Sou um indivíduo? 3

Vou iniciar tentando retirar a vestimenta que a palavra impõe, ao invés de nomear ego vou falar eu, eu sou isso, eu faço isso, eu tenho isso.

Assim, o ego não se torna algo distante e poderei considerar sua realidade em meus sentimentos, pois são eles que são a base de meu comportamento. Se sinto frio, pego um casaco, se sinto fome, como, se me sinto sujo, tomo um banho, simples e eficiente, não há conflito nisso desde que se mantenha restrito à necessidade.

Agora vem a distinção da emoção, pois emoção não é sentimento, mas é confundida com sentimento, se sinto tristeza procuro algo para suavizar, se sinto raiva nem sei o que fazer, pois ela é potente, se sinto medo aí a coisa fica mais complicada ainda, nessas situações o conflito, a indecisão estão presentes, levemente ou acentuadamente. Portanto a emoção não atua com o sentimento, ela é especifica para atuar em minha “necessidade” de conforto e segurança psicológica, quero me sentir seguro, normal e saudável, mas não perceber a imprevisibilidade da vida e se refugiar em uma sensação de segurança construida psicologicamente já é um desvio perigoso.

Se percebo a beleza de um por do sol, isso gera uma resposta, que ao nomear, cria um certo desconforto, pois podemos dizer que foi emoção ou que foi sentimento ou até outra coisa que não se encaixa nas definições correntes, e isso sou eu funcionando. Portanto sou impulsionado por mecanismos que penso estarem alinhados com minha compreensão, mas não parece haver solidez nesse caminho, apenas uma crença nessa solidez.

Assim,  preciso de segurança mas ao avaliar minhas respostas à realidade surge uma dúvida a respeito de que segurança preciso, se é só física ou emocional também, pois essa parte emocional não parece estar clara o suficiente, ela parece ter sido aceita sem muito cuidado e não oferece realmente a segurança que pretendo, pois está sendo constantemente atacada pela realidade e eventualmente derrotada.

Assim meu funcionamento apresenta uma característica que por ser comum, não foi investigada completamente, e quem sou eu ou que sou eu ficou mais difícil de definir, se é que há como definir isso, mas desconstruir uma percepção que não apresenta solidez em sua manifestação talvez seja o primeiro passo para descobrir o que nossa crença esconde impedindo nossa essência se manifestar.

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