Stresa, Itália – 2ª palestra 8 de julho, 1933.

 Pergunta: Quais são as causas dos desentendimentos que nos levam a colocar-lhe questões em vez de agir e viver?

Krishnamurti: É bom questionar, mas como recebem as respostas? Fazem uma pergunta e recebem uma resposta. Mas o que fazem com essa resposta? Perguntaram-me o que havia após a morte, e eu dei-lhes a minha resposta. Ora o que vão fazer com essa resposta? Vão armazená-la em qualquer canto do vosso cérebro e deixá-la aí permanecer? Vocês têm celeiros intelectuais nos quais reúnem ideias que não compreendem, mas que esperam lhes venham a servir em situações de dificuldade ou dor. Mas se compreenderem, se se entregarem de alma e coração ao que digo, então agirão; nessa altura a ação nascerá da vossa própria plenitude.

Há duas maneiras de colocar uma questão: podem colocar uma questão quando estão na intensidade do sofrimento, ou podem colocar uma questão intelectualmente, quando estão entediados e à vossa vontade. Num dia querem saber intelectualmente; noutro dia perguntam porque sofrem e querem saber a razão do sofrimento. Só podem realmente saber quando questionarem na intensidade do sofrimento, quando não desejarem escapar do sofrimento, quando se encontrarem com ele cara a cara; somente então saberão o valor da minha resposta, o seu valor humano para o homem.