2ª palestra em São Paulo - 24 de abril de 1935.

Pergunta: Você é contra a instituição da família?

Krishnamurti: Eu sou, se a família é o centro da exploração, se ela está baseada em exploração. (Aplausos) Por favor, qual a vantagem de meramente concordar comigo? Você deve agir para alterar isto. O desejo de perpetuação cria a família que torna-se o centro da exploração. Então a pergunta correta seria realmente: pode-se viver sem exploração? Não, se a vida em família é certa ou errada, não, se ter filhos é certo ou errado, mas se família, posses, poder não são o resultado do desejo por segurança, autoperpetuação. Enquanto houver desejo, a família torna-se o centro da exploração.

Podemos alguma vez viver sem exploração? Eu digo que podemos. Haverá exploração enquanto houver luta por autoproteção; enquanto a mente estiver procurando por segurança, conforto – por meio da família, religião, autoridade ou tradição – haverá exploração. E a exploração cessa somente quando a mente discerne a falsidade da segurança e não é mais ludibriada pelo seu próprio poder de criar ilusões. Se você experienciar o que eu digo, você entenderá que eu não estou destruindo o desejo, e sim que você pode viver nesse mundo ricamente, sadiamente, um vida sem limitações, sem sofrimento.  Você pode descobrir isto, somente pela experiência, não pela negação, não por meio da resignação, nem pela mera imitação. Onde a inteligência está funcionando – e a inteligência deixa de funcionar quando há medo e desejo por segurança – não pode haver exploração.

A maioria das pessoas está esperando que o acontecimento de uma mudança alterará milagrosamente este sistema de exploração. Elas estão esperando por revoluções que concretizem suas esperanças e desejos não realizados; mas nessa espera elas estão morrendo lentamente. Eu penso que meras revoluções não mudarão os desejos fundamentais do homem. Mas se o indivíduo começar a agir com inteligência, sem compulsão, sem compromisso com as condições presentes ou com o que revoluções prometem no futuro, então haverá uma riqueza, uma completude cujo êxtase não pode ser destruído.