Conversa com homens de negócios - 06/04/1934
Pergunta: Você pode nos dizer como você chegou nesse grau de compreensão?
Krishnamurti: Receio que leve muito tempo, e pode ser muito pessoal. Primeiramente, senhores, eu não sou um filósofo, eu não sou um estudante de filosofia. Eu acho que aquele que é apenas um estudante de filosofia já está morto. Mas eu vivi com todos os tipos de pessoas, e fui criado, como talvez vocês saibam, para cumprir determinada função, um certo dever. Novamente tendendo a ser explorador. Eu fui também o cabeça de uma imensa organização em todo o mundo para fins espirituais; e eu vi a falácia disso, porque não se pode levar os homens à verdade. Você pode torná-los inteligentes pela educação, que não tem nada a ver com os sacerdotes e seus meios de exploração – cerimônias. Então eu dispersei essa organização; e, vivendo com pessoas, não tendo uma ideia fixa sobre a vida, ou uma mente vinculada a uma certa experiência tradicional, comecei a descobrir o que pra mim, é verdade: Verdade para todos – uma vida que se possa viver de forma saudável, de forma sã, humanamente; não baseada na exploração, mas nas necessidades. Eu sei o que preciso, e não é muito, assim se eu trabalho para isso fazendo um jardim, falando, ou escrevendo, isso não é de grande importância.
Antes de tudo, pra descobrir qualquer coisa, deve haver um grande descontentamento, um grande questionamento, infelicidade; e muito poucas pessoas no mundo, quando estão descontentes querem acentuar essa insatisfação, e desejam passar por ela para descobrir. Elas geralmente querem o oposto. Se estão descontentes, querem felicidade; enquanto que para mim – pessoalmente – não quis o oposto. Eu quis descobrir, e então gradualmente, através de vários questionamentos e atritos contínuos, eu vim a perceber o que se pode chamar de verdade ou de Deus. Espero que eu tenha respondido.