este tipo de disciplina, imposta ou volunt\u00e1ria, n\u00e3o leva \u00e0 conduta correta. A conduta correta \u00e9 poss\u00edvel apenas quando compreendemos o inteiro significado do processo de ignor\u00e2ncia auto ativo, e o reformar da limita\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o da vontade. No profundo discernimento do processo do medo, h\u00e1 o despertar daquela intelig\u00eancia que gera a boa conduta. Pode a intelig\u00eancia ser despertada atrav\u00e9s da disciplina, imposta ou volunt\u00e1ria? \u00c9 uma quest\u00e3o de treinar o pensamento de acordo com um padr\u00e3o particular? \u00c9 a intelig\u00eancia despertada atrav\u00e9s do medo, que o faz subjugar a si mesmo a um padr\u00e3o de moralidade? A compuls\u00e3o de qualquer tipo, quer externamente ou voluntariamente imposta, n\u00e3o pode despertar a intelig\u00eancia, pois imposi\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado do medo. Onde h\u00e1 medo, n\u00e3o pode haver intelig\u00eancia. Onde a intelig\u00eancia funciona, h\u00e1 ajuste espont\u00e2neo sem o processo de disciplina. Ent\u00e3o, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se a disciplina \u00e9 certa ou errada, ou se \u00e9 necess\u00e1ria, mas como a mente pode ser livre do medo autocriado. Pois quando h\u00e1 liberdade do medo, n\u00e3o h\u00e1 o senso de disciplina, mas apenas a plenitude da vida.<\/p><p>Qual \u00e9 a causa do medo? Como o medo \u00e9 gerado? Qual \u00e9 seu processo e express\u00e3o? Deve haver medo enquanto o processo do \u2018Eu\u2019 existir, a consci\u00eancia da vontade, que limita a a\u00e7\u00e3o. Toda a a\u00e7\u00e3o que nasce da limita\u00e7\u00e3o da vontade apenas cria mais limita\u00e7\u00e3o. Esta constante mudan\u00e7a da vontade, com suas v\u00e1rias atividades, n\u00e3o liberta a mente do medo; apenas d\u00e1 ao processo do \u2018Eu\u2019 uma identidade e uma continuidade. A a\u00e7\u00e3o que surge da vontade deve sempre criar medo e, portanto, impedir a intelig\u00eancia e o ajuste espont\u00e2neo \u00e0 vida.<\/p><p>Ao inv\u00e9s de me perguntarem se \u00e9 correto ou errado disciplinar-se, estejam conscientes da vossa pr\u00f3pria vontade, e ent\u00e3o, ver\u00e3o como o medo \u00e9 criado e se perpetua. Em vez de querer se livrar do medo, estejam profundamente conscientes da vontade, sem compuls\u00e3o de qualquer tipo. Ent\u00e3o, haver\u00e1 a cessa\u00e7\u00e3o do medo, o despertar da intelig\u00eancia, e a profunda plenitude da vida.<\/p><p>2 de agosto de 1936.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-camp-holland-6th-public-talk-2nd-august-1936 Sexta Palestra em Ommen, Holanda Interrogante:\u00a0Quais, de acordo com voc\u00ea, s\u00e3o os princ\u00edpios b\u00e1sicos pelos quais se cria e educa as crian\u00e7as? Devemos ser sempre justificados ao assumir que as crian\u00e7as s\u00e3o capazes de conhecer o que \u00e9 bom e certo para elas, e que a menor interfer\u00eancia e orienta\u00e7\u00e3o de adultos, o melhor? 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