Adyar – Índia - 3 de janeiro de 1934.
Pergunta: Qual é o rumo mais sábio a tomar – proteger e dar abrigo aos ignorantes pelo conselho e orientação, ou deixá-los descobrir através da sua própria experiência e sofrimento, mesmo embora lhes possa levar uma vida inteira a libertarem-se dos efeitos de tal experiência e sofrimento?
Krishnamurti: Eu diria que nenhum; eu diria que os ajudassem a ser inteligentes, o que é uma coisa completamente diferente. Quando querem guiar e proteger os ignorantes, estão realmente a dar-lhes o refúgio que criaram para vocês mesmos. E enveredar pelo ponto de vista oposto, isto é, deixá-los andar à deriva através das experiências, é igualmente insensato. Mas podemos ajudar os outros através da educação – não através desta doença moderna a que chamamos educação, este passar por exames e universidades. Não chamo a isso educação de modo nenhum. É apenas imbecilizar a mente. Mas essa é uma questão diferente.
Se pudermos ajudar os outros a se tornarem inteligentes, isso é tudo o que precisamos de fazer. Mas essa é a coisa mais difícil do mundo, porque a inteligência não oferece refúgio das lutas e das confusões da vida, nem dá conforto; somente cria compreensão. A inteligência é livre, sem entraves, sem medo ou superficialidade. Podemos ajudar os outros a se libertarem de aquisitividade, das muitas ilusões e impedimentos que os aprisionam, somente quando começarmos a nos libertar. Mas temos esta extraordinária atitude de querer melhorar as massas enquanto somos ainda ignorantes, enquanto estamos ainda presos às superstições, à aquisitividade. Quando começarmos a libertar-nos, então ajudaremos os outros natural e verdadeiramente.