Trechos da palestra do dia 25 de agosto de 1935

O que acontece quando existe experiência? Ela deixa uma marca na mente, que chamamos memória. Com essa cicatriz, com essa memória, encontramos a próxima experiência, e dessa experiência reunimos mais memória, aumentando a cicatriz. Cada experiência deixa sua marca na mente. Ora, estas camadas coletivas de memórias se baseiam, essencialmente, no desejo de proteger a si mesmo do sofrimento. Ou seja, você chega à experiência já preparado, já protegido por suas memórias passadas. Você não está, realmente, vivendo completamente nessa experiência, mas está meramente aprendendo como proteger-se contra ela, contra a vida. A experiência se torna sem valor para o homem que a usa meramente como meio de mais autodefesa contra a vida. Mas se você vive uma experiência totalmente, integralmente, sem este desejo de autoproteção, então isto não destrói o discernimento, e revela as grandes alturas e profundezas da vida. 

Ora, usar a experiência como meio de avançar, ou seja, aumentar os muros de autoproteção é, geralmente, chamado de evolução. Você pensa que pelo tempo esta memória, esta gravação auto protetora, pode alcançar a verdade ou a perfeição ou Deus. Não pode. A verdadeira experiência é o rompimento daqueles muros auto protetores e libertar a mente, a consciência, daquelas cicatrizes que impedem o discernimento, a realização. 

 

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Livro – A questão do impossível 

INTERROGANTE: Podemos aprender pela experiência? 

KRISHNAMURTI: De modo algum. Aprender requer liberdade, curiosidade, investigação. Quando uma criança aprende uma coisa, torna-se curiosa a respeito dela, deseja saber; é um movimento livre, e não um movimento de haver adquirido e mover-se a partir dessa aquisição. Temos inumeráveis experiências; já tivemos cinco mil anos de guerras. Não aprendemos nada com elas, a não ser inventar máquinas mais mortíferas com as quais matamos uns aos outros.  

Tivemos muitas experiências com nossos amigos, com nossas esposas, com nossos maridos, com nossa nação – não aprendemos. A aprendizagem, de fato, só pode ocorrer quando há liberdade da experiência. Quando você descobre algo novo, sua mente deve estar livre do antigo, obviamente. Por esta razão, a meditação é o esvaziamento da mente do conhecido como experiência; porque a verdade não é algo que você inventa, é algo totalmente novo, não é em termos do passado ‘conhecido’. Sua novidade não é o oposto da antiga; é algo incrivelmente novo: uma mente que chega a isso com experiência não pode vê-lo.