Palestra na Universidade, Montevideo - 6 de julho de 1935.

Pergunta: Qual seria o real propósito da educação?

Krishnamurti: Se você pensa que o homem não é mais do que uma máquina, barro para ser modelado, ser moldado segundo um padrão particular, então você deve ter implacável compulsão, rigorosa disciplina porque assim não vai querer despertar a inteligência individual, o pensar criativo, mas simplesmente quer que o indivíduo seja condicionado em um sistema particular. É isso que vem acontecendo mundo afora, em alguns casos sutilmente, em outros de forma grosseira. Você vê a compulsão em várias formas sendo exercida sobre os seres humanos, e, gradualmente, destruindo sua inteligência, sua realização.

Muitos de vocês que têm inclinação religiosa, e falam sobre Deus e imortalidade, não creem fundamentalmente na realização individual, porque na própria estrutura do pensamento religioso, através do medo, você permite a compulsão e a imposição. Ou deve haver a realização individual, ou a completa mecanização do homem; não pode haver ajustamento entre os dois. Você não pode dizer que o homem deve se adequar a um padrão, deve ceder, seguir, obedecer, ter autoridade, e ao mesmo tempo pensar que ele é uma entidade espiritual.

Uma vez que você começa a compreender o profundo significado da vida humana, então haverá verdadeira educação. Mas para compreender isto, a mente deve libertar-se da autoridade e tradição discernindo seu verdadeiro significado. As questões superficiais a respeito disto serão respondidas quando você mergulhar profundamente em todas as sutilezas da autoridade. Deve haver inevitavelmente uma forma sutil ou grosseira de compulsão quando a mente está buscando segurança, abrigo. Assim, a mente que se libertaria da compulsão não deve buscar a limitação da segurança, da certeza. Para compreender o profundo significado da autoridade e da compulsão, você precisa de pensamento muito delicado e cuidadoso.