{"id":1028,"date":"2022-12-18T11:39:25","date_gmt":"2022-12-18T11:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1028"},"modified":"2022-12-18T11:40:42","modified_gmt":"2022-12-18T11:40:42","slug":"29-07-1936","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/krishnamurtitextos.com.br\/?page_id=1028","title":{"rendered":"29\/07\/1936"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1028\" class=\"elementor elementor-1028\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-345828c1 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"345828c1\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-45008a1b\" data-id=\"45008a1b\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-19fc86ed elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"19fc86ed\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-camp-holland-4th-public-talk-29th-july-1936\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-camp-holland-4th-public-talk-29th-july-1936<\/span><\/a><\/p><p style=\"text-align: center;\"><strong>Quarta Palestra em Ommen, Holanda<\/strong><\/p><p>A a\u00e7\u00e3o que nasce do processo de autopreserva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia com suas muitas camadas de ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias, desejos, medos, n\u00e3o pode libertar a mente de sua pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o auto criada, mas simplesmente intensifica o sofrimento e a frustra\u00e7\u00e3o. Enquanto esse processo continua, enquanto n\u00e3o existe compreens\u00e3o deste processo do \u201cEu\u201d, n\u00e3o apenas na sua forma e express\u00e3o mais \u00f3bvia, mas tamb\u00e9m em suas prodigiosas sutilezas, deve haver sofrimento e confus\u00e3o. Contudo, este pr\u00f3prio sofrimento, do qual estamos sempre tentando fugir, pode nos levar \u00e0 compreens\u00e3o do processo do \u201cEu\u201d, ao profundo conhecimento de si mesmo, mas todas as fugas pela ilus\u00e3o devem cessar. Quanto maior o sofrimento, mais forte \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00e3o. Mas se voc\u00ea n\u00e3o sofre, isto n\u00e3o significa, necessariamente, que voc\u00ea est\u00e1 livre de limita\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio, pode ser que sua mente esteja estagnada dentro de paredes auto protetoras de modo que nenhuma provoca\u00e7\u00e3o da vida, nenhuma experi\u00eancia, pode agit\u00e1-la para a atividade despertando-a, assim, para o sofrimento. Tal mente \u00e9 incapaz de discernir a realidade. O sofrimento pode provocar a compreens\u00e3o de si mesmo se voc\u00ea n\u00e3o tenta evit\u00e1-lo ou fugir dele.<\/p><p>Como podemos levar a um fim o processo do \u201cEu\u201d, de modo que nossa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o crie mais limita\u00e7\u00f5es e sofrimento? Para levar este processo do \u201cEu\u201d a um fim, deve haver consci\u00eancia do sofrimento, n\u00e3o a simples concep\u00e7\u00e3o de sofrimento. A menos que haja a provoca\u00e7\u00e3o vital da vida, a maioria de n\u00f3s se conforta no sono e permite, inconscientemente, que o processo do \u201cEu\u201d continue. A necessidade essencial para o discernimento do processo do \u201cEu\u201d \u00e9 estar totalmente consciente do sofrimento. Da\u00ed deve haver certeza absoluta de que n\u00e3o existem sa\u00eddas para o sofrimento. Toda busca por conforto e remedia\u00e7\u00f5es cessa totalmente ent\u00e3o. Todos os paliativos ritualistas deixam de ter qualquer significa\u00e7\u00e3o. Come\u00e7amos a perceber, ent\u00e3o, que nenhum agente externo pode nos ajudar a levar este processo de ignor\u00e2ncia autossustent\u00e1vel a um fim. Quando a mente est\u00e1 neste processo de abertura, quando est\u00e1 totalmente capaz de confrontar a si mesma, ent\u00e3o ela se torna seu pr\u00f3prio espelho, ent\u00e3o existe a consci\u00eancia n\u00e3o dividida; ela n\u00e3o julga suas a\u00e7\u00f5es por padr\u00f5es, nem \u00e9 controlada pela autoridade de um ideal. Ela \u00e9, ent\u00e3o, seu pr\u00f3prio criador e destruidor. O ambiente com suas influ\u00eancias condicionantes, e a hereditariedade com suas caracter\u00edsticas limitantes, perdem sua for\u00e7a com a compreens\u00e3o do processo do \u201cEu\u201d. Quando a mente discerne este processo integralmente, ela se v\u00ea como o processo, utilizando toda a a\u00e7\u00e3o, toda rela\u00e7\u00e3o para se sustentar. Na renova\u00e7\u00e3o de si mesma de momento a momento, por meio de suas pr\u00f3prias atividades volitivas, o processo do \u201cEu\u201d est\u00e1 se perpetuando e, simplesmente, engendrando sofrimento.<\/p><p>A maioria de n\u00f3s tenta fugir do sofrimento por meio de ilus\u00f5es, defini\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e conclus\u00f5es, e gradualmente, a mente se torna embotada, incapaz de perceber a si mesma. Apenas quando a mente percebe a si mesma como ela \u00e9 \u2013 como a vontade de si mesma, com suas muitas camadas de ignor\u00e2ncia, medo, desejo, ilus\u00e3o \u2013 quando ela discerne como, por meio de suas pr\u00f3prias atividades volitivas, o processo do \u201cEu\u201d est\u00e1 se perpetuando, s\u00f3 ent\u00e3o surge a possibilidade deste processo chegar ao seu pr\u00f3prio fim. Quando a mente discerne que ela mesma est\u00e1 criando sofrimento, perpetuando o processo do \u201cEu\u201d, e que ela \u00e9 o pr\u00f3prio processo do \u201cEu\u201d, ent\u00e3o h\u00e1 uma mudan\u00e7a de vontade, mudan\u00e7a da consci\u00eancia. O fim do processo do \u201cEu\u201d \u00e9 o come\u00e7o da sabedoria, alegria.<\/p><p>N\u00f3s, diligentemente, desenvolvemos a ideia de uma vontade superior e inferior na consci\u00eancia. Esta divis\u00e3o, simplesmente, gera conflito, que n\u00f3s tentamos acabar com disciplina. Onde existe desejo ou medo, sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 como o combust\u00edvel para uma chama \u2013 simplesmente sustenta o processo do \u201cEu\u201d. A compreens\u00e3o deste processo exige grande aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o esfor\u00e7o da escolha ou da disciplina.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0O medo \u00e9 uma parte fundamental da vida, de modo que sua compreens\u00e3o simplesmente nos habilita a aceit\u00e1-lo? Ou ele \u00e9 uma coisa que pode ser transmutada em outra coisa? Ou, ainda, \u00e9 uma coisa que pode ser eliminada totalmente? Algumas vezes a pessoa parece capaz de determinar a causa de um medo particular e, contudo, sob outras formas o medo continua. Por que deveria ser assim?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: O medo vai existir em diferentes formas, grosseiramente ou sutilmente, enquanto houver o processo ativo de ignor\u00e2ncia engendrado pelas atividades do desejo. Pode-se eliminar totalmente o medo, ele n\u00e3o \u00e9 parte fundamental da vida. Se existe medo, n\u00e3o pode haver intelig\u00eancia, e para despertar a intelig\u00eancia deve-se compreender integralmente o processo do \u201cEu\u201d em a\u00e7\u00e3o. O medo n\u00e3o pode ser transmutado em amor; ele deve permanecer sempre como medo mesmo quando tentamos racionaliz\u00e1-lo, mesmo que tentemos encobri-lo chamando de amor. Nem pode o medo ser compreendido como parte fundamental da vida a fim de nos habilitar a suport\u00e1-lo. Voc\u00ea n\u00e3o descobrir\u00e1 a causa profunda do medo simplesmente analisando cada medo que surgir. S\u00f3 existe uma causa fundamental do medo, embora ele possa se expressar de diferentes formas. Com a mera disseca\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias formas de medo, o pensamento n\u00e3o pode se libertar da causa original do medo. Quando a mente n\u00e3o aceita nem rejeita o medo, n\u00e3o foge dele nem tenta transmut\u00e1-lo, s\u00f3 ent\u00e3o pode haver a possibilidade de seu t\u00e9rmino. Quando a mente n\u00e3o est\u00e1 presa no conflito dos opostos, ent\u00e3o ela \u00e9 capaz de discernir sem escolha a totalidade do processo do \u201cEu\u201d. Enquanto este processo continua deve haver medo, e a tentativa de escapar dele apenas aumenta e fortalece o processo. Se voc\u00ea quiser se libertar do medo, deve compreender totalmente a a\u00e7\u00e3o nascida do desejo.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Estou come\u00e7ando a pensar que as posses materiais tendem a fomentar a vaidade e, al\u00e9m disso, s\u00e3o um fardo; e agora, eu decidi limitar minhas pr\u00f3prias exig\u00eancias materiais. No entanto, considero dif\u00edcil chegar a uma decis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a deixar heran\u00e7a para meus filhos. Devo eu, como pai deles, tomar uma decis\u00e3o sobre este assunto? Sei que eu n\u00e3o transmitiria, conscientemente, uma doen\u00e7a contagiosa se eu puder evitar. Eu estaria correto em assumir uma vis\u00e3o semelhante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 heran\u00e7a e, assim, privar meus filhos disto?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: O pr\u00f3prio interrogante diz que n\u00e3o transmitiria, voluntariamente, uma doen\u00e7a contagiosa. Ora, a heran\u00e7a \u00e9 tal doen\u00e7a? Possuir ou adquirir dinheiro sem trabalhar para isto produz uma forma de doen\u00e7a mental. Se voc\u00ea concorda com esta afirma\u00e7\u00e3o e age segundo ela, ent\u00e3o deve querer encarar as consequ\u00eancias de sua a\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea ajudar\u00e1 a desordenar o sistema social atual com sua explora\u00e7\u00e3o, seu poder cruel e est\u00fapido por meio da acumula\u00e7\u00e3o de dinheiro e os privil\u00e9gios do interesse investido. Se possuir ou adquirir dinheiro sem trabalhar para isto \u00e9 uma doen\u00e7a ou n\u00e3o, voc\u00ea deve descobrir por si mesmo.<\/p><p>Quando voc\u00eas, como indiv\u00edduos, come\u00e7arem a se libertar da doen\u00e7a do medo, n\u00e3o perguntar\u00e3o ao outro se devem deixar sua riqueza para seus filhos ou n\u00e3o. Sua a\u00e7\u00e3o ter\u00e1, ent\u00e3o, uma significa\u00e7\u00e3o profunda e diferente. Ent\u00e3o sua atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, classe, trabalho, riqueza, ou pobreza passar\u00e1 por uma profunda mudan\u00e7a. Se n\u00e3o h\u00e1 esta mudan\u00e7a significativa, que \u00e9 provocada pela compreens\u00e3o e n\u00e3o pela compuls\u00e3o, ent\u00e3o problemas artificiais s\u00f3 podem ser respondidos superficialmente, sem nenhuma consequ\u00eancia ou valor.<\/p><p><strong>Interrogante:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea falou sobre o impulso vital, o estado vigilante constante que, se compreendi corretamente, seria poss\u00edvel apenas depois que a pessoa tivesse passado por total solid\u00e3o. Voc\u00ea considera que \u00e9 poss\u00edvel para algu\u00e9m ter esse grande impulso e ser casado? Para mim parece que conquanto livres possam ser marido e mulher, haver\u00e1 sempre liga\u00e7\u00f5es entre os dois que devem, inevitavelmente, impedir que sejam integralmente respons\u00e1veis por si mesmos. O estado vigilante n\u00e3o levar\u00e1, portanto, ao total e completo desapego de cada um e de todos?<\/p><p><strong>Krishnamurti:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea n\u00e3o pode existir exceto em rela\u00e7\u00e3o com pessoas, com o ambiente, com a tradi\u00e7\u00e3o, com o substrato do passado. Ser \u00e9 existir em rela\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea pode, ou fazer a rela\u00e7\u00e3o vital, forte, expressiva, harmoniosa, ou pode transform\u00e1-la em conflito e dor. \u00c9 o sofrimento que for\u00e7a voc\u00ea a se recolher da rela\u00e7\u00e3o, e como voc\u00ea n\u00e3o pode existir sem estar em rela\u00e7\u00e3o com alguma coisa, voc\u00ea come\u00e7a a cultivar o desapego, uma rea\u00e7\u00e3o auto protetora contra o sofrimento. Se voc\u00ea ama, est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o correta com o ambiente; mas se o amor se transforma em \u00f3dio, em ci\u00fame e cria conflito, ent\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o se torna opressiva e dolorosa, e voc\u00ea inicia o processo artificial de desapegar-se daquilo que lhe causa dor. Voc\u00ea pode, intelectualmente, criar uma barreira auto protetora de desapego e viver nessa pris\u00e3o auto criada, que lentamente destr\u00f3i a plenitude da mente-cora\u00e7\u00e3o. Viver \u00e9 estar em rela\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode haver rela\u00e7\u00e3o harmoniosa e vital se existem desejos de autoprote\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00f5es que provocam sofrimento e conflito.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Se eu o compreendi corretamente, a aten\u00e7\u00e3o s\u00f3 e em si mesma \u00e9 suficiente para dissolver o conflito e sua fonte. Estou perfeitamente atento, e tenho estado durante longo tempo, de que sou \u201carrogante\u201d. O que me impede de me livrar da arrog\u00e2ncia?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: O interrogante n\u00e3o compreendeu o que eu quis dizer com aten\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea tem um h\u00e1bito, o h\u00e1bito da arrog\u00e2ncia, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 bom meramente superar este h\u00e1bito com outro, seu oposto. \u00c9 futilidade dominar um h\u00e1bito com outro h\u00e1bito. O que livra a mente do h\u00e1bito \u00e9 intelig\u00eancia. Aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo de despertar intelig\u00eancia, n\u00e3o criar novos h\u00e1bitos para dominar os antigos. Assim, voc\u00ea deve se tornar consciente de seus h\u00e1bitos de pensamento, mas n\u00e3o tentar desenvolver qualidades ou h\u00e1bitos opostos. Se voc\u00ea est\u00e1 totalmente atento, se est\u00e1 nesse estado de observa\u00e7\u00e3o sem escolha, ent\u00e3o voc\u00ea perceber\u00e1 todo o processo de criar um h\u00e1bito e, tamb\u00e9m, o processo oposto de domin\u00e1-lo. Este discernimento desperta a intelig\u00eancia que p\u00f5e de lado todos os h\u00e1bitos do pensamento. N\u00f3s ficamos ansiosos para nos livrar daqueles h\u00e1bitos que nos causam dor, ou que descobrimos serem in\u00fateis, com a cria\u00e7\u00e3o de outros h\u00e1bitos de pensamento e afirma\u00e7\u00f5es. Este processo de substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 completamente n\u00e3o inteligente. Se voc\u00ea observar, descobrir\u00e1 que a mente n\u00e3o \u00e9 mais do que uma massa de h\u00e1bitos de pensamento e mem\u00f3rias. Mas meramente dominando estes h\u00e1bitos com outros, a mente continua, ainda, na pris\u00e3o, confusa e sofrendo. S\u00f3 quando compreendemos profundamente o processo das rea\u00e7\u00f5es auto protetoras, que se tornam h\u00e1bitos de pensamento, limitando toda a\u00e7\u00e3o, \u00e9 que existe a possibilidade de despertar a intelig\u00eancia, que pode dissolver o conflito dos opostos.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: Voc\u00ea, por favor, explicaria a diferen\u00e7a entre mudan\u00e7a na vontade e mudan\u00e7a de vontade?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Mudan\u00e7a na vontade \u00e9 meramente resultado da dualidade na consci\u00eancia, e a mudan\u00e7a de vontade acontece na plenitude da totalidade do ser. Uma \u00e9 mudan\u00e7a no grau e a outra na esp\u00e9cie. O conflito do desejo, ou a mudan\u00e7a no objeto do desejo \u00e9, meramente, uma mudan\u00e7a na vontade, mas com a cessa\u00e7\u00e3o de todo desejo h\u00e1 uma mudan\u00e7a da vontade.<\/p><p>A mudan\u00e7a na vontade \u00e9 submiss\u00e3o \u00e0 autoridade do ideal e da conduta. A mudan\u00e7a de vontade \u00e9 discernimento, intelig\u00eancia, em que n\u00e3o existe conflito de ant\u00edtese. Na \u00faltima h\u00e1 profundo e espont\u00e2neo ajustamento; na primeira h\u00e1 compuls\u00e3o atrav\u00e9s da ignor\u00e2ncia, desejo e medo.<\/p><p><strong>Interrogante<\/strong>: A renova\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo \u00e9 suficiente para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas do mundo? A intelig\u00eancia abrange a a\u00e7\u00e3o para a liberta\u00e7\u00e3o de todos?<\/p><p><strong>Krishnamurti<\/strong>: Quais s\u00e3o os problemas do mundo? P\u00e3o, desemprego, guerras, conflitos, grupos pol\u00edticos opostos, o prazer dos poucos ricos do mundo, divis\u00f5es de classe, fome, morte, imortalidade \u2013 estes s\u00e3o os problemas do mundo. Estes tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o problemas individuais? Os problemas do mundo podem ser compreendidos apenas atrav\u00e9s desse processo focalizado em cada pessoa, o processo do \u201cEu\u201d. Por que criar esta divis\u00e3o artificial do indiv\u00edduo e o mundo? N\u00f3s somos o mundo, n\u00f3s somos a massa. Se voc\u00ea, como um indiv\u00edduo, compreende o processo de divis\u00e3o como nacionalismo, conflito de classe e antagonismo racial, se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais holand\u00eas, franc\u00eas, alem\u00e3o, ou ingl\u00eas, com todos os absurdos da separatividade, ent\u00e3o, certamente, voc\u00ea se torna um centro de intelig\u00eancia. Voc\u00ea est\u00e1, ent\u00e3o, combatendo a estupidez onde voc\u00ea estiver, embora isto possa lev\u00e1-lo \u00e0 fome e ao trabalho \u00e1rduo. Se n\u00f3s compreendemos isto integralmente pela a\u00e7\u00e3o, podemos ser um o\u00e1sis no meio de desertos. O processo de \u00f3dio e divis\u00e3o \u00e9 t\u00e3o antigo quanto os s\u00e9culos. Voc\u00ea n\u00e3o pode afastar-se dele, mas no meio dele voc\u00ea pode ser claro, simples, verdadeiro, sem as incrusta\u00e7\u00f5es de antigas tolices. Ent\u00e3o voc\u00ea ver\u00e1 que imensa compreens\u00e3o e alegria voc\u00ea pode trazer \u00e0 vida. Mas, infelizmente, em momento de grandes revoltas e guerras, voc\u00ea fica paralisado. Seus pr\u00f3prios \u00f3dios e medos potenciais surgem e arrastam voc\u00ea. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 o o\u00e1sis tranquilo onde a humanidade sofrida pode chegar.<\/p><p>Assim, \u00e9 da m\u00e1xima import\u00e2ncia compreender o processo que engendra estas limita\u00e7\u00f5es, \u00f3dios, sofrimentos. A a\u00e7\u00e3o originada da compreens\u00e3o integral ser\u00e1 uma for\u00e7a libertadora, embora os efeitos de tal a\u00e7\u00e3o possam n\u00e3o se mostrar na sua vida ou dentro de um per\u00edodo determinado. O tempo n\u00e3o tem import\u00e2ncia. Uma revolu\u00e7\u00e3o sangrenta n\u00e3o traz paz duradoura ou felicidade para todos. Em vez de, simplesmente, desejar paz imediata neste mundo de confus\u00e3o e agonia, considere como voc\u00ea, o indiv\u00edduo, pode ser um centro, n\u00e3o de paz, mas de intelig\u00eancia. A intelig\u00eancia \u00e9 essencial para a ordem, harmonia e o bem estar do homem.<\/p><p>Existem muitas organiza\u00e7\u00f5es pela paz, mas existem muito poucos indiv\u00edduos que s\u00e3o livres, que s\u00e3o inteligentes no verdadeiro sentido da palavra. Voc\u00eas podem come\u00e7ar como indiv\u00edduos a compreender a realidade; ent\u00e3o a chama da compreens\u00e3o se espalhar\u00e1 sobre a face da terra.<\/p><p>29 de julho de 1936<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/jkrishnamurti.org\/content\/ommen-camp-holland-4th-public-talk-29th-july-1936 Quarta Palestra em Ommen, Holanda A a\u00e7\u00e3o que nasce do processo de autopreserva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia com suas muitas camadas de ignor\u00e2ncia, tend\u00eancias, desejos, medos, n\u00e3o pode libertar a mente de sua pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o auto criada, mas simplesmente intensifica o sofrimento e a frustra\u00e7\u00e3o. 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